História Entre Dois Mundos - Capítulo 27


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NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção, Ficção Científica, Lemon, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Slash, Suspense, Violência, Yaoi, Yuri
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 27 - EPÍLOGO


O Humanoide  abriu  seus olhos  âmbar,  orbes  biônicas que  tentavam ver  através  do vidro embaçado do que  parecia  ser uma  urna  espaçosa. Suas  poucas engrenagens,  substituindo os  seus ossos,  trabalhando em  seu interior, dividindo espaço com os órgãos humanos. 

Moveu debilmente  sua  mão direita  para  perto  de  seu  rosto tocando-o,  a  pele  era  suave  ao seu  toque apesar  de  algo pegajoso estar grudado nela e em seus longos cabelos escuros.

Tinha  uma  coisa diferente  dos  tantos  outros  que  foram  produzidos antes, ele sentia.  Aquelas  vidas  que viveu  em  seus sonhos,  aqueles olhos  negros que  faziam  seu  coração palpitar,  a  senhora  que  tanto amava-o,  que acalmava  seu  espírito  com  sua  voz  e  aqueles irmãos  que  sua  alma reconheceu,  fizeram  com  que ele    não fosse  apenas  uma  máquina,  um híbrido entre  o orgânico e  o tecnológico.

Ele  era  Laurence.

Essa  constatação fez  sua  atenção voltar  ao  que parecia  ser a  tampa de  sua  incubadora,  vendo-a  mover-se  para  cima  seguida  de  um  bip irritante que invadiu seus ouvidos sensíveis. 

— Você  me entende?  Temos  que  ir.  Eles  vão  nos  pegar.  —  Dizia  um homem usando uma  máscara  e  touca  cirúrgicas,  só  os  seus olhos podiam ser vistos debaixo de todos aqueles panos. Eram  exóticos,  não tinham  a  mesma  cor, um  parecia  o manto roubado da  própria escuridão  e  o outro  o céu  estrelado,  com  os veios castanhos muito claros.

Laurence  desviou  seus olhos  dos  do homem  e  tentou  assimilar o que  ele  dizia:  nós temos  que  ir.

— Ir.  — Balbuciou  tal  palavra como uma  criança  experimentando a sua  própria língua. — Sim, venha  vou  te  ajudar. Sentiu  as mãos  do mascarado passarem  por  baixo de  seu  tronco, ajudando-o a  se  erguer.

— Vamos,  Black  deixa  essa coisa para  trás.  —  Alguém  gritou  atrás do homem.  

— Ele  não é  uma  coisa e  não vou  deixá-lo,  cuide  de  manter  essas portas  fechadas Natt.  Eu  já  fiz  a  minha  parte,  já  apaguei  o sistema.  — Retrucou  pondo o corpo quase  inerte  sentado na  beira  da  incubadora, tirando o jaleco que vestia  por  cima  das roupas pretas  e  pousando-o nos ombros dele.

Dando  conta  da  sua  própria nudez,  passou  os  braços  pelas  mangas de  forma  desengonçada,  lembrando-se  de  como os  garotos de  seus sonhos faziam.

— Bom! Você sabe se  vestir,  os  outros  eram  como bebês  dentro  de uma  armação metálica.  —  Comentou  de  forma  admirada,  enquanto fechava  alguns dos  botões  do jaleco,  escondendo o corpo frágil  e  esguio do frio  e  dos  olhares de  qualquer  um.  Sua  criação. 

—  Você  consegue andar? Não podemos esperar mais, se não, nós te carregar. 

Ele não queria  que  o cara  que  lhe  chamou  de  coisa  lhe  tocasse, estava  confuso  ainda,  todavia  não queria  e  não gostou  daquela  palavra.

— Andar?...  Eu  tento  andar.  —  Falou  firme,  do seu  jeito,  tentando ficar em  pé  e dando  alguns passos  débeis,  antes de tombar sendo amparado  pelo outro.

— Já é o suficiente, eu te apoio, agora vamos!

Correram,  o humanoide  sendo apoiado e  conduzido,  praticamente arrastado,  pelo humano.  

Passando por  corredores,  que  estavam incrivelmente  vazios  e  tinham  a  aparência  asséptica,  as paredes  e  chão eram  tão brancos  que  faziam  suas  vistas  doerem.  

Dois homens e  duas mulheres além  do cara que  chamara-o de  coisa  se  juntaram  a  corrida. Levavam  em  suas  mãos  armas,  que mantinham  erguidas  escoltando o caminho.

