História Entre o céu e o inferno - Capítulo 10


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Categorias Supernatural
Personagens Bobby Singer, Castiel, Dean Winchester, Personagens Originais, Sam Winchester
Tags Ação, Anjos, Caçadores, Demonios, Nefilins, Romance, Sobrenatural, Supernatural
Exibições 26
Palavras 5.698
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Canibalismo, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Pansexualidade, Sexo, Spoilers, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 10 - Capítulo 10


Fanfic / Fanfiction Entre o céu e o inferno - Capítulo 10 - Capítulo 10

Segredos. Essa era a palavra que descrevia com perfeição o clima misterioso que caia sobre aqueles que frequentavam a casa do caçador Bobby Singer. Aos poucos a vida rotineira regressava, mas as conversas entre os membros do clã Singer-Eagles-Winchester haviam diminuído com o passar da semana. O levante das testemunhas não era um dos assuntos mais comentados entre eles, assim como a breve visita feita pelo anjo Castiel, a qual não fora dita aos demais, sendo essa um segredo entre Agnes e Dean.

Havia um clima pesado sobre as irmãs Eagles desde o ocorrido, elas mal conversavam desde o momento que Agnes descobriu sobre uma pequena parte do lado obscuro da irmã mais nova. Inabalada, Robin compreendia a raiva da mais velha. Afinal Agnes nunca lhe escondera nada durante os anos, nem mesmo os seus piores defeitos e mais profundos segredos, o que era bem diferente do que acontecia com ela.

Os segredos de Robin estavam sendo divididos com Sam Winchester, o qual aparentemente compartilhava do mesmo problema com a Agnes desde que ela o vira conversando com Ruby. Sempre que alguém aproximava dos mais novos, eles mudavam o assunto rapidamente ou se afastavam em silêncio, para que assim ninguém soubesse sobre seus segredos. Quando questionados, desconversavam ou davam respostas sem nexo. Deixando Bobby e Dean com pulgas atrás das orelhas.

A mais afastada de todos era Agnes, a mais velha das irmãs estava concentrada em unir informações suficientes sobre anjos. Estando determinada em saber ao máximo sobre essas criaturas e o que elas eram capazes de fazer. A mulher mal comia ou dormia, passando a maior parte do tempo dentro da biblioteca fazendo anotações e pesquisas. Até mesmo os seus comentários sarcásticos haviam diminuído. Ela não parecia a mesma pessoa, o que deixava os outros moradores da casa muito preocupados.

― Você não cansa de ler esses livros, Esquilo? ― Perguntou Bobby aproximando da afilhada com uma xícara quente de café forte. Suas expressões eram de preocupação, afinal ele nunca a viu tão fissurada com os estudos sobre algum tipo de criatura.

― Bom dia, Bobby. ― Ela sentou com a coluna ereta na cadeira, aceitando a xícara de café. Sorriu brevemente ao padrinho tentando acalma-lo. ― Ah! Sim. Não me canso de ler sobre os anjos, consegui juntar algumas informações. Porém preciso de mais respostas.

― Todos precisamos de respostas, Agnes. ― Bobby falou cruzando os braços sobre o peito. ― Mas você precisa de sol, ar fresco não faz mal a ninguém. Deveria sair para caçar com os rapazes, estão prestes a ir para o Missouri, se sair daqui a tempo você consegue alcança-los...

― Passo, Bobby! ― Agnes o interrompeu e soprou o líquido quente da xícara, fazendo com que a fumaça embasasse seus óculos de descanso. ― Se a Robin quiser ela pode ir. Ainda tenho coisas em Sioux Falls para resolver, talvez na próxima.

― A Robin já foi com eles, os rapazes caíram na estrada ontem de tarde. ― Bobby franziu o cenho ficando ainda mais preocupado. Agnes aparentemente estava muito distante. ― Eu só acho que você deveria...

― Me empresta o velho Chevelle? Preciso ir para a cidade. ― Pediu Agnes o interrompendo outra vez. Ela ficou em pé enquanto pegava o diário de capa cor-de-rosa cheio de colantes de cima da mesa. ― Volto antes do jantar.

― Claro. ― Assentiu Bobby soltando um suspiro em seguida. ― O que vai fazer na cidade?

― Tomar um pouco de ar, você acabou de dizer que era importante. ― Agnes deu com os ombros e estendeu a mão com a palma virada para cima, esperando assim a chave do carro. ― Por favor, Bobby. Trago bebida.

― Só não beba enquanto dirige. ― Com receio ele entregou a chave a ela.

