História Entre Lições e Conquistas - Capítulo 5


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jungkook, V
Tags Agwstd, Brotp!vhope, Domestic!taekook, Kooktae, Kookv, Menção Jihope, No Lemon Squad, Platonic!hopekook, Seja O Que Deus Quiser, Taekook, Vkook
Visualizações 350
Palavras 5.010
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Fluffy, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Slash, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Substituíam os asteriscos por pontos e escutem enquanto leem o capítulo: *youtube*com /watch?v=Pv0krGoDxQk.

Capítulo 5 - 4. Significados entre as linhas


— x —

Hoseok estreitou os olhos ao notar o quão próximos Taehyung e Jeongguk estavam.

Isso era, no mínimo, estranho.

Os olhares, os sorrisos, os toques mais doces — apenas um cego não notaria tal coisa; ambos era o assunto mais sussurrado entre professores e alunos da academia de dança. Alguns até apostavam que eles estavam tendo um caso, ou quem sabe fosse apenas coisa da cabeça de todos.

Só que Hoseok não era bobo, e nem um pouco cego.

Ele conhecia Taehyung desde criança, quando ambos eram crianças irritantes e com janelinhas que comiam lama e jogavam bola na rua até tarde. Conhecia as manias e trejeitos do melhor amigo, principalmente quando este estava gostando de alguém. Conhecia-o tanto, que era impossível ignorar aquela situação; ignorar que, agora, Jeongguk passava tempo demais com o Kim.

Não estava com ciúmes, longe disso. Ou inveja, ou ansiava ser ele no lugar do Jeon. Nunca olharia o seu dongsaeng com outros olhos; e apesar de uma vez, na adolescência, ter trocado alguns beijos açucarados com Taehyung, hoje em dia um rebuliço enjoativo tomava conta do seu estômago só de cogitar a ideia de ter algo a mais com o rapaz de sorriso quadrado.

No entanto, era alguém protetor. Deveras protetor, principalmente com pessoas que considerava tanto, principalmente com pessoas da sua família. E Taehyung, além de seu melhor amigo, aquela pessoa que ajudaria a esconder um corpo consigo, era da sua família, seu irmãozinho. Portanto, agia como o irmão mais velho do Kim, aquele que o protegia dos males do mundo, que o confortava sempre que Taehyung terminava algum namoro e tinha o coração destroçado. Era o que o levava para casa após noites de bebedeira, era aquele a mentir por ele. Era o que brigava com o Kim e segundos depois ambas já estavam rindo juntos do quão estúpidos conseguiam ser.

Ou seja, ver Jeongguk tão próximo do seu melhor amigo fez todos os alarmes em seu corpo apitarem de maneira feroz, como se Taehyung estivesse em constante perigo todas as vezes que deslizava os dedos por entre os fios sedosos do Jeon, ou das vezes que eles estavam conversando tão próximos, que faltava pouco para se beijar no meio da academia como se fossem os únicos seres vivos habitando o local.

— No que você tanto pensa? — Dedos gordinhos e tão conhecidos tocaram a sua cintura, e logo sentiu o corpo de Jimin abraçá-lo por trás. Sorriu, para logo em seguida virar entre os braços do ruivo e selar a testa alheia.

— Em Taehyung. — Não hesitou em responder com sinceridade.

O sorriso bonito nos lábios do Park não se desfez, na verdade ele alargou um pouco mais e seus olhos se tornaram extremamente estreitos.

— Você não deveria se preocupar tanto com eles; Taehyung já é grandinho o suficiente, não? — Jimin arqueou uma sobrancelha e tombou a cabeça para o lado numa expressão serena.

— Eu sei. — Hoseok suspirou, afagando as madeixas vibrantes do mais novo. — Só que- Eles estão juntos demais!

O Park apenas riu.

— Isso seriam ciúmes, Jung?

— É claro que não! — revirou os olhos.

— Não é o que parece. — Apesar do tom divertido na voz melodiosa, Hoseok conseguia decifrar as entrelinhas das risadas e palavras do rapaz de madeixas laranjas.

