História Entre Sem Bater - Capítulo 13


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Original, Romance, Slice Of Life, Yaoi, Yaoi Day 2014
Exibições 29
Palavras 5.383
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Seinen, Yaoi
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Faltando alguns dias para completar um ano de hiatus, estou retomando esse trabalho. Peço desculpas pela demora imensa.

Mas eu quis me focar para finalizar As Origens de Sebastian, e depois disso a vida pessoal ficou meio atribulada, e quando dei por mim, havia se passado um ano.

Porém, mesmo assim, nunca deixei de receber pedidos de atualização, principalmente da maior fã desse trabalho, a Gi-chan, que me presenteou com esses fanarts lindos, o qual compõe a capa, que foram feito por encomenda por ela.

Gi, muito obrigada sempre pelo carinho. ♥

As imagens podem ser contempladas na íntegra na minha página no face.

Boa leitura! ♥

Capítulo 13 - Capítulo 13 - Mesmo quando o passado volta a bater em sua po


Obs: Esse arco do passado do Caio será narrado em terceira pessoa para que vocês leitores tenham um panorama geral de tudo que ocorreu, depois a história volta para narrativa em primeira pessoa. 

 

Entre Sem Bater

Por Andréia Kennen

Capítulo 13

Mesmo quando o passado volta a bater em sua porta?

Parte 3

 

A chuva aumentou durante a noite. Mariana chegou do plantão debaixo do aguaceiro, trazendo sacolas que continham recipientes com sobras de peru, salpicão e uma garrafa de refrigerante, de acordo com ela, era o que havia restado da ceia na casa dos pais.

— A mamãe pediu para que eu passasse lá porque tinha sobrado muita coisa. Vou colocar no microondas.

— Pode deixar que eu faço isso, Mari — pediu Denis solicito, indo em direção da mulher e apanhando as sacolas. — Pode ir tomar seu banho. Você deve estar exausta.  

— Bem, vou concordar, estou — ela anuiu deixando os ombros pesados caírem e soltando um suspiro. — E como está o Caio? — procurou saber do marido, mas seguiu em direção ao adolescente que estava parado mais adiante e repousou a mão agora desocupada da bagagem na testa dele, constatando rapidamente: — Ainda está um pouco febril.

— Me sinto melhor — Caio apressou-se em responder.

— Ele está bem melhor, Mari — o marido reforçou a informação do vizinho, indo em direção da cozinha. — Passamos a tarde assistindo.

Ela abriu um grande sorriso.

— Então os antibióticos fizeram efeito. Isso é ótimo! Você ligou para os seus pais?

 O rosto de Caio ruborizou ao recordar-se que não havia tido aquela preocupação. Apesar de ter pensado.

— Ainda não — confessou sem graça.

— Tudo bem. Sei como é se distrair com o bom-papo do Denis — ela deu uma piscadela cúmplice para o menino, sem imaginar a tensão que causou com aquela simples observação. — Pode deixar que eu ligo.  

Caio assentiu, depois observou as costas da Mariana que subia as escadas. Esperou que ela desaparecesse para rumar em direção da cozinha.

Ao atravessar a sala de jantar, pensou no que havia acontecido mais cedo, entre e sentiu-se estranho.

Apesar de Caio achar Mariana um pouco neurótica, tendo como base as conversas que ela tinha com mãe, não a considera uma má pessoa. Ao contrário, ela sempre o tratou com gentileza e doçura. E, talvez, por esse motivo, sentiu aquele algo ruim revolver seu estômago pelo que tinha acontecido naquela tarde entre Denis e ele.

Denis conseguiu agir naturalmente com a mulher, como se nada tivesse acontecido. E aquela naturalidade assustou Caio, que estava trêmulo, ofegante e com o rosto completamente em brasa.

Não tinha certeza se aquelas anomalias eram por ter passado a tarde nos braços de um homem, ou por simplesmente ter que encarar a esposa desse homem com todo o sentimento que embolia em seu interior.

— Não fique tão tenso — foi o primeiro alerta que Denis o dera quando o adolescente adentrou a cozinha. Enquanto espalhava pedaços de peru em um refratário de vidro o qual levaria ao forno.

Caio não soube bem o que responder, por isso optou pelo silêncio. Era difícil não ficar assustado na situação em que se encontrava.

