História Em Nome do Anjo - Os Filhos da Luz - Capítulo 5


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Anjos, Demonios, Filhos Da Luz, Nefilins
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Escolar, Famí­lia, Fantasia, Ficção, Luta, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 5 - Capítulo QUATRO - O Beijo


O pequeno encontro com a dupla de gêmeos do mal – como eu os dominei. Nem sabia se eram gêmeos, mas eram muito parecidos pra não serem – havia sido em uma sexta-feira. Então passei o fim de semana inteiro pensando no ocorrido naquela maldita praça, e aquilo estava me matando. Eu queria realmente entender o motivo dele reagir daquela maneira. E por que aquele casal havia falado com ele daquela forma.

Não sabia dizer se sentia-me incomodada com o fato dos dois o conhecerem tão bem e o Stephen não me dar liberdade para o mesmo ou se eu só estava curiosa pela forma como os três haviam agido.

Seria pelos dois motivos?

Sei lá.

Fui para escola, na manhã de segunda-feira, sem animação alguma. Entrei na sala de aula, vendo que a carteira dele estava vazia. Sentei, pegando meu caderno e me distraindo com ele. Estava torcendo para que Stephen faltasse hoje, ainda não tinha vontade alguma de olhar pra aquela linda carinha. Mas como eu não tenho sorte, minutos depois ele sentou-se ao meu lado. Continuei mirando a capa do caderno, fingindo que não havia visto ele chegar.

— Ellie. – Stephen me chamou.

Algumas cabeças viraram-se para nos encarar. Eu ignorei o fato e fingi não ouvi-lo.

— Você vai me ignorar agora? – ele perguntou, colocando a mão em meu ombro e o puxando, para que eu o encarasse. Eu o mirei, sabendo que a maioria dos colegas, que ali se encontravam, nos observava. E essa constatação não estava me ajudando em nada a melhorar o meu humor.

Eu continuei em silêncio, apenas encarando aquele par de olhos cor de avelã.

— Ellie...

— Você disse que queria ser meu amigo, não é mesmo? – murmurei, percebendo que a carga da raiva que estava sentindo, sendo solta no que estava falando – Mas na primeira chance que teve, você me tratou daquela maneira! Amigos não ferem os outros assim, Stephen.

— Eu não fiz por mal... – ele respondeu, exasperado.

— Não fez por mal? – repeti a sua resposta, usando uma ponta de sarcasmo na voz, falando mais alto do que esperava. Acabei soltando uma risadinha de raiva, pois percebi que havia chamado a atenção dos demais mais uma vez.

Ele olhou para nossos colegas, lançando um olhar feroz a eles, que estavam ouvindo a nossa discussão, um segundo depois, todos viraram-se. Ele voltou a me encarar como se nada tivesse acontecido.

— Que tal esquecer o que aconteceu ontem? – Stephen perguntou, me lançando um sorriso nervoso. Ele continuava com a mão em meu ombro – Não vale a pena você ficar brava comigo por conta de algo tão irrelevante!

— Se é tão irrelevante então me explica por que você ficou tão irritado por eu querer saber quem eram aqueles dois e por que eles falaram daquela maneira com você e até mesmo comigo?! Se é tão irrelevante por que você praticamente me arrastou pra casa e me destratou daquela forma?!

Ele aproximou-se de mim, parecendo um felino prestes a dar o bote, que me fez arregalar os olhos.

— Eu os conheço há algum tempo. – ele murmurou para somente eu ouvir me olhando nos olhos. A maneira como havia se aproximado, estava quase encostando seu nariz no meu – A garota se chama Aria e o rapaz Jake, são irmãos gêmeos. Os dois não são boas pessoas. É muito perigoso ficar perto deles e eu não quero ver você em perigo Helene! – a voz dele tinha um quê de medo e preocupação, quando ele terminou. Stephen não parecia nem de longe o rapaz de dias atrás, em seu habitual tom de desdém e arrogância.

Eu abri a boca para respondê-lo, mas a professora chegou. Quando o encarei novamente, ele já havia se endireitado na cadeira e mantinha o olhar nas próprias mãos, que estavam juntas, em cima de seu caderno.

O resto da aula passou sem que nenhum de nós dois quebrasse o silêncio. Quando a aula acabou, eu peguei minhas coisas e coloquei rapidamente na mochila, quando a atirei nas costa, ao me levantar, ele pegou meu pulso.

