História Entre Homens e Monstros - Capítulo 24


Escrita por: ~

Postado
Categorias The Walking Dead
Personagens Daryl Dixon, Personagens Originais, Rick Grimes
Tags Daryl, Pergonagem Original, Rick, Romance, The Walking Dead, Vampira, Vampiros
Exibições 213
Palavras 4.079
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Hentai, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Canibalismo, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Hello, Hello, Hello.

Cheguei com mais um cap e esse é pura treta, é um tanto frenético e bem tenso. Não vou mentir, foi difícil viu? Quase que não saiu, eu nunca tive um bloqueio como esse em toda a minha vida, eu fiquei muito triste e decepcionada, mas não vem mais ao caso.
Eu consegui, mesmo que algumas cenas eu praticamente tenha escrito de trás pra frente kkkkkkkkk
A vantagem é que quando eu me dei conta, um cap que eu tinha planejado ter 2mil palavras em media saiu com 4 mil kkkkkkk

Espero mesmo que gostem e podem me falar caso não tenha ficado bom.
Boa leitura.

Capítulo 24 - Queda


Cada coisa passava muito depressa pelos olhos de Scarlet. Os tiros, gritos e o cheiro de sangue se espalhavam pelos corredores do Santuário e ela se sentia bem no meio de uma guerra.

Pegara mais três Salvadores, todos distraídos demais com a invasão e descuidados o suficiente por pensarem que ela ainda estava presa. O elemento surpresa estava funcionando como uma vantagem animadora.  

— Rick realmente conseguiu. — Ela pensou enquanto cravava os dentes no pescoço de um homem moreno. — Ele uniu um exército.

Ela não precisava de mais sangue, mesmo assim o sugou até a última gota, queria estar no máximo de sua força quando encontrasse Negan. Queria vê-lo pagar por cada segundo de dor e humilhação daqueles três dias.

Teria que tomar mais cuidado dali em diante, pois os mortos estavam por toda a parte e ela já não tinha mais tanta certeza de quem era um Salvador e de quem era um aliado. Sabia que haviam pessoas do Reino, Hilltop e Alexandria ali e dado o caos que se alastrava por toda parte ela soube que os dois lados estavam perdendo pessoal.

Finalmente conseguiu sair da instalação, por uma porta adjacente que levou a um tipo de terraço.  Ao ar livre, o cheiro de sangue e morte era ainda mais intenso.

Olhou ao redor e viu um homem que não sabia se era inimigo ou aliado, ele estava abaixado escondido em um pequeno parapeito para se proteger dos tiros, e usava um rifle com o qual atirava, em quem quer que fosse, lá em baixo.

Scarlet se aproximou alguns passos silenciosamente e pôde ver quem era o alvo: Rosita. Encurralada perto das cercas a hispânica tentava se proteger de cinco errantes e, ao mesmo tempo, não ser atingida pelos tiros do homem no telhado.

Sem pensar muito, Scalert levantou o homem no ar com uma só mão. Os olhos dele se enchendo de pavor assim que a viu. Com a mão livre arrancou o coração do homem com facilidade, jogando o órgão do terraço junto com o corpo, antes pegando o rifle que ele segurava.

Rosita teve tempo de ver a cena toda, mesmo que de relance, e, ainda atônita, viu Scarlet pular lá de cima e cair perfeitamente no chão como um felino.

A loira usou o rifle pra acabar com os mortos mais próximos e caminhou até a hispânica que, por puro impulso, tremeu.

Rosita sabia que era sua culpa Scarlet ter sido pega e não sabia como a vampira reagiria a isso, mesmo que só o tivesse feito porque, de outra forma, Eugene acabaria morto  

— Sinto muito. — Foi a primeira coisa que conseguiu dizer, com a voz totalmente trêmula.

— Tem que sentir mesmo, Chica. — Scarlet sorriu meio de canto, usando o termo hispânico para “menina” como apelido.  — Vou anotar no meu caderninho do rancor, junto com aquele tiro que você me deu. — Comentou como se não importasse e estendeu-lhe o rifle. — Você está me devendo mais uma, então é bom não morrer, gente morta não paga as dívidas.

