História Entre as Sombras e a Luz - Capítulo 4


Escrita por: ~

Postado
Categorias Saint Seiya
Personagens Afrodite de Peixes, Marim de Águia, Misty de Lagarto, Shun de Andrômeda
Tags Afrodite, Afrodite De Peixes, Afrodite X Shun, Drama, Magia, Mistério, Romance, Shun, Shun de andromeda, Sobrenatural, Traição, Vampiros
Exibições 88
Palavras 6.667
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fantasia, Lemon, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Estupro, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Olá meus queridos leitores.
Me desculpem pelo atraso, mas aconteceu uma tragédia aqui na minha cidade e eu acabei ficando sem poder fazer nada. Mas agora está tudo voltando ao normal.

Bem, preparem seus corações, pois esse capítulo será muito forte e dramático.
Deixem do lado de vocês uma caixa de lenços e uma chá calmante, vocês vão precisar.
Já atualizei a playlist com a música desse capítulo, recomendo que a ouçam enquanto estiverem lendo, vai dar mais imersão a leitura.
Deixarei os links nas notas finais.

Bem, espero que gostem e tenham uma boa leitura.

Capítulo 4 - Abalo e separação


Fanfic / Fanfiction Entre as Sombras e a Luz - Capítulo 4 - Abalo e separação

Assim as semanas foram se passando, Shun e Afrodite se amavam quase todas as noites como se tivessem ficado longe um do outro por milênios.
Shun deixara de ser um servo e agora ocupava a posição de um dos senhores daquela casa, o castanho estava radiante e muito feliz ao lado de Afrodite e o mesmo podia ser dito do belo vampiro. Afrodite nunca mais sentira a terrível dor da solidão e agora se sentia muito feliz e amado ao lado de seu anjo.
E para proteger e preservar o castanho, Afrodite e Marin usavam a desculpa de que Shun se tornara um aprendiz do loiro e seria um futuro musicista.

O único que não estava nada feliz era Misty, o loiro estava furioso com as regalias que seu mestre dera ao seu inimigo. Mesmo sentindo muita raiva e incômodo, preferiu ficar em seu próprio canto. Isso surpreendeu muito a ruiva, pois achava que Misty fosse fazer algo contra seu amado menino, mas o loiro estava bem quieto, até demais.

Mas algo estranho começou a acontecer com o oriental, nos últimos dias Shun se sentia fraco e um pouco cansado. Quase desmaiara três vezes e aquilo estava preocupando muito Afrodite e Marin.
Como precaução, a ruiva dera todos os tipos de chás e remédios curativos ao castanho que pareceram surtir efeito. Mas de qualquer forma, decidiram ficar de olho no mais novo, pois sabiam que um simples resfriado poderia se tornar algo muito pior e perigoso.

Naquele dia Shun acompanhava alguns servos encarregados da compra de mantimentos para a casa. Como Marin estava muito ocupada com as tarefas da casa, o oriental se oferecera para ir com alguns servos até a cidade.
Mas quando estava saindo de uma das vendas, um homem alto e forte chamou sua atenção.

- Você trabalha para o senhor Henson, não é mesmo?
- Sim, mas por que a pergunta?
- Só estava tirando uma dúvida rapaz. Agora eu te reconheço, você é o menino que ele salvou dos piratas.
- Pelo visto a fofoca se espalhou bem rápido. O senhor Henson me salvou de um destino terrível, e como agradecimento o sirvo em sua casa.
- Garoto, o seu mestre não é quem ele mostra ser. Tome muito cuidado com ele.
- Me desculpe, agora eu tenho que ir.
- Eu não estou mentindo meu jovem, você só está aqui por causa dele.
- O que disse?!
- Eu sei que estou parecendo um invejoso, mas só estou te dizendo a verdade.
- Já chega dessa palhaçada, eu tenho coisas mais importantes pra fazer. Tenha um bom dia.

Shun já estava irritado com aquele atrevimento, sabia que muitos odiavam seu amado por causa do grande prestigio que ele tinha e por isso viviam inventando um monte de histórias falsas sobre ele. Tudo para prejudicá-lo, mas como nunca tinham sucesso, ficavam de birra ao invés de tentarem subir na vida e não destruírem a dos outros.
Mas quando se virou para ir embora, novamente é abordado por aquele homem.

- Garoto, foi o seu senhor quem contratou aqueles seres asquerosos para seqüestrarem o navio que você viajava. Ele ficou tão furioso por aquele comerciante por tê-lo passado pra trás que mandou o navio ser seqüestrado sem se importar com as vidas inocentes que seriam sacrificadas.
- Isso é mentira, o meu senhor nunca...
- Pergunte sobre isso a aquela serva ruiva que trabalha pra ele. Ela é o braço direito do seu senhor e sempre soube de toda a verdade. Não foi um acaso ele ter te encontrado naquele porto, ele estava indo buscar a mercadoria roubada e apesar de inesperado, você veio como um bônus.
- Não pode ser, isso quer dizer que o meu senhor...
- Às vezes o seu mestre faz negócios com pessoas sujas, principalmente quando quer se vingar de algum comerciante que tentou passar a pena nele ou arrancar mais dinheiro dele.
- Isso é mentira, o meu mestre não faz esse tipo de coisa!
- Vejo que eles já fizeram a sua cabeça. Se o seu mestre não faz esse tipo de negocio, não acha estranho ele ter te encontrado perto daquele porto clandestino? O que um homem culto e sério estaria fazendo por ali se não tinha nada de seu interesse?
- Não, não pode ser, ele jamais...
- Meu jovem, aqueles piratas que seqüestraram o navio que você estava, foram contratados pelo seu senhor. O senhor Henson estava muito interessado naquela carga e até tentou fazer negócio com aquele comerciante. Só que na ultima hora o infeliz desfez o trato, pois um comerciante de Portugal oferecera um valor bem maior pela carga.

