História Enleios - Capítulo 3


Escrita por: ~ e ~Cactae

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Rap Monster, Suga, V
Tags Cacta, Demorou Mas Saiu, Kooktae, Kookv, Nahu, Reencarnação, Soumate!au, Taekook, Vkook
Visualizações 314
Palavras 4.110
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Drama (Tragédia), Fluffy, Lemon, Lírica, Luta, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Cross-dresser, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Boa noite.
Atualização surpresa, mas a Café quis escrever e batemos o recorde de escrever esse capítulo em duas horinhas, rapidinho. Isso porque passei mal. ÇANDÇSAKDNÇKSAD Mas enfim, bora ler essa atualização maravilhosa que tive que fazer mil pesquisas para conseguir entender tudo?
Partiu?
Boa leitura.

Capítulo 3 - 3. Meia calça


A música tocava em um volume agradável. Estava sentado sobre um estofado vermelho, bastante confortável. O cheiro de fumaça era forte, e as risadas das mulheres eram facilmente escutadas. Cruzou as pernas, de forma que elas parecessem bastante atraentes para os fregueses que visitavam.

Passou a mão na meia calça preta de tecido leve. Suas roupas estavam terrivelmente desconfortáveis e frias, porém o bordel estava lotado. Raramente era pago para trabalhos devido ao seu sexo.

E como sabia disso? Não tinha certeza.

O cheiro de fumaça ficou mais forte. As pessoas passavam como flashs, não conseguia vê-los. Desconhecidos, vários deles. E continuava sentado, de pernas cruzadas, esperando sabe-se lá o que.

Respirou fundo, estava ansioso. As mulheres em sua volta iam e voltavam constantemente com homens sem rostos. Estava em seu terrível terror diário, esperava ou não o cliente? Queria ou não trabalhar?

Jeongguk não sabia se queria ficar a noite toda entediada ou se arriscar em uma noite de muito prazer ou daquelas que queria esquecer pelo resto da vida. Pegou uma das piteiras com um cigarro quase no final e arriscou um trago.

Tossiu, com certeza não gostava daquele tipo de coisa, mas o que é fumar um pouco quando aspira fedor de cigarro toda noite.

Mais risada, mais música. Seu pé movia-se rapidamente pelo ar em movimentos óbvios de ansiedade. Apoiou a cabeça nas mãos e olhou novamente o espaço o qual não conseguia ver com exatidão. Estava tudo tão borrado, sua pele arrepiou quando viu um homem de terno aproximar-se.

Finalmente o cheiro mudou, seu perfume era forte e reconheceria em qualquer um lugar. Um sorriso que acelerou seu coração, um sorriso que não conseguia ver. Logo o homem surgiu, não pôde evitar de sorrir.

Assim, ele sentou-se ao seu lado, mesmo não sabendo quem era, Jeongguk sentia-se tão feliz. Não demorou-se para levantar-se do estofado confortável e sentou-se no colo daquele homem. Logo as mãos alheias foram em suas pernas e os lábios tocaram seu pescoço. As sensações eram tão boas e reais.

A sala passou a rodar, era como se ninguém mais estivesse ali. O cheiro de cigarro parecia agradável, a música nem era mais escutada, toda a sua atenção estava direcionado aquele momento, aquele homem, aquela voz.

— Estava com saudades.

 

- Enleios -

 

O cheiro de sexo ainda era inspirado pelas suas narinas, a cabeça rodava enquanto as sensações insistiam em não abandonar seu corpo. Sentia-se pesar, esfregava a cabeça no travesseiro, como se ali estivesse impregnado o aroma que tanto gostou de sentir. Não queria abrir os olhos, embora soubesse que era preciso.

Forçou sua pálpebras a abrirem lentamente, sua derme formigava pelos toques dele, seus pelos eriçados pareciam dançar ao passo que os lábios de outrem percorriam sua pele imaculada. Ele queria sentir aquilo ainda, era bom, era vívido, ainda que soassem como sensações sentidas apenas em seu âmago.

Não eram reais, não podiam ser.

