História Enterre-me... - Capítulo 9


Escrita por: ~

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Categorias The GazettE
Personagens Aoi, Kai, Reita, Ruki, Uruha
Tags Aoi, Aoiha, Bury, Drama, Enterre-me, Gazette, Kai, Kill, Kou, Kouyou, Reita, Ruki, Shiroyama, Takashima, The, Uruha, Yaoi, Yuu
Visualizações 36
Palavras 3.177
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Lemon, Lírica, Musical (Songfic), Poesias, Romance e Novela, Shonen-Ai, Universo Alternativo, Violência, Visual Novel, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Certo, estamos no capítulo nove, ou seja, falta mais três para que a fic chegue ao fim *n* Honestamente, estou feliz por estar encerrando-a ainda este ano e sinto como se um grande peso tivesse sido extraído de minhas costas. Este ano eu marquei minha volta à escrita com histórias de contextos pesados para mim e, olha que legal: ainda estou por aqui. Denota que a verde esperança está realmente caminhando comigo. Estou orgulhosa de mim mesma e grata a todos vocês, meus amores s2 Muito obrigada.

Boa Leitura!
Desculpem os erros'

Capítulo 9 - Verde: Esperança


Fanfic / Fanfiction Enterre-me... - Capítulo 9 - Verde: Esperança

Desejava ter rido muito dos meninos na manhã ulterior, contudo, não consegui – afinal, há tempos não sentia aquela ressaca colérica e minha cabeça latejava como o inferno. Ishihara e Yutaka competiam para ver quem regurgitava mais e, honestamente, faltava pouco para não colocarem as vísceras para fora de seus corpos descarnados e debilitados pelo abuso do álcool.

Vou para o inferno por rir deles e em nada socorrer?

Akira não encontrava-se tão ruim, todavia, não fora uma boa ideia concorrer comigo noite antecedente, afinal, suava frio e passava mal. Só não tomava remédios, pois isso agravaria a condição dele, portanto, deitou-se no sofá e permaneceu daquele jeito a tarde toda. Inexplicavelmente, os “melhores” dali eram Taka e eu – que padecíamos com as enxaquecas da ressaca, no entanto, já havíamos ingerido comprimidos para aprimorar.

Taka convidou-me para tomar um ar e um café numa cafeteria ali perto.

Aceitei, entretanto, fomos de óculos escuros e morrendo em pé.

Sentados à mesa externa da cafeteria, fizemos nossos pedidos por café que logo chegaram. O sol da manhã, se não fosse os óculos que empregávamos, cegar-nos-ia e empioraria nossa dor. Qualquer ruído já deflorava nossos cérebros e até mesmo saborear o café estava intricado. Em silêncio, fitávamos as plantas ao redor e encarávamo-nos, rindo laconicamente de nossa própria conjuntura caótica.

Pena que não dava para rir mais do que dois segundos.

Nossa enxaqueca não permitia sermos felizes no dia de ressaca.

- Acho que morrerei... – enfim pronunciou-se, gemendo de dor e segurando sua cabeça com uma das mãos. – Mal recordo-me de ontem...

- Se serve de consolo, Ishihara e Yutaka não recordam-se de nada e verão os próprios estômagos logo, logo, se persistirem vomitando como estavam antes de sairmos. – minha réplica extraiu uma risada célere e um gemido de dor dos lábios de Takanori.

- Não faça-me rir, por favor... – suspirou, movendo seu café com a colherzinha, assim como eu perpetrava no meu. Até mesmo o ruído do contato do talher com a xícara debulhava nossas cabeças dolentes. – Aki também extrapolou e não se reerguerá hoje.

- Acho que ninguém, nem mesmo nós. – bebi meu café preto e um tanto acrimonioso, logo fitando o entretom do líquido e das plantas que cercavam-nos: preto e verde respectivamente. – Quanta nostalgia cabe em ínfimas circunstâncias...? – comentei sozinho, no entanto, Taka ergueu seus olhos aos meus.

- Muitas... – fechou seus olhos para saborear sua bebida e, assim que assoprou e deu pequenos goles no café, recolocou a xícara no pires, acarretando um ruído sutil, mas que debulhou-nos novamente. – Então, Yuu... Após tudo o que houve conosco nos últimos anos, ansiava desculpar-me pelas vezes que fui rude contigo, ainda que merecesse.

- Ah, não precisa disso... Como você disse, eu mereci. Obrigado por fazer-me abrir os olhos para a vida novamente. – contrapus e ele, presunçoso, sorriu.

