História End Zone - Capítulo 6


Postado
Categorias Naruto, One Tree Hill
Personagens Fugaku Uchiha, Hinata Hyuuga, Ino Yamanaka, Itachi Uchiha, Juugo, Kakashi Hatake, Karin, Konan, Kushina Uzumaki, Mikoto Uchiha, Minato "Yondaime" Namikaze, Naruto Uzumaki, Sai, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Suigetsu Hozuki, Temari
Tags Colegial, Hentai, Itakonan, Naruhina, Naruto, Nejiten, One Tree Hill, Saiino, Sasusaku, Shikatema, Suika
Visualizações 1.647
Palavras 7.629
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Crossover, Escolar, Esporte, Festa, Hentai, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá meu povo. Aqui quem fala é a Tia Paula
Primeiramente a gente pede desculpas pelo atraso de horas, ou dias (Eu não estou contando, mas sei que vcs estão rs)
O cap está ai prontinho, fresquinho agradecemos ao retorno maravilhoso dado por vocês.
Chega de enrolação, vamos ao cap de hj. Vamos a explicação do nome do capítulo.

Fumble

É uma das jogadas mais decisivas do futebol americano e ocorre quando o atleta que tem a posse de bola acaba perdendo o contato com a mesma. Qualquer jogador de ataque ou de defesa pode recuperar o fumble.

Capítulo 6 - Fumble


Fanfic / Fanfiction End Zone - Capítulo 6 - Fumble

Sai viu quando Ino saiu de sua casa chorando. Ele não estava feliz com aquilo. Ino era uma garota maravilhosa e ele não negava que tinha uma atração por sua vizinha, porém não poderia ceder. Ele sabia que não era bom para ela. Não queria colocar a boa garota no mal caminho.

Não era o príncipe encantado que ela imaginava, estava mais para lobo disfarçado de ovelha, ele mesmo sabia que não era bom. Era encrenca e das piores.

Voltou ao quarto e deitou-se na cama com os braços cruzados e sua cabeça por cima, estava pensativo. O banho e um copo de leite ajudaram a curar a ressaca, tinha ganhado uma garrafa de vodka da Guren, uma russa maluca que fazia parte do grupo dele. Ele agiu de forma impensada, pensou se tudo tivesse dado errado, teria sido um belo desastre. Riu do que imaginou, poderia estar morto.

Seu telefone começou a vibrar ao seu lado, ele viu a mensagem no celular da Ambu, um grupo do qual Sai participava. As almas perdidas de Homewood.

“Já está dormindo? Que tal irmos numa festinha de um tal Suigetsu, bebida de graça.”

“Turma da minha escola? Não rola. Não aprontamos o suficiente por hoje?” Ele respondeu.

“Que nada! A noite está apenas começando. Te esperamos próximo das docas, caso você for.”

Sai apenas mandou um emoticon engraçado. Estava com preguiça de qualquer coisa por hoje.

Ele tinha acabado de chegar do centro onde participou de um racha na rua e que foi uma péssima ideia. Viu alguns comentários em alguma rede social sobre uma baderna que estava rolando no centro e que haviam carros sem placas correndo, carros que conseguiu arrombando o depósito da polícia. Eles eram lentos, policiais acomodados de cidade pequena.

Sai veio da França por sua mãe não suportar mais o comportamento rebelde do garoto, sempre teve gosto pelas aventuras e amizades erradas. Veio morar com o pai e a madrasta, teria que andar na linha já que o pai é fuzileiro e sempre o ameaçava, ele então resolveu interpretar um papel do garoto pacato. Não que não gostasse de livros, mas seu lance era realmente outro.

Em um lampejo foi impossível não lembrar dos olhos cor de Ágata da Ino, eles pareciam o chamar de alguma forma. Ele odiou decepcioná-la, mas seria pior quando ela descobrisse seu lado obscuro.

No entanto, ele já tinha a decepcionado, não poderia fazer mais nada. Ino o deixaria em paz agora, uma pena ele considerou, já que gostava da amizade dela.

As paredes brancas do seu quarto não eram tão convidativas, rapidamente pulou da cama, ainda caberia um pouco de adrenalina pela noite. Abriu o guarda-roupa e pegou uma muda de roupa e um taco de baseball, a noite estaria apenas começando.

✰✧✰✧✰✧✰✧

O som de Rock The House era ouvido, provavelmente, por todo quarteirão. Algo muito comum sempre que se tratava de festas na casa de Suigetsu, e principalmente quando seus pais não estavam, já que eles certamente não aprovariam a baderna até as altas horas da madrugada como o Hozuki previa para os caras do time. Talvez nem existisse tal festa, se não fosse uma viagem a negócios de última hora.

Oportunidades eram sempre bem-vindas, ele pensava enquanto tentava criar passos que na cabeça dele pareciam perfeitos para acompanhar o refrão da música.

Era acompanhado por Naruto que tentava acompanhar de forma desajeitada a dança estranha, mas parou subitamente quando viu Kiba passar ainda muito alterado perto deles.

— Acho que vou ter umas aulas com a Konan. — Suigetsu provocou e vaiou quando teve chance. — I want you all to just get down. — cantarolou, socando o ar e arrancando risadas de quem prestava atenção nos dois e que sabia sobre o que o Hozuki se referia.

A cena daquela direita poderosa viraria assunto na escola, com toda certeza.

A batida de outra música de Gorillaz começou e ele vibrou, afastando-se rapidamente do time para ver se encontrava alguém interessante por ali, mas voltou depois de alguns minutos quando percebeu que parecia mais interessante beber e rir de quem já tinha perdido o controle.

Chegou a tempo de ver Juugo finalmente levantar e sair de mãos dadas com a garota que estava quase sendo devorada ali no sofá.

Limitou-se a gritar um finalmente, ocupando o lugar do casal e abriu mais uma cerveja bebendo metade da garrafa em uma única vez. O ponto de encontro do time já não estava completo. Naruto havia mudado de rumo, Juugo provavelmente estava se preparando para transar e Sasuke atravessava a sala com uma cara nada amigável.

Virou para direção em que ele caminhava e viu Temari conversando com suas amigas. Suspirou aliviado só de pensar que esse era um dos problemas que ele estava livre, pois Hozuki Suigetsu era de todas.