Scarlet não esperou resposta, apenas continuou correndo. Tinha um objetivo maior. Tinha que encontrar aquele crápula do Negan.

Quanto mais no meio do lugar ela ficava, mais caótica a situação parecia. A fumaça a impedia de enxergar com clareza e havia princípios de incêndio espalhados por pontos aleatórios.

Ouviu o rugido de Shiva e viu a tigresa de relance, pulando no pescoço de um morto-vivo enquanto seu dono derrubava alguns Salvadores. Ele parecia muito bravo e ela soube que, possivelmente, alguns habitantes do Reino já estavam mortos.

Prosseguiu, sentindo que Negan estaria na linha de frente. Mas não o viu por parte alguma, continuou correndo, passando por alguns rostos conhecidos que não lhe notaram, como Paul Rovia, Padre Gabriel e Eugene.

Entrou em outra construção percorrendo os corredores, derrubando sem pensar todos que ela teve certeza serem salvadores. Foi quando ouviu vozes três corredores a frente. Correu até lá, parando atrás de uma das quinas para que não fosse vista.

Sasha estava rendida com uma arma na cabeça e Abraham estava no chão na mesma situação.

— Vamos usar sua amiguinha como vantagem, mas não precisamos de você, Ruivo. — Um dos Salvadores disse com escárnio. — Diga suas últimas palavras.

Scarlet pegou um pedaço de concreto do chão, uma pedrinha um pouco maior que uma bolinha de gude. Já estava de saco cheio daqueles homens.

— Chupa meu pau, seu puto. — Abraham disse altivo e sem medo algum.

Usando a força sobre-humana, Scarlet lançou a pedra bem na testa do que estava rendendo Sasha, o corpo dele caindo inerte enquanto o outro se virava no susto e atirava para todo o lado.  

Ela levou um tiro de raspão no processo, mas não deu realmente atenção a eles, ficaria mais lenta por um tempo, mas a raiva era tanta que sequer deu importância. Nesse meio tempo Sasha já alcançara a própria arma e atirava certeiramente. O corpo de segundo Salvador também despencou no chão.

Os três se fitaram por um breve segundo e Scarlet estendeu a mão para Abraham que ainda estava ajoelhado.

— “Chupa meu pau, seu puto”? — Ela riu ajudando-o a se levantar.

— As melhores últimas palavras, eu sei, pode falar. — O ruivo respondeu se virando para Sasha e se certificando que ela estava bem.

Scarlet não respondeu, apenas riu de canto, negando algumas vezes e observando o sangue escorrer do ferimento de sua perna.

— Tudo bem aí? —Sasha apontou com a cabeça o local do ferimento.

— Vai ficar. — A loira deu de ombros.

Os três trocaram algumas informações rápidas, a dupla também não sabia onde Negan estava, disseram que tinham sido incumbidos de encontrar o deposito de armas do local. 

— Melhor irem. Eu ainda tenho que encontrar o Negan. — Scarlet sugeriu.

Sasha estava pronta para dizer alguma coisa, mas Abraham negou discretamente. Ele sabia que era pessoal, podia sentir no tom que a vampira usara.

— A gente se vê então. — O ruivo se despediu. — E, doutora? — Scarlet ergueu a cabeça pra fitá-lo. — Acaba com ele.

A vampira assentiu decidida. Voltou a andar, esperando a perna cicatrizar por completo para poder correr novamente. Não demorou muito, ainda tinha sangue o suficiente no corpo.

Assim que pôde correr voltou a vasculhar o local, encontrou alguns salvadores e repôs seu estoque de sangue.

Tentou arrancar deles qualquer informação sobre o paradeiro de Negan, mas percebeu que não sabiam de nada. Matou-os sem pensar duas vezes e prosseguiu.   

Passando pelos inúmeros corredores, sem saber exatamente para onde ir, Scarlet acabou do lado de fora novamente, era o fundo do Santuário, onde eles guardavam os veículos.  

