História Entre cigarros e recaídas - Capítulo 9


Escrita por: ~

Postado
Categorias Naruto
Personagens Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Hinata Hyuuga, Ino Yamanaka, Itachi Uchiha, Naruto Uzumaki, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Tsunade Senju
Tags Hinasasu, Hyuuga Hinata, Naruto, Sasuhina, Uchiha Sasuke
Exibições 445
Palavras 7.303
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Ecchi, Fluffy, Hentai, Lemon, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Oi meu povo lindo <3
Não demorei, né? O capítulo está pronto já faz 2 semanas, a Maria estava atarefada por causa da faculdade e do livro dela >< Vamos levar em conta o que é prioridade aqui hehe
Uma coisa que eu reparei bastante foi o pedido de hentai. Gente, vocês não estão ligando pro desenvolvimento? A FANFIC precisa de um desenrolar plausível! Não dá pra chegar e colocar eles transando de uma hora para a outra. Eles precisam se resolver primeiro... Espero que entendam e que não estejam lendo a FIC só por causa de sexo...
Bom... Não deixem de ler as notas finais!
Boa leitura <3
Ps.: Não sei se peço desculpas por causa do tamanho do capítulo... Tem gente que não gosta, sei lá. Só deixo avisado que foi realmente preciso!

Capítulo 9 - Capítulo Nove - Conversas e... Quase lá.


Fanfic / Fanfiction Entre cigarros e recaídas - Capítulo 9 - Capítulo Nove - Conversas e... Quase lá.

O garçom chegou na hora exata para impedir que Hinata tivesse um ataque cardíaco, interrompendo a conversa por meros minutos enquanto colocava seus pratos e hashis à mesa; em especial para o ensopado de frutos do mar trouxera uma colher chinesa de cerâmica. O homem desconhecido deixou dois copos, um para cada cliente, e os encheu com água. Hinata agarrou o copo com tanta pressa que derrubou pequenas gotículas em seu vestido de mocinha, engolindo o líquido com tanta força que era possível escutar os goles descendo por sua garganta.

— Eu quero que você saia para jantar comigo, nesta sexta. — ele lançou o convite-pedido-ordem. Hinata inflou as narinas e comprimiu os lábios ao encher os pulmões de ar na iminência de cuspir toda a água que bebia.

Ele queria jantar com ela. Certo, era um bom começo para que eles esclarecessem tudo o que tivesse para ser esclarecido. E, certo, ela iria aceitar porque aqueles dez anos foram definitivamente suficientes para que ela superasse as palavras horrendas que lhe cortaram o coração. Ela queria aceitar.

— Tenho plantão na sexta à noite. — as palavras saíram de sua boca sem que Hinata houvesse cogitado dizê-las. Levou a mão aos lábios e se amaldiçoou por aquilo; ela não tinha plantão na sexta-feira à noite.

— Sábado então? — ele insistiu, inclinando-se sobre a mesa na tentativa de se aproximar da Hyuuga. — Vamos, Hinata, eu vou insistir até achar um dia — Sasuke concluiu, esticando os lábios e dando de ombros como se dissesse que ela não tinha escolhas – o que de fato estava implícito em sua fala.

A fim de evitar que palavras indesejadas saíssem de sua boca, Hinata apenas balançou a cabeça positivamente, confirmando o convite para sábado. O garçom chegou logo depois com seus pedidos, colocando-os sobre a mesa em frente a seus respectivos donos. Ambos iniciaram o almoço após a palavra “Itadakimasu” dita com uma pequena reverência.

— Como me encontrou? — indagou, referindo-se ao episódio no parque há pouco mais de uma hora. Ele mordeu um pedaço de seu croquete de frango e depositou-o de volta ao prato utilizando seus hashis.

— Eu não estava realmente te procurando. — disse após mastigar. Hinata sentiu aquelas palavras como se fossem um tapa na cara. — Falando a verdade, eu estava a caminho de casa para almoçar quando parei no sinal e percebi você andando pelo parque. E é claro que eu não poderia perder a oportunidade, já que você tem tentado fugir de mim.

Mais um tapa na cara. Hinata não estava conseguindo lidar com aquilo, era óbvio, lógico e evidente, mais redundante que isso impossível. Para falar a verdade, ela não estava conseguindo lidar com nada. Soltou uma risadinha sem graça e continuou tomando seu ensopado com a mente enuviada de pensamentos; todos eles com foco no homem a sua frente.

— Por que cortou o cabelo? — ele perguntou de repente, quase fazendo com que Hinata  engasgasse com o líquido da sopa.

— B-bem... — que diabos fora aquilo? Por que gaguejava tanto? — Comecei a cortar assim ainda na faculdade... — ela começou a mexer involuntariamente nos fios azulados. — Percebi que, mesmo prendendo, meu cabelo atrapalhava muito nas aulas de anatomia. Então decidi cortar e doar aquele cabelo todo que não me serviria mais... Mas que poderia servir para alguém. — respondeu com um sorriso sincero mesmo que seus olhos estivessem pousados em algum ponto no meio da mesa.

Agora sim ali estava a Hyuuga Hinata que ele conhecia. Sincera, gentil e sorridente. Bem como ele se lembrava de quando tinham dezesseis/dezessete anos. Sem que percebesse, um sorriso brotara em seus lábios, somente por observá-la realizar aquele gesto. Perguntava-se por que Hinata havia se fechado tanto dentro de si mesma e por que estivera a fugir dele.

— Ele estava até mais curto quando cortei na primeira vez. — ela voltou a dizer, tirando-o de seus devaneios. — Gostei do corte e não deixei mais crescer como era antes... Mas agora faz mais ou menos dois meses que não corto. — Hinata concluiu, enrolando uma mecha com o dedo indicador direito.

— Eu ainda prefiro quando está comprido. — o Uchiha verbalizou o que tanto passava em sua cabeça. O rosto estava sério como sempre, mas a voz se mantinha amena e Hinata desejou que ele dissesse aquela frase mais uma vez.