— Iiih olha ali. — ele cutucou quem estava do seu lado, apontando para direção do casal já se preparando para ri de mais uma briga. — Aposto que o namoro dura só mais um mês.

Puxou o celular do bolso pronto para filmar qualquer ação, mas por fim deu atenção às notificações de mensagens não lidas do aparelho.

O grupo do time estava no topo e por instinto o abriu primeiro. Revirou os olhos lendo as mensagens do capitão do time que os relembrava do treino que teriam na manhã seguinte. Respondeu rapidamente que ficaria na festa até o fim e que ainda estaria totalmente disposto para o treino.

Voltou para página inicial do aplicativo, rindo dos protestos que dos outros jogadores que, assim como ele, só agora viam as mensagens. O nome do seu irmão mais velho estava logo em seguida, despreocupadamente ele abriu a conversa e soltou em alto e bom som todos os palavrões que ele conhecia quando viu o aviso de que a viagem de volta dos pais seria antecipada.

— Merda! Merda!

✰✧✰✧✰✧✰✧

Sasuke sentia sua irritação aumentar a cada esbarrada que levava enquanto tentava encontrar Temari. Se antes aquele ambiente da festa já o incomodava, agora estava insuportável. Não via a hora de ir embora, mas não antes de ter uma conversa séria com aquela que chamava de namorada.

Na pista de dança, onde seus colegas se esfregavam sem nenhum pudor, não encontrou nenhum sinal dela. Percorrendo a grande sala da casa de Suigetsu, perguntava por ela com impaciência, sabendo que seu rosto refletia seu estado de espírito, assustando quem tinha a infelicidade de ser abordado por ele.

Estava furioso!

Não conseguia acreditar que Temari havia tido a coragem de fazer aquilo com Sakura. Não que a situação fosse pior por ser a garota que vinha secretamente admirando há algum tempo, mas com qualquer pessoa seria igualmente terrível. Será que ela não tinha consciência da gravidade do que havia feito?

Podia não ser o exemplo da bondade ou das atitudes corretas, mas graças a sua mãe tinha um senso do que era certo e errado mais correto do que as pessoas acreditavam que tinha.

Já havia presenciado por diversas vezes a Sabaku fazendo outras pessoas passarem por situações desagradáveis. Sendo nada menos que a perfeita rainha da maldade, mas nada nunca chegou perto do que aconteceu naquela noite.

Entrando na cozinha, finalmente encontrou Temari como se nada tivesse acontecido, rindo despreocupada com suas seguidoras. E pela primeira vez, em todo o tempo que estiveram juntos, odiou a namorada.

— Temari! — esbravejou com tanta raiva que as garotas ao redor dela gritaram assustadas.

Olhou no fundo dos olhos dela, e sentindo o clima pesar todos que estavam no cômodo saíram praticamente correndo.

— Oh, lembrou que eu existo meu amor? — a loira debochou, saindo de perto das amigas.

Sasuke sentiu sua irritação atingir o limite e finalmente explodiu.

— O que diabos você estava pensando?! — ergueu a voz, aproximando-se dela em passadas largas. — Tem noção do que fez?

— E o que eu fiz? — perguntou cínica. — Você parece saber melhor do que eu mesma então, por favor, meu amor, me diga o que eu fiz.

— Não brinque comigo, você sabe muito bem o que fez!

Agora ele estava gritando com ela sem se preocupar com a atenção que chamavam.

— Não Sasuke, então estou brincando. Eu não sei o que chegou aos seus ouvidos, mas estou querendo saber, agradeço se você puder ser mais específico. — respondeu baixo sem se alterar.

— Eu acabei de ajudar uma garota desacordada! Desacordada nessa festa de merda! Imagina o que poderia ter acontecido! — parou para respirar sentindo sua cabeça doer.

— Culpe o Gaara e o seu irmão por fazer uma brincadeirinha babaca e induzir um coma alcoólico nos participantes. O que eu não consigo entender é o que eu tenho a ver com isso?

— Ah, mas isso é muito simples! — cruzou os braços, olhando com toda sua irritação para ela. — Por acaso me contaram que você e Deidara armaram essa situação. Que você, sabe lá Deus porque, resolveu desacordar a garota!

— E você já acreditou na pessoa que lhe contou isso. Não passou pela sua cabecinha bonita que talvez a pessoa tenha mentido. — Temari sorriu como se estivesse explicando algo para uma criança. — Sasuke querido, você reclama que eu sou ciumenta, que não confio em você, mas na primeira oportunidade você me culpa por algo que eu não fiz, prefere acreditar nos outros, do que na sua namorada. E por gentileza, eu gostaria de saber o nome da pessoa que me acusou, acho justo, afinal, quem não deve, não teme.

— Eu te conheço a tempo suficiente para saber o que é verdade ou mentira, e isso Temari, infelizmente só pode ser obra sua.

— Se é tão confiável assim, então traga ela aqui, faça a pessoa dizer isso na minha cara. Vamos Sasuke, me diga quem foi, te falta coragem?

— Mas é nunca que me falta coragem, acha que está falando com quem? — ela sabia que atingir seu orgulho, era o melhor caminho para obter a resposta, e isso o irritou mais ainda. — Você pode achar que manda em todos, mas Karin é minha garantia de que essa merda toda foi obra sua. Afinal, ela é uma das suas amiguinhas, não é?

— Você acreditou na novata que mais tem inveja de mim? Sua inocência é revigorante Sasuke, apesar de me insultar. Eu nunca disse que era boazinha, nunca mostrei ser algo que não sou. Mas esse tipo de coisa, colocar droga na bebida de alguém, é sério. Eu nunca faria algo do tipo, pensei que você me conhecesse o suficiente pra saber diferenciar brincadeiras saudáveis de algo como isto.

Sasuke não podia acreditar que ela ia ficar se fazendo de boba. Ela não o respeitava, não tinha consideração nenhuma por aquele que era seu namorado.

— Ok então. Já que não vai assumir vou procurar Deidara. Duvido que eu não consiga arrancar a verdade dele. — ameaçou, fechando os punhos e mostrando como pretendia ter a conversa com o loiro. — Mas saiba que se eu descobrir por outra pessoa que não seja você, a situação vai ficar feia.