Scarlet percebeu a movimentação do seu lado esquerdo e, sem sequer bolar um plano, correu naquela direção.

Um cara, levemente calvo, tentava fugir em uma das motos. Não era Negan, infelizmente, mas era o braço direito dele, Simon. Se alguém sabia o paradeiro do líder, esse alguém era aquele homem.

— Onde ele está? — Scarlet perguntou jogando-o no chão e pisando em sua garganta.

Simon não teve medo.

— Eu não sei... — Falou com um pouco de dificuldade.

Era mentira. Scarlet ouviu o coração dele vacilar, mesmo que os olhos sequer tenham se movido. Ergueu-o pelo pescoço.

— Diga-me, ou eu vou fazer você implorar por uma morte rápida! — Ordenou entredentes, um rosnado escapando da garganta, os olhos assumindo o tom vampiresco e as veias saltando juntamente com as presas.

— Talvez eu saiba onde ele está! — Simon praticamente gritou, erguendo as mãos. — Mas se me matar nunca vai saber... Eu posso te contar, podemos trabalhar juntos, podemos ser amigos, podemos cantar musiquinhas ao pôr do Sol, eu também não gosto de Negan, ele é mal, maltrata as pessoas, assassino, tirano...

Simon falava sem parar, rápido demais, alto demais, Scarlet percebeu que ele estava tentando ganhar tempo. Era uma armadilha!

Ela descobriu um tanto tarde, ouviu o barulho atrás de si, mas não foi rápida o bastante, não para desviar de todos os tiros de uma K-47.

Alguns deles lhe atingiram o lado direito da barriga, braço e abdômen. Largou Simon no chão e se lançou contra o outro salvador, teve tempo de alcançar seu pescoço e quebra-lo em um só movimento. Mas isso também deu vantagem a Simon que lhe atingiu dois tiros certeiros por trás, nos joelhos.

Scarlet caiu, perdendo o equilíbrio, muito do estoque de sangue tinha se esvaído com a primeira leva de tiros. Não conseguia contar quantos tinham lhe atingido. Tentou pegar a metralhadora com a mão esquerda, que não estava ferida, mas Simon foi mais rápido. Pisando em seus dedos antes disso e ele mesmo pegando a arma.

Sentiu alguns ossos da mão quebrarem sob a bota do homem, e rosnou furiosa. Mas sem força o bastante pra revidar, principalmente quando ele lhe atingiu novamente com tiros bem pensados no braço esquerdo e nas coxas.

— Vou te mostrar o que é implorar pela morte, sua aberração maluca. — Simon riu, arrastando Scarlet pelo cabelo em direção a uma plataforma nas cercas, onde provavelmente eram feitas as vigias.

O rastro de todo o sangue que jorrava de Scarlet foi marcando o caminho.

Ela tentou se levantar, mas as pernas não obedeciam, as balas tinham pegado em nervos importantes e demoraria pra se curar, principalmente com todo o sangue perdido na primeira saraivada de tiros.

Scarlet lutava para se manter acordada, o corpo inteiro entrando em colapso aos poucos, pedindo a inconsciência para poder se curar com mais eficiência.  Mas a vampira sabia que aquilo não era uma opção, se desmaiasse não tinha ideia do que aconteceria.

— Você se acha toda esperta e fodona, mas você não é. Você não passa de uma deformidade da natureza. — Puxou a loira plataforma acima.

Os olhos de Scarlet estavam cada vez mais desfocados, ela lutava contra a inconsciência com tudo o que tinha.

— Você não é diferente deles. — Jogou-a próximo a beirada e apontou, fazendo-a ver os vários errantes se amontoando na grade.

Simon segurou o pescoço de Scarlet de encontro ao chão, esganando-a e empurrando-a mais próximo da borda, ela engasgou com o próprio sangue, todo o corpo debilitado demais por tantos disparos que não podia revidar.

Viu os mortos da cerca se aproximarem, tentou se debater, mas Simon usava o peso do corpo como vantagem, prensando-a de todas as maneiras.