— Sabe, Caio. Devemos ser cautelosos. Não por mim — Denis fez questão de frisar, terminando de dispor o Peru no refratário e levantando os olhos para encarar o jovem diante de si seriamente. — Eu me assumi. A Mari sabe. Além disso, sou adulto, formado, profissional, livre. Se algo acontecer eu posso simplesmente recomeçar em qualquer outro lugar desse país e até do mundo. Mas você ainda não é um adulto, não é assumido, além do fato de ter pais religiosos e tradicionais. Você ainda depende muito deles. Se algo vier acontecer você será o mais prejudicado. Por isso, eu confesso que agi por impulso e não quero forçá-lo a nada. Jamais. Nunca faria isso com ninguém. Sinto-me atraído por você sim, de uma forma tão intensa que eu tive que me segurar para não... — Denis respirou fundo e os olhos de Caio se arregalaram ao imaginar aonde o vizinho queria chegar.

— Eu senti — Caio confessou, desviando momentaneamente o olhar para outro canto da cozinha, mas logo voltou a afrontar o rosto de Denis. — Eu senti quando estávamos abraçados. Senti que o seu... é... — o adolescente parou e pensou em como colocar aquela informação. — Você estava excitado.

Denis sorriu um pouco sem graça.

— Deu para perceber, não é?

— Sim.

— É isso, Caio. Eu sou adulto. Minhas necessidades e desejos são maiores e mais intensos, e difíceis de controlar. Então, antes que a coisa saia de controle, eu pensei melhor, talvez fosse mais prudente não levarmos isso adiante.

Caio não soube definir qual fora o sentimento que teve. Mas depois de algum tempo o compreenderia como frustração. Mas balançou a cabeça em concordância com o adulto e recebeu como resposta dele um repuxar de canto de lábio que quis imitar um sorriso.

Denis voltou aos afazeres da cozinha em seguida e não retornaram mais naquele tema.

Poderia ser fácil para Denis simplesmente passar uma borracha naquilo que havia acontecido. Como o próprio alegara, ele era um adulto, deveria ser mais fácil apertar a tecla “reset”, ou simplesmente passar outro filme em cima. Deitar-se com outro alguém, ter todos os prazeres satisfeitos e simplesmente deixar para trás o que ficara incompleto naquela tarde.

Mas para Caio, que era um simples adolescente, em descoberta, não apenas descoberta, mas o desbravamento completo de uma possível homossexualidade, não seria simples assim. E tendia a piorar; como piorou.

Mais tarde, na mesa de Jantar, Mariana, Denis e ele comiam juntos e conversavam. Mariana insistia nos assuntos triviais e da igreja e até entrou no assunto sobre Caio ter uma pretendente a noiva, o que encabulou o mais jovem, e despertou o interesse de Denis, que, ao ver do Caio, estava sendo debochado e irônico ao falar que Mari e ele poderiam ser padrinhos do casamento.

Denis estava bebendo vinho, por isso Caio o percebeu forçadamente alegre, rindo exageradamente, tirando sarro à toa.

Tinha uma estratégia para fugir de conversas indesejadas à mesa do jantar com os adultos. Era sempre infalível com os pais. E colocou em prática com os vizinhos. Primeiro fingiu alguns bocejos, depois mentiu para os seus anfitriões dizendo que estava morrendo de sono e que gostaria de se retirar. Mari fora a primeira a responder positivamente, acrescentando que não precisava pedir e Denis apenas o alertou para que escovasse os dentes antes de dormir.

Como havia imaginado: melhor tática.

Desejou boa noite e saiu.

Contudo, a realidade, era que sua cabeça não o permitiria dormir tão cedo. Os beijos que trocara com Denis e a sensação dos braços dele em torno do seu corpo ainda pareciam envolvê-los.

Passou a noite inteira acordado, vindo a pegar no sono somente de manhã.

...

Acordou sentindo um calor escaldante. Sabia que não era mais vestígio da febre contida ou da gripe, seu organismo parecia completamente recuperado. O suor que brotava por todos seus poros parecia vir do calor intenso que fazia naquele dia. Não havia mais vestígios de chuva. Podia sentir a claridade do dia transpassando a janela de vidro, as cortinas, o edredom, suas pálpebras e entrando direto nas suas retinas forçando para que levantasse.

Jogou o edredom para o lado tentando expurgar um pouco do calor, e preguiçoso deitou de bruços e jogou apenas uma perna e um braço para fora da cama. O suor estava pregando suas roupas, alertando-o do quanto de um banho, mas a lassidão parecia consumir seu corpo e a alma e não querer largá-los de forma alguma.

