História Entre as árvores - Capítulo 2


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Aventura, Comedia, Entre As Árvores, Floresta, História, Medieval, Original
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Palavras 2.251
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Fantasia, Ficção, Magia, Mistério, Romance e Novela, Suspense, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Agora sim vai começar a história, toda em 1° pessoa, boa sorte.

Capítulo 2 - A 3 Lua de sangue


Fanfic / Fanfiction Entre as árvores - Capítulo 2 - A 3 Lua de sangue

   No meio da noite acordei em um susto, graças a um prolongado uivo vindo da fronteira, seguido por um silêncio mortal, todos estão dormindo, olho para a parede de meu quarto escuro e imagino que devo não ser a única criatura acordada àquela hora no vilarejo. Num pulo saio da cama e corro até a janela, observo um lobo numa montanha uivando para uma grande lua de sangue, vermelha e enorme, parecia realmente estar escorrendo sangue por ela toda... É hoje. Finalmente chegou o dia. Durante meses esperando esse dia.

  Corro até o quarto de meus pais e ignorando a hora pulei na cama os acordando.

  - Neith, que horas são?- Perguntou minha mãe com voz de sono.

  - É a hora de eu trazer justiça!... Ou meia noite, como preferir.

  - De novo com isso não, já disse que você não tem permissão para atravessar a fronteira, é perigoso demais. Além disso, Laken Fox não tem nada a ver com Ghostland, e você não vai resolver os problemas deles. Somos vizinhos e a regra que proíbe a passagem não será quebrada por você!

   - Mãe, eu prometo que vou me cuidar, já tenho 18 anos, só acho injusto como aquele rei trata o povo.

  -Já disse que não! – Nossa não precisava gritar – Você não tem minha permissão, volte a dormir.

  Volto para meu quarto me arrastando, minhas esperança tinha se perdido, pego o papel escondido debaixo de minha cama e leio novamente.

 

  “Olá, seja quem estiver lendo isso, precisamos de ajuda, somos de Ghostland e essa é a décima terceira vez que eu envio uma carta através do rio, não sei nem se vai chegar a algum lugar dessa vez. Mas se por acaso chegar, peço sua atenção.

  Sou Elizabeth Henry, prazer em conhecê-lo (a). Você estaria disposto (a) a enfrentar os perigos desconhecidos da fronteira para ajudar uma cidade que nunca viu? Se sim, por favor, venha, serei sua tutora e tenho um plano para que Ghostland volte a ser como era antes.

  Se aceitar meu convite, me encontre do outro lado da fronteira, próximo ao castelo do rei Menas, Vila Scorpions. venha na 3° Lua de Sangue. Estarei esperando.

                            Espero que não morra, Sua tutora.”

 

 

   Certo que ainda é o 1° dia de lua de sangue, mas não vai fazer diferença mesmo, é a mesma lua. Escuto passos, jogo a carta novamente debaixo da cama e finjo estar dormindo. Escuto a voz de meu pai dizendo:

 

    - Sei que está acordada... Não adianta fingir, vamos, abra os olhos. – Obedeci – Ótimo! Bem melhor... Neith... Eu e sua mãe sabemos que você gosta de aventuras e por isso te deixarei ir.

   - Sério? – Ele só pode estar brincando. Mas com certeza tem algum motivo maior do que os perigos para não terem me deixado ir.

   - Mas antes, preciso te contar uma história. – Sabia que tinha alguma coisa – Enfim, há alguns anos atrás aconteceu um conflito aqui em Laken Fox, ficaram revoltados, pois a princesa herdeira ao trono havia se apaixonado por um garoto qualquer quando ela deveria se casar com seu primo, tudo acabou numa revolta do povo já que tinha haver com o futuro de todos nós e tudo resultou na morte do garoto, da garota e o primo dela acabou governando.

 

   -Para de enrolar, pai. Fala logo.

 

   - Okay, no meio do conflito muitas pessoas desapareceram, algumas pessoas falam que elas fugiram para a fronteira. E nunca mais foram encontradas. Uma delas era sua Tia-avó, que era apenas uma criança. Por isso temos medo de que nunca mais volte para nós.

 

   - Não se preocupe pai... Vou sobreviver. Eu prometo.

 

   Abracei meu pai, peguei algumas coisas e fui embora sem olhar para trás. Antes de entrar na floresta eu olho para as árvores, tudo reflete com uma cor vermelho vivo, é como se estivesse de manhã, engoli meu medo e andei para dentro da floresta. Observo tudo ao meu redor, árvores, elas tinham muitos frutos, estranho, estamos no outono na minha cidade, mas aqui parece ainda ser verão. Montanhas um pouco longe dali, mas não tão longe, estradas sem fim e um rio... Provavelmente o que ela usou para trazer a carta até aqui. Bem, se chegou até aqui, no outro lado tem para onde estou indo. Achei minha trilha.

