História Enterre-me... - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Categorias The GazettE
Personagens Aoi, Kai, Reita, Ruki, Uruha
Tags Aoi, Aoiha, Bury, Drama, Enterre-me, Gazette, Kai, Kill, Kou, Kouyou, Reita, Ruki, Shiroyama, Takashima, The, Uruha, Yaoi, Yuu
Visualizações 75
Palavras 3.130
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Lemon, Lírica, Musical (Songfic), Poesias, Romance e Novela, Shonen-Ai, Universo Alternativo, Violência, Visual Novel, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá, meus amores! Consegui cumprir o prazo de uma semana e vir aqui postar o capítulo novo para vocês. Espero que eu continue assim S2 Porém, já vou deixar claro alguns pontos: eu estou enfrentando alguns problemas sérios de saúde (perdoem-me, mas não cobiço expor quais são) e familiares, então estou tendo muitos problemas aqui para conseguir respondê-las logo. Ademais, está difícil também para digitar, tanto que acho que vou começar a depender de uma amiga que mora na cidade para digitar para mim. Só precisava expor isso para já deixar explícito qualquer possível atraso nas respostas e na postagem de cada capítulo. Espero que compreendam e me perdoem mesmo por tudo, mas minha vida não está nada fácil... Não estou sabendo lidar muito com essas notícias bruscas. Sem mais enrolação...

Boa Leitura!
Desculpem os erros'

Capítulo 2 - Cinza: Apatia


Fanfic / Fanfiction Enterre-me... - Capítulo 2 - Cinza: Apatia

Três anos após a morte de Kouyou e eu permaneço aqui, sozinho. Inumei todos os meus sentimentos e todas as minhas convicções bem fundo em uma cova dentro de meu cerne. Para mim já não importa nada, ninguém e nenhuma emoção, portanto, não há ensejos para almejar nutri-los. Lagrimar não irá trazê-lo de volta e não me atrelará a ele, logo, não há qualquer pretexto para atentar-me às cores e aos sentimentos outra vez.

Estou bem vivendo com minha apatia.

O cinza que visto nas roupas.

Nutro na alma.

Ainda assim, há aqueles que ponderam que estou mal depois do incidente. Não estou, é tão abstruso crer nisso? Estou ótimo. Impecavelmente bem. Aceito o fato de que sou o homicida do Kouyou e, por isso, não há motivos para compungir-me. Vai por mim, nenhum assassino arrepende-se legitimamente do que comete ou pranteia em lamento à vítima. Não lamentarei, arrepender-me-ei ou prantearei pelo Kou. Não adiantará nada e eu, fielmente, não cobiço isso.

Expõem que deve-se admitir a alma partir quando alguém falece.

É precisamente isso o que estou fazendo.

Estou correto.

Kouyou feneceu, então tem de serenar em placidez. Simples assim. Choramingar pelos cantos e gritar o nome dele: é o que almejam que eu faça? Ora, por favor... Como as pessoas são tolas. É óbvio que jamais cometerei isso, porquanto enterrei todos os meus sentimentos, não sinto mais nada. Nada. Definitivamente coisa nenhuma. Todavia, os amigos que fiz com Kouyou atinam que preciso lamentar e desabafar toda minha dor, já que nunca lagrimei pela morte dele. Não necessito disso, estou bem assim.

Por que todos persistem a falar e falar sem sobrestar?

Admiti Kou ir, então deixem-me em paz.

Cada gente aporrinhadora.

- Então, Yuu... – avocou-me Takanori, um garoto baixinho e que semelhava mais novo do que era. Lourinho e sempre crendo-se como o dono da razão. Honestamente, não damo-nos bem, sobretudo depois que Kou morreu, já que eles eram muito ligados na amizade. – Fará o quê à tarde?

- Irei para casa sossegar. – redargui secamente, fumando meu cigarro. Jazíamos sentados à mesa rotunda de um bar e Akira, o namorado de Takanori, sopesava-me de forma frígida e calculista. Atino que arriscava apreender o que incidia em minha reflexão. Bobagem e perda de tempo, isso sim.

