História Enterre-me... - Capítulo 9


Escrita por: ~

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Categorias The GazettE
Personagens Aoi, Kai, Reita, Ruki, Uruha
Tags Aoi, Aoiha, Bury, Drama, Enterre-me, Gazette, Kai, Kill, Kou, Kouyou, Reita, Ruki, Shiroyama, Takashima, The, Uruha, Yaoi, Yuu
Exibições 35
Palavras 3.262
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Lemon, Lírica, Musical (Songfic), Poesias, Romance e Novela, Shonen-Ai, Universo Alternativo, Violência, Visual Novel, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Certo, estamos no capítulo nove, ou seja, falta mais três para que a fic chegue ao fim *n* Honestamente, estou feliz por estar encerrando-a ainda este ano e sinto como se um grande peso tivesse sido extraído de minhas costas. Este ano eu marquei minha volta à escrita com histórias de contextos pesados para mim e, olha que legal: ainda estou por aqui. Denota que a verde esperança está realmente caminhando comigo. Estou orgulhosa de mim mesma e grata a todos vocês, meus amores s2 Muito obrigada.

Boa Leitura!
Desculpem os erros'

Capítulo 9 - Verde: Esperança


Fanfic / Fanfiction Enterre-me... - Capítulo 9 - Verde: Esperança

Desejava ter rido muito dos meninos na manhã ulterior, contudo, não consegui – afinal, há tempos não sentia aquela ressaca colérica e minha cabeça latejava como o inferno. Ishihara e Yutaka competiam para ver quem regurgitava mais e, honestamente, faltava pouco para não colocarem as vísceras para fora de seus corpos descarnados e debilitados pelo abuso do álcool.

Vou para o inferno por ter rido deles e em nada socorrido?

Akira não encontrava-se tão ruim, todavia, creio que não fora uma boa ideia concorrer comigo noite antecedente, afinal, suava frio e passava mal. Só não tomava remédios, pois atino que isso agravaria a condição dele, portanto, deitou-se no sofá e permaneceu daquele jeito a tarde toda. Inexplicavelmente, os “melhores” dali eram Taka e eu – que padecíamos com as enxaquecas da ressaca, no entanto, já havíamos ingerido comprimidos para aprimorar.

Taka convidou-me para tomar um ar e um café numa cafeteria ali perto.

Aceitei, entretanto, fomos de óculos escuros e semelhando que morríamos em pé.

Sentados à mesa externa da cafeteria, fizemos nossos pedidos por café que logo chegaram. O sol da manhã, se não fosse os óculos que empregávamos, cegar-nos-ia e empioraria nossa dor. Qualquer ruído já deflorava nossos cérebros e até mesmo saborear o café estava intricado. Em silêncio, fitávamos as plantas ao redor e encarávamo-nos, rindo laconicamente de nossa própria conjuntura caótica.

Pena que não dava para rir mais do que dois segundos.

Nossa enxaqueca não permitia sermos felizes no dia de ressaca.

- Acho que morrerei... – enfim pronunciou-se, gemendo de dor e segurando sua cabeça com uma das mãos. – Mal recordo-me de ontem...

- Se serve de consolo, Ishihara e Yutaka não recordam-se de nada e creio que verão os próprios estômagos logo, logo, se persistirem vomitando como estavam antes de sairmos. – minha réplica extraiu uma risada célere e um gemido de dor dos lábios de Takanori.

- Ai, não faça-me rir, por favor... – suspirou, movendo seu café com a colherzinha, assim como eu perpetrava no meu. Até mesmo o ruído do contato do talher com a xícara debulhava nossas cabeças dolentes. – Aki também extrapolou e creio que ele não se reerguerá hoje.

- Acho que ninguém, nem mesmo nós. – bebi meu café preto e um tanto acrimonioso, logo fitando o entretom do líquido e das plantas que cercavam-nos: preto e verde respectivamente. – Quanta nostalgia cabe em ínfimas circunstâncias...? – comentei sozinho, no entanto, Taka ergueu seus olhos aos meus.