Descobriu-se por inteiro, o edredom incomodava seus poros e ele parecia transpirar, ainda que o clima estivesse ameno, estava quente, no entanto. Tocou a si mesmo, em cada canto que sentia os sutis toques alheios, sua tez fervia em contato com aquelas fricções gostosas, sorria, ainda sentindo os lábios macios pressionados contra os seus. Droga, ele não estava ali.

Levantou-se em um ímpeto, sentando-se na beirada da cama de colchão de molas. Não era confortável como o estofado que estava com ele ou como o colo do próprio, mas era o que tinha. Seus pés sentiram o choque térmico em contato com a cerâmica gélida, tateou por suas pantufas, não era tarde, mas sentia que poderia se atrasar caso demorasse demais para se arrumar.

Após achá-las, suas pantufas, tomou impulso, ficou de pé e caminhou lentamente em direção ao banheiro de seu quarto. Cada passo que dava era como se ouvisse seu rico rouco mesclado a sua voz sedutora ao pé do ouvido, ele não escutava com precisão, mas sabia que amava o timbre do outro. Arrepiou-se quase que instantaneamente, aqueles dedos nem tão calejados assim pareciam saber seus pontos fracos, apertavam sua carne com afinco, com vontade, enquanto a língua trabalhava em prol do seu prazer.

Apertou o interruptor, ligando a luz da casa de banho, não queria olhar seu reflexo no espelho, nem precisava, sabia que seu estado contava com seu cabelo castanho grudado em sua testa e uma ereção matinal nada discreta entre suas pernas. Precisava de um banho, fosse ele gelado ou não.

A água caía em abundância, mas ela sequer parecia capaz de fazê-lo parar tudo que estava sentindo, o vapor tampouco fazia o frescor do outro sair de todo o seu redor. Ele o sentia, o procurava, mas sabia que ele não estava ali, ainda que tudo em si sentisse os resquícios dos carinhos dados em mais uma pernoite que sabia ser costumária entre eles.

A cada vez que o sabonete deslizava por si, sentia como se estivesse em uma dança sensual aos olhos dele, sentia vontade de rir provocante ao imaginar que naquele momento ele estaria com os lábios avermelhados de tanto mordisca-los. Nunca se sentiu tão desejado, como se o curvar de lábios sacana escondesse em suas linhas tudo que guardavam um pelo outro. Pelos deuses, precisava senti-lo outra vez.

Desligou o registro do chuveiro, vendo o vidro do box completamente embaçado, apoiou sua testa ali, espremendo os olhos com força e tentando manter suas pernas no lugar. Queria rir e clamar por ele, mas sabia bem que ele não passava de uma coisa boa dentro de si.

Jogou o cabelo encharcados para trás, o café da manhã já devia estar pronto e ele precisava ir a faculdade, mas antes ligaria para seu melhor amigo, discaria o número, ainda que o mais velho só tivesse aula a tarde, precisava conversar com Hoseok.

Estava ficando louco.

 

- Enleios -

 

— Você está andando mais rápido do que deveria. Desde quando você fica ansioso para sua aula emocionante de cálculos. — Hoseok perguntou ao ver as perninhas do amigo caminhando com tanta pressa por aquele lugar.

— Hoje tive mais um daqueles sonhos. Sabe? Os vívidos. — Jeongguk estava evidentemente agitado. Gesticulava enquanto falava, seus olhos estavam arregalados, geralmente era Hoseok quem agia dessa maneira. — Tem dias que sinto cheiro de flores, outros sinto gosto de vômito, às vezes vejo tinta sujando todo o meu corpo e outros estou deitado e não posso me mover.

— Eu já sei disso tudo, por que está tão animado?

— Não estou animado. — Contrariou de imediato antes de parar no meio do corredor para pegar a tela do celular para conferir a hora. — Estamos vinte minutos adiantados, porque estamos andando com tanta pressa?

— É isso que estou te perguntando. Qual é? Você parece ter comido quilos de chocolate e tomado litros de café.

— Hey! Eu quem sempre digo isso a você.