— Boa sorte. Quer ajuda pra encontrar ele? — Temari sabia que havia dado uma boa grana para calar a boca de Deidara, mas por via das dúvidas sacou o celular, mandando uma mensagem de texto informando que iria cobrir qualquer quantidade que Sasuke oferecesse pela lealdade dele.

— Com Deidara me resolvo sozinho, mas saiba que não estou feliz com essa situação e muito menos com essa merda de namoro. — avisou passando a mão pelo cabelo em sinal do nervosismo. — Tô de saco cheio dessas armações, vê se cresce Temari! — falou, apontando para ela antes de dar as costas.

Iria embora daquela festa e resolveria aquilo no dia seguinte. Pegaria Deidara no intervalo e o faria falar, nem que para isso precisasse quebrar todos os dentes dele.

✰✧✰✧✰✧✰✧

Minato pousou a filha na cama com muito esmero, tirando o cabelo longo e pesado do rosto da rosada e parou por um momento, observando ela ressonar lentamente. Averiguou o pulso, a respiração, a temperatura do seu corpo, enfim, tudo. Claro, não era médico, mas sabia que tudo ficaria bem. Sakura tinha apagado com algo forte, ele não sabia o que era.

Sakura era uma menina inteligente, mas também uma menina muito ingênua, às vezes. Sempre tentando ver o lado bom das coisas, exalando empatia pela pior pessoa do mundo ou até mesmo tentando tirar algo maravilhoso de coisas que não tinham mais jeito. Aquela era Sakura, no final das contas. Minato se perguntou onde estava Naruto naquele momento.

Suspirando, tirou o único sapato da filha e a cobriu com o edredom, alisando seus cabelos no processo.

Com pesar no coração, saiu e fechou a porta do quarto, ouvindo um tumulto no andar de baixo, já imaginando o que poderia ser. Kushina não devia estar muito feliz no momento, obviamente. Diferente dele, sua esposa parecia que vivia tudo muito intensamente, sentindo as coisas mais do que deveria, de vez em quando exagerando em quase tudo. Ela sempre estava pensando em algo, sentindo algo, ligada no 220 volts, fazendo ou planejando um milhão de coisas. Indiferença não existia no dicionário de Kushina.

É claro que naquela noite as coisas não seriam diferentes.

Desceu as escadas, vendo a esposa caída no chão em frente à porta, enquanto o rapaz ruivo a olhava de olhos arregalados, sem saber o que fazer. Aproximou-se da mulher e a pegou no colo, já acostumado com desmaios e pitacos de Kushina. Levou-a para o sofá, repousando a cabeça dela com cuidado em cima da almofada.

— Kushina, querida… Está tudo bem, acorde, por favor. — suplicou o loiro, parecendo exausto, enquanto acariciava o rosto da ruiva.

— Ela está bem, né? — perguntou o rapaz se aproximando do encosto do sofá, incerto.

Minato o olhou, fungando. Já vira ele algumas vezes no Kurama, mas como não tinha muito contato com os jovens — preferia fazer os hambúrgueres e cuidar do gerenciamento do que atender mesas — não os conhecia muito bem a ponto de guardar nomes. É claro que alguns clientes eram tão frequentes que Minato tinha a obrigação de saber.

— Ela vai ficar. É normal. Cadê Naruto? Você o viu? — perguntou Minato, pegando a manta da poltrona e cobrindo a esposa.

Naquelas horas, era ele que mantinha a calma. Kushina não tinha paciência e mente para aquilo. Ele tratava tudo como se já tivesse calejado no assunto, mesmo sendo bastante incomum uma Sakura drogada e um Naruto sumido na madrugada. Seus filhos não eram desse feitio. Foram muito bem criados e avisados para eventuais situações, mas nunca acreditou que de fato ocorreria algo desse calibre com eles. Os dois pareciam bem responsáveis e os pais não se cansavam de avisar sobre isso e aquilo quando saíam.

— Eu o vi na festa, acho que está tudo bem. Vocês não precisam se preocupar com Naruto, logo ele está aí. — respondeu Gaara, soando meio duvidoso para os ouvidos experientes do loiro.

Minato percebeu que ele estava tentando tranquilizá-lo — talvez até confortá-lo — e o mais velho agradeceu mentalmente por aquilo.

— Você tem uma ideia do que aconteceu? Sakura aceitou bebida de alguém? Tomou por vontade… Própria? — indagou o loiro, parecendo calmo, mas por dentro estava apreensivo.

Sabia que Sakura não tomaria aquilo por vontade própria. Conhecia sua filha, certo?

Gaara suspirou e deu de ombros.

— Eu realmente não sei o que rolou. Sinto muito. — disse Gaara, decidindo ocultar a parte que encontrara a Haruno nos braços de Sasuke. Tinha certeza que aquilo não era coisa do Uchiha.

Minato suspirou, frustrado, passando a mão pelos cabelos revoltos.

— Bom, obrigado por trazer Sakura em segurança para casa… Desculpa, não sei o seu nome.

— Gaara.

— Oh, sim. Enfim, obrigado por tudo, Gaara. Você é um bom rapaz, apareça no Kurama quando puder, estamos te devendo uma. — agradeceu Minato, contornando o sofá e apertando a mão do ruivo.

Gaara assentiu e virou para ir embora, mas não antes de lançar um olhar preocupado em direção às escadas.

✰✧✰✧✰✧✰✧

Gaara entrou no quarto da irmã sem avisar, estava puto, havia recebido uma mensagem de Sasuke contando os “heróicos” feitos de sua irmã, que segundo o Uchiha havia desmentido sua parte da culpa no ocorrido, dando a entender que tudo não passava de inveja da Karin.

Sasuke pode até ter acreditado naquilo, mas ele… Ele conhecia sua irmã bem o suficiente, o sangue dos Sabaku corria nas veias dela, mesmo sangue que na maioria das vezes ele fingia não correr em seu corpo, mesmo sangue que Kankuro fez questão de renegar. Porém, Temari não negava suas origens, para ela os fins justificavam os meios.

— Me diz que você não fez isso…

Temari que escovava os cabelos antes de dormir, já devidamente vestida com seu pijama, o olhou entediada.