Bocejou e no processo encontrou o celular jogado no chão, esticou o braço para apanhá-lo e consultar que horas eram, mas acabou se distraindo com a quantidade de mensagens e ligações perdidas. Respondeu quase todas, as dos amigos da escola, da igreja e a dos pais, mas quando chegou na do melhor amigo decidiu que iria ligar.

Não fazia ideia de que horas eram na Argentina, na verdade, nem no Brasil. Não importava de verdade, deu de ombros. Estava de férias, sem os pais para importuná-lo, para quê saber das horas? 

—“Yo, mui amigo usted, Caiozito! Ahora que usted recordas que yo existo!”, respondeu o amigo Cassiano assim que atendeu sua ligação.

— Nada de drama, Cass. Que horas são aí?

— “A mesma daí, bebezito. Usted esquecestes que não tem diferença de horário de Buenos Aires e Brasília? A diferença está en nossa ciudad, que tiene una hora de diferença com relación a Brasília. Pero como estamos em el horário de verano aí, Buenos Aires fica una hora atrasada com relación a Brasília e com horário igualado com nossa ciudad. Ou seja, aqui és a mesma hora daí, quase duas de la tarde!”

— Duas?! — Caio sobressaltou e sentou-se na cama, surpreso, tirando o celular do ouvido para confirmar as horas no display.

— “Ah?! Usted no lo sabía? Esta a dormir tão tarde, Caiozito? Que milagro es esto?”

Caio suspirou e tentou explicar ao amigo os acontecidos, sobre ter ficado doente e não estar no retiro e sim na casa dos vizinhos. Porém, não teve coragem de entrar em detalhe sobre o Denis, apesar de ter sentido uma vontade imensa de contar a alguém. Contou apenas sobre ter ficado com a Fernanda, e nunca pensou que o colega faria um alvoroço tão grande gritando do outro lado que ele finalmente tinha deixado de ser “boca virgem”.

Mas Cássio o conhecia há muito tempo e muito bem para pegar no ar que aquilo não havia sido da forma como o amigo esperava.

— “Usted é mesmo um romântico, né, Caiozito?”

— Por que está falando isso de repente?

— “Ah, yo no sei. Pero usted não mi parece empolgado quanto os chicos de nuestra edad que se enamoran e hablam com entusiasmo de sus primeiras experiências, como se fossem as cosas mais buenas de la vida”.    

Era a pura a realidade, foi o que Caio pensou, pois os beijos que trocara com a Fê, mesmo sendo sua primeira experiência, não tinham provocado um terço do que sentira quando a boca de Denis sobrepôs a sua. Somente as lembranças causavam um calor imenso e fazia seu estômago revirar. Queria contar para Cássio a novidade, mesmo incerto sobre a reação do amigo, mas não podia ser por telefone.

A porta do quarto de repente se abriu e Mariana deu uma batida meio desajeitada por ela estar com as mãos ocupadas colocando os brincos.

— Ah, você está acordado, Caio. Estava ficando preocupada.

— Só um minuto, Cássio — pediu para o colega no telefone para dar atenção a vizinha. — Oi, Mari?

— Interrompi sua ligação? Desculpe-me.

— Não se preocupe. Pode falar.

— É que você precisa almoçar. Dormiu praticamente o dia todo. O Denis não quis que eu te acordasse, disse que seria bom deixá-lo descansar, para que se recuperasse completamente. Tudo bem, mas você também precisa almoçar.

— Sim. Eu realmente dormi bastante. Mas eu estou acordado há algum tempo.

— Então assim que terminar sua chamada desça e coma. Fizemos uma marmita para você. Está no microondas, só esquentar. Tem salada na geladeira. Eu preciso ir porque meu plantão de hoje começa as dezoito e eu só saio de manhã, e eu quero fazer as unhas das mãos antes. O Denis foi ao mercado, ele está com uns amigos dele aí — ela deu aquela informação acrescentando um revirar de olhar fadigado. — Eles estão na piscina ouvindo aquelas músicas horrorosas e bebendo. Algo me diz que ele foi comprar mais cerveja, mas Deus queira que não. Eu falei para ele não beber com você aqui. É má influência, né? Mas o sem-vergonha não me ouve!

— Não quero incomodar ou atrapalhar a rotina de vocês, Mari. Deixa ele curtir as férias e se divertir com os amigos. Eu não me importo em almoçar e ficar aqui no quarto. Tenho alguns livros para ler.