— Exatamente! Por isso estou achando estranho. Eu sou o bobo alegre energético nas manhãs. Não você. — Hoseok explicou antes de voltarem a caminhar. — Acho que o senhor está invertendo os papéis hoje, mas depois resolvemos isso. O que temos para hoje?

— Um sonho que nunca tive. — Jeongguk aumentou a velocidade e parou frente de Hoseok para falar os detalhes. — Como te disse anteriormente, meus sonhos passaram a de flashs a momentos levemente mais detalhados, consigo ouvir, cheirar, sentir, mas minha visão é embaçada.

— Sim, tenho conhecimento disseo, senhor. — Hoseok pegou um caderno de anotação e fingiu ser um psiquiatra. — Mais alguma coisa nos seus sonhos? Conseguiu identificar algum rosto dessa vez?

— Não, mas o sonho foi muito diferente porque estava sentado em um estofado vermelho bastante confortável. Eu usava meia calças pretas e provavelmente eu usava alguma cinta para apertar minha cintura. Não sei como explicar.

— Você era um prostituto do Século XIX, safadinho! Você sonhou com sexo!

— Para de falar isso alto no meio da faculdade! — Jeongguk o puxou para um canto mais vazio quando a maioria dos presentes no local pareceu ter ouvido o grito do amigo exagerado do moreno. — Você é retardado?

— Acordou de pau duro?

— E isso importa?

— Claro que importa. Você está animado porque bateu punheta, tudo faz sentido agora. Sou um gênio. — Hoseok girou nos próprios pés com os braços levantados como se fosse um campeão de alguma disputa esportiva.

— Para de falar isso alto!

— Você nem tenta contrariar. Você precisava disso para relaxar, amigo. A punheta é nossa amiga em momentos de tensão. — Hoseok voltou para perto do amigo e deu um tapinha em seus ombros. Assim que viu um sorrisinho sapeca em seus lábios, sabia que ele faria alguma brincadeirinha ridícula. — Em quem estava pensando quando se tocou? Foi em mim? — Ele virou de costas, rebolando levemente o quadril. Nesse momento, um aluno apareceu e pareceu perplexo com a cena.

— Eu não vi nada! — Disse antes de afastar-se do lugar. Jeongguk deu um tapa na cara devido a vergonha que sentia naquele momento.

— Olha o constrangimento que nos fez passar, Hoseok! Se controle!

— Era o menino bonito do refeitório?

— E isso importa?

— De feliz, você passou a um velho muito chato. — O mais velho passou pelo amigo e conferiu a pessoa que acabara de ver a cena “íntima” entre os amigos. — É ele mesmo! É nosso dia de sorte!

— Que dia de sorte? Hoseok, enlouqueceu? Ele te viu rebolando para mim. Por que isso seria sorte? — Jeongguk nem sabia porque ainda tentava entender a lógica do rapaz. Nunca o entenderia em sua completude.

— Porque ele pôde ver todas as minhas capacidades. Não são todos os sortudos que conseguem me ver rebolando em um showzinho particular como você, Jeonggukie. Agradeça a isso. — Hoseok falou em um tom sensual. — E sabemos que ele estuda no seu prédio de manhã. Ou seja, ele tem aulas de específicas, ou seja, ele estuda números.

— Ou ele só está fazendo uma matéria eletiva, é impossível ter certeza. — Jeongguk olhou para o corpo de Hoseok e percebeu que um de seus pés parecia estranho. — Você caiu? Parece estar mancando.

— Quando é que não caio? — Perguntou sem tirar os olhos do rapaz conversando com um segundo no corredor. — Será que consigo sair com ele mesmo sem nos conhecermos?

— Não era você quem estava super confiante por ele te ver rebolando? — Perguntou sarcástico antes de virar de costas e olhar para a parede. As imagens do sonho vieram em sua mente. — Se acha que rolou clima, então tenta.

— Sério?

— Sim.

— É você ou a rainha do cabaré? — Hoseok perguntou antes de finalmente virar para o seu amigo. — Você sempre me aconselha a não tentar porque nunca teve nada com ninguém.

