História Endless - Capítulo 4


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, D.O, Kai, Kris Wu, Lu Han, Sehun, Tao
Tags Exo, Flex, Homo, Hunhan, Incesto, Jongin, Kai, Kaisoo, Kyungsoo, Lemon, Luhan, Powerful, Sehun, Sehun!twin, Seyong, Sinners, Smut, Uncover
Visualizações 26
Palavras 4.323
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Lemon, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Drogas, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


lá vem a viciada em casamentos atacar novamente.
x

Capítulo 4 - O Detalhe


 

Estilhaçado, era como se sentia – no sentido mais intenso que a palavra poderia alcançar. Sentia o coração atravessando seu peito, quase como se, a qualquer momento, fosse descobrir que nada sobre pseudo-namorado era, de fato, real; que os meses que antecediam haviam sido um apanhado de mentiras – odiava se sentir assim. E, OK, parte disto era apenas drama de Kyungsoo, porém, em algum momento, este se sentira triste por pegar sua carteira, a enfiando no bolso da calça, e se juntar a Zitao e Luhan, que o esperavam na sala de estar de seu apartamento.

Quando se é jovem, voando pelo mundo com sua inconsequência, o amor surge em diversas formas e cores. Admitira por diversas vezes que Chanyeol, o primeiro namorado, com quem se casara e passaram os anos de sua vida desde a adolescência, havia sido seu primeiro amor. No entanto, ao longo daquela tensa, porém silenciosa, noite encontrou-se revendo os conceitos sobre o que considerava amor.

Veja, amava Luhan – definitivamente amava o amigo, tanto quanto amaria um irmão (mas, pelo amor, não o mesmo amor que este nutria pelos gêmeos). Era unicamente fraternal; uma cumplicidade que oscilava entre infantil e madura. Então, em que momento o amor que sentira, ou pensou sentir, por Chanyeol se transformou na amizade que – tentavam – sustentar hoje?

Claro, não dava a mínima para o ex-cônjuge neste sentido; nem sequer cogitava voltar ao que tinham antes – antes da traição, antes de Kyungsoo descobrir a si mesmo. Porém era um assunto que abria uma gigante lacuna para que pensasse, após cinco meses ignorando o assunto: o que, de fato, sentia por Kim Jongin?

— Estamos bem?

Pergunta difícil de ser respondida ainda pela manhã. Quer dizer, estavam bem – por mais que Kyungsoo conseguisse transformar a situação em um espetáculo. Tudo bem que não gostara nada da surpresa; a ideia de ter Jongin trabalhando consigo, competindo pelas vendas, não soava bom. Além do que, ainda que sentisse sua falta, gostava da curta distância no período de trabalho.

Pelo menos, ao fim do dia, chegava à casa com sede de Jongin; de sua presença.

— Estamos bem.

Por mais que fosse contra o jovem aceitar a proposta, sabia que, se o vencesse naquela semana, fechando o contrato com maior valor, teria Jongin de volta a seu foco: a dança. Definitivamente não queria que o loiro largasse o que amava pelo dinheiro, apesar de estar certo de que este conseguiria conciliar.

Não queria que o sonho acabasse esquecido.

— Podemos ir? – um Tao abalroado de animação murmurou, já de pé ao lado da porta.

— Então... – suspirou o ruivo, olhando mais uma vez para Jongin. — Podemos.

Esperava que Zitao não entendesse mal. Adorava casamentos – e o adorava –, mas não era o melhor momento para festejar. O Kim era muito intenso, sempre, e às vezes era difícil não tornar o mínimo grandioso, pois o próprio não ajudava. Apenas aceitara o convite, e tudo o que precisava era daquela distração momentânea que o arrastasse para longe de qualquer provável estresse.

Seria bom. Kai teria tempo para continuar sua busca pelo emprego que desejava, apesar de não desistir de competir com Kyungsoo pela promoção, e estaria afastado por horas o suficiente para pensar – e, talvez, para fazer as pazes à noite.

— Qual a primeira parada? – indagou Luhan, finalmente dizendo algo após o mortífero silêncio dentro do elevador.