— Ellie... – ele sussurrou meu nome. Eu o olhei, puxando minha mão.

— Agora não. – respondi, indo para a porta.

— Você vai continuar me tratando dessa maneira? – Stephen perguntou, já andando ao meu lado.

Eu fiquei em silêncio, pois não estava a fim de conversar. Não sei por que estava tão irritada com ele, pois alguma resposta Stephen havia me dado. Ele havia me tratado mal, o que ainda estava me incomodando. Mas não era esse o real motivo por estar evitando-o. Na realidade, nem eu sabia ao certo o que era.

— Ellie... – ele tornou a me chamar – Helene!

Já tinha percebido, que quando ele me chamava pelo meu nome inteiro era, ou por que estava aborrecido comigo ou exasperado com minhas reações. Eu parei de caminhar e me virei bruscamente, fazendo-o parar em cima de mim, me olhando um pouco surpreso.

— Ainda me frustra saber que você me vê como amiga, mas não tem confiança pra me contar o que esconde! – exclamei, o encarando nos olhos. Ele uns bons centímetros mais alto do que eu. Não parecia nada ameaçadora ter de quase ficar na ponta dos pés pra mirá-lo como estava fazendo.

— É claro que eu confio em você! – respondeu, revirando os olhos para mim, com impaciência. Enquanto falava, Stephen se aproximou mais ainda e abaixou a cabeça para devolver o meu olhar – Mas têm certas coisas que eu não posso falar! –sussurrou.

— Ou não quer contar! – retruquei, me virando e seguindo pelo corredor. Eu era birrenta e não daria o braço a torcer. Segundos depois, Stephen já estava do meu lado – Droga! – resmunguei parando de caminhar para pegar o meu horário. Por incrível que pareça eu ainda não havia decorado. Acho que não cheguei a comentar, mas uma das sequelas do acidente foi a dificuldade que tinha para memorizar as coisas. Antigamente eu não tinha problema algum com isso, mas agora minha coordenação motora era uma bagunça e minha memória um completo caos.

— É geometria agora. – Stephen respondeu, parando no meu lado. Eu olhei para ele e continuei andando.

Entrei na sala e fui direto para o meu lugar. Sentei-me, e fiquei olhando para minhas mãos.

— Hoje você não me escapa! – resmungaram atrás de mim. Eu me virei e vi que Melanie estava sorrindo para mim.

— Melanie! – eu disse, fingindo entusiasmo.

— Vou poder apresentar todas as minhas amigas! – eu ouvi Stephen resmungar alguma coisa – Estas são Annie, Lucy, Katy, Meg e Hanna. Meninas, esta é a Helene, minha irmã! Os meninos nos encontrarão no refeitório.

— Olá! – elas disseram em coro, todas sorrindo para mim.

Quanta falsidade.

— Oi. – eu respondi forçando um sorriso.

— Elas vieram comigo só para poderem te conhecer.

— Você vai almoçar conosco hoje, não vai? – Annie perguntou, não olhando para mim, mas sim para Stephen, que estava de cabeça baixa, rabiscando no caderno. Ela acha mesmo que ele viria comigo se caso eu fosse com elas?

— Vou. – eu respondi, na hora em que a professora entrava na sala.

O resto da manhã eu não conversei com Stephen e nem olhei para ele uma única vez. Quando o sinal tocou para o almoço, eu peguei minhas coisas lentamente e me levantei. Stephen já estava saindo da sala, sem olhar para mim.

Quando eu saí na porta, as garotas estavam me esperando.

— Por que você não convidou aquele Deus para almoçar conosco? – uma das garotas perguntou. Acertei na mosca. – Se não se lembra, eu sou a Hanna.

Eu sorri para ela. A minha vontade era de virar as costas e sumir dali.

— Certamente ele não aceitaria. – eu respondi, deixando a garota ficar um pouco sem graça. Isso fez com que eu me sentisse melhor.

Fomos para o refeitório. Sentamos no meio do grande salão. Pelo jeito aquela mesa era o local de reunião do grupinho popular do local. Se fosse na minha antiga escola, eu estaria sentado nela, pois era popular por conta do esporte, mas nesta eu não fazia questão. Tirando meus irmãos, não dava um vintém por essas vadias.