A cabeça de Scarlet já estava pra fora da plataforma, os cabelos longos foram agarrados e puxados pelos mortos. Não podia morrer assim.

Viu os dentes podres tão próximos, vários deles se amontoando atraídos pelos gritos de Simon e pelo sangue que escorria dela própria.

Scarlet estivera de cara com a morte várias vezes durante sua longa existência, tinha desejado o último suspiro tantas outras. E talvez até aceitasse de bom grado se não tivesse um assunto pendente: vingança. Não podia desistir.

Se debateu sob o homem outra vez, conseguindo alcançar algo sólido com que o atingiu na lateral do corpo. Não foi forte o bastante pra fazer nenhum estrago significativo, já que quase não tinha forças nos braços, mas Simon se desestabilizou por um momento precioso, a metralhadora rolando plataforma a baixo, e Scarlet conseguiu escapar de seu corpo, usando toda a força que ainda lhe restara para fugir dos mortos que puxavam seu cabelo.

Algumas mechas ficaram entre os dedos podres, mas ela finalmente conseguiu se colocar totalmente sobre a base, a dor mal a deixando respirar.

Simon teve tempo o suficiente para agarrar a arma que tinha presa na cintura. Apontou-a para Scarlet, os olhos faiscando de raiva.

— Vou apagar você, vadia bizarra, depois vou jogar sua carne para os mortos.

Scarlet ainda estava parcialmente no chão, não teria tempo suficiente para pular no pescoço dele, sabia disso. Mas não sentiu medo, não sentiu nada. Viesse o que viesse, ela estava preparada, mesmo para a morte.

Simon destravou a arma e o barulho do tiro ecoou por toda a parte. Mas a arma do homem jamais chegou a atirar, seu corpo, já sem vida, despencou da plataforma e foi recebido com euforia pelos errantes.

Scarlet, ainda sem entender, teve tempo de ver a marca da bala que acertara a lateral da cabeça do homem e então voltou sua cabeça na direção do disparo.

Glenn Rhee segurava uma Glock, logo atrás dele uma garota morena e um rapaz de dreds que a vampira não conhecia.

— Você está bem? — Ele perguntou e Scarlet levou um segundo pra entender o que acontecera.

Provavelmente Glenn e seus amigos tinham ouvido os tiros e chegaram ali atraídos pelo barulho, ou seguindo o rastro farto de sangue. Debilitada como estava Scarlet não os ouviu se aproximar, e Simon, no auge da raiva, também não.

A loira desceu da plataforma com dificuldade e os olhares dos dois amigos de Glenn não podiam estar mais arregalados.

— Como é que ela ainda está viva? — A garota morena apontou, vendo o corpo totalmente castigado pelos disparos.

— Ela é especial, eu disse pra vocês. — Glenn respondeu somente.

Scarlet revirou os olhos, se encostando em um lugar qualquer e tirando um segundo pra respirar com dificuldade.

— Eu... Eu não sei bem o que fazer agora. — O asiático declarou incerto, queria ajudar, mas não fazia ideia de como.

— Eu vou curar. Só preciso de um tempo.

Os outros dois, um pouco atrás, se olharam sem entender. Scarlet percebeu que o rapaz negro de dreds sangrava, a perna estava ferida na altura da coxa direita.

Um homem gordo saiu de um dos galpões, parecia assustado, era um Salvador. Os três alexandrinos apontaram suas armas imediatamente, antes que ele tivesse tempo de atirar. Glenn acertou a barriga dele em um disparo certeiro, a morena chutou a arma do salvador para longe e apontou o rifle que portava

— Não o mate. — Glenn ordenou estendo a mão e Tara não compreendeu.

Nenhum deles gostava de matar, mas era necessário, tinham percebido. Glenn sabia que não podia deixar pessoas como aquelas por aí, não podia correr o risco de vê-los machucarem a esposa e o bebê que ainda não nascera.

— Você disse que precisa de tempo, mas podemos ser mais rápido se você tiver sangue, não é? — Apontou, explicando a Scarlet sua ideia. Ela sorriu.

