História Em Nome do Clã - Interativa - Capítulo 6


Escrita por: ~

Postado
Categorias Amor Doce
Tags Amandre, Ambrega, Amor Doce, Armintorry, Clã, Dakecilia, Fantasia, Interativa, Maxxirce, Romance
Exibições 58
Palavras 4.302
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Magia, Mistério, Misticismo, Poesias, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Tortura, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


não me matem.

músicas do capítulo:
Sia - My Love
Quen - Bohemian Rhapsody

Capítulo 6 - Sem escapatória


Fanfic / Fanfiction Em Nome do Clã - Interativa - Capítulo 6 - Sem escapatória

Em Nome do Clã

6° capítulo - Sem escapatória

Mamãe, acabei de matar um homem

Coloquei uma arma contra sua cabeça

Puxei o gatilho, agora ele está morto

Mamãe, a vida acabou de começar



 

A base do Círculo interno era um grande lugar, minimamente luxuoso para que os moradores vivessem confortavelmente ali. Porém, toda essa grandeza ficava escondida debaixo de grossas camadas de terra, entulhos e pedras logo ao norte de Moscou, próximo a Catedral.

Mesmo com toda a poeira e lixo, a Catedral de São Basílio mantinha a imponência e beleza de sempre. As cores vivas já estavam desgastadas, as janelas com os vidros quebrados e teias de aranha se apoderavam dos cantos mais escuros da construção. Ainda sim, um dos únicos lugares que ainda estava de pé e que mantinha uma beleza sombria e silenciosa.

Circe já tirava mais um cigarro do bolso e bufava de ansiedade enquanto Cecília apenas se concentrava no livro que lia. O refeitório ainda vazio denunciava o quão temerosos os membros do Círculo estavam em relação à volta de dois de seus retirantes já que àquela hora todos costumavam beber em comemoração às missões cumpridas. Porém, Circe ainda acreditava que eles voltariam vivos.

Cecília andava em círculos pelo local, focando seu olhar em cada palavra de seu grimório e tentando criar um novo feitiço. Mas algo lhe incomodava. Mesmo que tentasse não demonstrar nervosismo, era visível seu desconforto diante àquela situação. Ela tentava disfarçar os sentimentos estalando os dedos, mordendo os lábios ou respirando fundo diversas vezes.

Quanto a Circe, que já estava dormindo com a cabeça apoiada na mesa, sete cigarros já tinham sido o suficiente para acalmar um pouco seus nervos.

Assim que o sinal avisando o jantar soou nos corredores, o refeitório logo ficou cheio e as mesas já iam sendo ocupadas aos poucos.

— E aí, alguma notícia?

Cecília acordou de seus devaneios de súbito ao ouvir a voz de Ega que já carregava uma bandeja com comida e aproximava-se da mesa.

— Ainda não — A morena limitou-se a dizer e continuou a andar em círculos pelo refeitório, trombando em algumas pessoas que se espremiam para pegar comida.

— Essa espera está me matando — balbuciou Ega.

Quando viu que Circe dormia, o cutucou para acordá-lo, o mesmo despertou lentamente.

— Está, é? — Ceci arqueou uma sobrancelha, desconfiada. — Pensei que não se importasse com ninguém além de si mesma.

— Muito engraçado, Dezon… e não. Não estou preocupada. Por mim, que aqueles demônios sejam mortos por um dos anjos.

— Você poderia ser um pouco mais sensível? — Devi interrompeu a conversa, sentando-se do outro lado de Circe. — Não que você ligue, mas demônios também têm sentimentos.

— Acertou. Eu não ligo — Ega revirou os olhos.

O barulho de talheres e bocas mastigando logo se misturou ao som de conversas altas, risadas e burburinhos no refeitório que Circe tentava ignorar mas era impossível. Cecília, vendo que sua agitação não ajudaria em nada, sentou-se na mesa também.

— Não sei o motivo de se preocuparem tanto — Ega voltou a falar. — Se eles morrerem, não irão fazer falta.

Assim dito, uma figura alta e imponente surgiu no local.