- Muitas... – creio que fechou seus olhos para saborear sua bebida e, assim que assoprou e deu pequenos goles no café, recolocou a xícara no pires, acarretando um ruído sutil, mas que debulhou-nos novamente. – Então, Yuu... Depois de tudo o que houve conosco nos últimos anos, ansiava desculpar-me pelas vezes que fui rude contigo, ainda que você merecesse.

- Ah, não precisa disso... Como você disse, eu mereci. Obrigado por fazer-me abrir os olhos para a vida novamente. – contrapus e ele, presunçoso, sorriu.

- Se é assim, então disponha. – é claro que não controverteria comigo, afinal, mesmo que desculpasse-se, Taka ainda cria que estava coberto de razão. Infelizmente, embora execrasse admitir, reconheço que ele estava mesmo. – Fico feliz que tenha retornado a ser você mesmo.

- Ainda não sou eu mesmo completamente, Taka... – isso porque parte de mim jazia aleitado em minha sala, arrumado de branco e azul, com a forma do Kou, lagrimando e lamentando o luto. – Mas estou volvendo aos poucos...

- Agora sim Kou poderá ficar em paz, sabia? – bebeu seu café, contudo, não consegui mais beber o meu. Meu estômago doera e não era por estuação, mas por saudades. – E creio que precisa visitá-lo. Sei que o túmulo dele deve ser o lugar que mais deseja ficar longe, todavia, deveria ir dialogar com ele... Levar flores, quem sabe.

- Como proferi, ainda não sou eu completamente, Taka... – suspirei. – Parte de mim não congregou as cores restantes e, portanto, não estou preparado para aceitar o luto e visitar a sepultura.

- Não entendi a parte que referiu-se às cores, mas tudo bem. Não vou forçá-lo a ir, desde que um dia vá somente para levar algumas flores. Quando estiver disposto.

- Tempo ao tempo. Logo estarei preparado e daí irei, não se preocupe. – tinha temor de pegar aquelas derradeiras cores de volta para mim, porque, como já pronunciei, embora tivesse aceitado a morte de Kouyou, não denotava que havia aceitado a conjuntura e que estava pronto para enterrá-lo. – Agora só desejo seguir minha vida de outra forma, que não seja de modo ridículo como fui nesses três anos.

- Agora sim está regressando a ser o Yuu decente, ou nem tanto, que conheci. – brincou Takanori e nós rimos um pouco, no entanto, logo gememos pela dor. – Sério, morreremos se persistirmos assim...

- Os remédios não perpetraram efeito ainda... Tenhamos esperanças de que logo façam para amenizar essa enxaqueca. – fechei meus olhos e aloquei minha mão na cabeça para tentar mitigar a dor. – Paciência e esperança...

- Falando em esperança... – Takanori comichou os olhos por debaixo dos óculos negros, respirando fundo em seguida. – Seja franco comigo, Yuu: tem esperança de tornar a amar ou ainda acha que é cedo demais para refletir nisso?

- Francamente, não sei te replicar, Taka. – suspirei, retirando a mão da frente de meu rosto. – Passaram-se três anos desde a morte de Kou, porém, sinto como se fosse recente ainda.

- Bem, pareceu-me mesmo que fugiu de si, de nós e da situação durante esse tempo, talvez pelo choque, então não estranha-me semelhar tão coevo assim. – comentou. – Para mim é também, mas creio que nem tanto quanto é para você.