― Obrigada e pode deixar, grande B. ―Assentiu a morena guardando a mesma no bolso da calça.

Preocupado, Bobby a assistiu se afastar para fora de casa. Definitivamente a afilhada estava aprontando alguma coisa, ele estava prestes a ler os livros que ela havia utilizado para pesquisa, quando Agnes reapareceu na porta o surpreendendo.

― Grande B. ― Chamou a mulher apoiando-se no batente da porta.

― Sim, Esquilo. ― Bobby a olhou surpreso dando um pequeno sobressalto.

― Sabe falar enoquiano? ― Ela perguntou franzindo o cenho.

― Enoquiano? Não, eu não sei falar Enoquiano. ― Negou o homem com a cabeça. ― Porque?

― Por nada, é que eu tenho um possível caso. ― Agnes sorriu animada. ― Mas obrigada, agora preciso ir.

Sem dizer mais nada, a mulher despediu-se do padrinho com um aceno de mão e deixou casa, partindo para a cidade. Se Bobby estava já confuso com o comportamento da afilhada, o fato dela ter um possível caso e não ter pedido ajuda fazia com que os pelos do seu braço arrepiassem.

O dia estava ensolarado, não havia nenhuma nuvem no céu sendo um daqueles dias perfeitos para Agnes. Ela havia aberto as janelas do carro do padrinho, fazendo com que o vento forte fizesse seus cabelos dançarem de acordo com o ritmo da música animada que ecoava pelo interior do veículo.

Durante dias Agnes havia pesquisado sem cessas e incansavelmente sobre os anjos, tentando assim encontrar alguma coisa que a ajudasse a invocar uma dessas criaturas e também algum tipo de fraqueza. Afinal uma de suas regras de caçadora é: Conheça o seu inimigo o melhor que puder. Não que acreditasse que os anjos eram seus inimigos, mas precisaria mais do que um simples feitiço de convocação para manter um anjo preso tempo o suficiente para lhe dar as respostas que tanto precisa, ou pelo menos parte delas.

Em meio a sua pesquisa conseguiu juntar informações o suficiente sobre as criaturas aladas, estando à frente do Bobby nas pesquisas. Também conseguiu encontrar um feitiço de invocação, o qual infelizmente estava incompleto, algo que lembrava um exorcismo e que ela não possuía certeza se iria funcionar, e por último, mas não menos importante, uma forma de prender o anjo por bom tempo como armadilha do diabo.

Antes de qualquer coisa, Agnes precisava encontrar na cidade uma pessoa que poderia a ajudar com seus planos. Quando chegou na cidade, a morena foi direto para a igreja. Afinal ninguém é capaz de saber mais sobre anjos do que o próprio padre.

Ela arrumou os cabelos prendendo num coque mal feito, prendeu a camisa xadrez ao redor da cintura para disfarçar os shorts curto que utilizava e puxou o decote da regata branca para cima. Estava tão empolgada para recolher as informações que não havia reparado na roupa antes de sair de casa.

― Merda! ― Resmungou a mulher soltando os cabelos ao ver que só puxar o decote para cima não funcionava.

― Não deve falar palavrão na igreja, é pecado. ― Sussurrou uma mulher branca de cabelos castanhos escuros, ela utilizava sobre o peito esquerdo a estrela de xerife da cidade.

― Xerife Mills. ― Agnes surpreendeu ao ouvir a voz da velha conhecida. Sorrindo, ela abraçou a mulher de maneira carinhosa. ― Não esperava te ver por aqui.

― Agnes Eagles. A última vez que te vi, você tinha dezenove anos e estava se formando no colegial. Eu ainda nem era xerife. ― A mulher retribuiu o abraço por longos segundos. ― O que te trás na cidade outra vez?

― Voltei a morar com o Bobby, sabe como é?  Ver se acendo um pouco de luz nas lamparinas do juízo dele. ― Brincou Agnes soltando o abraço. ― Minha irmã também está na cidade, mas foi viajar com os amigos.

― A senhora Kowalsk vai ficar feliz em te ver, você e a Loreta eram melhores amigas no ensino médio. ― Comentou a xerife enganchando no braço da jovem e caminhando ao seu lado para dentro da igreja.

― Saudades da Loreta, a última vez que falei com ela foi em Oklahoma. Ela me ligou para contar que havia entrado na faculdade de literatura. ― Disse Agnes recordando daquela que foi sua primeira e única amiga normal da mesma idade. ― Enfim, faz muito tempo.

