História Encantado - Capítulo 8


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Bishounen, Crossover, Drama (Tragédia), Fantasia, Hentai, Lírica, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yaoi
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Mais um capítulo pra vocês, meus leitores! Espero que compreendam a minha situação, postar regularmente tem ficado cada vez mais difícil. Espero que agora no final do ano eu tenha mais tempo para escrever e adiantar a história. Obrigado por tudo, boa leitura e até o próximo capítulo! ^-^

Capítulo 8 - Inimigos e aliados


Fanfic / Fanfiction Encantado - Capítulo 8 - Inimigos e aliados

"Em política, os aliados de hoje são os inimigos de amanhã." - Nicolau Maquiavel

 

Na penumbra da noite, uma silhueta caminhava cautelosamente pelas ruas da cidade capital. Todas as lanternas da rua, todos os postes e lampiões já estavam todos apagados, e somente a luz da lua, rodeada por nuvens dançantes, iluminava parcialmente o ambiente. Nenhum som se ouvia, somente a brisa soprando. Ouvia-se ocasionalmente alguma cigarra cantando, mas muito raramente. Aquela noite estava especialmente silenciosa e negra, enquanto aquela silhueta misteriosa se deslocava pela calçada de pedra.

Coberta por um capuz púrpura, a figura se movia lentamente, evitando o olhar de qualquer guarda que estivesse de serviço essa noite. Alcançando uma das casas simples, mais afastada do palácio, a figura se aproximou da entrada e bateu duas vezes na porta de madeira. Ouve uma agitação silenciosa e contida dentro da casa, e alguns passos em direção à porta. Ela se abriu, e do lado de dentro, uma jovem menina, de dezesseis ou dezessete anos, surgiu de lá dentro. Tinha os cabelos louros e escorridos até os cotovelos, e olhos saltados, castanhos claros, que, no seu rosto redondo de queixo fino, lhe dava a aparência de um belo peixe curioso. Ela deu um sorriso quando Branca de Neve baixou o capuz.

- Entre... – disse ela, se afastando para dar espaço para a princesa entrar. Em seguida, fechou a porta, olhando para todos os lados, para garantir que não estavam sendo vistas.

A menina acendeu uma vela, iluminando o aposento pequeno. Haviam entrado numa cozinha muito simples, mas muito ajeitada e acolhedora. A menina colocou a vela sobre a mesa de refeições e puxou uma cadeira para a princesa.

- Filha, - disse uma voz, vinda de dentro da casa. – quem é?

- Tudo bem, mãe. – acalmou a jovem. – É só uma amiga. Volte a dormir.

A mãe não voltou a falar mais.

- Claire. – disse Branca de Neve.

- Há quanto tempo... princesa. – sorriu Claire, e Branca de Neve lhe deu um sorrisinho de volta. – A que deve a honra...?

- Pare com isso... – pediu Branca de Neve. – Preciso falar com você, sobre o que anda acontecendo com todos...

- Você está falando das mudanças, não é? – murmurou ela, baixinho. Branca de Neve assentiu com a cabeça. – Mamãe ficou espantada quando eu saí sem o capuz, ontem...

- Sim, todos estão mudando... – confirmou a princesa. – Cinderela confirmou a nós, no palácio, que os cidadãos também estão despertando.

- O que isso significa? – questionou Claire, franzindo o cenho. – Algum encantamento muito forte foi quebrado, não é?

- Provavelmente. – disse Branca de Neve. – Mas nenhuma de nós tem muita certeza sobre nada, e por isso eu vim até você. Você pode nos ajudar, Claire.

- Eu...?

- Sim... – Branca de Neve baixou o tom de voz e se inclinou para falar mais próxima à amiga. – Preciso que bote seu capuz novamente. Preciso fazer algumas perguntas para a sua avó.

Parecendo temerosa, mas ainda assim, decidida a ajudar, Claire assentiu nervosamente.

 

Já eram altas horas da noite. Em seus aposentos, Aurora ainda resistia, acordada, sentada na cama, ao lado de seu marido, que já havia adormecido há muito tempo. Debaixo das cobertas, com a cabeça pendida sobre o travesseiro, Philip não emitia um som, não movia um músculo sequer. Aurora sorriu, observando o marido dormir como um bebê. Ela, ao contrário, não conseguia pregar os olhos. Talvez, com aquele encanto estranho, deixando todas mais diferentes, fizessem-na despertar no sentido mais brutal da palavra, depois de cem anos dormindo, à espera do seu príncipe.

