História Enterre-me... - Capítulo 8


Escrita por: ~

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Categorias The GazettE
Personagens Aoi, Kai, Reita, Ruki, Uruha
Tags Aoi, Aoiha, Bury, Drama, Enterre-me, Gazette, Kai, Kill, Kou, Kouyou, Reita, Ruki, Shiroyama, Takashima, The, Uruha, Yaoi, Yuu
Exibições 9
Palavras 3.617
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Lemon, Lírica, Musical (Songfic), Poesias, Romance e Novela, Shonen-Ai, Universo Alternativo, Violência, Visual Novel, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Hi, babys! Oitavo capítulo, significa que restam apenas quatro para finalizar esta dolorosa fic. Fico mesmo muito feliz de estar conseguindo terminá-la, todavia, devo expor algo: recebi uma notícia muito ruim sobre minha saúde, então fiquei bem mal essa semana a ponto de ter uma crise de ansiedade muito forte e um belo surto. O que eu quero dizer com isso: machuquei-me e está complicado digitar. Estou dependendo de uma amiga para me ajudar, então não creio que eu vá atrasar os próximos capítulos, porém, se isso acontecer, queria que já estivessem avisadas, ok? s2

Boa Leitura!
Desculpem os erros'

Capítulo 8 - Marrom: Aceitação


Fanfic / Fanfiction Enterre-me... - Capítulo 8 - Marrom: Aceitação

Pois bem, depois de ter permanecido em observação no hospital da praia por quase uma semana inteira, finalmente apresentei alta e os meninos me levaram para casa. Quando digo “casa” refiro-me mesmo ao meu domicílio autêntico, não mais à estalagem à beira-mar. Como volvi a ser mais franco sobre o que estava sentido, abri-me com eles ao proferir que a praia não me fazia bem, porquanto as lembranças que eu ali continha com Kouyou debulhavam-me.

Eles sorriram com minha lisura e se desculparam.

Sem pestanejar, induziram-me para casa e me deram atenção até demais.

Embora eu tenha dito que aspiro acolher as quatro cores que ainda restam no corpo de meu Kou fantasioso, admito que estou tentando controlar minhas emoções que regressaram para dentro de mim e prevenir que elas apartem as portas para o azul e o branco. O marrom era a nuança que, aparentemente, eu já estava adotando – afinal, marrom denota aceitação e eu, como pronunciei que perpetraria, estava principiando a aceitar a partida de Kouyou.

O verde me parecia bem agradável, contudo, por alguma razão incerta, eu ainda não conseguia abiscoitá-lo e nem sabia sua legítima acepção – conquanto arriscasse desvendar olhando os modos como minha doidice atuava quando possuída pelo verde. Só apreendia que o branco e o azul eram gradações que deixavam meu desvairo muito mal, fazendo-o lamentar e se deprimir cada vez que elas tomavam conta de quase todo seu corpo – sobretudo agora que estava perdendo o marrom para mim.

Ver alguém com somente três nuanças, três emoções, fez-me refletir:

Se já é ruim para os outros observarem uma pessoa com tão poucas emoções...

O quão ruim era para os meninos me verem com o cinza apático que eu me recusava a ceder?

Agora que estou um pouco mais racional e emotivo – o que é muito bizarro acoplar termos como “razão” e “emoção” no mesmo contexto, fazendo com que se unam harmônica e positivamente –, vejo como, desde sempre, fui o errado da história ao tentar inumar tudo e me tornar um ser indolente e insensível. Fui inerme ao evadir-me de mim mesmo, de minhas próprias emoções e dores. Por mais que eu guerreasse com meus amigos, eles sempre estiveram certos.

Eu tinha de expor que sofria pela ausência que Kou me fazia, pois debulhava-me.

Incomodava, enraivecia, dava saudade, inveja, mágoa e pretensão de fenecer, contudo...

Era necessário reaver tudo isso, todas as dores, e aceitar.

Ele se foi e não vai regressar. No entanto, mesmo que eu esteja disposto a aceitar tal ideia, admito que não consigo me velar da culpa em ponderar que o eliminei, afinal, gostando ou não, eu sabia que ele feneceria e não tentei impedir. Também não consigo deixá-lo ir de dentro de mim, conquanto devesse permitir que a alma dele serenasse em paz. Persisto a pronunciar que não, eu não posso enterrar Kou. Isso não... Isso eu não consigo. Conforme ajuízo nessa possibilidade, lágrimas fluem dos olhos de minha insensatez em forma de Kouyou e o branco e o azul mesclam-se.