- Talvez, não sei dizer ao certo... – também cocei meus olhos por debaixo dos óculos, porque tudo doía. – Bem, desejo pensar positivo, entende? Criar esperanças de que eu possa retornar a amar um dia. Nunca alguém suprirá o Kou e jamais o olvidarei, assim como meu amor por ele, contudo, anseio seguir em frente de todos os modos. Só que—

- Se vai proferir que tem medo de que Kou, esteja onde estiver, fique deprimido ou bravo se você namorar outra pessoa, pode deter aí mesmo, porque é tolice. – os vocábulos de Takanori sempre eram brutais e estapeavam-me toda vez que pronunciava-os. – Creio que Kou estava mais triste nesse tempo em que você agiu como um idiota e até fez aquela maluquice consigo na praia. Portanto, acredito que ele ficará depenado se você tornar a amar e ser feliz.

- É, atino que sim... – ele continha razão e, naquele instante, recordei-me de que Kou salvara-me quando tentei arruinar-me com o rubro. Quero dizer, não sei se aquilo sucedeu mesmo ou se somente arquitetei coisas, porém, de qualquer forma, desejo crer que ele ainda está ao meu lado e cuidando de mim, ainda que devesse ser o oposto. – Contudo, cobiço dar mais um tempo para mim e nutrir mais de minhas esperanças por uma vida melhor sem ele comigo, afinal, idealizei uma vida toda com ele e isso foi por água abaixo naquele acidente.

- Faz bem. – sorriu mitigado para mim, findando de beber seu café. – Agora que regressou a ser o que era, ainda que não completamente, estou mais aliviado, Yuu. Não creio que cessaremos de brigar sem razão, mas saiba que sempre pode contar comigo para o que carecer, porque sempre auxiliarei. – levou sua mão à cabeça outra vez. – Talvez não nos dias de ressaca, mas ajudarei nos outros.

- Digo-te o mesmo. – novamente ri, mesmo que a dor do ato latejasse mais minha cabeça. – Conte sempre comigo para o que precisar, Taka.

Sentia-me incomodado como era o amarelo intenso que cegava os olhos. Colérico como o hematoma roxo da violência. Com saudades como o torpor alaranjado do fim de tarde. Invejoso das mechas rosadas dos cabelos de Taka. Trazia pretensão de esvaecer em meio ao rubro ainda. Todavia, aceitava como o marrom dos cabelos de Kouyou e designava esperanças como as folhas verdes dos galhos das árvores – que simbolizavam a natureza dos bons sentimentos.

Estava reavendo tudo o que fora meu um dia.

Faltava um pouco ainda, mas estava.

Ainda assim, ajuizava: como poderia amar alguém da forma como amei Kou? Naquele momento, o revide era um completo enigma para mim e semelhava até mesmo impossível. No entanto, é para isso que serve as esperanças: para levar-te adiante. Seguir em frente e correr para impetrar a felicidade de um futuro incógnito. Por isso elas são verdes, pois denotam a maturidade das emoções, um dia púberes, e o frescor de nosso estado natural de ser humano.

Só que indago-me:

Kou, se eu aprender a amar outra pessoa...

Você realmente torcerá por minha felicidade ou me execrará?

*

“As folhas estavam verdes devido ao verão abrasador.

As amarelas ruíram no outono e os galhos retorcidos ficaram álgidos e secos no inverno. Flores formosas germinaram assim que a neve esvaeceu e, agora, o sol cintilava o verde das copas das árvores, enquanto os grilos cantavam. O vapor saía do concreto das casas e o chão flamejava naquele verão. Não havia qualquer ambiente bom ou mais arejado para ficar.

Estava torturante.

Ainda assim, embora abominasse o verão, admito que não era de todo ruim. Naquela tarde ardente, por exemplo, tempos depois de regressarmos do meio da mata, Kou jazia deitado no piso frio de minha casa. O ventilador estava diretamente ligado nele, já que Kouyou era individualista e não cobiçava que o ar circulasse pelo restante do ambiente. Saboreava um picolé verde como as folhas, enquanto prendia os cabelos no alto para suportar a quentura do verão.

Amava vê-lo daquela forma.