― O que veio fazer na igreja? Pelo que me lembre, você não era a pessoa mais religiosa do mundo. ― Brincou a xerife animada.

― Preciso falar com o padre Mingus e pegar um pouco de óleo sagrado. ― Agnes fez o sinal da cruz ao entrar na igreja com o pé direito. ― E a senhora, xerife?

― Estudo bíblico. Deveria participar. As senhoras vão ficar contentes em te ver.

― Participarei apenas se o assunto for anjos, caso contrário tenho de ir embora. Muitas coisas a serem feitas. ― Agnes entortou os lábios e deu com os ombros.

― Anjos? O que a fez se interessar pelo assunto? ― Perguntou a xerife arqueando uma das sobrancelhas.

― É para um trabalho muito importante da faculdade. ― Mentiu Agnes colocando a mão direita sobre um dos bolsos. ― Também preciso de alguém que saiba falar Enoquiano. Achei uns textos e preciso que eles sejam traduzidos.

― Enoquiano? Nunca ouvi falar. ― Mills riu baixo e deu um tapa sutil sobre o ombro da morena. ― Bem, tenho de ir para a reunião semanal. Foi um prazer revê-la e espero que encontre o que está procurando para seu trabalho.

― Obrigada. ― Agnes agradeceu despedindo da xerife com dois beijos no rosto, um em cada bochecha.

Sem olhar para trás, Agnes continuou a caminhar pelos corredores da pequena igreja da cidade. Enquanto caminhava, seus olhos percorriam as imagens que narravam passo a passo sobre a vida de Jesus Cristo, desde o seu nascimento até a crucificação e ressurgimento no terceiro dia. Enquanto olhava as imagens, ela pensava se aquilo era real, se havia mesmo acontecido ou era apenas uma lenda. Nessa altura do campeonato, não duvidava de mais nada.

― Agnes Eagles! ― Estava próxima aos confessionários quando a voz de outra mulher chamou por seu nome. Ao virar para trás para admira-la, Agnes se surpreendeu. Não era uma mera mulher, era um anjo do Senhor. ― Não a esperava por aqui.

― Quem é você? ― Perguntou Agnes franzindo o cenho irritada, aquela era a mesma mulher que lhe dera o cartão de visita no ônibus que a deixou em frente à casa do Bobby no primeiro dia que regressou para Sioux Falls. ― E o que você quer?

― Esteve com o meu cartão esse tempo todo, poderia ter me chamado. Meu nome é Anael e estou aqui para saciar as suas dúvidas. Ou pelo menos parte delas. ― Disse Anael com a voz aveludada. ― Aquela que você chama carinhosamente de Percy me mandou.

― A mãe da Robin, a quanto tempo não a vejo! Porque ela não veio até mim? ― Perguntou Agnes cruzando os braços sobre o peito. ― Ela sumiu deixando um bebê para trás, uma filha que precisava de uma mãe.

― Percy precisou regressar para os céus, ela tinha trabalho a fazer. ― Respondeu Anael mantendo o tom de voz baixo.

― Trabalho? Que trabalho era mais importante que a filha dela? Robin cresceu sem uma mãe, ela não merecia essa vida que temos. ― Agnes ergueu o tom de voz demonstrando fúria em seus olhos.

― Assim como vocês, Percy também está tentando impedir o apocalipse. Mas do jeito dela, saiba que ela nunca esqueceu de vocês. Sempre esteve observando. ― Disse a Anja com pesar na voz. ― Agora se puder me acompanhar. Posso te ajudar com o que precisa, não será necessário incomodar o padre Mingus.

― Como posso saber se vai mesmo me ajudar? ― Perguntou Agnes desconfiada.

― Não pode, terá apenas de confiar em mim. ― Anael fez sinal para que ela a acompanhasse. ― Então, vamos?

― Confio apenas em um anjo, o qual infelizmente não tem atendido as minhas orações. ― Disse Agnes seguindo a mulher negra.

― Castiel anda ocupado, não o culpe por ele não aparecer quando você o chama. ― Anael deu com os ombros enquanto a guiava para o almoxarifado da paróquia. ― As coisas estão animadas no andar de cima.

― Hum... ― Agnes murmurou com desdém. ― Aqui no andar debaixo também estão. E como de costume, estou no meio dessas coisas.

Ao entrarem no almoxarifado, a anja trancou a porta para que não fossem incomodadas por civis. Desconfiada, Agnes olhou ao redor buscando por uma rota de fuga caso as coisas saíssem do controle. Havia lido tudo sobre anjos e enfrentar a fúria de um não estava em seus planos.

