História Énouement - Capítulo 5


Escrita por: ~

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Categorias Neo Culture Technology (NCT)
Personagens Personagens Originais, Taeyong, Ten
Tags Adulto, Angst, Citrus, Conto Gay, Drama, Hiperativo, Lemon, Mistério, Nct, Nct U, Poética, Reflexão, Romance, Seinen, Taeten, Taeyong, Ten, Tenyong, Triste, Universo Alternativo, Yaoi
Visualizações 24
Palavras 3.752
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Ecchi, Famí­lia, Fantasia, Ficção, Lemon, Mistério, Musical (Songfic), Poesias, Romance e Novela, Seinen, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Shoujo-Ai, Shounen, Suspense, Terror e Horror, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Suicídio, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá, quanto tempo! Como vão? Espero que bem.

Bom, ao que parece nossa história já está quase chegando ao fim. Embora não tenha arrecadado o número de visualizações que esperava - isso porque sempre estamos otimistas ao escrever algo - agradeço as poucas pessoas que tenham a favoritado ou comentado. ♥

Tenham uma ótima leitura.

Capítulo 5 - Mova-se


Quando Ahrim acordou naquela manhã a primeira coisa que fez foi pegar no  telefone. Ela era apenas alguns anos mais nova que Taeyong e parecia não ser da família. Tinha um corpo avantajado que provavelmente não havia sido herdado da mãe. Morava com o namorado e tinha acabado de ser aceita na faculdade. Vinha sendo uma filha exemplar se Seondeok, bem como o irmão do meio, não tivesse mergulhado na depressão para reparar nisso com certeza estaria orgulhosa da prole caçula. Além disso, o pai já havia arrumado uma nova vida com a nova esposa e supostamente uma outra filha para substituí-la.

Aos poucos, Lee Ah Rim aprendeu que viveria sozinha pelo resto da vida.

Estava próxima da janela do quarto apenas com uma calcinha rendada de cor preta e uma camiseta social para tapar os seios redondos e grandes. Tinha um cigarro atravessado no dedo e cuidava para que o rapaz adormecido na cama logo aos fundos não sentisse o forte aroma do tabaco. Tragava e assoprava logo não poupando um longo suspiro de discrepância ao decorrer do acontecimento. Observava a rua, os prédios e logo depois voltava novamente ao namorado:

— Taeyong? - Chamou baixo segredando o nome do irmão. Aguardou cerca de cinco minutos até escutar a notificação da caixa postal noticiá-la respirando com mais altura ao notar a ausência do irmão mais velho. Desligou o telefone e colocou-se contra a beirada da cama onde retomou o pensamento das horas e os minutos. Eram dez da manhã e poderia ocorrer de o irmão ter dormido tarde. Encostou as costas contra os lençóis e sentiu o companheiro se mexer:

— Caixa postal outra vez? - Indagou bêbado de sono. A menor fez um sinal positivo e num salto, se levantou puxando a calça e outras roupas para se vestir. Quando alcançou a cozinha, escovou os cabelos com a mão e enrolou para trás de forma despojada. Ahrim poderia ser uma modelo, diversas vezes havia escutado:

— Ahrim. O que você vai fazer? - Berrou novamente o namorado descendo as escadas para acompanhá-la. Com o efeito da luz da manhã entrando pela janela e refletindo contra as vidraria exposta no armário da dispensa, a cueca samba canção de cetim preto parecia aquecer fazendo para que cuidasse com os movimentos.  — Hoje estamos de folga! - Exclamou forçando a vista para enxergar o relógio do micro-ondas.

Um sorriso dúbio então coloriu os lábios da jovem moça:

— Evitarei um suicídio.

 

[...]

 

Taeyang caminhava pela rua com a modesta pasta de pacientes abaixo de um dos braços e ajeitava os óculos escuros a cada cinco minutos que parava para ver as horas. Ao contrário da irmã caçula, ele era o tipo de homem que acordava as quatro da matina para iniciar o próprio ritual; Daqueles que possuem o objetivo certeiro de arrancar suspiros e logicamente, atrair suas vítimas noturnas. Sempre odiou a característica de mulherengo quando lhe era atribuída sempre defendendo-se com a simples argumentação de ser um homem profundamente admirador do público feminino. Seu cabelo, olhos e corpo. Tudo estava meticulosamente medido para matar.