Ela apenas sorriu e ambos voltaram a degustar o almoço. Sasuke percebeu, enquanto mastigava seu último croquete de frango, que ambos pareciam muito com um casal de adolescentes que tinha medo de expor as verdades e acabar estragando a relação. Não porque eles estavam realmente com medo de dizer verdades e acabar com a relação, mas sim pelos atos de ambos: não se olhavam diretamente nos olhos – talvez Hinata não o estivesse olhando nos olhos –, comiam em silêncio e as palavras lhe fugiam dos lábios na maioria das vezes.

Imaginou, então, que o motivo de estarem daquele jeito era o receio de Hinata de estar perto dele. Mas por quê? Ele era uma pessoa aversiva? De qualquer forma, faria Hinata responder a todas suas perguntas no sábado à noite, enquanto estivessem jantando.

Daquela vez ela não teria como fugir.

Observou-a terminar o ensopado de frutos do mar e colocar delicadamente a colher chinesa de cerâmica ao lado do prato e descer as mãos unidas para o colo abaixo da mesa.

— Muito bem. — começou, cruzando os braços e os apoiando em cima da mesa. — A que horas você estará disponível? Digo... No sábado.

— A partir das sete. — respondeu prontamente.

— Você tem algum lugar em mente que gostaria de ir? — ele quis saber, erguendo uma sobrancelha negra.

— Iie. — Hinata balançou a cabeça negativamente e deu de ombros. — Você me convidou, pode escolher o lugar.

Ele sorriu de lado.

— Iremos ao La Veduta, comida italiana. Tudo bem pra você?

— É perfeito.

— Ótimo. — o repuxar de lábios que evidenciava seus dentes bem alinhados aumentou nitidamente. — Você quer que eu te busque em casa? — inquiriu, divertidamente.

Hinata arregalou os olhos brancos e sentiu a pele esquentar. Não pudera acreditar, ela estava realmente corando na frente de Sasuke? Recomponha-se Hinata!, pensou, endireitando-se na cadeira.

— Não precisa! — ela balançou a mão no ar, como se dissesse para ele descartar aquela ideia. — Eu vou com o meu carro.

— Como quiser. — ele ergueu levemente o copo com água e o inclinou de leve na direção da Hyuuga, de forma que parecesse estar brindando com ela, e então sorveu um gole.

Hinata notou que não importava se ela era o mais impassível durante o turno de trabalho, na frente de Uchiha Sasuke ela voltava a ter dezessete anos de idade. E isso a deixava muito irritada.

~•~

O caminho até a empresa de construções da família Uchiha foi calmo após deixar Hinata na frente do prédio em que ela morava. Ele havia esperado que ela sumisse pela porta de vidro automática de entrada para voltar a dar partida no carro e seguir seu destino.

Por Uchiha Fugaku ser o atual dono da corporação e Itachi comandar como vice-diretor, Sasuke não estava na linha de sucessão. Trabalhava apenas como arquiteto dentro da empresa e nunca cogitaria liderar algo tão grandioso.

O prédio da empresa da família Uchiha – a qual tinha o nome peculiar da deusa do Sol e do universo: Amaterasu – era coberto por vidros negros e espelhados assim como as características dos Uchiha: cabelos e olhos escuríssimos. No topo, em um grande outdoor, o símbolo tradicional de leque da família se revelava imponente para que todos pudessem vê-lo; de um vermelho vivo no extremo superior e o branco impecavelmente limpo da ponta o faziam se destacar.

Passou pelas portas automáticas de vidros negros e seguiu em direção ao elevador. Entrou no objeto grande, moderno e metalizado depois de esperar alguns minutos, olhou-se no espelho ao fundo do cubículo e suspirou, revirando os olhos para sua imagem refletida. Sua blusa social branca estava amarrotada e as mangas continuavam arregaçadas, percebeu que esquecera a gravata no banco de trás do carro e o paletó jazia em seu ombro esquerdo.

Nem um pouco apresentável para uma reunião.

As portas prateadas se abriram no oitavo andar e o homem não tardou a sair de dentro do cubículo metálico. Caminhou pelo hall de entrada do andar e não cumprimentou a mulher morena de cabelos escuros presos em um coque atrás de um balcão, era a secretária dos trabalhadores daquele andar. O balcão ficava em frete a uma parece comprida pintada de marrom escuro e era dividida por uma porta de vidro opaco.

Após passar pela porta, atravessou o curto corredor e chegou a uma sala ampla com algumas cabines para seus trabalhadores, cada uma com notebooks e cadeiras giratórias confortáveis, decoradas de maneiras diferentes por seus donos. As paredes em frente e ao lado direito eram feitas do vidro que podia ser visto também pelo lado de fora do prédio.

 A parede à esquerda era pintada do mesmo marrom do hall do andar, tinha uma porta também de vidro opaco e uma longa janela na horizontal de vidro feito para que a pessoa que ficasse dentro da sala visse o lado de fora, sendo que a recíproca não seria verdadeira. Assim, quem estivesse do lado de fora seria incapaz de ver o que se passava do lado de dentro.

Olhou no relógio em seu pulso e verificou as horas. Duas em ponto; teria meia hora para endireitar sua roupa e improvisar uma gravata. Adentrou pela única porta presente naquela larga sala e fechou-a atrás de si. Aquele era seu cantinho; seu escritório. Havia uma parede coberta por estantes abarrotadas de livros diversos, a mesma parede de vidros da outra sala e vários quadros de pintura abstrata pendurados aleatoriamente pelo cômodo.

Desceu o pequeno degrau – aquele maldito degrau no qual havia tropeçado pouco mais de um mês antes – e andou calmamente até sua mesa espaçosa de mogno. Tinha uma cadeira grande, bem acolchoada e de rodinhas giratórias. Sobre a mesa alguns papeis jaziam esquecidos e, no centro, um espaço específico para desenhar seus projetos à mão.

Sentou-se na cadeira e permitiu-se relaxar. Mexeu os ombros para cima e para baixo, em movimentos circulares, depois girou a cabeça e sentiu o pescoço estalar. Um sorriso se abriu e pôde repassar os bons minutos que tivera com Hinata naquele dia. E mal podia esperar para encontra-la sábado, estava completamente ansioso.