― Então, no que você precisa de ajuda? ― Perguntou Anael parando em frente a Agnes. ― Fique tranquila, não vou lhe fazer mal.

― Preciso de uma boa quantidade de óleo sagrado e de alguém que fale Enoquiano. ― Agnes abriu o diário e mostrou as frases do feitiço. ― Só quero saber como pronunciar essas frases.

― Óleo sagrado. ― Repetiu Anael abrindo a porta do armário retirando uma garrafa de tamanho médio de dentro dele enquanto Agnes falava. ― Enoquiano? ― Ao entregar a garrafa para a mulher, Anael leu as frases do feitiço. ― Invocação e busca. Seus feitiços estão incompletos.

― Eu sei. ― Agnes coçou a nuca nervosa com a esquerda, enquanto com a direita segurava o óleo sagrado. ― Então, vai me ajudar?

― Claro! É para isso que estou aqui. ― Anael retirou do bolso da camisa uma caneta e começou a anotar algo no diário da jovem. ― Primeiro você precisa saber que Enoquiano não é como o latim. Cada letra é pronunciada como uma sílaba única, vai demorar mais tempo do que você imagina.

― Tudo bem. ― Assentiu Agnes ansiosa.

― Agora os ingredientes que precisará para o feitiço de invocação estão completos. Assim como o de localização. ― Anael devolveu o diário e guardou a caneta de volta no bolso da camisa. ― A única coisa que precisa é o nome do anjo.

― Pode ser apelido? ― Perguntou Agnes preocupada.

― Não, precisa ser o nome. Caso contrário terá o exército angelical atrás de você, e acredite, isso não é nem um pouco legal. ― Anael soltou um riso fraco.

― Merda! ― Retrucou Agnes irritada.

― Mais alguma coisa que precisa saber?

― Nesse ritual de localização, posso usar tempero pronto ao invés de encontrar erva por erva? Sabe, ser mais prática. ―  Agnes sorriu sem mostrar os dentes.

― Pode, mas também precisa do nome do anjo que quer encontrar. ― Anael retribuiu o sorriso.

― Tudo bem, obrigada. É só isso. ― Agnes fechou o diário o segurando embaixo do braço.

― Agnes, tome cuidado. Anjos não são como demônios, somos mais poderosos. ― Anael disse utilizando tons severos.

― Eu sei me virar sozinha, Anael. E se vocês realmente me quisessem morta, já teriam feito a mais tempo. ― Agnes forçou um sorriso e deu as costas para a anja. ― Ah! A propósito, manda a Percy se foder na próxima vez que a ver, a agradeça por nada.

Com passos pesados, Agnes deixou a igreja carregando a garrafa de óleo sagrado em uma das mãos e na outra o diário de caçadora. Agora possuía tudo o que era necessário para tentar contatar aquele que sempre a acompanhou desde que lembra por gente, aquele que foi seu primeiro melhor amigo, seu conselheiro e principalmente seu primeiro amor.

Ao entrar no carro, ela jogou as coisas sobre o banco do passageiro e segurou o volante com ambas as mãos. Precisaria esperar Bobby dormir para poder continuar com seu plano, com certeza o padrinho não permitiria que ela convocasse anjos em sua sala do pânico escondida no porão. Na verdade, ele não permitiria de forma alguma que ela se envolvesse até o pescoço com os assuntos divinos, assuntos que para ele eram apenas relacionados aos Winchester. Quando menos Agnes e Robin se envolvessem, melhor seria para suas seguranças.

― No que eu estou me metendo? ― Ela se perguntou descansando a cabeça no volante. De repente as expressões de preocupação tornaram-se divertidas, sendo acompanhadas por uma gostosa gargalhada. ― Eu vou me foder gostoso, isso se não morrer antes.

Ao regressar para a casa do padrinho, Agnes subiu as escadas para seu quarto, trocou de roupa e deitou embaixo das cobertas quentes, tendo como companhia o seu diário. Silenciosamente ela repetia as palavras do feitiço como Anael havia anotado, tentando decora-las da melhor maneira possível, assim não cometeria erros durante a invocação e a fonética sairia corretamente. Durante o jantar não comentou com o homem sobre o que havia feito na cidade e muito menos sobre o que pretendia fazer ao anoitecer, se ofereceu para a lavar a louça para que assim pudesse separar os ingredientes sem a desconfiança do padrinho.