O homem que arrancava suspiros das garotas atravessou o corredor e aproximou-se de uma mesa afastada das outras, sozinho. Sua cara não era das melhores, na verdade, nunca era. Vladimir sempre fora um poço de mistério, raramente trocava palavras com os outros retirantes e quando o fazia era para zombar ou botar medo nos mesmos. E ele fazia isso muito bem.

— Ele voltou… ileso? — Develli questionou, confusa.

Tudo o que Devi sabia sobre o rapaz era que era muito egocêntrico e até cruel, o que foi o suficiente para que ela evitasse aproximação com o mesmo.

Absorta em pensamentos, ela mal percebeu quando um dos Justicares, Ed, entrou no refeitório e atraiu olhares de todos ali.

Ed era do tipo quieto e reservado, quase nunca interagia com os outros justicares, apenas em reuniões, muito menos com os recrutas de nível inferior ao seu.

Era inevitável não sentir arrepios quando algum justicar se aproximava ou proferia alguma palavra; todos tinham quase o mesmo comportamento e aparência. Reservados, misteriosos e intimidadores. Se alguém ousasse desobedecer alguma ordem de um justicar, seria a última coisa que faria.

Ed fazia jus ao posto de justicar, assim como Vladimir, eram quase como irmãos gêmeos no modo de agir e de falar. Ed era loiro e alto, os cabelos dourados sempre bem alinhados e os olhos azuis brilhantes. Já Vladimir era um pouco mais baixo, possuía cabelos cacheados cor de cobre, sempre mantendo as orbes escuras numa expressão vazia.

O justicar se dirigiu até o centro do local, ajeitou o sobretudo no corpo e com um único olhar penetrante fez com que todos ficassem em silêncio.

— Recrutas da Camarilla — Sua voz era profunda e aveludada. —, venho trazer uma mensagem de um dos Justicares que partiu em missão até o Sul. Clãs estão com dificuldades com os humanos, precisam de nosso suporte, porém, dessa vez mandaremos alguns de vocês para ajudá-los. Com a morte de um de nossos companheiros precisamos de mais força na defesa e ataque. Sabemos que vocês têm treinamento o suficiente para que saibam o que é preciso num combate. A Camarilla conta com vocês.

Circe levantou a cabeça e sentiu um arrepio na espinha.

A ideia de sair da base lhe era muito atraente. Ele que sempre odiou sentir-se preso, viu ali uma ótima chance de sair daquele buraco.

— Tenho aqui a lista de recrutados para a missão — Ed apontou para o televisor que ficava em uma das paredes do refeitório.

Circe esticou o pescoço e sentiu seu corpo esquentar de raiva ao ver que seu nome não estava na lista. Ele ameaçou levantar e ir até Ed, tirar satisfações, porém, foi impedido ao sentir uma mão agarrar seu braço.

— Aonde pensa que vai?

Ega arregalou os olhos e olhou para Circe como quem dizia “sente-se antes que dê alguma merda!”. E Circe devolveu o olhar mas logo desistiu, sentando-se novamente e bufando de frustração.

Aquela tinha sido sua única chance de ser livre, fazer algo para proteger seus iguais, e tinha sido rejeitado. Ele se perguntava o motivo até que sentiu uma forte vermelhidão nas bochechas e a sensação de estar sendo observado.

Ele correu os olhos pelo refeitório, procurando o causador daquilo mas ao perceber que todos estavam muitos ocupados comendo a horrível sopa de ervilha, abaixou o olhar.

— Alguém sabe onde a Lya se meteu? — Devi perguntou.

— Ela deve estar no quarto, disse que não está com fome — Ega disse desanimada. — Ela vai ficar louca quando descobrir que foi recrutada conosco.

Circe logo teve uma grande ideia. Conseguiria finalmente arranjar um jeito de sair dali.

 

 

Torria sentia seu corpo formigar por inteiro, parecia estar dormindo há horas e mal conseguia ouvir o que estava a sua volta, apenas um zumbido alto. Ela abriu os olhos devagar, deparando-se com o rosto sujo e suado de Armin logo á sua frente. Como havia parado ali?

Tudo o que lembrava era de estar com Castiel e depois…

— Torria? Armin?

Ela ouviu uma voz doce e baixa lhe chamar, acabando com o zumbido em sua mente.

