História Empty Parts - Capítulo 10


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Amor, Original, Yaoi
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Palavras 3.000
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Festa, Hentai, Lemon, Romance e Novela, Seinen, Shoujo (Romântico), Shounen, Slash, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Boa noite, amores!
Obrigada a quem lê.
Boa leitura!

Capítulo 10 - Chains of Past


Ter que lidar com a demissão tão repentina foi uma coisa bem complicada e muito doloroso para mim. Pois, isto significava que não o veria mais e isto me matava por dentro. Eu realmente não queria que tivéssemos chegado a este tipo de situação, mas eu também sabia que não podia culpar ninguém além de mim mesmo e minhas próprias ações. Eu o beijei e despejei tudo em cima dele, como não deveria ter feito.

Acho que minha mente só não consegue processar que não posso ter os dois. Ou melhor, não processava, pois com dias solitários de muita tristeza para pensar, vi que estava cometendo um grave erro. Amim diz que também gosta de mim, mas ele nunca vai me aceitar por eu ser casado e ele está certo.

Não posso discutir isto. Mas também não posso negar que me machucar, bem mais do que deveria e ver ele realmente se demitindo, fez com que eu voltasse totalmente para meu mundo de realidade, e ainda tivesse que enfrentar os questionamentos de Blake, que obviamente ficou muito intrigado com a demissão repentina de Amim.

Tanto a ponto dele dar um tempo no seu trabalho e me chamar para conversar.

-Eu ainda não entendo a razão dele se demitir tão repentinamente.

-Ele não disse o motivo? — Perguntei tenso, apesar do meu desejo da resposta afirmativa.

-Não. Só disse que precisava mudar de emprego, por isto estou te perguntando. — Direcionou os olhos diretamente a mim. — Kian, você fez algo ou disse algo a ele?

Vou admitir que fiquei bastante surpreso de Amim de não ter falado nada para Blake, ou ter até mesmo me denunciado por eu ter praticamente o assediado duas vezes. Se o fizesse, eu poderia acabar com meu casamento, minha carreira e eu até mesmo poderia ter problemas com a lei, se segundo ele fosse necessário, e mesmo sendo loucura, me decepcionei quando ele não o fez. Realmente, Amim é uma pessoa boa demais e não devo chegar perto dele mais. Não importa como eu me sinto sobre ele ou sobre qualquer coisa.

A culpa disso tudo é minha, estou me apaixonando por ele, mas não posso ter nenhum envolvimento com ele. Toda minha vida e meu casamento estão na frente e o ótimo caráter dele nunca o permitiria ter qualquer coisa comigo, mesmo que segundo ele mesmo me dissera, sentindo o mesmo por mim. Sinceramente, isto tudo me fez ver que doí muito mais ter um sentimento que é correspondido e não poder ficar com esta pessoa, do que ter um sentimento totalmente unilateral.

O grande problema é que não posso fazer nada, não posso esperar nada até um passo seja dado. Provavelmente seria e é o melhor para mim, mas me sinto totalmente incapaz de o fazer. E provavelmente, Blake iria arranjar uma desculpa qualquer se descobrisse uma possível traição. Para conseguir ir além, para ter o que é preciso, seria necessária uma decisão e nada mais do que isto. Só isto pode resolver esta situação e me sinto incapaz de o fazer.

-Kian, está me ouvindo? — Blake estalou os dedos na minha frente, para obter minha atenção, perdida por conta de meus profundos pensamentos.

-Hm...

-Não respondeu a minha pergunta.

-Não. Eu não fiz nada para ele. — Menti descaradamente. — Realmente não faço ideia do que pode ter acontecido.

-Provavelmente deve ter achado alguém melhor com que trabalhar. — Comentou, bufando. — Não acredito que vou ter que voltar a cuidar disto. Estava indo tão bem do jeito que estava. — Blake levou a mão a testa, esfregando e apertando os dedos da mão direita sobre esta. — Você realmente não consegue fazer nada direito.

Era um comentário bastante crítico sobre mim, que doeu ser ouvido. Mas tomei isto como uma forma de punição leve por meu comportamento totalmente inadequado e tolo. Eu não deveria ter feito o que fiz e me sinto mal por isto. Provavelmente, ouvir que só nada mais do que desastre em tudo não é a melhor coisa a se ouvir, mas neste momento decidi nem o retrucar.

-Estou tão cansado de dizer que você precisa tentar mais. Poxa Kian, por que sempre tem que estragar as coisas?