— Da próxima vez tente bater na porta, eu poderia estar me trocando.

— Eu recebi uma mensagem do Sasuke. — Gaara foi curto e direto. — Por favor, me diz que não foi você…

— E mesmo se eu disser que não foi, você ainda assim não vai acreditar em mim. Então que tal me poupar de mais um stress e ir pro seu quarto enquanto eu aproveito o meu sono de beleza.

Gaara socou a parede lilás do quarto da irmã. Odiava ser quem era…

— Temari, você poderia ter matado ela, pense numa overdose. É algo muito sério…

— Por um acaso eu a forcei beber daquele jeito? A brincadeira de vocês poderia culminar em um coma alcoólico, mas não vejo essa mesma preocupação da sua parte.

O ruivo odiava discutir com a irmã, Temari na maioria das vezes se mostrava fria e racional em horas de raiva, onde geralmente as pessoas perdem a cabeça. Essa atitude o irritava.

— Vale a pena tudo isso pra manter o Sasuke? Sejamos sinceros maninha… Ele não te ama.

Temari gargalhou, largando a escova na ponta da cama, gargalhou tão alto que o irmão fechou a mão em punho tamanha a raiva e desgosto.

— E você acha que eu não sei disso? — a pergunta com ares de afirmação saiu suave de sua boca. — Aqui vai uma informação surpreendente pra você Gaara, eu não ligo a mínima. A única coisa que eu vejo no Sasuke é um letreiro grande e chamativo com o nome Uchiha em letras vermelhas. O papai quer uma sociedade com o senhor Fugaku, eu sou uma peça chave pra isso…

Gaara sentou ao lado da irmã, colocou a mão nas costas escorregadias devido a roupa de seda.

— É isso que você quer ser? Uma peça nas mãos do papai?

Temari respirou fundo, permitindo uma vulnerabilidade momentânea.

— Eu quero ser um desgosto a menos para a mamãe. Você e o Kankuro já fizeram o suficiente.

✰✧✰✧✰✧✰✧

O ronco do motor cortava as silenciosas ruas de Homewood, Itachi notou Konan apertar sua jaqueta de couro com demasiada força à medida que ele acelerava mais, e sorriu notando o corpo pequeno tencionar a cada curva que sua moto fazia. Pelo menos aquilo tinha servido para que a mecânica parasse de se debater em seus braços.

Quando carregou Konan nos braços não tinha a mínima ideia de onde a levaria, não sabia onde a garota morava, apenas que era na parte da periferia de Homewood. Não se ateve a mais nada, só precisava tirar aquela pequena monstrinha dali antes que ela acabasse de vez com festa. Riu mais uma vez ao lembrar-se do belo cruzado de direita que a moça acertou em Kiba, um dos jogadores das Raposas. Konan era uma verdadeira caixinha de surpresas.

Ajeitou a viseira do seu capacete que estava na cabeça da jovem de cabelos coloridos, observando os pequenos raios de sol apontarem no horizonte dando aquele tom alaranjado magnífico.

Diminuiu a velocidade assim que avistou a praça próxima ao Kurama e consequentemente a sua residência, optou por parar ali e verificar se a essa altura a jovem estava mais calma e sem resquícios da bebedeira. Foi um ato inconsequente da parte dele pegar a moto com Konan a tiracolo colocando a vida dos dois em risco, ele também tinha bebido além da conta, portanto parar ali foi a melhor opção.

Desligou o motor e parou inspirando fundo. Konan o confrontou com seus orbes amendoados arrancando com fúria o capacete de sua cabeça.

— Você está louco, Uchiha? — ela gritou se desvencilhando dos braços de Itachi e jogando o capacete em cima do Uchiha.

— Ei. — ele protestou ao aparar o capacete. — Você quem deve estar! Porra, por que fez isso? — ele bufou, descendo da moto e diminuindo o espaço entre eles.. Konan estreitou os olhos e riu com deboche.

— Você não pode estar falando sério. — ela arqueou uma sobrancelha. — Quer que eu enumere a quantidade de erros que você cometeu? — Itachi deu de ombros se divertindo com a postura da jovem. Konan era muito baixa em comparação a ele e vê-la assim, irritada e andando de um lado para o outro, era deveras cômico. — Ok! Sequestro, dirigir alcoolizado, fora as infrações de trânsito. Itachi, você acha pouco?

— Não disse que achava pouco, o importante é que eu te trouxe até aqui sã e salva e não te deixei naquela festa no meio de um monte de marmanjos do time, bêbados. — ele continuou. — Concordo que tu soca com precisão e deu um puta soco no guard dos Raposas, o tal Inuzuka, mas  se ele quisesse te agredir de volta? Não temos como saber que atitudes ele tomaria, então fiz o que achei melhor. — Konan encarou Itachi, avaliando suas verdadeiras intenções e buscando resquícios de arrogância, mas não via. Inspirou fundo bufando em seguida. — Olha Konan, não tô dizendo que você não sabe se defender, ok? Só que achei melhor te tirar de lá, antes que aquela festa acabasse e a briga tomasse proporções maiores. — Itachi colocou o capacete na moto e sorriu.

— Ok, Itachi! — ela devolveu o sorriso. — Obrigado, meu querido chefinho. — ela murmurou em tom debochado. — Aliás, pode dizer com todas as letras que eu sou foda naquilo que faço! — ela gargalhou cutucando o peito de Itachi.

— Não disse isso. — ele entrou na brincadeira. — Apenas elogiei seu belo cruzado de direita. — ele enfatizou. — Mas se isso te deixa feliz, você é maravilhosa naquilo que faz. — ele disse com um brilho nos olhos e notou Konan ruborizar. — O que é isso Chibi? Você ficou corada? — ele apontou para as bochechas da jovem.

— Tá doido, idiota? — ela respondeu desconcertada e estapeou o dedo de Itachi para longe. — Foi o vento contra meu rosto, babaca! — ela tentou disfarçar o constrangimento ganhando um risinho convencido de Itachi.

— Ok, cabeça dura! Agora me diz seu endereço para que eu possa te levar em casa. — ele pediu, percebendo Konan piscar os olhos repetidas vezes. — Ou podemos ir para minha casa, se assim você quiser. — sugeriu, estampando um sorrisinho malicioso na face.

