História Entre Dois Amores - Capítulo 9


Escrita por: ~

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Categorias Once Upon a Time
Personagens Capitão Killian "Gancho" Jones, Cora (Mills), Emma Swan, Regina Mills (Rainha Malvada), Robin Hood, Zelena (Bruxa Má do Oeste)
Exibições 70
Palavras 3.664
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Universo Alternativo
Avisos: Insinuação de sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Bom pessoal a fic está chegando a sua reta final. Teremos apenas mais um capitulo e epílogo adiante. E desde já eu quero agradecer a vocês leitores que estão acompanhando a fic.
Bom vou deixar vocês lerem.

Capítulo 9 - Entre dois Amores





Daniel estava feliz por ter Regina à sua frente na mesa do res­taurante chinês. Nunca ela lhe parecera tão atenciosa e gentil embora comesse pouco e se servisse com bastante frequência do vinho de arroz, forte e de alto teor alcoólico.

A conversa fluía fácil entre os dois. Os anos de convivência diária no trabalho e nos
momentos de lazer haviam criado um forte elo de amizade e confiança entre eles. Mas Regina percebia com assustadora clareza que faltava a Daniel o fogo interno, o arrojo que Robin possuía naturalmente. Era aquele jeito de aventureiro que desatava sua sensualidade reprimida pela rígida educação e natural timidez. E ela era ainda muito jovem para contentar-se com o cálido conforto de uma lareira nas noites frias, quando seu corpo pedia o incêndio das grandes fogueiras.

Acossada pela premência de uma decisão dolorosa, Regina ousou formular o desejo íntimo de casar-se com Daniel e ter Robin como amante. Seria o ideal...
Envergonhada de seus próprios pensamentos, ela encarou uma vez mais o grande problema que tinha pela frente.
Qualquer que fosse sua decisão magoaria profundamente um dos dois homens e teria que passar o resto de seus dias com o ônus da escolha.
Inconsciente do que se passava na mente de Regina, Daniel servia-se do saboroso frango xadrez quando seu olhar detectou a figura exótica de Marian, entrando no restaurante.

— Mas veja só quem acaba de chegar... É a amiguinha de seu primeiro marido. Ela sabe chamar a atenção.

Voltando-se na mesa, Regina  vislumbrou em meio ao colorido vibrante de suas roupas exóticas, Marian Garcia, que sorria a todos como se fosse uma estrela de cinema em uma aparição pública. A bela estrangeira vinha seguida de perto por Killian, que parecia mui­to à vontade.

— Espero que tenham o bom senso de não virem juntar-se a nós.

Ela disse de mau humor.

— Creio que não virão.

Concluiu Daniel, ao vê-los acomodando-se a uma mesa do outro lado do restaurante. 

— Seu irmão está se revelando bastante desinibido.

Comentou Daniel um tanto sarcástico.

— Já não era sem tempo. Mas bem que ele podia escolher alguém de sua idade.

Disse Regina com desdém.

— Não creio que devamos nos preocupar quanto a essa pantera dos trópicos. Ela parece bastante determinada a casar-se com Robin, pelo que pude perceber.

Irritada mais do que seria aceitável naquela situação, Regina res­pondeu um tanto brusca:

— Um desejo inteiramente unilateral, pelo que pude ver. Robin só faltou expulsá-la do quarto.

Sem imaginar a reação de ciúme intenso que estava causando a Regina, Daniel prosseguiu no caminho errado:

— Quem sabe? Cinco anos na selva, a intimidade gerada pelas mais diversas circunstâncias...As pessoas desenvolvem laços, vo­cê sabe...

Respirando com dificuldade, ela sussurrou entre dentes:

— Será que podemos terminar o almoço em paz?

— Mas, Regina...

— Acho de péssimo gosto seus comentários a respeito de um assunto que não lhe diz respeito.

— A rigor, você não pode afirmar isso.

Regina atirou a cabeça para trás e riu, fechando os olhos. Pobre Daniel, ela considerou. A rigor, ele não tinha mesmo conserto.