Havia tantas coisas que gostaria de contar a ela, sobre antes de se separarem, como se sentia naquela época e que não mudara absolutamente nada – mesmo após a perda da memória e após quase onze anos longe dela. Mas também precisava sanar suas dúvidas, as atitudes que a Hyuuga vinha tomando não o agradava em nada.

Encostou a cabeça na cadeira, suspirando profundamente. Aquele medo que vira nos olhos dela quando a encontrara no mercado e em seguida a fuga repentina e sem explicações. Uma situação completamente fora do normal, como se ela fosse a presa e ele o predador. Hinata precisava responder suas perguntas.

Por hora deixaria aqueles pensamentos para sábado, pois tinha outras coisas para se preocupar no momento. A reunião aconteceria em poucos minutos e ele ainda estava totalmente desarrumado. Então começou a revirar as gavetas de sua bela mesa atrás de uma gravata perdida por ali. Ao finalmente encontrar uma vermelha lisa e colocá-la em seu devido lugar, organizou os papéis para a reunião e arrumou a mesa para que estivesse adequada.

Por fim só faltava seu engenheiro sócio – afinal, um arquiteto não é nada sem um engenheiro e vice-versa – Hozuki Suigetsu, um cara que havia conhecido na faculdade e que se formou em engenharia civil. Concluindo com proveito seus cursos na universidade, ambos decidiram tornarem-se sócios. Ele também trabalhava na Amaterasu, em outro andar e cuidava dos cálculos das estruturas dos projetos.

O telefone em sua mesa apitou e Sasuke retirou-o do gancho.

Sasuke-sama, seu cliente chegou. — a voz da secretária soou.

— Mande-o entrar.

Sim, senhor.

— Onde está Suigetsu? — indagou com a voz saindo autoritária e quase nervosa.

Ainda não chegou, senhor. — a mulher respondeu, receosa de que seu chefe gritasse com ela ao telefone. — Deseja que eu telefone para ele?

— Você já deveria ter feito isso! — respondeu, resmungando. Desligou o telefone sem ouvir a resposta dela e passou a mão nos cabelos nervosamente. Aquele maldito! Sempre se atrasando para as reuniões mais importantes!, pensou enquanto massageava as têmporas.

Três batidas à porta ecoaram por sua sala, indicando que seu cliente havia chegado. Sasuke voltou a se endireitar na cadeira confortável e forjou seu melhor sorriso, depois de dizer que a entrada estava autorizada.

Quando seus olhos vislumbraram aqueles cabelos compridos e castanhos, Sasuke não acreditou no que seus olhos viam e pensou que realmente precisaria dizer algumas coisas a Hinata.

~•~

Sasuke a deixara em casa exatamente às treze e meia. Ele parecia tão apressado quanto um guaxinim pego no flagra ao revirar uma lata de lixo. Riu consigo mesma e não tardou a entrar no apartamento que dividia com um loiro barulhento e bagunceiro. Deixou a bolsa em um dos ganchos na parede atrás da porta e retirou o celular de dentro dela.

Quatro ligações perdidas e uma mensagem. Todas de Hyuuga Hanabi.

Hinata franziu as sobrancelhas. Por que Hanabi a estaria ligando? Ainda mais em uma segunda-feira. Ela por ventura estaria na cidade? Abriu a mensagem primeiramente e encontrou um grande “Me liga” cheio de pontos de exclamação. E era o que a Hyuuga mais velha teria feito se, na tela, não aparecesse a tela de ligações para o seu telefone com o nome de Hanabi.

— Moshi moshi?

Hina! — a voz de Hanabi alcançou seus ouvidos. — Como você ‘tá?

— Estou bem, Hana. — respondeu, andando pela pequena sala de televisão. — E você?

Bem, bem. — ela disse rapidamente, Hinata até conseguia imaginá-la balançando a mão no ar.

— Faz tempo que você não me liga. — Hinata falou, antes que o silêncio se perpetuasse entre as duas irmãs. Escutou Hanabi bufar do outro lado da linha.

Faz tempo que você não me liga! — ela retrucou, frisando o pronome de tratamento.

— Certo, Hana! — a mais velha deu-se por vencida. — Diga-me a que devo a honra de sua ligação tão repentina. — Hinata utilizou de sua péssima habilidade em dizer palavras carregadas de escárnio.

Você nunca vai conseguir falar desse jeito muito bem. — riu da atitude da irmã. — Enfim, enfim. Onee-chan, você não vai acreditar quem eu achei!

— E quem é? — perguntou ao se jogar no sofá de três lugares, fitando a negritude da televisão desligada.

Uchiha Sasuke! — Hanabi quase gritou, fazendo Hinata pular no sofá e escorregar para o chão.

— Nanii?! — ela realmente gritou, apoiando-se na mesinha de centro com dificuldade.

Isso mesmo! E ele é arquiteto, sabia? — Hinata engasgou com a própria saliva ao escutar aquela frase. Ela de fato não sabia que Sasuke tinha escolhido aquela profissão, embora já devesse imaginar devido ao histórico do ensino médio. — Estou indo a uma reunião com ele agora mesmo.

— Hanabi?! — Hinata esganiçou. — Por que caralhos você não me contou isso antes?! — ela gritou mais uma vez, certa de que assustaria a mais nova do outro lado.

Nee-chan, não grite assim! — resmungou, Hinata conseguia ver o biquinho manhoso nos lábios dela. — Eu te contaria antes, eu juro! Foi Konohamaru que o encontrou, você sabe que estamos querendo reformar a casa e ele simplesmente disse que cuidaria de encontrar as pessoas necessárias par...

— Vocês vão reformar a casa? — indagou, petrificada. Cada hora uma revelação diferente! Quando percebeu que a irmã começaria a falar, apressou-se em voltar o assunto. — Deixe isso pra lá! Konohamaru foi atrás de um arquiteto e você não sabia que era Sasuke? — irritou-se com o rumo que a conversa estava tomando.

Iie! Konohamaru-kun consegue ser bem chato quando quer. — ela pausou, provavelmente escolhendo as próximas palavras. — Gomen, onee-chan. Eu juro que eu contaria a você se eu soubesse! Mas só descobri poucos minutos atrás, quando reconheci aquele leque horroroso da família Uchiha.

