História Entre Dois Mundos - Capítulo 2


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Mistério, Sobrenatural, Suspense
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Palavras 1.277
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fantasia, Mistério, Sobrenatural

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Boa leitura°

Capítulo 2 - Capítulo I


Fanfic / Fanfiction Entre Dois Mundos - Capítulo 2 - Capítulo I

Correr. Foi a única coisa que pensei quando vi aquele feroz animal vir atrás de mim, mas agora meus passos longos pareciam inúteis comparados com a agilidade de suas patas grandes.

O sol batia forte de encontro à meu rosto, dando irritação à meus olhos cansados e desorientados, meu coração batia tão rápido quanto meus passos cambaleados e perdidos entre árvores e plantas daquela enorme floresta.

Me virava rapidamente para ver aquele animal que vinha atrás, suas garras eram afiadas deixando pegadas fundas na terra úmida, seus dentes grandes e amarelo contendo um bafo quente que podia sentir mesmo com a distância.

Era estranho, não estava ofegante muito menos cansada por correr tanto, mas era o limite, havia chegado até a ponta de um penhasco alto de pedras claras.

Não haviam muitas opções.

Parei a poucos centímetros do fim do penhasco alternando o olhar entre o grande felino e a outra ponta do penhasco. Lutava contra meus pensamentos que estavam confusos com as alternativas.

Mas não havia tempo, dei alguns passos para trás com a esperança de pegar impulso suficiente para chegar até o outro lado. Sem me atrever a pensar mais, pulei.

Senti meu estômago revirar e o vento bater em meu rosto enquanto pulava. Parecia que tudo estava em câmera lenta.

Pressionando meus pés e joelhos no chão sinto as rochas.

Havia conseguido.

Ainda com as pontas dos pés no chão, viro meu rosto para trás vendo o animal imóvel parado na ponta do penhasco. Seus olhos eram intensos e continham um tipo de sentimento inexplicável. Era inebriante.

-

- É só isso? -sua voz se sobressai depois do pequeno silêncio que havia se instalado.

- É tudo que precisa saber! -minhas mãos estavam pálidas, talvez por contar aquela "história".

- Um sonho cheio de adrenalina, não. -ergue uma sobrancelha tirando sua visão de prancheta.

- Em momento algum disse que era um sonho. -permito-me à contrária-lo.

- Então esta me dizendo que tudo que acabou de me contar, foi real? -pergunta incredulo.

- E-eu não sei. -gaguejo com incerteza.

Tudo que havia lhe contado tinha sido minusculosamente realista, as folhas contra minha pele, a terra úmida, o quente bafo do animal... Mas jamais poderia dizer que havia sido real.

- Vamos lá Jessica, tente facilitar um pouco. -ele permanecia imóvel com sua prancheta em mãos e a mesma expressão de desdém de sempre.

A sala onde estávamos era escura somente com a luz do sol entrando pelas frestas da cortina preta, haviam estantes de livros recostados na parede, no centro uma poltrona marrom e logo a frente a horrível cadeira onde me encontrava.

Era tudo excessivamente escuro.

- Eu te disse. Tudo que precisa saber, eu já contei. -sua expressão sai do rosto dando lugar à um suspiro intenso.

Me levanto da cadeira indo até a porta de saída.

- Será que posso ir embora agora? -pergunto colocando minha mão sobre a maçaneta à girando.

Estava trancada.

- Por que está tão nervosa? -se levanta vindo até mim calmamente em passos curtos.

Ele não iria me deixar sair sem que lhe contasse tudo mas não queria... Não podia.

- Por que faz tantas perguntas? -grito agora me virando o mínimo para olhá-lo.

- Estou aqui para te ajudar. -me limito a dar uma risada rápido e abafada de sarcasmo.

- Eu não preciso de ajuda nenhuma. -giro novamente a maçaneta à sentindo ficar em minhas mãos.

A maçaneta simplesmente havia saído de seu lugar com minha tentativa de abrir a porta.

O homem de barba áspera e de rosto cansado para ficando à alguns metros de distância.

- Quebrou minha porta? -sua voz continha surpresa e sarcasmo assim como sua expressão.

Parecia não acreditar naquilo.