— Do que está rindo? — Perguntou desconcertado.
— Eu disse alguma coisa engraçada?

— Muito. Mas acho que devíamos ir embora deste restaurante e sairmos um pouco do hotel. Que lhe parece um passeio pelas redondezas?

— Eu adoraria.

Ele disse entusiasmado pelas perspectivas possíveis.

— Então não percamos mais tempo.

Ela levantou-se da mesa.

— Como quiser minha querida.

Acenando para o garçom, Daniel aguardou que ele trouxesse nota para ser rubricada enquanto Regina caminhava até a mesa onde estavam Marian e o irmão.

— Olá, Marian. Você está esfuziante — e sem esperar que ela respondesse, disse ao irmão: — Daniel e eu vamos dar um pas­seio, talvez até a cidade mais próxima. Não se preocupe comigo se chegarmos tarde.

E formando um beijo simulado com os lábios, caminhou até a porta, onde Daniel a alcançou.

— O que aconteceu? — Perguntou Robin ansioso.
— Para onde eles foram?

— Passear pela redondeza. Acalme-se, cunhado — tentou Killian. — Eles não vão desaparecer.

— Não, mesmo! Ruby , você conhece o carro de Daniel?

— Sim. É um Ferrari prata, modelo esportivo. Qual é a idéia... Segui-los?

— Exatamente. Você veio com seu carro?

— Sim. Está no estacionamento.

— Então vamos. Não podemos dar muita vantagem a eles.

Os dois partiram, andando com rapidez, seguidos de Killian e Marian.

O BMW da empresária editora era muito confortável e espaçoso. Os quatro acomodaram-se em seu interior.

Robin parecia aceitar a presença de Marian, que encontrara em Killian o
parceiro circunstancial, desejável à situação. No banco detrás os dois tagarelavam amenidades enquanto ele e Ruby dividiam a tensão do momento. A estrada, de baixa velocidade, serpenteava pelos aclives rocho­sos, contornando picos, descendo vales, dentro de uma paisagem de sonho que o fim da tarde mergulhava aos poucos em sombras.

— Lá está o carro de Daniel.

Ruby alertou Robin.

Parado em um mirante, iluminado pelas últimas luzes do dia, o Ferrari esportivo parecia uma foto de propaganda da marca famosa.

— Os dois não desceram do carro.

Constatou Robin nervoso.

— Não é de se admirar.
- comentou Killian . — Deve estar um frio terrível lá fora.

Ruby estacionou o BMW no acostamento e ligou o som do carro, sintonizando uma estação qualquer.

O programa era sem graça, e as músicas de laboratório eletrônico tinham a mesma monotonia de um lago cheio de sapos coaxando em uma noite sem lua.

— Como conseguem fazer um programa tão chato?— Comentou Robin em nervos.

— Você tem razão — concordou Ruby, colocando um CD para tocar.

— Olhem — disse Killian. — Parece que vão deixar o mirante.

De fato, o carro de Daniel movia-se em marcha a ré, mano­brando para voltar à pista.

— O frio os espantou — comentou Marian com inocência.

— O problema é: para onde? — Resmungou Robin.

— Logo saberemos. — Ruby deu a partida no BMW e re­tornou à estrada.

Havia placas de
sinalização indicando a próxima cidade a al­guns quilômetros e parecia evidente que Daniel e Regina se diri­giam para lá. Ruby acelerou até estabelecer contato visual com o carro deles e depois se manteve a uma distância discreta. Quando entraram na pequenina cidade, incrustada na montanha, a noite já chegara. As luzes alegres do comércio voltado ao turis­mo de inverno, brilhavam convidativas nas inúmeras e bem cuidadas pousadas, bares e restaurantes. O movimento de carros era pequeno e não foi difícil seguir Daniel pelas ruas estreitas e cal­çadas de pedra até que ele estacionou em frente a um restaurante cujo nome, Taverna, estava esculpido em uma placa de madeira envelhecida.

De dentro do BMW, Ruby perguntou:

— E agora... O que faremos?

— Vamos aguardar -respondeu Robin, acomodando-se me­lhor no banco de passageiros.