- Se é assim, então disponha. – é claro que não controverteria comigo, afinal, mesmo que desculpasse-se, Taka ainda cria que estava coberto de razão. Infelizmente, embora execrasse admitir, reconheço que ele estava mesmo. – Fico feliz que tenha retornado a ser você mesmo.

- Ainda não sou eu mesmo completamente, Taka... – isso porque parte de mim jazia aleitado em minha sala, arrumado de branco e azul, com a forma do Kou, lagrimando e lamentando o luto. – Mas estou volvendo aos poucos...

- Agora sim Kou poderá ficar em paz, sabia? – bebeu seu café, contudo, não consegui mais beber o meu. Meu estômago doera e não era por estuação, mas por saudades. – Precisa visitá-lo. Sei que o túmulo dele deve ser o lugar que mais deseja ficar longe, todavia, deveria ir dialogar com ele... Levar flores, quem sabe.

- Como proferi, ainda não sou eu completamente... – suspirei. – Parte de mim não congregou as cores restantes e, portanto, não estou preparado para aceitar o luto e visitar a sepultura.

- Não entendi a parte que referiu-se às cores, mas tudo bem. Não vou forçá-lo a ir, desde que um dia vá somente para levar algumas flores. Quando estiver disposto.

- Tempo ao tempo. Logo estarei preparado e daí irei, não se preocupe. – temia adquirir as derradeiras cores de volta, porque, como já pronunciei, embora tivesse aceitado a morte de Kouyou, não denotava que havia aceitado a conjuntura e que estava pronto para enterrá-lo. – Só desejo seguir minha vida de outra forma, que não seja de modo ridículo como fui nesses três anos.

- Agora sim está regressando a ser o Yuu decente, ou nem tanto, que conheci. – brincou Takanori e rimos um pouco, no entanto, logo gememos pela dor. – Sério, morreremos se persistirmos assim...

- Os remédios não perpetraram efeito ainda... Tenhamos esperanças de que logo façam para amenizar essa enxaqueca. – fechei meus olhos e aloquei minha mão na cabeça para tentar mitigar a dor. – Paciência e esperança...

- Falando em esperança... – Takanori comichou os olhos por debaixo dos óculos negros, respirando fundo em seguida. – Seja franco comigo, Yuu: tem esperança de tornar a amar ou ainda acha que é cedo demais para refletir nisso?

- Francamente, não sei replicar-te, Taka. – suspirei, retirando a mão da frente de meu rosto. – Passaram-se três anos desde a morte de Kou, porém, sinto como se fosse recente ainda.

- Bem, pareceu-me mesmo que fugiu de si, de nós e da situação durante esse tempo, talvez pelo choque, então não estranha-me semelhar tão coevo assim. – comentou. – Para mim é também, mas creio que nem tanto quanto é para você.

- Talvez, não sei dizer precisamente... – também cocei meus olhos por debaixo dos óculos, porque tudo doía. – Desejo pensar positivo, entende? Criar esperanças de retornar a amar um dia. Nunca alguém suprirá o Kou e jamais o olvidarei, assim como meu amor por ele, contudo, anseio seguir em frente de todos os modos. Só que—

- Se proferirá que teme que Kou, esteja onde estiver, deprima-se ou fique bravo se você namorar outra pessoa, detenha aí mesmo, porque é tolice. – os vocábulos de Takanori sempre eram brutais e estapeavam-me toda vez que pronunciava-os. – Creio que Kou estava mais triste nesse tempo em que você agiu como um idiota e até fez aquela maluquice consigo na praia. Acredito que ele ficará depenado se você tornar a amar e ser feliz.

- É, atino que sim... – ele continha razão e, naquele instante, recordei-me de que Kou salvara-me quando tentei arruinar-me com o rubro. Quero dizer, não sei se aquilo sucedeu mesmo ou se somente arquitetei coisas, porém, de qualquer forma, desejo crer que ele ainda está ao meu lado e cuidando de mim, ainda que devesse ser o oposto. – Contudo, cobiço dar mais um tempo para mim e nutrir mais de minhas esperanças por uma vida melhor sem ele comigo, afinal, idealizei uma vida toda com ele e isso foi por água abaixo naquele acidente.

- Faz bem. – sorriu mitigado, findando de beber seu café. – Agora que regressou a ser o que era, ainda que não completamente, estou mais aliviado, Yuu. Não creio que cessaremos de brigar sem razão, mas saiba que sempre pode contar comigo para o que carecer, porque sempre auxiliarei. – levou sua mão à cabeça novamente. – Talvez não nos dias de ressaca, mas ajudarei nos outros.

- Digo-te o mesmo. – novamente ri, mesmo que a dor do ato latejasse mais minha cabeça. – Conte sempre comigo para o que precisar, Taka.