— Não é um leque horroroso. — Hinata disse, levemente distraída.

Você é a única que consegue achar isso! E eu aposto que é porque você aind...

— Não ouse dizer isso!

Are are! Gomen ne. — Hanabi tentou tranquilizar a irmã. — Contra fatos não há argumentos. — Hinata rangeu os dentes e, prestes a dizer palavras nada bonitas, Hanabi continuou: — De qualquer modo, vamos discutir as pautas do projeto da casa com ele agora. Depois eu dou uma passada aí e nós conversamos mais. Deixo o Konohamaru em alguma loja qualquer e fujo para o seu apartamento! Jaa ne!

Hanabi não deu oportunidade para que Hinata dissesse mais alguma coisa e desligou a chamada rapidamente. A mais velha ficou longos minutos apenas a fitar a tela já apagada do telefone móvel; seu maxilar estava trincado e sua vontade era de arremessar o objeto na parede mais próxima.

Realmente, contra fatos não há argumentos.

Se Sasuke não houvesse dado entrada no hospital Konoha, era certo que eles se encontrariam por Hanabi.

Hinata não era de acreditar em destino e em nada dessas baboseiras, mas mesmo para ela aquela situação já estava ficando coincidente demais.

~•~

Três horas depois, uma Hanabi saltitante adentrara o apartamento de Hinata vestida em um macacão jeans, com um par de botinhas cinza nos pés e uma blusa de mangas curtas cor de lavanda por baixo. Elas sentaram-se no chão, uma de cada lado da mesinha de centro da sala de TV, com um bule de chá fumegante, xícaras e biscoitos a frente delas.

— Eu não acredito que vocês vão reformar a casa. — Hinata começou, servindo o chá primeiramente a Hanabi e, em seguida, a sua própria xícara.

— Ah, Hina... A gente deveria ter feito isso antes do casamento. — explicou a irmã, bebericando o líquido quente e relaxante. — Mas não é esse o assunto que precisamos conversar. — Hanabi suspirou. — Eu sinto muito que tenha sido com ele.

— Daijoubu. — balançou a cabeça e a mais velha tornou a dizer: — Eu tenho algumas coisas para lhe contar também, Hana.

A Hyuuga mais nova arqueou as sobrancelhas castanhas, nitidamente curiosa. Hinata não tardou a desabafar tudo o que estava preso dentro de seu peito desde o momento em que vira Uchiha Sasuke adormecido naquela cama de hospital. Contou todos os acontecimentos até o momento, incluindo o pedido de Sasuke para que jantassem juntos no sábado.

— Tivemos essa conversa hoje. — disse, dando fim a seu quase monólogo. Hanabi segurou o riso, disfarçando-o ao mastigar um dos biscoitinhos amanteigados feitos por Hinata.

— Bom, agora eu entendo sua reação quando eu disse o nome dele. — Hanabi balançou a cabeça de um lado para o outro. — Graças a Kami vocês se encontraram! Já estava na hora.

— Até você, Hanabi? — Hinata olhou desapontada para a irmã.

— Não me olhe desse jeito... — disse constrangida. — Você levou isso longe demais, convenhamos! Precisava disso tudo?! — exclamou, pousando a xícara no pires. — Eu acho que não! Imagine, vocês perderam dez anos nesse seu joguinho. E você continuou mesmo depois de reencontrá-lo, se aproveitando da condição dele! — Hinata abriu a boca para ter o direito de se defender, entretanto Hanabi a interrompeu: — Eu não esperava essa atitude de você, Hina. Entendo que esteve chateada e marcada pelas atitudes dele, mas não era pra tanto!

— Hanabi, eu já ouvi esse mesmo discurso umas cem vezes... — Hinata disse baixinho, mais para si mesma. — Eu não o precisava ouvir da boca da minha irmã mais nova também.

— Ah, precisava sim! — acusou, batendo a palma da mão na mesa. — Eu sinto que você ainda quer fugir dele, Hinata! — elevou a voz algumas oitavas e fitou a irmã firmemente. A mais velha se encolheu, olhando para suas mãos unidas sobre o colo. — Seja forte Hinata, eu vi você lidando com coisas piores!

Hinata ergueu o rosto e fitou a irmã mais nova nos olhos albinos.

— Agora levanta essa bunda daí, nós temos que comprar um vestido pra você! — Hanabi completou, levantando-se agilmente e pegando suas coisas penduradas na parede atrás da porta.

Hinata não conseguiu evitar sorrir.

~•~

A semana passou mais rápido do que Hinata e seu coraçãozinho esperavam, já era sexta-feira à noite e ela se encontrava sentada no sofá com uma taça de vinho tinto em mãos. O que dera em sua cabeça para tomar vinho tinto? Nem mesmo ela sabia; apesar de preferir o bom e velho sakê.

Hanabi e ela rodaram quase todo o shopping da cidade a procura de um bom vestido e Hinata estava quase convencendo a irmã de irem embora para casa e jantar quando a mais nova, decidida e inquieta, puxara-a para fora do grande prédio. Ela quase agradeceu aos deuses, mas se deu conta de onde Hanabi a estava levando: a uma loja da Prada no centro comercial de Osaka.

“Eu sei que você tem dinheiro”, ela dissera com um sorriso malicioso no rosto. Hinata quase a empurrara para o meio da rua, quase. Hanabi escolheu vários vestidos de todos os modelos para que a irmã experimentasse, entretanto, nenhum a havia agradado. Até que a vendedora apresentou um, ele era todo preto com um decote raso deixando a mostra apenas suas clavículas e ia até a altura de seus joelhos. Era simples e fechava com um zíper escondido nas costas. Custara-lhe uma pequena fortuna, mas era belo e ela tinha um par de sapatos que combinaria perfeitamente com ele.

Depois de ter o vestido em mãos, Hinata não esperou muito para deixar Ino a par da situação. A loira de início não gostou nada do que havia escutado, porém escolheu deixar Hinata tomar o rumo da própria vida. A Yamanaka havia decidido que, embora fosse contra, apoiaria Hinata naquela decisão.