— Eu não gosto de Taehyung dessa maneira. — Começou a dizer com extrema calma, suas mãos tocando aquelas bochechas adoráveis que tanto adorava. Fez carinho na esquerda, logo selando um beijo singelo nela. — Ele é meu melhor amigo, ele é o meu irmãozinho, e eu sinto que Jeongguk fará merda. Taehyung é frágil apesar de sempre sorrir como se nada o abalasse; ele é como uma criança que necessita de proteção, e infelizmente eu não posso evitar de algumas coisas saírem dos eixos e Taehyung acabar devastado no final — suspirou, estranhamente cansado.

Jimin apenas concordou, seu corpo erguendo-se de maneira mínima a fim de selar ambas as bocas, seus dedos afundados na maciez que eram as madeixas do Jung. Sorriu para o suspiro que Hoseok deixou escapar; era doce, calmo e cansado. Era encantado pela maneira tão responsiva do mais velho mediante os seus toques sutis.

— Vamos para o meu apartamento, sim? — Perguntou ao que deslizava os dedos das mãos até os ombros do Jung e acariciava os músculos tensos dele. — Que tal Netflix and Chill? — riu de maneira sapeca no final da frase.

E quem seria o louco a negar algo àquela carinha inocente que Jimin ostentava com tanta malícia? Por mais que o assunto ‘Taehyung e Jeongguk’ ainda martelasse em sua mente, Hoseok colocaria o mundo no mudo a fim de espairecer com Jimin, embora, em algum momento da noite deles, tivesse acabado dormindo no colo do professor de dança contemporânea como uma criança enquanto Barney pedia Robin em casamento na tevê da sala deste.

— x —

Taehyung nunca estivera tão nervoso na sua vida quanto estava agora. Ele tentava respirar fundo e se acalmar de alguma forma, mas a calma sempre se esvaía tão logo chegava ao seu corpo e deixava os seus órgãos e pensamentos dormentes. Já havia perdido a conta de quantas vezes andara pelo pequeno espaço da sala onde estava, indo de um lado para o outro. Vem e vai, vem e vai. Seus cabelos já estavam uma bagunça — suas mãos, mais um pouco, arrancariam as madeixas que recentemente foram retocadas para um vermelho mais vibrante e intenso.

Desde a adolescência sonhara em ser um escritor. Começara no próprio jornal da escola, publicando textos bobinhos e poesias que escrevia nas horas vagas do seu dia a dia. As pessoas gostavam do que escrevia, apesar de adolescentes não serem críticos especializados e sequer detentores da ‘verdade’ que a profissão de crítico lhe dá. Mas, ainda assim, o trabalho no jornal da escola havia impulsionado o seu sonho em ter os nomes publicados em livros de capa grossa com conteúdos envolventes e únicos.

Porém, por mais que fosse esse o seu sonho, a pequena parcela de medo e timidez rondava em seu peito todas as vezes que o apoiavam a fim de que o garoto publicasse algo assinado com o seu nome. E se ele fosse um fracasso? E se as pessoas o odiassem por algo que escreveu? Sabia que, assim como muitas sabiam amar e idolatrar um autor de maneira a fazê-lo sempre querer escrever algo e dar-lhes como presente uma nova história, tinha aquelas que não mediam esforço algum a fim de destruir tal autor e tornar-lhe a vida num verdadeiro inferno.

Era inseguro. Tanto com as histórias que criava quanto com a sua escrita. Também era perfeccionista; nada nunca estava bom, nada nunca estava perfeito ao extremo. Queria algo único, queria algo tocante, e as suas histórias não passavam de clichês fofinhos e água com açúcar que todos já estavam cansados de ler. Queria ser como J.K Rowling que criou um mundo dela, queria ser como Tolkien que abriu as portas da imaginação e foi muito mais além, dando vida a um idioma único e a fãs que o seguiam até os dias atuais.

Sabia que não podia pensar assim, sabia que não podia esperar fama e tapinhas afáveis nas costas logo no início. Sabia que muitos não o notariam, sabia que muitos não leriam os seus livros. Afinal, todos os grandes autores não começavam logo do topo; eles tinham uma jornada a ser galgada, como Frodo ao tentar destruir o Anel. Ele teria muitos obstáculos a fim de serem ultrapassados, muitas batalhas que deveriam ser travadas — nada era fácil no mundo, e mesmo assim ele mesmo impedia o seu sonho de acontecer.