Checou o relógio antes de escorar-se ao conversível do chinês, perguntando-se se Tao ainda poderia o surpreender mais com sua riqueza, exibindo sua BMW à porta de seu prédio. O bairro era simples o suficiente para que o carro chamasse muita atenção. Bem, não que o loiro se preocupasse com tal, este apenas pôs os óculos escuros enquanto destravava as portas do carro.

— Buffet.

Antes de tudo, Tao ligou o rádio, estourando os tímpanos dos outros dois com o tropical house que ecoava das caixas de som. Sorte a deles pelo carro ser aberto daquela forma, senão não aguentariam mais que minutos de todo o instrumental repetitivo.

— Buffet? – o Do estranhou a forma como Luhan perguntou, olhando para o amigo que se acomodava no banco de trás.

— Buffet.

No entanto, Kyungsoo não fez nenhum comentário sobre a estranheza dos outros dois. Apenas continuou balançando as pernas ao som da música que certamente conhecia e, ainda assim, não conseguia recordar-se do nome.

— Já contratou alguém pra cuidar da música? – indagou, assustando-se com o grunhido do loiro.

Regulando o volume, alto além da conta, o chinês diminuía a velocidade que dirigia, caçando o próprio celular no espaço entre seus bancos e o desbloqueando rapidamente, logo o jogando para trás.

— Luhan, ligue para o Kris – murmurou, tentando não perder o foco. — Por favor.

Seu pedido, ainda que educado, soou como uma ordem que Luhan pareceu inclinado a recusar – e talvez o fizesse se Kyungsoo não estivesse o observando seriamente pelo retrovisor. Não deixaria o amigo foder com o próprio carma ao atrapalhar o casamento do loiro.

— E as filmagens? Arrumou alguma equipe, um fotógrafo?

Por mais aleatórias que fossem as perguntas de Kyungsoo, não esperava que, de fato, Zitao hesitasse com cada uma delas.

— Sehun.

O nome foi seguido por um longo silêncio, este que foi quebrado pelos amigos perguntando ao mesmo tempo:

Como é que é?

— O que tem Sehun?

É nítido quem entre os dois pareceu rude ao o indagar.

— Ele vai cuidar da fotografia, oras!

O loiro era uma daquelas pessoas que não gostava de ser contrariada, e imaginavam que, naquela situação, ele se tornava duplamente pior. Era o seu casamento, por mais que tivesse chamado os outros dois para ajudar, e, até aquele momento, faltando exatos sete dias, nada estava certo além do local e data.

— Ele vai ser padrinho e vai cuidar da fotografia?

Novamente, o misto de tropical house e vozes nas calçadas era o único som circulando entre os três.

— Merda.

— Não quer convidar ele pra ser noivo também? – disse Luhan enquanto procurava pelo contato de Kris, ignorando os olhares recriminadores vindos de Kyungsoo, este que ainda tentava ser compreensível.

— É loucura fazer tudo às pressas. Sabe, eu–

— Shh... – o ruivo foi interrompido. — Kris?

Àquela altura, havia esquecido o que ia dizer – o que, em parte, foi bom, já que percebeu que Tao estava dirigindo em círculos. Quando passaram pela mesma mercearia pela segunda vez, esteve certo que de duas, uma: o loiro estava perdido ou, bem... O loiro estava perdido.

— Por que não paramos ainda?

— Só... Pensamos nisso depois de escolher o bolo, OK?

— Não é disso que eu estou... – É. O ruivo desistiu da frase na metade desta.

Rolando os olhos pela calçada, apontou duas vezes para vagas diferentes, indicando silenciosamente para o loiro estacionar – este que demorou quase cinco minutos acertando o carro devidamente na vaga.

Perfeccionista.

— Kris estava ocupado, mas disse ‘pra “deixar com ele”.

1% mais relaxado, o chinês trancou seu carro, tomando a frente enquanto caminhava calmamente até a faixada de buffets; mal parecia o homem girando ao redor do quarteirão.

Será que seria daquela forma quando, pela segunda vez, organizasse seu casamento?

Droga. O pensamento o assustava ao extremo.

