História Enterre-me... - Capítulo 9


Escrita por: ~

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Categorias The GazettE
Personagens Aoi, Kai, Reita, Ruki, Uruha
Tags Aoi, Aoiha, Bury, Drama, Enterre-me, Gazette, Kai, Kill, Kou, Kouyou, Reita, Ruki, Shiroyama, Takashima, The, Uruha, Yaoi, Yuu
Exibições 16
Palavras 3.418
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Lemon, Lírica, Musical (Songfic), Poesias, Romance e Novela, Shonen-Ai, Universo Alternativo, Violência, Visual Novel, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Certo, estamos no capítulo nove, ou seja, falta mais três para que a fic chegue ao fim *n* Honestamente, estou feliz por estar encerrando-a ainda este ano e sinto como se um grande peso tivesse sido extraído de minhas costas. Este ano eu marquei minha volta à escrita com histórias de contextos pesados para mim e, olha que legal: ainda estou por aqui. Denota que a verde esperança está realmente caminhando comigo. Estou orgulhosa de mim mesma e grata a todos vocês, meus amores s2 Muito obrigada.

Boa Leitura!
Desculpem os erros'

Capítulo 9 - Verde: Esperança


Fanfic / Fanfiction Enterre-me... - Capítulo 9 - Verde: Esperança

Eu desejava ter dado muitas risadas dos meninos na manhã ulterior, contudo, não consegui fazer isso direito – afinal, há tempos não sentia aquela ressaca colérica e minha cabeça estava latejando como o inferno. Ishihara e Yutaka semelhavam competir para ver quem regurgitava mais e, honestamente, faltava pouco para não colocarem as vísceras todas para fora de seus corpos descarnados e debilitados pelo abuso do álcool.

Vou para o inferno por ter rido deles e em nada socorrido?

Akira não encontrava-se tão ruim, todavia, creio que não fora uma boa ideia tentar concorrer comigo noite antecedente, afinal, estava suando frio e passando mal. Só não tomava remédios, pois atino que isso iria agravar a condição dele. Portanto, ele deitou-se no sofá e permaneceu daquele jeito a tarde toda. Inexplicavelmente, os “melhores” dali eram Taka e eu – que puramente padecíamos com as enxaquecas da ressaca, no entanto, já havíamos ingerido comprimidos para aprimorar.

Taka me convidou para tomar um ar e um café numa cafeteria ali perto.

Aceitei, entretanto, fomos de óculos escuros e semelhando que morríamos em pé.

Sentados à mesa externa da cafeteria, fizemos nossos pedidos por café que logo chegaram. O sol da manhã, se não fosse os óculos que empregávamos, iria nos cegar e empiorar nossa dor com toda a fiúza. Qualquer ruído já semelhava deflorar nossos cérebros e até mesmo saborear o café estava intricado. Em silêncio, fitávamos as plantas ao redor e nos encarávamos, rindo laconicamente de nossa própria conjuntura caótica.

Pena que não dava para rir mais do que dois segundos.

Nossa enxaqueca não permitia sermos felizes no dia de ressaca.

- Acho que vou morrer... – enfim ele se pronunciou, gemendo de dor e segurando sua cabeça com uma das mãos. – Mal me recordo de ontem...

- Se serve de consolo, Ishihara e Yutaka não se recordam de nada e creio que vão ver os próprios estômagos logo, logo, se persistirem vomitando como estavam antes de nós sairmos. – minha réplica extraiu uma risada célere e um gemido de dor dos lábios de Takanori.

- Ai, não me faça rir, por favor... – suspirou, movendo seu café com a colherzinha, assim como eu perpetrava no meu. Até mesmo o ruído do contato do talher com a xícara debulhava nossas cabeças dolentes. – Aki também extrapolou e creio que ele não vai se reerguer hoje.

- Acho que ninguém vai, nem mesmo nós. – bebi meu café preto e um tanto acrimonioso, logo fitando o entretom do líquido e das plantas que nos cercavam: preto e verde respectivamente. – Quanta nostalgia cabe em ínfimas circunstâncias...? – comentei sozinho, no entanto, Taka ergueu seus olhos para os meus.