— Nunca subestime um asiático, é o que eu sempre digo... — Caminhou até o homem que a amiga de Glenn desacordara com o cabo do rifle.

— Acho que você não vai querer ver isso, bonitinha. — Falou para a garota, que a olhava visivelmente surpresa e assustada.

Glenn empurrou levemente os dois amigos para lidarem com alguns errantes metros à frente dando privacidade para que Scarlet se alimentasse, não queria expor o segredo dela mais que o necessário, embora soubesse que apenas aquilo já era material suficiente para imaginar muitas coisas.

Scarlet agradeceu mentalmente, drenando todo o sangue do gorducho no chão e esperando alguns minutos para que todos os ferimentos cicatrizassem doloridamente. Não era o suficiente pra reestabelecer toda sua força, mas era o suficiente pra colocá-la, com alguma vantagem, no jogo novamente

Se Simon já não estivesse morto, ela iria inclui-lo na tortura planejada para Negan.

Se levantou recuperada, mesmo que estivesse ainda mais coberta de sangue e suas roupas estivessem praticamente destruídas pelos disparos.  

— Esses são meus amigos, Tara e Heath, lembra que dissemos que estavam fora de Alexandria? Voltaram da ronda e felizmente as armas que encontraram foram de grande ajuda. — Glenn explicou, assim que Scarlet se uniu a eles.

A loira deu um leve aceno de cabeça para os dois, que retribuíram um tanto incertos pelo tanto que aquela situação era estranha.

— Por favor só me diz que não trouxeram sua esposa super gravida para esse inferno. — Scarlet comentou passando por Glenn, fazendo os outros dois arregalarem totalmente os olhos ao verem que não tinha mais ferimentos de tiro nela.

— Claro que não. Ela está em Alexandria, com a Judy, Enid e algumas outras pessoas que não podiam lutar.

— Menos mal. E posso saber por que você está aqui arriscando sua vida, e não com ela, cuidando do seu bebê? — Passaram a andar juntos seguindo para o ponto de onde ainda vinham tiros.

— Eu estou cuidando deles, por isso vim, estou garantindo um futuro seguro para minha família. — Glenn respondeu decidido, entregando a metralhadora que recolhera do chão para Scarlet. — E também estou salvando a médica que vai fazer o parto do meu filho, caso não tenha percebido.

Scarlet acabou rindo, agradeceu com um gesto e decidiu pegar a arma, depender unicamente de suas habilidades naquele lugar não tinha dado certo.

— Então você é tipo o Wolverine? — Tara perguntou incerta, apoiando Heath com uma mãos e atirando em alguns mortos com a outra.

A vampira franziu o cenho com a comparação, pouco inclinada a contar sua história naquele momento.  

— Algo assim, Bonitinha, algo assim... Agora vamos tirar seu amigo daqui antes que o cheiro do sangue dele atraía ainda mais mortos.

Seguiram por dento de outro galpão.

— Tem certeza que ela é confiável? — Heath sussurrou praticamente no ouvido de Glenn, pra que a loira não pudesse ouvir.

— A única coisa que eu tenho certeza é que ela pode te ouvir... — O coreano deu de ombros.

Scarlet se virou levemente, tombando a cabeça e deixando claro que ouvira mesmo.  

— A única coisa que importa agora é que estou do mesmo lado que vocês. — Deteve os três atrás de uma das paredes que dobrava o corredor. — Estão vindo. Quatro deles.

— Não estou ouvindo nada. — Heath franziu as sobrancelhas em desconfiança.

Scarlet pediu silêncio, menos de dez segundos depois os Salvadores surgiram do lado oposto do corredor.

Depois de alguns tiros trocados, eles não foram uma grande ameaça.

E ainda nada do Negan, Scarlet pensou contrariada...

Eles deixaram a construção. Glenn e Tara iam um pouco atrás, amparando Heath, Scarlet seguia alguns passos à frente, olhos e ouvidos plenamente atentos.

A batalha no exterior parecia estar no fim, haviam bem mais errantes que vivos. O chão coberto de mortos e todos souberam, conforme caminhavam desviando dos cadáveres, que ambos os lados tinham perdido muito.