 

   Depois de algumas horas caminhando escuto vozes, não consigo entender o que falam. As vozes vêm de todos os lugares, mas é mais alto vindo da água, coloco meu ouvido próximo ao rio para tentar entender. Algo puxa meu braço para debaixo d’água, tento me soltar mas é mais forte que eu, cada vez mais sinto meu corpo sendo levado para a morte, a falta de ar aumenta a cada segundo, desesperada, balanço meus braços a procura de alguma coisa e sinto um pedaço de vidro. Consegui uma chance de sobreviver.

     Procuro a pele do que está me puxando e sinto braços escamosos, cravo o vidro em escamas de uma criatura assassina desconhecida e escuto um grito agonizante, estou tonta graças à velocidade que fui trazida aqui para baixo, mas com a força que me resta eu nado para cima, minha esperança está lá de novo, vamos, pense em Elizabeth, naquele povo, naqueles que você nem conhece, pense no filho do rei que você terá a honra de conhecer, pense na sua promessa para seu pai. Com isso na cabeça, motivações, eu conseguia nadar, me livrar daquele pesadelo.

   Quando sinto o vento frio em minha mão sinto também várias mãos puxando minhas pernas para baixo novamente, acabou assim... Como uma covarde, nem consegui chegar à metade da floresta sem morrer... Minha promessa foi em vão, Ghostland... Continuará a mesma... Meus pensamentos são interrompidos ao sentir um vulto nadando com rapidez ao meu redor, sinto cada vez menos escamas a me puxar. Não sei se devo ficar agradecida ou com medo de não saber o que está a minha frente. Sem mais fôlego, apago.

                   ******

 

    Cuspo água fora, vejo um borrão, tudo começa a fazer sentido, estou viva... Sento rápido e analiso tudo ao meu redor, o rio, as árvores e um garoto, loiro de olhos castanhos.

   - Acordou hein?

   - Não, sou sonâmbula.

   - Nossa, um “obrigada por me salvar minha vida” já estava bom.

   - Não preciso que salvem minha vida.

   -Não era o que parecia - Espera, ele está sorrindo? Esse garoto não se irrita com nada mesmo? – Enfim, me responda garota, Por que é tão chata?

   - Eu não sei os seus, mas os meus pais me ensinaram a não falar com estranhos. – Levantei, peguei minha mochila e fui à direção ao meio da floresta. O garoto puxa meu braço e diz:

   - A questão é que quase não tive pais. Além disso, quem cuidou de mim sempre me ensinou a ter um bom coração e ajudar quem precisa independente de quem fosse.

  Okay... Sem palavras. Eu deveria agradecer, é seria o mínimo que poderia fazer.

  - Desculpe, obrigada por salvar minha vida.

  O garoto trocou o olhar sério por um sorriso sincero, sorri também.

  - Certo, vamos andando e como somos estranhos, pretendo parar de ser. Qual seu nome?

  - Neith... E o seu?

  - Nicholas Souza.

 

          ******

 

   Após um tempo andando, eu e Nicholas paramos para descansar próximo a uma caverna. Nesse meio tempo acabei descobrindo coisas sobre a floresta, ninfas: naturalmente tem olhos verdes, que ao ficarem apaixonadas ficam rosa, com raiva ficam vermelhos e são capazes de tudo dependendo de seu estado emocional.

    Descobri também que o que me atacou foram sereias nada boas, o que deu para perceber, elas bebem sangue humano, mas não comem... O que é bem estranho... Nessa floresta também existem Trolls, mas há anos Nicholas nunca achou nenhum por aqui. Contou-me que antigamente existiam dragões, mas é só uma lenda, acredite quem quiser.

    Distraída com as estrelas no céu escuro, sentindo o calor  lamparina à vela que Nicholas segurava, continuo analisando a floresta, nem sei por que. Nicholas chama minha atenção:

    - Achei uma placa na entrada da caverna. Preste atenção.

    Enquanto escutava vagamente o que Nicholas dizia estar escrito na placa, entrei na caverna, está aquecido e calmo. Volto a prestar atenção a Nicholas.

   - Aqui é marcado como o território onde o penúltimo dragão de todas as eras fora morto, o último fora enfeitiçado para não mais acordar...

   Nossa que interessante essas coisas que ninguém quer saber, vejo uma esmeralda aos meus pés, vejo a minha frente uma luz incomum refletindo a uma mesa onde existiam sete espaços e seis deles estavam ocupados por pedras e diamantes diferentes, pego a esmeralda e vejo que o espaço vazio tem o mesmo formato que a pedra... Coloco sem pensar.

  - Atenção, mantenha distancia do santuário – Nicholas acabava de ler a placa – É o único modo de acordar o dragão do feitiço.

