História Entre Sereias II - Segredos das Profundezas - Capítulo 9


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 10 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Ficção Científica, Luta, Magia, Mistério
Avisos: Adultério, Bissexualidade, Estupro, Insinuação de sexo, Mutilação, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 9 - Capítulo 10


O baú é três vezes a minha largura, compensando sua baixa na altura. Nicole o abre com uma chave aparentemente de ouro e de dentro, sai o odor forte de poeira. Ela parece não se importar. Juntamente com Leila, ela tira um mapa.

- Aconselharia vocês a se sentarem. - Leila diz enquanto abre o mapa no chão. Isso teria acontecido na mesa se não houvesse ocorrido o incêndio.

Nos sentamos na terra seca, que antes habitava grama macia e em verde vivo. O desenho no mapa lembra um labirinto, mas há mais de uma saída.

- Esse é o térreo do palácio. - Leila começa, com os dedos correndo pelo que julgo serem os corredores do térreo. O grande espaço do baile é indicado por um círculo vazio.

Ela passageiramente passa os indicador pelo que seria reconhecido por qualquer um como mais uma saída. Mas para mim, tem um significado mais complexo. Sei exatamente que essa é a saída a qual estava coberta por cortinas cor branca. Troco acidentalmente um olhar Arthur quando Leila realiza o ato, mas desvio o mais rapidamente que posso. Minhas bochechas queimam. Espero não estar vermelha.

  - É a melhor maneira alcançável de entrar lá. Pelo salão de festas. É bem afastada dos dormitórios, portanto a quantidade de guardas é mais escassa. - Leila continua, como se nada tivesse acontecido. E realmente nada aconteceu... para ela.

- Como tem tanta certeza? - Arthur pergunta.

- Esse mapa foi concluído há seis dias. Duvido que tenha havido alguma mudança no decorrer desse tempo. Foi avaliado de dentro, com o auxílio de Liliane. - Nicole rebate rapidamente e ele se cala.

- E qual seria a melhor maneira? - Pergunto, me lembrando que ela disse "a melhor maneira alcançável"

- Por cima. Quase não há guardas no andar de cima. Mas temos que andar em grupo, e somente você é Eric podem ter acesso ao andar de cima. - Leila me explica pacientemente e depois prossegue: - Andem em grupo, e se alguém se separar e estiver ao alcance, tentem se juntar novamente. Mas se alguém se perder, a orientação de Perseu sempre foi voltar sem busca. O risco que estamos correndo já é muito grande.



- Deixa eu te ajudar. - Falo para Arthur, que há tempos estava tentando fechar as laterais de sua armadura, mas sempre soltava. Ele levanta o braço esquerdo e fecho as fivelas.

A noite já começou a cair, então as rondas no palácio deve estar nesse exato momento, sendo alterada.

- Seria bom se você tivesse opinião fixa. - Ele disse, quando fechei a última fivela.

- Sobre...? - Pergunto, mas Arthur apenas respira fundo.

Não posso me preocupar com ele agora. Tenho coisas mais importantes para resolver na minha cabeça.

É estranho saber que tem vidas dependendo de mim. Ainda mais Liliane, que apesar de estar sumida, só não está no Submundo ainda por minha causa. E essas pessoas. Elas não têm certeza sobre mim, mas sou um fio de esperança. Eu não posso tirar a esperança deles. Seria cruel demais, e eles já sofreram muito.

- Estão prontos? - Jonathan pergunta, já de armadura.

Tivemos o cuidado de selecionar qualquer coisa resistente e que nos dê uma facilidade de locomoção maior. E ainda assim, que não seja bronze ou prata. A Espada de Calíope já está na minha bainha. Não consigo lutar bem com escudo, mas sou obrigada a usar.

- Estamos. - Digo, apesar de saber que Arthur não está pronto. Saio da tenda e os deixo sozinhos, se auxiliando para podermos ir.

Respiro fundo. Teremos que passar pelo mesmo caminho pelo qual Liliane morreu. Em algum lugar da minha memória, seus olhos verdes, as sardas e o sorriso radiante me dão confiança. Me dizem para confiar em mim mesma.