Shun arregalou os olhos ao ouvir aquele relato, aquilo era muito preciso para ser uma história inventada. Aquele homem realmente sabia do que estava falando. Sentiu seu coração doer e sangrar só de pensar que o tinham enganado e que fora usado por quem mais amava.

- Você está inventando isso! Isso não pode ser verdade, ele não...
- Eu sinto muito garoto, mas essa é a mais pura verdade, você não está aqui e ele não te encontrou por um simples acaso. Eles te enganaram durante todos esses anos, tome muito cuidado, pois o seu senhor e aquela ruiva são pessoas ardilosas e muito perigosas. 

Sem dizer uma palavra, Shun sai rapidamente daquela venda, sentia seu coração apertar ao pensar que foi seu amado quem lhe causara aquele enorme sofrimento e humilhação que passara no navio. Tentava negar com todas as suas forças o que aquele homem lhe dissera, mas sempre que analisava o ocorrido, chegava a mesma conclusão, seu amado realmente estava envolvido no seqüestro do navio que viajava.

Não demorou muito e encontrou os servos que estava acompanhando, sem dizer uma palavra, pegou seu cavalo e partiu em direção a mansão onde vivia. Os servos o seguiram sem questionar, pois não queriam problemas com o loiro.
Quando chegou na mansão, o castanho deixou o cavalo no estábulo e foi direto procurar a pessoa que considerava como uma mãe para si, mas agora sua visão da ruiva estava bem diferente.
Não demorou muito e a encontrou arrumando um dos quartos, aquela era a oportunidade perfeita para descobrir toda a verdade que eles ocultaram.

- Marin, eu posso falar com você?
- Sim meu querido, o que você deseja?
- Não me chame assim, não precisa mais continuar com essa farça.
- Shun do que você está falando, eu não estou entendendo.
- Eu descobri toda a verdade sobre a minha chegada aqui na França, foi o mestre quem mandou seqüestrar o navio onde eu estava.
- Quem foi que te contou esse desaforo?! Shun, isso não é verdade, tudo foi um grande acaso, mas que terminou bem pra vocês.
- Mentirosa! Eu achava que tinha sido um grande acaso do destino o mestre ter me encontrado naquele porto. Mas não foi isso, na verdade ele estava ali para pegar a carga roubada, pois que outro motivo o levariam até aquele lugar imundo a não ser esse?! Ele me tirou muito fácil das mãos deles, agora sei o motivo. A pessoa que eu mais amo é na verdade um criminoso sem escrúpulos.
- Não diga isso Shun, o mestre não é nenhum criminoso.
- Diga logo a verdade Marin, já chega de mentiras!

Vendo que a situação tinha fugido de controle e que não estava conseguindo enrolar o garoto e acobertar aquela história, Marin decide contar a verdade para tentar acalmar Shun e fazê-lo entender que Afrodite se arrependera do que fizera.

- É verdade, foi o mestre quem mandou aqueles piratas seqüestraram o navio. Mas você não sabe o quanto ele se arrependeu por ter feito aquilo. Ao ver o que aqueles monstros fizeram com você, ele sentiu uma culpa tão grande que nunca mais fizera nada com piratas.
- Isso não importa, o que ele fez é imperdoável! Sacrificar vidas por causa de dinheiro e mercadorias é inaceitável. Eles não me mataram, mas fizeram várias atrocidades comigo!
- Shun se acalme, sei que foi horrível o que eles te fizeram, mas não vai ajudar em nada ficar com raiva do mestre.
- Como você quer que eu não fique com raiva dele?! Não sei se vou conseguir continuar ao lado daquele monstro, isso muda muita coisa!
- Não diga isso Shun, ele te ama e precisa de você. Não o deixe ou ele voltará para aquela escuridão.
- Eu não quero mais isso, e que ele volte de onde veio. Ele soube muito bem aproveitar o meu aparecimento e a minha gratidão. Não passo de um tolo que ele usa como quer, mas agora já chega.
- Não diga isso, Afrodite nunca te usou, ele te ama de verdade! Por favor, não deixe o ódio e o rancor te cegarem. Ele pode ter errado, mas...
- Já chega Marin, eu não quero mais ouvir mentiras! Eu nunca fiu nada além de um brinquedo nas mãos dele!

Ao ouvir aquelas palavras tão duras do castanho, Marin se desespera pois sentia que aquilo ia acabar em uma enorme tragédia. Em um ato desesperado, foi até Shun para lhe abraçar e tentar acalmá-lo. Mas o oriental reage de uma forma bastante negativa.