   Opa... Sem querer... Senti um calor em minhas costas e uma pele áspera passar por minha espinha... Estamos perdidos. Corro para a entrada da caverna seguindo Nicholas que já estava lá fora, me esperando, até que sou arremessada para o fim da caverna com muita velocidade por uma pata gigante. Bato a cabeça na rocha e apago.

 

    *****
     Acordo em um lugar pequeno e abafado, vejo um homem que deve ter o dobro do meu tamanho a minha frente, ele tem a aparência exata de um viking e está pegando armas variadas que estão em uma das paredes.

    -Olá garota, sou Luuk, você bateu a cabeça muito forte e nem sei como está acordada, seu namorado está em perigo e eu irei salva-lo. Pode ficar aqui, segura.

    Namorado? Sério? Okay, enfim. Assimilando tudo... Fui arremessada para longe por um dragão... Não consigo lembrar de muita coisa, vamos Neith, lembre... Okay. Lembro de sereias, ninfas, um garoto... Nicholas. Ai Meu Deus, Nicholas... Independente de quem seja está em perigo.

    Volto a me concentrar no lugar onde estou e o tal de Luuk não está mais lá. Pego a única arma que sobrou na sala, uma espada não tão grande, mas afiada o bastante para machucar alguém ou algo. Ainda me sinto tonta, mas quem se importa? Tem um garoto que lembro vagamente e um cara que acabo de conhecer que precisam de ajuda.

    Subo as escadas e faço todo o meu esforço para abrir uma porta de pedra, quando finalmente consigo vejo uma caverna pouco iluminada, mas a luz que vem de fora me proporciona a visão de um dragão maior até que a caverna, Luuk com suas armas tentando degolar o monstro e no meio da tudo vejo um garoto deitado, desmaiado ou morto, ele não se mexia e uma ninfa ao seu lado o observando. Nem sei quem ele é... Provavelmente Nicholas, mas a cada passo que eu dou em sua direção coisas aparecem em minha cabeça, à dor lateja onde sinto sangue escorrer, mas quanto mais dor eu sinto, mais eu me lembro. Nicholas.

     Corro desesperada em direção ao garoto e ao chegar vejo que os olhos da ninfa estão completamente rosas... Está apaixonada... Opa querida, não por Nicholas. Sem pensar duas vezes eu cortei a cabeça da ninfa que caiu no chão gelado da caverna, seus olhos... Prata. Parece que descobri mais informações sobre ninfas. Vejo um caderno no chão e o pego... “N. S.” está escrito de tinta na capa de um caderno velho. Abro e vejo anotações, desenhos e papeis colados...           Quando começo a observar mais o caderno, escuto Nicholas resmungando e se levantando. Rapidamente o escondo em minha bolsa e finjo que nada aconteceu o abraçando.

      - Neith, você está bem?

      - Claro que está – Luuk respondeu antes que eu pudesse abrir a boca – Eu mesmo cuidei dela... Pelo menos até ela se recusar a descansar. Sua namorada realmente é muito valente. Ah propósito me chamo Luuk.

    - Espere, namorada? Ela não... É, ela realmente é bem valente.

    Olho para os dois sem acreditar no que acabei de ouvir, aah tanto faz. Seguimos caminhando após nos despedimos de Luuk e descobrimos que ele dera um jeito no dragão. Nunca fiquei tão feliz em ver árvores na minha vida, ainda está longe do amanhecer, mas continua sendo difícil de ter certeza com tamanha claridade que a lua de sangue nos trás.

   ******

 No caminho decidimos parar, pois Nicholas estava muito cansado, e eu já estava achando insuportável ele sem saber para onde ir, nem sei como consegue voltar para casa.

  -Sério. Você se perde sempre, tem certeza que vem aqui toda hora?

  - Claro... É verdade que às vezes me perco... Mas sempre acampo por aqui nos 3 dias de lua de sangue.

   - Eu ainda não entendi esse fascínio dos habitantes de Ghostland pela lua de sangue.

   - É, parece que você não conhece a lenda... Mas só vou contar depois de dormir um pouco.

   Ele sorriu novamente, o sorriso dele sempre é lindo e contagiante, transmite felicidade a qualquer um... E mesmo às vezes sendo meio... Como posso dizer? Nada inteligente.  Consegue transmitir segurança e mesmo sem conhecê-lo bem, sei que posso confiar nele... Agora eu sei.

   Quando ele adormece, pego o caderno... Várias anotações sobre criaturas que eu nem sabia que existiam, curiosidades, data em que foram encontradas... Volto para a capa, N. S., Nicholas Souza. Não importa. Apesar de terem muitas coisas interessantes nesse caderno também estou cansada... Já é quase de manhã. Guardo o caderno novamente e encosto-me à árvore. Minha última visão é Nicholas deitado na grama e um vulto se aproximando calmamente... Cansada demais para prestar atenção no que poderia ser, durmo.

 


Notas Finais


Sofram.


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