- Muitas... – creio que ele fechou seus olhos para saborear sua bebida e, assim que assoprou e deu pequenos goles no café, recolocou a xícara no pires, acarretando um ruído sutil, mas que debulhou nós dois novamente. – Então, Yuu... Depois de tudo o que houve conosco nos últimos anos, ansiava me desculpar pelas vezes que fui rude contigo, ainda que você merecesse.

- Ah, não precisa disso... Como você disse, Taka, eu mereci. Obrigado por me fazer abrir os olhos para a vida novamente. – contrapus e ele, presunçoso, sorriu.

- Se é assim, então disponha. – é claro que ele não iria controverter comigo, afinal, mesmo que se desculpasse, Taka ainda cria que estava coberto de razão. Infelizmente, embora eu execrasse admitir, reconheço que ele estava mesmo. – Fico feliz que tenha retornado a ser você mesmo.

- Ainda não sou eu mesmo completamente, Taka... – isso porque parte de mim estava aleitado em minha sala, arrumado de branco e azul, com a forma do Kou, lagrimando e lamentando o luto. – Mas estou volvendo aos poucos...

- Agora sim Kou poderá ficar em paz, sabia? – bebeu seu café, contudo, não consegui mais beber o meu. Meu estômago doera e não era por estuação, mas por saudades. – E creio que precisa mesmo visitá-lo. Sei que o túmulo dele deve ser o lugar que você mais deseja ficar longe, todavia, deveria ir lá para dialogar com ele... Levar flores, quem sabe.

- Como proferi, ainda não sou eu completamente, Taka... – suspirei. – Parte de mim não congregou as cores restantes e, portanto, não estou preparado para aceitar o luto e ir visitar a sepultura.

- Não entendi a parte que se referiu às cores, mas tudo bem. Não vou forçá-lo a ir, desde que um dia vá somente para levar algumas flores. Quando estiver disposto.

- Tempo ao tempo. Logo estarei preparado e daí irei, não se preocupe com isso. – eu tinha temor de pegar aquelas derradeiras cores de volta para mim, porque, como já pronunciei, embora tivesse aceitado a morte de Kouyou, não denotava que eu havia aceitado a conjuntura e que estava pronto para enterrá-lo. – Agora só desejo seguir minha vida de outra forma, que não seja de modo ridículo como fui nesses três anos.

- Agora sim está regressando a ser o Yuu decente, ou nem tanto, que conheci. – brincou Takanori e nós rimos um pouco, no entanto, logo gememos pela dor. – Sério, vamos morrer se persistirmos assim...

- Os remédios não perpetraram efeito ainda... Tenhamos esperanças de que logo façam para amenizar essa enxaqueca. – fechei meus olhos e aloquei minha mão na cabeça para tentar mitigar a dor. – Paciência e esperança...

- Falando em esperança... – Takanori comichou os olhos por debaixo dos óculos negros, respirando fundo em seguida. – Seja franco comigo, Yuu: você tem esperança de tornar a amar ou ainda acha que é cedo demais para refletir nisso?

- Francamente, não sei te replicar, Taka. – suspirei, retirando a mão da frente de meu rosto. – Passaram-se três anos desde a morte de Kou, porém, sinto como se isso fosse recente ainda.

- Bem, pareceu-me mesmo que você fugiu de si, de nós e da situação durante esse tempo, talvez pelo choque, então não me estranha semelhar tão coevo assim. – comentou. – Para mim ainda é também, mas creio que nem tanto quanto é para você.