No começo ela até tentou dormir novamente. Já estava até com as roupas de dormir. Deitara ao lado do marido, dera-lhe boa noite e deitara a cabeça no travesseiro, apagando a última vela do quarto, no seu criado mudo. Ficou observando Philip fechar os olhos lentamente, apreciando cada detalhe do seu marido, e assim esqueceu-se de adormecer também. Quando se deu conta, estava há horas refletindo sobre coisas absurdas e nada de pegar no sono. Acendeu a vela novamente, começou a ler aquele livro de cabeceira que Bela lhe sugerira. Terminou de ler o livro, e nada de ficar sonolenta. Cansando-se, ela jogou as cobertas para o lado, sentou-se na cama, pisando suavemente no chão. Calçou seus sapatos, vestiu um roupão por cima das vestes de dormir e, tomando a vela nas mãos, saiu do quarto.

Sentiu-se mais acordada do que nunca. Fechou a porta com cuidado, para não acordar seu marido. Seus pés avançaram lentamente pelo corredor escuro, iluminando-o com cuidado, conforme caminhava, olhando para todos os lados. Não se ouvia um ruído sequer no palácio, e Aurora não fazia ideia de onde poderia ir. Resolveu ir até a cozinha, beber alguma coisa, e talvez passar na biblioteca, para pegar um livro novo para ler. Podia até passar a noite lendo, até o sono vir, na biblioteca. Animada com a ideia, e sem sentir sono algum, ela avançou, caminhando pelo corredor, em direção à escadaria. Ela desceu os degraus de mármore, em direção ao salão principal do palácio, e virou no corredor para a cozinha. Lá, bebeu um copo d’água, e sentiu seu corpo despertar-se por completo, enchendo-a de ânimo e determinação.

De repente, um ruído lhe chamou atenção. Era pouco mais que um sopro, o som do próprio ar, muito distante. Era um farfalhar de asas. Aurora parou onde estava, no meio da cozinha, para escutar mais atentamente. Novamente, ouviu asas batendo, e desta vez, teve certeza; vinham do lado de fora. Intrigada, ela saiu atentamente da cozinha, erguendo a vela na altura do rosto, para iluminar seu caminho. Novamente estando no corredor, ela olhou para todos os lados. Não havia ninguém, estava sozinha. Prosseguindo calmamente pelo corredor escurecido, Aurora refletiu que talvez as asas estivessem do lado de fora do palácio. Caminhou até onde sabia estar a biblioteca, mas parou pouco antes de sua mão livre tocar na maçaneta das portas duplas de carvalho.

Olhou ao seu redor. O fim do corredor estava enegrecido pela noite, e a vela que a princesa segurava lhe concedia um pequeno círculo de luz muito tênue e frágil. Porém, conhecia aquele corredor. No final dele, havia uma sala imensa e inútil, decorada com armaduras e quadros... havia uma escada de pedra circular... uma escada de pedra que subia infinitamente para uma torre...

Tomada por uma sensação estranha, e lembrando-se das palavras encorajadoras de Branca de Neve e Cinderela, Aurora segurou firme a vela e, fechando o roupão na frente do busto, avançou, decidida, para a sala. Atravessou o imenso aposento, sem se distrair com nada que encontrava no escuro. Rumou até o fim da sala, onde sabia haver uma porta, uma entrada nada convidativa. Assim que viu a porta que bloqueava seu caminho, lembrou-se do rei George advertindo-a que nunca, ninguém, em possibilidade alguma, deveria abrir aquela porta. Aquilo parecia ter sido arrancado de suas memórias, como se fosse uma lembrança mergulhada em sua mente, que estivesse quietinha, se afogando em meio a outras coisas menos importantes. Recordar disso foi como pescar essa memória e trazê-la para a superfície, e Aurora sentiu o choque intenso percorrer seu corpo ao fazer isso.