Quando o relógio marcou meia-noite, Agnes colocou o casaquinho de lã vermelho sobre o pijama com estampa animalesca de onça, pegou a bolsa com os ingredientes previamente separados e caminhou descalça até o andar debaixo. Temia que seus sapatos fizessem barulho sobre o assoalho de madeira e assim acordasse o padrinho que dormia largado na poltrona em frente da televisão.

Ela desceu as escadas do porão e entrou no quarto do pânico, trancando o mesmo por dentro. Ainda não estava segura se o plano daria certo, mas essa era a única maneira que encontrou para atrair seu anjo. Dessa vez ele seria obrigado a atender as suas orações.

Primeiro a mulher preparou a armadilha angelical, desenhando um círculo no chão utilizando o óleo sagrado, assim que o anjo ficasse no centro ela atiraria fogo e o prenderia por um longo período de tempo. Tempo que julgava suficiente para obter as respostas que tanto ansiava. Em seguida ela começou a preparar o feitiço de invocação, jogou as ervas necessárias dentro do pote, massacrou os ingredientes e desenhou as runas enoquianas.

― É o seguinte, grilo-falante. ― Agnes começou a falar enquanto segurava a caixa de fósforo nas mãos. ― Eu sei o que você é, sei que escutou todas as minhas orações. Eu preciso de respostas e você vai aparecer aqui para dá-las a mim. Caso contrário tacarei fogo nessa cumbuca atraindo a atenção de todo o esquadrão angelical e sabe-se o que poderá acontecer comigo. Então como vai ser? Da maneira fácil ou da maneira difícil?

Ao parar de falar, Agnes olhou ao redor em busca de alguma presença, porém continuava sozinha no quarto do pânico. Ela bufou irritada, não conseguia acreditar que o anjo que tanto lhe protegeu e guiou durante sua infância e adolescência não queria aparecer.

― É, vai ser do jeito difícil. ― Ela deu com os ombros e começou a falar o feitiço. ― Nirdo Noco Abramg Nazpsad.

Ao terminar de dizer as palavras do feitiço, Agnes acendeu o fósforo estando prestes a joga-lo na cumbuca de barro sem ao menos dizer o nome do anjo.

― Opa! Olha como sou desastrado, caiu tudo no chão. ― Disse o anjo misterioso derrubando o objeto antes da morena atear fogo nos ingredientes. ― Uma pena, seu feitiço estava correto. Essa foi a primeira vez que te vi falando as palavras com perfeição em outra língua.

― Você, seu estúpido idiota. ― Urrou Agnes entre os dentes. ― Posso saber o motivo de não ter atendido as minhas orações?

― Ora, eu não quis. ― Ele deu com os ombros. ― Sou fruto da sua imaginação, benzinho. Você se esqueceu?

― Eu acho que não. ― Agnes semicerrou os olhos, acendeu os fósforos e ateou fogo sobre o óleo sagrado, fazendo com que as chamas cercassem tanto ela quanto o anjo dentro do círculo de fogo. ― Você é um anjo, o meu anjo.

― Adoro quando fala que sou seu, mas você está errada. ― Ele riu baixo. ― Sou apenas o fruto da sua imaginação, como você me chama mesmo? Sou seu grilo falante.

― É? Sério? Então saia do círculo. ― A mulher arqueou uma das sobrancelhas e falou em tom desafiador. ― Normalmente os frutos da minha imaginação são onipotentes, um foguinho sagrado não fará mal.

― Agnes... ― Começou o homem desfazendo o sorriso da face.

― ANDA, PULA PARA FORA DESSE CÍRCULO. ― Ordenou a mulher o interrompendo enquanto apontava para fora das chamas. ― O que? Não consegue? Eu sabia...

― A quanto tempo? ― Perguntou o anjo sério.

― Desde que o Castiel apareceu com aquela história de proteção. Quando perguntei a ele o que ele era, Castiel disse: “A mesma coisa que aquele que lhe protege” ― Respondeu Agnes gesticulando nervosa. ― Apenas uni as pistas. Então, vai me dizer seu nome?

― Gabriel, meu nome verdadeiro é Gabriel. ― O anjo suspirou.

― Gabriel? Não tá falando que você é o arcanjo. ― Agnes arqueou uma das sobrancelhas. Gabriel deu com os ombros e curvou os lábios num sorriso divertido. ― Puta merda! Eu perdi a minha virgindade com você.

― Agora sabe o motivo de não ter doído quando transou com o Dean. ― Gabriel deu com os ombros e riu baixo. Agnes fez careta com a informação recebida e virou de costas para o anjo.