O interior do restaurante era aquecido por uma enorme lareira aberta dos quatro lados, situada no centro do salão octogonal, cujas mesas ocupavam diversos planos separados uns dos outros por jardineiras floridas.

— Um encanto — aprovou Regina com entusiasmo.

— Fico feliz que tenha gostado — disse Daniel, conduzindo-a para uma das mesas.

A tábua de frios oferecida pela casa era um primor, agradando aos olhos e ao paladar. A carta de vinhos expunha uma grande variedade da bebida vinda de todas as partes do mundo.

De uma plataforma construída no alto, de onde se podia avistar todo o salão, um trio composto de piano, baixo acústico e bateria desempenhava um cool jazz, da melhor lavra.

Era o ambiente ideal para se estar com a pessoa certa em uma noite fria, reconheceu Regina, levando o copo de vinho aos lábios com prazer evidente.

— Querida... Você não acha que está indo depressa demais? Este vinho pode parecer suave a princípio, mas é forte e sobe depressa pode fazer um dano.

— Sou maior, duplamente casada e consciente de meus atos — ela respondeu com bom humor. — Além do mais, quem está di­rigindo é você.

— Certo, mas...

— Ahhh, Daniel.  Relaxe. Nem que seja uma vez só na vida, deixe as coisas acontecerem, por favor.

— Está bem, querida.

Concordou, embora não estivesse con­vencido.

Os músicos haviam feito um pequeno intervalo e, quando vol­taram, o líder
apresentou uma convidada especial para aquela noite:

— Senhora e senhores, eu tenho a honra de apresentar a vocês Susie Richmond, a voz
de ouro de Nova Orleans.

A mulher era negra, magra e muito alta, e tinha uma voz grave, quente e um sorriso cativante que demonstrou ao agradecer os aplausos. Quando o trio tocou um blues antigo, Susie deixou sair de seus lábios entreabertos um
lamento longo, de timbre obscuro, e a melodia alçou asas como um pássaro no vento forte.

— Apesar de não ser famosa, essa mulher canta muito bem

Analisou Daniel, correto como sempre.

Com os olhos fechados e o copo nas mãos, Regina absorvia a música como se respirasse a harmonia complexa e bem desenvolvida, a linha melódica que conduzia as palavras emotivas do poema, o grave bordão indispensável do baixo.
As músicas se sucediam entre aplausos e exclamações maravi­lhadas, e sem que Regina percebesse, o nó que prendia há tanto tempo os seus sentimentos foi desatado. As lágrimas desceram por seu belo rosto, levando as dúvidas e a dor, deixando um alívio úmido e benfazejo em seu lugar.
Quando os aplausos soaram por todo o restaurante, Daniel  voltou-se para Regina e disse surpreso:

— Mas você está chorando... O que está sentindo, meu amor?

— Daniel... Não vai ser possível

Ela balbuciou.

— O que não vai ser possível... Do que está falando?

— Você sabe. O nosso casamento...

Muito pálido, adivinhando o desfecho daquela conversa, ele respirou fundo, preparando-se para o pior, que não tardou a vir.

— Eu tentei... Mas não posso levar nosso casamento adiante.

— Você tem certeza? —

Perguntou muito digno, sabendo antecipadamente a resposta.

— Sim. Tenho.

— Meu Deus... É  o Robin, não é?  Você ainda o ama...

— Nunca deixei de amar meu primeiro marido.  Casei-me com você porque o julgava morto.

— Compreendo. — Cobrando-se ânimo, ele prosseguiu firme. — Mesmo que fôssemos apenas amigos, continuaria a não aprovar sua escolha. Ele vai fazê-la infeliz, uma vez mais. É do caráter de Robin o gosto pela aventura, e você vai sofrer de novo.

— Eu não fui só infeliz com ele, Daniel!  Tive em doses superlativas o bom e o ruim.
Ele me ensinou o amor e a dor.

— E eu... O que represento em sua vida?

Perguntou exas­perado.

— Você, meu doce Daniel, ensinou-me a constância e o valor de amizade, e isto não é pouco na vida de uma mulher.