E lá estava ela em uma sexta à noite, tomando vinho. Sua vida tomara uma reviravolta tão grande que nem estava acreditando, mais parecia um sonho – e um dos bem loucos por sinal. Imaginara estar bem longe de certo Uchiha, mas, para sua surpresa, ele trabalhava bem na cidade vizinha. Agora teriam um encontro!

Tomou o último gole de vinho e caminhou até a cozinha para depositar a taça vazia dentro da pia. Preparou-se para dormir, deixando já separada a roupa para a noite seguinte. Deitou-se na cama e espreguiçou-se manhosamente.

Seria um longo dia.

~•~

Hinata acordou cedo demais para um sábado. Eram dez horas da manhã quando encontrou Naruto sentado à mesa da cozinha, tomando café em sua inseparável xícara de Batman.

— Ohayou — sussurrou, arrastando-se até a geladeira em busca de algo para seu próprio café da manhã. Naruto fez apenas um som gutural, como se não quisesse nem estar ali.

— Aquelas sacolas da Prada são realmente sacolas da Prada? — ele perguntou com a boca cheia de pão.

A mulher estacou, os olhos se arregalaram instantaneamente enquanto fitava um ponto perdido no meio da geladeira. Ela havia esquecido. Havia esquecido completamente de contar para Naruto. A semana passara tão rápida e sua cabeça estava tão cheia de coisas que aquele fato lhe ficara despercebido.

Piscou algumas vezes para sair do transe, soltou uma risadinha nasalada e pegou dois ovos.

— Heh! São... — respondeu baixinho, ficando na ponta dos pés para alcançar o armário em cima da pia e pegar uma frigideira. — Quer ovos mexidos? — mudou de assunto rapidamente, a fim de pensar melhor em como contar.

— Não. — ele disse quase como um resmungo. — Dinheiro pra comprar vestidinho da Prada você tem, né? — agora, sim, resmungou. — E na hora de pagar a conta de luz você me pede pra pagar metade. — Naruto concluiu, os olhos azuis estreitos.

Hinata fingiu não ver aquele olhar acusador e quebrou os ovos na frigideira.

— Naruto! — ela o repreendeu de novo, remexendo as claras e as gemas com uma espátula laranja berrante de silicone. — Primeiro que nós dois dividimos o apartamento, você também gasta energia! E segundo que... É que eu... Eu...

— Você quê? — ele continuava de cara amarrada.

— Eu-vou-sair-com-o-Sasuke — ela disse em um fôlego só.

Naruto engasgou-se com o café que tomava e esbugalhou os olhos.

— Você o-o quê?!

— Vou sair com o Sasuke.

— E quando você ia me contar isso mesmo? — ele indagou, virando o corpo para manter Hinata em seu campo de visão. Ela estava de costas para ele, virada para o fogão. Cautelosamente ela girou com um sorriso sem graça.

— Etto... Eu esqueci. — respondeu, caminhando para a mesa com seus ovos mexidos em um pratinho. Naruto acompanhou seus movimentos com as sobrancelhas apertadas.

— Como assim sair?! Quando vocês vão fazer isso? — ele fez uma careta. — Assim, do nada?! Semana passada você ainda estava furiosa!

Hinata suspirou e contou o que havia acontecido. Desde o encontro repentino com Sasuke, o almoço, o convite, a visita igualmente imprevista de Hanabi e como Sasuke virara o arquiteto para a reforma da antiga casa dos Hyuuga.

— E eu nem sabia que eles queriam reformar a casa. — ela finalizou o discurso juntamente à última garfada de ovo mexido. O loiro estava com um olhar distante e parecia alheio ao que ela falava. Ergueu o braço e deu-lhe um empurrão no ombro direito.

— Ei! — ele protestou.

— Você não ‘tá prestando atenção no que eu ‘tô falando?

— Desculpe, eu ‘tava sim!

— E então? — ela lhe deu outro empurrão.

— Então, ãhn... Então nada — gaguejou, puxando o colarinho da camisa verde-musgo que usava para dormir.

— Mentira! — outro empurrão. — Você não sabe mentir! — ela disse e, a cada palavra, dava-lhe um tapa no mesmo local do empurrão.

— É. — concordou encolhido. Hinata parou de estapeá-lo; por outro lado, continuou a encará-lo totalmente desconfiada. — Ah, Hinata! A culpa não é minha! Pelo menos não toda. — a última frase saiu em um murmúrio.

— Caralho, Naruto! — ralhou. — Você sempre esconde alguma coisa de mim, porra! Como quer que eu confie em você? Está sendo um péssimo amigo! — exclamou irritadiça. Ficara totalmente indignada com as ações do Uzumaki.

— Me desculpe, de verdade! — começou a dizer, passando as mãos pelos cabelos. — Eu já sabia que eles queriam reformar a casa...

— Hanabi contou pra você e não contou pra mim? — elevou a voz, frustradíssima.

— Iie, iie. — ele se apressou em negar. — Konohamaru me contou. — viu a expressão no rosto da mulher se aliviar.

— Oh! Então tudo bem.

— Mas fui eu quem passou o contato do Sasuke. — disse por fim. O alívio fugiu novamente da expressão facial de Hinata. Ela abaixou a cabeça, massageando as têmporas. — Konohamaru é meu afilhado, mandei vários contatos de diversos arquitetos que eu conhecia, incluindo Sasuke. Eu só não sabia que eles fechariam justamente com ele.

Hinata parou de se massagear e lançou um olhar irônico a Naruto.

— Ok, é demais pra mim. — ela se levantou bruscamente e levou seu prato para a pia. — Não quero me estressar. Já sei que não será fácil jantar com Sasuke esta noite.

~•~

Boa sorte! — a voz de Ino soava pelos autofalantes do celular. — Depois me liga e conta tudo!

— Arigatou, Ino.

E desligou a chamada.

Olhou-se no espelho pela quarta vez. O vestido preto caíra bem em seu corpo, acentuando a cintura e modelando os quadris largos. O decote discreto evidenciava suas clavículas e o colar prateado com pedras da lua – fora de sua mãe e tinha um grande valor sentimental.

Os cabelos estavam soltos, com exceção de algumas mechas frontais estarem repuxadas para trás e presas por uma presilha prata adornada com pedrinhas swarovski, e pendiam livremente a um dedo depois dos ombros. Nos pés usava um par de sapatos meia-pata de veludo e de salto alto grosso em tom vermelho sangue e, para combinar, uma bolsa de mesmo tom em couro falso.