- Então... – Takanori semicerrou os olhos para mim. – Não visitará mesmo a sepultura do Kou? Hoje faz três anos da morte dele, então devia, ao menos, levar um buquê de flores.

- Kou não era chegado a flores e por que gastarei meu dinheiro em pétalas que logo murcharão sozinhas? Tolice, Taka. – contrapus, expelindo a fumaça enquanto encrespavam o cenho para mim. – Tenho coisas mais importantes para gastar meu dinheiro do que em rosas a um finado, que nem me agradecerá por elas.

- É assim que fala dele? – exasperou-se Takanori. Suspirei porque, francamente, ele irritava-se pelo ínfimo. Eu não estava errado em minha alocução, ora. – E dizia amá-lo? Por favor! – riu petulante. – Você é um estúpido! Arrogante! Frio e insensível! Como Kou pôde amar alguém como você?

- Articule o que almejar, Taka, só não grite. Estão todos olhando de forma azucrinante. – dei de ombros, ignorando as injúrias e a tentativa de afronta dele.

- Yuu, por favor, escute-nos. – solicitou-me Akira sereno, embora visse como as mãos dele vibravam. – Nunca visitou a sepultura dele depois daquele dia e ainda tornou-se esse cara frio. Anseio crer que está em choque pelo ocorrido e que não consegue aceitar o fato de que Kou morreu. Desejamos acreditar que age assim para não machucar-se, mas está cada vez mais difícil.

- Ajo assim porque é assim que sempre fui. Não mudei, Akira. – menearam a cabeça negativamente para mim. Ah, como enfastiavam-me. – Não estou em choque e já aceitei o fato de que ele morreu. Pronto. Fim. Acabou. Não ficarei deprimido e pranteando pelos cantos.

- Não é isso o que cobiçamos que faça! – Takanori esputava os vocábulos em cima de mim, os quais eu buscava ignorar. – Queremos que olhe em nossos olhos e diga-nos que sente a ausência dele! Que visitá-lo machuca-te densamente! Que carece de nosso auxílio, droga! – sorri atrevido, mitigando meu cigarro no cinzeiro da mesa. Foi aí que ele ergueu-se com odiosidade. – Pare de cinismo! Seja mais humano e esboce algum sentimento, seu monstro insensível!

- Taka, pare...! – deprecou Akira, igualmente levantando-se da poltrona. Computava regressivamente para ir embora, porque aqueles gritos eram fastidiosos. Nem fúria sentia deles. – Yuu não precisa que gritemos com ele—

- Ah, precisa sim! – bateu o pé, teimoso demais. Apontou o dedo para mim e cruzei meus braços, esperando para ver até onde aquele nanico iria. – Escute-me bem: tento acudir-te desde que o Kou morreu! Todos nós tentamos, porque sofremos e choramos com a morte dele e com seu coma! Porém, tem hora que percebo que nosso esforço contigo é tempo perdido!

- Olha só, demorou a intuir isso, não acha? – ri satírico e Akira necessitou segurar o namorado, antes que ele voejasse em cima de mim. Eu estava estremecendo de temor. Nossa, “morrendo” de medo. – Estou perfeitamente bem com a morte dele, então deixe-me em paz, Taka. E controle seu namorado, Akira, porque não desejo precisar defender-me e machucá-lo.

- Seu cinismo incomoda-nos, Yuu. – foi a vez de Akira articular secamente comigo e Takanori já abocanhava a mão direita para impedir mais gritos. – Taka pode estar errado em gritar contigo, contudo, é melhor ficar longe dele. Se machucá-lo, revidarei e aí sim você chorará.

- Fascinante sua ameaça, mas não tenho medo de vocês. – alcei-me da cadeira e, após abrir minha carteira, retirei duas notas e atirei-as em cima da mesa para saldar minha parte na conta. – Se anseiam visitar a lápide do Kou, fiquem à vontade. Divirtam-se e gastem seus dinheiros com algo que jamais chegará a ele. Só, por favor, parem de encher meu saco.