— Quer levar um soco igual ao Kiba, chefinho? — ela estreitou os olhos. Itachi elevou as mãos em rendição. — Ótimo, então vamos. — a Chibi puxou o capacete do assento entregando a Itachi. — Só que desta vez eu piloto!

— Você só pode estar brincando. — Itachi zombou, sentindo o sorriso esmorecer a medida que Konan subia com os dois pés no pedal de partida e girava a chave na ignição. Tão esperta e tão astuta. Ele sabia o quão forte ela era, mas aguentar uma moto dessas que pesava quase 260 kg, era surreal, não que de fato a força seja o quesito mais importante para guiar uma moto. — Konan. — ele murmurou, ouvindo o ronco do motor enquanto a mulher passava sua perna por cima da moto, sentando-se e pegando o guidão.

Itachi se viu rendido à competência daquela mulher, não questionou mais e sentou-se na garupa grudando seus corpos. Riu a notar a pequena garota se remexer no banco tentando afastar-se, não se aproveitaria de todo modo, não era do seu feitio. Afastou-se segurando na lateral e depositou o capacete na cabeça da mulher que quase protestou.

— Are, pare de reclamar, eu já te deixei guiar a moto, então use o capacete. — ela abriu a boca assentindo em seguida, no fundo gostou da preocupação de Itachi com ela.

— Preparado, Uchiha? — ajeitou a viseira. — Vou te ensinar como guiar uma moto! — ela gargalhou, arrancando em seguida e rumando em direção a periferia da cidade.

{...}

Itachi esboçava um sorriso bobo na face ao estacionar a moto em sua garagem lembrando-se de Konan, ela os levou com cautela, muito centrada e com uma segurança corporal de dar inveja. Pararam no conjunto habitacional em que ela morava e descobriu que coincidentemente ela era prima de Juugo, um dos melhores amigos de seu irmão.

Já tinha ido até ali algumas vezes na época de adolescência, acompanhado de seus amigos. Os bares dali eram os melhores da cidade. Konan o surpreendia de muitas maneiras diferentes e no fundo estava adorando ser surpreendido. Afastou os pensamentos ao olhar no relógio de pulso verificando o horário, eram quase oito da manhã, estava exausto.

Fechou a garagem ansiando por um bom banho e sua adorada cama, passou pela porta da cozinha se direcionando a geladeira frost free de inox, pegando sua garrafa de água e fechando a porta da geladeira com brusquidão, em seguida.

— Tão desleixado, Itachi. — aquela voz o fez estagnar no portal que o levaria até o corredor. — Quantas vezes vou ter que dizer para não bater com a porta da geladeira, teimoso! — engoliu seco antes de virar o corpo em direção ao som daquela voz feminina.

Sentiu os pêlos da nuca arrepiarem-se quando seus orbes negros fitaram a figura mais magra e pálida do que ele se lembrava. Os olhos esverdeados o analisavam com um sorriso fraco e desdenhoso nos lábios. Os cabelos castanhos acobreados tão longos quanto ressecados cobriam parte do seu rosto. Encarou as mãos da mulher que envolvia um copo com o líquido âmbar, a viu tomar um gole generoso e riu com escárnio.

— Mei. — ele afirmou sem nenhum resquício de sentimento.

— Eu mesma! — ela levantou-se, ajeitando o vestido floral dando uma volta a fim de que Itachi a contemplasse e parou abrindo os braços. — Não vai dar um abraço em sua querida mamãe?

✰✧✰✧✰✧✰✧

Temari desceu as escadas de casa em direção à cozinha, queria beber água e havia acabado com a pequena jarra que ficava em seu quarto. Não havia conseguido dormir, não por consciência pesada, mas por pura preocupação com seu relacionamento. Sasuke havia sido grosso e dado um ultimato. Precisava rever seus planos, talvez chorar, ser mais convincente.

Isso! Pena, choro feminino, uma ótima ideia. Ela pensou, acendendo a luz da cozinha e tomou um susto com a visão de sua mãe sentada no grande balcão de mármore da cozinha americana.

— Mãe? — cutucou o ombro da progenitora com delicadeza. Karura estava com o rosto escondido entre os braços, um copo de whisky na mão gelada. — Mãe acorda…

Karura presenteou a filha com um sorriso bêbado, um olhar amargurado na face. Tocou o rosto da filha como se visse ali um presente dos deuses, e de certo Temari era a única a lhe dar algum orgulho.

— Eu ouvi sua briga com o Gaara… Você e Sasuke brigaram? Tenho de me preocupar?

— Não. — Temari replicou ansiosa. — É coisa boba. Sasuke me ama mamãe, fique tranquila.

— Ótimo, seu pai tem muitos negócios com o pai dele, você sabe como uma união como a de vocês faria bem para nós, não é? Você sabe o peso que um neto Sabaku Uchiha pode trazer no futuro, não é?

Temari assentiu. Conhecia bem os planos dos pais.

— Boa garota. — Karura tomou o gole esquecido no copo sentindo a garganta coçar. — A vida é uma vadia desprezível. Uma vadia desprezível e bastarda. Em um dia eu tenho uma família de três crianças perfeitas, no outro eu perco um filho pra vida, o outro resolve desistir da faculdade de administração para cursar música. Como se música fosse algo pra se estudar… Mas você meu amor, você é a única coisa perfeita que eu e seu pai fizemos. Você fez valer todas as nossas tentativas anteriores, você fez valer tudo, Temari. — pegou o queixo da filha, analisando o rosto jovial de Temari. — Não me desaponte querida, você é a minha última chance…

Temari beijou as mãos da mãe, tirando o copo de bebida do balcão e levando a mãe pacientemente escada acima. Afofou os travesseiros para manter sua mãe mais confortável, ela mesma havia tirado os chinelos dos pés dela e colocado suas pernas em cima da cama.

Karura dormiu quase no mesmo instante, efeito da bebedeira, mas Temari não se importou. Colocou uma garrafa de água e uma aspirina da cabeceira da cama da mãe e voltou para o seu próprio quarto. Não dormiu naquela noite, a mente fervilhando com todo o tipo de ideia mirabolante.