— Ah, céus, vocês estão bem? — Ivy perguntou, ajudando Torria a levantar-se.

A morena olhou em volta, confusa. Ainda estava no mesmo lugar de antes, perto do prédio abandonado.

— O que aconteceu? — ela perguntou, afobada.

Ivy engoliu em seco, dirigindo seu olhar a Amanda, Alexy e Lysandre que permaneciam inconscientes no chão.

— E-eu juro que não queria machucá-los… — ela soluçou, derramando uma lágrima fria pela bochecha rosada. — Quando começaram a atirar eu não consegui pensar em mais nada a não ser… a não ser pedir ajuda. Eu fiz um feitiço de proteção mas acabei perdendo o controle… Eu sinto muito.

Torria passou as mãos nos cabelos e suspirou, sem saber exatamente o que falar ou fazer. Tudo parecia tão distante e mórbido, como se alguém tivesse partido. De repente, um grunhido foi ouvido, quebrando o silêncio no local.

— Ivy?

Ravenna surgiu correndo na direção de Ivy e abraçando a amiga.

— O que aconteceu? Onde estão os outros?

Viktor estava logo atrás de Raven, a observando carinhosamente ainda em forma lupina e tentando entender toda aquela confusão. Nunca havia visto demônios como Torria tão de perto, chegava a sentir alguns arrepios ao lembrar da lendas antigas sobre seres do mal que seu pai lhe contava.

— Argh, merda!

Todos voltaram a atenção para um ruivo que resmungava e chutava o ar, com raiva. Castiel estava coberto de poeira e sujeira, parecia ter acabado de sair de um monte de entulhos.

— Onde você estava?! — Torria gritou nervosa, dando um soco no braço do garoto.

— Estava ocupado demais tentando sair daquele maldito terraço.

— Não é uma boa hora para discutir — Raven interviu. —     Estão todos aqui?

Raven olhou ao redor e viu Armin acordando aos poucos, Lysandre, Amanda e Alexy permaneciam desmaiados no chão. Já Ivy tentava acalmar a si mesma, abraçando o próprio corpo e soluçando baixo.

— Não, não, não… — Armin sussurrava entre os soluços altos.

Raven imediatamente sentiu seu coração falhar, como se acabasse de perder uma parte do mesmo. Mesmo relutante, ela dirigiu o olhar até Armin que, para sua infelicidade, chorava em cima do corpo frio de Alexy.

Um filete de sangue escorria do peito do garoto de cabelo azul enquanto seu gêmeo apertava o corpo já imóvel do mesmo. Ravenna caiu de joelhos, deixando as lágrimas que enchiam seus olhos castanhos finalmente caírem. Alexy não era somente mais um retirante, era um irmão para os outros corredores, até mesmo Viktor sentia como o rapaz era especial para ele mesmo sem conhecê-lo.

Os minutos seguintes passaram como um raio. Castiel tentava tirar Armin de cima de Alexy e Raven sentia seus joelhos doerem em contato com o chão, porém, não sentia a mínima vontade de levantar-se.  

Torria, comovida com a situação, não pensou duas vezes antes de agarrar o braço de Armin e puxá-lo até um lugar afastado. O moreno ainda soluçava compulsivamente e ela não sabia como lidar com aquilo.

— Calma, olha, precisa ficar calmo… — ela disse, tentando em vão acalmar os nervos do rapaz.

Armin nada disse, apenas se deixou sentar no chão e abraçar os joelhos. Torria respirou fundo, sabia que qualquer coisa que dissesse não faria diferença naquele momento. Alexy estava morto e nada mudaria aquilo.

Torria baixou-se em frente a Armin e, carinhosamente, passou a mão nas costas do garoto.

— Eu não conheci muito bem o seu irmão, mas tenho certeza de que ele era uma ótima pessoa — ela disse olhando atentamente cada detalhe do rosto de Armin.

Olhando de perto, Armin era muito mais bonito. Seus olhos azuis, mesmo encharcados de lágrimas, continuavam sendo lindos e brilhantes oceanos cristalinos. Os cabelos negros contrastavam bem com a pele alva. Torria desejou naquele momento beijá-lo, mas seria covardia aproveitar-se de um momento de fragilidade de Armin, ela pensou.