Eu regava algumas plantas de meu quintal com a mangueira e não utilizava uma camiseta, somente uma bermuda negra. Céus, ponderava que iria liquefazer com aquele sol abrasador em minhas costas e incinerando meus cabelos. Induzi meu olhar negro a Kou aleitado ali e quase engoli meu piercing quando vi-o ultimar de lamber o sorvete que derretera. Vê-lo atrapalhar-se para saborear o doce era algo que divertia-me.

E amava, por isso eu ria.

Joguei água em mim mesmo, banhando-me por completo.

Tal ato aliciou os olhos de Kouyou para minha efígie, que divertia-se vendo-me quase tomar um banho de mangueira por causa do calor. Destarte, ele assoviou para mim e fez sinal para que eu fosse apanhar o palitinho de madeira – exclusiva coisa que restara do antes sorvete verde, cujo sabor até hoje desconheço. Desejava que eu pegasse o lixo dele e arremessasse fora, contudo, se ele era folgado, eu também era. Dei de ombros para seu pedido.

Kou sempre parecia gemer meu nome quando almejava algo.

- Por favor, Yuu! – obsecrou ainda deitado, meneando o palitinho. – Não anseio mover-me muito, porque está quente! Nem o ventilador está salvando!

- Exponha-me algo que eu não saiba, Kou. – contrapus, fechando meus olhos e tornando a aguar-me com a mangueira. – Sabe onde tem lixo, então vá lá jogar.

- Não quero... E ainda sujei-me, porque o sorvete derreteu em mim. – vergou o lábio inferior e isso foi meu pretexto para mirar a mangueira nele e utilizá-la para molhá-lo ao longe. Embora ele estivesse com calor, detestava quando eu importunava-o daquela forma, então gritava e arriscava proteger-se com as mãos inutilmente. – Pare, Yuu!

- Não proferiu que sujou-se e está com calor? Então! Um banho de água gelada na mangueira refresca! – debochei e detive de arremessar água nele assim que percebi que ensopei-o, bem como ficara o local onde ele estava deitado. – Melhorou?

- Não! – embora parecesse aborrecido, eu achava graça do fato de que Kou atuava como uma criança contradita, amarrando os cabelos longos novamente. – Você é muito chato, sabia? Quando eu me for, duvido que consiga arranjar alguém que te ature como te aturo!

Quando eu me for...’

- Por isso que você não irá a lugar algum. – fechei a torneira e larguei a mangueira na grama de meu quintal, caminhando até ele, agora sentado no chão com o ventilador tocando em suas costas e fazendo quaisquer de seus fios de cabelo dançarem. – Porque não há ninguém que possa tolerar-me igual você e vice-versa.

- Creio que teria mais chances de encontrar alguém que ature-me, Yuu. – sentei-me a seu lado, auferindo seus olhos negros. – Apesar de não desejar.

- Se não deseja, então não deve rezingar de mim e, honestamente, duvido que alguém ature esse seu jeitinho folgado e aproveitador das boas vontades alheias.

- Tolerariam sim, todavia, talvez não tanto quanto você. – demos risadas altivas, enquanto as gotas d’água em nossos corpos dimanavam vagarosamente. Kou mexia em sua blusa úmida e parecia incomodado com ela. – Então, nesse ponto, pode ficar tranquilo. Almejo ficar contigo o máximo que eu puder e jamais te trocarei, até porque não terei tempo para isso.

O máximo que eu puder...’

Não terei tempo para isso...’

- Do que está falando, Kou? – produzi algumas risadas incômodas e ele sorriu deprimido, baixando os olhos para fitar seu próprio corpo. – Não entendi se pretende trocar-me ou não depois dessa.

- Não pretendo não, Yuu. – riu, entretanto, não de júbilo ou graça. Era aquela risada remota e macambúzia. – Contudo, deixarei claro que estou com medo...

- Medo de quê? – fitei-o seriamente e de forma dúbia. O vento abrasador meneava as folhas verdes da copa de minha árvore.