Antes mesmo de se arrumar para ir trabalhar, começava o dia ingerindo duas gemas e comendo dois legumes. Tomava um longo banho e media os fios capilares torcendo para que não tivessem passado do cumprimento. Estava sendo mais narcisista como um dia foi na adolescência e embora fosse algo perigoso de dedicar, não ligava para segundas opiniões. No fim daquele dia queria apenas estar com o consultório lucrando com pessoas de problemas chatos e um corpo nu de uma mulher que assistiu tomar um drink num bar na sua cama. Gostava de manter sua posição de solteiro convicto.

Desembarcando dentro da sala onde costumava-se arrumar o divã e as revistas, recebeu uma ligação da irmã e de fato não precisou perguntar. A causa era óbvia demais:

— O que Taeyong fez agora? - A voz era grossa e desembargada. Tinha traços nítidos de desconforto. De todos, Taeyag já estava cansado de viver o mesmo drama. — Não, acabei de chegar ao trabalho. - Os olhos inspecionavam o relógio do pulso. — Chega, Ahrim. Eu não vou. Se ele quer se matar, que se mate. Dane-se. - E desligou.

Quando virou-se para trás, sua secretária estava com um olhar perplexo ao pulso. Mas disse nada apenas dando entrada pedindo para que ficasse calmo. Taeyang ao contrário, ficou nervoso e precisou se sentar para que assim recobrasse a postura. Embora quisesse ser distante, Yang sabia que não conseguiria ir longe muito por tempo.

 

[...]

 

Ao o calor do sol queimar a pele da bochecha, Taeyong ergueu os braços e alongou os músculos olhando para o céu respirando com demora. O corpo não doía e muito menos parecia conter danos e marcas. Se entreolhou até perceber que Ten não estava por perto. Seria possível que o rapaz tivesse ido embora enquanto dormia? Não interessava, estava contente no final das contas. Tocou a própria cabeça como se certificasse que não sangrava. Na memória gravada na noite passada, sua mente havia se chocado contra a superfície e induzindo-o ao sono. Foi à maneira mais dolorosa, pensou, mas não havia do que reclamar ao acordar tão bem.

Com um suspiro vago desceu as escadas ainda nu sentindo as raízes do dia banharem a pele. Ele estava todo arranhado e sorria por tamanho resultado. Passava as mãos descendo pela linha do peito magro e fazia o contorno do último arranhão resgatando o tom levemente avermelhado que havia carimbado. Num sorriso tocou o próprio membro vendo o líquido espermático ainda brilhar soltando o pequeno fio contra o ar. Puxou a cueca e as calças para se vestir, conferindo o relógio vendo que ainda era antes do meio-dia. Levantou a camiseta aspirando-a não sentindo nenhum odor comum como a que Ten exalava e muito menos o perfume horrível daquele lugar.

Concluiu quando estava para sair que a corda poderia ficar por ali.

A rua mal parecia ter gente. O fotógrafo cuidava para não parecer chamativo, mas não deixava também contudo, exprimir que estava feliz  e satisfeito. Se seus sonhos desencadearam uma linha tênue da inconsciência ao mundo real, garantido reconhecer aquele rapaz e ainda por cima, dado uma noite como aquelas de presente. Desejaria nunca mais acordar. Se tudo que dentro dele foi depressão, da tristeza insurgiu-lhe o paraíso.

Gostaria de dormir e sonhar todo o tempo, o tempo todo.

Não demorou para encontrar o carro novamente. Estava intacto com exceção de uma grossa camada viva de pétalas a contornarem toda a tintura preta. Passou a mão por cima afastando algumas e ergueu o rosto para encarar a árvore que a guardava. Surpreso, conferiu que apenas existiam galhos retorcidos e pelados como no outono ou inverno. Estranhando que este acaso ainda ocorresse com a primavera em Seoul, torceu o nariz e checou a temperatura no celular; Faziam vinte e dois graus, mas não havia compreensão de calor. Os verões eram ardentes, mas as primaveras também compunham o sol tardio para fazerem as pessoas suarem.