Estranhamente, ela sentia algo mais do que somente atração pelo moreno, era algo como… afeto? Ela se recusou a acreditar que sentia algo a mais que atração, mesmo assim, não poderia deixar o garoto sozinho já que havia o arrastado até ali.

— Ele era — Para a surpresa de Torria, Armin respondeu ainda fragilmente.

— Sei como é difícil perder alguém que amamos… Não vou dizer que vai ficar tudo bem porque os próximos dias serão uma droga. Você vai sentir falta, vai querer estar do lado dele de volta mas… saiba que esse tipo de coisa acontece todos os dias, com muitas pessoas. Principalmente com pessoas como nós. Mas você precisa fazer com que a morte do seu irmão não tenha sido em vão. E eu e seus amigos estaremos aqui para o que precisar.

Armin levantou o olhar e encarou os olhos amendoados de Torria que brilhavam em compaixão. Nunca havia percebido mas Torria não parecia como os outros demônios. Tinha ouvido tantas vezes que demônios eram criaturas cruéis e horrendas que achava impossível encontrar uma que fosse tão bela.

— Vem — Quando percebeu, Torria já estava de pé e estendendo a mão na direção dele. —, vamos voltar, precisamos fazer uma despedida digna para ele.

Armin fungou e enxugou o rosto com as costas da mão, levantando-se logo em seguida e segurando a mão da garota. Sentiu um frio repentino ao tocar na pele gelada dela, misturado com um pressentimento ruim constante.

 Ele sabia que nada traria Alexy de volta dos braços da morte, era como desejar que o destino mudasse de rumo. E, no fim, o destino sempre acaba nos decepcionando.

 

 

— Como assim não podemos ajudar?!

Jennie tentava pela milésima vez convencer Janice de que alguém precisava de ajuda, mas, como sempre, Janice não dava o braço a torcer fácil demais. Seu senso de perigo gritava e não poderia arriscar a vida das garotas saindo da reserva.

E aquele ambiente de tensão na sala de Janice não ajudava muito. A sala era repleta de relíquias e artefatos velhos e empoeirados como quadros, candelabros e estantes de madeira cheias de grimórios antigos.

— Entenda, Jennifer, qualquer bruxo ou bruxa pode conjurar um feitiço desses, e se estiver errada e for alguém nos chamando para uma armadilha? Os humanos são espertos.

Jennie revirou os olhos, estava agoniada com o pensamento de alguma bruxa estar em perigo. De repente, a porta foi aberta e Thea e Valen entraram na sala de poções.

— Vocês também viram? — perguntou Jennie.

— Como não ver uma luz roxa e brilhante no céu à noite? — Valen provocou, fazendo Jennie bufar. — Era um feitiço de alerta, tem alguém precisando de ajuda, não faremos nada?

— Já disse que não, não podemos deixar a reserva no momento, há muitas coisas a serem feitas e o mundo lá fora não é mais como antes. Precisam ficar cientes disso.

— Mas Janice… — Jennie tentou argumentar.

— Já chega, Jennie! — Janice gritou. — Vocês já podem se retirar. O Círculo Interno vai tomar as providências daqui para frente.

Thea agarrou o braço de Jennie e a puxou para fora, sendo seguida por Valen. Jennifer se recusava a acreditar que alguém estava correndo perigo e que ela não poderia fazer nada para ajudar. Era como abandonar um amigo.

— Então, qual é o plano? — Valen perguntou assim que se viu pisando na grama verde da reserva.

— Como? Que plano? — Thea indagou. — Você está mesmo pensando em deixar a reserva só para ajudar desconhecidos?

— Exato, não podemos ficar sem fazer algo. Um de nós precisa de ajuda e vamos ajudar! — Valen exclamou, surpreendendo-se com a própria determinação.

— Bom, eu iria sozinha mas vou precisar de cobertura caso haja imprevistos. Não que eu precise de ajuda, eu me viro sozinha, é só… — Jennie gabou-se.

— Não acho que seja uma boa ideia — Thea disse, receosa.