- Queria arrebentar-te, Yuu. – Takanori cruzou os braços, enquanto seus olhos fuzilavam-me. – Queria ver-te sofrer, mas no fundo creio que já sofre demais com a culpa. Por isso tornou-se esse cretino que é hoje, já que não era assim quando conhecemo-nos. Desejo amparar-te, porém, se não precisa de nosso subsídio porque está “bem”, então lavo minhas mãos para ti.

- Era tudo o que ansiava ouvir, Taka. – ele cerrou seus olhos e respirou denso, como se calculasse até mil para não voar em cima de mim. Akira suspirou.

- Yuu, não almejamos espaçar-te ou perder-te... – não cobiçava mais conversa, então, enquanto Akira articulava, passava por eles para ir embora. Foi aí que ele elevou o tom de voz comigo. – Então não esqueça-se de que estamos aqui para socorrer-te quando carecer, quando almejar chorar... Demore o tempo que demorar.

Ouvi tanto, quando, na verdade, não almejava ter ouvido nada. Aqueles dois não consentiam-me nunca fumar meu cigarro em paz, então caminhei para fora do bar, abandonando-os ali. Se estavam irados comigo? Talvez, entretanto, não importava-me nem um pouco. Estava correto e eles sabiam disso. Não havia ensejos para visitar a lápide do Kou e muito menos levar flores. Por favor, tenho mais o que fazer.

Deixem-me viver com o cinza de minhas roupas e alma.

Se não gostam de minha apatia, então movam-se daqui.

Se sou uma teratologia, não ande comigo.

A apatia cinza é minha amiga.

Cheguei à casa extenuado de toda aquela gritaria sem sentido com Takanori. Não recordo ao certo como conhecemo-nos, tampouco como dávamo-nos bem na época em que Kouyou era vivo. Sei que Akira estava sempre unido a ele, protegendo-o de todos os outros, ainda que eu sempre cresse que, pela teimosia, Takanori não carecesse de proteção. Ou talvez necessitasse descomedidamente, porquanto não aguentaria o tranco se alguém decidisse surrá-lo pela insolência aporrinhadora.

Deitei-me em meu sofá da sala e pus um braço em cima de meu rosto, visando cochilar um pouco. Precisava de sossego e paz naquele dia azucrinante, além de olvidar-me daquele tinido no ouvido que os gritos de Takanori acarretaram-me. Necessitava encostar meus olhos para espaçar o olhar calculista de Akira de cima de mim. Carecia de quietude, todavia, senti uma respiração distinta bater em minha face e, com um movimento ínfimo, resvalei meu braço suavemente para cima, revelando um de meus olhos.

Cri que estava só.

Enganei-me.

Se Kouyou estava morto...

Quem era aquele “Kouyou” que via acima de mim?

Trajando vestes coloridas demais e obstruindo meu sono?

- Bom dia, Yuu! – sorriu, bem como meu Kou fazia quando vivo. Retirei meu braço de meu rosto, porém, minha expressão apática não demudou-se. Prossegui a fitar os olhos dele, enquanto buscava alguma aclaração para aquilo ali. – Ei, responda-me!

- Bom dia. – repliquei pirrônico, franzindo delicadamente o cenho. – Ah, entendi... Adormeci sem perceber e isso é um devaneio.

- Na verdade, está desperto. Sabe disso. – ergueu-se do sofá e eu sentei-me, analisando-o minuciosamente. – Sei que sabe.

- Esclarecedor. – suspirei, induzindo uma mão à cabeça. – Como se já não bastasse a gritaria daqueles dois, estou delirando.

- Que rude titular-me de frenesi, sendo que sou autêntico demais para você. – ele sentou-se no sofá e tocou meu rosto. Sua mão não era quente, mas também não era frígida. O toque era concreto, porém, eu compreendia que ele não era fidedigno. – Você é gris demais, Yuu. Não é mais o mesmo de antes, por isso estou aqui.