Até o dia que Kim Namjoon surgiu em sua vida.

Ele estava no seu segundo ano da faculdade quado seu novo companheiro de quarto chegou. Era um rapaz simpático, de sorriso de covinhas e lábios que expressavam as mais belas palavras. Inteligente, Namjoon conseguia encantar a todos, apesar de sempre quebrar alguma coisa do dormitório ou a porta das salas de aula. Era um tanto atrapalhado como notou, porém era um rapaz que sabia cativar as pessoas e Taehyung não conseguiu não cair nos encantos do mais velho, principalmente quando o outro Kim passou a ajudá-lo na sua autoconfiança, tecendo-lhe elogios acerca do que escrevia e o obrigando a publicar, mesmo que de maneira anônima, alguma coisa.

Autores anônimos têm um charme a mais, disse Namjoon quando, com mãos trêmulas e peito comprimido, uma editora aceitou o seu livro e o publicou depois de muita revisão e lapidação. Era simples, mas sua história estava ali, em papel e capa dura. Eles são um mistério, entende? Incitam as pessoas a querer conhecê-los, lê-los, desbravá-los, e Do Hansung é um nome estranho o suficiente para despertar curiosidade nas pessoas. Eu gosto; eu acredito em você.

E desde então, Do Hansung vem sendo a sensação entre jovens e adultos. Começou como alguém miúdo, sem muita gente prestando a atenção, mas depois de ganhar um prêmio e ser considerado o melhor escritor do ano, estava sob os holofotes. Finalmente estava vivendo aquele seu sonho de mais novo.

Contudo, as pessoas queriam vê-lo. Os seus leitores queriam saber a quem cultuar, a face daquele que dava vida às histórias tão complexas e ao mesmo tempo simples que tanto envolviam e cativavam as pessoas. E Taehyung havia aceitado isso depois de tantos meses renegando, relutando, temeroso do que pensariam de si.

Ele é jovem demais para ser Do Hansung.

Ele é jovem demais para escrever tão bem assim.

Ah, como queria morrer!

Sua ansiedade atacava, o pânico invadia o seu estômago e se alojava em sua alma. Tremia, fitando-se em frente ao espelho da pequena sala de espera, maquiagem e roupas impecáveis. Estava vestido como se estivesse pronto para uma festa de gala, quando na verdade não passava de uma reunião insignificante em frente de câmeras e repórteres ensandecidos para acabar consigo.

Suspirou, deslizando as mãos pelo rosto.

— Você fará um buraco no tapete assim. — Hoseok comentou enquanto abria a porta e logo em seguida a fechava. Ele sorria, dentes à mostra e testa também. Os cabelos pretos estavam bem penteados, e o terno caía muito bem no corpo do professor de dança. — E aí, como está?

— Em pânico? — Taehyung riu, nervoso, e então tentou ajeitar as madeixas vibrantes. Olhou o melhor amigo e aceitou o copo de água que este lhe ofereceu. — Sinto que eu vou explodir a qualquer instante. — Comentou, por fim, e acabou com facilidade com o copo d’água, logo o colocando sobre a mesinha de centro mais uma vez.

— Explodir de felicidade, certo?

— Bem que eu queria — sorriu amarelo, um tanto sem graça.

Yah! — Hoseok bufou antes de envolver o melhor amigo pelo pescoço numa típica chave de braço. — Você deveria estar feliz, Kim Taehyung. Feliz! E calmo também. Onde está o meu melhor amigo sem vergonha que não tem medo de nada?

— Provavelmente em casa encolhido sob os lençóis.

O Jung revirou os olhos.

— Está com medo com o que as pessoas vão te falar, certo? — Ele suspirou, largando o melhor amigo somente para tocar-lhe nos ombros e sorrir sereno para o ruivo. — Eu te digo de antemão o que elas vão pensar: Vão pensar que você é muito novo para um pseudônimo de velho; vão pensar que você é encantador; vão pensar que você é lindo e carismático. Você provavelmente fará alguma gracinha idiota que arrancará diversas risadas. Com certeza você vai gaguejar e quando for falar ao microfone, ele estará desligado. Você será como um encantador de cobras com a plateia, e ninguém terá coragem de dizer que você é ruim, que você é novo ou que você não escreveria todos aqueles livros formidáveis.