Definitivamente, não almejo essas duas cores de volta.

Não ainda.

Talvez jamais as deseje outra vez.

Portanto, pouco a pouco, o marrom regressava a mim e eu encetava a aceitar toda a conjuntura em que fui o responsável pelo final trágico. Ainda assim, não estava preparado para dialogar com Kou por meio de orações, muito menos visitar o túmulo dele e levar-lhe flores. Agora eu só me concentrava em aceitar tudo e sorrir novamente, afinal, depois do sucedido com meu rubro, creio que adquiri o preto inconscientemente outra vez e, por isso, sabia o que era ficar feliz e gracejar novamente com os amigos.

Sou grato a eles por jamais abdicarem de mim.

- E aí? Como você está, Yuu? – Akira indagou-me naquela madrugada um tanto frígida e sombria, dias após o incidente. Tínhamos bebido bastante e demos muitas risadas por coisas banais, no entanto, exclusivamente Akira e eu ficamos firmes em pé, enquanto Takanori, Ishihara e Yutaka adormeceram no sofá e chão de minha sala de estar. – Ébrio?

- Alterado, mas não completamente ébrio. – sorri quando ele me estendeu mais uma lata de cerveja que, prontamente, aceitei para acompanhá-lo em mais uma rodada. – E você? Ainda resistindo?

- Pois é, estou quase no mesmo nível que você. – Akira riu, abrindo sua lata e sentando-se no sofá. Takanori, ainda repousando, deitou sua cabeça no colo do namorado e teve seus cabelos ameigados pelos dedos dele. Ishihara e Yutaka estavam aleitados no chão, um sob o outro e, por isso, discorríamos baixo para não despertá-los. – Aliás, faz tempo que não te vejo bêbado, Yuu.

- Depois que Kou morreu, não consegui mais ficar alterado assim. É muito estranho. – comentei e Akira emudeceu-se momentaneamente. Atino que os sentimentos estão ligados com outras coisas, exemplo: a bebida realça certas emoções, contudo, se você não possui nenhuma emoção, não há nada para avivar. Não há efeito colateral. – E creio que hoje vocês vão passar a noite aqui, não? Taka desmaiou aí no seu colo e os dois ali no chão.

- É, se você acha que vai conseguir acordá-los e expulsá-los daqui agora, melhor desistir e rir da ressaca deles amanhã de manhã. – não debelamos nossas altivas risadas, entretanto, também ninguém despertara: tão embriagados aqueles garotos encontravam-se que o mundo podia ruir e eles não despertariam. – Não posso rir, porque apesar de não estar caindo no sono, sei que amanhã estarei péssimo e morrendo de enxaqueca.

- Então, uma solução simples: não durma e mantenha-se ébrio. Isso evita a ressaca, Akira. – rimos mais ainda, como se a manhã jamais fosse abordar. Minha sala estava tetra e somente a luz da cozinha jazia acesa, o que impedia o recinto de ficar completamente penumbroso. – Tudo bem, creio que estou alterado dessa vez...!

- Eu tenho certeza disso! – escarnecemos e dialogamos sobre coisas tolas, porém, sem maneirar o tom de voz. Ninguém despertava: dormiam como pedras. A enxaqueca ao amanhecer seria grave e generalizada ali. Eu só ambicionava que ninguém resolvesse regurgitar no meu tapete. – Aliás, Yuu, recorda-se daquele nosso acampamento de verão na mata do morro, próximo da escola?

- Ah... – como eu poderia me deslembrar daquele dia. – Recordo-me sim. Você e Taka fugiram do alojamento e Kou e eu fomos procurá-los, só que nos perdemos no meio da floresta naquela noite.

- Bons tempos... – rimos nostálgicos. – Os docentes desejavam nos assar vivos naquela fogueira ao ar livre, lembra-se?

- Claro. Nem sei como escapamos quase incólumes do incidente. – aquele fora um dia bem memorado e marcado para mim, porque, por mais perdidos que Kou e eu estávamos, semelhávamos tranquilos em meio à escuridão ignota. – Marrom, verde e preto...