— Você é bem amiga do Stephen. – comentou Lucy quando nos sentamos.

— Acho que sim. – eu disse. Percebi que seria interrogado por aquelas garotas, e isso não estava me ajudando em nada com o meu humor.

Olhei de relance para Melanie. Eu não queria magoá-la, mas não iria servir de porta-fofoca ou pombo-correio para ninguém.

Por alguns minutos, a conversa girou por outros assuntos, mas eu sabia que uma hora ou outra, elas iriam tocar no ponto que todas queriam tocar, mas ainda estavam evitando. O que não demorou a acontecer.

— Bom, conte para nós, Helene! – exclamou uma das meninas. Eu removi uma mecha de cabelo do rosto, encarando-a – O que faz você andar com Stephen Chevalier? Sabe, a escola anda comentando... Alguns colegas me disseram que vocês estavam tendo uma discussão calorosa hoje mais cedo... – ela deu um sorrisinho malicioso – Vocês dois já ficaram? Não se encabule, pode nos contar tudo! Vocês estão namorando às escondidas e não contaram a ninguém né?

— Eu acho que não. – encarei o rapaz que se chamava Stuart – Ele tem jeito de ser uma bichinha. Cuidado, Helene, não caia na rede daquele viadinho, pois vai te usar para esconder que gosta de levar umas fincadas no traseiro.

Melanie parou de comer, segurando a respiração. Ela me encarava, de olhos arregalados, sabendo que eu não iria ficar quieta enquanto ouvia aquelas merdas e a risadas daquele bando de sem noção.

— Você é a Katy não é? – comecei, em tom calmo. Olhei para o rapaz – E Stuart.

— Uhum. – responderam, ainda rindo.

— Katy... Stuart... – começou Melanie – Cale a boca, por favor...

Ela a encarou.

— Por quê?! – perguntou a guria – Falei alguma coisa errada? Stuart tem razão, aquele garoto é viado! Acha que ele iria nos desdenhar se não curtisse meninos?!

A mesa inteira parou de comer para ver o que acontecia. Eu sorri de leve, encarando-a.

— Primeiramente, não acho que saber da minha vida particular vai fazer alguma diferença pra você. Somente o fato de que morrerá de inveja se eu estou dando uns pegas no garoto mais bonito dessa escola. Mas como isso não é da sua conta, fique apenas imaginando. Segundo, o que eu e Stephen conversamos só cabe a nós saber, a ninguém mais. E eu não costumo falar da vida particular de ninguém para um bando de patricinhas e mauricinhos fofoqueiras e recalcados que só por que receberam um não do cara ou não chegam aos pés dele o chamam de viado. – eu me ergui, olhando-a – E se você quer saber se ele é ou não, pergunte diretamente ao Stephen. E não me use como ponte para se aproximar rapaz já que não tem capacidade para tal.

Peguei a minha bandeja, que eu não havia mexido.

— Agradeço pelo convite, mas peço educadamente que não me convidem mais, se for pra meterem o dedo na minha vida ou de qualquer um que seja próximo a mim. – a garota parecia um tomate podre, de tão vermelha, assim como o rapaz. Melanie estava de cabeça baixa, parecendo envergonhada – Com licença.

Me retirei do refeitório, sabendo que seria o centro das atenções da escola, naquele dia e pelos próximos. E também sabia que agora iriam começar as fofocas, sobre meu relacionamento com Stephen Chevalier, e isso não era algo que me agradava.

Olhei no meu horário e fui direto para a sala de aula. Faltava um bom tempo para a aula e eu não estava inclinada a vagar pela escola, sabendo dos olhares tortos que receberia a partir de agora, e a minha perna ainda doía pelo esforço. Quando cheguei até a sala, havia um único aluno ali. Stephen estava de cabeça baixa com os fones nos ouvidos, brincando com os dedos, absorto em seus pensamentos, sem nem perceber a minha chegada.

Eu andei até a classe e me sentei do seu lado. Ele levantou a cabeça completamente surpreso.

— Acabei de comprar briga com uma das garotas mais populares da escola. – eu resmunguei, olhando para o quadro – Eu acho que com Stuart também.

— Bem vinda ao clube! – respondeu ele, sorrindo.

Eu acabei sorrindo também.