Suas palavras só me fizeram sentir ainda mais diminuído, pequeno. E me magoou profundamente, como não costumava acontecer antes. Este é outro grande problema de estar ficando doente. Palavras um pouco dura demais, tem me machucado emocionalmente muito mais do que deveria, ou muito mais do que era antes, em que eu provavelmente retrucaria ou só ficaria em silêncio mesmo, porém com raiva e não triste.

Embora não creia que Blake faça por mal, ele tem me machucado muito às vezes, sem perceber. Ele foi do exército e vem de uma família bem rígida que acredita firmemente que críticas constantes incentivem o comportamento e a pessoa a ir mais longe e Blake acha que as coisas funcionam assim comigo e também com que ele trabalha. E pode até ser que tenha dado certo para os outros, mas para mim já não dá mais. Isto e todo o resto tem feito este casamento tóxico para mim, enquanto Amim me fazia tão bem.

Apesar de saber que não posso ter nada com ele, ainda sim, seus conselhos mais suaves, e sua presença mais alegre, mais doce e animada, faziam muito por mim. Ver que não vou ter mais nem isto e ainda vou ter que engolir tudo que sinto, é difícil. Contudo, posso ver que ainda mais difícil vai ser continuar do jeito como as coisas estão.

-Blake, eu...

-Eu sei que você vai tentar se explicar e não quero explicação, só que aja como deve. — Me bronqueou de novo, ao me interromper novamente.

-Não é isto que eu ia falar. — Digo, querendo agora que ele me ouvisse.

-É o que então?

-Eu acho melhor acabar com isto. — Digo. — Acho melhor nos divorciamos.

-De novo com esta bobagem, Kian? — Revirou os olhos impacientes.

-Não é bobagem. — O observo levantar e andar de um lado para outro, expressando seu nervosismo. — Cometemos um erro ao fazer isto.

-Você sabia como seriam as coisas quando concordamos em nos casar, era nosso acordo. — Apontou o dedo indicador para minha cara. — E não acha muito infantil da sua parte jogar na minha cara esta história de divórcio só porque estou te dando uma bronca?

-Não tem nada a ver com isto. — Rebato no mesmo tom de impaciência que ele. — Eu estou infeliz, Blake. Estou ficando doente, simplesmente não dá mais.

-Como assim doente? — Franziu o cenho, ligeiramente surpresa.

-Tenho visto uma terapeuta, estou com começo de depressão. — Contei, soltando o que dava para ser solto. Admitir isto em voz alta, realmente me deu certo alívio.

-Por que não me disse antes? — Indagou mais calmo.

-E você iria se importar se eu contasse?

Blake suspirou longamente e voltou a colocar a mão sobre a face, a deixando cair por todo seu rosto até voltar a me olhar e me analisar com seus olhos quase tão sem vida quanto os meus. Sua expressão estava diferente, havia algo nela que não consegui decifrar direito. Entendi como sendo um olhar de pena e leve culpa, talvez por imaginar que seu comportamento tenha causado isto, e pode até ser, mas não é só isto.

-É por minha causa que você está assim?

-Não exatamente. — Respondi. — Eu sou infeliz com este casamento, com esta vida, Blake. Eu... Não estou mais aguentando viver deste jeito. — Um nó na minha garganta e antes que percebesse, comecei a chorar fortemente. Desabei e como uma criança soluçava. Coloquei as mãos sobre minha face e me deixei afogar por minha onda repentina e mal entendida de choro repentina.

-Kian... — Blake veio para perto e se ajoelhou na minha frente. Colocou a mão sobre meu ombro e segurou firmemente, buscando um olhar que eu não dava a ele. — Eu sinto muito que tenha estado assim por todo esse tempo, mas por que não me disse?

Abaixei as mãos da minha face e o encarei, ainda chorando bastante. Não era necessário dar uma resposta quando ele sabia todas estas. Soltou novamente um suspiro e deixou o olhar cair no vazio por alguns segundos, enchendo a sua mente por seus próprios pensamentos profundos. Ficou assim por poucos minutos, até voltar a me olhar.

-Eu sei que nossa vida não anda fácil, mas eu posso tentar mudar. — Propôs, bem disposto a tudo para manter esta nossa farsa que nunca deveria ter começado. Nunca deveria ter seguido o caminho mais fácil. O grande problema é que na época, eu não pensei nas consequências.

-Nós nem nos amamos, por que continuar com isto?

-Tudo que demos depende disto. — Disse mais duro. — Foi o que acertamos anos atrás. Nunca nos casamos por amor, mas para podermos nossas próprias vidas e seria muito transtorno acabar com tudo isto agora.