Ela forçou a porta, mas não abriu. Estaria trancada ainda? Aurora suspirou. Não iria desistir. Alguma coisa de importante se escondia atrás daquela porta, no alto daquela torre, e fosse o que fosse, sentia que era importante para descobrirem o que estava havendo com todas. Ela olhou em volta, mas não havia nada que a ajudasse a abrir a porta. Olhou com mais detalhe por ela, agachando-se com a vela para iluminar adiante; não estava trancada, podia ver o espaço vago que o trinco deveria preencher. Decidida, Aurora engoliu o medo de acordar alguém àquelas horas, e mete o pé na maçaneta da porta. Ela se moveu alguns centímetros. Mais um chute. Começou a ofegar. Faltava pouco agora. Ela empurrou em seguida com o ombro, com toda força que pode reunir, e a porta cedeu, quase derrubando a princesa do outro lado.

Diante dela, a escada de pedra escura se estendia, mergulhando na escuridão. Engolindo em seco, Aurora avançou.

Pareceu subir a escadaria por quase uma hora, talvez até mais. Mas Aurora não se importava. Não sentia sono algum, e estava decidida a ajudar as demais princesas a descobrirem o que estava havendo por ali. Depois de inúmeros degraus, a princesa se deparou com outra porta, idêntica a que bloqueava o pé da escada. Essa, por sorte, estava apenas encostada. Ela espiou pela fresta, para garantir que não havia ninguém no aposento. Da última vez que subira uma escada escura até um lugar desconhecido do palácio onde estava, havia encontrado uma roca nada agradável. Espantando a lembrança terrível de sua mente, ela constatou que estava muito escuro ali e que não poderia enxergar nada do lado de fora. Resolveu entrar, cuidadosamente.

A porta rangeu conforme Aurora empurrou-a. Estava num aposento circular, completamente vazio. A janela estava aberta, e por ela, a luz da lua banhava metade da salinha. A única coisa que havia naquele aposento era um pequeno pedestal de pedra branca, bem no meio do lugar. Aurora se aproximou cuidadosamente, baixando a vela. A luz branca da lua iluminava a pedra do monumento, fazendo-o cintilar durante a noite. Era o lugar perfeito para colocar um livro, mas não havia nenhum ali. Ao se aproximar mais, Aurora sentiu pisar em algo fofo. Olhou para o chã, assustada, e deparou-se com montes de cinzas.

Ela agachou-se, a vela trêmula em sua mão, para analisar as cinzas. Estavam frias. Voltou a se levantar, e continuou a admirar o pedestal. Sobre ele, também havia muitas cinzas, e na pedra branca, onde deveria se encaixar muito bem um belo livro vistoso, havia uma marca de queimadura negra e violenta. Havia um livro ali, e ele fora queimado, disso Aurora sabia agora.

De repente, a brisa suave que soprava pela noite lá fora transformou-se num vento forte, que apagou a vela de Aurora, mergulhando-a na escuridão. Seu coração disparou, e ela viu, pela janela, asas imensas farfalhando rapidamente. Assustada, ela saiu da sala, e esperou do lado de fora, espiando pela fresta da porta. Duas fadas entraram na torre pela janela, uma após a outra. A primeira, mais alta, era morena e bonita, tinha cabelos volumosos e cacheados, e olhos amarelos que brilhavam no escuro. Suas asas imensas eram castanhas e alaranjadas, como as de uma borboleta. A que a seguida era uma cabeça mais baixa, tinha feições orientais e o cabelo escuro e escorrido. Suas asas eram vermelho sangue, e eram menores e mais angulares que as da primeira.

As duas pousaram no chão da sala, diante do pedestal cheio de cinzas.

- Aqui era onde ele costumava ficar. – disse Alegra, tocando levemente no pedestal. – Ninguém poderá entrar nessa sala, ouviu bem, Kira?

- Sim senhora. – disse Kira, a fada de asas vermelhas, com uma firmeza e obediência que gelaram o sangue de Aurora.

- Se qualquer um daqueles idiotas da família real aparecer por aqui, tem minha autorização. – disse a rainha. – Pode matá-los. Mas lembre-se de esconder as evidências; ninguém pode descobrir a participação das fadas nisso tudo.

- Entendido, senhora. – entoou Kira.