— Fala sério, só vamos ver quem conjurou o feitiço e voltar, é fácil! — Jennie falou. — O que pode acontecer de tão ruim?

Mesmo mostrando estar confiante com os próprios conhecimentos de poderes e feitiços, Valentina tremia por dentro, não podia negar que o fato de ter de sair do conforto e proteção da reserva Vanllir era um tanto… assustador.

Desde que deixara a casas dos pais para se aventurar no mundo de retirantes e clãs, Valen se sentia como um peixe fora d’água. Não sabia seu lugar certo mesmo que tentasse convencer a si mesma de que o clã Vanllir era seu novo lar.

Depois de abandonar a vida na badalada cidade de Nova York, que àquela altura estava coberta por fumaça e corpos, Valentina decidiu que seria a hora de ser mais corajosa. Faria com que sua escolha de deixar os pais valesse a pena mesmo com a saudade constante batendo em seu peito.

Por esses e outros motivos, Valen arrumou a mochila e assim que sentiu-se pronta para partir, ela pôs os pés cuidadosos sobre o corredor de madeira e caminhou até o quarto de Thea.

— Ei, Thea, está aí? — Ela bateu na porta do quarto, tensa com o denso silêncio que se apoderava do local mas que logo foi quebrado, a fazendo pular de susto.

— Não acredito, você vai mesmo participar disso? — Althea surgiu com o grimório debaixo do braço e com uma expressão de tédio no rosto.

— ARGH! Não tinha um jeito menos assustador de aparecer assim do nada? — Valen pôs a mão no peito, tentando acalmar os batimentos acelerados. — Pensei que já estivesse dormindo.

— Eu estava quase, mas não consegui tirar o plano maluco da Jennie da cabeça e tive de sair para pensar — Thea respirou fundo e apertou o livro entre os dedos. — Eu vou com vocês.

— Ótimo! Mais uma para dar cobertura.

Valen novamente pulou de susto ao sentir o hálito fresco de Jennie bater contra sua nuca.

— O que estamos esperando? Vamos logo! — Thea as apressou.

Se recuperando dos sustos, Valentina esperou até que Thea arrumasse sua mochila também e partisse para misteriosa, e perigosa, aventura fora da reserva Vanllir.

 

 

Lysandre suava frio. Seus olhos fechados pareciam se recusar a abrir e isso somente tornava aquele pesadelo pior ainda. Ele ouvia constantemente os passos em sua mente que ecoavam naquele breu completo. Não tardou e ele voltou a ouvir a respiração desregulada próxima a sua orelha.

— Senti tanto a sua falta, Lys…

Uma mão macia percorreu seu pescoço, indo parar até seu peitoral nu, passando as unhas compridas ali. Lysandre arfou, sentia seu corpo todo imóvel, como se estivesse amarrado.

— Não sentiu a minha? — A voz frágil e sedutora voltou a soar em sua mente. — Tanto tempo separados, não sei como pude aguentar todos esses anos sem você.

Lysandre nada podia dizer, estava completamente anestesiado por aquele pesadelo.

— E todo esse tempo apenas serviu para lhe mostrar o quão fraco você é sem mim…

— Eu… n-não sou… fraco… — ele balbuciou com dificuldade.

— Oh, quer se rebelar contra sua própria natureza? — Um calafrio passou por seu pescoço, o fazendo arrepiar involuntariamente. — Quer se rebelar contra si mesmo, Lysandre?

Lysandre mal pôde responder às provocações daquela voz tortuosa até que sentiu uma dor aguda em sua jugular. As unhas pintadas de vermelho perfuraram a pele do rapaz, fazendo com o que sangue rubro caísse sobre seu peito. A voz asfixiada de Lysandre foi a última coisa que ele mesmo pôde ouvir.

— Eu sou você, Lys. Eu vejo o que você vê, eu sou sinto o que você sente. E eu vou esperar ansiosamente até que você me deixe entrar de novo. Entenda, somos um só.

Lysandre acordou lentamente, abrindo os olhos com dificuldade. De súbito, sentiu uma paz enorme em seu peito, mas não sabia o motivo disso até encontrar lindos olhos castanhos à sua frente.