Sentia-me incomodado como era o amarelo intenso que cegava os olhos. Colérico como o hematoma roxo da violência. Com saudades como o torpor alaranjado do fim de tarde. Invejoso das mechas rosadas dos cabelos de Taka. Trazia pretensão de esvaecer em meio ao rubro ainda. Todavia, aceitava como o marrom dos cabelos de Kouyou e designava esperanças como as folhas verdes dos galhos das árvores – que simbolizavam a natureza dos bons sentimentos.

Estava reavendo tudo o que fora meu um dia.

Faltava um pouco ainda, mas estava.

Ainda assim, ajuizava: como poderia amar alguém da forma como amei Kou? Naquele momento, o revide era um completo enigma para mim e semelhava até mesmo impossível. No entanto, é para isso que serve as esperanças: para levar-te adiante. Seguir em frente e correr para impetrar a felicidade de um futuro incógnito. Por isso elas são verdes, pois denotam a maturidade das emoções, um dia púberes, e o frescor de nosso estado natural de ser humano.

Só que indago-me:

Kou, se eu aprender a amar outra pessoa...

Você realmente torcerá por minha felicidade ou me execrará?

*

“As folhas estavam verdes devido ao verão abrasador.

As amarelas ruíram no outono e os galhos retorcidos ficaram álgidos e secos no inverno. Flores formosas germinaram assim que a neve esvaeceu e, agora, o sol cintilava o verde das copas das árvores, enquanto os grilos cantavam. O vapor saía do concreto das casas e o chão flamejava naquele verão. Não havia qualquer ambiente bom ou mais arejado para ficar.

Estava torturante.

Ainda assim, embora abominasse o verão, admito que não era de todo ruim. Naquela tarde ardente, por exemplo, tempos após regressarmos do meio da mata, Kou jazia deitado no piso frio de minha casa. O ventilador estava diretamente ligado nele, já que era individualista e não cobiçava que o ar circulasse pelo restante do ambiente. Saboreava um picolé verde como as folhas, enquanto prendia os cabelos no alto para suportar a quentura do verão.

Amava vê-lo daquela forma.

Eu regava algumas plantas de meu quintal com a mangueira e não utilizava uma camiseta, somente uma bermuda negra. Céus, ponderava que iria liquefazer com aquele sol abrasador em minhas costas e incinerando meus cabelos. Induzi meu olhar negro a Kou aleitado e quase engoli meu piercing quando vi-o ultimar de lamber o sorvete que derretera. Vê-lo atrapalhar-se para saborear o doce era algo que divertia-me.

E amava, por isso eu ria.

Joguei água em mim mesmo, banhando-me por completo.

Tal ato aliciou os olhos de Kouyou à minha efígie, que divertia-se vendo-me quase tomar um banho de mangueira por causa do calor. Assoviou e sinalizou para que eu apanhasse o palitinho de madeira – exclusiva coisa que restara do antes sorvete verde, cujo sabor até hoje desconheço. Desejava que eu pegasse o lixo dele e arremessasse fora, contudo, se ele era folgado, eu também era. Dei de ombros a seu pedido.

Kou sempre parecia gemer meu nome quando almejava algo.

- Por favor, Yuu! – obsecrou ainda deitado, meneando o palitinho. – Não anseio mover-me muito, porque está quente! Nem o ventilador está salvando!

- Exponha-me algo que eu não saiba, Kou. – contrapus, fechando meus olhos e tornando a aguar-me com a mangueira. – Sabe onde tem lixo, então vá lá jogar.

- Não quero... E ainda sujei-me, porque o sorvete derreteu em mim. – vergou o lábio inferior e isso foi meu pretexto para mirar a mangueira nele e utilizá-la para molhá-lo. Embora ele estivesse com calor, detestava quando eu importunava-o daquela forma, então gritava e arriscava proteger-se inutilmente com as mãos. – Pare, Yuu!

- Não proferiu que sujou-se e está com calor? Então! Um banho de água gelada na mangueira refresca! – debochei e detive de arremessar água nele assim que percebi que ensopei-o, bem como ficara o local onde ele estava deitado. – Melhorou?

- Não! – embora aborrecido, achava graça do fato de que Kou atuava como uma criança contradita, amarrando os cabelos longos novamente. – Você é muito chato, sabia? Quando eu partir, duvido que consiga arranjar alguém que ature-te como aturo-te!

Quando eu partir...’

- Por isso que você não irá a lugar algum. – fechei a torneira e larguei a mangueira na grama de meu quintal, caminhando a ele, agora sentado no chão com o ventilador tocando em suas costas e fazendo quaisquer de seus fios de cabelo dançarem. – Porque não há ninguém que tolere-me igual você e vice-versa.