Sentia-se bela, ainda mais com a maquiagem leve para esconder suas profundas olheiras. Nada de sombra ou delineador nos olhos, apenas máscara para cílios e um lápis preto nas línguas d’água. Nos lábios carnudos um batom carmim os destacava.

O celular começou a vibrar em sua mão, tirando sua atenção da imagem refletida pelo espelho. Uchiha Sasuke ligando, leu mentalmente a tela do celular.

— Moshi moshi.

Konbanwa! — a voz gostosamente rouca se pronunciou. — Está pronta?

— Uhn, quase. — respondeu, encarando os próprios pés. Talvez aqueles sapatos a incomodassem durante o jantar.

Hum... — ele murmurou. — Então... Temos uma mudança nos planos.

— Mudança de planos? — ela repetiu, sentindo o coração bater rápido.

Sim, passo aí pra te pegar em dez minutos. — disse com uma voz calma.

— Nani?! Sasuke?! — ela exaltou, mas ele já havia desligado.

Droga! Mil vezes droga!

Apertou o aparelho com força em sua mão, cerrando as pálpebras na mesma intensidade. Ela não queria mais contato, não queria dar a intimidade de volta a ele. E isso não incluía entrar no carro dele ou sentar no banco do carona.

Despediu-se de Naruto, que assistia televisão enquanto comia uma bacia de pipoca salgada, e pegou o elevador rumo ao térreo. Lá estava ele, cinco minutos depois, no seu Honda Civic preto. Ajeitou a bolsa no antebraço o e jogou o cabelo para trás dos ombros; então, andou para fora do prédio.

— Boa noite. — ele disse quando a viu. Um sorriso extremamente sensual repuxava os lábios masculinos. Fora inevitável morder os próprios, mas logo se lembrou do batom que os cobria.

Sasuke estava belíssimo naquele terno risca de giz preto com gravata cinza espacial e blusa branca por baixo, tinha apenas um botão preso. O cabelo continuava comprido, mas a franja não lhe caía nos olhos como da última vez, possibilitando Hinata de ver os belos negros.

— Boa noite. — retribuiu o sorriso, encantada com o brilho de volta aos ônix e percebeu, então, que elas se direcionavam a sua boca; durou apenas alguns segundos e logo se voltaram as suas próprias pérolas.

— Venha. — chamou-a, abrindo a porta do carro para que Hinata se sentasse. Logo ele também já se reconfortava no banco do motorista.

— Etto... — começou, após alguns minutos em quietude. Ele dirigia tranquilo pelas ruas levemente movimentadas naquela noite de sábado em Osaka. — Qual é a tal “mudança de planos”? — indagou, fazendo aspas com os dedos.

— Você verá. — fora tudo o que Sasuke dissera e o silêncio se arrastou por entre os dois mais uma vez.

Hinata apreciou a calma, observando os prédios, as casas, a iluminação; e foi quando ela percebeu que aquela área se tornara familiar demais. Sasuke realmente não a levaria para jantar no restaurante italiano do qual não se lembrava mais o nome.

Ela avistou o estabelecimento de longe e suas suspeitas acabaram no momento em que o Uchiha conduzira o carro na direção do drive thru. Apertou o apoio para braços com força, sua visão começando a enturvar com o turbilhão de lembranças que lhe invadiam os pensamentos.

Ele não está fazendo isso, ele não tá!, pensou, fungando o nariz. Aquele era o restaurante de comidas rápidas que eles mais frequentaram durante a época do colegial, principalmente após as aulas.

— Você... — ela queria gritar e entender o porquê de tê-la levado ali, mas sua voz falhou miseravelmente.

— Gomen, tentei fazer surpresa, mas você notou... — ele disse, freando em frente a uma janelinha na qual um homem com o uniforme verde e azul aparecera para atendê-los. — Presumo que você queira o de sempre.

A Hyuuga apenas balançou a cabeça, tentando o máximo que podia digerir as informações. O que aquela situação queria dizer, afinal? Que, talvez, ele se importasse com ela? Que, talvez, as intenções dele fossem boas para com ela? Hinata queria gritar, espernear e socá-lo naquela face tão bonita.

Quando dera por si, os pedidos já esperavam para serem devorados comportadamente no banco de trás e o automóvel já se deslocava para longe do local. Hinata se ajeitou no assento, soltando o cabelo preso pelo cinto de segurança.

— Por que fez isso? — a pergunta saiu instintivamente, sem que ela cogitasse fazê-la.

— Eu disse que era uma surp...

— Não foi essa a pergunta que eu fiz! — forçou voz para que saísse grave, batendo com força no painel do veículo. Aquela atitude fez com que Sasuke freasse bruscamente o carro; coagindo os corpos à inércia.

— Eu ‘tô tentando reconciliar as coisas, porra! — ele fez o mesmo e, em vez de bater no painel, bateu forte no volante. A buzina soou, fazendo Hinata tremer com um susto. — Parece que você não tá entendendo! — ele socou no local de acionar a buzina mais uma vez. — Nós... Podemos ter essa conversa depois de comer? Onegai. — pediu, agora apertando o volante entre os dedos e as palmas das mãos.

Hinata balançou a cabeça em concordância e, como ironia do destino, começara a chover.

— Aonde vamos? — por pouco a pergunta não saíra inaudível.

— Para o meu apartamento. — respondeu. A face pálida ficara séria e Hinata entendeu aquilo como um ponto final na conversa.

O caminho não se prolongou muito e, novamente, a quietude dominava dentro do carro – o único som escutado era o que os para-brisas faziam ao empurrar as gotas de chuva para longe do vidro. Chegaram ao prédio do Uchiha mais novo e Sasuke entrou na garagem, estacionando na vaga designada a ele.

Ambos saíram do carro, Sasuke com as sacolas de comida e Hinata perdida em pensamentos. Gastara uma pequena fortuna naquele vestido para que ele a levasse a um drive thru! Grandessíssima idiota ela era.