-E vale a pena continuar com isto só por dinheiro e conforto?

Incrivelmente, teve um dia que valeu para mim, não mais hoje em dia.

-Sabe que tem mais que isto. Desde nos casamos, você pôde ficar longe deles e agora seus pais te respeitam. Você tem a sua carreira e mesmo que com altos e baixos, vai bem com ela. Eu estou indo bem com a empresa, por que arriscar tudo isto?

-Porque é errado continuar assim. — Argumento, mesmo que sabendo é inútil. Blake nunca vai me ouvir sobre o assunto, nunca vai admitir ou ver que tenho razão.

-Sempre foi errado, Kian e nós dois decidimos seguir com isto juntos.

-Nós só estamos fazendo nos acabar, Blake. Apenas isto.

-Não é verdade. — Alega. — Desse jeito, temos tudo o que queríamos e nos separar, pode arrancar tudo isto de nós. Eu não posso aceitar isto e nem você pode. Foi muita coisa construída para joga fora. Você sabe que vou perder tudo, nós dois vamos perder tudo se nos divorciamos.

Nem posso dizer o quanto me odeie por me lembrar que este foi o motivo principal do casamento. Para Blake assumir a presença, ele assinou um papel em que fazia parte do contrato manter-se casado e fiz o mesmo quando assinei com a gravadora que fazia parte dos bens da família Blake na época. Hoje em dia, pertence ao um amigo de Blake, mas o contrato ainda vale. Na época, pareceu algo tão tolo e besta, como eu era jovem e ingênuo.

-Por que fomos assinar aquela droga de contrato? — Murmurei com raiva de mim mesmo.

-Porque era necessário, assim como é necessário manter nosso casamento.

-Para quê? — A um tempo, entendia, hoje já não mais.

-Pelo bem do que temos, do que construímos. — Lembrou-me ele, seriamente. — Foi algo mútuo, nós dois aceitamos na época.

-Mas agora as coisas são diferentes.

-Não são. — Afirma. — Tirando algum estresse, continuamos do mesmo jeito.

-Não continuamos, eu não continuo.

Blake me encarou, de modo diferente e ao voltar a testa ao normal, pareceu entender tudo o que eu não disse. Sua expressão muito séria, para dura, mas ele não me pareceu com raiva, só um tanto tenso.

-Isto é por causa do Amim? Você se apaixonou por ele, foi isto?

Não tive resposta, então fiquei em silêncio.

-Olha Kian, eu entendo que as coisas estão sendo difíceis para você, mas acabar com tudo o que temos não é a solução. E sabe, se você acha que sente algo por aquele rapaz, não passa de carência ou apego por que ele é de fora. — Blake me olhava e falava comigo com pena no olhar. Me arrependi na hora de ter contado meu problema para ele. — Se as coisas estão ruins assim, podemos tentar melhorar, mas divórcio não é a solução.

-Por que não?

-Eu já disse porquê e você sabe, Kian.

Foi nesta hora que percebi que deveria lutar, que deveria bater o pé e não propor o divórcio como uma solução, mas como uma decisão que deveria tomar e não voltar atrás. Eu sabia disto e como nunca sabia que era o que eu queria, mas de novo, como um tolo, hesitei e voltei atrás, sem dar o passo que precisava ser dado.

-Se você está mesmo ficando doente, podemos tratar isto. — Disse. — Você até tirar um tempo de férias e viajar um pouco. Acho que vai te fazer bem e vai te ajudar e ver as coisas com mais clareza, se acalmar.

-Pode ser que sim.

-Então, vamos ver o que podemos fazer para melhorar um pouco as coisas. — Propôs com mais calma, mais ainda frieza. Era só um jeito dele manter o que vê como sendo seu dever, nosso dever.

Eu não queria tentar mais nada, sabia que seria inútil.

Entretanto, invés de dizer que não, assenti com a cabeça, concordando com ele.

Podia estar fazendo as coisas assim, mas era bastante claro o quanto tudo isto nada mais era mais uma forma de insinuar que faço tempestade em copo d´água e isto que ele diz querer fazer por mim, não é por se importar e sim por sentir pena. Esta é só mais uma prova do grande erro que nem deveria ser cometido mais, só cortado pela raiz como nunca consigo fazer e como acho que nunca conseguirei.