—… Eu já disse que você é o melhor amigo do mundo? — Taehyung ofereceu um sorriso tímido e ao mesmo tempo animado para o mais velho.

— Já — Hoseok riu —, mas eu não canso de escutar isso. Agora você vai subir naquele palco e fará com que uma legião de fãs gritem Kim Taehyung até eu cansar de ouvir o seu nome, me ouviu bem? Não aceito menos de você, TaeTae.

— x —

Taehyung não sabia o que sentir após a coletiva de imprensa. Pensou que tudo daria errado, quando na realidade saiu tão perfeito que o rapaz julgava estar sonhando e daqui a pouco viesse o pesadelo para acabar com todo o seu conto de fadas.

Tirando a parte em que escorregara no meio do palco e caíra de bunda no chão, nada de errado ocorreu durante o evento.

É claro que os repórteres ficaram surpresos com a sua tão pouca idade, alguns fãs que foram à coletiva — e aqueles que assistam a tudo pela Internet — não acreditando que aquele rapaz era Do Hansung. De fato, seu pseudônimo era deveras velho para alguém atribuir uma cara mais nova a si.

Mas ninguém caçoou de si; recebera diversos elogios na realidade. Um melhor do que o outro, e pôde soltar-se com facilidade ao decorrer do evento, cumprimentando repórteres, fãs e algumas outras celebridades do mundo dos romances.

E todos os seus amigos estavam lá para lhe dar apoio, é claro. Hoseok, Jimin, todo o corpo docente da academia de música, a noona e Eunji e ele.

Jeongguk fora o que mais havia aplaudido quando entrara no palco. Vira o rapaz anos mais novo olhá-lo como se Taehyung fosse algum tipo de deus; vira o sorriso largo do loiro quando seus olhos se encontraram e o Jeon não parou um minuto sequer de torcer para si, basicamente se contorcendo no lugar onde estava.

Aquilo aquecia o seu coração.

Esse Jeongguk era tão divergente do rapaz de meses atrás. Era mais afetuoso, mais sorridente, mais envolvente. Ele não parava um segundo sequer de sorrir, seus lábios sempre abertos naquele sorriso adorável que lhe trazia uma juventude ímpar aos traços fortes e maduros do seu rosto. A aura meninil havia retornado com mais força, e era quase como se Jeongguk estivesse mais alegre do que outrora.

De fato, Jeongguk aquecia o seu coração. Trazia borboletas ao seu estômago, tornava os seus pensamentos num mar caótico.

Estava apaixonado pelo loiro.

Era apaixonado pelo loiro.

Nunca havia pensado em apaixonar-se por Jeongguk desde que botara os olhos no rapaz.

Era o primeiro dia de aula dele, e Taehyung de cara afeiçoou-se ao professor de dança.

E mesmo que pudesse ser unilateral, platônico, o sentimento havia sido regado como uma semente tímida e que precisava de cuidados. Começou de maneira frágil, alojada em seu peito como num disfarce de suspiros e sorrisos todas as vezes que o Jeon o olhava ou dançava. E a cada sorriso discreto, e a cada olhar que o professor de dança lhe dedicava, a semente passava a crescer cada vez mais, tomando forma, florescendo com suas delicadas flores únicas.

Mas, mas quando descobrira sobre os sentimentos de Jeongguk para com Hoseok, seus ramos murcharam. Suas flores caíram mortas, suas expectativas foram enterradas onde não deveriam ter brotado.

Assim como estava na sua cara que amava Jeongguk, estava na cara de Jeongguk que o rapaz nutria sentimentos por seu melhor amigo.

Os sorrisos que deveriam ser para si eram todos para o Jung. Os olhares, mesmo que poucos, que deveriam estar sempre voltados em sua direção, acompanhavam Hoseok aonde este ia.

Era doloroso, mas Taehyung não podia sentir raiva. Ou inveja, ou rancor.

Jeongguk nunca havia lhe dado chances, meia-verdades ou promessas. O loiro o tratava como um amigo inofensivo, com o intruso que sempre estava conversando com Jackson e outros docentes.