Eles usaram o elevador para subir até o décimo quarto andar, imersos em um silêncio que beirava ao desagradável. Quando as portas se abriram, Sasuke a guiou para a entrada de número 1401; a primeira de apenas duas portas que havia naquele corredor.

Sasuke destrancou a porta, dando passagem para que ela entrasse primeiro e foi com total surpresa que Hinata viu uma mesa de jantar de madeira escura e seis lugares, parcialmente arrumada para dois, no meio da sala. Dois candelabros prateados com três velas cada enfeitavam a mesa, embora as velas estivessem apagadas.

Duas peças de um jogo americano para pratos comportavam dois deles brancos com uma fina linha dourada a dois centímetros de suas bordas. Taças de cristal permaneciam intocadas ao lado dos pratos para conservar posteriormente vinho ou água, também ao lado das louças estavam os talheres de prata.

Aquela sala comportaria pelo menos metade de seu apartamento de tão grande que era! E não havia divisória com a área de televisão, onde um grande sofá de camurça preta jazia em frente a uma parede cinza gelo na qual uma enorme TV se fixava. Um tapete vermelho e felpudo sob o sofá se destacava no ambiente cheio de tons neutros em que o preto e o branco prevaleciam.

À esquerda, um arco quadrangular na parede deixava à mostra uma cozinha luxuosa no estilo estadunidense e, no meio do vão criado pelo arco, havia um balcão de madeira envernizada e três bancos altos de mesmo material.

Alguns quadros com pinturas e fotografias de paisagens se espalhavam pelo cômodo. Na parede atrás do sofá havia um armário clássico com portas de vidro opaco, impedindo Hinata de ver seu conteúdo. Sasuke fechou e trancou a porta atrás deles, tirando-a de sua distração em analisar seu apartamento.

Mordeu o lábio inferior, dessa vez pouco se importando se estava ou não de batom.

Sasuke a guiou para que se sentasse na cadeira no meio da extensa mesa e depois sumiu em direção à cozinha. Ele voltou pouco tempo depois com uma bandeja antiga de prata e, em cima desta, os pedidos feitos no drive thru. Depois foi buscar uma garrafa de vinho na adega que existia escondida em uma pequena porta na cozinha.

Quando ele se sentou, finalmente, na cadeira a sua frente, ele tinha um sorriso que impedia seus dentes de serem apreciados. Hinata, por um momento, sentiu-se estranha com toda aquela situação de jantar na casa dele. Entrelaçou os dedos das mãos em baixo da mesa pela milésima vez aquela semana.

— Vinho? — ele perguntou, retirando cuidadosamente a rolha da garrafa.

— Sim. — e ele lhe serviu até a metade da taça para, em seguida, encher a dele.

Começaram a se servir em silêncio, degustando serenamente seus pedidos. Hinata não soube quando, porém Sasuke quebrara a quietude e o clima pesado ao comentar sobre como Hanabi estava crescida e sobre a proposta de reforma da antiga casa Hyuuga. Foi a abertura para assuntos triviais como o dia-a-dia dela no hospital e o de Sasuke na Amaterasu Construções.

Ao terminarem de comer, permaneceram em um silêncio quase constrangedor enquanto davam fim às suas taças de vinho e se encaravam – disfarçadamente por parte de Hinata.

— Bom, por onde você quer começar? — ele quebrou o gelo mais uma vez, fazendo a Hyuuga desviar o olhar da taça vazia para os olhos incrivelmente escuros dele.

— Eu... Não sei bem por onde começar... — fraquejou, encarando o próprio colo. Ela pareceu pensar por meros segundos e ergueu os olhos, determinada. — Bom... Primeiramente, eu quero me desculpar, Sasuke. Por toda essa... — pausou, formulando a próxima frase. — Ah! Por toda essa confusão que eu causei. — ela gesticulava com as mãos ao falar.

Sasuke permaneceu em silêncio, esperando-a terminar.

— Esse negócio de fingir que não era eu, me aproveitando do seu estado físico... E fugindo de você depois... — ela passou a mão pela testa, apoiando o outro braço sobre a mesa. — Eu sei que foi de uma infantilidade horrorosa e reconheço meu erro. Mas é que... — ela procurou os olhos dele com suas pérolas. — Eu fiquei tão machucada, Sasuke. Praticamente traumatizada. Eu não sabia como agir ou lidar com a situação, e acabei escolhendo o pior jeito ao impedir você de saber que era eu o tempo todo.

Ele abriu um meio sorriso consolador, reconhecendo e aceitando as desculpas dela. Hinata balançou a cabeça de um lado para o outro, repreendendo-se pelas atitudes tomadas nas últimas semanas e nos últimos dias.

— Me perdoe, Sasuke. Eu reconheci meu erro antes mesmo de retirar suas ataduras, mas continuei com atitudes estúpidas! Para falar a verdade, eu não sei o que deu em mim, agindo daquele jeito... Não é algo que eu costumo fazer, pois sempre enfrento minhas dificuldades de cabeça erguida. Mas... — ela soluçou, controlando-se para não chorar na frente dele. — Mas é como se eu voltasse a ter dezessete anos quando estou perto de você!

Ela lançou os braços para o alto dramaticamente enquanto revirava os olhos esbranquiçados. Sasuke tinha as sobrancelhas franzidas e os braços cruzados sobre a mesa.

— Hinata — ele soltou um riso nasalado. —, eu já sabia que era você antes mesmo de você retirar os curativos. — a mulher a frente dele prendeu a respiração e seu rosto fora tingido pelo vermelho. Ele tinha um sorriso de canto que logo sumiu, dando lugar a uma expressão preocupada. — Que história é essa de você estar machucada e praticamente traumatizada?

A face de Hinata voltou a se avermelhar, mas não de constrangimento.

— Como assim que história é essa?! — ela se exaltou, alçando a voz. Apertou as bordas da mesa até as pontas de seus dedos ficarem brancas. — Você sabe muito bem que história é essa, Sasuke! — pronunciou o nome dele com a voz carregada de sarcasmo.

— Eu juro que não estou entendendo! Não sei do que está falan...

— PORRA! — ela bateu na mesa com ambas as mãos. — Você, Sasuke! Você me magoou! Você destroçou meu coração... — desabafou, desistindo de segurar as lágrimas.