— Você fica bem melhor quando está sorrindo e não furiosa comigo.

Eu não consegui segurar uma risada. Ele riu também, se tornando bem mais relaxado do que estava naquele dia.

— Agora me diga, o que você fez para conseguir uma inimiga? Ou inimigos.

— Eu simplesmente as mandei não enfiarem o nariz onde não é chamado.

— Humm... – ele resmungou, me lançando um daqueles sorrisos, que me deixavam meio zonza – Somos amigos novamente?

Eu olhei para ele.

— É primeira vez que eu fico de mal com uma pessoa e depois quase saio no tapa para defendê-la!

— Você me defendeu? – perguntou, arqueando um das sobrancelhas para mim.

— Sim. – respondi, sentindo que meu rosto estava corando – Comentaram da nossa discussão na sala. Depois insinuaram coisas... quando eles te chamaram de bicha na cara dura...

Stephen soltou uma risadinha, e notei que aquilo parecia diverti-lo em vez de irritá-lo. Eu olhei para ele, ainda estava de mau-humor pelo o que tinha acontecido, mas não tinha como eu ficar de mal com ele por muito tempo. Isso parecia ser impossível para mim.

— Não fique convencido com isso! Eu ainda não desisti de descobrir o que você está me escondendo. – resmunguei, birrenta.

Ele parou de rir no mesmo instante.

— Eu já disse que aquilo não era nada Ellie! – ele resmungou, revirando os olhos para mim, um pouco exasperado – Quantas vezes eu vou ter que repetir isso?

— Pode repetir quantas vezes você quiser! – retruquei, ainda o encarando – Mas o que ele quis dizer quando falou que você não poderia namorar? Que você tinha de seguir as regras?

Stephen olhou para mim de uma maneira diferente.

— Era besteira. – respondeu, simplesmente – Coisa de família. E se eu quiser ninguém vai me impedir de fazer o que eu quero.

Eu olhei para ele.

— E o que você quer fazer afinal? – perguntei – Você é a pessoa mais excêntrica que eu já encontrei na minha vida...

Não consegui concluir o que eu falava, pois Stephen segurou meu rosto, aproximando-se de mim de forma lenta, sem retirar o seu olhar do meu.

— Já faz algum tempo que eu quero fazer isso. – sussurrou.

E então me beijou.

Stephen Chevalier estava me beijando. Eu não reagi de primeira, pois fui pega de surpresa, apenas me deixei ser levada, enquanto senti meu corpo ficar leve ao perceber que ele aprofundava o beijo com mais fervor. Em vez de o ritmo diminuir, Stephen me segurou pela nuca com uma mão e a outra prendeu minha cintura, sem desgrudar seus lábios dos meus. Respondi com desejo aquele beijo. Desejo esse, que percebi ter há meses e só naquele havia entendido os meus sentimentos. Segurei seu rosto, retribuindo na mesma intensidade, enquanto o calor subia pelo meu corpo, ao sentir a sensação excitante que ele me provocava.

Ele diminuiu o ritmo, separando-se lentamente dos meus lábios, estávamos sem fôlego. Stephen me encarou de uma forma, que parecia me ver através dos meus olhos. Ao abriu a boca para me falar algo, nesse momento alguns alunos entraram, absortos em suas conversas. Nós nos separamos rapidamente, mas, pelo visto, ninguém percebeu nada.

— Ellie? – uma garota se aproximou, ficando de frente para mim.

— Sim? – resmunguei, com a voz rouca. Pigarrei, limpando a garganta, dei uma olhada de canto para Stephen, ele estava de cabeça baixa, sorrindo – Sim? – repeti me sentindo desconfortável.

— Você está bem? – ela perguntou.

— Hum, claro! – respondi, tentando sorrir, sentindo meu rosto ficar vermelho.

Certamente estava com os lábios avermelhados e inchados, Stephen havia esmagados contra sua própria boca, seria um milagre ela não percebesse isso.

— Eu soube o que você fez no refeitório. Bom todo mundo está comentando. – ela deu um risinho – Embora isso não pareça muito, você arranjou alguns desafetos ali.

— É, eu percebi isso. – eu respondi, olhando para ela – Você não parece ser amiga dela.