- Talvez, não sei dizer ao certo... – também cocei meus olhos por debaixo dos óculos, porque tudo doía. – Bem, mas desejo pensar positivo, entende? Criar esperanças de que eu possa retornar a amar um dia. Nunca alguém suprirá o Kou e eu jamais o olvidarei, assim como meu amor por ele, contudo, anseio mesmo seguir em frente de todos os modos. Só que—

- Se vai proferir que tem medo de que Kou, esteja onde estiver, fique deprimido ou bravo se você principiar a namorar outra pessoa, pode deter aí mesmo, porque é tolice. – os vocábulos de Takanori sempre eram brutais e me estapeavam toda vez que ele os pronunciava. – Creio que Kou estava mais triste nesse tempo em que você agiu como um idiota e até fez aquela maluquice consigo na praia. Portanto, acredito que ele ficará depenado se você tornar a amar e ser feliz.

- É, atino que sim... – ele continha razão e, naquele instante, recordei-me de que Kou me salvara quando tentei me arruinar com o rubro. Quero dizer, não sei se aquilo sucedeu mesmo ou se somente arquitetei coisas, porém, de qualquer forma, desejo crer que ele ainda está ao meu lado e cuidando de mim, ainda que eu acredite que devia ser o oposto. – Contudo, cobiço dar mais um tempo para mim e nutrir mais de minhas esperanças por uma vida melhor sem ele comigo, afinal, idealizei uma vida toda com ele e isso foi por água abaixo naquele acidente.

- Faz bem. – sorriu mitigado para mim, findando de beber seu café. – Agora que regressou a ser o que era, ainda que não completamente, estou mais aliviado, Yuu. Não creio que vamos cessar de brigar sem razão, mas saiba que sempre pode contar comigo para o que carecer, porque sempre auxiliarei. – levou sua mão à cabeça outra vez. – Talvez não nos dias de ressaca, mas ajudarei nos outros.

- Digo-te o mesmo. – novamente ri, mesmo que a dor do ato latejasse mais minha cabeça. – Conte sempre comigo para o que precisar, Taka.

Sentia-me incomodado como era o amarelo intenso que cegava os olhos. Colérico como o hematoma roxo da violência. Com saudades como o torpor alaranjado do fim de tarde. Invejoso das mechas rosadas dos cabelos de Taka. Trazia uma pretensão de esvaecer em meio ao rubro ainda. Todavia, estava aceitando como o marrom dos cabelos de Kouyou e designando esperanças como as folhas verdes dos galhos das árvores – que simbolizavam a natureza dos bons sentimentos.

Estava reavendo tudo o que fora meu um dia.

Faltava um pouco ainda, mas estava.

Ainda assim, ajuizava: como poderia amar alguém da forma como amei Kou? Naquele momento, o revide era um completo enigma para mim e semelhava até mesmo impossível. No entanto, é para isso que serve as esperanças: para te levar adiante. Seguir em frente e correr para abiscoitar a felicidade de um futuro incógnito. Por isso elas são verdes, pois denotam a maturidade das emoções, um dia púberes, e o frescor de nosso estado natural de ser humano.

Só que indago-me:

Kou, se eu aprender a amar outra pessoa...

Você realmente torcerá por minha felicidade ou me execrará?

*

“As folhas estavam verdes devido ao verão abrasador.

As amarelas ruíram no outono e os galhos retorcidos ficaram álgidos e secos no inverno. Flores formosas germinaram assim que a neve esvaeceu e, agora, o sol cintilava o verde das copas das árvores, enquanto os grilos cantavam. O vapor semelhava sair do concreto das casas e o chão parecia flamejar naquele verão. Não havia qualquer ambiente bom ou mais arejado para se ficar.

Estava torturante.

Ainda assim, embora abominasse o verão, admito que ele não era de todo ruim. Naquela tarde ardente, por exemplo, tempos depois de regressarmos do meio da mata, Kou jazia deitado no piso frio de minha casa. O ventilador estava diretamente ligado nele, já que Kouyou era individualista e não cobiçava que o ar circulasse pelo restante do ambiente. Saboreava um picolé verde como as folhas, enquanto prendia os cabelos no alto para suportar a quentura do verão.

Amava vê-lo daquela forma.