Amanda também acordava de um sonho, um sonho estranho e que ela logo estava se esquecendo do mesmo. Assim que abriu os olhos, deparou-se com Lysandre a olhando atentamente. Ainda atordoada, Amanda levantou rapidamente, ficando tonta logo em seguida.

Acordar com um desconhecido a olhando realmente não era algo que ela previa.

Lysandre apoiou-se nos cotovelos e levantou-se do chão enlameado.

— Vocês acordaram, finalmente — disse Castiel, soando levemente entediado.

— O que aconteceu? — perguntou Lysandre, confuso.

Depois de um bom tempo explicando tudo o que aconteceu a Lysandre, Castiel pôs-se a ajudar em alguma coisa, cavando um buraco na terra para enterrar o corpo de Alexy enquanto Ivy e Torria ajudavam como podiam.

Lysandre até tentou ser útil mas ainda sentia-se zonzo com o pesadelo e resolvera caminhar um pouco. Ele adentrou a floresta e sentiu um grande alívio ao encontrar uma lagoa. Olhando ao redor, receoso, ele se espreguiçou, ouvindo seus ossos estalarem.

Amanda começou a sentir-se desconfortável ali. Não sabia como lidar com mortes e sentia péssima naquele lugar, com pessoas desconhecidas. Ivy estava ocupada demais ajudando a cavar a terra e não poderia servir de ombro amigo para ela, então, resolveu caminhar para esfriar a cabeça. Ficar sozinha momento era a coisa mais sensata que podia fazer.

Porém, sua solidão não durou muito até ouvir um barulho estranho por perto. Ela andou até um arbusto e apertou os olhos para enxergar melhor, conseguindo ver perfeitamente a silhueta de Lysandre perto de uma lagoa.

Ela estremeceu. Talvez tenha sido o barulho do zíper da calça do rapaz sendo aberto, mas Amanda ficou subitamente trêmula ao vê-lo tirar o sobretudo e o jogando no chão, revelando a camisa branca de botões que estava usando por baixo. Não era uma camisa muito transparente, mas Amanda viu perfeitamente cada centímetro da barriga de Lysandre.

Ele era alto, magro e musculoso, uma beleza digna de um deus grego. Amanda já havia visto muitos anjos bonitos, mas Lysandre, um demônio, uma criatura que as lendas diziam ser nojenta e terrível, era mais belo que qualquer anjo ou qualquer outro demônio.

Seus braços eram fortes, não malhados demais. Eram braços feitos para proteger alguém. Amanda sentiu-se uma pervertida naquele momento pelos pensamentos que estava tendo e principalmente pelo calor avassalador que passou pelo seu corpo ao ver Lysandre desabotoando a camisa. Ela fechou os olhos e os abriu novamente, se negando a acreditar que o que estava vendo era real.

Assim que abriu todos os botões, Lysandre deslizou a camisa pelos braços musculosos até a mesma cair no chão, junto com o sobretudo. Lys tirou os sapatos e, quando se inclinou, os músculos de seus ombros se tensionaram de uma maneira que fez Amanda querer ser enlaçada por eles.

Finalmente, Lysandre deixou com que a calça caísse sobre seus pés mas Amanda, tomada pela vergonha, correu dali o mais rápido que pôde.

Pela primeira vez, ela havia experimentado o sabor do proibido… ou quase.

 

Circe caminhava em passos largos pelo corredor, ele esperava encontrar a pessoa certa no lugar certo, precisava daquilo para poder finalmente ter sua liberdade.

Quando encontrou o quarto, bateu duas vezes na porta e antes mesmo de ouvir uma resposta, entrou no local.

— Lya? — chamou Circe. — Está aí?

— Circe? O que faz aqui?

Merlya surgiu envolvida por uma toalha no corpo e os cabelos úmidos caindo sobre o ombro.

— Estava na piscina, acredita que encheram aquilo de cloro? Está uma nojeira!

Enquanto Lya reclamava da quantidade absurda de cloro na piscina, Circe estava ocupado demais observando as pernas torneadas da garota.

— Circe! Está me ouvindo?

— Hã? — Circe finalmente olhou para o rosto corado de Merlya que o fitava com uma expressão confusa.

— Perguntei se precisa de algo… — disse ela.