Mesmo que houvesse luz, não existia calor.

Puxou a porta e sentou-se para dirigir. O carro estava mudamente cruzando novamente as avenidas e a frequência do rádio estava parada em uma estação de música clássica como tipicamente às vezes gostava de apreciar. O violoncelo contornava em sua companhia, a cidade e o violino davam pequenas partidas de uma monótona melodia do cotidiano. Os homens que desciam as janelas dos automóveis, estiravam braços longos com cigarros gastos e queimados contra o ar. As cinzas constantemente sujam o asfalto da rua no entanto, raras vezes era percebido e considerado como uma degradação urbana. Como Taeyong não costumava fumar nesses horários, manteve-se trancado com os vidros para cima.

Na sua cabeça o nome de Ten corria como um metrônomo; Procurava experimentar a pronúncia mais vezes, lembrando-se da sua voz ao falar e ditar seu nome. A ponta de excitação crescia, mas estava ponderado o suficiente e lúcido para não parar. O rosto do outro aparecia como um filtro de filme e seus olhos sempre pareciam correr em direção alheia para que fitasse. Os lábios secavam e mesmo dando continuidade à trajetória, ele poderia perceber que suas veias aos poucos se apertavam.

Estava agora percebendo que a sua realidade era muito diferente com a identidade criada diante do desconhecido. Voltando ao normal, Lee sentia-se literalmente cansado e doente.

Estacionou o carro e percebeu um barulho de panelas tilintar para o lado de dentro da sua casa. O coração disparou fazendo com que cuidasse ao máximo para não bater a tranca do carro posteriormente caminhando suavemente para a própria porta. A mesma estivera entreaberta apenas encaixando o espaço de seus olhos para enxergar quem estava lá dentro.

Cabelos negros voavam e o corpo era ligeiro em desviar dos móveis para alcançar os outros cômodos. A pele branca idêntica a sua o fez respirar aliviado, adentrando o lugar parando no acesso da cozinha com um pequeno sorriso puxado no rosto:

— Ahrim. Você não trabalha hoje? - O timbre rouco e grosso da voz fez a moça saltar alojando a mão amparada ao peito. A respiração descompassada fez com que as pupilas dilatassem de susto. Aos poucos quando regularizava a postura, puxava os dentes caninos com raiva gesticulando exageradamente com a mão direita:

— Você quer me matar?! – Sem necessidade de respostas, a mesma tornou a concluir o que desejava apoderando do fogão enquanto assistia o outro sentar-se a mesa. Tae estava silencioso como sempre então ela, não se importaria de dar o primeiro passo a conversa.

— Onde esteve? Liguei hoje cedo e você não me atendeu. – Timidamente, ela enxugava as mãos contra o avental e acompanhava o irmão numa amistosa xícara de chá.

— Passei a noite fora com um amigo. – Respondeu simples ao sorver a primeira quantidade. Só naquele momento percebeu que seus olhos estavam aprofundados e as mãos lentamente tremiam. Não havia tomado a medicação desde a saída do hospital.

— Não sabia que gostava de passar a noite fora. Enfim, fiquei preocupada. Parece cansado.

— Conversamos a noite toda. Acho que dormirei um pouco mais tarde. – Mentiu tamborilando cada dedo na bancada. A refeição havia ficado pronta logo em seguida, deixando o cheiro de legumes cozidos e massa enfastiarem a casa. Os dois eram mais próximos na infância; Ahrim sempre fora uma flor a ser cuidada e Taeyong por mais incrível que pudesse parecer, também era cuidadoso, carinhoso e bondoso. Um exímio jardineiro.