Fecho os olhos para lembrar de cada pessoa que me transmitiu uma dose - por menor que seja - de fé. Por um segundo, me sinto desconfortável por admitir Liliane em primeiro lugar, na frente de minha mãe. E ainda pior, ser sincera comigo mesma e ter de aceitar que Vitória sempre confiou em meu sucesso.

- Ótimo. - Abro os olhos quando Jonathan sai com Arthur, já armado.

- Vamos? - Leila pergunta, chegando perto.

Não me impressiona ela com roupas de guerreira. Ela nasceu para isso.

Percebo que todos estão evitando se comunicar. É difícil. Se fôssemos começar a conversar, seriam palavras de despedida. E temos de evitar isso. Em nós, tem haver esperança. Nicole trouxe dois cavalos, todos pretos. Seu ar parece pesado, mas tem brilho nos seus olhos. Concluo logo que são para Leila e Arthur, que não tem tantas vantagens na locomoção. Posso voar, assim como o Eric, e Nicole, Henry e Jonathan podem se Transformar.

Ambos sobem nos animais. Deve ser estranho para os centauros... saber que aquela espécie é quase como uma parente distante e está sendo praticamente escrava.

Perseu se aproxima. Parece cansado e desanimado.

- Boa sorte. - Ele diz, apertando a mão de todos.

Iniciamos a corrida para o rio. A primeira parte. Eles vão na frente, e externo minhas asas, os alcançando em seguida. Três lobos correm rapidamente em meu encalço. Se fosse para diferenciá-los, só consigo distinguir Jonathan, o maior dos três.

O cabelo voa para trás com o vento e meu coração parece flutuar. A sensação seria maravilhosa se eu não estivesse indo de encontro à morte.

Subimos as duas colinas de onde caímos na vinda e chegamos ao rio. Elfos puseram um barco aqui mais cedo, portanto é hora de deixar os cavalos voltarem aos restos do acampamento. Neste momento, Arthur e os lobisomens vão de barco e Leila e eu vamos pela água, para não chamar atenção. A travessia foi tranquila. Não tranquila... nós não fomos vistos por ninguém.

- Está inquieta demais. - Leila comenta, olhando para mim. Nada com serenidade, como se estivesse passeando. - O que está te deixando assim?

- Devia estar calma? - Pergunto suavemente de volta, tentando manter a força na voz e falhando desastrosamente.

- Já te vi em outras batalhas, e você não estava assim.

- Não é nada, na verdade. - Minto, balançando a cabeça.

- Você é horrível mentindo. Mas não tem problema. Se acha melhor assim, tudo bem. - Sua voz não soa magoada... uma coisa a menos para me preocupar.

A costa se aproxima e começam a descer do barco. Me levanto, sentindo meus pulmões substituírem a água pelo ar. Ainda me pergunto para onde vai essa água, mas é o mínimo agora. Penso seriamente em termos ido antes pelo barco. Meu cabelo se encontra em meu rosto, molhado.

Guardo a besta quando Henry lança a corda por cima do muro que separa a costa rochosa dos estábulos dos fundos do palácio. Eric vai primeiro, seguido de Nicole, Henry, Arthur, eu e Leila. Os estábulos estão vazios... não há guardas ou animais.

- Está acontecendo alguma coisa no Salão de Baile. - Leila comenta, ainda acima da mulhara, se curvando para ver as regiões da frente do palácio. - Vocês usaram uma porta por aqui para fugir, - Ela olha de mim para Arthur. - Lembram onde é que está?

Na parede de pedra onde devia estar a porta, não há absolutamente nada, apesar das escadas continuarem no lugar. Não cogitamos isso. Temos de ir para o plano B, que na verdade, não existe.

- Ali. - Arthur fala de repente e sobe as escadas fixas nas paredes, até que começa a puxar uma pedra específica. Ouço metal ranger e um conjunto de pedras se move deste mesmo lugar. A porta foi aberta e o túnel ainda se estende para a Sala de Jantar.