- Creio que teria mais chances de encontrar alguém que ature-me, Yuu. – sentei-me a seu lado, auferindo seus olhos negros. – Apesar de não desejar.

- Se não deseja, então não deve rezingar de mim e, honestamente, duvido que alguém ature seu jeitinho folgado e aproveitador das boas vontades alheias.

- Tolerariam sim, todavia, talvez não tanto quanto você. – rimos altivamente, enquanto as gotas d’água em nossos corpos dimanavam vagarosamente. Kou mexia em sua blusa úmida e parecia incomodado com ela. – Então, nesse ponto, tranquilize-se. Ficarei contigo o máximo que eu puder e jamais te trocarei, até porque não terei tempo para isso.

O máximo que eu puder...’

Não terei tempo para isso...’

- Do que está falando, Kou? – produzi algumas risadas incômodas e ele sorriu deprimido, baixando os olhos para fitar seu próprio corpo. – Não entendi se pretende trocar-me ou não depois dessa.

- Não pretendo não, Yuu. – riu, entretanto, não de júbilo ou graça: era aquela risada remota e macambúzia. – Contudo, deixarei claro que estou com medo...

- Medo de quê? – fitei-o seriamente e de forma dúbia. O vento abrasador meneava as folhas verdes da copa de minha árvore.

- De que esqueça-me um dia... Que esqueça que amou-me... – ele encostou suas pálpebras e meu coração cingiu-se dolentemente. – Não anseio que fique sozinho eternamente ou que faça-me votos de fidelidade, entretanto, não desejo que esqueça-me...

Sozinho eternamente...’

Não desejo que esqueça-me...’

- Kou, quantas vezes terei de proferir-te que isso é impossível de ocorrer? Jamais te olvidarei. Jamais esquecerei meu amor por você e não ficarei sozinho eternamente, seu pessimista. – aspirava brincar, no entanto, por que minha voz gorava e minha boca secava? Não era por causa do clima, disso tinha certeza.

- Tem razão! – sorriu pueril, entretanto, era tão manifesto para mim que Kouyou angustiava-se com uma aceitação futura. – Se prometer jamais esquecer-me, então prometo que sempre permanecerei ao seu lado, mesmo se eu não mais estiver aqui contigo.

Sempre (...) ao seu lado, mesmo se não estiver mais aqui...’

- É melhor mesmo jamais sair do meu lado, Kou... – por favor, quando proferi aquilo, referi-me inteiramente. Sei que hoje ainda está comigo, no entanto, não da forma como eu desejava e ainda desejo. – Você é e sempre será meu único amor verdadeiro.

- Até que a morte separe-nos. – e eu também sabia que arredar-nos-ia, ainda que de forma inconsciente. – Contudo, não anseio isso, Yuu. Almejo que seja feliz, então precisa aprender a amar outras pessoas e ser feliz com elas.

Kou, suas falas sempre...

- Sei amar outras pessoas, mas meu amor por elas é desigual do amor que sinto por ti. – revidei, sentindo como se houvesse uma teratologia dentro de mim ambicionando despontar. Creio que era ansiedade e angústia.

- Pois bem, quando digo isso, Yuu, anseio proferir que terá de aprender a amar outra pessoa da forma como ama-me. – sorriu, reabrindo seus olhos e fitando-me com veemência. – E precisa ser feliz e viver sua vida. Não cobiço que esqueça-me, porém, arrazoando bem, se rememorar-se de mim debulhar-te e impedir de viver, então olvide-me. Além disso, deixo expresso aqui meu alvará para você amar outra pessoa, pois sempre apoiarei sua felicidade.

Suas falas sempre foram direcionadas à vida após sua morte...

- Autoriza-me...? Certeza...? – ele assentiu e eu sorri mitigado, mas com angústia e consternação. Aquele emaranhado de versos podia não ter sentido aos ouvidos de terceiros, no entanto, para nós fazia pleno sentido, conquanto não soubéssemos elucidar o porquê ou como sabíamos de tudo. – Todavia, jamais te esquecerei, Kou.

- Yuu, você não deve—

- Devo sim, pois você é meu primeiro amor verdadeiro. – obstruí-o pondo meu dedo indicador em seus lábios macios e trêmulos. Resvalei minha mão para sua face, um tanto úmida, e afaguei sua bochecha tenra. – Talvez eu contenha outros amores, todavia, você sempre será o primeiro que amei e jamais me esquecerei desse amor que tanto nutri e ainda nutro por ti, Kou. Então, por favor... – beirei nossos lábios e segredei quando nossas respirações mesclaram-se. – Tenha fé em mim e nunca mais peça-me para esquecê-lo novamente.