— E não sou. Faço parte do grupo dos “CDFs”! – ela exclamou, fazendo aspas com as mãos para a última palavra – E eu vim aqui representando os meus amigos. Gostaria de lhe conhecer melhor, ter você como amiga. De certa forma nos sentimos representados lá.

Me ter como aliada ela quer dizer.

— Ela é legal! – Stephen sussurrou no meu ouvido e eu dei um pulo. A garota nos olhou um pouco intrigada, mais curiosa do que intrigada. Certamente estava confirmando o que andavam falando por aí – E os amigos dela também.

— Claro! – eu respondi, sorrindo sem jeito. Estava completamente sem graça, e certamente ela havia percebido.

Ela me deu um grande sorriso.

— A gente se encontra na próxima aula então. – ela disse puxando a alça da mochila e colocando-a em uma classe.

— Qual é o seu nome? – eu perguntei.

— Sonia. – respondeu olhando para trás – Bom, já volto aí.

Quando ela estava saindo, Melanie entrou.

— Oi? – ela murmurou, um pouco sem graça.

— Oi. – resmunguei.

— Você está brava comigo? – Melanie perguntou, sentando na carteira a minha frente, ela parecia muito sem jeito.

— Não. – respondi, minha irmã não tinha culpa – Eu só não fui muito com a cara dos seus amigos.

— É, eu avisei a Katy e o resto para controlarem aquela curiosidade que eles têm. E a língua. O bom é que agora você virou a heroína dos fracos e oprimidos aqui da escola!

— Só por aquela coisinha?

Acabamos sorrindo. Eu olhei de relance para Stephen, que estava com fones de ouvido, rabiscando com o lápis o caderno. Melanie olhou para ele.

— E ele? – ela perguntou em um murmúrio – Você contou?

— Ele está escutando música. Não está ouvindo. – eu avisei. Mas era certo que ele nos ouvia – Eu contei.

— O que ele disse? – ela perguntou mais alto agora.

— Somente riu.

Melanie sorriu, relaxando.

— Menos mal.

Foi então que algo me veio em mente.

— Como é o nome do nosso cachorro? – perguntei.

Melanie piscou. Stephen soltou uma risada alta.

— Oliver! – ela respondeu, olhando para ele um pouco escandalizada, sem acreditar no que ouvia.

— É Oliver. – repeti, olhando para Stephen.

Ele olhou para mim.

— Agora você vai poder levá-lo para passear todos os dias de tarde. – murmurou, me dando um grande sorriso.

Eu senti Melanie segurar a respiração. Precisei segurar uma gargalhada com a reação asmática dela, entendia perfeitamente qual era a sensação.

— Do que vocês estão falando? – ela perguntou, esganiçada.

— Sua irmã não sabia o nome do cachorro. – ele respondeu olhando para ela – Não verdade, nem sabia que tinham um.

— Humm. – disse. Ela não parecia estar acreditando que estava conversando com Stephen Chevalier – Você tem cachorro?

— Sim. Uma labradora. – Stephen sorriu para Melanie – A Vika.

— Eu gosto de cachorros. – comentei – Mas prefiro gatos.

— Você gosta de gatos? – ele perguntou me olhando curiosamente.

— Sim. Nos Estados Unidos eu tinha um, ele se chamava Rufus.

— Rufus? – os dois perguntaram ao mesmo tempo, acabaram caindo na gargalhada.

— Ah, por que vocês estão rindo? – eu perguntei, de maneira rabugenta.

— Que nome estranho para um gato! – Melanie comentou.

Eu revirei os olhos. Nesta hora o professor de física entrou na sala.

Quando a aula terminou, eu saí para o estacionamento com Melanie e Stephen. Os professores do segundo ano teriam reunião então nos liberaram mais cedo.

— E seu irmão? – ele perguntou para Melanie quando chegou ao carro.

— Ele ainda tem aula e a chave está com ele.

— Eu levo vocês em casa. – Stephen se ofereceu, me olhando.

Eu e Melanie nos entreolhamos.

— Ok então. – eu e ela dissemos ao mesmo tempo.

Fomos para o carro dele. Era um Pajero preto último ano, com vidros da mesma cor. Combinava com a personalidade trevosa dele.

— Uau! – eu resmunguei, olhando o carro – Que carro, hein!

— É o meu bebê. – ele desligou o alarme e abriu a porta.

Melanie entrou e eu sentei na frente com ele.