Passamos por ele. Nossos passos ecoam pelos corredores com fedor de poeira. O silêncio reina. Leila respira fundo antes de abrir a porta. Ponho a flecha na besta, e é visível que todos fazem o mesmo: se preparam, apertando o cabo se suas espadas e posicionando as flechas nos arcos. A madeira range enquanto ela abre a porta, mas a fecha rapidamente com os olhos arregalados de raiva.

- Recuem! - Ela grita, nos deixando confusos. - Tem vários guardas! Corram.

Flechas atravessam a porta. Esse é o estopim para nossa corrida de volta à porta. Tudo o que fazemos é à base de esperança... A saída pode estar igualmente barrada por guardas.

Nicole pega o arco e o arma com duas flechas antes de reabrir a porta de saída. Ninguém.

- Voltaremos à Gerundium? - Pergunto arrasada. - Tem várias outras maneiras de entrar...

- Eles já sabem que estamos aqui. Vão barrar todas as entradas quando puderem. - Nicole explica-me sem papaciência, mas não vou aceitar.

- Ali estão eles! - Um dos guardas grita. Lembro-me dele. O mesmo que matou Lili. São inconfundíveis a sua estatura e seu nariz reto. Antes que qualquer um o ataque, lanço uma flecha em sua garganta. Não me sinto tão satisfeita quanto esperei um dia sentir quando Liliane fosse vingada.

Uma multidão de homens armados surge. As flechas lançadas nos impedem de chegar definivamente ao muro. Corremos para o estábulo, mas nada impede das flechas chegarem até nós a não ser os escudos. Andamos de costas até o muro, e ficamos de guarda pra que Henry passasse a corda por cima do muro. Ele tem um cabelo loiro maior que o meu. Subimos um por um, sempre dando cobertura. Serei a última. Não posso pôr a missão a perder. Estão contando comigo e não vou vacilar. E não posso deixar Arthur sofrer com isso. Ele é o principal que não vai sofrer quando isso tudo acabar. Quando Arthur subir, vou jogar a corda para eles e sinalizar que não vou recuar. Ou era isso que eu planejava, pois Arthur para.

- Você primeiro. - Digo, mas ele nega com a cabeça. - Sou totalmente capaz de tomar minhas decisões sozinha.

- Não exagere. Suba logo. - Ele retruca calmo.

Suspiro e subo, minhas mãos na corda e meus pés no muro, escalando. Meus pés vão de encontro ao chão do outro lado e vislumbro os outros já no barco. Arthur desceu e puxou a corda. Já estou seguro de que ele vai voltar, então faço minhas asas crescerem.

- Não seja teimosa. - Ele pede. - É suicídio. Você vai ficar com raiva, mas não vou deixar que você se mate.

- Você não tem que cuidar de mim.

- Olha, sobre a irmã de seu amigo lobisomem... - Ele começa se explicar com um suspiro.

- Do que está falando? - Me irrito com o que acho que ele está pensando. - Não acha que que estava com ciúmes, acha? - Ele me olha fixamente. Esse é o seu sim. Eu estava com ciúmes, mas nada do gênero me levaria a algo assim. - Eu nunca faria isso por um motivo tão insignificante. Nem tudo gira em torno de você, sabia?

Ele pega minhas mãos e meu coração salta. Espero que não esteja escutando minhas batidas irregulares no peito.

- Eu não estou tentando me fazer de importante. Me perdoa, por favor... - Ele pede suavemente.

- Eu não estou fazendo somente porque te amo. - Digo, irritada. - Estou fazendo isso para salvar todas aquelas pessoas.

  Ele fica pálido e só depois percebo que fui sincera demais.

- O que disse? - Ele parece incrédulo.

- Esquece o que eu disse. - Minha voz embarga e respiro fundo. Eu não vou chorar. Eu no vou chorar. Eu não posso chorar agora. - Eu... não devia ter dito... nada.

Arthur só olha diretamente para mim. Sei o que ele vai falar de volta.

- Não ache isso. Eu também...