Tivera Tao repetindo o mesmo discurso duas vezes naquele dia, – sobre como não deveria esperar tanto para começar sua eternidade com Kris – e, entre a emoção da primeira vez e o tédio com a repetição, o assunto acabou instalado em sua mente. Casamento, casamento, casam–.

— Byun?

Sua memória era péssima, admitia, mas não havia chances de estar enganado sobre a junção daquelas quatro letras; conhecia bem o nome.

— Essa não é a...?

É...

— Eu avisei ao Tao que essa era uma péssima ideia.

Kyungsoo esteve certo que nunca havia olhado para Luhan com tal expressão de wtf?

— Pior que a de todos nós como padrinhos?

A imagem de uma fotografia sobre sua mesa de cabeceira, esta com Chanyeol ao seu lado e Jongin do outro, ambos com um braço enroscado ao seu, e logo ao lado, salvando a imagem, os irmãos poligâmicos – pior do que isso, só se houvesse a árvore genealógica sobre os três namorados.

— OK. Não pior do que essa.

Zitao!

Era inevitável: todas as vezes em que cruzava com o jovem Byun, acabava por compará-lo consigo. Fosse pela baixa estatura ou pelo corpo não tão esguio, a mente começava a conspirar sobre o porquê de ter sido trocado.

OK. Não justificava o espetáculo de ciúmes que dera na noite anterior, assistindo à distância a forma como o homem qualquer tocava e olhava para Jongin, mas, de fato, explicava suas razões.

— Vejo que estão bem animados!

O homem olhou ao redor. Pela vitrine, através das letras desenhadas em branco com os dizeres Byun – e mais alguma palavra que, sinceramente, Kyungsoo não dava a mínima –, notou como as pessoas passavam desanimadas, fritando ao sol. Depois, reparou no ambiente em si; a tampa de vidro sobre a estrutura de aço, que formavam uma larga e redonda mesa no centro do espaço, junto às cadeiras brancas e altas, com algumas almofadas esverdeadas. Na verdade, toda a sua decoração tinha um toque verde-água, com exceção de todo o branco que complementava o bonito tom.

Observava Baekhyun, sorrindo atrás do balcão, e então Luhan, que nem sequer parecera escutar o que o moreno mais à frente dissera, e Zitao, o mais animado entre os clientes, que já não parecia mais tão animado com a ideia.

É. O Byun era o único animado no recinto.

— Na verdade, estamos um pouco apressados – o loiro espiou o relógio de pulso. — Tenho horário marcado para confirmar a decoração às uma.

— Claro! – contornando o balcão, com um tablet semelhante ao de Tao em mãos, Baekhyun puxou uma das cadeiras e se sentou, aguardando que os outros fizessem o mesmo. — Tudo bem. Presumi que precisariam de algo rápido.

Ao recostar à cadeira, Kyungsoo entendeu o porquê das almofadas nos assentos. Era tão dura que o homem deveria ter imaginado. Além do que, estas eram pequenas para os largos quadris do ruivo – que precisava deixar as pernas bem esticadas para se acomodar, quase empurrando as de Luhan, sentado ao seu lado.

— Vamos começar pelo... – logo Baek exibiu a imagem no visor atrás do balcão, regulando seu tamanho através do tablet. — Design mais recente.

O primeiro bolo tinha cinco fodidos andares – isso porque Tao havia dito que seria algo pequeno e intimista. Seguindo para a seguinte mídia, havia o mesmo bolo, porém exibido em forma de gif. Podiam ver como a fonte acima deste escorria a cobertura, pintando de chocolate todo glacê e detalhes brancos. Quando o mesmo foi cortado – da forma errada, deixando a fatia torta, por sinal –, seu interior era um degrade de tons de rosa, o que fez todos os três arregalarem os olhos.

— Um pouco... Colorido, não? – tentando ser educado, Tao apenas pediu para que Baek seguisse em frente pelos outros arquivos.