Confidenciei para mim mesmo as nuanças que se fizeram presentes naquela noite estrelada. É fato de que o branco das estrelas não me era muito admirável, contudo, quando junto com o negro do firmamento, o preto e branco ficava pulcro. Perdidos no meio da mata, às margens de um rio escuro e embaixo de uma grande árvore, Kou e eu jazíamos deitados e abraçados, uma vez que a brisa frígida daquele matagal eriçava-nos...

Isso ocorreu dois meses depois da morte da irmã dele...

*

“Não, ele não havia superado ainda todo o vermelho.

Atino que é abstruso superar a morte de um ente querido em tão escasso tempo, sobretudo quando a extinção fora por meio de um suicídio horripilante e aquele que arriscava superar fora quem deparara-se com o corpo. Kouyou não estava bem ainda. Mal comia, dormia ou mesmo articulava. Se aquilo me incomodava? Óbvio que sim. Se me irritava? Claro que não. Na verdade, vê-lo de uma forma deprimida, porém, serena, apaziguava-me.

Ele não estava bem e eu sabia disso.

Todavia, também não estava a ponto de se debulhar totalmente.

Kou sempre vinha a mim e, sem nada proferir, deitava-se em meu colo e se retraía. Encostava seus olhos quando eu acarinhava seus cabelos e nada pronunciava. Não havia nada o que expor no momento, porquanto eu sabia que ele só necessitava ficar quieto um pouco – elucubrando no silêncio de sua reflexão e estando comigo, aquele que ele amava. Portanto, naquela noite em que nos perdemos, isso não foi díspar.

Ou melhor, fora um pouco sim.

Ele abriu um sorriso pueril, que há tempos não via.

- Yuu... Você está com frio, não está? – atino que as pontas de meus dedos estavam gélidas, visto que era a única extremidade de meu corpo que jazia em contato com o vento frígido, já que eu alisava os cabelos de cobre dele.

- Um pouco, mas não tanto quanto você, que está encolhido assim. – abracei-o com mais força, permitindo que nossos corpos trocassem calor e tentasse nos esquentar. – Onde será que o Taka e o Akira se meteram?

- Onde será que nós nos metemos, Yuu? – eis uma ótima inquirição que ele me perpetrara, o que nos rendeu algumas risadas. – Ferrou... Como vamos retornar para o alojamento?

- Aguarde amanhecer e veremos como... – suspirei com minha própria réplica simples. O mais interessante da história toda é que não jazíamos nem um pouco irrequietos com o fato de estarmos perdidos numa mata escura. Creio que aquela escuridão nos abrandava, pois era nossa felicidade. – Melhor dormir um pouco, Kou. Precisa descansar.

- E se um animal selvagem vier nos atacar? – senti o tom de deboche na voz dele e, portanto, sorri com escárnio.

- Creio que sou mais ferino do que qualquer outro animal daqui, então devia ter medo de mim. Porém, se houver algum pior, aí te jogo na frente e corro.

- Yuu, eu te odeio. – o revide dele fora tão seco, que não debelei minha risada altiva. Kou me deu um tapa, gracejando junto comigo. – Você é muito bobo.

- Ser um jogral é minha cátedra, Kou. Se dessa forma posso te fazer sorrir, então é assim que serei. – ele aninhou-se mais em meus braços e fechou seus olhos, sorrindo de forma meiga. – Sobretudo depois de tudo o que ocorreu... Sinto muito não ter cumprido a promessa e evitado que tudo ultimasse do modo como findou.

- Sabe, ainda que eu te odeie pelas piadinhas, amo muito quando você me diz essas coisas. – reabriu seus olhos e alçou seu rosto para me fitar. – Mas também te acho muito burro por se culpar por algo que não foi sua culpa, Yuu. Se estivéssemos no carro e um caminhão colidisse conosco, procedendo na minha morte, sentir-se-ia culpado, mesmo sabendo que o motorista do caminhão era o ilícito?

- Claro que sim... – meu coração fora triturado naquele momento. Por que aquela suposição semelhava tão fidedigna, sendo que não havia incidido? Era porque ainda não havia sucedido. – Você morrer dentro do meu carro... Comigo dirigindo... Mesmo o erro sendo de outro, jamais me perdoaria por te consentir falecer. Não te permitirei morrer, então cessemos de ajuizar nisso.