- Não me toque nunca mais, você também me enganou!
- Shun, não faça isso, Afrodite vai enlouquecer se você o deixar. A raiva está te cegando, o mestre nunca te usou e te ama de verdade. Juro que nunca o vi tão feliz. Ele errou, mas fez de tudo para reparar o erro, o mestre fez muita coisa boa por ti.
- Fez tudo isso para me cegar e me prender cada vez mais a ele usando os meus sentimentos.
- Não Shun, ele te ama e nunca...
- Já chega, eu vou para o meu quarto!

Em seguida Shun caminha rapidamente em direção ao seu quarto, estava tão decepcionado e enraivecido que não conseguia mais ver seu amado, mas sim um monstro que se ocultara como seu salvador.
Naquele momento sua mente lhe gritava que o loiro só o deixou ficar ali por conveniência e também para satisfazê-lo. Toda aquela história de amor não passava de uma farsa para mantê-lo preso a ele. Tinha caído direitinho no jogo daquele vampiro, mas agora tinha que se libertar daquela farsa.
Em seguida pegou uma muda de roupas limpas e foi tomar um banho, naquela noite não vestiria um quimono e não o encontraria na sala de música.

Em outra parte da casa, Marin estava uma pilha de nervos com aquele comportamento do castanho. Temia que Shun fizesse uma loucura e magoasse seu senhor, não queria que eles brigassem, mas nada podia fazer para impedir aquilo.
Pensava em quem tinha sido o infeliz que contara aquilo ao seu menino e logo Misty veio a sua mente. Sentia que tinha dedo daquele egoísta naquela história, mas não podia fazer nada sem provas. Só podia rezar para que aquilo não terminasse em tragédia.

Mais tarde naquela noite, Afrodite vai até a sala de música ansioso para ver seu amado e escutar ele tocar o cravo e a flauta para si. Já imaginava o que faria com o castanho depois da aula de música, mal podia esperar para levá-lo ao seu quarto e fazê-lo enlouquecer.
Mas quando entrou na sala de música, ficou intrigado ao não ver o castanho esperando por si como sempre fazia. Não pensou duas vezes e foi procurar pelo seu amado em seu quarto. Quando chegou no local, viu que a parta estava aberta e entrou devagar.
Não demorou muito e encontrou o castanho na pequena varando, Shun estava de costas e parecia observar o céu estralado.

- Ai está você, fiquei preocupado quando não te vi na sala de música.
- Afrodite, o que eu realmente sou pra você?
- Você é tudo pra mim meu pequeno, a melhor coisa que aconteceu em minha vida. Mas por que a pergunta?
- Não precisa mais fingir, hoje eu descobri a verdade por trás do seqüestro do navio que eu viajava. Nunca imaginei que você estivesse envolvido naquilo.

Ao ouvir aquelas palavras, o loiro arregalou os olhos e sentiu um aperto no peito. Jamais imaginara que Shun fosse saber daquela história tão suja. Em seguida apertou o punho com força, pois algum infeliz tinha aberto a boca para prejudicá-lo.
Mas agora tinha um problema muito maior e temia perder o castanho.

- Quem foi que te disse essa barbaridade?
- Isso não importa agora, não precisa tentar me enrolar, uma pessoa me contou toda a verdade,  então apenas juntei os fatos e uma pessoa que eu confiei muito me confessou tudo.

Afrodite fica estático ao ouvir aquelas palavras, algum verme o tinha entregado e certamente Shun colocara Marin contra a parede a obrigando lhe contar toda a verdade.
Sentia um misto de raiva e medo, pois tinha sido descoberto e estava encurralado sem ter para onde fugir. Agora sua única saída era dizer a verdade e tentar mostrar ao castanho o quanto se arrependera e que nunca mais fizera aquilo.
Não queria perder seu grande amor, mas parecia que seu mundo estava desmoronando mais uma vez.

- Shun, aquela foi à pior besteira que eu já fiz. A culpa que senti foi tão grande que nunca mais contratei serviços sujos. Nunca me importei com ninguém, mas depois que te vi naquele estado, passei a pensar melhor nas minhas atitudes.
- Pelo menos os horrores que passei serviram para alguma coisa, mas nada irá apagar aquelas atrocidades que eles fizeram comigo.
- Eu sei que não meu amor, sinto muito que você acabou sofrendo por culpa do meu egoísmo e arrogância. Mas vamos viver o presente e deixar isso no passado.

Em seguida o loiro se aproxima mais de seu amado e tenta abraçá-lo, mas Shun se desvia se virando em sua direção. O olhar sem expressão do castanho fez Afrodite sentir um aperto ainda mais forte em seu peito.

- É muito fácil pra você falar disso, mas você realmente me ama ou eu sou apenas um amante e um objeto em suas mãos?
- Shun, você está duvidando dos meus sentimentos?! Depois de tudo que passamos você duvida de mim?!
- Infelizmente essa verdade abriu uma enorme brecha.

Ao ouvir aquela resposta, o vampiro sente uma grande raiva do mais novo, tinha errado sim, mas depois de tudo que fizera por ele, o castanho jamais devia duvidar de si e dos seus sentimentos. Aquilo foi demais para o loiro que se controlava para não estrangular o oriental.