O segundo, e Kyungsoo já estava enjoado da lentidão com a qual Baekhyun deslizava o dedo pela tela, parecia fruto do rascunho de um prédio. Quem achasse os cinco andares um exagero, ficaria em alarde com o casal de noivos gigantesco no topo dos seis andares na tela. Mesmo que fosse uma foto, o ruivo sentia como se os bonecos fossem cair à qualquer instante. Baekhyun, com dificuldade, deu zoom em uma das imagens – e era assustador como o olho do boneco que representava Kris parecia mais torto que sua postura.

O homem esperava veemente que o sabor compensasse.

— Essa porra é o Cake Boss? – sussurrou para que apenas o amigo o escutasse.

— Como disse?

Era uma daquelas constrangedoras situações onde se é pego no flagra e as palavras simplesmente desaparecem de sua mente; um branco absurdo.

— Ahn... Tem um pedaço ‘pra nós?

Por mais que o jovem parecesse desejar acertar um pedaço daquele bolo exuberante em sua face, apenas levantou-se de seu assento, acenando positivamente enquanto voltava para o balcão, atravessando frente ao Datashow.

Merda, Baekhyun. Me faça simpatizar com você, porra.

— Melhor evitar o bolo – as palavras de Luhan o fizeram imaginar o Byun com um sorriso maligno, derramando veneno por toda a calda de sua fatia de bolo. — Vai ter uma cuspida especial no seu pedaço.

Nojento.

— Aqui está. Bolo da casa.

Subitamente, Kyungsoo havia perdido a fome.

— Em qual deles paramos?

E, junto com a fome, havia perdido a paciência.

Decoração. Isso, sim, era algo que o Do gostava.

Era um zero à esquerda tratando-se de culinária, apesar de saber bem como comer – não só literalmente. No entanto, quando o assunto era decoração, o jovem Do era o primeiro a palpitar; desde a cor de um papel de parede até toda a mobília de uma casa – não era de se surpreender que, após anos, ainda se encontrava no ramo de venda de imóveis.

Adorava opinar.

— Eu ainda acho os tons de azul tão... – com um suspiro meloso, o noivo retornava ao assunto.

Oficialmente, Kyungsoo estava apaixonado.

Droga. Queria tanto ser rico como o loiro, apenas para ter um quintal como aquele. Apesar de gostar de seu apartamento, e de estar acostumado a viver nele, cacete, era um senhor jardim.

Uma mulher caminhava logo atrás deles, anotando todas as ideias e sugestões para o rascunho da nave que ali montariam. Até então, Kris já havia dado sinal sobre o DJ e equipe de filmagem e fotografia, o que havia deixado Tao um pouco mais relaxado. E, conforme visualizavam o extenso espaço à frente, posicionados no exato ponto que o tapete de flores se estenderia para a entrada do loiro, as ideias apenas fluíram.

— Rosas brancas – murmurou ele em um baixo tom, a ponto da mulher das anotações precisar chegar um pouco mais perto.

— Para o buquê?

— Tudo.

Kyungsoo olhou para o amigo, pensando se realmente seria bom tudo tão... Branco.

— As pétalas, o buquê, os arranjos das mesas. Tudo.

O loiro começou a caminhar em linha reta, porém, desta vez, este caminhava sozinho. As lentas passadas não significavam nada para os outros, mas, em sua mente, eram profundos os pensamentos sobre como, sobre a grama, as pétalas se destacariam; sobre as mesas de vidro, em suas mãos enquanto vestia o terno copiosamente branco. Como seria branco, branco e branco até que alcançasse a nave, até seu noivo, até o painel que ficaria atrás de seus corpos enquanto os observassem selar aquele momento.

— O painel de flores. Conseguem aquelas artificiais a tempo? – indagou o loiro, virando-se na direção dos outros e recebendo um aceno positivo da organizadora. — Um misto de tons de azul. Ponha turquesa, pastel, caneta. Algo bem...

— Bonito?

— Único.

Merda. Não havia no que opinar.

À entrada da casa de veraneio dos Huang havia uma larga varanda, onde estes pretendiam brindar, bem à frente das mesas dos convidados.

Era, de fato, tudo muito bem organizado para alguém que simplesmente acordara anunciando um casamento.

— Ainda falta algo?