Os problemas só começaram quando tentou se matar pela primeira vez. Era verão e grande parte da família havia saído para passar o final de semana na praia. Seus pais ainda não eram separados, mas estavam num árduo processo de brigas e agressões constantes. Ahrim ainda pequena com seus cabelos longos e medonhos de coloração escura, Taeyang que era o mesmo adolescente robusto e o filho do meio, ainda muito franzino. Os três brincavam na areia com a bola de vôlei até o momento de um saque muito forte do irmão mais velho, desviar a trajetória do brinquedo e mandá-la para trás das pedras. Como não havia se movido muito, Yong se ofereceu a buscar e caminhando contra o chão sentindo o vento salgado bater contra o corpo, uma forte necessidade de chorar cresceu.

Não tinha motivos, mas mesmo assim o desejo parecia ser algo realmente importante. Cruzou dois pedregulhos escuros e empurrou um mineral pequeno que se unia numa concha. Ao avistar a bola num pequeno acesso de água, o tal saltou entre as figuras e se agachou para abraçar a peça e novamente voltar. Moveu um pé e sentiu as pálpebras tremularem contendo lágrimas pesadas e insaciáveis. Os lábios se abriram como se perdesse o ar então virando os ombros para assistir as marés corrigirem o oceano. O imerso azul o atraia como um imã dando passadas leves e lentas com os pés.

Aos poucos adentrou no mar e abriu os braços. Com o choro vindo, o mesmo deitou na primeira faixa salina e permitiu-se ser levado. A compensação de minutos depois foi o corpo ter sido perdido no infinito deixando a família começar a se perguntar sobre seu paradeiro. Taeyong na época não sabia nadar então, quando abriu os olhos e não reconheceu o lugar, pensou na possibilidade de estar perdido. Exasperado, começou a mover os braços de forma imoderada – com arcos amplos e ângulos incalculáveis de cotovelos - e em pouco tempo de desespero, já estava engolindo grandes porções da água.

Na terra, Yang lembrava-se que enxergou o movimento se expandir e a bola que os pertencia a rolar profusamente no meio. Num grito gutural havia chamado o salva-vidas e corrido jardas para procurar algum objeto que auxiliasse o salvamento. Foi à primeira oportunidade que encarou o perigo e no bolsão aquático, Taeyong enxergava o fim. Foi salvo minutos depois de desaparecer com a cabeça por baixo do oceano, mas não sentia também agradecido pelo bom gesto.

Desde então, ele queria já ter se entregado a morte. Já que ela mesma o dava oportunidades que deveriam serem aproveitadas, não desperdiçadas com o humanitarismo que desde menino não acreditava ter na sociedade.

Foi naquele dia inclusive, que enxergou a irmã chorar com a franja reta e lisa no meio do rosto e as mãos desproporcionais a tocarem seu peito. Após o salvamento, ele gostaria de dizer desculpas sempre que lembrava e naquele instante de bebericar o líquido quente, não fez diferente:

— Desculpe. – A voz parava engasgada. Quando soltou a asa do objeto por cima do pires, os olhos negros pararam acima da imagem da boca meio aberta da jovem. Ela empurrara o chá com ambas às mãos tentando sorrir:

— Está tudo bem. Você não pensa em fazer mais isso, não é, Tae? – Ahrim tinha o condicionamento de uma princesa. O mais velho fez um breve sinal negativo com o rosto ajudando-a ao decorrer do almoço todo a manter um assunto. Trocaram farpas, riram, despejavam o baú de lembranças, falou sobre a mãe e ele explicou tudo sobre a atual desavença com o primogênito. Tudo andava de acordo com um roteiro que Lee desconhecia, mas parecia ler e atuar muito bem. Não lembrava-se de rir em casa  tão sincero desde que havia abandonado o tratamento. Seu psicólogo uma vez relatou que poderia ser sinais de que estava propenso a melhorar. Pois então, continuaria.

Até o riso começar a se tornar uma ação forçada de sua parte.

Quando largaram os hashis contra o guardanapo, o rapaz se ofereceu a lavar a louça e a irmã continuou mais um tempo enrolando para checar se estava tudo bem. Viu que o carro estava pelo lado de fora da casa e lhe atribuiu um olhar extremamente severo às condições. Em resposta, o coreano apenas movimento os ombros. Estava vivo, isso importava.