Eu estava regando algumas plantas de meu quintal com a mangueira e não utilizava uma camiseta, somente uma bermuda negra. Céus, ponderava que iria liquefazer com aquele sol abrasador em minhas costas e incinerando meus cabelos. Induzi meu olhar negro para Kou aleitado ali e quase engoli meu piercing quando o vi ultimar de lamber o sorvete que derretera. Vê-lo se atrapalhar para saborear o doce era algo que me divertia.

E amava, por isso eu ria.

Joguei água em mim mesmo, banhando-me por completo.

Tal ato aliciou os olhos de Kouyou para minha efígie, que semelhava se divertir me vendo quase que tomar um banho de mangueira por causa do calor. Destarte, ele assoviou para mim e fez sinal para que eu fosse apanhar o palitinho de madeira – exclusiva coisa que restara do antes sorvete verde, cujo sabor até hoje desconheço. Ele desejava que eu pegasse o lixo dele e arremessasse fora, contudo, se ele era folgado, eu também era. Dei de ombros para seu pedido.

Kou sempre parecia gemer meu nome quando almejava algo.

- Por favor, Yuu! – obsecrou ainda deitado, meneando o palitinho. – Não anseio me mover muito, porque está quente! Nem o ventilador está salvando!

- Agora me exponha algo que eu não saiba, Kou. – contrapus, fechando meus olhos e tornando a me aguar com a mangueira. – Sabe onde tem lixo, então vá lá jogar.

- Não quero... E ainda me sujei, porque o sorvete derreteu em mim. – vergou o lábio inferior e isso foi meu pretexto para mirar a mangueira nele e utilizá-la para molhá-lo ao longe. Embora ele estivesse com calor, detestava quando eu o importunava daquela forma, então gritava e arriscava se proteger com as mãos inutilmente. – Pare, Yuu!

- Não proferiu que se sujou e está com calor? Então, um banho de água gelada na mangueira refresca. – debochei e detive de arremessar água nele assim que percebi que o ensopei, bem como ficara o local onde ele estava deitado. – Melhorou?

- Não! – embora ele parecesse aborrecido, eu achava graça do fato de que Kou semelhava atuar como uma criança contradita, amarrando os cabelos longos novamente. – Você é muito chato, sabia? Quando eu me for, duvido que consiga arranjar alguém que te ature como te aturo!

Quando eu me for...’

- Por isso que você não irá a lugar algum, Kou. – fechei a torneira e larguei a mangueira na grama de meu quintal, caminhando até ele, agora sentado no chão com o ventilador tocando em suas costas e fazendo quaisquer de seus fios de cabelo dançar. – Porque não há ninguém que possa me tolerar igual você e vice-versa.

- Creio que teria mais chances de encontrar alguém que me ature, Yuu. – sentei-me a seu lado, auferindo seus olhos negros. – Apesar de não desejar.

- Se não deseja, então não deve rezingar de mim e, honestamente, duvido que alguém ature esse seu jeitinho folgado e aproveitador das boas vontades dos outros.

- Tolerariam sim, todavia, talvez não tanto quanto você. – demos risadas altivas, enquanto as gotas d’água em nossos corpos dimanavam vagarosamente. Kou mexia em sua blusa úmida e parecia incomodado com ela. – Então, nesse ponto, pode ficar tranquilo. Almejo ficar contigo o máximo que eu puder e jamais te trocarei, até porque também não terei tempo para isso.

O máximo que eu puder...’

Não terei tempo para isso...’

- Do que está falando, Kou? – produzi algumas risadas incômodas e ele sorriu deprimido, baixando os olhos para fitar seu próprio corpo. – Não entendi se pretende me trocar ou não depois disso.

- Não pretendo não, Yuu. – riu, entretanto, não de júbilo ou graça. Era aquela risada remota e macambúzia. – Contudo, deixarei claro que estou com medo...

- Medo de quê? – fitei-o seriamente e de forma dúbia. O vento abrasador meneava as folhas verdes da copa de minha árvore.