— Quem disse?

— Sua mão virgem de punheta até hoje. Mas como você está assim hoje, vou aproveitar. Vou falar com ele e descobrir algumas informações. Pedir número de telefone, descobrir curso, saber se é solteiro.

— Saber se é gay.

— Esse é o Jeongguk que eu conheço, colocando empecilho em tudo. — Disse antes de voltar a observar o rapaz. — Ele parou de conversar com o amigo e está voltando. É a minha chance.

— Eu vou fingir não existir.

— Apenas observe e aprenda a como conquistar o crush.

Hoseok virou-se, jogando os fios para trás enquanto trajava de seu melhor sorriso ao ver o outro garoto se aproximar. Sabia que era impossível ignorar a presença do melhor amigo ali, mas jamais deixaria passar a chance de ter sua boca grudada na de um homem bonito como aqueles, ainda mais tão gostoso e com uma aura tão simpática e positiva.

Os passos do outro eram lentos, seus lábios moviam conforme uma música que só tocava em sua cabeça. Jeongguk queria rir da cara de tacho que Hoseok fez ao ver que o garoto passaria por si como se não tivesse sequer notado sua ilustre presença. Bufou, não aceitando que o outro se distraísse ao ponto de não lhe perceber paradinho ali na sua. Era impossível não notar Jung Hoseok, quem aquele ser humano pensava que era?

— Opa, perdão. — Hoseok fingiu um tom culpado ao colocar o pé no meio da passagem do outro, vendo-o cair de bunda no chão. — Quer ajuda?

— Oh, sim, obrigado. — O outro pegou na destra estendida em sua direção, logo batendo em suas vestes para tirar a poeira que havia grudado ali na queda. — Ué, você não é o moço daquele dia? Que estava no refeitório da universidade?

— Eu? — Hoseok encenou surpresa. — Ah, mas é claro, você é o garoto que salvou a flor do meu melhor amigo.

— Isso! Nossa, achei que nunca mais veria vocês.

— Seoul é pequena, nossa universidade menor ainda. Mas também podemos chamar isso de destino, acaso, fruto dos planos divinos, ou qualquer sinônimo que preferir.

— É, pode ser, não sabia que estudava nesse bloco.

— Tirando o fato de que vocês só se viram uma vez, é normal que não saiba mesmo. — Jeon grunhiu baixo, levando uma cotovelada de Hoseok.

— Jeongguk é uma graça, não é? érre ésse, érre ésse.

— Ah, o menino da flor perdida? — Ele lembrava-se levemente daquele rostinho infantil, mas ele parecia um pouco mais radiante. — Foi um prazer salvar sua gardenia, é a flor favorita do meu primo.

— Oh, então você tem um primo? — Hoseok olhou para o amigo moreno e deu uma piscadela. — Será que os dois estão solteiros, dispostos e disponíveis para sair na semana que vem? Para relaxar, sabe? Uma saída em entre amigos.

— Bom, meu primo está solteiro, mas eu já tenho um pretendente, desculpe, rapaz. Você pode tentar de novo quando não colocar o pé na minha frente para eu cair e falar comigo. — Jimin disse com um sorriso ainda simpático.

— Posso, pelo menos, saber qual é o seu nome? — Hoseok perguntou ao rapaz que já voltara a caminhar para o seu destino.

— Park Jimin. — Respondeu rapidamente.

— Me chamo Jung Hoseok.

— Tchau, Hoseok; tchau, Jungkook.

— É Jeongguk! — Corrigiu quando ele já estava longe. — Ele lembra mais de mim do que de você, tenho mais chances.

— Que amigo fura-olho! Vai voltar para o quarto e se masturbar! — Brincou antes de dar um tapinha no braço. — Qual matéria eletiva de matemática posso fazer cursando relações internacionais?

— Talvez algum da contabilidade. — Jeongguk respondeu para depois pensar no que ele estava pensando. — Espere um momento, você não vai desistir dele?