- Muito bem... voltarei para o Bosque das Luzes para ver o que posso resolver... estou tentando contornar todas as regras que posso, mas sem o Livro dos Contos fica muito difícil manter o reino sob controle. Bem... em breve voltarei para cá. Enquanto isso...

Aurora observou Kira assentir afirmativamente para Allegra, enquanto essa subiu no peitoril da janela e saltou, suas asas farfalhando noite afora. Aproveitando o último ruído que aquela noite lhe proporcionaria, a princesa usou a saída de Allegra como distração e desceu as escadas, o mais cuidadosa e rapidamente que pode.

 

No outro dia, de manhã cedo, Branca de Neve levantou mais preocupada. Edward não havia voltado ainda. Será que já havia recebido sua carta? Ela se vestiu e saiu do seu quarto, pronta para ir até a mesa de café da manhã com as outras, mas estava tão avoada que levou um susto quando foi abordada por Aurora logo na porta do seu quarto.

- Meu Deus, mulher, o que faz aqui?! – perguntou ela, massageando o peito, assustada.

- Não há tempo, Branca. – disse Aurora, nervosa. – Preciso falar com você. Com você e com todas as princesas.

Vendo o semblante decidido dela, Branca a acompanhou. Aurora levou-a para a biblioteca, onde as demais princesas já a esperavam. Rapunzel bocejava enquanto Ariel se divertia, fazendo uma trança com seus cabelos. Cinderela e Elisa conversavam em voz baixa num canto quando Branca e Aurora entraram no aposento.

- Onde está Bela? – perguntou Aurora.

- Aqui! – exclamou Bela, surgindo entre as prateleiras dos livros. – Eu procurei o que você pediu. Não há nada por aqui.

- Como eu pensava... – murmurou Aurora.

- O que você tem pra nos contar? – perguntou Branca de Neve. – Descobriu alguma coisa?

- Sim. – e ela contou sobre o que descobrira na noite passada. - ...e a rainha Allegra disse com todas as letras, deu autorização à outra fada para matar qualquer um de nós, se nos atrevermos a subir a escada.

Branca de Neve arregalou os olhos, surpresa. Cinderela, Bela, Ariel, Rapunzel e Elisa se entreolharam, temerosas.

- O que devemos fazer, Branca? – questionou Cinderela, em voz baixa, como se temesse que alguém pudesse ouvi-las.

- Precisamos descobrir mais sobre esse Livro dos Contos. – decidiu Branca. Voltou-se para Bela. – Tem certeza de que nunca ouviu falar disso nos seus livros?

- Sim, tenho. – afirmou Bela, tristemente.

- Precisamos consultar alguém que conheça as fadas e o mundo delas. – disse Cinderela. – Esse livro está ligado a elas... precisamos descobrir mais sobre o envolvimento das fadas nisso tudo.

- Eu tenho uma ideia. – admitiu Aurora. Todas olharam para ela. – É arriscado, e muito, muito perigoso, mas... acredito que possa dar resultados.

Branca de Neve e Cinderela se entreolharam.

- No que você pensou, Aurora? – questionou Branca de Neve.

- Há muito tempo eu não vejo minhas fadas madrinhas, e não faço ideia de onde encontrá-las. – começou ela, temerosa, mas decidida. – Mas elas não foram as únicas fadas que eu conheci. Tem outra, outra fada, que nos contaria todas as coisas ruins que elas fizeram...

- Você quer dizer... – murmurou Rapunzel, se arrepiando.

- Sim. – confirmou Aurora. – Eu sei que não deveríamos, mas precisamos consultá-la. Eu sei onde encontrá-la. Se estiverem dispostas, podemos ir até ela e perguntar.

O olhar de Aurora se encontrou com o de Branca de Neve. Apesar de nenhuma das duas querer, de fato, encontrar aquela fada terrível, Branca assentiu para Aurora, encorajando-a.


Notas Finais


Qual será o plano de Aurora? E será que Claire vai ajudar Branca de Neve? As princesas, pelo jeito, vão continuar um passo à frente dos príncipes. A propósito, eles também sofrerão com o dom (ou a maldição) da liberdade muito em breve. Edward e Velkan também voltam no próximo capítulo. Até lá!


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