- Não fala nada. - Digo, minha bochecha ficou úmida e minhas vista começou a ficar trêmula com as lágrimas. - eu vou me sentir culpada.

- Só... Volta viva. - Ele pede e me abraça.

Pode ser a última vez. O aperto de volta com carinho e desespero ao mesmo tempo. Pôs meus lábios sobre os seus e limpou minhas lágrimas.

- Não posso te prometer nada. - Advirto.

- Você consegue. - Ele diz, beija minha mão e corre para o barco. Para a equipe de busca. Aceno e alço vôo.

- O que você pensa que está fazendo? - Nicole grita para mim, furiosa. - Retorne agora mesmo!

Continuo a voar. Os estábulos ainda estavam cheios de guardas, mas nenhum pareceu me ver. Se a melhor maneira de entrar é por cima, por lá irei.

Uma janela está aberta e dá para uma sala vazia. Aproveito essa para entrar. Nenhum sinal de vida, somente móveis velhos. Uma escada leva a algum andar com lareira. Ouço o crepitar do fogo, mas nenhuma voz. Da mesma maneira, é perigoso, mas o que não é perigoso por aqui?

Desço e encontro uma pequena biblioteca, um conjunto de três sofás marrons de canto, uma mesa de jantar pequena e a lareira. A mesa está posta, com vinho - sinto o cheiro exalar dos cálices - e carne.

- Você aqui? - A voz vem de trás da escada. Thomas está com orelhas sob os olhos e balançando em círculos o vinho em sua taça. - Pensei que demoraria mais até que viesse. - Ele conversa comigo como se não tivesse acontecido absolutamente nada. - Que bom que está de volta. Sabia que mais cedo ou mais tarde entenderia.

- Eu não... - Tento formar uma frase, mas não consigo o decepcionar ainda mais. Não posso, atualmente, me preocupar tanto com o que ele sente. - Eu não fugi de Gerundium. Ainda sou um deles. - Digo, e ele não reage, então continuo. -Não vai alertar que estou aqui?

- E eu estou te dando uma chance de se juntar ao lado vencedor. - Thomas dá o último gole do vinho e repousa a taça na mesa, se aproximando de mim e tirando uma caixinha do bolso. Recuo à medida que ele se aproxima de mim. - Não vou te machucar. - Ele engole em seco. - Sabe o que eu ía te dizer naquele dia? Eu ia te pedir...

- Em casamento. - Digo antes dele. - Eu sei. Thomas, eu não quero essa vida.

- Estou te dando uma chance. - Ele repete, mas dessa vez em tom de alerta. Deixo minha expressão firme, para sinalizar que eu não preciso nem pensar, pois meu lugar não é aqui. - Então eu sinto muito.

Thomas puxa a espada de uma estátua me ataca. Minha besta não adianta de nada agora. A espada é muito grande. A largo no chão, tentando pegar a minha espada, mas não dá tempo para pegar antes da primeira investida. Desvio facilmente para a esquerda. O escudo me atrapalha, portanto o solto e pego a minha escada com força. Se ele quiser assim, então será assim. O próximo ataque é dele, que tenta pôr a lâmina no meu pescoço, mas me abaixo. A espada passa direto. Passo-lhe uma rasteira, mas ele salta e também desvia. Estou no chão, em desvantagem.

Thomas me ataca repetidas vezes e rebato com a espada. Seu golpe, dessa vez, é tão forte que vibra da ponta dos meus dedos até meu tronco, e solto a espada. A lâmina da espada de Thomas vem rápido para minha testa, mas diminui até parar, antes me tocar. Ele respira fundo, ainda olhando para mim.

- Eu não vou traí-los. - Aviso, mais ríspida do que pretendia.

Thomas desaba ao meu lado e abraça os joelhos, soltando sua espada. Não contenho o suspiro de alívio.

- Eu não consigo. - Ele diz, quando olho para ele. - Vá. Eu não vou falar para ninguém que está aqui.

- Obrigada. - Consigo dizer, pego minha espada e a besta, saindo sem olhar para trás, mesmo consciente do peso do olhar de Thomas.