— Você viu aquele homem lindo? — Hoseok perguntou como se a pergunta fosse um absurdo. — Agora sei o nome dele, já posso stalkear na internet. Eu não vou desistir até, pelo menos, conseguir um beijo dele.

— Ele tem pretendente!

— Exatamente, não é ficante, nem namorado. É alguém que ele está interessado e pretende ter algo. Você precisa estudar mais português.

— E você matemática se quiser fazer alguma aula nesse bloco. — Jeongguk devolveu a provocação antes de rir da expressão irritada do amigo. — Qual é? É uma realidade. Não entendo o motivo da sua fissura a pessoas que te dispensam na primeira investida.

— Pessoas difíceis são mais divertidas.

— Só você deve achar engraçado tomar toco, viu?

— Nossa, Jeon, te conheci mais simpático. — O Jung tinha a mão no peito, simbolizando sua decepção. — E outra, faz tempo que eu não beijo bocas carnudas como a daquele garoto, os lábios deles clamam pelos meus assim como a bunda dele clama pelo meu p…

— Hoseok! — Jeongguk estava chocado. — Você não tem aula não?

— Ter tenho, só que mais tarde, agora eu tenho bolsa, mas faltam exatos… — Checou o relógio na tela de seu celular. — Vish, bicho, não falta nem um minuto, eu estou quase atrasado, a universidade vai cortar meu ganha pão se descobrir que eu me atraso sempre. Culpa sua!

— Culpa minha nada, você que fica falando e falando, além de dar em cima de quem não te quer e se atrasa. Eu, Jeon Jeongguk, não sou culpado por nadica de nada.

— Além de ferir meus sentimentos? É, você não tem culpa de nada mesmo. — Hoseok dramatizou. — Enfim, você me pega lá no bloco ou quer comer na lanchonete daqui?

— Na lanchonete que tem no bloco ao lado do seu, o salgado é mais barato. Você já viu o preço que está na daqui? Eu compro e pago com meus dois rins, teu fígado, as córneas do meu pai e o coração do meu vizinho. — Jeongguk parecia pensar. — Se bem que teu fígado não vale nada, do jeito que tu é cachaceiro. O meu vizinho deve ter uma pedra de gelo no lugar do coração porque ele é muito mal amado e meu pai, coitado, tem hipermetropia em um olho e miopia no outro. Viu? Não tenho nem como pagar com os órgãos alheios.

— Me respeita que eu sou teu hyung, só bebo socialmente.

— Socialmente você quer dizer toda vez que alguém passa com alguma bebiba alcoólica perto de você?

— Ei, isso foi só uma vez! E foi porque eu queria pegar o garoto.

— Você tem péssimas abordagens, Hoseok, Deus me dibre dessas tuas maluquices.

— Mas o importante é que deu certo, inclusive, saudades do Matthew, ele era um estrangeiro tão bonito, pena que foi deportado por porte ilegal de drogas. Ninguém mandou plantar ervinha suspeita na estufa da faculdade, não é mesmo?

— Você é hilário, hyung. — O mais novo riu. — Agora, vai, chispa, pega teu rumo que eu vou pegar o meu, tenho aula já já e não posso me atrasar.

— Vai me deixar falando só? Não te criei pra isso, Jeon Jeongguk.

— Ué, você não tinha que estar trabalhando na bolsa? Achei que tivesse.

— Ah, é verdade. — O mais velho sorriu amarelo, dando passadas para longe do seu dongsaeng. — Até mais tarde, Jeon.

O garoto riu, dando-se conta de que sequer tinham combinado o lugar em que se encontrariam, antes de se pronunciar.

— Até mais tarde, hyung.

 

- Enleios -

 

Jeongguk rolava a barra da janela de sua pesquisa na internet. O irritava pesquisar algo no computador da biblioteca, mas era necessário. Recolheu alguns livros sobre um assunto muito peculiar e espalhou pela mesa, deixando algumas páginas abertas enquanto anotava tudo em seu bloco de notas.