— Hinata... — ele sussurrou, com os olhos cor de ônix arregalados. — Eu sinto muito... — começou a dizer, vendo que ela agarrara a taça de cristal. — Porém fique calma! Vamos...

Ela o interrompeu, arremessando o objeto transparente com força em direção à parede atrás de Sasuke. A taça se desmanchou em pequeninos cacos translúcidos – camuflando-se ao chão de azulejo impecavelmente branco – assim como havia ficado o coração da Hyuuga anos antes.

— Não me peça para ficar calma. — o maxilar dela trincou-se pela ira.

— Você não é a única magoada aqui! — ele gritou, levantando-se e espalmando as mãos com força na mesa escura, fazendo Hinata pular mais uma vez com um susto. — Eu também estou! — a voz se amenizou e Sasuke voltou a se sentar. — Eu realmente sinto muito e peço o seu perdão... Mas não me lembro de te machucar. Eu acordei do coma sem saber quem eu era, nem mesmo meu nome! Não reconheci minha família. Sabe como tudo isso doeu depois que eu recuperei a memória? — ele fechou as mãos em punho, sentindo os olhos lacrimejarem. Hinata balançou a cabeça negativamente. — Quando recobrei a memória e percebi que você não tinha me visitado nem sequer uma vez... Eu senti uma dor horrível. — ele mantinha o olhar perdido em meio aos pratos e aos talheres.

— Você não lembra... — ela murmurou. — Mas eu lembro, Sasuke. Lembro muito bem. Era tudo o que eu mais queria esquecer! — ela dizia, praticamente ignorando as palavras do homem. As lágrimas escorriam livremente pelas bochechas avermelhadas. — As... As palavras que você disse naquela noite... Aquelas palavras que você cuspiu na minha cara... — a voz dela saía repleta de repugnância. — Elas doeram mais do que se você tivesse me batido.

Os orbes claros mantinham um combate visual cheio rancor guardado para com os olhos escuros dele. Sasuke arregalara os olhos e engoliu saliva em seco.

— Nós dois estamos feridos. — ele respirou fundo. — E tudo seguiu como uma bola de neve caindo. Acredite em mim, eu não consigo me recordar dessa discussão ou de ter magoado você, Hinata.

— É claro que não se lembra. Você estava fodidamente bêbado naquela noite.

— VOCÊ QUER — ele gritou a fim de chamar a atenção dela. — fazer o favor de parar de me atacar? — ele tinha os olhos fechados, controlando o impulso de gritar ainda mais com ela. — Eu menti alguma vez pra você? Em todo o tempo que convivemos juntos?

— Não! — ela exclamou, as mãos tremiam. — E eu preferiria que você tivesse mentido pra mim todo o tempo! Porque, assim, eu teria o conforto de achar que aquilo tudo não passou de uma mentira! — ela gritou por fim, deixando-se levar pelas lágrimas incansáveis.

Sasuke levantou-se de sua cadeira, correndo para o outro lado da mesa. Ele se agachou perto de Hinata, puxando-a para os seus braços de forma que ambos sentassem no chão com ela em seu colo. Ele murmurava pedidos de perdão, enquanto tentava limpar as lágrimas que escorriam incessantemente pelo rosto belo da mulher.

Percebendo que Hinata tentava a todo custo não olhar para ele, desistiu de limpar o líquido salgado e teimoso do rosto dela e repousou a cabeça da Hyuuga em seu peitoral – não deixando de abraçá-la. E não soube por quanto tempo mais eles ficaram ali, naquela posição, ambos a chorar por mágoas passadas.

— Eu precisava dizer aquilo. — ela disse depois de seus soluços amenizarem. Começou a se afastar devagar, mas ainda sentindo o calor dos braços dele a sua volta. — Era algo que estava entalado há anos aqui dentro. — concluiu, apoiando a mão esquerda no ombro dele e a direita repousando no lado esquerdo do peito.

— Você ainda acha que eu sou aquele babaca de quando eu era adolescente? — indagou após alguns minutos apenas analisando as feições tristes que ela tinha no rosto. Hinata logo procurou os olhos dele, admirando as pupilas dilatadas quase se camuflando na íris negra.

— Não... — era extremamente difícil desviar o olhar. — Eu sinto que não.

— Então por que continua fugindo e me evitando? — passou os polegares em baixo dos olhos brancos, limpando o resquício do choro e a maquiagem borrada. Céus, ela fica linda de qualquer jeito!

— Era mais forte que eu... Quase como um instinto que eu não conseguia controlar. — disse pausadamente a fim de evitar mais choro. — Eu estou com medo de me machucar de novo! Realmente pensei que, com o tempo, eu seria capaz de superar... Eu te amei tanto, Sasuke... — o coração dele acelerou fortemente. — Eu... Eu ainda te amo tanto. — a voz saiu em um sussurro, mas fora suficiente para Sasuke escutar.

Ele a abraçou com mais força, apertando-a contra se peito, querendo que ela escutasse o quão descompassado seu coração estava por causa dela.

— Ah, Hina... — ele a chamou pelo antigo apelido. — Você ainda não reparou, não é? — ela balançou a cabeça negativamente. — Eu prometo que você nunca mais vai chorar por minha causa. E, se o fizer, será de felicidade.

E só então Hinata estreitou mais a distancia entre eles, com a vontade de se fundir ao corpo dele. Sasuke respirou fundo.

— Mas você precisa me aceitar de volta.

•••


Notas Finais


E então, meusa mores? hhahah
Foi um capítulo cheio de conversas, não é mesmo? Por isso o nome! HAHA Eu precisava colocar esse título, não me batam! hehe E o "Quase lá" foi porque eles estão realmente quase lá, se é que vocês me entendem. rs
Enfim, gente! Percebi que as visualizações e os comentários caíram :( E não entendi o porquê... Poxa, fiquei chateada! O que aconteceu? A estória não está agradando vocês?
Eu espero que não seja isso! Escrevo com muito carinho, pensando sempre na satisfação de vocês...
De qualquer forma, eu desejo que vocês tenham gostado desse capítulo enorme! haha
Kissu ~


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