História Encruzilhada - Capítulo 1


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Categorias Star Trek
Personagens Hikaru Sulu, James T. Kirk, Personagens Originais, Spock
Tags Ficção Cientifica, Kirk, Spock, Star Trek
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Palavras 2.829
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Ficção Científica, Romance e Novela, Sci-Fi
Avisos: Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 1 - Uma Nova Missão


 

Diário do Capitão, data estrelar: 8606.75

“Recebi uma mensagem prioritária do Almirante Nogura, ordenando que eu me apresente o mais depressa possível no quartel general da Frota Estrelar (1), em São Francisco. Ele não quis me adiantar qual é o assunto, mas garantiu que está relacionado à segurança de toda a Federação Unida de Planetas (2). A urgência desta convocação me deixou um pouco intrigado, mas por outro lado fico contente de ter a oportunidade de rever a Terra. Sei que será ótimo para todos nós que servimos na Enterprise voltar para casa por algum tempo, depois de quase cinco anos realizando missões em espaço profundo. A satisfação de toda a tripulação é visível e o moral está elevado – em parte por causa da festa planejada para a noite em que atracarmos. O único que parece não estar muito entusiasmado é o meu primeiro oficial. Talvez eu consiga descobrir o motivo do seu incômodo antes do desembarque.”

 

O capitão James T. Kirk se recostou na cadeira e esfregou os olhos com as pontas dos dedos. Sentia-se bastante cansado e adoraria se deitar em sua cama e desfrutar de algumas horas de sono, mas havia muito trabalho a ser feito antes de chegarem à Terra. Como de praxe, vários oficiais seriam transferidos da Enterprise. Spock, seu imediato, já havia lhe entregado a lista dos postos que ficariam em aberto, e era necessário que ele solicitasse à Frota a reposição destes tripulantes. Deveria também se reunir com o Sr. Scott, seu engenheiro-chefe, para que ele lhe passasse o planejamento relativo a todos os reparos e ajustes que deveriam ser feitos na nave, supervisionados por sua equipe de engenharia enquanto estivessem na doca espacial. E ele próprio, como capitão, deveria organizar e preparar os diários de bordo e relatórios da Enterprise para serem entregues no Almirantado para que fosse feita a análise e documentação da missão até aquele momento. E como estavam viajando em velocidade de dobra (3) alta, havia bastante serviço para ser feito em pouco tempo.

Ele estava olhando desanimado para a pilha de discos de memória e “pads” (4) contendo os relatórios dos chefes de seção e oficiais seniores quando o apito suave da campainha da sua porta tocou.

- Entre – disse o capitão.

A porta automática deslizou para o lado o seu primeiro oficial vulcano (5) entrou, parando em pé ao lado da mesa de Kirk, rígido como uma tábua. Notando que o capitão o olhava, aguardando, falou de maneira quase formal:

- Todos os preparativos para nossa chegada à Terra estão praticamente concluídos. Estaremos atracando em 4.065 horas.

- Muito bem – disse o capitão – também já estou quase acabando de arrumar a minha bagunça. Assim que desembarcarmos na Estação Espacial 01, vou tomar um banho e me transportar ao o QG da Frota para me encontrar com o Almirante Nogura. Obrigado Spock.

O vulcano porém continuou parado onde estava, em uma postura tensa.

- Você tem mais algum assunto que queira discutir comigo, Spock? – perguntou Kirk.

O oficial ficou calado por instantes, como se estivesse pensando o que dizer. Finalmente falou:

- Na verdade capitão, gostaria de pedir permissão para continuar a bordo da Enterprise quando chegarmos. Tenho que revisar alguns bancos de dados do nosso computador central e preparar o treinamento dos novos tripulantes que vamos receber.

James Kirk olhou para o seu imediato e amigo. Já conhecia Spock o suficiente para saber que estes não eram os reais motivos para ele querer permanecer na nave.

- Por favor, sente-se Spock – disse o capitão, indicando uma cadeira.

Assim que o vulcano se sentou, ainda tenso, Kirk disse calmamente:

- Agora, por que você não me conta o verdadeiro motivo para não querer desembarcar?

Spock o olhou capitão, surpreso com a pergunta. Mas respondeu, depois de um momento de hesitação.

- Capitão, você com certeza sabe que meus pais (6) estão na Terra.

- Eu sei que Sarek está na reunião do Conselho da Federação e vai ficar lá ainda por alguns dias. Amanda provavelmente estará na Estação 01 para encontrar com você.

- E este é o problema. Não estou preparado para me encontrar com minha mãe. Não na Terra.