O corredor pelo qual saio é estranhamente familiar, mas não consigo me lembrar se realmente passei por aqui. Pelo menos, está vazio. Sigo pela esquerda, pois está mais escuro, então é mais fácil não ter ninguém. Em alguns intervalos, pequenas tochas iluminam o caminho. O corredor segue reto para uma porta que tenho certeza que conheço. Esse reconhecimento me manda uma onda de perturbação. É o escritório de Marisa. Thomas entregou o Medalhão a ela aqui. Tem uma grande chance de estar escondido aqui. Encosto meu ouvido na porta... nenhum ruído. Abro-a. O lugar não mudou em nada desde o meu sonho.

Fecho a porta atrás de mim e tento raciocinar. Na estante? Pode haver passagens secretas. Mas também há a mesa. As gavetas possuem fechaduras enormes. Gastarei muito tempo para abrir todas. A porta se abre de repente, e me lanço para abaixo da mesa, a qual não posso ser vista do ponto de quem entra.

- Se não sair daí imediatamente, ordenarei sua execução. - Marisa se anuncia. - Saia daí, gerundiana imunda.

É comigo mesmo. Pego a besta e me levanto. Tem seis guardas apontando lanças, espadas e bestas para mim. Não tenho chance.

- Ponha as armas do chão. - Ela comanda para mim.

Antes disso, avalio o material das flechas... bronze. Ponho a espada e a besta no chão.

- Ajoelhe-se e ponha as mãos atrás do corpo. - Um oficial manda.

O faço, e automaticamente um guardas vem pôr a espada na minha nuca para impedir meus movimentos. Outro pega a besta e quando vai pegar a espada, intervenho.

- Se eu fosse você, não faria isso. - Falo como uma criança indisciplinada para exatamente ele pegar a espada.

Como esperado, ele pegou a espada, urrou e a soltou. Sua mão agora exibe uma queimadura de segundo grau. Se não estiver estéril, esse homem nunca mais vai gerar um filho perfeitamente bem fisicamente.

- Metal das sereias. - A rainha comenta enojada. Respira fundo depois de uma pausa e me olha enojada. - Segurem-na firme. - Ela caminha até a mesa, e com o canto do olho, vejo-a abrir a última gaveta e tirar um pequeno baú. Com uma chave pendurada em seu pescoço por uma corrente, ela abre o baú facilmente e pega o que há dentro. Pela primeira vez, vejo o Medalhão de Fama. Marisa caminha até mim com o olhar de expectativa e repousa o Medalhão ao redor de meu pescoço. A princípio, nada acontece. Porém, pele começa a pinicar nessa região, e passa do estado de agonia para dor de queima. Grito com a dor. As correntes parecem afundar na minha pele. Tento soltar minhas mãos do aperto de guarda. Eu tenho que tirar isso de mim.

Grito ainda mais alto quando sinto algo escorrendo. Sangue. Fico tonta e me choco contra o chão, a escuridão tomando conta de tudo à minha volta. Pisco, e quando meus olhos se abrem, na estou em Gaudium ou Gerundium. Estou em uma rodovia de Nova York. No meio. Minhas mãos estão livre, porém não consigo levantar.

Entretanto, a dor se foi. Um caminhão buzina, e a luz de seus faróis me cega. Ponho as mãos por cima dos olhos. O veículo desvia de mim.

- Tem consciência de que posso destruir seu mundo num piscar de olhos? - Ouço Marisa. Ela está na calçada, de pé com as mãos entrelaçadas na frente do corpo. Os carros continuam a buzinar e passar direto por mim.

Ela estala os dedos e um carro se lança contra o outro. Ambos capotam e caem bem longe.

- Você sabe quem é o filho de Ares. Te disseram, não foi? - Contraio os lábios, em sinal de que não direi nada.

Ela olha para um prédio de pouco mais de cinquenta andares. Estende as mãos na frente do que corpo e o prédio cai. O edifício desaba na rodovia e pessoas berram em desespero. Os carros que conseguiram parar a tempo para não baterem no obstáculo agora no meio da pista, são lançados longe por outros carros.