- De que esqueça-me um dia... Que esqueça que amou-me... – ele encostou seus olhos e meu coração cingiu-se dolentemente. – Não anseio que fique sozinho eternamente ou que faça-me votos de fidelidade, entretanto, não desejo que esqueça-me...

Sozinho eternamente...’

Não desejo que esqueça-me...’

- Kou, quantas vezes terei de te proferir que isso é impossível de ocorrer? Jamais te olvidarei. Jamais esquecerei meu amor por você e não ficarei sozinho eternamente, seu pessimista. – aspirava brincar, no entanto, por que minha voz gorava e minha boca secava? Não era por causa do clima, disso tinha certeza.

- Tem razão! – sorriu pueril, entretanto, era tão manifesto para mim que Kouyou angustiava-se com uma aceitação futura. – Se prometer jamais esquecer-me, então prometo que sempre permanecerei ao seu lado, mesmo se eu não mais estiver aqui contigo.

Sempre (...) ao seu lado, mesmo se não estiver mais aqui...’

- É melhor mesmo jamais sair do meu lado, Kou... – por favor, quando proferi aquilo, referi-me inteiramente. Sei que hoje ele ainda está comigo, no entanto, não da forma como eu desejava e ainda desejo. – Você é e sempre será meu único amor verdadeiro.

- Até que a morte nos separe. – e eu também sabia que nos arredaria, ainda que de forma inconsciente. – Contudo, não anseio isso, Yuu. Almejo que seja feliz, então precisa aprender a amar outras pessoas e ser feliz com elas.

Kou, suas falas sempre...

- Sei amar outras pessoas, mas meu amor por elas é desigual do amor que sinto por ti. – revidei, sentindo como se houvesse uma teratologia dentro de mim ambicionando despontar. Creio que era ansiedade e angústia.

- Pois bem, quando digo isso, Yuu, anseio proferir que terá de aprender a amar outra pessoa da forma como me ama. – sorriu-me, reabrindo seus olhos e fitando-me com veemência. – E precisa ser feliz e viver sua vida. Não cobiço que esqueça-me, porém, arrazoando bem, se rememorar-se de mim te debulhar e impedir de viver, então olvide-me, Yuu. Além disso, deixo expresso aqui meu alvará para você amar outra pessoa, pois sempre apoiarei sua felicidade.

Suas falas sempre foram direcionadas à vida após sua morte...

- Autoriza-me...? Certeza...? – ele assentiu e eu sorri mitigado, mas com angústia e consternação. Aquele emaranhado de versos podia não ter sentido aos ouvidos de terceiros, no entanto, para nós fazia pleno sentido, conquanto não soubéssemos elucidar o porquê ou como sabíamos de tudo. – Todavia, jamais te esquecerei, Kou.

- Yuu, você não deve—

- Devo sim, pois você é meu primeiro amor verdadeiro. – obstruí-o pondo meu dedo indicador em seus lábios macios e trêmulos. Resvalei minha mão para sua face, um tanto úmida, e afaguei sua bochecha tenra. – Talvez eu contenha outros amores, todavia, você sempre será o primeiro que amei e jamais me esquecerei desse amor que tanto nutri e ainda nutro por ti, Kou. Então, por favor... – beirei nossos lábios e segredei quando nossas respirações mesclaram-se. – Tenha fé em mim e nunca mais peça-me para esquecê-lo outra vez.

- Tenho fé em ti e esperanças em nós dois e em seu futuro, Yuu... – roçamos nossos lábios, fechando nossos olhos. – Ainda que fuja de si mesmo, sei que um dia aceitará tudo e se lembrará de mim, não é...?

Esperanças em seu futuro...’

Aceitar tudo e lembrar-se de mim...’

Sabe o beijo entre nós? Então, ele sucedeu no exato momento em que uma nuvem alva deu espaço a outra gris e ampla no empíreo. O clima alterou bruscamente, como sempre advinha no verão, e as folhas verdes das árvores eram arrancadas pelos ventos impetuosos e sem adresse – que até mesmo desprenderam os cabelos úmidos e alongados de Kouyou. Nossas cútises molhadas eriçaram-se com aquilo, entretanto, não detivemos o ósculo.