— Ele não será bom para você...

— Você tem razão. Robin nunca vai mudar... E por isso mes­mo vou divorciar-me dele.

Pasmo com aquela notícia, Daniel não sabia como se posicio­nar dentro das novas regras.

— Então ainda existe uma possibilidade...

— Não, Daniel — ela foi categórica. — Amanhã, ao pedir a meu advogado que providencie o divórcio com Robin, pedirei também que entre com um pedido de anulação do nosso casamento.

— É sua palavra definitiva?

— É a única saída possível para essa situação.

Um silêncio doloroso seguiu-se àquelas palavras, e então Regina disse:

— Acho que não há mais sentido em ficarmos aqui.

— Você tem razão. É melhor voltarmos para o hotel.

— Para o hotel, não. Eu não suportaria aquele quarto por mais uma noite.

— E o que pretende fazer?

— Não sei... Talvez encontre uma pousada por aqui. A cidadezinha é agradável...

Daniel sinalizou para o garçom, pedindo a conta, e depois disse a Regina:

— Posso ajudá-la a encontrar esse lugar.

— Não sei se é uma boa idéia prolongarmos nossa despedida.

— Não seja teimosa — ele disse com carinho na voz. — Está um frio terrível lá fora, e você está sem carro.

Ela sorriu comovida e apertou a mão de Daniel por sobre a mesa.

— Você é a pessoa mais gentil que conheci.

— Pena que isso não foi o suficiente para você me amar. — A ironia tinha um traço de amargura.

— Sei que não é muito, mas serei sua amiga para sempre, se você quiser.

Ela ofereceu sincera.

— Agradeço, mas, agora, eu não saberia o que fazer com sua amizade.

Lágrimas vieram aos olhos de Regina, mas ela conseguiu controlá-las.

O garçom aproximou-se com a conta que Daniel pagou, e ambos deixaram o restaurante.

— Estou ficando com os pés adormecidos — queixou-se Killian do banco traseiro do carro de Ruby.

— Quanto tempo nós ficaremos parados aqui?

Marian pergun­tou impaciente.

— Não sei.

Confessou Robin tenso.

— Até que Daniel  e Regina  resolvam deixar o restaurante, eu suponho.

Disse Ruby mais objetiva.

— Então a espera terminou — anunciou Killian . — Olhem...

De fato, o casal deixava o; Taverna naquele momento, cami­nhando rapidamente para o carro, devido ao frio da noite.

— Não ligue o motor ainda — pediu Robin  a Ruby. — Espere até que deixem o estacionamento.
O Ferrari manobrou graciosamente, e todos se encolheram nos assentos, esperando a inevitável varredura dos faróis pelos vidros do BMW, que não aconteceu.

— Ora, vejam; só... Parece que eles vão continuar o tour pela cidade — comentou killian.

De fato, o Ferrari teria que passar obrigatoriamente por ali, onde eles estavam estacionados, antes de ganhar a pista de retorno ao Hotel Portales. Daniel havia optado pelo sentido oposto.

Robin praguejou baixinho enquanto Ruby dava partida ao motor

— Para onde será que eles vão?

Perguntou-se Killian em voz alta.

— Para algum lugar divertido, é claro.

Marian concluiu.

— Enquanto isso nós ficamos os quatro aqui, fechados nesse carro.

— Você veio porque quis Marian — disse Robin irritado. — Não havia a menor necessidade de fazê-lo

— Vim para ficar perto de você — ela justificou-se. — Mas parece que minha presença não está sendo valorizada.

— Ora, Marian... — Intrometeu-se Killian. — Não é bem assim, e você sabe.

— O que queria que eu fizesse Marian... Sentasse aí com você no banco de detrás?

Robin perguntou com ironia.

— Esperava que me desse um pouco de atenção. E não grite comigo... Eu não mereço isso.

— Eu não estou gritando!

Ele gritou.

— Vocês querem parar com essa besteira?! — Ruby interferiu. — Eu estou tentando dirigir.

— Devagar — comandou Robin atento. — Eles estão parando.