- Tenho fé em ti e esperanças em nós e em seu futuro, Yuu... – roçamos nossos lábios, fechando nossos olhos. – Ainda que fuja de si mesmo, sei que um dia aceitará tudo e se lembrará de mim, não é...?

Esperanças em seu futuro...’

Aceitar tudo e lembrar-se de mim...’

Sabe o beijo? Então, sucedeu no exato momento em que uma nuvem alva deu espaço à outra gris e ampla no empíreo. O clima alterou bruscamente, como sempre advinha no verão, e as folhas verdes das árvores eram arrancadas pelos ventos impetuosos e sem adresse – que até mesmo desprenderam os cabelos úmidos e alongados de Kouyou. Nossas cútises molhadas eriçaram-se com aquilo, entretanto, não detivemos o ósculo.

Ei, Kou...

Recorda-se desse beijo que assinalou nossa contagem regressiva?

Minhas mãos acarinharam o abdômen dele por debaixo da blusa branca e alcei-a, retirando-a e arremessando-a para o lado. Curvei-me sobre seu corpo e, ali mesmo, deitei-o no chão para mostrá-lo que jamais poderia esquecê-lo. Meu amor por ele era vasto demais e nenhuma pessoa alteraria isso. Nunca. Mesmo se eu aprendesse a amar outro alguém como amei-o, jamais me olvidaria daquele que mostrou-me o que é amar e estar vivo.

O que é a esperança e as emoções.

Aquele que mostrou-me todas as nuanças.

O vento frígido e a chuva que encetara a incidir no quintal não impediram-nos de amarmo-nos ali no chão, cobertos pelo teto – ainda que as brisas ateassem quaisquer gotas de pluviosidade em nossos corpos úmidos. Nada, nem ninguém, jamais preveniu que ficássemos juntos, pois era nosso destino. Nosso destino regressivo que não abrimos mão, ainda que compreendêssemos que não seria nada eterno – afinal, nada é infindável. Seria tão bom se fosse, porém, não é...

Contudo, creio que, eternamente, amar-te-ei, Kou.

Mesmo se eu amar outra pessoa, meu amor por você jamais esvaecerá”.

*

Apresento esperanças por uma vida melhor e acredito que, um dia, amarei alguém novamente. Kou, você reza por minha prosperidade, não reza? Cuida de mim, quando devia ser o oposto. É, fugi de mim, de nós, do mundo... Porém, não olvidei-te em nenhum momento, mesmo quando o cinza era a excepcional matiz que restava em meu corpo. No fundo, todas as minhas emoções estavam sepultadas, contudo, vivas em sua efígie.

Chegou a hora de aceitar aquelas cores que não ambicionava por medo. O verde agora fazia-se presente também no picolé que Takanori comprara para tomar e, provando, desvendei que era de menta – o sabor da boca de Kou e que ele tanto amava, maiormente quando permutava-se com o tabaco da minha. Sabe, Kou... Atino que chegou a hora de respirar fundo, calcular até dez e, enfim, erguer os porta-retratos com nossas fotos.

Rever seu rosto contíguo ao meu, sorridentes.

Ei, Kou... Eu era a pior pessoa para você apaixonar-se e confiar, apresentar fé e criar esperanças em nosso relacionamento – tanto é que tornei-me gris, apático, quando você partiu. Ainda não lagrimei por sua morte e isso talvez faça-me egocêntrico e indolente, não é? Sinto que o cinza inda está presente em mim, porém... Aos poucos, noto que não mais estará. Quando esse gris dissipar-se e eu permitir-te ir completamente, então você não permanecerá mais ao meu lado como prometera sempre ficar?

Ei, Kou...

Pode permanecer comigo um pouco mais?

Asseguro que seguirei minha vida e aprenderei a amar novamente.

Quando eu inumar-te, Kou...

Então será, oficialmente, um adeus?


Notas Finais


Até quando o sentimento é bom, o capítulo parece que carrega um ar mórbido, não? Talvez pelo tema que abordo aqui: a morte de um amor, alguém querido -- ainda mais quando o Yuu sabia que Kouyou morreria. Ambos sabiam da morte, na verdade. Acho que isso é uma das coisas que mais pesa.

O que acharam do cap? Comentem! \o/ Faltam duas cores: o branco e o azul. "Ah, mas Mazinha, você não disse que há mais três capítulos?" Sim e há. O último capítulo será um extra, então somente aguardem s2 Semana que vem tem mais!

Kissus! *3*


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