Ei, Kou...

Recorda-se desse beijo que assinalou nossa contagem regressiva?

Minhas mãos acarinharam o abdômen dele por debaixo da blusa branca e alcei-a, retirando-a e arremessando-a para o lado. Curvei-me sobre seu corpo e, ali mesmo, deitei-o no chão para mostrá-lo que jamais poderia esquecê-lo. Meu amor por ele era vasto demais e nenhuma pessoa alteraria isso. Nunca. Mesmo se eu aprendesse a amar outra pessoa como amei-o, jamais me olvidaria daquele que mostrou-me o que é amar e estar vivo.

O que é a esperança e as emoções.

Aquele que mostrou-me todas as nuanças.

O vento frígido e a chuva que encetara a incidir no quintal não impediram-nos de amarmo-nos ali no chão, cobertos pelo teto – ainda que as brisas ateassem quaisquer gotas de pluviosidade em nossos corpos úmidos. Nada e nem ninguém jamais pôde prevenir que ficássemos juntos, pois era nosso destino. Nosso destino regressivo que não abrimos mão, ainda que compreendêssemos que não seria nada eterno. Afinal, nada é infindável. Seria tão bom se fosse, porém, não é...

Contudo, creio que, eternamente, amar-te-ei, Kou.

Mesmo se eu amar outra pessoa, meu amor por você jamais esvaecerá”.

*

Apresento esperanças por uma vida melhor e acredito que, um dia, amarei alguém novamente. Kou, você reza por minha prosperidade, não reza? Cuida de mim, quando devia ser o oposto. É, fugi de mim, de nós, do mundo... Porém, não te olvidei em nenhum momento, mesmo quando o cinza era a excepcional matiz que restava em meu corpo. No fundo, todas as minhas emoções estavam sepultadas, contudo, vivas em sua efígie.

Creio que chegou a hora de aceitar aquelas cores que não ambicionava por medo. O verde agora fazia-se presente também no picolé que Takanori comprara para tomar e, provando, desvendei que era de menta – o sabor da boca de Kou e que ele tanto amava, maiormente quando permutava-se com o tabaco da minha. Sabe, Kou... Atino que chegou a hora de respirar fundo, calcular até dez e, enfim, erguer os porta-retratos com nossas fotos.

Rever seu rosto contíguo ao meu, sorridentes.

Ei, Kou... Eu era a pior pessoa para você apaixonar-se e confiar, apresentar fé e criar esperanças em nosso relacionamento. Tanto é que tornei-me gris, apático, quando você se foi. Ainda não lagrimei por sua morte e isso talvez faça-me egocêntrico e indolente, não é? Sinto que o cinza inda está presente em mim, porém... Aos poucos, noto que não mais estará. Quando esse gris dissipar-se e eu te permitir ir completamente, Kou, então você não permanecerá mais ao meu lado como prometera sempre ficar?

Ei, Kou...

Pode permanecer comigo um pouco mais?

Asseguro que seguirei minha vida e aprenderei a amar novamente.

Quando eu te inumar, Kou...

Então será, oficialmente, um adeus?


Notas Finais


Até quando o sentimento é bom, o capítulo parece que carrega um ar mórbido, não? Talvez pelo tema que abordo aqui: a morte de um amor, alguém querido -- ainda mais quando o Yuu sabia que Kouyou morreria. Ambos sabiam da morte, na verdade. Acho que isso é uma das coisas que mais pesa.

O que acharam do cap? Comentem! \o/ Faltam duas cores: o branco e o azul. "Ah, mas Mazinha, você não disse que há mais três capítulos?" Sim e há. O último capítulo será um extra, então somente aguardem s2 Semana que vem tem mais!

Kissus! *3*


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