Viraram na direção do portão principal. Ali não ficava dúvidas que o Santuário caíra, tudo era destruição e desolação. Os poucos Salvadores restantes, haviam desistido de lutar, as forças agora se uniam contra os mortos.

Scarlet sentiu no céu da boca o gosto amargo da decepção, Negan não estava em parte alguma. Ele podia ter fugido, ou sido devorado, talvez até mesmo morto por outra pessoa. Seu corpo todo arrepiou de puro ódio.

Não bastava que o homem estivesse morto, ela mesmo queria ver a vida esvaindo de seus olhos, ela mesmo queria fazê-lo sofrer antes disso.

Sem pensar muito alvejou os errantes mais próximos, usando a metralhadora que Glenn pegara de Simon. Os podres vinham de todo o lado. Logo Glenn se uniu a ela, deixando que Tara se ocupasse de apoiar Heath.

Aos poucos mais membros foram se juntando a formação. Scarlet reconheceu Padre Gabriel e Paul Rovia, mas não as outras cinco pessoas.

Avançando sem parar em direção a saída, outro grupo se juntou a eles. Ezekiel e Shiva o lideravam, seguidos por Rosita, Morgan, e mais algumas pessoas que também eram desconhecidas.

Em todo o pátio grupos parecidos se formavam. Scarlet viu Abraham, Sasha e Eugene em um deles.

Olhou ao redor e não avistou Daryl em parte alguma e isso a preocupou momentaneamente.

Os mortos continuavam sendo derrubados um após o outro, sem grandes dificuldades, uma aglomeração de um grupo à direita deixava claro que alguns Salvadores ainda eram detidos.

Mas a batalha não era mais um desafio. Tinham vencido, mesmo que essa vitória tivesse gosto amargo pelo tanto que perderam no caminho. O número de mortes superava em muito o de sobreviventes e isso nunca era bom.

Os feridos exalavam o cheiro de sangue por toda a parte, alguém entre os grupos tinha uma enorme mordida no ombro.

Scarlet suspirou quando alcançaram o pátio principal, ainda sem nenhum sinal de Negan.

A formação próxima ao portão, que derrubava tantos errantes quanto era possível, chamou sua atenção.

Michonne, Carl e Rick. Os olhos de Scarlet encontraram os do xerife no meio do caminho. A expressão dele foi de puro alivio, enquanto a dela não passou de um sorriso mínimo.

Estava acabando e nada de Negan.

Os grupos pequenos foram se espalhando pelo pátio, limpando-o dos mordedores sem grandes dificuldades.

Scarlet continuou atirando, mas os olhos estavam em Rick, presos nele, em seu rosto manchado de sangue e em sua aparência caótica, que provava que ele também tinha passado por muita coisa. Se sentiu um tanto estupida por duvidar que eles viriam, todos eles, era estranho ter um lugar no meio de tudo aquilo.

Os olhos azuis se encontraram novamente, ela piscou divertida, deixando a raiva de lado, mesmo que por apenas um segundo, e ele sorriu de canto. Foi quando a expressão do xerife seguiu novamente para o alívio.

Scarlet se virou para fitar o ponto atrás dela, que Rick ainda olhava. Daryl vinha cambaleante, mancando levemente e segurando a crossbow armada, derrubando alguns mortos pelo caminho. Seu rosto e o sangue em seus punhos, evidenciavam uma luta corpo a corpo. O arqueiro e o xerife acenaram apenas com a cabeça amigavelmente.

— Você não está com cara de quem se cuidou. — A loira lançou assim que ele passou ao seu lado.

— Olha só quem fala... — Mediu-a de cima a baixo reparando nas roupas em frangalhos.

— O que houve?

— Eu peguei o cretino do Dwight, estava prestes a acabar com ele, mas o filha da puta jogou um errante em mim e conseguiu fugir. Deve ter entradas secretas nessa porra. só pode. — Resmungou se juntando a ela na formação.