- Mas por que Spock? – perguntou Kirk surpreso – você não vê Amanda há quase três anos. Como a conhece bem, sabe quanta saudade ela sente e como ficará triste se não for vê-la.

- E eu sei como é difícil para mim não conseguir demonstrar o afeto que ela merece – disse Spock, num tom amargurado. – Eu a admiro e respeito demais para vê-la sofrer. A felicidade dela é muito importante para mim.

- Spock, Amanda se casou com um vulcano, aceitou sua cultura, seu modo de vida e teve um filho com ele. Ela não espera que você demonstre mais carinho do que é capaz. Encontre com ela. Vocês dois precisam disso.

Spock ficou calado, avaliando o que James Kirk havia lhe dito, evitando olhá-lo de frente. Por fim, suspirou profundamente e levantou-se um pouco mais relaxado.

- Como sempre, neste assunto, sua lógica foi superior à minha. Obrigado, Jim. – disse Spock.

- Dê minhas lembranças a Amanda e diga que seria um prazer encontrá-la em breve.

- Transmitirei o recado, capitão. Vida longa e próspera – disse o imediato, fazendo o sinal com os dedos característico dos vulcanos. E saiu.

O capitão Kirk sorriu, satisfeito. E voltou, resignado, para a leitura dos seus relatórios. 

* * *

O gabinete chefiado pelo almirante Nogura ocupava quase metade do octogésimo andar do Quartel General da Frota Estrelar, em frente à baía de São Francisco, na Califórnia. Como Chefe de Operações era sua responsabilidade coordenar a equipe de capitães estrelares e oficiais, designar as missões das naves e tripulações, programar e supervisionar quaisquer modificações ou avanços tecnológicos que fossem necessários para garantir a funcionalidade da Frota.

James Kirk chegou ao escritório do almirante alguns minutos antes do horário agendado para a reunião. Identificou-se com a ordenança na sala de espera e sentou-se no sofá, aguardando ser chamado. Precisamente no horário marcado, a voz do aAlmirante soou no intercom: “Diga ao capitão Kirk para entrar”. A ordenança fez um sinal para ao oficial e ele se encaminhou para a porta automática, que estava se abrindo. E quase esbarrou com o contra-almirante Cartwright, chefe do setor de segurança do Conselho da Federação. Ele resmungou, acenou para o capitão com a cabeça e saiu sem dizer nada.

Assim que o capitão entrou, Nogura indicou com a mão estendida uma das confortáveis cadeiras que estavam posicionadas em frente à grande mesa que ocupava.

- Sente-se por favor, Jim -  e assim que Kirk se acomodou, perguntou: - Quer beber alguma coisa?

- Não, obrigado.

- E como vão as coisas na Enterprise?

- Nós passamos por alguns apuros nos últimos meses, mas de modo geral tudo ocorreu bem. Não poderia querer uma tripulação melhor.

- Sim, eu sei – disse Nogura – tenho recebido os relatórios e nós estamos bastante satisfeitos com o bom trabalho que você e a sua equipe tem feito. Pelo menos, eu estou – disse, olhado para a porta por onde Cartwright saíra. E após uma pequena pausa, continuou – E por isso temos uma missão muito importante para vocês.

O almirante pegou um “pad” que estava na mesa e o passou ao capitão Kirk.

- O que você sabe sobre o projeto Excelsior? – perguntou Nogura.

- Apenas o que foi divulgado confidencialmente de maneira preliminar para todos os oficiais seniores e engenheiros graduados da Frota. Será uma nova classe de cruzadores estrelares, que já está em fase de desenvolvimento, maior e mais pesada que a classe Constitution, que abrange a Enterprise, por exemplo.

- A diferença não será só no tamanho – continuou Nogura – ela terá um conjunto de escudos aperfeiçoado, bancos de “feisers” e torpedos fotônicos duas vezes maiores e de um novo motor, que poderá alcançar uma velocidade que chamamos de “transdobra”, acima do fator nove.

“Acima do fator nove?” - pensou Kirk – “a velocidade máxima que a Enterprise alcança é pouco abaixo do fator oito. Esta velocidade absurda praticamente só existe em teoria.”

- Como você pode ver – disse o almirante, apontando para o “pad” na mão do capitão – o protótipo já está em fase final de construção, nos Estaleiros de Utopia Planitia, em órbita de Marte.

Kirk observou na tela além dos dados técnicos, fotos em 3D da bela nave, praticamente terminada. Já recebera até o seu número de registro, NCC-2000.