— Ah, que alívio. Você é tão culto e educado, Caio. Vou orar muito para Deus para que meu futuro filho seja exatamente como você. Vou te deixar meu notebook. E se não for descer para piscina, ligue o ar. Está uma sauna esse quarto. Na verdade, eu prefiro que realmente não desça para lá e fique no meio daqueles bêbados. Não vai ser bom pra você ficar ouvindo as besteiras dele.     

— Tá, Mari.

Ela entrou no quarto e depositou um beijo nos cabelos bagunçados do menino.

— Qualquer coisa me ligue. E ligue para os seus pais também.

— Tá, Mari.

— Tchau, Caio.

— Tchau, Mari.

A mulher saiu do quarto fechando a porta e Caio voltou para o telefone.

— “Sua vecina es peor que su mamá.”

— Dez vezes pior. Ela é neurótica, Cass. Ela acha que eu tenho quantos anos afinal? Cinco? Seis? Para achar que não posso ouvir uns caras falando de peitos e bundas?

— “Es eso, Caiozito! Revolta! Si yo fosse usted desceria ahora mesmo para disfrutar de la tal piscina. Aproveita do raro calor de nuestra ciudad. Después conversamos más”.

Foi o que Caio determinou ao desligar o telefone. Entrou no banheiro, tomou uma ducha rápida, colocou um calção que serviria para banho, uma camiseta regata, chinelos e desceu para cozinha. Havia uma marmita com carne assada e farofa dentro do microondas. Colocou para esquentar. Na geladeira encontrou a vasilha com salada. Comeu rápido e estava lavando os pratos quando ouviu o barulho do carro entrando na garagem com o som alto provocando estrondos nas paredes. Em sequência os latidos efusivos do Labrador do Denis e a conversa animada de outros homens.

Logos ele invadiram a cozinha fazendo algazarra, munidos de sacolas de bebidas, óculos escuros, camisetas, shorts e peles bronzeadas.

— Caio, você acordou. Achei que tivesse entrado em coma — comentou Denis brincalhão, colocando os óculos escuros para cima da cabeça. — Bora para piscina.

— Se não for atrapalhar...

— Vai nada, garotão! — interrompeu outro cara. — Sempre tem lugar pra mais um.

— Esse é seu filho adotivo, Dê? — perguntou o terceiro.  

— Meu filho com os vizinhos — observou e gargalhou.

O que havia o chamado de “garotão” parou na frente de Caio para analisá-lo.

— Oh? Ele tem pele de menina. Todo trabalhado no leite ninho né, não, garotão? Branquinho que dá dó.

— Tá precisando de um sol — comentou o terceiro.

— Eu já falei isso, né, Caio? Ele realmente precisa de sol — reforçou Denis. — Vou pegar o isopor lá fora para gente reabastecer.

— Certo. Então seu nome é Caio, garotão?

— Caio Henrique.

— “Caio Henrique” é mais imponente — ponderou rindo, e indo até a pia pegar uma das latinhas de cerveja que o terceiro estava lavando. — Eu sou o Cristian, prazer. E esse aqui é o Leandro.

— Prazer, Caio Henrique — disse o Leandro.

Eles riram de novo.

— O prazer é meu.

— ‘Bora para piscina? — convidou Cristian.  

— Eu vou escovar os dentes, eu levantei agora pouco, acabei de almoçar, e ainda não escovei. Já desço.

— Ah, está certo, com um bando de dentista é bom estar com os dentes perfeitos — comentou Leandro dando uma piscadela e sorrindo, mostrando os dentes realmente bem cuidados.

— Mas vem rápido, vamos jogar biribol — acrescentou Cristian. — Cadê a caixa de isopor, Denis?!

— Tô chegandoo!

Ele entrou com o Brutus em seu encalço, pulando nele e latindo.

— Brutus, para com isso! Tá encharcando a cozinha. Sua mãe Mari vai matar a gente.

Mas o cachorro apenas latiu em resposta e eles caíram na gargalhada de novo.

Sentindo ser invadido pela empolgação, Caio subiu para o quarto de visita feito uma bala, escovou os dentes e desceu rápido.

Eles haviam começado o jogo de biribol. Eram cinco homens no total, com ele somavam seis, davam três duplas.  

Cristian estava sentado assistindo na beira da piscina, bebendo, e foi ele quem o chamou.

— Vem, Caio Henrique. Seremos os próximos — acenou, chamando-o.

— Estou indo!

Passaram uma tarde realmente divertida. Os amigos de Denis eram engraçados e animados. Descobriu que os dois que conheceu na cozinha eram amigos de trabalho, Leandro e Cristian, outro era de faculdade, chamava-se Bruno, e o quarto era uma incógnita, “amigo de buteco”, o próprio se nomeou, cujo nome era Alexandre.