Sabia que estava se afundando em um caminho sem volta, mas aquele era o seu caminho. Não havia escolhas, todas as escolhas que poderia ter feito foram tiradas de suas mãos por Gaara e Kankuro. Um dia de cada vez... Um dia de cada vez.

✰✧✰✧✰✧✰✧

Sakura abriu os olhos, mas logo os fechou, sentindo a claridade machucar seus orbes. Gemeu languidamente, sentindo uma forte dor de cabeça. Sua garganta estava seca e seu hálito horrível. Pareceu tinha que comido um saco de merda.

Tentou se mexer, mas seus músculos protestaram e ela desistiu por um tempo, imaginando se estava morta, no purgatório ou qualquer coisa do gênero. Coçou o couro cabeludo e reuniu toda a coragem do mundo ao abrir os olhos e se sentar ao mesmo tempo.

Suspirou de alívio ao notar onde estava. Seu quarto, seu cantinho precioso. Roupas estavam jogadas no chão como sempre — do jeitinho que ela deixara antes de ir para a festa —, sua prateleira que ocupava uma parede toda estava abarrotada de livros como sempre, seu closet abarrotado de roupas estava aberto como sempre… Tudo estava como sempre. Tudo parecia igual.

Mas por que Sakura se sentia tão diferente?

Com dificuldade, a Haruno jogou o edredom para o lado e saiu da cama. Seus ossos estalaram e ela ficou tonta por um tempo, mas a rosada logo se recuperou, tateando o bolso do seu short atrás do seu celular. Engoliu em seco ao encontrar o aparelho. Chiou quando viu a rachadura enorme do lado direito da tela e ela se perguntou como diabos fizera aquilo.

Aliás, como ela chegara ali?

Não se lembrava de merda nenhuma. Talvez de uma jogada de beer pong com Itachi e mais alguém que ela não conseguia lembrar quem. Suas memórias estavam um caos. Tinha certeza que tomara algo que não era pra ter tomado. Merda!

Massageou as têmporas, tentando se recompor, mas estava difícil. Caminhou aos tropeços em direção a sua escrivaninha para alcançar o carregador do celular, mas congelou ao passar em frente ao espelho do seu closet.

Abriu a boca, se virando por completo em frente ao espelho. Arregalou os olhos apagados e confusos, passando a mão pelo ninho rosado em cima da sua cabeça. Seu reflexo era uma confusão. Sua pele estava mais pálida do que o normal, havia alguns vergões e manchas roxas em suas pernas e ela estava usando uma jaqueta enorme do time de futebol da escola. Assustada num nível estratosférico, Sakura rangeu os dentes, tirando a jaqueta numa rapidez impressionante e virando o tecido grosso e quente em suas mãos. Ofegante e com o coração aos pulos notou o número 7 — SETE! — bordado de forma bonita nas costas, parecendo debochar dela e da sua cara de ressaca.

Todo mundo em sã consciência sabia de quem pertencia aquele número no time. Ela sabia muito bem. Piscou os olhos verdes, percebendo que suas mãos tremiam. Coçou a garganta, vendo Uchiha bordado em cima do número sete.

— Oh, Deus, o que eu fiz? — balbuciou Sakura, petrificada.

Tentou conectar suas poucas lembranças fodidas com Sasuke Uchiha, mas nada lhe vinha à mente. Será que ela tinha roubado aquilo? Não, ela não estava tão louca a esse ponto, estava? Sasuke estaria prestando queixa na delegacia atrás de sua tão amada jaqueta neste exato momento?

— Sakura, sua doente, que merda você fez? — a Haruno se perguntou, ainda encarando a jaqueta enorme em mãos.

Num impulso esquisito, levou o tecido ao nariz, absorvendo um cheiro de loção pós-barba com um toque de perfume de homem. Oh, Senhor! O que ela estava fazendo, afinal? Cheirando a jaqueta-supostamente-roubada de Sasuke Uchiha que nem aquelas fãs psicóticas que faziam feitiçarias com café coado em cueca? Ela tinha perdido os poucos parafusos que restavam?

Ouviu passos no corredor e num ato desesperado — ela não sabia o porquê — jogou a jaqueta dentro do closet e empurrou a porta do mesmo num piscar de olhos. A porta do seu quarto se abriu e a cabeça de Minato apareceu. Seus olhos azuis impressionantes escanearam o quarto e logo pousaram em uma Sakura descabelada, parecendo realmente culpada por um crime terrivelmente hediondo.

— Vejo que está acordada, Sakura. Desça, o café está na mesa. Precisamos conversar. — disse seu pai, completamente sério, traço incomum em Minato.

Sakura gaguejou, mas o Uzumaki lhe dera um olhar tão feio que a fez se calar na hora. Ele pigarreou como se estivesse tentando ao máximo manter a compostura atípica e virou, deixando a porta aberta. Estava implícito que Sakura não tinha tempo de tomar banho e escovar os dentes. Era urgente.

Passou as mãos pelo cabelo, apressando os passos e seguindo o pai que já descia as escadas, estranhamente tenso. Olhou para o quarto em frente ao seu — quarto de Naruto, aliás, conhecido como lixão nuclear para os íntimos — e notou que a porta estava fechada. Naruto ainda estava dormindo, podia ouvir os roncos esporádicos do loiro que só ocorriam quando ele bebia muito ou quando ele ia dormir com fome — o que era muito raro, claro.

Não questionou o pai sobre o loiro. Pela cara e jeito de Minato, os dois iriam levar broncas, sermões e talvez algumas chineladas mesmo que já fossem grandinhos para aquilo. Kushina e Minato gostavam de conversar a sós com eles de vez em quando, mas no final das contas sempre juntavam os dois para fazer um monólogo de mãe durante horas. Parecia que ela era a primeira a ser convocada e Sakura estremeceu involuntariamente com aquilo tudo. Mesmo sem saber o que realmente aconteceu, suspeitou que não fosse coisa boa. Óbvio. Estava com a jaqueta do quarterback estrela de Homewood e não sabia o motivo desgraçado daquilo, sentia-se machucada e dolorida — como era um pouco desastrada, sabia que essas dores e escoriações eram de quedas, tropeços e experiências de quase morte —, seu celular estava quebrado e ela não tinha certeza se conseguiria fazer seu cabelo voltar ao normal.