- Mas se isso adviesse mesmo, Yuu... – Kou estendeu sua mão gélida para acarinhar minha face. – Teria de se perdoar, não se culpar. Sabe, não te culpo pela morte de minha irmã, assim como não me culpo. Tentamos ajudá-la, todavia, infelizmente não deu. Estou deprimido, mas não me sinto culpado... Estou até mesmo feliz em saber que tentamos salvá-la até o fim.

- Você é alguém para ser admirado, Kou. Aceitar tudo isso é abstruso, mas está aceitando. – sempre atinei que ele era um humano caricioso demais, ainda que tivesse suas falhas. Aceitar a morte da consanguínea e não se culpar por nada... Contemplava-o, pois era algo que eu não abiscoitava perpetrar. Não consigo. – Estou orgulhoso de ti.

- É um pouco intricado, mas é o correto a se fazer e, recuando à minha hipótese... – Deus, como execrava refletir naquelas presunções horripilantes. Kouyou sempre retrocedia a elas e sempre desejava frisar alguns pontos. Nós ininterruptamente soubemos como tudo findaria. – Se isso advier, então não se culpe, Yuu. Não proferirei para não chorar pela minha morte, entretanto, também não anseio que se deprima ou que renegue o fato e a vida. Prometa-me, sim?

- Não mesmo, porque isso não ocorrerá. – era óbvio que iria incidir, só não sabíamos quando. Ainda não abrangi como antever o depauperamento pode ser possível e creio que não almejo compreender. – Agora te devolvo, Kou: e se fosse eu a morrer com você dirigindo? Conseguiria superar?

- Jamais poderei te dar esta réplica, pois sei que essa suposição sim é impossível de advir, até porque eu não dirijo e você não pode finar-se antes de mim. – tão claro como o rio de águas diáfanas quando alumiado pela luz do dia: Kou continha certeza de seu destino. Mais do que isso: ele aceitara. – Contudo, choraria muito.

- Não sei o que eu faria se você morresse, Kou. Não apresento a menor ideia.

- Você é forte, entretanto, tende a fugir de si mesmo e, por isso, estou aqui para te socorrer nos problemas. Sempre estarei presente contigo, ainda que não fisicamente. – riu quando minha expressão ficara séria e incomodada com o contexto. Acarinhou minha face outra vez e sorriu dilatado. – Sabe, Yuu, estou aceitando a vida como ela é: uma hora estamos aqui e, no minuto imediato, podemos não estar mais.

- Todavia, eu não consigo aceitar nada disso e sei que nada vai advir conosco, Kou.  – ele me conhecia tão bem que meu coração semelhava gorar batidas. – Somos jovens e temos uma vida toda pela frente... Isso se conseguirmos regressar para o alojamento ao amanhecer.

- Devo concordar com a última parte de sua asseveração. – rimos, contudo, nossas risadas não soaram tão alegres e descontraídas. Parecíamos abatidos, embora ele fosse o excepcional aceitando tudo. – Aliás, Yuu... Notou como o marrom dos troncos das árvores é mais formoso ao vivo do que em fotografias?

- Não entendi de onde abrolhou este assunto, Kou. – ele apresentava a maior facilidade para variar de tópico sem aviso prévio. – Mas creio que sim... Um pouco. Não gosto muito dessa cor.

- Eu até que gosto. Dá um ar de seriedade e aceitação no meu interior. – fechou seus olhos, sorrindo infantil. – O marrom se semelha um pouco com o preto. Estava arrazoando que essa nuança está presente nas árvores, porque é o modo de nos tornar mais sérios com relação ao mundo em que vivemos e aceitá-lo como ele é, ainda que seja imperfeito.

- Admito que gosto quando você principia a filosofar sobre os pormenores tão banais, aparentemente. – sim, eu amava aquilo em Kou. Fora ao lado dele que designei as acepções de minhas cores e congreguei os sentimentos às tonalidades. – Agora ficarei com esta definição em mente...

- Apresento o cobre nos meus cabelos, Yuu. É um tom proveniente do marrom, o que denota que, se algo advier comigo no futuro, então terá de aceitar. Pode não fazer muito sentido agora, mas fará depois.