Brutus também estava na algazarra como o sétimo membro, ele pulava na piscina, buscando participar da brincadeira, corria atrás da bola quando ela rolava para fora da piscina e a trazia de volta.

Na churrasqueira ainda assavam carne e linguiça, que eram servidas em porções de hora em hora.

A situação só começou a ficar estranha depois que o sol se pôs, Denis estava alegre demais, dançando exageradamente e hora e outra ele trombava e se esfregava em um dos amigos. Começou a insistir em buscar mais cerveja, mesmo parecendo incapacitado de dirigir. O quinto amigo, Alexandre, era o que estava tentando remediar as situações mais problemáticas e contê-las, enquanto os outros apenas riam e aumentavam a bagunça ao redor.

Como Caio estava sóbrio, não conseguiu enxergar tanta graça naquela bagunça mais cheia de malícias, e ainda sentia-se envergonhado por Denis ser o alvo principal da zoeira dos colegas. Por isso optou por ficar afastado, brincando com o Brutus na beira da piscina enquanto eles estavam todos na área da churrasqueira.

Certo instante ouviu o que pareceu um princípio de discussão e se levantou, parecia que alguém havia se alterado e ouviu um “Para de viadagem, Denis! Porra!”.

Alguns minutos depois, Alexandre estava tentando levar o Denis para o banheiro da área da piscina. Preocupado, levantou-se depressa e os seguiu.

— Ele tá bem? — perguntou, entrando atrás dos dois homens.  

— Ele só precisa de um bom banho — observou Alexandre, empurrando o homenzarrão para dentro do chuveiro e ligando a válvula que descarregou água fria na cabeça dele.

— Uh! Tá fria essa porra!

— Essa é a intenção. Fica aí, Denis. Eu vou dar um jeito de despachar o pessoal. Eles ficam de graça, mas ninguém quer arredar o pé.

Alexandre olhou Caio que segurava o Brutus ao lado dele, impedindo o cachorro de entrar no banheiro para lamber o dono sentado no chão.

— Não Brutus! Fica aqui! — Caio ralhava, tentando segurá-lo.

— Fica de olho nele para mim, Caio? — pediu Alexandre ficando de pé e passando pelo adolescente, aproveitando para pegar o labrador pela coleira e puxá-lo para fora, fechando a porta de vidro do boxe em seguida, para impedir que Brutus voltasse a entrar. — Já volto para ajudar a dar banho nesse marmanjo.

— Tá — respondeu meio incerto.

— Eu nem to bêbado, porra — Denis comentou e começou a rir. — Né, não, Caio?

— Hm — concordou com aquele resmungo.

Mas a verdade é que Denis parecia sim muito bêbado. Apesar de nunca ter visto um adulto bêbado de perto. O meio que convivia impedia de se deparar com situações como aquelas. De vez em quando Cassiano inventava de beber escondido, mas a única coisa estranha que a bebida fazia com o amigo era deixá-lo sonolento e resmungão.

Porém, com o Denis a reação era diferente, a personalidade dele parecia outra. Ele estava mais ousado, um tanto despudorado, cheio de risinhos e brincadeiras maliciosas. Certamente não fora por nada que um dos amigos o tenha estranhado e se alterado e tentando agredi-lo. Era quase certo que Denis não conseguia conter seu lado homossexual quando estava embriagado. Algo que fez Caio sentir-se apreensivo por estar a sós com ele no banheiro, pois até mesmo Brutus havia sido levado pelo Alexandre.

— Ei, Caio. Desliga essa água fria. Eu estou virando uma velha enrugada aqui embaixo.

O Denis estava sentado no chão no meio do boxe, bem debaixo do chuveiro. Precisou adentrar mais o cubículo para desligar a válvula e assim que a água parou sentiu seu punho agarrado e foi puxado para baixo. Quando deu por si estava sentado sobre o colo de Denis, sendo agarrado pelas mãos ágeis que já apalpavam sua bunda.

— Ei, Denis o que você... Ah! — Não conseguiu completar a fala graças ao sobressalto por sentir a língua de Denis deslizando por seu pescoço e o queixo dele descansar em seu ombro. O hálito quente roçava ao pé da sua orelha, carregado do álcool, provocando arrepios. Ele começou a sussurrar coisas maliciosas.