- Então é isso. Mesmo depois de tudo que fiz por ti você duvida de mim e dos meus sentimentos?!
- E o que me garante que eu não sou apenas alguém que satisfaz seus desejos?! Você foi capaz de sacrificar várias vidas por causa de uma bendita mercadoria, então seria bem capaz de me ter aqui apenas por conveniência. Além disso, não respondesse a minha pergunta.
- E nem vou responder, pois já vi o ingrato que você é! Prometesse que sempre estaria ao meu lado e agora por causa de um erro meu, não confia mais em mim! Seu amor não era tão forte quanto você dizia ser.
- E o que você queria?! Não sei quase nada de ti e agora me aparece isso! Pode me chamar de tudo que quiser, mas por sua culpa eu fui obrigado a satisfazer um daqueles vermes e quase morri engasgado e de nojo!

Afrodite arregalou os olhos ao ouvir aquilo, agora entendia por que o castanho jamais o tocava em suas partes mais intimas. Mas sua fúria era bem maior que aquele choque, se entregara por inteiro a aquele amor e agora estava sendo chutado. Aquele garoto não merecia mais nada vindo de si.

- Já chega garoto! Você não merece mais nada de mim seu ingrato!
- Nunca te pedi nada.
- Vai se arrepender amargamente por isso. De agora em diante você é apenas um vassalo e mais nada! Esqueça tudo que houve entre nós e agradeça por eu poupar a sua vida insignificante.

Em seguida o vampiro sai rapidamente do quarto e vai para seus aposentos privados. Ao chegar no local, arremessou um dos vasos contra a parede de tanta raiva que estava sentindo do oriental. Agora que Shun sabia que era um vampiro, não podia expulsá-lo daquela casa, se quisesse se livrar dele teria que matá-lo. Mas mesmo enfurecido, não tinha coragem de ceifar a vida do castanho.
Tudo que poderia fazer era esquecer tudo que vivera com o castanho e assim o faria.

Já no outro quarto do casarão, Shun chorava em silencio enquanto observava o céu estrelado. Aquilo estava doendo muito, mas era melhor que fosse daquele jeito, pois Afrodite nunca o amara de verdade e só o usara para se satisfazer.
Algum tempo depois, se deitou na cama para tentar dormir, pois no dia seguinte voltaria a ser um vassalo e trabalharia o dia inteiro. O sonho tinha terminado e estava de volta a realidade.

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Depois daquela noite conturbada, Shun voltou a trabalhar no casarão do vampiro que agora era apenas seu senhor e nada mais. Todo aquele sentimento de carinho e gratidão pareciam ter desaparecido de seu coração. Fazia todo seu trabalho de maneira metódica sem expressar nenhuma emoção.
Naquele tempo também se afastara de Marin a vendo apenas como alguém que devia respeitar e obedecer e isso fez o coração da ruiva sangrar de tristeza, pois ao contrario do seu senhor, ainda amava aquele garoto como se fosse seu filho, mas parecia que tudo havia se perdido.

Já Afrodite evitava a todo custo ver o oriental e estava tendo sucesso, pois o mais novo sempre se recolhia ao terminar suas tarefas. Sentia muito a falta de Shun, mas seu orgulho ferido era mais forte o fazendo preferir esquecer o castanho a todo custo. Voltara a deixar a escuridão tomar conta de si amargando novamente na solidão.
O único que parecia estar feliz era Misty, agora passava mais tempo com seu mestre e algumas vezes fazia questão de deixar a imagem de Shun ainda mais suja perante seu senhor dizendo que ele era um ingrato e não merecia que o vampiro pensasse nele.

O francês sorria ao ver que finalmente tinha conseguido o que tanto desejava, agora tinha seu mestre somente para si. Mas mesmo assim ainda não estava totalmente satisfeito, queria ver Afrodite odiando ainda mais o oriental e já sabia como faria aquilo. E daquela vez não precisaria de um plano engenhoso, apenas de uma artimanha.

Assim um mês se passou e as coisas entre Afrodite e Shun pareciam que nunca iam melhorar. Marin já estava quase se desesperando, pois sabia que eles estavam sofrendo, mas não podia fazer nada para ajudá-los. Shun evitava ao máximo falar consigo e Afrodite ficava furioso se alguém tentasse falar sobre o castanho. Para a tristeza e desespero da ruiva, seu mestre voltara a ser o mesmo que era antes do castanho aparecer em seu caminho.

Em uma noite, Afrodite estava indo cuidar do transporte de algumas mercadorias que tinha encomendado. Decidira levar Misty para que ele exercitasse tudo que tinha ensinado a ele até aquele momento, o ajudando a conferir a carga e depois auxiliando no transporte da mesma.
Mas quando estavam na metade do caminho, o francês aproveita um momento de distração dos outros e afrouxa a fivela de sua sela e depois jogou um cascalho nos arbustos fazendo os cavalos se assustarem e empinarem.

- Não, calma garoto, assim você vai me derrubar!