— Que espécie de estabelecimento é aquele... Eu não consigo ler a placa.

— Deixe-me ver. — Killian  esfregava a manga de seu blazer no vidro do carro. — Mas olha só... É uma... É uma pousada. O que eles iriam fazer em uma...

Ele calou-se rapidamente.

— O que um casal em lua-de-mel vai fazer em uma pousada, hein?

Marian indagou com ferina maldade.

— Eu vou estrangular essa mulher.

Bradou Robin com voz soturna.

— Calma — disse Ruby. — Pode não ser o que está pa­recendo.

— Ah, não? — Marian atacou de novo, destilando veneno. — Se eu estivesse no lugar de Regina, pensaria duas vezes antes de dispensar um homem como Daniel.

— Vá em frente, Robin
Disse Ruby . — Estrangule-a.

— Killian, feche a boca dessa mulher antes que eu mesmo o faça.

— Desculpe Marian, mas ordens são ordens.

E enlaçando a exuberante mulher, colou seus lábios aos dela em um beijo vio­lento e profundo.

Estacionando o carro próximo ao meio fio Ruby perguntou a Robin:

— O que Killian está fazendo?

— Calando Marian ... Olhe você mesma.

Ajeitando o retrovisor, ela assobiou baixinho.

— Que empenho! Eu diria mesmo que seu cunhado está se saindo muito bem no encargo

Mas a atenção de Robin estava fixada no carro de onde desciam  Daniel e Regina, dirigindo-se à recepção.

— Por que não colocaram o carro no estacionamento se pre­tendem ficar na pousada?

estranhou Ruby.

— Pode ser que o seu querido Daniel seja um pão-duro e esteja querendo verificar os preços.

— Não é do feitio dele.

— Bem, seja como for, não vou permitir que isso vá em frente.

— O que pensa fazer... Um escândalo?

Ela perguntou te­merosa.

— Se for necessário...

— E o que isso vai adiantar? — Queira você ou não, eles são maiores, vacinados e, além de tudo, casados.

— Não precisa me lembrar disso.  Mas quero ter o gosto de quebrar; a cara daquele; almofadinha.

Ruby sorriu baixinho e, dando um; tapinha no joelho de Robin, falou:

— Creio que é meu dever lhe informar que por detrás de toda a educação e sofisticação de Daniel, existe um exímio boxeador. Você pode se machucar.

— Boxeador? — Ele sorriu. — Eu devia imaginar... Quem nesse
mundo repleto de artes marciais ia se lembrar de treinar boxe?

— Daniel, é claro. — E também é imbatível no tênis e na esgrima. Tradição familiar, eu suponho.

— E deixe-me adivinhar... Joga xadrez e toca piano com partitura, certo?

Ironizou Robin.

— Xadrez não. Mas gosta dos clássicos...  Principalmente Beethoven.

— Pois fique sabendo que aprendi umas coisinhas sobre briga nos bares e esquinas do mundo. Vou quebrar; a cara dele.

Rea­firmou convicto.

— Olhe... Ele está saindo da pousada.

— Por certo o crápula vai guardar o carro no estacionamento.

— Parece que não.

De fato, Daniel manobrava a Ferrari na rua quase deserta, e vinha na direção deles.

— Mas o que está acontecendo... Onde está Regina?

Bradou Robin.

— Abaixem-se — Ruby ordenou, voltando-se para o banco de detrás do carro. — Jesus! — exclamou, olhando rapidamente para frente e
voltando-se  escorregando no banco do carro.

— Parece que Daniel vai voltar para o Portales sozinho. Que loucura é essa?

Perguntou Robin confuso.

— Pode ser que tenham esquecido alguma coisa no; Taverna... O celular ou a bolsa de Regina...

Constatou Ruby

— É... Pode ser — concordou Robin, abaixando-se. — E o que vamos fazer agora?

— Talvez fosse interessante levar os dois do banco de detrás para o pronto-socorro mais próximo.

Olhando por entre os bancos, Robin opinou:

— Parece que um motel seria o mais apropriado ao caso.

— Que noite! — Diga-me uma coisa, Robin...