- Sua maçaneta na verdade. Ela já estava um pouco frouxa, não foi difícil de tirá-la. -minto um pouco, nem mesmo eu sabia como havia conseguido.

Me aproximo dele pegando sua mão e lhe entregando a maçaneta.

- Sabe que precisa de minha ajuda, Jess. -sua voz era baixa mas seu olhos eram concentrados em mim.

Me limito a não ó responder me virando para sair do local.

Começo então à andar pelo corredor daquele lugar horrível, sentindo os olhos das pessoas sobre mim como se eu fosse um pedaço de carne para cães famintos.

Meus passos eram leves contra o chão branco e limpo como se quisesse passar despercebida pela multidão de pessoas que se aglomeravam.

Termino o corredor subindo as escadas que davam até os quartos. Passo pelas portas encostando as pontas dos dedos sobre o metal gelado de qual eram feitas.

Paro então de andar quando chego em meu quarto.

Número 14.

Empurro com força a porta pesada que estranhamente estava aberta.

- Mãe? -exclamo baixo com espanto ao vê-la sentada em minha cama.

- Filha! -se aproxima colocando suas mãos quentes sobre meu rosto pálido.

- O que faz aqui? -gentilmente retiro suas mãos abrindo passagem para o resto do dormitório.

- Vim ver você. -seus olhos brilhavam de ternura e compaixão.- Está tão bela.

- Depois de 4 meses? -pergunto com a voz falha expressando melancolia.

- Filha, sabe que não podia vir aqui tão sedo. Precisava que ficasse um tempo aqui, que pudesse se acostumar com o lugar. -me viro para à olhar com sarcasmo.

- Me acostumar? Como posso me acostumar a viver aqui? -ela então para e observa o quarto.

Não havia muito o ver, no quarto só tinham uma cama recostada na parede cinza e uma escrivaninha de madeira.

- Mas então, como está? Fazendo progressos? -muda de assunto com agilidade.

- Não tem em quê progredir, mãe.

- Não fale isto minha filha. Você irá melhorar, então poderá voltar para casa. Para sua família.

Sua frase soou em meus ouvidos como algo que jamais iria acontecer, sua voz, seu jeito eram de alguém que não havia fé em suas palavras.

- Mãe, este lugar é terrível. Não quero mais ficar aqui!

- Jess, está aqui pois é o melhor lugar para você. -falou firme mostrando que a imagem de mãe superprotetora havia sumido.

- Melhor lugar?! Desde de quando me deixar presa em um hospício, é o melhor? -minha pergunta à fez ficar em silêncio por alguns segundos.

À vejo contrair a mandíbula de raiva.

- Eu sou sua mãe. Eu sei o que é melhor para você! -grita adentrando porta à fora.

Com força ela puxa a porta à trancando.

- Não, mãe! -grito correndo até a mesma.

Dou consecutivos socos fortes no metal grande e gelado.

- Mãe, me tira daqui. Por favor. -sinto lágrimas percorrerem minhas bochechas.

Eu não aguentava mais, queria sair daquele sanatório, queria voltar a minha vida antiga.

Depois de tantos socos dados, a porta se abre.

Dois homens altos vestindo branco entram no dormitório e me puxam pelos braços.

- Não, não. Me soltem! -suas mãos me apertavam com força e ódio.

- Pare de gritar! Vai assustar os outros. -um dos homens fala me colocando sobre a cama.

Uma mulher entra logo atrás com algo em mãos.

Se aproxima da cama e se abaixa à meu lado enquanto os homens me seguravam.

- Pare de se mexer! -ela coloca a agulha em meu braço deixando que o líquido que havia dentro da seringa entrasse em minhas veias.

De repente uma onda de cansaço me toma deixando minha visão turva. Sinto por fim os cintos apertarem minha barriga, pernas e pulsos.

A última coisa que vejo são todos saindo do quarto e logo em seguida o som do trinco.

E novamente eu estava trancada.

Sem saída.

Minha visão é então tomada pela escuridão.

- Existe uma linha tênue que separa o mundo real do sobrenatural. Eu estou nesta linha.

Cito baixo por fim perdendo consciência.


Notas Finais


Obrigada por terem lido.
Comentários me incentivam^^


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