- Ela está montada, com todos os sistemas básicos de operação, navegação e suporte de vida instalados e testados – disse Nogura – mas temos um sério problema. O motor ainda não funciona.

O capitão levantou surpreso os olhos dos dados que estava lendo.

- Como assim? – perguntou kirk – todos os esquemas técnicos da propulsão estão aqui. E as imagens mostram que as naceles (7) já estão operacionais.

- Mas a nave não tem o sistema principal: o núcleo de dobra.

O capitão Kirk colocou o “pad” sobre a mesa e esperou que o almirante continuasse.

- A estrutura do núcleo de dobra da Excelsior foi desenvolvida por um de nossos oficiais, que servia na U.S.S. Intrepid. Quando ele nos enviou os primeiros esboços e simulações, percebemos o imenso avanço que este equipamento traria para a Frota Estrelar. E também que alguns potenciais adversários da Federação teriam grande interesse em por as mãos nestes planos, sob pena de ficaram em desvantagem tática. Por isso este projeto foi colocado sob código de sigilo máximo e transferimos o tenente Torias Dax para Delthara, no planeta Alpha Centauri VII, onde ele teria tranquilidade e recursos para desenvolver o protótipo do motor.  Para o pessoal da nossa base no planeta ele era apenas um mecânico que foi se juntar à equipe de manutenção do esquadrão de caças. Somente alguns poucos oficiais aqui no Quartel General, o comandante da Frota em Delthara e a diretora do laboratório onde ele trabalhava sabem qual era sua verdadeira função. – Nogura fez uma pausa - Ele nos enviava semanalmente relatórios sobre o andamento do projeto, mas há três dias recebemos esta mensagem codificada, por um canal de emergência da Frota.

O almirante acionou um comando no painel da sua mesa e a mensagem de áudio foi reproduzida nos auto-falantes:

- “Segurança do projeto comprometida. Movendo localização. Procurem Aysha”.

- E desde então ele não foi visto e nem conseguimos contatá-lo. – Continuou Nogura recostou-se na cadeira, suspirando e olhando para Kirk – É por isso que o chamei aqui.

- Quem é Aysha? – Perguntou o capitão.

 - Não fazemos idéia. – foi a resposta de Nogura – Mas por motivos de segurança, deixamos este nome fora dos relatórios oficiais. Apenas você e eu temos esta informação.

- Então o senhor quer que eu descubra o que aconteceu com este engenheiro?

- Apesar de ter dado início ao projeto do núcleo de dobra, o tenente Dax não é propriamente um engenheiro – disse Nogura. - Sua formação é como piloto de espaçonaves. Mas ele é um Trill.

- Um... Trill? – Kirk pareceu confuso.                                                                                         

O almirante pegou o “pad” novamente, digitou alguns comandos e o entregou para Kirk, já com o arquivo sobre os Trills na tela.

- Os Trills são uma "raça unificada" – disse Nogura - cujos membros humanóides oferecem seus corpos como hospedeiro para “entidades vermiformes” sencientes, em um relacionamento de simbiose. O pequeno simbionte quando unido a um Trill hospedeiro se aloja na sua cavidade abdominal. Ele preserva as experiências de todos os seus hospedeiros e acumula as capacidades deles, que passam a fazer parte da memória de todos os seus hospedeiros posteriores, que podem ser acessadas pelo simbionte, se necessário. O tenente Torias é o quinto hospedeiro do simbionte Dax e foi o primeiro do seu povo a entrar para a Frota Estrelar.

- Então, pelo que entendi, a autoria do projeto do núcleo de dobra da Excelsior não é propriamente do tenente.

- Não, ele começou a ser desenvolvido por um engenheiro chamado Tobin Dax, o segundo hospedeiro, a mais de cem anos, durante a guerra contra os Romulanos (8). Porém na época ainda não existia a tecnologia para por suas idéias em prática, então o simbionte Dax aguardou o momento mais propício. Quando o tenente Torias tomou conhecimento do Projeto Excelsior, estas memórias foram despertadas pelo simbionte e ele nos procurou, querendo ajudar.

- Muito bem senhor – disse Kirk, levantando-se – vou voltar à Enterprise para tentar acelerar os reparos e convocar a tripulação. Assim que estivermos preparados...

- Não capitão – Interrompeu Nogura – enviar uma nave estrelar para resgatar um mecânico pareceria um exagero que chamaria muita atenção e levantaria suspeitas indesejadas. Nós preferimos que este assunto fosse resolvido da forma mais rápida e discreta possível. Prepare uma equipe de quatro ou cinco pessoas e vá para Alpha Centauri imediatamente. Vocês vão se apresentar como investigadores da Frota tentando apenas descobrir o que aconteceu com o nosso tripulante.  Uma nave classe Danúbio está a sua espera na doca espacial e as todas as informações a respeito da missão já estão nos seus bancos de dados. É primordial que nós localizemos o tenente Torias o tragamos a salvo de volta à Terra o mais depressa possível.