— O que vocês fazem durante a tarde? – ele perguntou dando partida.

— Eu estudo, saio com meus amigos. – disse Melanie.

Ele olhou para mim.

— E você? – ele perguntou olhando para mim.

— Eu... – olhei para Melanie, ela me lançou um olhar reprovador.

— Ela fica em casa trancada no quarto. – ela falou, me entregando – O único lugar além da escola, psicóloga e do fisioterapeuta que ela vai é na praça.

Eu lhe lancei um olhar fulminante pelo espelho que a deixou um pouco vermelha, e a fez se calar. Stephen não precisava saber pelos problemas que eu passava.

Stephen olhou para mim.

— Você faz fisioterapia?

— Sim. – respondi, olhando para Melanie pelo retrovisor, ela abaixou a cabeça – É por conta da minha perna.

Ele ficou em silêncio o resto do trajeto e eu me perdi em pensamentos. Só quando Stephen parou o carro foi que eu percebi que já tínhamos chegado.

— Estão entregues. – ele comentou, me encarando um pouco sério demais para o meu gosto.

— Obrigada. – disse Melanie saindo do carro.

Eu joguei a mochila nas costas, e fui para fechar a porta quando ele me chamou.

— Ellie? – ele olhando para mim – Posso falar com você?

Eu olhei para Melanie, que estava me lançando um sorrisinho.

— Eu levo sua mochila. – ela disse enquanto a pegava.

— Pode avisar sua mãe que ele vai terminar um trabalho com um colega? – ele perguntou lançando um lindo sorriso para ela.

— Posso. – ela respondeu sorrindo também – Então fique com a mochila Ellie.

— Obrigado. – ele murmurou para ela.

Melanie deu as costas e seguiu andando. De vez em quando ela virava a cabeça para nós, com o olhar ansioso. Bicha curiosa.

— Entra no carro. – ele não pediu, aquilo mais parecia uma ordem. O que me deixou um pouco incomodada. Eu entrei e fechei a porta, Stephen ligou o motor e seguiu.

— Para onde você está me levando? – eu perguntei olhando para ele.

— Terminar o trabalho de geografia.

— Nós já terminamos! – eu resmunguei, revirando os olhos para ele.

— Você vai conhecer minha casa. – ele avisou antes de eu fazer outra das minhas perguntas.

— Por que você me beijou? – eu perguntei de repente.

— Por que eu quis.

— E você perguntou se eu queria? – senti meu rosto ficar quente novamente. Era claro que eu estava querendo um beijo dele.

— Eu sei que você também queria. – Stephen retrucou, me olhando.

— Você é um pouco convencido! – resmunguei, pois não queria dar o braço a torcer. Embora ele diga que nunca tenha ficado com ninguém da escola, ele pode muito bem ter ficado com diversas garotas fora dela. Como por exemplo àquela . A ruiva! Foi como se um tijolo tivesse acertado minha cabeça. Era isso! – Você já teve alguma coisa com aquela garota de ontem?

Ele piscou.

— Que garota? – perguntou um pouco confuso. Ele tinha parado diante de um gigantesco portão vermelho bordô. Apareceu um homem em uma porta inferior, que ficava ao lado do grande portão. Stephen abriu o vidro e olhou para fora. O homem o enxergou e falou algo pelo rádio, logo depois o portão foi aberto.

— A ruiva! Quem mais seria?! – eu exclamei um pouco mal-humorado.

Ele olhou para mim. Quando entendeu, Stephen gargalhou. Mas Gargalhou mesmo! O cara deu uma gargalhada tão grande, que eu juro! Balançou o carro! Tenho certeza que o homem que estava com o rádio na mão também ouviu.

— Você tem uma imaginação muito fértil Helene! – Stephen exclamou, balançando a cabeça, ainda rindo.

— Você ri sempre assim? – eu perguntei, escandalizado com a risada dele.

— É difícil isso acontecer. – ele respondeu. Ainda não tinha conseguido parar de rir – Mas quando começo, é difícil conseguir me controlar! – rosnou ele, enquanto limpavam as lágrimas.

Percebia que iria ser um longo dia.


Notas Finais


Por enquanto é isso. Prometo não tentar demorar. Se houver algum erro de gênero, perdão, essa fanfic era uma versão Larry de uma outra conta minha.


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