- Tem a mesma aparência do Kou, voz e sorriso, todavia, veste-se com roupas coloridas demais, não há calor em si e sei que não é o Kouyou verdadeiro. – arredei a mão dele e aquela quimera chateou-se. – Que droga é você?

- Nunca...! – golpeou-me com a almofada, contudo, não alterei minha expressão cética. – Nunca mais apelide-me de “droga”! – irritou-se, erguendo-se do sofá e marchando para lá e para cá em minha sala de estar. – Você jamais avocaria o verdadeiro de “droga”, então não titule-me assim, estúpido! Yuu babaca!

- Hoje é dia dos ultrajes, por acaso? Contraíram-me de Cristo ou o quê? – suspirei. Ninguém merecia ouvir mais gritos, ainda mais vindos de uma ilusão. Icei-me do sofá. – Legal, Kou Colorido. O que você é?

- Seus sentimentos, idiota. – contrapôs-me, cruzando os braços e vergando os lábios. Semelhava aborrecido e eu nada compreendi. – Devia ter extinguido as emoções, não as enterrado no cantinho de sua alma. Agora fui personificado na efígie daquele que fez-te abster-se dos sentimentos.

Era muita filosofia e psicose para minha cabeça enfadada, então ignorei-o, passando por aquele Kouyou fantasioso e indo à cozinha. Necessitava beber algo para ficar ébrio, porque aí poderia alucinar sem problemas. Ele veio atrás, articulando muitas coisas que eu tentava ignorar sem impetrar sucesso. Virei-me e intuí algo díspar: as cores das roupas dele variavam conforme os sentimentos que esboçava.

Prevalecia a emoção que ele sentia no momento.

No caso, vestia o violeta.

Creio que constituía sanha.

- Exponha-me, Kou Colorido... – encetei, rindo de canto, satírico. – Como não estou pirado? Se você é o epítome dos sentimentos que descartei e apresenta a forma de quem amei, então como não estou insano por ver-te e discorrer contigo? Até mesmo tocar-me você pôde.

- Yuu Cinzento, jamais proferi que você não está louco. – mostrou a língua para mim e eu dei de ombros. – Só apresentei-me, ora. Todas as emoções que encarcerou em si instituíram-me. Tudo o que pondera não sentir, eu sinto. Sou seus sentimentos em outro corpo.

- Bela filosofia. – debochei. – Pena que nunca fui muito fã de filosofar.

- Você é muito chato, viu? – passou as mãos nos cabelos e, após um tempo, arremessou o copo da pia ao chão. As cores em seus trajes variavam a cada instante, entretanto, eu estava amolado com o copo que ele estilhaçara. – Antes possuía todas as cores em si! Todos os sentimentos! Agora virou esse cretino que só veste o cinza apático e não demonstra qualquer emoção ou reação! Como você é chato!

- Está certo, articule o que ambicionar. – adquiri uma vassoura e estendi-a a ele. – Porém, antes dê um jeito na bagunça que fez aqui. Não sei como consegue tocar nas coisas, mas espero que saiba como manejar uma vassoura para limpar os cacos.

- Imbecil. – golpeou minha mão, fazendo a vassoura voar. Suspirei. Como ele era maçante. Como emoções são chatas. – Sentimentos movem o mundo e contém força, então deveria tomar cuidado com eles antes de provocá-los ou tentar excluí-los de sua vida.

- Não temo um devaneio, Kouyou Colorido. – apanhei a vassoura e encetei a limpar os cacos. Ele sentou-se na pia e fitou-me intensa e aguerridamente. – Deseja injuriar-me de mais alguma coisa?

- Não. – contrapôs abespinhado. – Anseio auxiliar-te. Salvar-te. Desejo tornar a ser um contigo, Yuu. – cessei o que perpetrava para encará-lo. – Eu deveria viver dentro de ti, não fora. Você deu-me vida—

- Então deveria ser grato por ela. – obstruí e ele cerrou seus olhos, respirando com certo aborrecimento.