— Você é tão tentador. Tão anjinho. Tão superprotegido dos papais. Virgenzinho. Inexperiente. Olha, tem cada garoto da sua idade que faz coisas que até o diabo dúvida. Mas você não, não sabe de nada ainda — ele riu, deslizando as mãos pelas costas de Caio e adentrando-a com ela dentro do calção, alcançando a bunda e a apertando com força, ele fez um chiado com a boca. — Shhhh! Ahhh! Essa sua inocência ao invés de brochar atiça o apetite sexual de caras como eu, sabia? Tô com uma baita vontade de te ensinar safadezas, Caio. De fazer você gozar gostoso e de gozar gostoso dentro de você.

Caio perdeu a noção de como se respirava ao ouvir aquelas palavras.

Seu rosto estava em chamas, até mesmo as orelhas pegavam fogo. O coração passou a bater depressa e os arrepios se misturaram com o medo. Seu corpo respondeu depressa aos toques e as palavras despudoradas cochichadas em seu ouvido, mas sua mente apitava incessantemente “perigo”. Os dedos de Denis estavam escorregando por dentro da sua roupa, entre suas nádegas, baixando seu short e a cueca. A boca dele lambia e mordiscava seu ombro, logo desceu a boca pela abertura da regata e alcançou o mamilo esquerdo o qual foi lambido, provocando uma nova leva de sensações adversas. Mas quando ele prendeu o mamilo entre seus dentes, em uma mordida provocante e certeira, não segurou o grito.

— AHHHH! — Caio caiu em si. Denis estava bêbado. Não podia permitir que continuasse com aquilo. — Não, Denis! Para. O que está fazendo? Onde está colocando sua mão. 

— Você se assustou por que está ficando excitado, anjinho? Ah, não.  Você estava tão comportadinho. Continue assim. Não reaja. Não faz isso. Para de se debater.

Denis colocou a língua para fora e tentou alcançar a boca de Caio, mas a única coisa que conseguiu foi lamber a lateral do rosto do mais jovem, pois ele desviou da tentativa de beijo, virando o rosto para o lado.

Caio não queria beijar Denis com aquele hálito sobrecarregado de álcool. Além disso, não era com aquele Denis agressivo e bêbado com quem gostaria de ter experiências. Sabia que além da bebida transformar as pessoas e deixá-las corajosas, (ou covardes), também as fazia esquecer-se dos atos cometidos naquele estado de torpor. E não era assim que queria. Não queria que Denis simplesmente o tivesse a força e depois se esquecesse dos seus atos, culpando-se o se condenando por tê-los cometidos quando os descobrisse. Afinal, o Denis que o acolhera tão deliciosamente em seus braços no dia anterior, que se declarara lindamente, era o mesmo que rejeitara a ideia de ficarem juntos por se preocupar com sua integridade.

Todavia, quanto mais se debatia, mais Denis o apertava e forçava os dedos acariciarem seu traseiro.

“Por que ele está enfiando o dedo na minha bunda? Deus! O dedo está entrando, está entrando!”, apavorou-se ao sentir a invasão que não era nada agradável. Era bem dolorida. Mas não era só a invasão dos dedos que o apavorou, seu corpo reagia àqueles estímulos. Sentia seu membro pulsando friccionado nas pernas de Denis, pois estava sentado sobre elas, tendo suas pernas uma de cada lado. Um dos braços dele estava envolto em sua cintura impedindo seus movimentos, colocou as mãos no peito dele e tentou afastá-lo.

 — Pare com isso, Denis! Está doendo!

— Logo vai ficar bom. E, olha aí, seu mentiroso. Seu pau está duro e está começando a melar sua roupa.

— Não está não! Não fala assim!

 — Mas o meu pau também precisa de alívio — disse ele expondo o membro duro para fora da sunga, e logo voltou a envolver o corpo de Caio. — E ele vai alcançar esse alívio ao socar gostoso dentro desse buraquinho apertadinho — sussurrou, usando as duas mãos para apertar a parte traseira de Caio. Depois tentou manter as bandas apartadas usando apenas uma mão, para que invadisse o orifício entre as nádegas de melhor maneira.

Caio compreendeu com terror o porquê Denis estava centrado naquela parte do seu corpo. Era daquela forma que os caras gays faziam.

Mas não conseguiu entender como aquilo poderia ser prazeroso para ambos. Imaginou que quem fosse ficar por cima, no caso Denis, certamente haveria algum prazer, por ter seu órgão comprimido naquela região tão apertada. Mas ele não imaginava como o outro lado, ele, por exemplo, sentiria prazer tendo um pênis enfiado em seu traseiro, sendo que somente com os dedos estava sendo horrivelmente dolorido.  