Eles não eram nada, e o Kim nunca poderia culpar Jeongguk pelo o que o loiro deixava de sentir ou não. Nunca poderia culpar o Jeon pelo o que o seu coração sentia por ele.

Contudo, quando se aproximara de Jeongguk a fim de ajudá-lo, não fora na maldade. Não fora com a pretensão de tê-lo para si, de que Jeongguk pudesse amá-lo de volta. Ele queria mesmo ajudar o professor de dança, queria mesmo que Hoseok o enxergasse — por mais que doesse, Taehyung queria vê-lo feliz. Por que não é isso que as pessoas fazem por aquelas que amam? Querem o bem e a felicidade dela acima de tudo? Não era egoísta para desejar que o loiro quebrasse a cara, fosse magoado como havia sido; queria apenas a sua alegria, e havia quebrado tantas paredes e ultrapassado tanto obstáculo para tal.

Mas e o beijo que ele lhe dera? E os sorrisos que Jeongguk havia passado a dedicar mais para si do que para Hoseok? Sabia que estavam próximos o suficiente para considerar o mais novo como um amigo íntimo, porém desconhecia as vontades do loiro — as verdadeiras, aquelas que ele não costumava expressar tanto. Eunji dizia que ele gostava de si, dizia que Jeongguk também o amava, mas tudo podia ser coisa de momento, tudo podia ser apenas porque era fácil ficar consigo desde que se tornaram algo a mais.

Insegurança.

Insegurança era o que recheava o seu estômago desde que beijara Jeongguk.

Insegurança era o que preenchia a sua cabeça desde que o dongsaeng havia aparecido, após a coletiva de imprensa, e o abraçara com afeto demais.

Jeongguk realmente gostava de si? Aquele brilho no olhar de ônix era verdadeiro? O Jeon realmente apreciava a sua presença e as suas oscilações de humor?

Taehyung sentia o seu coração apertar só de pensar que tudo não passasse de uma ilusão da sua cabeça sonhadora e de uma criança impertinente. Sentia vontade de pôr o loiro contra a parede e pedir por respostas sinceras.

Você gosta de mim ou não?

Eu não sou um caso para você brincar.

Eu não sou Hoseok; eu não quero ser seu alívio enquanto você vai atrás dele.

Tantas perguntas, tantos pensamentos, tantos medos. Tanta insegurança e tanta falta de coragem de fazer alguma coisa.

— x —

— Hey, Tae, é a sua vez de escolher a música e cantar!

Taehyung sorriu ao ouvir o grito animado de Jackson enquanto o chinês parecia prestes a se jogar do pequeno palco da sala de karaokê que haviam alugado depois da coletiva de imprensa.

Jimin havia proposto uma saída em grupo a fim de que bebessem e comemorassem a nova vitória do ruivo. E todos concordaram que ir ao karaokê e se embebedarem enquanto cantava era ótimo. Até mesmo Namjoon havia ficado animado com a ideia, dizendo que não tinha nada de importante no dia anterior e que poderia beber até ficar torto de tanto álcool em seu sangue.

— Não sei se quero cantar… — Falou um tanto cabisbaixo, olhando para o chefe do seu melhor amigo com um brilho de desculpas no olhar.

Jackson apenas estalou a língua no céu da boca.

— Para de ser um arregão e vem logo aqui.

— Mas, hyung-

— Prometo deixar você escolher a música mais fácil.

Ele suspirou.

Se Jackson diz para você fazer alguma coisa, você deve fazê-la.

— Tão chato, hyung.

— Você me ama que eu sei. — Jackson puxou o mais novo por um dos braços depois que saiu do palco improvisado, basicamente arrancando-o do lugar onde estava sentado. — E cantar vai te animar um pouco, já que essa sua cara de enterro está me incomodando desde que chegamos.

— Eu estou bem.

— E eu sou um milionário.

Taehyung riu e meneou a cabeça para os lados.

Hyung impertinente.

Tinha um sorriso nos lábios enquanto andava atrás do chinês, mas esse se desfez quando seus olhos se voltaram para Jeongguk e Hoseok juntos.