— Eu te ajudo Black,  a  carregá-lo,  a  saída  é  logo ali.—  Uma  das mulheres disse,  quando viu  que  o rapaz  já  não dava  conta  de  sustentar  o corpo do outro  sozinho e  por  isso nem  prestava  muita  atenção no caminho.

Como tinha  dito,  a  saída  se  fez  presente  e  atrás da  porta  a penumbra os cobriu.  Uma  espécie  de  furgão esperava  escondida  entre  as árvores.

— Entrem,  entrem.  — Uma mulher muito  alta  e  gorda  gritava  do banco do motorista,  enquanto um  garoto muito parecido  com  ela esperava  com  a  porta  lateral aberta,  mirando sua  arma  no prédio  atrás dos fugitivos.

Quando o último entrou  e  o veículo  arrancou,  vários  guardas apareceram  na  porta  atirando contra  o furgão. Porém  já  era  tarde  demais para  os  guardas,  o homem  que  fora chamado de  Natt,  ostentando um  sorriso quase  cruel,  apertou  um dispositivo que  levava  em  mãos.  Em  seguida  uma  explosão  retumbou atrás deles.  As chamas subiam  aos  céus,  com  uma  coreografia  macabra, pareciam  ser ritmadas pela  risada  dos  que estavam  no veículo.

— Não riam  assim,  muitas pessoas morreram  essa noite.  —  O mascarado disse.

— Mas há  motivos  para  comemorar,  outras tantas  não irão  morrer mais pelas  mãos  de  suas  aberrações.  —  Retrucou  o outro  olhando para  o humanoide  encolhido próximo da  única  pessoa  que  confiava  ali.  —  Por que  você  nos  pôs  em  risco perdendo tempo para  salvar essa coisa?

— Eu cometi  um erro  que custou  muito  caro,  ao participar integralmente    da  criação  dos  que  vieram  antes dele.  Minha  ambição tampou  meus olhos,  —  Sua  voz  grossa e  melodiosa,  cheia  de pesar,  e  seus olhos  firmes no acusador  —  contudo ele  é  diferente,  não só  na  estrutura quase  humana,  como  nos  sentimentos,  ele  foi  criado pra sentir.  Não é uma  CPU  vazia  pronta  para  receber  informações e  estratégias para destruir.

“Olhe  para  ele,  está  assustado,  com  medo  de  você,  de nós.  Coisas  não sentem, ele sim.”

— Não me diga  que  o monstro  cativou  o  médico,  irmãozinho?— Jogou  sarcástico.

— Eu sou um monstro?  — A pergunta  tirou  os  dois homens da discussão,  fazendo-os olhar  em  direção à  voz  chorosa  e  tímida.  

— Você  não é  um monstro.  É  a  minha  redenção.

A afirmação foi  feita  pelo criador,  ao agachar na  frente  da  criatura, ignorando totalmente  a  discussão que  protagonizava  antes,  com  seu irmão  Nathan.  Não havia necessidade  em  limitar seu  vocabulário,  ele  sabia que  os  olhos  cravados nos  seus entenderiam.

— Oliver?  —  Sussurrou  erguendo a  mão para  tocar o  rosto,  que acabara  de  ser liberto  da  máscara. Seus olhos  encheram  de  lágrimas,  o que  dificultaria a  visão se  fossem  naturais. Aquilo  ele  reconhecia  como felicidade  em  reconhecer  e reencontrar.

— Como sabe  que  sou  Oliver?  —  Não era  assombro em  suas palavras  e  sim  admiração,  enquanto  permitia  o toque.

— Eu sonhei  com  você,  Oliver,  mas seus olhos  eram  assim.—  Com uma  carícia  leve  fechou  o olho com  veios  dourados.  —  Tão lindos.

— Como devo chamá-lo?  —  Estava  curioso.

— Eu era  Laurence.  Eu  sou  Laurence. — Laurence,  lindo  nome.  —  Imitando o gesto,  tocou  o rosto dele com  as mãos,  traçando o revelo  de  cada  parte,  com  ternura.  

— Posso te abraçar?  —  Saiu  hesitante.  —  Tenho saudade  de  fazer isso.

Tecnicamente  não poderia  sentir  saudade de  uma  coisa que  nunca fez,  contudo o Hagen  fez  e  sentira.  E  ele  era  o Hagen  e  o Menson.