Enquanto Caio buscava compreensão, Denis aumentara os movimentos de entrada e saída do dedo, mantendo as falas despudoradas ao pé do ouvido dele.   

— Não consigo nem imaginar o quanto vai ser gostoso arregaçar você todinho.

— Pare, por favor. Está doendo.  

— Um pouquinho de dor faz parte, vai melhorar.

— Mas não está melhorando.

— É só atingir o ponto certo. Está sentindo? Talvez seja aqui. Oh! — Denis admirou-se de repente. — Acho que estou no caminho certo. Está começando a se contrair.

Caio estava assustado. Não era impressão. Era verdade. Não estava mais tão dolorido. Seu traseiro tinha se acostumado com a invasão e começava sentir algo estranho, confuso.  

— Eu sei que quer gozar, anjinho. Goze. Não se contenha — pedia Denis, começando a socar o dedo mais rápido em Caio.

O adolescente se retesou ao ser atingido naquela região tantas vezes, e não demorou e aquele orgasmo estranho veio junto com as lágrimas. Nunca pensou que aquilo fosse possível. Gozar apenas ao ter seu ânus estimulado, sem que recebesse um toque sequer no seu membro.

Seu corpo relaxou e foi abraçado por Denis, que quis se aproveitar do seu momento de êxtase para tirar seu short.

— Agora é a minha vez. Vai, tira logo a merda desse short para você poder sentar e cavalgar gostoso em cima do pau do papai aqui.

Os olhos de Caio se arregalaram ao ouvir aquilo e sentir o pênis de Denis ereto como uma rocha tocando sua barriga.

— Não! — Voltou a se debater, tentando manter o short no lugar. — Eu não quero que coloque isso na minha bunda! Vai doer.

— Agora deixou de ser anjinho pra ser malcriado, é? Nada que umas boas palmadas na bunda não resolvam.

Mas antes que a palmada se fizesse, o punho de Denis foi agarrado e os braços dele foram afrouxados em torno de Caio.

Alexandre ajudou Caio a sair de cima do amigo, mas as pernas trêmulas não ajudaram o garoto que acabou ficando no chão, encostando a parede.

— O que pensa que está fazendo, Denis?! — Alexandre gritou, apavorado.

Mas antes que tivesse uma resposta, fora a vez de Alexandre ter o punho agarrado e ser puxado para o chão.  

— Se vai tirar meu brinquedo então venha ficar no lugar dele!

E, diferente do que Caio imaginava, Alexandre não recuou. E ali mesmo, diante dele, os dois se despiram ferozmente e o sexo aconteceu.

Fora impressionante. Caio não conseguiu despregar os olhos da cena, principalmente quando a penetração começou.

Da onde estava, teve um ângulo privilegiado, como se fosse o câmera de um filme pornográfico. Conseguia ver todo o falo de Denis se enterrando no interior do outro homem com uma facilidade assustadora. E surpreendeu-se em como Alexandre parecia gostar, rebolar, gemer e pedir por mais, “mais fundo”, “mais rápido”, ou simplesmente “mais”.

Ainda não entendia. Como Alexandre pedia por mais com tudo aquilo enfiado dentro dele?

E como foi arrepiante quando eles gozaram juntos. Alexandre arqueou o corpo para trás ao ponto de apoiar os braços nas pernas esticadas de Denis para deixar seu membro ereto jorrar sêmen que atingiu o tórax e o rosto do parceiro, que não se importou, e continuou segurando firme a cintura do outro, mantendo os movimentos contidos dentro dele. Certamente até se aliviar por completo, quando as contrações de suas faces foram suavizando, os dois corpos relaxaram e as respirações desreguladas escaparam ruidosas dentre as bocas abertas de ambos.

Trêmulo, Caio se ergueu do chão, cobrindo sua parte íntima com as mãos, abriu a porta do boxe e saiu do banheiro às pressas.

Adentrou a casa e tentou subir as escadas com cuidado, esfregando as pernas uma na outra, como se estivesse louco por alívio.

Mas o alívio que encontrou foi se masturbando freneticamente assim que se trancou no banheiro do quarto de hospede.

...

Estava deitado na sua cama após o banho, rolando de um lado para outro, sentindo-se cansado e ainda mais confuso, quando ouviu duas batidas na porta e um pedido de licença.

— É aqui que está dormindo?

