História Empty room - Capítulo 1


Escrita por: ~ e ~Butantan

Postado
Categorias EXO
Tags Bttm, Bttmfictape, Metal Melódico, Oh Deus, Sesoo, Tirei O Ian
Exibições 38
Palavras 2.511
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Musical (Songfic), Shoujo-Ai, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Olá,
Cheguei com mais uma Fic do projeto bttm (não conhece? Dá uma olhadinha no perfil de coautor, okay? 💖), e esse mês o tema foi Fictape, ou seja, músicas que gostamos 💖💖💖
Como sortuda que sou, tirei o Ian que havia pedido músicas que me lembram um passado não muito distante, e ele pediu algo que o "fizesse chorar os órgãos", então, estão avisados nnnn
Eu amei escrever, sério, to viciada nas músicas e e e e
Aqui: Empty Room - Celeste
The cabbal - Evenking
Ouçam, vou deixar links.
Quem Betou foi meu amor, Barbs e obrigada 💖

Boa leitura

Capítulo 1 - A trama na sala vazia


 

Era mais um verão daqueles ardidos que deixaram tudo e qualquer pessoa morta de cansaço, mesmo sem um motivo aparente. Você sempre odiou o calor, sempre odiou aquela sensação de não ter controle sobre seu corpo, sempre odiou os dias intermináveis e quentes.

Você sempre gostou do inverno e de chocolates quentes, um filme e mantas bem quentinhas para nos aquecer, abraçados. Eu gostava de tudo que envolvia você, fosse inverno ou verão, fosse no calor ou frio, eu apenas gostava de estar ao seu lado, Sehun.

Mesmo que nunca tenha verbalizado tais palavras.

Pode parecer idiota agora, mas sinto que uma forma ou de outra eu preciso desabafar, mesmo que você finja não me ver, ou finja simplesmente que eu não existo mais.

Mesmo que eu tenha sido um completo babaca, um idiota de marca maior, você não tem o direito de fingir que eu inexisto; querido, deixe-me te abraçar e mostrar ainda tudo que sinto.

Já é inverno, Sehun e eu sinto a sua dor, e sei que você também a sente. Mesmo que todos lhe digam que isso é impossível, eu sinto porque vejo nos teus olhos cada pedaço de seus sonhos morrendo enquanto você olha para o lugar onde deveria estar seu braço direito.

Ele sim inexiste, mesmo que você finja que eu não estou a te abraçar do seu lado.

Sei que errei, que fui um tolo, mas porque você não pode me dar uma chance? Por que você não pode me ouvir? Eu juro que te falarei tudo que desejas ouvir, apenas me dê essa chance.

Mas você continua a pensar naquele maldito verão que ardia até a nossa alma, e ainda chora sussurrando meu nome à noite. Porém, você é um idiota que não me deixa falar, ou que finge que eu não existo.

Sei que foi minha culpa, mas você poderia ao menos me perdoar por ser o idiota que sou.

 

--X--

 

Naquela noite, mesmo que você odiasse o verão e ficar fora de casa e do ar condicionado que a mantinha relativamente agradável, você me convidou para ir ao parque, se lembra?

Não quis te dizer não e juntos arrumamos a cesta com tudo que você desejava comer; era um misto de doces e de salgados, feitos de forma mirabolantes em na sua cozinha - que também era como se fosse minha, já que eu vivia mais ali do que na minha própria casa.

Entenda, eu não me fiz de idiota, eu sou um idiota. Não soube de seus planos, nem os imaginava.

Mas estava feliz porque você queria sair finalmente de casa, porque você queria ir ao parque e talvez porque o sufoco de estudos intermináveis teriam uma trégua.

Nunca foi simples cursar música, meu bem, ninguém nunca disse que seria. E a rotina exaustiva de aulas e treinos estava nos sufocando aos poucos, e com essa maldita rotina o nosso relacionamento ia ficando cada vez mais em segundo plano.

Você queria ser um grande espala, o da orquestra sinfônica da faculdade, se quiçá do mundo.

Meu sonho era ser um tenor, encantar as pessoas com as músicas que saiam de minha garganta, fazê-las sorrir e chorar.