- Entendo.  – disse o capitão, fazendo uma pequena reverência com a cabeça – vou preparar minha equipe e aviso ao senhor assim estivermos partindo.

E saiu da sala. Como sempre, havia muitas coisas a se fazer em muito pouco tempo.      

*  *  *

 

(1) A Frota Estrelar é uma das divisões de segurança e pesquisa da Federação Unida de Planetas. Conta com centenas de poderosas espaçonaves e controla a navegação espacial. Fazem parte dela seus oficiais comandantes, capitães e tripulações que são essencialmente exploradores, engenheiros e cientistas.É regida por leis muito rígidas como, por exemplo, a chamada Primeira Diretriz, que proíbe qualquer interferência física, política ou ideológica em outras civilizações.

(2) A Federação Unida de Planetas é uma organização política, econômica e social, fundamentada no conceito da diversidade e seus membros não podem interferir com o desenvolvimento natural de qualquer cultura ou civilização. Seus fundadores são: Terra, Vulcano, Andor, Tellar e Alpha Centauri. É gerida pelo Conselho da Federação, órgão de maior autoridade, que constantemente se autofiscaliza e gerencia, reavaliando suas próprias decisões. Fazem parte do Conselho as mentes mais sábias da Federação de planetas, incluindo diplomatas, educadores, dirigentes e cientistas.

(3) A Velocidade de Dobra (Warp Drive, em inglês) é um conceito físico fictício que se utiliza das características métricas do espaço-tempo. Para ir de um ponto a outro de um mesmo espaço, em vez de percorrer todos os pontos entre eles, o motor da espaçonave cria um efeito que “dobra” o espaço, fazendo os dois pontos ficarem mais próximos. O fator de dobra (velocidade a ser atingida) aumenta exponencialmente, a partir da velocidade da luz. Por exemplo, quando o capitão Kirk ordena dobra um, significa que a nave viajará à velocidade da luz, em dobra dois sua velocidade será dez vezes a velocidade da luz e assim por diante. A velocidade de dobra oito representa mil e vinte e quatro vezes a velocidade da luz e a dobra nove seria de mil quinhentas de dezesseis vezes a velocidade da luz.

(4) “Pad” é um aparelho usado para armazenar e exibir dados, imagens e vídeos, muito parecido com um tablet, porém não precisa ser recarregado, tem capacidade de armazenamento centenas de vezes maior, precisão e resolução absolutas e a espessura de apenas três milímetros.

(5) Os Vulcanos são uma espécie humanóide proveniente do planeta Vulcano. Conhecidos pelo seu comportamento frio e racional devido à repressão de emoções e a valorização do pensamento lógico, foram a primeira raça alienígena com quem os humanos fizeram contato em 2063. São muito parecidos conosco, exceto pelas orelhas pontudas e seu sangue verde, que tem sua hemoglobina baseada em cobre. São muito fortes fisicamente e podem escutar ultra e infra-sons e enxergar num espectro maior (infravermelho e ultravioleta).

(6) Os pais de Spock são o embaixador vulcano Sarek e a professora e diplomata humana Amanda Grayson.

(7) As Naceles são as partes visíveis do sistema de propulsão das naves da Federação, parecidas com tubos localizados acima ou nas laterais das espaçonaves e são vitais para que elas alcancem as velocidades de dobra. Cada nacele utiliza a quantidade enorme de energia gerada pela reação de matéria e anti-matéria no núcleo de dobra do motor para criar em torno das naves uma bolha sub-espacial que as permite viajar mais rápido que a velocidade da luz.

(8) Os Romulanos são descendentes dos separatistas Vulcanos que não concordaram com a filosofia da lógica e da paz implantada pelo líder Surak e deixaram seu planeta natal em busca de um novo Mundo. Encontraram os planetas Ch’rihan e Ch’hauran, onde estabeleceram uma civilização baseada em princípios de coragem, honra e poder. A Nave da Frota Estrelar U.S.S. Carrizal, em seus primeiros contatos com eles, chamou os planetas gêmeos de Romulus e Remo. Por sua índole militar e guerreira, iniciaram uma violenta guerra contra a Federação, que terminou com o Tratado de Alpha Trianguli, estabelecendo a Zona Neutra.



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