- De que você me esqueça um dia... Que esqueça que me amou... – ele encostou seus olhos e meu coração cingiu-se dolentemente. – Não anseio que fique sozinho para sempre e nem que me faça votos de fidelidade, entretanto, não desejo que me esqueça...

Sozinho para sempre...’

Não desejo que me esqueça...’

- Kou, quantas vezes terei de te proferir que isso é impossível de ocorrer? Jamais te olvidarei. Jamais esquecerei meu amor por você e não ficarei sozinho para sempre, seu pessimista. – aspirava brincar, no entanto, por que minha voz gorava e minha boca secava? Não era por causa do clima, disso eu tinha certeza.

- Tem razão! – sorriu pueril, entretanto, era tão manifesto para mim que Kouyou estava se angustiando com uma aceitação futura. – Se prometer jamais me esquecer, então prometo que sempre permanecerei ao seu lado, mesmo se eu não mais estiver aqui contigo.

Sempre (...) ao seu lado, mesmo se não estiver mais aqui...’

- É melhor mesmo jamais sair do meu lado, Kou... – por favor, quando proferi aquilo, referi-me inteiramente. Sei que hoje ele ainda deve estar comigo, no entanto, não da forma como eu desejava e ainda desejo. – Você é e sempre será meu único amor verdadeiro.

- Até que a morte nos separe. – e eu também sabia que nos arredaria, ainda que de forma inconsciente. – Contudo, não anseio isso, Yuu. Almejo que você seja feliz, então precisa aprender a amar outras pessoas e ser feliz com elas.

Kou, suas falas sempre...

- Sei amar outras pessoas, mas meu amor por elas é desigual do amor que sinto por ti. – revidei, sentindo como se houvesse uma teratologia dentro de mim ambicionando despontar. Creio que era ansiedade e angústia.

- Pois bem, quando digo isso, Yuu, anseio proferir que terá de aprender a amar outra pessoa da forma como me ama. – sorriu-me, reabrindo seus olhos e fitando-me com veemência. – E precisa ser feliz e viver sua vida. Não cobiço que me esqueça, porém, arrazoando bem, se ficar se rememorando de mim for te debulhar e impedir de viver, então pode me olvidar, Yuu. Além disso, deixo expresso aqui meu alvará para você amar outra pessoa, pois irei sempre apoiar sua felicidade.

Suas falas sempre foram direcionadas à vida após sua morte...

- Autoriza-me...? Certeza...? – ele assentiu e eu sorri mitigado, mas com angústia e consternação. Aquele emaranhado de versos podia não ter sentido aos ouvidos de terceiros, no entanto, para nós fazia pleno sentido, conquanto não soubéssemos elucidar o porquê ou como sabíamos de tudo. – Todavia, jamais te esquecerei, Kou.

- Yuu, você não deve—

- Devo sim, pois você é meu primeiro amor verdadeiro. – obstruí-o pondo meu dedo indicador em seus lábios macios e trêmulos. Resvalei minha mão para sua face, um tanto úmida, e afaguei sua bochecha tenra. – Talvez eu contenha outros amores, todavia, você sempre será o primeiro que amei e jamais me esquecerei desse amor que tanto nutri e ainda nutro por ti, Kou. Então, por favor... – beirei nossos lábios e segredei quando nossas respirações mesclaram-se. – Tenha fé em mim e nunca mais me peça para esquecê-lo outra vez.

- Tenho fé em ti e esperanças em nós dois e em seu futuro, Yuu... – roçamos nossos lábios, fechando nossos olhos. – Ainda que fuja de si mesmo, sei que um dia irá aceitar tudo e lembrar-se de mim, não é...?

Esperanças em seu futuro...’

Aceitar tudo e lembrar-se de mim...’

Sabe o beijo entre nós? Então, ele sucedeu no exato momento em que uma nuvem alva deu espaço para outra gris e ampla no empíreo. O clima alterou bruscamente, como sempre advinha no verão, e as folhas verdes das árvores eram arrancadas pelos ventos impetuosos e sem adresse – que até mesmo desprenderam os cabelos úmidos e alongados de Kouyou. Nossas cútises molhadas eriçaram-se com aquilo, entretanto, não detivemos o ósculo.