Gostaria de ser aluno de história ou talvez de literatura para conseguir entender toda essa loucura. Nesses momentos odiava não ser de humanas. Era horrível saber que os momentos histórias tinham análises e teorias diferentes para um só momento. Era um saco ter que comprovar algo e saber que havia muitas divergências.

Ser de humanas deve ser um saco, nada é preciso.

Leu mais um site e percebeu que ele usava o argumento do primeiro livro que conferiu, mas já tinha visto tantos textos diferentes com tantas versões que não sabia mais o que escolher.

— Parece que você está tendo trabalho aqui. — Jeongguk assustou-se com uma voz conhecida aproximando-se. Era o garoto que encontraram no corredor, o tal de Jimin. Não esperava que, depois daquele constrangimento em público, seria abordado tão cedo. — Parece focado. Pensei que as pessoas de exatas não lessem.

— Nós lemos, não tanto, mas acontece. — O moreno rapidamente fechou as abas da internet e olhou para o rapaz.

— Não precisa esconder que está pesquisando sobre prostituição. — Jimin disse antes de apontar para as páginas amarelas transgredidas pelo tempo e uso. — Fechar janelas não evita que eu veja os livros que pegou.

— Fui descoberto, isso é bastante constrangedor, sabia?

— Que nada, meu primo vive pesquisando sobre essas coisas. — Jimin então sentou-se na cadeira ao lado de Jeongguk. — Ontem mesmo estava pesquisando sobre os descendentes das famílias de padres, sabe? Descobrir como eles conseguiam quebrar o voto de castidade e como não eram punidos por isso. Maluquinho.

— Eu quem estou ficando maluco com tantos livros.

— O problema de humanas é o enorme número de teorias de uma coisa só. — Jimin comentou de tal forma que Jeongguk percebeu que não seguia aquele rumo. Quando viu o livro sobre ervas medicinais, se perguntou se ele era um homem natural que não confia em remédios ou se estudava biologia. — Não é como exatas que tudo é comprovado e não muda. Mas sabe qual é a vantagem deles? Eles têm escolha, logo se você não concorda com uma teoria, basta correr para outra a qual você acha mais adequada. Se não encontrar nada, você pode discordar de tudo. É lindo.

— Então, eu simplesmente aceito a teoria que achar que tem mais sentido?

— Exatamente. Claro que, como percebeu, todos eles têm algo incomum, mas abordagens e modos de ver são completamente diferentes. Taehyung vive jogando isso na minha cara.

— Taehyung é seu primo?

— Sim, por quê?

— É um nome bonito. — Comentou como se lembrasse daquele nome de algum lugar.

— Bom, ele é completamente bonito. Nome, rosto, personalidade. Meu primo é perfeito. Um dia posso apresentar vocês dois já que o seu amigo quer tanto uma saída “entre amigos”. — Fez as aspas no ar com os dedos pequenos.

— Eu agradeceria mesmo não sendo necessário. Eu não tenho intenção de me relacionar, mas parece que Hoseok gostou mesmo de você. — Jeongguk disse antes de fechar alguns dos livros para ficar apenas com um.

— Me sinto lisonjeado. Um dia marcamos. — Ele disse antes de colocar o cotovelo em cima do livro que pegara. — Está estudando o que?

— Você não deveria estar estudando também?

— Não, só estou aqui esperando o Taehyung mesmo. Como você está aqui, prefiro muito mais conversar do que estudar, então vamos falar. — Jimin disse com um sorriso no rosto.

— Signo de ar?

— Libriano.

— Logo vi. — Jeongguk riu antes de olhar a capa vermelha do livro escolhido. — Acho que você se daria bem com o Hoseok.

— Nosso signo combina?

— Aquário, outro signo de ar.

— Qual curso você faz? Não pensei que pessoas de humanas se interessavam por signos. Prostituição é mais fácil. — Jeongguk não tinha nem um pouco de descanso. Quando não estava sendo zoado por Hoseok, a vida mandava outra pessoa.

— Faço física e já recebo piadinhas o suficiente por acreditar em astrologia. — Jeongguk bufou entristecido.