- Você colocaria em risco a vida de milhões de pessoas só para salvar uma? - Marisa me provoca mais uma vez. Pisco e estou de volta à seu palácio.

Marisa retira o Medalhão de mim, claramente irritada.

- Não é você. - Ela diz, segurando meu rosto e o jogando contra o chão. - É Arthur, só pode ser ele. Como vou conseguir aquele menino? - Ela põe a mão na testa. - Ela não tem mais nenhum valor para mim. Podem levá-la para o calabouço.

Ódio atravessa meu corpo. Ela já destruiu quase tudo o que temos e agora vai pegar Arthur. Eu não posso deixar que ela tire tudo de nós. De dentro de mim, jorra algo estranho para fora do meu corpo. Estou em chamas. O guarda atrás de mim me solta. Estou livre.

Voo de encontro a mão de Marisa, que solta o Medalhão no susto. Tomara o que o Medalhão seja resistente à fogo. Escancaro a porta com o Medalhão em mãos e sigo pelo corredor o mais rápido que posso. Uma figura surge no final do corredor. Alex.

Vou direto a seu encontro. Se não sair de minha frente, o matarei. Mas não importa. Ele traiu a quem passou a vida chamando de irmão. Estamos prestes a nos chocarmos quanto ele dobra os joelhos e se abaixa, permitindo que eu passe direto apenas por alguns segundos. Ele lança uma corrente, que se enrolado em minha cintura. Ela me queima, mas tento ignorar a dor e prosseguir. Mas não posso. Bronze faz com minhas asas de contraiam. Continuo gritando quando chego ao chão e Alex retira o Medalhão da minha mão.

- Retire essa criatura daqui. - Marisa manda, pegando o Medalhão de Alex.

- Para onde, exatamente? - Ele sorri demoniacamente ao falar.

- Faça o que quiser com essa imunda. - Ela me lança um olhar de desprezo e sai, me deixando sozinha no corredor com Alex.

A porta do cômodo onde Thomas estava está logo ali. Se eu me aproximar um pouco mais, talvez ele possa me escutar.

- Para onde acha que está indo? - Alex ri debochadamente enquanto põe em mim algemas do mesmo material e retira as correntes.

Ele puxa uma tocha da parede e uma porta é aberta. Uma passagem com escadas que vão para baixo. Ele chuta me puxa enquanto desce. Me sinto um animal de estimação, e se pudesse reagiria para que não fosse assim. Meu quadril dói ao bater em cada degrau no ato de descer. Sofrerei calada. Não vou dar satisfação a ele.

É uma passagem igual àquela na Sala de Jantar. Empoeirado e cheio de teias de aranha. Mas esse não tem iluminação alguma.

- Levante-se. - Ele manda, sem parar de andar.

Como espera que eu me levante assim? Levanto-me com dificuldades, e o sigo pelo escuro. Será que Arthur já chegou em Gerundium? Espero que esteja bem e seguro. Alex finalmente para e gira uma maçaneta, abrindo uma porta que faz luz entrar no corredor. A luz fere meus olhos, pois estavam acostumados ao escuro. Um quarto. Alex sai de trás de mim, fechando a passagem. Me mantenho calada.

- Como está meu irmãozinho? - Alex pergunta, sentando na cama e retirando os sapatos. - Espero que ele não fique brava comigo por tirar sua honra. - Ele sorri maliciosamente. Agora entendi suas intenções.

Não há saídas. Não sei como ativar a passagem e não há janelas ou portas.

- Está sem saída. - Ele diz, se levantando e se aproximando de mim. Tento recuar, mas vou de encontro à parede. - Tente não fazer barulho. Tentei fazer isso com Elizabeth, mas nunca consegui. Sereias têm uma beleza impressionante, não é mesmo?

Alex passa beijar todo meu pescoço. Começo a chorar, mas não com o intuito de resolver alguma coisa. Com suas mãos sujas, ele agarra minha nuca com força e me joga contra a cama.

Nunca me senti tão vulnerável.

☆☆☆




















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