— Fale.

— Sua vida é sempre assim?

— Assim como?

— Essa loucura ininterrupta.

— Não acho minha vida uma loucura — ele protestou ofendido.  — Sou uma pessoa normal, um pouco fora dos padrões, talvez.

— Um pouco fora dos padrões? Vocês ouviram isso?

Nenhum comentário foi ouvido, apenas pequenos gemidos e exclamações contidas. Ruby prosseguiu:

— Você anda no mundo como se ele fosse o bairro onde nasceu. Cai com um avião no meio da selva amazônica e vive cinco anos com essa mulher-pantera em meio a índios ferozes. Sobrevive e volta para o próprio funera para dizer à esposa que ressuscitou e descobre que ela acaba de se casar com outro, horas atrás.

— Você está exagerando.

Ele disse inseguro.

Sem dar importância à interrupção, Ruby prosseguiu firme:

— Não contente com isso, você resolve comparecer à lua-de-mel de sua esposa com o outro marido e traz consigo o pobre do seu cunhado, jogando-o nos braços dessa mulher. — Ela apontou para Marian. — E agora estamos aqui, vigiando uma pousada, onde a esposa de dois maridos acaba de mandar o segundo embora, em plena lua-de-mel, que, aliás, não se consumou.

— Ruby, você está histérica. Procure se acalmar.

Ele aconselhou.

— Está tudo sob controle, Robin. E aqui estou eu, seguindo o homem que amo e que se casou com uma mulher casada com um louco varrido que é você. A voz de Ruby tremia no auge do ataque de nervos.
— Você, Robin — ela prosseguiu sem hesitação e em um só fôlego — Cujo cunhado, mal saído da adolescência, resolve ex­plorar sua sexualidade reprimida com uma pantera amazônica, no meu BMW, que nunca mais será o mesmo; depois dessa maldita noite.

Ela gritou.

— Marian é peruana.

Ele disse quase tímido.

— Ao inferno com tudo isso!

Ela abriu a porta do carro e saiu para o frio intenso da noite.

— Ruby, aonde você vai?

Ela não respondeu. Batendo os pés no chão com raiva,ela contornou o carro, gesticulando com os braços abertos e gritando im­propérios.

— O que houve com Ruby?

A voz de Killian era rouca e grave.

— Está descarregando a frustração de uma vida inteira.

— Ela vai se resfriar.

Ele concluiu.

— Ela está sofrendo por amor — manifestou-se Marian, com certa razão. E então prosseguiu: — Eu sei muito bem o que é isso.

— Killian...

Gritou Robin .

— Sim?

— Ao trabalho.

— Com prazer, amigo.

Robin abriu a porta do carro e caminhou em direção a Ruby.

— Ouça. Não sei bem o que está acontecendo, mas parece que Daniel não vai voltar.

— É... Do Taverna até aqui são doze quarteirões. Ele já deveria estar de volta.

— Você está melhor?

— Estou...

— Então, acho melhor nos separarmos aqui. Você já fez muito por nós dois. Agora é hora de cada um cuidar de seus interesses.

— Está certo.

—Um beijo, um abraço, ou um aperto de mão?

Ele perguntou com simpatia.

— Um abraço. É mais caloroso.  E com esse frio...

Eles se abraçaram depois se olharam nos olhos, irmanados pela circunstância,e sorriram quase ao mesmo tempo.

— Posso lhe dar um conselho de amiga?

— Diga.

— Abra mão de tudo que não for absolutamente essencial e ofereça este espaço a Regina.
Você tem uma boa chance.

— Certo... Posso retribuir o conselho?

— Fale.

— Dê a Daniel uma noite inesquecível e tempo para ele refletir sobre o assunto, em férias, sozinho.

— Você acha que funciona?

— Não sei — disse com sinceridade. — Mas é uma boa tenta­tiva. Além do mais, o que
você vai perder com isso... Entende o que eu digo?

— Robin, você é um anarquista

Ela disse, rindo.

— Adeus, Ruby.

Ele se afastou em passos rápidos rumo à pousada.

































Notas Finais




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