— Não liga, as pessoas que te zoam sabem que você é mais inteligente do que elas, então tentam te diminuir para se sentirem melhores. — Jimin afirmou antes de puxar o livro.

— Eu estou estudando sobre a prostituição por causa de… um filme que eu vi. Queria saber a época, uma data, talvez. — Jeongguk respondeu.

— E descobriu?

— Século XIX.

— Nesta época a prostituição era bem forte e bastante comum. — Jimin disse ainda olhando para o livro. — É engraçado porque as pessoas abominavam essa prática, mas elas eram constantemente procuradas e ganhavam bastante dinheiro, principalmente se fossem ricas e talentosas. Muitas delas se tornavam amantes e por isso as pessoas duvidam até hoje dos artistas. Acham que todos ficam famosos com a beleza e um sexo com o chefe. Um preconceito, logicamente, mas ficou tão internalizado que existe até hoje.

— Você parece entender bastante do assunto. Você é um estudante de literatura que gosta de ervas medicinais e fica rodeando o bloco de exatas? — Perguntou, rindo juntamente com o rapaz.

— Estudo biologia, mas meu primo estuda artes. Logo ele tem um pezinho muito forte na literatura, e ele ama. — Jimin comentou enquanto folheava as páginas. — Como gosto de conversar, falamos muito do que conversamos. Sem contar que já li um artigo dele que comparava um quadro francês aos poemas de um tal de Baudelaire. Então sei bastante do assunto.

— Então acho que você é salvação da minha pesquisa.

— Creio que ele seja a salvação da sua pesquisa. Ele deve chegar daqui há duas horas, pode esperar?

— Pior que não, tenho aula, mas você já é de grande ajuda. — Jeongguk queria muito desvendar aquele sonho, então tudo o que pudesse descobrir, descobriria. — Existia prostitutos, do sexo masculino, naquela época?

— Lógico que sim, eram bem raros porque eles eram pouco procurados. Os homens queriam mulheres e, bom, mulheres não procuravam muitos cabarés, então os homens eram poucos encontrados no ramo. — Jimin explicava como se fosse especialista. — Quando tinham, eram delicados, magros, tratados para serem o mais próximo de uma mulher, só que com o pau entre as pernas.

— Entendo, então eram poucas pessoas que procuravam homens.

— Em geral, outros homens, geralmente aqueles que escondiam a verdadeira sexualidade. Meu primo estudou sobre isso já que Baudelaire era apaixonado por lésbicas, e Taehyung é apaixonado neste autor. Deveria ler os poemas dele, talvez abram sua mente nesse assunto.

— Obrigado por isso, foi de grande ajuda.

— Mas por que esse interesse todo, posso saber? — Assim que Jimin perguntou, viu o corpo de Jeon se comprimir enquanto suas bochechas tornaram-se vermelhas. — Tudo bem, não precisa dizer. A menos que não vá abrir um puteiro com tema do século XIX, eu posso viver com minha curiosidade.

— Obrigado. — Jeongguk disse antes de levantar-se da mesa. — E eu não farei isso.

Após um sorriso de despedida, Jeongguk procurou por um livro do autor o qual Jimin mencionara torcendo para que tivesse uma versão coreana, já que a maioria estava no original em francês. Comemorou após encontrar um exemplar, alugou o livro e deixou a biblioteca tentando criar foco para sua próxima aula do dia.


Notas Finais


Desculpem, gente, eu amo o Baudelaire assim como o Taehyung. Todas as fanfics ele aparece, nér? Sério, eu recomendo os poemas desse cara. São maravilhosos. E é verdade, Baudelaire era viciado em prostitutos e lésbicas, os poemas dele falam isso. Lindo, não?
Aguardem o próximo, eu juro que essa fanfic vai ser linda.
Beijos de um viciado em TaeKook e escravo de SoonHoon,
Nahu

P.s: cacta aqui só pra dizer que vocês deviam ir prestando atenção nos sonhos e nos sentimentos deles, os capítulos futuros dependem deles e vem bastante surpresinha por aí.

xoxo, see you~


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