Cinco da tarde foi o horário exato o qual ela se despediu com um abraço e um beijo rubro na bochecha do irmão; O namorado havia telefonado informando que iria sair e ela, precisava acompanhá-lo numa festa de parentes. Taeyong observou o diálogo rápido apenas de relance invejando o sorriso da menina e como a maneira que se dirigia ao companheiro. Era educada e ameaçadora, dominante e totalmente passiva em determinadas frases. Aquilo era incrível, pensava.

Trancando a porta, tratou de relaxar os braços e subir novamente para ir ao banheiro. Ligou a luz e fitou-se demoradamente contra o espelho. A postura estava inclinada e as sombras dos dedos na pia ficavam rosadas de irritação. Subsequentemente, o mesmo retirou as roupas atirando-as contra um cesto, rente a seu quadril, e puxou o remédio disposto dentro do armário para ingerir um comprimido. Adentrou o box com cuidado e ligou a água quente. O corpo parecia emitir espasmos fazendo com que apoiasse ambas as mãos contra a parede e permitisse que a ducha aquecesse a nuca.

A memória da noite passada vinha novamente em imagens pausadas, sempre dando focos as expressões do desconhecido. Observava como haviam mudado drasticamente a relação de um estranho à pessoas que se atraíssem e como o desfecho do capítulo havia sido dado. Taeyong inevitavelmente então fitou o próprio membro e viu algo cintilar de sua ponta, retirando o excesso com o dedo testando a elasticidade ao unir indicador e maior com o esperma. Na conclusão, lavou a mão, passou o sabão pelo corpo e se enxaguou.

Precisou abrir o vidro da cabine para puxar a toalha e estirando lentamente a face para fora do cubículo, sentiu uma brisa fria envolver-lhe os braços. Obviamente, contraiu o corpo pela diferença de temperaturas e saiu para se secar enrolando-se imediatamente ao entorno da superfície aveludada. Quando saiu do box pós puxar a água e fechou para se virar para porta, viu um reflexo borrar o espelho; Um desmanche no vidro abafado fez-se desenhar um único número. Nele, Yong não se fez de desentendido logo interpretando dezoito, como um número simbólico. O frio do cômodo também havia sumido fazendo-se presentes apenas o abafado e a alta umidade instaurada.

O susto parecia ter acelerado o batimento cardíaco, mas já estava se passando conforme desviava o rumo dos pensamentos. Trocado, conferiu se o disjuntor do banheiro estava intacto e seguiu o caminho para a terceira porta do corredor que dava em seu quarto.

A cama não estava arrumada, pois um dia antes quando dormiu não havia se compensado a ajeitá-la. Os lençóis estavam soltos e a cobertada em tom vinho, estava chutada para o lado com o travesseiro invertido para a diagonal do colchão. Acabou sentando-se no silêncio bem na ponta, pegando o controle e apontando na direção da televisão de tubo que parava esquecida na lateral do quarto. A luz azul cobria-lhe o corpo  e poucas vezes fazia com que elevasse a mão para coçar o olho. Relaxado, não tinha um canal preferido então optou por assistir o noticiário.

Seoul era uma capital como outras na Ásia – em exceção da Irmã do Norte -, livre de incidentes criminais. O máximo que poderiam assistir, era apenas acidentes causados por cálculos errados ou de vizinhos que não se simpatizavam. Tudo não tinha grandes repercussões, se não fosse o caso já taxado de normal como, o suicídio de adolescentes em pressão escolar ou que não conseguiam simplesmente se sair bem numa prova importantíssima para a construção do próprio futuro.

Aquilo também o alertava que jamais havia ocorrido em sua mente, de se matar por um vermelho no boletim. Ele mesmo no colegial era bastante elogiado pelo engajamento e compromisso com as tarefas.

Algo então interrompeu o fluxo de seus pensamentos.