Desceu as escadas, ensaiando um sorriso no rosto e contornou o corrimão elegante, atravessando a sala de jantar e chegando a cozinha grande da família.

Kushina estava lá. Majestosa, bonita, parecendo realmente uma rainha sentada no seu trono. A diferença era que ela estava sentada na cadeira da ponta da mesa grande como se fosse a chefe de família, o que verdadeiramente ela era — Naruto dizia que, às vezes, Kushina lembrava Don Corleone, só que com peitos e cabelos longos e ruivos. Sua mãe tinha a última palavra sempre, todos dançavam conforme a música que ela colocava e Minato era apenas seu porta-voz ou reforçador de palavras como diziam pelas costas deles. O loiro mais velho vivia para repetir as palavras da mãe e concordava com tudo que ela fazia ou dizia, na maioria das vezes. Era bonitinho, mas estressante.

— Sente-se, Sakura Maria Probleminha. — ciciou sua mãe, apontando para a cadeira na outra ponta da mesa.

Sakura lançou um olhar para Minato que estava sentado à direita de Kushina como um verdadeiro esposo pau-mandado, quer dizer, bem-amado.

A rosada se sentou, fungando, notando uma aspirina, um copo d’água, um copo de suco de morango ao leite — seu favorito de todos os tempos — e duas torradinhas light com linhaça horríveis que Sakura odiava. Tinha gosto de isopor misturado com pão queimado. Sakura realmente detestava aquilo com todas suas forças. E Kushina sabia disso. A Haruno tentou decodificar o que sua mãe estava fazendo. Estava lhe dando seu suco favorito e suas odiadas torradas ao mesmo tempo? Que joguinho Kushina estava jogando?

— Tome o remédio. — ordenou a ruiva, levantando uma faca de manteiga e apontando com ela para a aspirina ao lado do copo.

Sem pestanejar, Sakura engoliu o comprimido e bebeu o copo de água em segundos. Sua mãe lhe assustava, ainda mais com uma faca na mão — mesmo uma faca de manteiga.

— Sakura, Sakura, Sakura. — balbuciou Kushina, sombriamente, enquanto espetava um pão com a faca.

A rosada tentou sorrir, mas fracassou miseravelmente.

— Você, por acaso, tem a porra de um cérebro? — vociferou a ruiva, parecendo meio sedenta.

Minato se sobressaltou um pouco e inutilmente tentou conter a fúria desenfreada da Uzumaki.

— Kushina…

— AH, CARALHO, ME POUPA! Hoje minha paciência está menor do que xoxota de lêndea! Não se meta, Minato, por tudo que é mais sagrado neste mundo! Eu mato você, eu mato os dois e depois eu me mato! — exclamou Kushina, vermelha de raiva.

Sakura mordeu o lábio, segurando a risada. Ela estava lascada, mas sua mãe brava soltava altas pérolas. E ela podia ser um pouquinho dramática também.

Seu pai recuou com a cadeira, levantando as mãos e pedindo clemência com os olhos. Kushina chiou sobre sua respiração pesada e se voltou para Sakura com sangue nos olhos e os dentes rangendo.

— Sakura, eu sei que você não saiu de mim. Mas tu é minha filha do mesmo jeito. Te criei na raça, com arroz e feijão, muita chinelada, bronca, sermão, castigo e acima de tudo muito amor... E ver você daquele jeito foi uma das piores coisas que eu já vi na vida. Meu coração virou migalha de pão. Sei que parcialmente não foi sua culpa. Temos vários desgraçados nessa lista e nem mesmo sei os nomes dos envolvidos. Não dá nem pra fazer B.O ou algo do tipo. Você se lembra de alguma coisa, de alguém? Qualquer coisa, Sakura.

A rosada suspirou, realmente não querendo aquela conversa agora. Suas memórias eram apenas borrões e ela não se lembrava de muita coisa. Engoliu em seco, sentindo vergonha e culpa. Ela fora tão burra. Com certeza aceitara algo de alguém.

— Eu sinto muito, mas eu não me lembro de nada. — sussurrou Sakura, congelada em seu lugar, se recusando a chorar.

Poderia ter acontecido tantas coisas ruins, além daquela merda toda.

— Como eu cheguei aqui? Naruto veio comigo? — perguntou a Haruno, fitando os pais se contorcerem nas cadeiras.

— Um rapaz te trouxe. Acho que o nome dele era… Gabriel, Galo… Ah, não sei, começa com “G”. — balbuciou seu pai, confuso.

Sakura franziu o cenho, fungando. Nenhum nome lhe veio à mente.

— Bom, com certeza suas memórias irão voltar com o tempo, né? E quando voltarem, nós iremos para a delegacia. Gente assim tem que pagar por seus erros, Sakura — disse sua mãe, levemente esperançosa.

— Ok, e eu? Irei pagar pelos meus erros também?

Minato suspirou, encarando suas mãos entrelaçadas e Kushina riu, meio macabra. A Haruno se arrepiou. Sua mãe era meio louca com o lance de castigo e essas coisas. Uma vez Naruto teve que passar os três meses de férias catando lixo das ruas e Sakura teve que usar durante todo o ano letivo os suéteres horríveis que Kushina fazia — horríveis é um elogio.

— Você foi bem burra, filha. Muito burra. O que eu sempre digo sobre aceitar qualquer coisa de alguém, hein? Isso não é lenda urbana que mães criaram para aterrorizar seus filhos em algum século tralálá, menina! Merdas acontecem e nós, mães, sabemos disso melhor do que ninguém. Estamos carecas de falar “não aceite balas de mel de estranhos”, “não aceite carona de estranhos mesmo se for a porra do seu primo de centésimo grau”, “não aceite bebida de ninguém, nem se for o Papa Francisco te oferecendo o vinho sagrado”, “leve a porra do guarda-chuva, Noé vai colocar a arca para nadar hoje”. Enfim, não dizemos essas merdas a toa, Sakura. Fomos treinadas e enfiaram um chip super sensorial na gente. Sabemos de tudo. Espero que você tenha entendido isso nessa madrugada e que da próxima vez você deve escutar o que eu digo, porque eu não estou de brincadeira não.