Foi numa aula de história da música que nos conhecemos, foi numa aula de teoria matemática que trocamos telefone e foi na apresentação com a orquestra pela primeira vez que você me beijou.

Não demorou para que os beijos trocados evoluíssem para carícias, que as conversas jogadas fora enquanto tentávamos nos concentrar para aprender aquelas matérias teóricas mudassem de rumo e para que o nosso relacionamentos mudasse de colegas-que-ocasionalmente-se-beijam-e-se-pegam para um namorados em tempo integral.

Foi rápido para muitos, para outros apenas natural, para nós dois, o certo.

Assim, logo estava eu na sua casa te ajudando - na realidade fazendo tudo para você, já que você é uma aberração culinária -, a montar uma cesta de piquenique com todas aquelas comidas que você havia caçado as receitas na internet.

Sorrimos juntos enquanto cozinhávamos, em meio a massas de tortas e doces, você se encontrava sujo de farinha e com aquele cabelo colorido cheio do recheio do que deveríamos colocar nas comidas.

Talvez todo o conjunto da obra tenha me encantado, ou talvez apenas seu sorriso brincalhão enquanto me pegava pela cintura e colocava na bancada da cozinha, quiçá o desejo, o amor, os sentimentos e toda essa mistura que eu nunca havia sido capaz de te falar tenha me feito apaixonar mais e mais.

Contudo, no silêncio me mantive e nesse silêncio nos sufoquei.

 

--X--

 

Mas o dia havia amanhecido lindo, lembra-se? Ou talvez a sua forma de sorrir fechando os olhos enquanto me abraçava e dizia que precisava de mais cinco minutos para levantar tenha sido linda. Pode ter sido também aquela sua voz rouca sussurrando baixinho que estava quente, e que talvez deveríamos apenas ficar em casa e comer o que havíamos preparado. Se quiçá foi o conjunto da obra: meus olhos seguindo cada um de seus passos, enquanto pensava em nós, em você. No fundo cada segundo de sua manha característica de manhã cedinho valeu a pena, tudo em você me encantava.

Tudo em você me encantava, mesmo que eu nunca tenho dito nada.

Eu era apenas seu hyung de cara amarrada, depois fui seu colega de respostas ácidas para posteriormente ser o namorado ranzinza que nunca disse o que se prendia na garganta, o que sufocava, o que sufoca ainda hoje.

Mas eu grito nessa sala e ela me parece vazia, seus olhos perderam a alma quando você perdeu o braço.

A sua arte soa cada vez mais distante, mesmo que você tenha aprendido a esquecê-la. Talvez como tenha me esquecido, ou como insiste em fingir que esqueceu.

Eu estou aqui, vejo a dor que sente, Sehun, sinto-a dentro de mim, foi minha culpa, eu sei.

Mas você não me escuta.

Sei que demorei para falar, mas me ouça, eu grito, eu tento e você nem se mexe.

Apenas escuta aquele maldito CD que gravou um dia para mim enquanto deixa as lágrimas banharem sua face.

Sehun, seria tão simples se apenas me deixasse falar, se retribuísse meus abraços, se abrisse seu violino.

Sabe, naquela noite em que cozinhávamos juntos, depois de amar você com toda a intensidade e desejo que possuía dentro do meu ser, eu escondi na capa de seu violino uma música.

Eu a compus, escrevi nota por nota tudo aquilo que não conseguia te falar, escrevi palavra por palavra de todo o amor que eu queria te dar.

Esse foi meu erro, eu sei.

Eu nunca fui de falar. Tenho dentro de mim uma dificuldade incontrolável de assumir meus sentimentos e de dizê-los, eu sei. Não é uma desculpa, afinal você não me escuta mesmo, você me ignora, pois a culpa da tua dor é minha, eu sei.

Mas sabe, Sehun, eu tentei.

De verdade eu tentei e escondi cada pequeno pedaço do meu coração no meio daquelas notas loucas que eu aprendi com você, no meio de cada palavra que se prendia na minha garganta.

Eu as vomitei, em um pedaço de papel e guardei para você.