— Queria também  fazer  isso.  —  Se  abraçaram. Ninguém  ousou  interrompê-los,  sentiam-se  constrangidos só  de pensar  em  fazer  tal  coisa.  Aquele  momento entre  eles parecia  tão íntimo e fundamental,  pareciam  estar  matando a  saudade  de  outras vidas,  de outra.   

Até  mesmo Nathan  Madison,  para  o qual,  Laurence  deveria estar pegando fogo junto aos escombros do prédio,  deixou-os quietos  sozinhos naquele  abraço,  distantes de  todos.

Somente  quando  chegaram  ao destino,  a  mulher que  ajudou  a carregar Laurence,  aproximou  deles,  tentando amarrar,  sem  sucesso, todos os  fios de  seus cabelos  curtos  agora  também  livres  da  touca cirúrgica.

— Black  chegamos.  Quer  ajuda?

— Obrigado,  Glória.  —  Agradeceu  desviando seu  olhar da  criatura que  quase  dormia  nos  seus braços  e  olhando para  a  mulher.  —  Venha conhecer a nossa casa Laurence.

O local  onde  o furgão estava  parado  era  um  galpão amplo,  grossas colunas sustentavam  o teto,  outros  veículos estavam  estacionados  no espaço que  parecia  ser  num  subterrâneo,  pois uma  umidade  sufocante atingiu  os  que  saiam do veículo.  As  paredes,  Laurence  conseguiu  ver através  das luzes fracas provindas de  lâmpadas de  emergência,  tinham manchas de  infiltração.

Ao  atravessarem  o portal  no fim  da  garagem  uma  sala que  mais parecia  um  quartel  general,  recepcionou-os  com  seus mapas dependurados pelas  paredes,  hologramas  flutuando por  sobre  a  grande mesa  de  madeira  e conversas de  um  batalhão que  comemorava  sua missão cumprida.

Aquele  barulho todo e  a  visão de  todas  aquelas  coisas  e  pessoas ao mesmo tempo fizeram  Laurence  ficar zonzo  e  cambalear  em  seus passos já  trôpegos.

Quando perceberam  sua  presença,  o silêncio  caiu  como um  a bomba  na  sala,  e  vários olhos curiosos  e  alguns furiosos pousaram  sobre ele,  tornando a  ação  de  caminhar já  difícil,  ainda  mais.  Seu  corpo involuntariamente  aproximou-se  mais do de  Oliver,  que  já  lhe  apoiava para  que  não  caísse,  em  busca de  proteção.

Um homem corpulento,  de  cabelos  cortados no estilo  militar e  rosto de  um  buldog    raivoso  se  aproximou  dando um  empurrão  no peito do Madison.  O  impacto o  afastou  do humanoide  que  sem  apoio caiu  sentado no chão.  

— Por que  trouxe  essa aberração para  a  nossa base  e  não deixou-a queimar junto com  o laboratório?  —  Perguntou  de  forma  rude,  fazendo saliva  respingar  no rosto  do rapaz.

— Pois eu  não ia  deixa-lo  lá  e  por  ele  ser diferente.  —  Seu  rosto vermelho de  raiva.  

— O que ele tem de diferente  dos  outros,  o fato de  ainda  não  saber matar  como a  máquina  que  é?

— Ele  não é  uma  máquina,  tente  entender isso  pai,  ele  não é  uma máquina.  —  Gesticulou  para  reforçar sua  afirmação.

—   Você já  sabe  quais são  as consequências de  sua  teimosia,  não é. — Agora falava  baixo,  ainda  rude.  —  Espero que  dessa vez  ninguém,  além de  você,  pague  por  elas.

— Não precisa jogar  o que  eu já  sei  na  minha  cara.  E  ninguém  vai pagar  por  nada,  —  Disse  firme  agachando-se  para  pegar Laurence  que ainda  estava  caído no chão,  tremendo,  enquanto tentava  inutilmente  se levantar  sozinho.  Seus olhos  apavorados avaliando todos  a  sua  volta.  — por  que  não ficaremos  aqui.

— Espero  que  não.

  Sob  essa sentença  o rapaz,  já  em  pé,  olhou  para  o pai  e  para  os outros  rostos,  que  presenciavam  a  discussão entre  os  líderes do grupo,  e deu  meia  volta  em  direção à  garagem.  Seguiu  até  um  dos  carros e  colocou Laurence  sentado  no banco do carona. Quando ia  tomar o  seu  lugar ao volante  escutou  seu  nome  ser chamado e  os  passos  que  ecoavam  no cômodo.