— Muita coisa! – esbravejou Tao. — As partes mais divertidas, pelo menos.

Kyungsoo engoliu a seco, pensando em seu próprio casamento e tentando recordar-se do que ainda precisavam – afinal, parando para pensar, já estava tudo teoricamente pronto. Apenas precisavam estar ali naquele sábado, novos em folha, para o casamento e pronto.

Certo?

— O rascunho deve demorar um bocado pra sair – disse o loiro, parecendo exausto demais antes mesmo das 15h.

O trio se arrastou até a varanda, acomodando-se numa mesa artesanal à vista da organizadora. Apenas precisavam do desenho – que, provavelmente, pouco entenderiam por ser feito tão rápido.

— Suco?

Os dois negaram, recostando contra os estofados e às costas do assento de palha que dava um belo ar ao lugar, mas Tao se ausentou assim mesmo.

— E então…

Pigarreou, detestando encontrar-se sozinho e em silêncio com Luhan naquele momento. O amigo conseguia ser complicado quando desejava – não de uma forma completamente irritante. Começava a dizer o que pensava, sem qualquer filtro, e, no fim, Kyungsoo se encontrava extremamente inclinado às ideias do outro.

Era péssimo, mas o filho da mãe o conhecia bem.

— Quando vamos organizar o seu casamento?

E lá vamos nós...

— Outra vez? – respondeu o ruivo em meio à risada (de nervosismo, claro).

— E por que não? Padrinho duas vezes, puxa!

Por mais engraçado que fosse assisti-lo cruzando as pernas, montando-se no defensor da própria causa, aquele assunto não lhe agradava nadinha – mesmo.

— Luhan… – quase se lamentou, dando início aos seus argumentos enquanto tombava a cabeça para trás. — Eu sei o que você está fazendo…

— O que?! – ele ria abertamente, quase se fazendo de inocente, como se não soubesse que sua pergunta ia resultar naquilo.

E, bem, Kyungsoo sentira falta daquilo.

— Qual o problema em querer ver um amigo feliz? – continuou ele, cruzando os braços.

— E eu preciso casar outra vez, tão cedo, pra ser feliz? Ou isso é uma desculpa pra você dar o próximo passo com os garotos?

— Como se um dia fôssemos casar…

Subitamente, o ruivo soube que havia pisado na bola. Certo que não havia dito nada além de fatos, mas ainda eram fatos duros de serem compreendidos. Era um saco; raramente se recordava da situação de Luhan, com os irmãos, quando comentava aleatoriamente sobre eles. Jamais o faria propositalmente, não era uma situação na qual gostaria de se encontrar.

— Ei… – abriu um sorriso sem jeito enquanto se debruçava sobre a pequena mesa entre eles. — Nos conhecemos há anos, não? E eu demorei tanto tempo pra conhecer os gêmeos. Tantos aniversários e festas, mas nunca conheci sua família; você nunca falou sobre eles. Até mesmo na formatura!

— Os gêmeos não puderam ir e–

O assunto não surgia em sua mente havia meses e agradecia a si mesmo por ter recordado deste estando junto de Luhan.

— OK. ‘Tá, mas esse não é o ponto.

Um tanto quanto frustrado, Kyungsoo tentava exteriorizar todos os seus pensamentos.

Veja, tivera todo o período universitário para conhecer mais de Luhan e, bem, após tantas viradas de ano em casal, aniversários desanimadores junto a eles e até mesmo dormidas na casa do ruivo, este parou para pensar em como havia encontrado com a família do amigo pouquíssimas vezes. Na verdade, nem sequer se recordava de terem tocado no assunto nos últimos anos – até que os gêmeos se tornassem, repentinamente, figuras tão presentes na vida de Luhan.

— É muita coincidência, não? – deu ombros, ainda que não fosse indiferente àquilo. — Certamente ouvi Kris falar sobre os gêmeos, talvez até Chanyeol, mas nunca me preocupei em, de fato, perguntar sobre eles.

No entanto, o outro apenas relaxou sobre a cadeira, afundando os dedos por entre os fios rosados, despreocupado.

 — É uma merda que eu apenas os conheça como seus namorados.