― Merda! Que porra! ― Urrou a mulher ao perceber que havia se trancado dentro do círculo com o arcanjo.

― É, não vamos sair tão cedo daqui. O óleo sagrado queima por horas a fio. ― Ele sentou no chão e fez sinal para que a mulher sentasse ao seu lado. ― Venha, me faça companhia. Não era para isso que me convocou?

― Te convoquei para obter respostas. ―Retrucou Agnes virando na direção do anjo. ― E é isso que terei.

― Tudo bem, se isso fará você voltar a confiar em mim. ― O anjo suspirou. ― Antes quero que saiba que tudo o que fiz foi para sua proteção.

― Primeiro, porque me proteger? A Robin é meio anjo. ― Agnes aproximou do homem com passos lentos parando em sua frente. ― Eu tenho sangue de demônio correndo nas veias.

― Exatamente por isso, Robin já possui proteção do esquadrão angelical inteiro. Ou pelo menos daqueles que não aceitam a verdade.

― Que verdade? ― Ela arqueou a sobrancelha e sentou de frente para Gabriel.

― O apocalipse aproxima, os anjos estão tentando faze-lo parar, mas é inevitável. ― Gabriel começou a explicar olhando diretamente nos olhos da mulher em sua frente. ― Quando Lúcifer sair da jaula ele precisará de uma casca, assim como Miguel.

― E eu sou a casca de um deles?

― Não! Longe disso. ― Gabriel estendeu a mão tocando na da jovem com sutileza. ― Todo bom Don Quixote De La Mancha precisa do seu Sancho Pança.

― Eu nunca servirei a Lúcifer, jamais. ― Exclamou Agnes olhando da sua mão para o anjo. ― Gabriel, posso ter sangue de demônio, mas não sou como eles.

― Calma, eu sei disso. ― Gabriel riu fraco apertando a mão dela com força. ― A Robin é a queridinha dele.

― Mas que? Não, impossível. ― Agnes bagunçou os cabelos com uma das mãos. ― A Robin é inocente, bondosa, gentil, delicada...

― Você é bem lenta quando não quer aceitar as coisas. ― Gabriel assoviou baixo. ― É exatamente por isso que ele a quer. Pense um pouco, Agnes. Lúcifer quer alguém como ele. Um anjo caído, o filho mais novo que se rebela contra os planos do pai. Um lobo em pele de cordeiro.

― A Robin não é assim, ela é um cordeiro em pele de cordeiro. ― Agnes ficou em pé irritada. ― Tudo bem, houve os lances das mortes que só fui descobrir com o Levante das testemunhas, mas...

― Já perguntou o motivo de não ter um fantasma atrás de você?

― Eu sou meio demônio, tecnicamente minha natureza seria matar e destroçar. Por isso não houve fantasmas. Se eu matei, eram almas que já esperavam isso de mim. ― Ela deu com os ombros.

― Não, Agnes. ― O anjo ficou em pé e aproximou dela. ― Você nunca foi a causa da morte de alguém. Sempre esteve disposta a sacrificar sua vida pela de outros, tentava compensar ao máximo sua natureza cruel com bondade e gentileza, seguia as regras do seu pai por mais rigorosas que fossem. Agnes, você é o cordeiro em pele de lobo. E foi por isso que eu e a Anael sempre estivemos com você.

― Desculpe, mas conheci a Anael hoje. ― Agnes franziu o cenho confusa.

― Ops! Pensei que ela tivesse lhe contado. ― Gabriel sorriu fraco. ― Assim como eu, Anael também está no programa de proteção a testemunhas, ou pelo menos estava.

― Como assim?

― Fugimos do céu, fizemos um transplante de rosto e inventamos nosso próprio pedaço do mundo. Eu sempre tive essa cara de fuinha. ― Gabriel apontou para a face, fazendo Agnes soltar um riso fraco com o apelido carinhoso que ela o chamava. ― Já Anael ocupava outra casca, muito mais bonita e nova. Ela também atendia por outro nome.

― Perséfone. ― Agnes falou bagunçando os cabelos. ― Puta que Pariu.

― Anael foi a primeira a perceber os sinais. ― O anjo suspirou. ― Ela foi a primeira a perceber que você seria a escolhida do Miguel. Nenhum outro anjo acreditou nela, julgaram impossível a filha de um demônio ser aquela que ajudaria o filho preferido de Deus durante o Apocalipse.

― E porque você não acreditou neles? ― Perguntou a mulher curiosa.