Seria mais simples, eu sei, apenas te falar ou cantar para você, talvez até mesmo verbalizar cada sílaba que me sufocou e que me prendeu onde estou, mas eu não consegui.

Tampouco tive sucesso em te mostrar como me senti.

Então escondi, como um presente talvez, cada trecho de mim e você guardado naquilo que você mais amava.

Seu violino e sua arte.

E logo depois de esconder, me deitei na sua cama e te abracei, esperando a manhã chegar e com ela ver sua manha para levantar.

E foi o que aconteceu.

Do jeito que eu imaginava, você se comportou e mesmo que não tenha visto, eu sorri, enquanto carregava a cesta para o carro e te esperava descer as escadas longas do prédio.

Sorri porque aquele dia seria mágico, porque era verão e estávamos fora de casa, porque sabia o que você ia fazer, porque sabia exatamente como você iria agir, por que te lia, e te lia porque te amava.

Mesmo que nunca tenho dito tais coisas.

E agora você fingi não me ouvir.

 

--X--

 

No parque comemos juntos, ouvimos o seu demo, aquele que segundo você te garantiria um lugar na sinfônica nacional, era lindo meu bem.

Tudo que você tocava era lindo e me encantava.

Mesmo que isso nunca tenha saído da minha boca até agora.

Deixei algumas lágrimas escaparem enquanto eu ouvia aquelas notas tão perfeitas, tão bem colocadas.

A sua risada junto delas apenas deixava tudo mais lindo, o seu abraço apenas me encantava mais, tudo naquele dia estava sendo perfeito.

Comemos as tortas, sorrimos ao ver um casal caindo no lago enquanto tentavam remar um barco. Cantei uma música para você, se lembra? Ela dizia que o amor durava para sempre, e te juro que era exatamente aquilo que eu queria falar, mesmo que não fosse minha composição.

Mas foi ai que tudo desandou, meu bem.

“Eu te amo, Kyungsoo.” As palavras saíam de forma cantada e rouca, enquanto você escondia seu rosto na curvatura do meu pescoço. “Te amo tanto que esse sentimento nem cabe dentro de mim.” Você levantou o rosto e se colocou a me olhar nos olhos, eu via lágrimas escaparem enquanto você esperava uma resposta, mas essa eu não conseguia dar. “Por favor, não faça isso, não, não, Kyungsoo, diz que me ama também!”

Apenas te abracei e deixei as lágrimas caírem, não era porque eu não te amava, Sehun, era por te amar demais que eu nem ao menos conseguia te dizer.

“Mas que droga, Soo! Que merda é essa?”, não entendi o porquê você se levantou, ou o porquê gritou comigo, eu te amava, te amo, só não conseguia me expressar. “Eu me abro para você, eu mudo toda a merda da minha só para você, eu enfrento deus e o mundo e tudo que você faz é chorar?”, então você saiu dali, me deixando para trás com a cesta, as comidas e aquela toalha florida que eu te obriguei a comprar. “Você chora por que não sabe como dizer que  não é recíproco, cacete. Soo, poderia simplesmente falar.”

“Não é verdade.” Foi tudo que consegui falar antes deixar a cesta para trás com todo o resto e correr para o carro. Você teria me deixado para trás. “Abra a porra da porta, Oh Sehun, esse carro ainda é meu! Caralho!” Você saiu chorando e eu queria te abraçar, mas meu orgulho era maior, eu não conseguia suportar.

Sentei no banco do motorista, e abri a porta para você entrar. “Entra logo, seu filho da puta, ou te deixo para trás!”, você entrou chorando e murmurando coisas que nunca entendi, coisas que nunca vou entender.

Deixamos tudo para trás. A cesta, as comidas e o bom relacionamento que tínhamos.

Era difícil entender que eu não conseguia falar? Por te amar demais eu não conseguia falar, por me sufocar com aqueles sentimentos estranhos que me assustavam eu não conseguia falar.

Se chorei foi porque te amava demais. Por que você não conseguiu entender?

Os céus imitaram nossos olhos e resolveram chorar por dois tolos que não se entendiam, mas que se amavam.