Em uma risada forçada, desviando os olhos para o próprio colo, Luhan parecia mais pensativo que há minutos antes.

— E é isso que eles são.

Seus; era como o outro deveria completar. Os garotos eram seus, era um fato a ser aceito. Apenas.

— Sim! E não precisam de um pedaço de papel para que seja real.

O que tinham era suficiente.

— Do que estão falando?

Carregando uma pequena bandeja, Zitao surgiu pela porta com um ar caseiro, tão prestativo que não parecia o esbanjador da própria fortuna.

— Sobre os gêmeos.

Ao contrário do que Kyungsoo esperava – e este não sabia bem o que esperar, já que nunca havia conversado sobre a vida do outro com tamanha liberdade –, o loiro parecia bastante animado com o assunto ao que posicionava a jarra de suco e seus longos copos com uma perfeita distância, os acertando sobre a mesa de forma quase invejável.

— Que puta sorte você tem. Sabe disso, não? – e Tao soltou o verbo, largando o peso sobre a cadeira e mostrando um aspecto intimista, se assim podia dizer, que nunca havia notado. — Os dois são in-crí-veis. E lindos.

Não gostava muito de suco de laranja. E, por mais aleatório que fosse o comentário, fora o que surgiu em mente quando o provou. Porém, para não fazer desfeita – o que já estava fazendo somente pela expressão que fizera ao provar –, somente continuou a beber enquanto os respondia.

— Merda. Eles são lindos mesmo.

O amigo o analisou lentamente, quase surpreso com seu comentário. De toda forma, não era cego, certo?

— E Jongin? – foi a vez do de madeixas rosadas se debruçar sobre a mesa, quase desafiando a língua afiada do Do. — Nem sei como Kyungsoo o prendeu.

Tapando a boca, o loiro foi obrigado a engolir o resto do suco que bebia, engasgando-se ao não conseguir controlar a alta risada com o comentário vindo de Luhan – assim como não conseguia segurar os comentários que acreditava serem pertinentes.

— Então... O sexo deve ser… Uau.

E, novamente, Kyungsoo era o destaque na visão de ambos.

Uau? Ele é tudo isso? – indagou Luhan, apoiando os cotovelos sobre os joelhos, parecendo mais curioso com o assunto do que deveria.

— Por que estamos falando de mim, afinal? Tao, Kris? Já sentiu a tensão sexual depois de anos entre eles? Um dia, eu quero chegar a esse ponto.

É claro, Luhan não poderia deixar a frase passar despercebida, fazendo com que o resto do suco que terminara em uma golada, passando longe de encher novamente seu copo, descesse pelo buraco errado.

— Medo de que você chegue a esse ponto. Se como está agora, com Jongin, já não controla as calças, imagine em um nível Kris e Tao?

E a sentença acarretou em um misto de tosses e risadas, pois nem mesmo Kyungsoo conseguiu conter o riso.

— Jogo sujo, Luhan. Até pra você.

Depois da tarde, e parte da manhã, ajudando o noivo, tudo o que queria era descansar. Ali, relaxado contra a leve brisa, quase cogitou um cochilo enquanto aguardava o rascunho da nave. Apenas um fechar de olhos, descansar as pálpebras, sabe; manter a mente longe do celular que ora vibrava em seu bolso.

— Pois eu assumo – voltando a quebrar o silêncio, Tao ajustou-se na cadeira, enfiando uma das pernas por debaixo da outra. — Kris é… Nossa.

— Mesmo depois de anos?

Não era uma pergunta que Kyungsoo queria fazer, quase escapou involuntariamente. Àquela altura, nem poderia dizer que não era complicado falar sobre o assunto com Luhan, pois era. No entanto, ainda era estranho cogitar falar sobre qualquer coisa que envolvesse seus relacionamentos tendo Tao junto a eles.

— Mesmo depois de anos – o homem voltou a se servir do suco. — Inclusive, espero vocês amanhã para vermos um pequeno detalhe. Envio o endereço por mensagem.

Conforme o sono começava a abater o ruivo, já não prestava mais tanta atenção quanto antes. Os outros dois faziam alguns comentários, mas realmente sua atenção parecia direcionada ao nada.