Alexandre entrou meio tímido, ele estava banhado, vestido e com uma mochila pendurada em um dos ombros. Caio sentou-se na cama, assentiu com um balançar de cabeça e o encarou de onde estava.

— Er... Eu dei uma juntada na bagunça lá embaixo. Como o Denis praticamente pegou no sono lá no banheiro, eu nem tentei trazer ele para cima, ele está dormindo no carpete da sala agora. Só quis te avisar, porque ficará sozinho. Ele só deve acordar no meio da madrugada.  

— Tudo bem.

— Você está bem? Digo, ele não te machucou, né?

Caio sentiu o coração disparar novamente àquela menção, então juntou os joelhos e os abraçou. Abaixando a cabeça e escondendo o rosto ao encostar a testa nos joelhos, fazendo com que o cabelo volumoso e escorrido ajudasse a esconder sua face vermelha.

— Estou bem — resmungou. — Graças a você ele não me machucou. Obrigado.

— Ah... Bem... Não por isso. Mas... sobre o que aconteceu... sabe... a esposa dele...

— Não vou contar nada para ninguém. Não se preocupe. Ele já tinha me falado que o casamento acabou há muito tempo e que ele gosta de homens.

Alexandre pareceu suspirar aliviado.

— Certo. Então estou indo. Boa noite.  

— Boa noite.

— Fique bem, Caio — disse, voltando a fechar a porta.

Não respondeu ao último pedido, pois era difícil se sentir bem quando em apenas dois dias longe das asas dos pais havia acontecido tantas reviravoltas na sua vida.

Também não sabia medir se ter acesso a toda aquela experiência de uma única vez era bom ou ruim.

Ergueu a cabeça, desceu da cama, calçou os chinelos, desligou o ar, apagou a luz e saiu do quarto.

Desceu as escadas, havia poucas luzes acesas.

Viu o Brutus se animar com sua chegada, balançando a cauda euforicamente de um lado para outro. Havia brincado bastante com ele aquela tarde, haviam se tornado amigos. Fez um afago na cabeça do cachorro que lambeu sua mão em retribuição. Labradores eram engraçados, apesar de grandões eram fofos e amáveis.

Passou pelo novo amigo e tirou os chinelos para pisar no carpete felpudo da sala e se sentou nele. Denis dormia profundamente estendido no carpete, chegava a roncar alto. Mas estava banhado e com roupas secas e limpas. Alexandre fora mesmo prestativo, pensou, sentindo-se um pouco enciumado. 

Mexeu no cabelo dele e o viu remexer e se virar, estalando os lábios ressequidos e buscando-o, mesmo que inconscientemente, para um abraço.

Retesou-se a princípio, mas acabou deixando-se abraçar. Acomodou-se junto ao corpo dele, descansando a cabeça sobre o peitoral. Sorriu com o som gostoso da respiração pesada e dos batimentos cardíacos. Do movimento do peito subindo e descendo. Era bom, relaxante. Ao ponto de fazê-lo acreditar que tudo aquilo que estava acontecendo com ele não era tão anormal, tão bizarro, tão estranho. Conseguiu finalmente se acalmar e dormir.

E foi ali. Naquele momento, que decidiu que iria embarcar com Denis naquela aventura.

Queria experimentar todas aquelas sensações que ele tinha a ensinar e a oferecer, mas do jeito certo, ao ponto de desejar aquilo loucamente, como viu acontecer com o Alexandre.

E quando Denis despertou na madrugada, cheio de dores de cabeça e alarmado por estarem dormindo juntos, Caio apenas tentou acalmá-lo.

— Você começou comigo, mas não concluiu. Eu estava apavorado e nenhum pouco preparado. Foi aí que o Alexandre apareceu e tomou meu lugar. Mas você conseguiu despertar meu interesse fazendo sexo com ele. Por isso que, se ainda estiver interessado, e disposto a ter um amante tão inexperiente e sem graça como eu, eu aceito ser essa pessoa. Desde que tenha paciência comigo.

Caio não soube distinguir a transformação no rosto de Denis, mas sentiu toda a comoção dele ao ser abraçado e rolado com ele no carpete da sala.

Riram.

E era assim que Caio pensava que seriam seus novos dias com aquela nova pessoa. Repleto de risos, calor e novas sensações.

Todavia, Caio sequer podia imaginar aquilo que o aguardava e, principalmente, que o alerta que Denis lhe dera, fora verdadeiramente uma predição.

Continua...


Notas Finais


Já sabem, se puder, comentem!


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