Minato olhou para Kushina, admirado, e Sakura só soube fazer o mesmo.

— É, mãe. Eu aprendi e nunca isso se repetirá. É errando que a gente aprende, não é mesmo? — brincou Sakura, rindo um pouco.

Kushina não riu e Minato segurou um sorriso.

— Bom, fico feliz. Toma seu suco e comas essas torradas. Quando acabar, me entregue seu celular. Nada de celular pra você durante… Uma semana. Ah, você vai comer essas torradas todo café da manhã até ter seu celular de volta.

— Mas mãe, eu já entendi o recado… E…

— Sakura Maria Probleminha, cale essa sua boca antes que eu corte sua vida durante uma semana também. Aí eu te ressuscito só pra fazer você comer essas merdas de torradas. Além do mais, eu tenho que dar castigo para os meus dois filhos. Sem injustiça nessa casa, já conversamos sobre isso. — cantarolou Kushina, mastigando um pedaço de pão e cuspindo um pouco na mão de Minato que fez uma careta.

— Naruto vai ser castigado também? — perguntou Sakura, tomando um gole do suco, já sabendo a resposta e odiando ter amado o fato.

Geralmente, os castigos que Naruto levava eram bem mais pesados que os dela por motivos de: Naruto sempre foi o encapetado com fogo no rabo.

Kushina riu, ociosa, enquanto lambia os lábios. Sakura temeu pelo irmão. Sua mãe não seria fácil com ele.

— Coma seu café da manhã, Sakura. E ignore os gritos. — murmurou Kushina, rindo e se levantando.

A ruiva apertou o ombro do pai e foi embora. Minato suspirou, massageando a testa.

— Nós te amamos, você sabe disso, certo? — disse seu pai, levantando o olhar para ela.

— Eu sei, pai. Eu amo vocês também.

Minato sorriu pra ela e seguiu a esposa que provavelmente estava arquitetando planos maquiavélicos que fariam Naruto mijar nas calças.

Sakura encarou as torradas intocadas e sua mente viajou na jaqueta de Sasuke Uchiha jogada no seu closet.

Ela teria que devolver aquilo, certo?

✰✧✰✧✰✧✰✧

Naruto se sentia o pior ser humano do universo. Tudo doía. Da sua cabeça até as marcas em sua bunda no formato dos chinelos de dona Kushina. Nunca havia sido tão repreendido e apanhado tanto quanto naquele dia pós festa.

Ainda podia ouvir os gritos enfurecidos de sua mãe ecoando em sua cabeça dolorida pela ressaca.

Pela primeira vez em sua vida o castigo recebido parecia mais que justo. Talvez às duas semanas que passaria indo da escola para o treino, e do treino para a lanchonete, sem pausas para lazer, sem celular ou computador, e o pior, sem lanches fora das refeições normais, parecia até pouco para a gravidade do que havia acontecido.

A vez em que havia chutado a bola pela janela ou quando acidentalmente colocou fogo nas roupas que estavam no varal, não se comparava ao quanto sua mãe havia ficado brava por ter recebido os dois filhos inconscientes após a festa. Daquela vez não recebeu nem o apoio de seu pai, que sempre era tão compreensivo. O olhar decepcionado de Minato doeu mais que as chineladas.

Mas não precisava que os pais o lembrassem do quanto havia sido irresponsável. Já fazia isso por conta própria, se xingando sempre que imagens do que poderia ter acontecido com sua irmã naquela festa passavam por sua mente.

Havia largado ela por conta própria lá, bebido até perder a noção. Borrões do que havia sido o final da festa eram tudo o que conseguia lembrar, assim como a bonita morena que não se chamava batata, e que havia o ajudado. Mas ele não devia ter sido ajudado, e sim ser aquele que ajudava. Aquele que devia ter protegido sua irmã no momento que precisava.

Havia falhado.

Se tivesse imaginado como tudo terminaria nunca teria convidado Sakura para ir, ou até mesmo nem teria ido. Deixou a vontade de se enturmar cegar seus olhos e quando viu estava bebendo com os caras do time, aproveitando a atenção feminina que recebia agora que não usava mais aquela fantasia. Estava tão empolgado com tudo que apenas se esqueceu de Sakura.

Esqueceu-se de uma das pessoas mais importantes da sua vida, simples assim.

Era o pior irmão do universo e nunca se perdoaria.

Com cuidado para não acordar a irmã, abriu a porta vendo o quarto parcialmente escuro, sendo iluminado apenas pela tela do computador onde ela provavelmente assistia alguma série no Netflix até adormecer.

Não havia tido a oportunidade de conversar com ela depois de tudo, principalmente por ter passado boa parte do dia desmaiado por conta da bebida em excesso, e vendo os hematomas aparentes em sua pele, sentiu seu coração se partir mais um pouco. Era sua irmãzinha ali, a única que tinha, e que poderia ter perdido por um descuido.

Fechou o computador com cuidado e colocou na mesinha ao lado, enquanto sentava na cama. Como se sentisse a presença do irmão, ela se afastou um pouco, dando mais espaço para ele, como acontecia quando passavam madrugadas assistindo filmes de terror.

Sakura sempre foi cheia de personalidade, muito forte para seu tamanho e, mesmo passando por tudo que já havia passado na vida, tinha aquela maneira única de enxergar as coisas. Recebê-la em sua casa quando pequena, ainda triste após a morte da mãe, foi a realização de um sonho, o sonho de ter uma irmã para brincar. O laço que criaram ao longo do tempo era muito importante para ele, mais importante do que se enturmar com o time ou fazer sucesso com as garotas e, enquanto se ajeitava para deitar ao lado dela como faziam quando mais novos, jurou que nunca mais deixaria nada acontecer com sua irmã.

— Vou te proteger para sempre, minha melhor irmã do mundo. — sussurrou, beijando o topo da cabeça dela e puxando a coberta até que estivessem bem aconchegados. — Desculpa.


Notas Finais


Rapazzzzzzz, escola de sonsas tem vagas abertas e a Temari estará pronta pra lecionar.
Mas alguém quer colocar a família Uzumaki em um potinho? Pq eu quero \o/


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...