- Não deveria estar aqui fora, mas sim dentro de ti. – explanou. – Pode parecer apático agora, Yuu, contudo, ainda contém sentimentos. Estou aqui e isso é sua prova. Só você pode ver-me e ouvir-me, porque sou fruto de tudo o que buscou sepultar.

- Certo, entendo. – volvi a limpar os cacos, inteiramente desinteressado no que ele narrava. – Assumamos que fracassei em enterrar-te completamente e, por isso, está aqui. Agora descreva-me: como faço para você, minha demência, esvaecer?

- Cobiça-me morto? – sorriu, saltando da pia. – Então traga-me de volta para dentro de si. Incorpore-me novamente. Nossos objetivos são iguais, Yuu: você anseia-me fora de suas vistas e eu almejo regressar para dentro de ti. Por isso, pelejarei para que vá adquirindo um por um dos sentimentos, até que retorne a ser como antes.

- Então aspira que suas cores, as emoções, volvam para mim? – ri cínico. – Pensando bem, só fique em silêncio. Não desejo que os sentimentos recuem, já que estou bem desse modo cético.

- Não está! – gritou e eu tapei meus ouvidos. – Todos os porta-retratos de sua casa estão com as fotos viradas para baixo! As fotos que Kouyou e você estão juntos! Obviamente não está bem com a morte dele! Basta olhar para mim! Eu tenho a forma daquele que amou! Carrego os sentimentos infelizes que não deseja de volta! – encetou a soluçar. – Transporto toda a sua dor, seu egocêntrico...! Tome-as de volta para si, Yuu...! Esses sentimentos dolentes e puros são seus, então não rejeite-os assim...! Não resigne-me assim...!

- Não, obrigado. – arremessei os cacos de vidro na lixeira. – Se almeja lagrimar por mim, então lagrime. Sofra. Não cobiço mais recordar-me dele ou sentir todo esse pesar. Fique vivo, Kou Colorido, contudo, não perturbe-me e não peça-me para adquirir as emoções de volta.

- Cinza... É tudo o que restou em ti e que não há em mim. – asseou as lágrimas, fitando o teto e arriscando apaziguar os soluços. – Imaginei mesmo que não me acolheria de volta para dentro de si, então carecerei de fazer-te rememorar-se das coisas que passou com ele... Terei de recorrer para que contraia as emoções de volta. Custe o que custar, retrocederei para dentro de seu coração, Yuu.

- Boa sorte, todavia, não lamente quando compreender que jamais conseguirá. Você irá, eternamente, falhar, porque é tão-somente minha quimera, meu delírio. Nada além disso. – ele encobriu o rosto e volveu a prantear. O azul era a cor que dominava nas roupas naquele momento. – O cinza é a melhor cor agora.

- E quanto ao preto...? – indagou-me manhoso.

Não contrapus. Passei por ele e subi a escadaria de meu domicílio, trancando-me em meu aposento. Inexplicavelmente, ele não veio atrás de mim e achei mesmo que tudo não passara-se de um frenesi momentâneo, um sonho quando desperto.

Entretanto, ouvia-o lagrimar em minha sala...

Da mesma forma como Kou fazia quando brigávamos.

Ele não costumava vir atrás de mim.

Aleitei-me em minha cama e fitei o teto de meu dormitório. Estava bem com o gris, com a apatia. Não importava-me em ser uma teratologia, tampouco almejava recordar-me das coisas que passei com Kouyou, porquanto eu sabia... Compreendia que adquiriria as emoções de volta – as cores que execrava. Não desejava sentir aquela constrição no coração e aquele nó na garganta que senti quando beijei-o naquela noite pela derradeira vez. Estava bem sem nada sentir... Estou bem... Não anseio rememorar-me de mais nada. Já bastava Akira e Takanori, agora eu estava sendo vítima de meus próprios sentimentos.

Aqueles que busquei enterrar com todas as forças, uma vez que não ansiei inumar Kouyou.

Sepultei as cores, inclusive o preto.

Não cobiço recordar-me.