Não deveria sentir-se mal — ou talvez deveria —, mas ver o seu melhor amigo tão próximo do Jeon lhe dava nos nervos. Sequer Jimin estava junto aos dois professores — o Park havia sumido após ir ao banheiro —, e eles falavam próximos demais, perto demais.

Isso era irritante.

— Se você olhar mais um pouco, irá queimá-los. — Jackson cochichou em seu ouvido, e o Kim virou-se de supetão para mirar os olhos orientais e o sorriso sincero do dançarino.

— Não sei do que você está falando.

— Não? — O Wang sorriu até deixar seus dentes brancos à mostra. — Então ‘tá bom. — Deu de ombros. — Agora vamos escolher logo essa bendita música.

Sendo bem sincero, ele não queria cantar, não queria beber, não queria estar ali. Preferia a sua casa, preferia os seus livros, preferia a sua cama. Tão divergente ao rapaz que costumava saltitar por aí, o seu ânimo não era um dos melhores, e não queria estragar a alegria dos amigos por conta disso. Gostaria de que eles se divertissem sem um Kim irritado em seus pés, mas os planos de Jackson eram outros e Taehyung não seria contra a teimosia alheia.

O ruivo suspirou e olhou o catálogo das músicas que estavam disponíveis para serem cantadas. Nacionais e internacionais, a maior parte dos títulos ele sabia de cor e salteado. Mas nada lhe atraía a atenção, sequer mesmo as músicas indie que tanto adorava.

— Eu não sei o que escolher.

— Então vai no aleatório. — O chinês rebateu rápido e com paciência. Tocou o ombro do dongsaeng, e sorriu para este de maneira reconfortante. — Relaxe, Tae. Esqueça um pouco essas coisas que te perturbam, espaireça. Hoje estamos aqui para nos divertir, e você acima de todos merece um pouco de diversão.

O Kim concordou.

Merecia um pouco de diversão mesmo. Era o seu dia.

Por alguns minutos, deixaria de lado a sua insegurança e Jeongguk.

— Ohh, eu não acredito que você escolheu essa música! — Jimin gritou ao que voltava para a sala de karaokê com as mãos cheias de garrafas de soju e cerveja. Ele as colocou na pequena mesinha de centro do local, e logo ficou lado do Kim enquanto observava a tela de carregamento da música. — É uma música tão bonita — suspirou, um sorriso contente nos lábios.

Respirou fundo antes de começar a cantar.

Toda vez que te vejo

Quando eu vejo os seus olhos

Meu coração continua palpitando

Você é o meu destino

A única pessoa que eu quero proteger até o fim do mundo

 

Não era uma música complexa, não era uma música difícil de ser cantada. Mas ela dizia tanto, tinha valores sentimentais para si, e o Kim, por saber cada parada e parágrafo como se estivessem carimbados em suas pálpebras, não precisava ver as legendas a fim de segui-las. Portanto, fora por isso — e apenas isso — que se virara de frente para os sofás que tinha na sala de karaokê e topara com aqueles olhos profundos e intensos que tanto o perseguiam.

Toda vez que te vejo

Quando eu vejo os seus olhos

Meu coração continua palpitando

Você é o meu destino

A única pessoa que eu quero proteger até o fim do mundo

 

Quando você olha para mim

Quando você olha para mim e sorri

Parece que meu coração vai parar

E você?

É muito difícil para mim suportar

O dia todo, eu penso em você

Sentia o rosto corado por ser encarado de maneira tão intensa, porém se manteve firme sem desviar o olhar. Era como se o restante das pessoas que estavam com eles — Namjoon, Hoseok, Jackson, Jimin e Mark — tivesse sumido e apenas ambos estivessem ali. Taehyung sempre sentira isso desde que conhecera Jeongguk; existia apenas os dois numa bolha que construíam todas as vezes que se fitavam por tempo demais.

Seu coração palpitava dentro do peito, contorcia-se e socava a sua caixa torácica. Tinha certeza que em algum momento o órgão sairia dali, rugindo enfurecido e irritado. Teria um ataque fulminante, mas não conseguia se importar com os batimentos cardíacos que faziam a sua respiração às vezes travar e errar algumas notas — e também não se importava com isso.