- Nem agora e nem depois fará sentido, porque nada vai incidir. Não almejo que ocorra. Não vou aceitar, Kou. Não isso. – discorri com perseverança e ele suspirou.

- Pode diferir, mas a aceitação vem para todos de formas desiguais. É só aguardar, Yuu. – pela primeira vez depois da morte de sua irmã, enfim pude rever Kou adormecer em meus braços enquanto ultimava suas alocuções. – E, após a aceitação, germinam as folhas da esperança...

Adormeceu sem mais nada a proferir ou mesmo se atentar com a conjuntura em que nos deparávamos. Alcei meus olhos ao empíreo estrelado, enquanto ainda acarinhava os cabelos dele e o acalorava com meu corpo. ‘Você tende a fugir de si mesmo’: Kou nunca fora tão exato sobre mim em uma singular elocução. Ele continha razão, afinal, depois que faleceu, fugi de mim e de meus sentimentos por três anos.

Todavia, uma hora a aceitação vem...

A diferença é que não atino que isso seja para todos.

Estou aceitando depois de muito sofrer, entretanto, é abstruso demais.

Recordo-me do temor que me carcomeu naquela noite bela e de firmamento estrelado. Não receava o fato de estarmos perdidos no meio do nada: temia o fato de perder Kou e vê-lo se demudar em uma daquelas estrelas cândidas no empíreo negro. Muitos acham as estrelas pulcras, no entanto, execro-as por serem deprimidas e tão apinhadas de luto e acepções – afinal, elas representam almas de pessoas que expiraram e, ainda que cintilem, já estão mortas.

Ele jazia ali em meu colo, em meus braços, contudo, sonhei que o perdia... Que eu não podia alcançá-lo quando se espaçava de mim e a luz alva ofuscava minha visão. Gritava, porém, ninguém me ouvia porque não se importavam. Contei os passos dele até nunca mais poder beirar-me a seu corpo e senti-lo ali comigo. Compreendia que logo aquele devaneio seria veracidade, entretanto, apresentava esperanças de que tal fato não ocorresse. Despertei com receio de perdê-lo e temor de errar, como já errara tantas vezes.

Deparei-me com um firmamento azul e nuvens cândidas assim que abri meus olhos quando despertei.

Vi o tronco marrom da árvore e as verdes esperanças que estavam presas aos galhos finos.

A sombra de Kou adentrou em minha visão e ele sorriu.

‘Teve um pesadelo, Yuu?’, indagou-me docemente. ‘Não se preocupe, pois ainda estou aqui contigo’. Brincou, enquanto eu me sentava e alocava uma de minhas mãos na cabeça, arfando infimamente. ‘Estamos perdidos no bosque da aceitação e esperanças’, riu. Havia um empíreo azul macambúzio acima e nuvens saturadas que se desenvolviam ao alto, denotando amargura e derrota, já quase acobertando inteiramente o sol. Kou ergueu-se do chão e estendeu sua mão para mim, sorrindo da forma afetuosa como sempre esteve habituado a cometer.

‘Vamos tentar retornar, Yuu.

Afinal, não temos muito tempo restante’.

Não ter muito tempo remanente, verdadeiramente não contínhamos. Depois daquele dia, foi questão de um mês e meio para que todas as nossas premonições fossem concretizadas. Apanhei sua mão ainda quente, entretanto, sabia que logo estariam frígidas. Icei-me do chão e, sem cerimônia, beijei os lábios de Kouyou com vagarosidade e doçura... Com medo de perdê-lo. Sabe como fora o modo que ele me retribuíra? Com um ósculo de desculpas e uma súplica para que eu aceitasse algo que estava para ocorrer.

Ainda que não gostasse, Kou já havia aceitado o destino.

Restava unicamente eu aceitar e ter esperanças de seguir em frente.

As verdes expectativas das folhas vinculadas aos galhos finos e marrons das árvores.

Separamo-nos e baixei meus olhos, fitando exclusivamente meus pés que desejavam correr dali e levá-lo junto. Escondê-lo em algum lugar para nunca perdê-lo como eu antessentia que estava para incidir. Não ansiava fitar o firmamento azul com nuvens gris ou rememorar-me do empíreo negro apinhado de estrelas alvas das almas que partiram. Tudo aquilo me deprimia. Ergui meus olhos para fitar as pontas dos cabelos extensos de Kou, que eram de cobre, marrom.