Mas o céu foi cruel demais, e em meio a nossas discussões sobre como estávamos deixando tudo de lado, como estávamos sendo idiotas, e num vai e vem de culpa, um raio me cegou.

Eu não me lembro de mais nada.

Tudo que sei depois disso é que você me ignora, e que seu braço direito já não existe mais.

 

--X--

 

Sabe Sehun, não entendo porque você insiste em ouvir aquele maldito CD com suas gravações, sua arte ecoa nesta sala vazia, ecoa e se enterra pois você nunca mais vai poder tocar.

O que aconteceu naquela tarde chuvosa? Por que eu não me lembro? Por que você me ignora? Por que seu braço não está onde deveria estar?

Você chora de dor à noite, dizem que é a síndrome do membro fantasma, eu te abracei silenciosamente e disse que tudo ficaria bem, mesmo imaginando que não vai mais ficar.

Sua arte está sendo esquecida, talvez esse seja o motivo de você ainda ouvir aquele CD, é difícil deixar sua arte ser enterrada, eu sei.

Imagino que talvez eu tenha ficado mudo, afinal você não me escuta, ninguém me escuta.

Você não me ouviu quando eu chorei, e me ignorou mesmo que eu tenha me prostrado de joelhos aos teus pés.

Você vendeu o violino e com ele a música que eu havia escrito, nela eu falava tudo que um dia você quis ouvir, mas acho que agora é tarde demais, você deve me odiar, não é?

Por isso finge não me ver.

Eu não consigo entender por que é tão simples para você se desfazer de tudo aquilo que um dia foi nosso. Sehun, apenas me escute, eu acho que agora sou capaz de dizer as palavras que guardei na música.

Não chore na nossa foto com Vivi. Ele é o único que me vê, ele é fiel e não me ignora.

Não fique bravo com ele.

Ele está apenas latindo a mancha branca do céu.

Você pode vê-la? É tão brilhante.

Olhe Sehun, olhe para mim, não me ignore mais.

Não grite com Vivi, meu bem, olhe na minha direção, hey, onde você está indo? Não jogue a nossa foto no lixo, Sehun, não nos destrua ainda mais.

“Seu tempo acabou, Do Kyungsoo”, um ser moreno de sorriso singelo disse docemente colocando a mão em meu ombro, “O tempo para resolver seus assuntos inacabados acabou”.

“O que, quem é você?”, acabei perguntando enquanto tentava te seguir, meu bem, mas aquele moreno segurava meu ombro, ele não me deixava ir atrás de você.

“Sou Kim Jongin.” O ser que me prendia na sala enquanto você descia as escadas jogando no lixo tudo aquilo que nos marcava falou. “Sou o responsável por te levar de volta, vamos, Kyungsoo, lembre-se da morte”, Jongin soprou minha face e eu me lembrei de tudo.

Lembrei da nossa briga, do raio, do acidente, da forma que joguei o meu lado do carro contra o barranco para tentar de salvar.

Lembrei que a dor de não conseguir falar que te amava era maior que a dor da morte, lembre-me que Jongin havia me dado uma chance de te mostrar meus sentimentos.

A dor da incapacidade, a dor da vulnerabilidade, a dor de não poder fazer absolutamente nada por você me corrói ainda mais que qualquer outra coisa.

“Me deixe despedir.” Pedi meio incerto, chorando a vida que nunca mais teria, chorando a vida que te tirei quando não consegui salvar teu braço no acidente.

Eu me matei e comigo levei cada pedaço daquilo que amávamos.

Jongin assentiu e eu te abracei, selei seus lábios nos meus e sussurrei aos céus “Eu estou vivo”.

E de fato estava, vivo na nossa arte que nunca será vista ou ouvida, vivo na sua mente como um filho da puta desgraçado e vivo naquela maldita música que você nunca verá.


Notas Finais


Me perdoem qualquer coisa 💖
Empty Room - Celeste: https://m.youtube.com/watch?v=H9vGlGphwtE
The Cabbal - Evenking: https://m.youtube.com/watch?v=cevac4Z7iFI

Obrigada por lerem 💖


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