Depois daquela pequena e falsa exaltação de surpresa, o loiro deixa a sela escorregar e finge uma queda feia como se tivesse sido pego de surpresa.
Ao ver a queda de seu aprendiz, Afrodite desce rapidamente de seu cavalo e vai até Misty e o vê segurando o braço esquerdo.

- Misty você está bem?!
- Sim mestre, mas acho que quebrei o braço.
- Quebrado ou não, você não vai poder me ajudar.

Foi então que o vampiro viu que a sela do cavalo estava solta e chegou a conclusão de que não tinha sido presa adequadamente. Em seguida mandou seus lacaios irem na frente enquanto levaria o loiro ao médico.
Ao ser examinado pelo médico, Misty fingiu sentir muita dor para que ele não descobrisse sua farsa. Estava amando ver a cara aborrecida de seu mestre, sabia que ele estava preocupado consigo, mas também muito irritado com a suposta falta de competência de quem selara os cavalos.

- Então doutor, como ele está?
- O seu aluno está bem senhor Henson, o braço dele ficou bastante magoado, mas felizmente não está quebrado. Terá que ficar com ele imobilizado por algumas semanas, mas logo estará bem.

Depois de pagar pela consulta, Afrodite deixa seu aprendiz em uma pequena pousada, pois não poderia deixar aquele trabalho nas mãos de seus lacaios.
Ao chegar no porto, viu sua comitiva acompanhando o desembarque da carga que tinha encomendado. Ainda estava irritado com aquele acidente e queria respostas.

- Senhor Henson, está tudo indo de acordo com o seu planejamento. Já conferimos a carga e está tudo certo.
- Ótimo Aiolia, mas você sabe quem foi o incompetente que selou os cavalos.
- Me perdoe se passei essa impressão meu senhor, mas antes de sairmos, eu conferi todas as selas e elas estavam bem presas nos cavalos. Deve ter acontecido algum problema com a sela do Misty.
- Impossível, eu mesmo dei uma olhada na sela enquanto o Misty estava sendo examinado e não vi nada de errado com ela. Tinha mais alguém com você no estábulo?
- Sim, a Marin mandou aquele garoto que parece uma menina para me ajudar.
- Então foi ele, esse garoto vai ver o que é bom quando voltarmos.

Aiolia apenas engole em seco, pois conhecia seu senhor e sabia que o garoto estava muito encrencado por causa daquele acidente.
Algumas horas mais tarde no casarão, Marin terminava de coordenar os servos para os trabalhos do dia seguinte quando ouviu a porta bater a Afrodite entrar furioso.
Os outros servos se retiraram imediatamente, só estando a ruiva naquela sala.

- Mestre, o que aconteceu?
- Onde está o Shun?!
- Ele já se recolheu, mas por que dessa raiva?
- Isso não é da sua conta e não se atreva a interferir!

Antes que Marin pudesse fazer mais alguma pergunta, o loiro quase sai correndo na direção do quarto do castanho. Aquilo a fez sentir um mal pressentimento e temer pelo garoto, pois sempre que seu mestre estava furioso, não podia esperar coisa boa.
Enquanto isso em um dos quartos, Shun terminava de trançar seu cabelo após tomar seu merecido banho depois de um longo dia de trabalho. Foi então que levou um susto ao ouvir a porta do quarto bater com força.

- Shun, venha aqui agora!

O castanho sentiu seu corpo gelar por inteiro ao ouvir a voz enraivecida de Afrodite lhe chamando. Pela primeira vez estava com medo de seu mestre, mas não podia se esconder. Então respirou fundo antes de abrir a porta e sair da pequena sala de banho.

- O que deseja meu senhor?
- Não seja cínico, você sabotou a sela do Misty!
- O que, eu...

Mas antes que o castanho pudesse dizer algo, o loiro o agarra pela camisa pressionando seu pequeno corpo contra a parede. Shun fica apavorado ao ver a expressão furiosa e os olhos vermelhos de Afrodite, aquilo não acabaria bem para si.

- Não minta, Aiolia me disse que o auxiliasse com as selas dos cavalos. Você estava tentando se vingar ao afrouxar a cela do cavalo do meu aprendiz?!
- Eu jamais faria algo tão baixo! E o seu lacaio conferiu todas as celas e disse que estava tudo certo. Devia ter algo errado com a sela dele, algo que não vimos.
- É melhor você dizer a verdade garoto, eu mesmo vi a cela e não há nada errado nela.

Enfurecido o vampiro aperta um pouco mais o corpo do castanho contra a parede e depois segura ainda mais forte em sua camisa. Aquilo deixou Shun ainda mais desesperado e seus olhos já começavam a marejar.
Ainda amava aquele vampiro e aquela forma tão fria que ele o tratava e o acusava, só o fez se sentir ainda pior. Pois aquilo era uma prova de que ele nunca o amara de verdade, pois se tivesse, não seria tão violento e frio consigo.

- Eu já disse que não sabotei a sela do Misty, juro que não estou mentindo.
- Eu não nasci ontem e sei que está mentindo. Mas já que não vai abrir essa boca, terei que tomar medidas drásticas, irá pagar por esse desrespeito e rebeldia.
- Mestre, eu...
- Calado!