O dedo apertou no botão para que aumentasse o som e se levantou da cama num pulo quando fitou uma foto de Ten estampar o visor. Uma imagem três por quatro de uma carteirinha de estudante. Parecia não ter uma qualidade HD no entanto, o desenho fácil estava idêntico. Sua face era reta e séria, exibindo uma franja um pouco mais grossa e descuidada de quando havia sonhado e conversado com ele. Os lábios estavam colados um no outro como se segredasse algo e a camiseta que vestia era branca com um botão preto preso no pescoço. Não tinha óculos e nem mesmo um arranhão sequer na pele das bochechas e do queixo ainda privado de pelos.

Quando Taeyong arregalou os olhos ao letreiro que logo vinha abaixo, destacando todo o conteúdo da reportagem, sentiu a pele do flanco esfriar e cada uma de suas artérias se fecharem de apreensão.

“Investigação do assassinato a um estudante tailandês de 18 anos continua sem solução.”

Cerrou as pálpebras e ficou por um longo momento com a respiração presa para meditação. As mãos escorregaram contra o próprio couro cabeludo puxando os fios longos para trás. Quando tornou a ter atenção ao âncora do jornal, os olhos tinham duas pedras de areia lançando um derramamento silencioso. A tristeza se veio e a moleza também. O antidepressivo já estaria fazendo seus efeitos quando nem o peso dos próprios dedos estava sentindo mais.

“Um caso havia sido registrado de um assassinato próximo ao distrito de Jamsil há dois meses, envolvendo um aluno intercambista da Tailândia e um homem até então desconhecido. Chittaphon Leechaiyapornkul, mais conhecido como Ten pelos familiares e amigos, estava provavelmente desacompanhado quando aconteceu o crime. Os familiares estavam esperando o rapaz para comemorar a graduação em um restaurante localizado no centro do distrito quando notificaram não terem visto mais notícias do garoto. O segundo departamento de Seoul tem trabalhado desde então na busca do corpo e também do suposto criminoso. Concluindo ser o segundo mês sem nenhum resultado aparente, estão pensando na possibilidade de arquivarem o caso. A família no entanto, protesta querendo respostas e muito provavelmente também buscarão contato com a polícia local da cidade natal. O caso vem gerado...”

Não concluindo com a notícia, Taeyong sentiu as pernas enfraquecerem dobrando os joelhos sob o assoalho. A garganta exalava soluços baixos com as novas informações. O movimento dos pés não pareciam se dissiparem, encostando as costas na cama fitando a pintura da parede sem palavras para dizer. As mãos estavam unidas cerrando a boca agora deixando a mente mecanicamente trabalhar enfraquecidas para executar cálculos.

Dois meses desaparecido.

Prisioneiro de suas próprias reflexões, o freelancer começou a se indagar da possibilidade de tudo aquilo que havia vivido, fossem um sinal. Os olhos reinavam contra o material do quarto e repousaram na televisão novamente. Se Ten não estivesse vivo, como teria sido possível tocá-lo? Acariciá-lo e o beijado? Como? Simplesmente, como assim?

Ao fechar novamente os olhos sentiu um bramido retumbar de seu interior e um enjôo repentino brincar imprevisivelmente com seu estômago. A boca tremia com o âmago e soltou novamente mais lágrimas coesivas dos olhos que geravam um grito estrondoso de dentro de si. Quando se levantou num único ímpeto, foi diretamente para o corredor pegando quadros para quebrar e alguns vasos de porcelana para se encontrarem com o carpete. Encarou o rastro de destruição mantendo-se imóvel no final, quase próximo ao acesso das escadas. A lâmpada que iluminava a rua e atingia a janela mais alta da casa, lançava o facho frouxo contra metade do rosto deixando uma longínqua parcela de escuridão e brilho incandescente irradiar seus próprios olhos.

Sentindo os primeiros traços do sono, tentou se equilibrar no corrimão da escada para procurar as chaves do carro. Não seria ali que dormiria depois de saber da notícia e muito menos na casa da mãe. Taeyong naquela altura, não sabia mais a qual lugar pertencia. Na melhor manobra que seus estímulos cerebrais foram capazes de produzir, só havia um lugar para onde poderia descansar e possivelmente, encontrar respostas.

De volta a casa.


Notas Finais


E é isso.
Até a próxima!


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