                                              €

Joguei o controle da tv longe, após desligar a tv, cansado de assistir o filme de romance bobo que assisti até agora, para tentar apaziguar minha insônia. Sem sucesso algum. Puxei a coberta e me virei de lado na cama, encarando o abajur cor salmão deste hotel, sendo este a única luz de todo o quarto mergulhado em todo o escuro. A cama é confortável, assim como o quarto e mesmo que tendo um dia cheio de agitações, ainda era impossível para mim pegar no sono. Minha vontade era de esquecer que é madrugada e ir passear pelo hotel, ou por qualquer ponto turístico de Bangkok.

Como não estava aproveitando praticamente nada, até acabei me arrependendo de ter me deixado convencer de fazer esta viagem, que só fiz para ver se me sentia melhor, mas não. Estou sozinho no quarto, mas não viajando sozinho. Ele comigo, a negócios e está trabalhando no momento. Nem sei porque acabei aceitando isto, sendo que desde do começo soube que não iria adiantar nada de qualquer forma.

Acho que só acabei me deixando levar pela insistência dele e o seu achar que pode melhorar alguma coisa para mim neste tempo. A intenção dele pode até ser boa, mas no fundo, sei que não resolve nada. Já posso sentir como ver coisas bonitas ou ir a lugares exóticos não vai resolver nada e infelizmente, eu continuo fazendo isto, mesmo que sem entender direito porque, ou porque ainda me dou este trabalho.

Acho que porque ainda quero e continuo tentando, mesmo sabendo que não vale muito a pena mais. Por isto vim até aqui, porque Blake acabou achando que iria me fazer me sentir um pouco melhor dar uma pausa em tudo, e eu dei. Decidi tirar três meses de folga de tudo e de todos, menos de Blake que era impossível. Depois que soube que estou ficando depressivo, ele resolveu achar um médico da sua confiança para mim e também começou a fazer mais esforço para se acalmar. Começou a fazer atividades físicas para descontar seu estresse. Realmente funcionou e as brigas voltaram a serem raras como eram antes.

Mas claro que isto não serviu em nada para me acalmar ou para me fazer sentir melhor de forma geral. De verdade, só me senti pior e as sessões com o psicólogo não adiantavam mais nada. Ele era amigo de Blake e eu não me sentia nada a vontade a contar sobre como realmente me sentia e o que realmente pensava, especialmente por tudo que se passava na minha mente era Amim, a saudade que sentia da presença dele e como cada vez menos, eu via sentido na vida que levava.

Ou seja, tudo se tornou quase que totalmente inútil para mim. E vendo isto, ele resolveu unir o útil ao agradável, fazendo viagens de negócios e me levando consigo, para aproveitar. No entanto, não estou é aproveitando nada.

Realmente cheguei a um ponto que me perguntava se valia a pena continuar do jeito que as coisas estavam e realmente não valia mais. Acho que nunca valeu, mas ainda assim, eu continue e continuo com quase tudo de modo geral, sabendo que nada vai mudar quando meu tempo de férias acabar e eu voltar para rotina na música voltar.

Mesmo sabendo disso, continuo dando estes passos, sem mal saber a razão.

Blake não comentou mais nenhuma palavra sobre sua certa constatação sobre Amim. Muito menos eu, e também não falamos mais sobre o assunto do divórcio que ele se recusa a aceitar ou ver como o melhor caminho para nós. Também não falei mais com Amim. Até poderia, pois ainda tinha o contato profissional dele, mas resolvi que era melhor deixar para lá. Tive medo de o aborrecer se falasse com ele de novo.

Porém, é claro que isto não mudou em nada a forma como me sinto e como tudo isto se tornou uma gigante e enorme bola de sentimentos, de saudades que que não podia fazer nada além de engolir e fingir para todos que não existe. Eu até poderia achar que tudo isto não passava de uma simples carência ou apego emocional por fragilidade, mas o tempo me deixou bem claro que não era nada disto e guardar tudo para mim, tem sido realmente doloroso. E inegavelmente difícil.

E ver o tempo passar, fazer esta viagem, não fez nada mudar.

Tudo isto nada mais é do que a base de uma negação que creio que nunca vai terminar. E ter Amim por perto, mesmo que só para trabalho, tornava tudo mais fácil, ainda que só que mais um meio de desvio. Mesmo que por isto foi bom ter o conhecido. Foi encontrar Amim por causa disto, porque ele me fez ver quão ruim as coisas são realmente e qual a solução de tudo, mas sou fraco demais para me libertar das correntes com que voluntariamente me acorrentei anos atrás.   


Notas Finais


Até o Próximo!


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