Importava-se unicamente com aquele par de olhos negros e profundos.

Jeongguk estava próximo de Hoseok mas parecia encantado consigo e sua voz.

Nós andamos em círculos por um longo tempo

Mas mesmo se for agora, eu estou bem

 

Toda vez que te vejo

Quando eu vejo os seus olhos

Meu coração continua palpitando

Você é o meu destino

A única pessoa que eu quero proteger até o fim do mundo

 

Não me deixe

Mesmo se não pudermos ver nossos futuros

Você irá acreditar em mim e me esperar?

Talvez estivesse sendo verdadeiro demais? Talvez estivesse entregando de bandeja aquilo que sentia? Que pena, queria se importar com isso. Queria ser forte e dizer que a música não tinha nada a ver com Jeongguk, que não era uma forma de dizer que gostava, que era apenas coincidência demais.

Queria não gostar dele.

Queria não amá-lo.

Queria que ele o amasse.

Queria que ele esquecesse Hoseok.

Queria o rapaz ao seu lado, queria Jeongguk consigo até seu último suspiro.

Gostaria de beijá-lo mais vezes, gostaria de ouvir daqueles lábios um ‘gosto de você de verdade hyung’.

Eu amo você, hyung.

Minha única

Eu já te disse

Que você é o meu tudo?

 

Você é o meu destino

Eu quero te proteger até o fim do mundo

 

Baby, oh oh oh oh

Eu quero te amar, oh oh oh oh

Seus olhos, seu sorriso, mesmo o seu perfume

Baby, oh oh oh oh

 

Lembre, oh oh oh oh

Nós sempre estamos juntos

Eu te amo

Fechou os olhos.

Tão patético.

Tão fraco.

Um silêncio tomou o lugar após a música acabar e Taehyung não tinha certeza se queria abrir os olhos e contemplar o que fizera.

— Bem-

— Eu sou o próximo a cantar. — A voz baixa mas ao mesmo tempo firme de Jeongguk cortou Namjoon.

O Kim entreabriu as pálpebras e encarou o loiro à sua frente, o rosto a centímetros do seu. Como estava no pequeno palco, o rapaz estava ainda mais baixo do que si. A expressão dele era serena, deveras calma, e Taehyung mordeu o lábio inferior quando, com uma indiferença que poderia machucá-lo, Jeongguk pegou o microfone da sua mão e indicou para que ele sentasse.

Com as pernas levemente trêmulas, sentou-se entre Hoseok e Jimin. Sorriu para o melhor amigo quando este tocou a sua perna e afagou de maneira reconfortante.

Jeongguk parecia que mandava em tudo enquanto estava sobre o palco e escolhia a música que cantaria. Ele não demonstrava nervosismo ou timidez — parecia absoluto em sua concentração, persistente no que faria.

Quando te olho

O tempo para

Não sei desde quando comecei a me sentir assim

 

Chegou um dia como um sonho

Balançando o meu coração

Posso sentir meu destino

Assim como da primeira vez, seus olhos não se desviaram do loiro quando este começou a cantar e virou-se para si. Seu estômago estremecia com aquelas pontadas frias que o cutucavam de maneira contínua. Era como se fosse vomitar a qualquer momento, porém nada passava por sua traqueia além da respiração rarefeita.

Suas mãos suavam, e Taehyung as limpou nas calças sociais que revestiam as suas pernas.

Nervosismo era o que o definia naquele instante.

Eu te amo, pode me ouvir?

É só você, quando fecho meus olhos

 

O amor veio junto com o sopro do vento

Sempre, onde quer que você esteja

Sempre, onde quer que você esteja

A voz de Jeongguk era bonita para cantar. Não era como a sua, um pouco mais grave e rouca em algumas notas. Era belíssima, o tipo de voz feita para cantar qualquer tipo de melodia. Adentrava os seus ouvidos, alastrava-se por suas veias, assentava-se em seu peito, erguendo novamente os antigos galhos que haviam sido cortados pelo próprio professor de dança.

Não podia se deixar levar por apenas uma música cantada num karaokê. Não podia se afetar tanto por isso.

Era apenas uma música, droga.

Assim como a sua podia ser considerada uma coincidência, a de Jeongguk também poderia ser.