Ouvindo os prantos e a cólera que o garoto sentia em minha sala, fechei meus olhos e ajuizei nas cores tônicas das roupagens daquele Kouyou Colorido: preto, amarelo, roxo, laranja, rosa, vermelho, marrom, verde, branco e azul. Todos os matizes deviam ter uma acepção, um sentimento díspar, todavia, não desejava desvendar qual era qual e não ambicionava-os de volta. O cinza estava primíssimo para mim e era só o que bastava.

Porém, toda aquela persistência por parte de Akira e Takanori, além das palavras daquele Kouyou em minha sala, repercutia e corria por minha mente de forma dolente. Desejavam que eu relembrasse-me de Kou? Que lagrimasse por ele? Não anseio, contudo, as insistências deles incomodavam-me tanto. Tanto! Só desejava ficar em paz, entretanto, incomodava-me todas aquelas pirraças. Incomodava-me muito.

Espere um minuto...

Estou incomodado? Incomodado?

O incômodo é um sentimento...

Ah, droga... Preciso adormecer urgentemente para deslembrar-me disso. Vai ver, se eu dormir e descansar minha cabeça cansada, tudo suma e regresse a ficar cinza e apático por completo. Não desejo essa cor adoentada para mim, essa nuança rancorosa e lívida. Feia. Incômoda. Esse cambiante amarelado...

O mundo gris que eu mirava agora continha os objetos amarelos realçados.

Atraíam muito minha vigilância e incomodavam-me.

Sobretudo porque os soluços de Kou em minha sala acresciam.

Sempre execrei vê-lo ou ouvi-lo lagrimar por minha causa ou por qualquer outro motivo. Ininterruptamente busquei por secar as lágrimas de Kou e aninhá-lo em meus braços, proferindo que tudo estava bem. Sempre ansiei acalmá-lo e mostrá-lo que amava-o... Todavia... Que... Droga! Contraí meu travesseiro e aloquei-o em meu rosto, abafando um grito que ascendeu-me à garganta.

Não cobiço cores ou sentimentos!

Não desejo nada!

Cinza... É só isso o que contenho!

Chega. Para mim, chega! Dormirei e aniquilarei tudo isso de mim novamente. Já enterrei as nuanças uma vez e posso fazer de novo, agora em uma cova mais funda. Não irei, jamais, relembrar-me das coisas que vivi junto com Kouyou – sejam elas boas ou ruins. Não almejo recordar-me dele e sentir esse incômodo em meu peito, então adormecerei e me trancarei, momentaneamente, em mim mesmo. É aqui que jazerei seguro e bem. É cá que apresentarei paz, como sempre fora, porque é fechando meus olhos que posso localizar-me com o preto e imaginá-lo como ele era.

Anseia destruir-me, Kou...?

Porque sonhei com sua voz doce a segredar-me:

“Enterre-me, Yuu...”

No entanto, não posso inumar-te... Não posso, Kou.

Detenham de incomodar-me.

Por favor.


Notas Finais


Falei do preto (amor) no primeiro capítulo e do cinza (apatia) nesse segundo. A partir de agora, vocês terão contato com as lembranças do Yuu com o Kou e com as emoções e suas respectivas cores. E sim, eu amo filosofia e tive de deixar algo um tanto filosófico aqui. Ou seja, não olhem o "Kou Colorido" como uma mera alucinação, mas como uma metáfora para as nossas emoções e como elas podem nos atingir de díspares modos. Também queria saber: quais as definições de cada cor de vocês? Falem-me conforme os capítulos foram rolando, sim? O que cinza significa para vocês?

O que acharam do cap? Comentem! \o/ Novamente, já peço adiantado perdão caso eu atrase algum capítulo ou resposta, viu? Mas irei respondê-las sempre sim e o mais rápido que eu puder! Mesmo que me doa essa fic (como sempre) irei encerrá-la para vocês e espero que me acompanhem e gostem S2 Obrigada por tudo! Semana que vem, se tudo der certo, posto o próximo!

Kissus! *3*


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