— E… Pronto para casar? – tentou puxar assunto, sentindo que não despertaria se não se movesse.

— Prontíssimo – o retrucou com toda a certeza possível em sua entonação. — E você? Pronto para casar outra vez?

E outra vez.

— Mas qu... Qual o problema de vocês com casamentos? Divórcio, rapazes! Um divórcio recente.

— Kim Jongin, rapaz – divertidamente, Tao estapeou a mesa, quase recriminando Kyungsoo por seu comentário. — Não deveria esperar pra laçar o cara. Sinceramente, a forma como ele olha pra você…

Jogando a cabeça para trás, o ruivo definitivamente não desejava voltar àquele assunto.

— Não acredito que estamos apaixonados. E que estamos falando sobre isso sentados numa varanda, bebendo suquinho.

Parando para analisar, era a cena mais incomum possível somente por ter Luhan e Tao no mesmo lugar, conversando civilizadamente.

— Isso é tão clichê.

— Estou me sentindo em Sex and the City.

O homem precisou rir com o comentário de Luhan, pois, com toda a honestidade que tinha em si, não se sentia mesmo daquela forma – apesar de desejar a cada instante.

— Mas, no momento, eu ando apenas sex. A parte rica foi zerada pagando o advogado.

— Chanyeol, Chanyeol… – murmurou o loiro, ainda gargalhando. — Que homem você perdeu.

Porém toda a graça fora interrompida pelo próprio Kyungsoo.

— Ah, não. Nada de se lamentar. Acho que, uma hora ou outra, íamos perceber que não estava mais dando certo – deu ombros, mais do que conformado. — Ele e Baekhyun meio que... Combinam.

— E isso era pra ser um elogio?

Logo, a mesa seria uma poça de suco cuspido se não se controlassem, pois cada frase era acompanhada de uma risada e de um dos três segurando a vontade de gargalhar abertamente.

— Que porra... – tentava parar de rir, falhando completamente. — Vocês me pintam como o vilão. Eu não entendo.

— Você é incrível, cara – por fim, Luhan apenas repetiu o que muitas vezes já havia o dito. — É bom Kai se cuidar.

É. Era bom Kai continuar a cuidar dele, pois... Bem, Kyungsoo se encontrava cada vez mais mal acostumado com seus cuidados.

Sr. Huang?

Chamavam tão pouco o herdeiro por tal nome que, por um segundo, mal repararam na organizadora de pé às suas costas, segurando a prancheta junto a folha A4.

— Aqui está o rascunho – esticando os curtos braços, a mulher quase não pisava na varanda. — Só precisamos da aprovação final.

E o Zitao perfeccionista estava de volta – desta vez, com motivo.

Afastando os copos, e secando os respingos de suco com um guardanapo, o loiro posicionou a folha no centro desta para que os três pudessem vê-la bem e… É. Estava tudo impecável. Conseguiram reproduzir tudo o que Kyungsoo havia pensado enquanto escutava a detalhada descrição de Tao. As flores do painel rabiscadas e coloridas em azul, o formato pontiagudo das mesas – onde o ruivo já previa esbarrar e se machucar –, até mesmo os noivos estavam no rascunho, usando seus supostos ternos enquanto trocavam alianças, ou era o que parecia.

De fato, não havia nada restando para que pudessem pôr defeito; seria maravilhoso.

— OK – ele acenou, apenas. — Mas não esqueçam da listagem das mesas. Aqui elas parecem ser poucas para a separação.

— Certo, Sr. Huang? Algo mais?

Como se fosse seu casamento, involuntariamente, Kyungsoo confirmava que tudo estava nos conformes – ainda que em sua própria mente. Os outros dois levantavam-se, tão empolgados que surpreendiam o ruivo por conseguirem se relacionar repentinamente após anos.

Porém aquela não era a questão.

A questão era que, àquela altura, a instituição falida do matrimônio não soava mais tão ruim quanto antes, e Soo ainda não sabia o quão bom (ou ruim) aquilo poderia ser.

 


Notas Finais




Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...