Em seguida, Afrodite agarra um dos braços de Shun e o arrasta sem nenhum cuidado até o calabouço onde o jogou com violência na cela mais escura. Shun estava se sentindo péssimo por ser castigado por algo que não fizera, pelo jeito seu mestre o odiava muito para estar fazendo aquilo consigo.

- Você vai ficar preso durante três dias. E da próxima vez que sair da linha, acabarei com a sua vida insignificante!

Sem pensar duas vezes Afrodite sai do calabouço e vai em direção aos seus aposentos privados, mas antes de chegar onde desejava, foi barrado por Marin.

- Mestre, por que você fez aquilo com ele?
- Esse moleque sabotou a sela do cavalo do Misty, por muito pouco ele não quebrou nenhum osso, mas machucou o braço. Sem falar que atrapalhou os meus planos dessa noite.
- Eu sei que você está com raiva do Shun, mas eu conheço o garoto e sei que ele jamais faria isso.
- Marin, eu olhei a sela e não havia nada errado nela. Aiolia não teria coragem de fazer isso, então o culpado só pode ser aquele ingrato miserável.
- Ou tudo pode não passar de uma armação do Misty. Você sabe como ele é mimado e vivia implicando com o Shun.
- Isso seria impossível, ele até pode ser fresco e mimado, mas não seria louco de fazer isso. Além disso, eu não tenho mais nada com aquele ingrato.
- Você nunca irá perdoá-lo, não é mesmo?
- Já chega desse assunto, não quero mais nada com aquele verme ingrato! Agora eu quero um bom banho, pois a noite foi bastante conturbada e estressante.
- Está bem, não tocarei mais nesse assunto.

Em seguida a ruiva vai até o banheiro preparar o banho para seu mestre.
Tinha absoluta certeza de que tinha dedo podre de Misty naquele acidente, pois a lagartixa era a única pessoa que parecia estar feliz naquela casa. Mas não podia fazer nenhuma acusação sem provas. Jurou a si mesma que descobriria toda a verdade e faria o culpado de todo aquele sofrimento pagar muito caro.

Mais alguns dias se passaram, mas Shun começou a ficar novamente estranho, estava um pouco mais lento para realizar as tarefas e não tinha a mesma disposição e energia de antes.
Aquilo preocupou e muito Marin que logo tratou de preparar vários chás para seu menino, mas daquela vez parecia que não estavam fazendo efeito.
A ruiva temia que fosse uma doença grave e aquela profunda tristeza que o castanho sentia só piorava tudo. Sabia que lá no fundo aqueles dois se amavam com loucura, mas o orgulho e a mágoa eram os que falavam mais alto. Parecia que as coisas ficariam sempre daquele jeito e que nada salvaria aquele lindo amor que surgira entre eles.

Até que em uma tarde fria de inverno, Shun e mais alguns servos foram até a cidade comprar alguns mantimentos para o casarão. O oriental fazia aquele trabalho de maneira mecânica e metódica, parecia mais um corpo sem espírito, pois não demonstrava qualquer emoção. Nem mesmo as piadas engraçadas de Aiolia faziam o castanho rir.

Naquele momento o pequeno grupo estava em uma mercearia terminando de comprar o que Marin pedira. Mais afastado do grupo. Shun terminava de pegar alguns produtos mas estava tão perdido em seus pensamentos que não percebera um enorme vulto se aproximando.
Só percebeu o perigo quando sentiu alguém lhe agarrar por trás, o susto fora tão grande que sua única reação foi dar um grito.

Não muito longe o pequeno grupo ouviu o grito e foi correndo ver o que estava acontecendo. Ao verem a cesta caída no chão, souberam que Shun tinha sido levado a força e saíram correndo para o lado de fora a tempo de ver uma figura coberta por uma capa montada em um cavalo e o castanho estava desacordado jogado de qualquer jeito sobre o animal.

- Não fiquem ai parados seus idiotas! sigam aquele cavaleiro, não podemos deixar que leve o Shun!

Rapidamente um dos servos monta em um dos cavalos e tenta seguir o seqüestrador, mas acabara perdendo o rastro perto da densa floresta. Engolira em seco ao imaginar a reação de Marin ao saber daquilo, certamente a ruiva surtaria e os castigaria.

- O que aconteceu?
- Aiolia, Infelizmente eu os perdi de vista perto da entrada da floresta. Vai ser difícil recuperar o garoto.
- A Marin vai enlouquecer quando souber disso, sem falar no senhor Henson.
- Se preocupe mais com a Marin, o mestre parece que não quer mais saber do garoto.
- De qualquer forma temos que contar o ocorrido a eles, Shun é um de nós e precisamos fazer alguma coisa para resgatá-lo. Agora vamos voltar para o casarão e torcer para que Marin não esgane a gente quando souber disso.  

Mais tarde no casarão, Marin coordenava as tarefas para o dia seguinte antes de começar a servir seu mestre. Não sabia por que, mas estava com um péssimo pressentimento desde que Shun saíra com alguns servos para comprar os mantimentos que estavam faltando.
Estava terminando de arrumar a biblioteca para seu mestre quando ouviu alguém chamar desesperadamente pelo seu nome, algo não estava nada bem.

