História Então ela disse - Capítulo 2


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Terminada Não
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Lírica, Romance e Novela

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Espero que gostem!

Capítulo 2 - E você vai deixar por isso mesmo?


"Onde você estava?!" Fui surpreendido pelo questionamento de uma Ananda descabelada e chorosa, melhor dizendo desesperada, assim que entrei em nossa sala.

Iria responde-la com desdém, dizendo que não devia tanta satisfação quanto ela achava que merecia, porém me lembrei de sua ligação e de minha promessa quebrada. "Tive uma... Emergência." Falei, porém soou mais como uma pergunta que uma afirmação.

"Não!" Bradou Ananda. "O que "teve" é que você me deixou sozinha para resolver meu problema!"

Está é Ananda.

Ananda é uma morena de altura mediana e olhos verdes em meio aos seus vinte anos. Formada em Design Gráfico, mas parece que a lenda da compra de diploma é verídica. Ananda é uma filhinha de papai mimada que por influência do mesmo conseguiu um bom cargo na empresa, porém mais atrapalha que trabalha; além de ser extremamente ansiosa e ter um descontrole emocional cômico, para não dizer trágico.

Ananda não consegue fazer nada direito e cabe a Rafael, seu estagiário, vulgo narrador-personagem, além de trabalhar por si, fazer o mesmo por Ananda.

Parabéns, Ananda. Espero que um dia você descubra, da melhor forma possível, que o dinheiro do seu "paizinho" nem tudo pode comprar e que isso a faça amadurecer.

Franzi o cenho.

"Você está se ouvindo?" Questionei com uma risadinha sarcástica e instintiva.

Enquanto Ananda bradava seu problema, que não era tão grande assim e que, inclusive, eu já tinha uma solução, me encostei sobre o batente da minha mesa e encarando meus dedos entrelaçados pensei em Olivia, pois não importava no que eu estivesse fazendo; seja caminhando na rua ou no elevador da empresa, conversando sobre algum trabalho com o setor de publicidade ou aqui, vendo Ananda ser Ananda, Olivia ia e vinha na minha mente como ondas, uma insistência do meu cérebro em não esquece-la dizendo seu nome e sumindo atrás da porta de ferro. Porém, dessa vez, não repreendi o devaneio, deixei fluir e me permiti ser capturado por ela. Sua voz, seus lábios, o nariz fino e arrebitado, os olhos castanhos e avermelhados pelo choro, os grandes cílios, os cabelos escuros e volumosos que adornavam o rosto negro.

Olivia.

A porta se abriu e Ananda se calou logo me fuzilando com o olhar. "Ananda, querida." Flávia entrou na sala com o bom humor mais falso que nariz de artista pop brasileira. "Que sapatos maravilhosos, você arrasa sempre!" Elogiou parando ao meu lado. "Posso pegar o farofa emprestado rapidinho?" Pediu e antes que ouvisse a resposta me puxou para fora da sala deixando Ananda fervendo de ódio. "Vaca." Flávia praguejou assim que fechou a porta.

Esta é Flávia.

Flávia é a pessoa mais amável, mais espontânea, engraçada e agoniada que eu já conheci na vida. Ela é o motivo pelo qual essa empresa ainda prossegue apesar dos pesares. Ela é inspiração para os dias, o tipo de pessoa que te acolhe sem esperar algo em troca. O tipo de pessoa que se sente, que se quer ter ao lado. Henrique, seu noivo, é um dos homens mais sortudos que já tive o prazer de conhecer. Essa morena com sotaque alagoano é um presente.

Ri de leve e começamos a caminhar pelo corredor. "Obrigada" disse em um tom debochado.

"Como você aguenta essa cobra, farofa?! Misericórdia!" Flávia exclamou enquanto entravamos em sua sala. "Quer chocolate?" Questionou indo até sua máquina já pegando duas xícaras.

"Sempre bom." Respondi enquanto sentava-me em uma de suas cadeiras.

"Ainda não consigo me conformar que você não é meu estagiário. Já fiz de tudo, mas parece que você vendeu a alma para o diabo." Exclamou encarando a primeira xícara encher.

"Deus sabe de todas as coisas." Disse enquanto desbloqueava a tela do celular para então bloqueá-la novamente. "Talvez seja para ser, mas de escape tenho você."

Ela riu de leve. "Besta." Disse me entregando uma xícara de chocolate quente pronto. "Queria ter a paz que você tem. Essa mulher me tira do sério." Confessou.

"Relaxe, você atua bem." Respondi e rimos.

Sua xícara ficou pronta e Flávia encostou-se na batente da mesa. Soprou o líquido quente e bebericou. Me encarou a encarando e franziu a testa. "O que deu em você?" Questionou.

"Hã? Que?" A verdade é que eu estava viajando mesmo.

"Rafael Martins." Pronunciou meu nome desconfiada.

"Dos Santos Figueiredo." Completei dando de ombros.

"Quer me contar alguma coisa?" Inquiriu.

"Não." Franzi o cenho.

"Porque não?" Perguntou agressiva "Porque está me escondendo as coisas agora? Quem é essa piriguete?"

Eu ri.

Na verdade, eu ri muito.

"Do que você está falando, criatura?"

"Esse riso bobo aí, essas brisada louca que você está dando. Isso só pode ser mulher!" Explicou. "Eu tenho sete irmãos mais velhos e incontáveis primos, sei quando um homem tá arriado os quatro pneus e o estepe por um rabo de saia."

"Eita sotaque gostoso." Brinquei.

"Fala logo, Rafa!" Choramingou. "Farofa!" Exclamou, fazendo rir por sua ansiedade.

"Ok, ok." Respire fundo. "Tem uma garota."

Flávia comemorou como um strike.

"And..." As vezes ela tenta um inglês, o que acho engraçado.

"And... Mais nada. " Sorri de canto com um risinho nasal. "Eu a conheci a algumas horas atrás e, bem, eu sei o nome dela e onde "supostamente" ela mora." Flávia franziu o cenho e me encarou como se esperasse mais a ser dito. "Não escondo mais nada, é só isso que eu sei."

"Cara, você é péssimo." Disse balançando negativamente o rosto.

"Pelo menos eu não gaguejei e sai de fininho." Alfinetei.

"Em defesa do Henrique eu estava apontando uma faca pra ele e fui totalmente agressiva." Defendeu o noivo.

Dei de ombros.

"Fale-me mais dela." Pediu.

"Ela é linda." Comecei. "Sei que é clichê, mas dane-se, eu acho. Eu não sei bem como aconteceu, mas parece que... Parece que ela foi enviada, praticamente arremessada para mim. Não sei explicar."

"Também, né? Nessa história de esperar em Deus, Deus só faltou por um letreiro em cima da cabeça da garota." Provocou.

"Flávia, shhh." Pedi.

"Sorry."

Contei toda a história para Flávia. Contei que não iria contar a ela porque parecia que falar faria desgastar o que eu estava sentindo, mas não. Não parecia estúpido, parecia real. Verbalizar me trazia mais detalhes do que o que eu pensava.

Então ela disse:

"E você vai deixar por isso mesmo?"


Notas Finais


Até a próxima!


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