— Bom, você soube do recrutamento de hoje para irmos ao Norte? — Circe indagou, tentando parecer convincente.

— Soube, o Ed me contou! — ela exclamou, alegremente.

Não era novidade para ninguém que Ed mantinha uma paixão platônica por Lya desde que ela chegara na base, somente para Lya que não parecia perceber o quão era desejada pelo rapaz.

E Circe usaria isso a seu favor.

— E deve saber que eu não fui recrutado, certo? — ele perguntou, aproximando-se vagarosamente.

— É, eu soube — Lya torceu o lábio. — Não é nada pessoal, Circe. Você sabe como a Camarilla é exigente e você é um novato, não aceitam pessoas com pouco treinamento para sair da base. Quem sabe da próxima vez?

— Acontece que eu não vou esperar anos para sair desse inferno, Lya — Circe respondeu rudemente, logo se recompondo e lançando um de seus olhares sedutores para a garota. — Por isso preciso da sua ajuda.

— M-minha ajuda? — Merlya gaguejou, sentindo-se levemente constrangida com a aproximação repentina.

— Preciso que fale com o Ed, convença-o para me deixar ir ao Norte com vocês.

Lya ficou estática, tanto pelo calor que Circe havia causado nela quanto pelo pedido inesperado.

— Ahn… Por que está me pedindo isso? — perguntou.

Circe sorriu e molhou os lábios, dirigindo sua mão até a nuca quente de Lya, deixando sua boca a centímetros da orelha dela.

— Porque será um prazer lhe retribuir quando conseguir isso para mim.

Merlya, suspirou, afastando-se zonza do rapaz.

— Uh, bom… Eu acho que posso fazer isso — ela respondeu. — Mas saiba que não quero nada que seja seu! Farei porque é meu amigo, nada mais.

Circe sentiu vontade de rir da coloração avermelhada que as bochechas de Lya tomaram, mas somente aproximou novamente, beijando o topo da cabeça da mesma.

— Obrigado, Lya.

 

 

— Já estamos chegando? — Thea perguntou com a respiração acelerada.

— Não fazem nem 5 minutos que saímos da reserva, Althea! — Jennie resmungou enquanto seguia Valen.

— Se quiser voltar, terá de fazer todo o caminho de volta, e sozinha! — Valentina respondeu.

Thea somente bufou e voltou a caminhar, apavorada pelos uivos de lobos por perto.

— Olha, Jennie, não é que eu esteja com medo mas… Não acho que tenha sido uma boa ideia sair da reserva sem avisar à Janice — Valen disse, fazendo Jennie parar e a olhar indignada.

 — Não acredito que quer desistir agora! — gritou. — Quer saber? Vocês são umas fracotes! Se eu soubesse que eram tão covardes teria vindo sozinha!

— Ei, nem pense em jogar toda a culpa na gente, você praticamente nos obrigou a sair da reserva! — Valentina retrucou. — E tem mais: se alguma de nós morrer, a culpa vai ser sua. Você não é a inspetora Vanllir? Vamos ver se continuará no posto depois que Janice descobrir a sua fuga!

Jennie cerrou os punhos.

— Minha fuga? Quer saber? Vai se…

— Gente, vocês precisam ver isso! — Thea gritou não muito longe da discussão.

Valen ignorou o olhar mortal de Jennie para ela e foi até Thea que estava escondida atrás de um arbusto. Daquela distância, Valentina podia ouvir uma música alta e enxergar pequenos pontos de luz através das folhas.

Assim que pôde enxergar melhor, Thea contemplou a linda visão do território Vanaheim, iluminado por luzes coloridas. Fadas, elfos e todo tipo de criaturas mágicas enchiam aquele lugar.

— Nossa, isso é… — Thea disse, encantada.

— Lindo — Jennie contemplou.

Porém, sua tranquilidade fora interrompida ao sentir um forte cheiro entrar em suas narinas e uma tontura repentina.

A última coisa que pôde ver foi uma cabeleira tão verde quanto a grama do Clã Vanaheim.

Meu amor, você encontrou a paz

Você estava procurando

A libertação


Notas Finais


espero que tenham gostado e não esqueçam de comentar <33


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