Ei, Kou...

Recorda-se desse beijo que assinalou nossa contagem regressiva?

Minhas mãos acarinharam o abdômen dele por debaixo da blusa branca e alcei-a, retirando-a e arremessando-a para o lado. Curvei-me sobre seu corpo e, ali mesmo, deitei-o no chão para mostrá-lo que jamais poderia esquecê-lo. Meu amor por ele era vasto demais e nenhuma pessoa alteraria isso. Nunca. Mesmo se eu aprender a amar outra pessoa como o amei, jamais poderei me olvidar daquele que me mostrou o que é amar. O que é estar vivo.

O que é a esperança e as emoções.

Aquele que mostrou-me todas as nuanças.

O vento frígido e a chuva que encetara a incidir no quintal não nos impediram de nos amarmos ali no chão, cobertos pelo teto – ainda que as brisas ateassem quaisquer gotas de pluviosidade em nossos corpos úmidos. Nada e nem ninguém jamais pôde prevenir que nós ficássemos juntos, pois era nosso destino. Nosso destino regressivo que não abrimos mão, ainda que compreendêssemos que não seria nada para sempre. Afinal, nada nunca é para sempre. Seria tão bom se fosse, porém, não é...

Contudo, creio que, para sempre, amarei você, Kou.

Mesmo se eu amar outra pessoa, meu amor por você jamais esvaecerá”.

*

Apresento esperanças por uma vida melhor e acredito que, um dia, amarei alguém novamente. Kou, você reza por minha prosperidade, não reza? Cuida de mim, quando era eu quem devia estar cuidando de você. É, fugi de mim. De nós. Do mundo. Porém, não te olvidei em nenhum momento, mesmo quando o cinza era a excepcional matiz que restava em meu corpo. No fundo, todas as minhas emoções estavam sepultadas, contudo, vivas em sua efígie.

Então creio que chegou a hora de eu aceitar aquelas cores que não ambicionava aceitar por medo. O verde agora fazia-se presente também no picolé que Takanori comprara para tomar e, provando, desvendei que era de menta – o sabor da boca de Kou e que ele tanto amava, maiormente quando permutava-se com o tabaco da minha. Sabe, Kou... Atino que chegou a hora de respirar fundo, calcular até dez e, enfim, erguer os porta-retratos com nossas fotos.

Rever seu rosto contíguo ao meu, sorridentes.

Ei, Kou... Eu era a pior pessoa para você se apaixonar e confiar. Apresentar fé e criar esperanças em nosso relacionamento. Tanto é que me tornei gris, apático, quando você se foi. Ainda não lagrimei por sua morte e isso talvez me faça egocêntrico e indolente, não é? Sinto que o cinza inda está presente em mim, porém... Aos poucos, noto que não mais estará. Quando esse gris dissipar-se e eu te permitir ir completamente, Kou, então você não permanecerá mais ao meu lado como prometera sempre ficar?

Ei, Kou...

Você pode permanecer comigo um pouco mais?

Asseguro que seguirei minha vida e aprenderei a amar de novo.

Quando eu te inumar, Kou...

Então será, oficialmente, um adeus?


Notas Finais


Até quando o sentimento é bom, o capítulo parece que carrega um ar mórbido, não? Talvez pelo tema que abordo aqui: a morte de um amor, alguém querido -- ainda mais quando o Yuu sabia que Kouyou morreria. Ambos sabiam da morte, na verdade. Acho que isso é uma das coisas que mais pesa.

O que acharam do cap? Comentem! \o/ Faltam duas cores: o branco e o azul. "Ah, mas Mazinha, você não disse que há mais três capítulos?" Sim e há. O último capítulo será um extra, então somente aguardem s2 Semana que vem tem mais!

Kissus! *3*


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