― Tinha de conhece-la com meus próprios olhos, acompanhei seu crescimento e notei nos pequenos detalhes que o bem pode existir dentro do mal. ― Ele sorriu de maneira galante e sincera. Aproximou ainda mais da jovem, escovando a costa do dedo indicador sobre a face dela. ― Seu coração é puro e generoso, por mais que tente negar seu sentimentalismo. Você sempre fez as escolhas certas, sua fé era algo inabalável, sempre acreditou no pai e agradecia por sua vida todos os dias e noite. Sempre esteve disposta a sacrificar sua vida por aqueles que ama, principalmente quando esses são a sua família. Você abriu mão de muita coisa por aqueles que ama.

― Falando em amor. Porque nunca me disse seu nome? Porque nunca me disse a verdade? ― Perguntou Agnes empurrando a mão do anjo e se afastando dele.

― Eu tentei te dizer a verdade várias e várias vezes, mas você nunca esteve disposta a me escutar. ― Explicou Gabriel virando para ela. ― No dia que iria contar que era como a Anael, foi o dia que me beijou pela primeira vez. Fiquei com medo de que as coisas mudassem bruscamente entre nós. Que você deixasse de me amar.

― Babaca. ― Agnes revirou os olhos e riu. ― As coisas não iriam mudar entre nós.

― Não tenho tanta certeza disso. ―Gabriel arqueou uma das sobrancelhas. ― Você teria fugido, não permitiria que me aproximasse outra vez, meu disfarce estaria comprometido.

― E como sabe que agora eu não vou contar sobre você para o Castiel? ― Ela cruzou os braços sobre o peito e perguntou de forma desafiadora.

― Simples, Agnes. Eu confio em você. ― Ele alargou o sorriso. ― Sei que não vai contar sobre nosso encontro com ninguém, nem mesmo com os Winchester ou com a sua irmã.

― Como pode ter tanta certeza assim, Gabe?

― Um palpite. ― Gabriel deu com os ombros, caminhou dois passos para próximo dela e a segurou nos ombros. ― Ainda me ama?

― Que ódio de você, Gabe. ― Ela revirou os olhos segurando o riso. ― Pensei que os arcanjos fossem mais humildes.

― Somos apenas mais poderosos que os outros anjos. ― Ele riu fraco a fazendo rir. ― É, ainda me ama.

― Vai se foder. ― Ela o empurrou com sutileza e revirou os olhos outra vez enquanto ria.

― Você acabou de mandar um arcanjo se foder, percebeu? Que coisa feia, menina Agnes.

― Tecnicamente eu já fodi com você. ― Agnes entortou o lábio fazendo careta. O que retirou uma gostosa gargalhada nos lábios do Gabriel. ― Pare, isso é estranho. Muito estranho. Soa tão errado.

― Não há nada de errado no amor, monamu. ― Ele acariciou a face dela com ternura. ― Eu também tenho um lado humano, sabia?

― Não e preferia não saber. ― Rindo baixou, ela empurrou a mão dele do seu rosto. ― Agora a única coisa que quero é saber como sairemos desse círculo de fogo eterno.

― Você pode pular...

― Esquece, vou acabar me queimando. ― Agnes fez careta com a ideia sugerida pelo anjo. ― Eu poderia rezar e...

― Não ouse chamar o Castiel ou qualquer outro anjo. Hello! Estou no programa de proteção a testemunhas. ― Gabriel revirou os olhos com a ideia estúpida e gesticulou ao falar. ― Porque acha que demorei tanto tempo para dizer meu nome?

― Porque é idiota? ― Ela curvou o lábio e colocou as mãos na cintura.

― HÁ! HÁ! Muito engraçado. ― Ela aproximou dela, segurou em sua cintura e a puxou sutilmente para frente. Devido a diferença de dez centímetros de tamanho, ele a encarava por cima sorrindo divertido. ― Baixinha linda. ― Ele inclinou para frente tentando roubar-lhe um beijo, porém ela desviou virando o rosto para o lado enquanto ria divertida. ― Vamos Agnes, só um selinho...

― Não, meu caro... ― Agnes sorria serena enquanto admirava os belos olhos esverdeados do anjo, por mais que quisesse beija-lo, não o perdoaria tão fácil pelas mentiras. ― Você deveria saber que esses prazeres carnais não são dignos de um anjo.

― Ah, vai... ― Ele fechou os olhos fazendo bico. ―Só um beijinho, sei que está louca para me beijar.

― Não! ― Agnes apertou os beiços dele entre os dedos. ― Beijar anjos é errado.