— O que faz  aqui  Glória?  —Perguntou  mal  olhando para  ela.

— Eu estou  indo com  vocês.  —  Respondeu  já  abrido a  porta  de  trás e  se  acomodando com  sua  mochila do lado.  —  e  nem  adianta  tentar  me tirar daqui.

  — Tanto faz,  você  é  quem  sabe.  —  Resmungou  fechando sua porta e  ligando o veículo.  

— Isso ai  Black,  aprende  rápido.  —  Soltou  fazendo-o rir de  canto.  — e  anda,  toca  pra sua  casa logo,  o Rence  precisa urgentemente  de  um banho e  roupas decentes e  eu de comida.

— Eu preciso...  —  Concordou  passando as mãos  na  barra do jaleco que  batia  no meio de  suas  coxas,  se  distraindo em  seguida  com  o movimento dos  dedos  sobre  o pano.

— Viu? Agora vamos!

O carro  corria pelas  ruas quase  vazias,  exceto por  algumas pessoas que  tentavam  voltar  para  suas  rotinas,  fazendo as imagens de  algumas casas  destruídas e  postes  caídos  passarem  como borrões  pela  janela. Laurence  tentava  entender    aquele  mundo  que  até  agora  não era seu. Com  a  cabeça  grudado no vidro passava  seus olhos  por  tudo o que  podia.

O caminho  da  base  até  a  casa de  Oliver não era longo, principalmente, pela  velocidade  com  que  dirigia,  como se  estivesse fugindo de  algo. 

— Essa  é  verdadeiramente  a  nossa casa,  Laurence. Gostou?  — Disse  adentrando a  sala da  casa de dois  andares que  recepcionou-os  com um “ seja  bem  vindo  de  volta  menino  Madison” que  ecoou  das  paredes claras  e  de  aparência  artificial demais.  

Laurence  mal  considerou-a  um  lar ao  compará-la  às casas  dos  seus sonhos,  exceto por  algumas poucas coisas  espalhadas de  forma  desleixada pelo cômodo que  revelavam  que  alguém  vivia ali,  como um  óculos pousado  em  cima  de  um  livro aberto  na  mesa  de  vidro perto  do sofá.  Ou um lençol jogado meio para fora do móvel e se arrastando no chão.

O lugar tinha  proporções pequenas,  a  moradia  de  um  homem solteiro que  mal  ficava  lá,  mas bem  projetadas,  de  modo que  a  disposição dos  poucos  e  bem  escolhidos móveis disponibilizasse  um  grande  espaço para  se  transitar.  Dava  uma  sensação  de  leveza  e  liberdade. Não  era sufocante como o espaçoso galpão em que estavam minutos antes.

E  essa sensação  fez  com  que  ele  sorrisse,  como resposta,  para  os dois que  esperavam  ansiosos  por  sua  reação.  Oliver ainda  apoiando seu corpo protetoramente,  mesmo que  dissera  a  ele  já  sentir  suas  pernas mais firmes,  e  Glória olhando para  os  dois,  do braço do sofá,  onde  estava empoleirada. 

Ele  não sabia  como seria o  dia  seguinte. Não conhecia  aquele mundo no  qual  despertou  sem  ao menos  crescer aprendendo  como reconhecê-lo. 

Mal  sabia  quem era ou  o que  era  além  do nome  que escolheu para si. Laurence. Poderia  ser qualquer  outro nome:  Georg,  Norberto,  Arthur ou Emanuel. Mas  aquele  tinha  significado de mais para  ele.  Era  dúvidas  e certezas,  um  amor  proibido,  planos  interrompidos,  era  carinho, acolhimento,  felicidade,  raiva,  saudade  e...  Vida.

Mesmo que  dissessem  e ele  soubesse  que  sua  vida  real  se  resumia  há  uma  hora e  meia, o  real ainda  não significava  nada  para  si, era uma  confusão  se  vozes,  imagens e sentimentos. Mas ele  sorriu,  porque  queria.

Porque  aquele  ato foi  a  forma  que  encontrou  de  dizer pra Oliver e Glória  e  para  si mesmo que  construiria  um  significado para  a  vida  que começara  a  experimentar.  Que  os  dois já  eram  importantes para  ele  e  que juntos fariam aquela casa se tornar um lar.

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Notas Finais


O prox eh o capitulo extra..e ultimo bjs
😪😎


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