Eu tinha de aceitar algo que não havia ocorrido, mas não ia aceitar.

Agora que sucedeu, preciso aceitar.

É, Kou... Você acertou quando pronunciou que fujo de mim mesmo. Tentei inumar meus sentimentos e ser outra pessoa. Tentei ocultar meu coração onde ninguém jamais pudesse localizar... Perdido na obscuridade para nunca mais se debulhar. Fugi de mim, de você, dos meninos e de toda uma realidade imutável. Todavia, atino que você estava correto: a aceitação aprazou, mas veio para mim depois de três anos. Ainda é abstruso, entretanto, estou aceitando o fato de que você partiu para sempre, Kou, meu amor. Estou acolhendo e contenho esperanças de que agora eu possa seguir em frente.

No entanto, imagino se você está mesmo comigo sempre, ainda que não fisicamente.

Uma prova você me ofereceu: salvou minha vida do rubro hediondo.

Obrigado, Kou.

Desejava poder protegê-lo ao invés de ser protegido, entretanto, obrigado por me amar... Obrigado por tudo”.

*

Quando ultimei de beber minha derradeira latinha de cerveja e saí de meus enleios sobre o acampamento em que nos perdemos, notei Akira ter caído no sono e, por isso, sorri de canto, rindo um pouco. Diferiu, mas Kouyou e eu conseguimos regressar para o alojamento e, minutos depois, Akira e Takanori abrolharam também por lá. Levamos tantos sermões que, honestamente, mal me recordo dos vocábulos rudes que nos foram investidos.

Tão-só continha esperança de que o tutor calasse a boca.

Ficamos de castigo e Ishihara e Yutaka escarneceram de nós. Aquele dia fora muito bom, ainda que meu diálogo com Kou tivesse sido mórbido por causa de nossos agouros de separação por meio da morte. “Até que a morte nos separe”, foi bem isso. De qualquer forma, recolhi as latinhas de cerveja e as levei para a cozinha – excepcional ponto com luzes acesas. Arrumei um pouco toda nossa amálgama e, depois, cobri os meninos que jaziam desfalecidos em minha sala.

Induzi meu olhar a meu delírio, meu Kouyou não mais tão colorido: o marrom dele esvaecera e o verde encetava a amortecer – pois, enfim, eu desvendara seu significado e estava pronto para auferir de volta aquela emoção. As esperanças verdes regressavam para mim, porém, espantou-me quando percebi que o branco e o azul que restara fez meu frenesi aleitar-se e prantear, sem se mover ou proferir algo.

Eu tinha de pegar aquelas cores de volta para mim também.

Naquele momento, porém, almejava focar nas esperanças de poder prosseguir minha vida corretamente sem Kouyou. Eu tinha de usurpar o verde das folhas e regressar a ser feliz. Retornar a amar, quem sabe. Naquele instante, só carecia de cuidar de mim e dos meus amigos que repousavam em minha sala após tanta bebedeira, conversa e entretimento. Eles nunca me desampararam, então eu não os abdicaria e não os daria pretextos para se espaçarem de mim.

Kou... Você também não se arredou de mim mesmo depois de morto, não é?

Agradeço mesmo.

Tentei ser outra pessoa, entretanto, agora sei quem realmente sou.

Eu te amo, Kou, e aceito que minha vida prossegue...

Com ou sem você.


Notas Finais


Depois de toda tempestade, vem o arco-íris... Eita, frase clichê. Depois de tanta dor nas cores, vamos a um pouco de coisa boa, não? Aceitar fatos faz parte da vida e, ultimamente, marrom está sendo uma cor bem amorzinho para mim por causa desta acepção. Próximo capítulo vamos falar de esperanças, verdes como folhas! s2

O que acharam do cap? Comentem! \o/ Muito obrigada pelo carinho de sempre, pessoinhas, e, aliás, algo que esqueci de comentar: quem acompanha The Neighborhood of Offenders pode aguardar pelo capítulo de amanhã, porque vai ter sim. Apesar de meu surto e meus machucados, faltava pouco para terminar aquele capítulo e, portanto, consegui. Semana que vem tem mais! Contagem regressiva para o fim...

Kissus! *3*


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