― Eu não sou um mero anjo, sou um arcanjo. ― Falou o homem com certa dificuldade.

― Para mim é a mesma coisa. ― Ela arqueou uma das sobrancelhas e soltou os lábios dele.

― Eu sou do primeiro escalão, querida. ― Gabriel estralou os dedos fazendo com que o balde com água que estava sobre a mesa caísse no chão, apagando o fogo sagrado. ― Pronto, estamos livres.

― Porque demorou tanto para fazer isso? ― Perguntou Agnes com desdém em seu tom de voz. ― Poderíamos ter saído daqui antes.

― Você queria respostas, e eu estava com saudades de passar um tempo com você. ― O anjo sorriu. ― Me promete que não vai contar sobre isso para ninguém.

― Não vou. ― Ela negou com a cabeça e sorriu sem mostrar os dentes.

― Que bom, minha menina. ― Gabriel segurou o rosto dela em suas mãos, afagando a face dela com ternura utilizando os polegares.

Calmamente o anjo inclinou o corpo para frente fixando o olhar sobre o dela, desceu uma das mãos pela cintura da mulher, acariciando com sutileza a barriga. A ponta dos seus narizes estavam quase se tocando, enquanto a boca de ambos permanecia entreaberta.

― Gabe, você é um babaca. ― Murmurou Agnes baixando os olhos para os finos lábios rosados do anjo.

― Eu sei. ― Ele riu baixo e colou os lábios sobre os dela.

O beijo fora carinhoso e breve, como muitos beijos já trocados entre o casal. Agnes envolveu os braços ao redor do pescoço dele, o abraçando com ternura sem findar o movimento dos lábios. Gabriel sorriu no meio do beijo e a puxou para mais próximo, ela conseguia despertar dentro dele o seu lado mais humano, um lado que poucas pessoas conheciam.

Quando o beijo foi findado e Agnes abriu os olhos, ela estava deitada em sua cama entre as cobertas quentes. Confusa, ela esfregou os olhos com as costas das mãos tentando entender como havia regressado ao quarto. As coisas que utilizara para a convocação estavam guardadas de qualquer jeito em sua bolsa, como se tivessem sido colocadas ás pressas dentro dela.

― Agnes! ― Chamou a voz do Bobby, o homem estava com expressões preocupadas na face e admirando a afilhada com ternura em meio a penumbra do quarto. ― Está tudo bem?

― Oi, Grande B! ― Cumprimentou a mulher semicerrando os olhos ao olhar para o padrinho. ― Estou, eu acho que estou. Porque?

― Escutei uns barulhos e vim verificar. ― Bobby deu um meio sorriso. ― Está tudo bem com o seu caso? Precisa de ajuda?

― Já acabei. ― Agnes sorriu divertida e fez sinal para o padrinho deixar o assunto para lá. ―Não era nada demais, só um fantasminha brincalhão.

― Então está bem. ― Ele assentiu mesmo desconfiado da mentira. ― Descobriu algo a mais sobre os anjos?

― Enoquiano é a língua deles. Tirando isso, não descobri mais nada. ― Mentiu Agnes com convicção. ― Apenas aquilo que está nos livros, nada novo.

― Tudo bem então, boa noite. Não hesite em me chamar se precisar de... Sei lá... Qualquer coisa. ― Bobby deu com os ombros.

― Pode deixar. Boa noite, Grande B. ― Desejou Agnes voltando a deitar na cama enquanto puxava as cobertas.

Assim que acomodou na cama, Agnes ouviu o farfalhar das assas do anjo outra vez sendo acompanhada pela sensação de alguém lhe abraçando por trás de maneira protetora. Sorrindo, a mulher aninhou nos braços daquele que sempre esteve lhe acompanhando.

― Te odeio, grilo falante. ― Murmurou Agnes com os olhos fechados e sorrindo sem mostrar os dentes.

― Eu sei que é mentira. ― Falou Gabriel convicto a apertando ainda mais no abraço. ― Agora durma, ficarei com você até adormecer.

― Não tem perigo dos outros anjos saberem? ― Perguntou Agnes preocupada. ― Eu te detesto, mas não quero que se foda.

― Apenas durma, está bem? ― Gabriel riu fraco. ― Deixe que eu me preocupe com nossa segurança. Afinal, você me chamou várias vezes de “Meu anjo da guarda”.

― E você é, o pior deles. Mas cada um tem o anjo que merece. ― Agnes deu com os ombros. ― Boa noite, Gabe.



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