— Eu também não tive sorte. — Confidenciou, incapaz de conter o rancor na voz.

Continuaram com o trabalho calados, cada vez mais próximos de Rick e dos outros. Menos de vinte metros os separavam e Scarlet e o xerife se fitaram outra vez.

Ele queria saber como ela estava, o que tinha acontecido, não podia negar que sentira vontade de correr até lá assim que a viu. Mas não o fez, não o faria. Tinha decidido que se afastaria o máximo possível. Era o certo.

Tinham invadido o lugar e avistaram Negan ao longe, mas depois o líder dos Salvadores sumiu, como se tivesse sido engolido pela terra. Rick queria encontrar o cretino, tanto quanto qualquer outro, mas foi impossível fazê-lo. Negan não lutou pelo lugar, como se não se importasse realmente.

Teriam que caçá-lo, Rick não permitiria que outro “Governador” ficasse à solta e, cedo ou tarde, fosse bater nos portões de Alexandria. Não cometeria os mesmos erros novamente.

Voltou os olhos para Scarlet, vendo que o estado dela era lastimável, sentiu remorso, se ele não a tivesse deixado sozinha talvez as coisas pudessem ter sido diferentes.

Observou Daryl e ela trabalhando juntos, matando errantes, mas era mais que aquilo, os dois se pareciam de formas que Rick não conseguia compreender totalmente. Apenas sabia que não queria ficar entre aquilo.

Tinha Michonne, ela era a mulher que ele tinha escolhido. Rick podia ver o amor que ela dedicava aos filhos dele. Eram uma família.

Rick viu que a luta acabara, ainda teriam trabalho, é claro, teriam que caçar Negan, mas o mais difícil fora vencido pela união das três comunidades. Houveram muitas baixas de todos os lados, mas estava acabado.

Scarlet aspirou o ar com força absurda, algo lhe deixou totalmente alerta. Parou olhando ao redor como um predador faria. Mal teve tempo de formular o pensamento inteiro quando o tiro de um rifle de alta precisão cortou o ar.  

Negan!  

Os olhos treinados de Scarlet procuraram o homem, entre os destroços de um dos galpões, no alto, de onde viera o tiro. Deu cinco passos decididos, a raiva correndo tão depressa em suas veias, que tinha desligado todas as coisas que aconteciam ao redor. Se preparou para correr.

— Scarlet! — A grito de Michonne foi alto e desesperado o suficiente para tirar a vampira do torpor por um segundo.

Só então ela se deu conta do que acontecera. Tinha ouvido o tiro, mas não deu importância ao alvo.

Seus olhos focaram no corpo no chão, o sangue escorrendo sem parada na altura do pescoço, onde o disparo atingira, todos estavam em choque, Michonne tremia dos pés à cabeça, todos estavam atônitos demais para qualquer reação.  

Negan ficara escondido apenas pra ter a chance de atingir aquele alvo, o líder, o mandante de toda aquela invasão: Rick.

A vampira soube naquele instante, enquanto ouvia o coração do xerife bater cada vez mais devagar, que se ela corresse por vingança estaria condenando-o a morte.

A vida de Rick Grimes estava nas mãos de Scarlet Hale.


Notas Finais


Eita! kkkkkkkkk
Rick baleado, Negan fugindo, eu disse nos comentários que esse homem ainda aprontaria.

Aproveitei esse cap pra fazer um tipo de homenagem ao Abraham e ao Glenn, pq ainda não superei a morte deles e esse foi o motivo principal de eu não ter matado nenhum fav aqui.
O Santuário já era (sim acabei com ele bem rápido, pq o foco aqui é diferente do da série) mas ainda temos Negan e Dwigth por aí.
No próximo voltamos pros shipps, pq eu amo uma treta, mas o meu lance é romance e pegação mesmo.

Nos vemos na quinta/sexta que vem.
Bjss

PS: Quando estavam lendo, quem vcs acharam que salvaria a Scarlet do Simon?

PS²: Rip Simon, sinto muito, mas meu amor por vc não era como meu amor pelo Trevor do GTA5, Bye, Bye.


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