- Marin, finalmente te encontrei.
- O que aconteceu Aiolia, por que todo esse tumulto?
- O Shun foi seqüestrado.
- O que?!
- Nós tentamos seguir o seqüestrador, mas o perdemos de vista perto da floresta.
- Não, isso não pode estar acontecendo, eu tenho que ir atrás dele!

Mas quando Marin ia sair da biblioteca, sente alguém agarrar seu braço a impedindo de ir até o estábulo. Ao olhar para o lado viu Afrodite a olhando com uma expressão fria e séria.
Do lado do vampiro estava Misty com uma expressão neutra, mas tinha certeza que o bastardo estava adorando saber daquilo.

- Mestre, eu...
- Você não vai sair daqui, deixem que levem aquele ingrato.
- Mas eles podem ferir a até matar o Shun, não podemos...
- Já chega Marin, eu proíbo qualquer um de vocês de ir atrás daquele garoto! Quem o levou pode fazer um bom proveito daquele traidor ingrato.
- Eu não acredito que está dizendo isso, ele errou mas não...
- Sim, ele merece isso e espero que desapareça de nossas vidas. E se algum de vocês se atrever a me desobedecer, já sabem que faço com traidores. Agora saiam, Misty e eu temos muito o que fazer.

Em seguida o pequeno grupo vai até a cozinha, Marin não estava acreditando que Afrodite estava abandonando a pessoa que mais amava por causa de uma briga e de seu enorme orgulho ferido. Queria muito poder fazer algo, mas não podia desafiar seu mestre, tudo que podia fazer era rezar para que Shun ficasse bem e conseguisse fugir.

Na biblioteca, o vampiro estava aéreo, mesmo não demonstrando, aquele seqüestro tinha mexido consigo. Mas seu enorme orgulho era mais forte o impedindo de fazer algo pelo oriental.
Já o francês comemorava internamente aquele seqüestro, finalmente estava livre do castanho e agora Afrodite era só seu. Não se importava se o vampiro estava sofrendo desde que o tivesse somente para si.

Mais tarde em uma pequena cabana escondida no meio do bosque, Shun começava a recobrar a consciência. Primeiro viu apenas vultos, mas depois percebeu que estava em uma espécie de depósito de mercadorias. Mas ao tentar se mexer, sentiu que estava preso por um grilhão em seu pulso direito.
O lugar estava escuro sendo iluminado apenas por uma lamparina pendurada no teto. Se perguntava onde devia estar e quem o raptara. Foi então que ouviu a porta ser aberta e viu uma figura conhecida entrar naquele local. Era o mesmo homem que lhe contara toda a verdade.

- Finalmente você acordou.
- O senhor, o que está acontecendo?
- Vejo que ainda se lembra de mim, a pessoa que abriu os seus olhos.
- Por favor, me ajude, eu não sei o que aconteceu e por que me seqüestraram.
- Como você é ingênuo, acha que te contei tudo aquilo a troco de nada?
- O que você quer de mim?!
- Inicialmente pensei em fazer um bom uso desse seu corpinho, mas como me informaram que você não é mais intocado, será meu escravo particular e fará tudo que eu mandar.
- Seu verme asqueroso! Por que está fazendo isso comigo?! Eu não te fiz nenhum mal!
- Você não, mas o seu senhor sim.
- Então isso é uma vingança!
- Exatamente, meu pai e meus irmãos estavam no mesmo navio que você e foram assassinados pelos piratas. Quando me informaram sobre o seqüestro do navio, jurei que iria me vingar daquele que contratara os piratas. Recentemente descobri a identidade do cretino e finalmente terei a minha tão ansiada vingança.
- E como você pretende fazer isso, eu não tenho nada a ver com os negócios sujos do meu mestre!
- Mas tem um grande vínculo com aquele assassino. Me informaram que o tão frio senhor Henson tinha um carinho muito especial pelo putinho particular dele. Agora eu vou tirar dele a pessoa que ele mais se importa da mesma forma que ele destruiu a minha única família.
- Você só vai perder o seu tempo, pois o meu mestre me odeia.
- Como é tolo, você caiu direitinho na minha armadilha, te contei aquilo para que vocês brigassem e se distanciassem. Vocês são abomináveis por ter algo desse tipo, uma vergonha para o sexo masculino.
- Quem foi o miserável que te contou essas coisas?!
- Isso não é da sua conta, mas ele deve ser bem próximo de vocês para ter me dado informações tão precisas.

Shun arregalou os olhos ao ouvir aquilo, só uma pessoa seria capaz daquela loucura e seu nome era Misty. Não, não podia ser. Ele podia lhe odiar, mas não teria coragem de colocar a segurança de Afrodite em perigo. Mas não havia mais ninguém que soubesse tanto sobre eles, aquilo deixou Shun desesperado, apesar de estar magoado com o loiro, não queria que nada ruim acontecesse com Afrodite.

- Vejo que você realmente entendeu a sua situação. Graças a sua ingenuidade e fragilidade, eu finalmente terei a minha vingança.
- Tolo, ele nunca virá por mim, pois ele me odeia agora!
- Eu não teria tanta certeza, se ele realmente gostava tanto de você como aquele garoto me disse, ele virá atrás de ti. E quando isso acontecer, terei o maior prazer de te matar na frente dele.
- Vá sonhando, você nunca conseguirá ter essa vingança.
- Isso é o que veremos, mas de qualquer forma, agora tenho alguém que me servirá de graça. E ai de você se sair da linha.