Não significava nada, porém a cada letra, a cada verso, cada vez que o garoto erguia os lados da boca em um sorriso fraco e cheio de entrelinhas, suas esperanças inflavam mais e a sua insegurança era posta para escanteio.

Jeongguk era a sua ruína.

Era o rapaz que amava há tanto tempo.

Não queria acreditar nele, nas palavras que ele cantava.

É uma música.

Talvez ele me ame…

Eu te amo, pode me ouvir?

É só você, quando fecho meus olhos

Mesmo se tudo mudar, há uma coisa que não o fará

Você é meu amor e eu sou o seu

 

Mesmo se você olhar para trás por um momento

Mesmo se você passar perto de mim

Está tudo bem, porque estarei sempre aqui pra você

Queria se levantar e correr para os braços do rapaz. Queria beijá-lo ali na frente de todos. Queria que Jeongguk dissesse aquilo de verdade em alto e bom som.

Eu amo você, hyung.

Eu gosto de você, hyung.

Você não é escape algum pra mim.

Eu te amo por ser você e não por ser Hoseok.

Eu não gosto de Hoseok.

Eu te amo, não se esqueça

É só você, minha dolorosa confissão.

Nas últimas palavras, o Kim já estava quase aos prantos. Se antes as suas pernas tremiam, agora elas pareciam verdadeira britadeiras. Seu coração estava disparado dentro do peito, e o ruivo sentia que podia, de fato, explodir a qualquer derradeiro instante.

E mais uma vez, a sala ficou em silêncio total quando a música acabou. Jeongguk, ainda com os olhos em si, desceu do pequeno palco e andou com calma até ficar parado à sua frente. Os olhos dele queimavam, injetavam adrenalina e morfina na mesma quantidade em suas veias.

Taehyung tinha a garganta seca, o rosto erguido para fitar o Jeon que esboçava uma expressão tão diferente das íris em constante tempestade que Jeongguk carregava consigo.

— Eu sabia que vocês estavam namorando. — Foi Jackson quem quebrou o silêncio, e Taehyung não podia se sentir menos agradecido pelo hyung ter feito aquilo.

— Vocês estão namorando? — Hoseok perguntou num tom de voz baixo ao seu lado.

Queria concordar, queria dizer que sim, mas também queria dizer que não.

Eles estavam namorando?

— É claro que não, hyung. — Jeongguk quem respondeu, um sorriso sem graça nos lábios. Ele coçou a nuca. — Nós não somos nada além de amigos. Nunca namoraríamos.

É, eles não estavam namorando.

Jamais namorariam.

Seus galhos haviam sido destroçados uma vez mais por aquele que tanto amava.

Lição número três: Finja que não gosta dele quando ele te perguntar, faça com que ele corra atrás de você OK


Notas Finais


Antes de mais nada, eu sei que vocês ficam chateados com a minha demora em postar. Mas tenham em mente que eu trabalho e nem sempre estou com disposição ou tempo para escrever. Porém eu escrevo, sempre irei escrever. Só sejam pacientes comigo, sim?

As músicas citadas no capítulo são da soudtrack que eu disponibilizei lá em cima; Always da Yoon Min Rae e Everytime da Punch com o Chen do EXO. Quem deu a ideia de eu usar ambas foi a minha querida Lariza (xkookv), então a matem e não a mim! IOADJIOJDDIJ (E Oni, eu irei usar as que você disse; espere e verá, my little tiger!)

Vocês provavelmente querem me matar, mas calma, antes de jogarem as pedrinhas, vamos ler o próximo capítulo que eu prometo (tentar) escrever bem rápido. Mas, hm, já aviso para você que este capítulo aqui, ó, é o penúltimo. Ou seja, o próximo é o último - isso se formos ignorar o epílogo, é claro. E ANTES QUE VOCÊS TAMBÉM ME XINGUEM POR ISSO, essa história é uma shortfic e não tem como eu ficar enrolando em alguns assuntos.

Qualquer coisa vocês podem rogar as pragas no meu curious cat: curiouscat.me/peartae.

Ademais, até o próximo, little babys!

(Eu não respondi ninguém ainda, mas irei responder; nhom <3)


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