Em seguida o homem sai do local o deixando novamente sozinho.
Shun estava apavorado com aquilo, aquele homem poderia prejudicar e muito seu mestre e Marin, apesar de ainda estar com um pouco de raiva deles, não queria que nada ruim acontecesse.
Precisava dar um jeito de saber onde estava e fugir daquele lugar, tinha que avisá-los que tinham sido traídos. Mas por mais que pensasse em um plano, não conseguia encontrar nenhuma saída.

Na manhã do dia seguinte, é acordado por um provável capanga daquele homem, sabia que se não obedecesse, seria pior, então deixou que ele o levasse até um galpão onde havia diversos caixotes e algumas carroças.

- Você vai carregar todos esses caixotes até as carroças e faça isso rápido, o chefe quer tudo pronto até o meio dia. E ai de você se não fizer o serviço direito. Eu vou tirar os grilhões, mas se tentar fazer alguma gracinha, irá apanhar igual a um burro de carga.

Em seguida ele tira os grilhões e depois deixa o castanho no galpão com outro capanga que estava em cima de uma das carroças. Sem escolha, Shun começou a carregar as caixas até a carroça onde o capanga estava, mesmo se sentindo um pouco fraco, fez todo o serviço sem dizer uma palavra.

E assim seus dias foram passando, era forçado a fazer vários trabalhos pesados durante o dia. Só recebia um pouco de comida ao meio dia e a noite. Descobrira que estava em uma pequena fazenda e que ela não estava muito longe de Paris, mas não via nenhuma brecha para tentar fugir. E para piorar tudo, estava se sentindo cada vez pior e sem forças.

Naquela noite estava jogado em seu colchão duro pensando em tudo que lhe acontecera desde que chegara a frança.
Apesar de Afrodite ser o culpado de todo seu sofrimento naquele navio, o loiro sempre o tratara bem e até lhe ensinara a tocar cravo. Agora que a raiva tinha passado, percebera o quanto tinha sido ingrato com o loiro. Afrodite tinha lhe feito muitas coisas boas e em troca ele o abandonara por causa de um erro do passado. Estava tão cego pela mágoa que chegara a duvidar do amor do loiro por si.
Também tinha sido um ingrato com Marin, a pessoa que considerava como uma mãe e que cuidava de si com tanto carinho e amor.

Agora estava ali pagando pelo seu enorme erro, não devia ter deixado a raiva e a magoa lhe dominar. Fora realmente muito tolo em acreditar que aquele homem lhe contara todos aqueles podres de seu mestre a troco de nada. Devia ter desconfiado, mas agora era tarde demais e tinha perdido tudo. Afrodite e Marin nunca o perdoariam por ter sido tão ignorante.
Foi então que ouvira a voz de dois capangas conversando perto da porta.

- Quanto tempo você acha que ele vai durar?
- Do jeito que ele está piorando, não acredito que ele viva mais do que um mês.
- Não é perigoso nós ficarmos tão perto dele?
- Não, o que ele tem é um castigo por ser uma abominação, onde já se viu ter algo romântico com um igual.
- É realmente uma vergonha para os homens, prefiro mil vezes uma mulher do que uma aberração afeminada como o pirralho. Mas o que você acha que ele tem?
- Eu acredito que seja aquela doença terminal.
- A Maldição da Morte?!
- Sim, essa mesmo. Todos aqueles que contraíram essa maldição, acabaram morrendo. Os padres dizem que é um castigo divino para os piores pecadores.
- Eu não acredito nesses sermões deles, mas esse pirralho está condenado.
- Ainda bem que é ele e não a gente. Agora vamos sair daqui.

Shun sentiu seu coração quase parar ao ouvir o nome daquela doença misteriosa e sem cura. Percebeu que estava enfraquecendo aos poucos, mas jamais imaginara que tivesse sido amaldiçoado com aquela terrível doença. Iria morrer em breve e não poderia ver as pessoas que tanto amava pela ultima vez. Morreria ali sozinho como um escravo sem poder se despedir e pedir perdão as duas pessoas que mais amava.
Não conseguindo mais conter aquela enorme angústia, começou a chorar de forma compulsiva e dolorosa, sentia um misto de raiva e remorso, se pudesse voltar no tempo, faria tudo diferente.
Tinha sido pior que o monstro de seu pai ao ferir as duas pessoas que mais o amavam, era um maldito igual a aquele que tanto o repudiara.


Notas Finais


Playlist: https://www.youtube.com/playlist?list=PLJUSBD80jvCUvkWQqD4XM-SgaKs7a91aU
Música do capítulo: https://www.youtube.com/watch?v=6307z50SjuU&list=PLJUSBD80jvCUvkWQqD4XM-SgaKs7a91aU&index=7

Sério, eu chorei rios enquanto escrevia esse capítulo.
Mas tentem manter a calma, nem tudo está perdido.

Muito obrigada a todos que estão lendo comentando e acompanhando a fanfic.
Um grande abraço e até breve.


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