História Entrevista com uma ninfomaníaca - Capítulo 14


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Romance
Exibições 60
Palavras 1.936
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


▪ Leiam as notas finais.

Capítulo 14 - Capítulo Treze Abadia Final


Fanfic / Fanfiction Entrevista com uma ninfomaníaca - Capítulo 14 - Capítulo Treze Abadia Final


  Quando te dizem que tudo é questão de costume saibam que é verdade, viver sem aquelas pessoas se tornou um costume meu, meu pai morreu cinco meses depois de ataque cardíaco, suas últimas palavras para mim foram "Eu sempre soube" mesmo que eu quisesse passar a vida escondendo do meu pai sobre meu transtorno ele sabia, ele era bom em adivinhar essas coisas, e ai eu fiquei com a casa dele e não reformei nada porque papai sabia como manter uma casa elegante.
- Ei estranha. – ouvi Sam atrás de mim enquanto eu me sentava no banco que havia no jardim, ele se apressou para sentar ao meu lado e nós dois ficamos horas observando a grama esverdeada. 
- Acha que um dia vai parar de doer? – eu perguntei baixinho e ele deu de ombros.
- Pode não passar, mas pode se tornar rotina conviver com ela. 
 Não me lembro de ter chorado quando meu pai morreu, me lembro de ter ficado vazia e eu sabia que agora só tinha Sam comigo, lembro de ter ficado dias sem falar e olhava para um ponto fixo, eu havia ficado exausta das perdas. A herança do meu pai cobriu todo o meu tratamento para uma cura de verdade, eu não minto quando digo que Sam foi realmente o amor da minha vida, ele ficou do meu lado a cada instante na clínica, ele lia para mim, me dizia como estava tudo em casa e me falava sobre os rapazes que ele havia conhecido, havia noites em que ele dormia do meu lado na cama pequena, e quando eu pensava que estava ficando com crise o médico vinha e me sedava, dessa vez eu não estava fazendo por ninguém além de mim mesma, essa castigo que eu sempre tive, essa pulsação entre minhas pernas tinha que acabar antes que fosse tarde. 
 Três dias antes de eu receber minha alta Sam foi me visitar com um enorme sorriso, ele me viu saudável e completamente livre de sexo por aquele tempo, ele havia levado flores, uma caixa de chocolates, um lenço pra colocar como faixa e os papéis do divórcio. Ele não precisava mais de mim e nem eu dele, ele decidiu contar para sua mãe o que tanto escondia e visitar outros países atrás de novas pessoas, prometeu que me enviaria e-mails e cartões postais de onde estava e depois foi embora e foi só quando voltei para a casa que realmente me toquei que estava sozinha, mas pelo menos em casa. 
 Foi quando eu comecei a ser professora de literatura nas escolas, eu gostava do meu emprego e do meu salário, de viver sozinha e de não ter ninguém, é tolo pensar nisso não é? Uma pessoa feliz e completamente sozinha. Depois de tudo que eu havia passado de alguma forma eu sabia que no final de tudo isso eu acabaria sozinha, eu não podia ficar com ninguém que fosse come eu e quando eu achei Sam eu não era mais como ele, então o que mais eu poderia fazer além de aceitar esse fato?
  Um dia depois da escola eu decidi tomar um café em uma cafeteria que me lembrava a cafeteria da faculdade, quando alguém se sentou na minha frente então eu tirei meus olhos do meu livro e assim que levantei meu rosto vi Chris, eu nem sabia que ele ainda estava vivo na verdade, eu sorri assim que ele sorriu pra mim, ele me perguntou o que eu fazia lá e eu respondi tudo, não contei sobre Joe ou Morrissey, apenas falei desde quando meu pai morreu e ele me ouviu.
- Foi um erro que você fizesse aquilo por mim, não foi? – ele me perguntou e eu assenti.
 Ele disse que queria se redimir e me chamou para um evento beneficente que teria em Kentucky, me convidou para ser sua acompanhante e só para ter com quem conversar. Então eu fui, o que eu tinha a perder não é verdade? 
 O evento beneficente só tinha pessoas bem vestidas e bem acompanhadas, Chris conversava com boa parte delas, ele conhecia a todos e eu fazia o meu papel de ficar ao seu lado e rir das piadas que eles fazia sobre os convidados serem mesquinhos egoístas que só estavam ali para passar uma boa impressão, eu concordava; Eu jamais pensei que ele ia conseguir ser um cavalheiro, eu sabia que boa parte de sua boa vontade era porque ele achava  que eu havia me curado e que agora poderíamos ficar juntos, porém, eu não o queria mais, eu seria amiga dele se era aquilo que ele desejasse. Não passaria disso. 
 Enquanto eu andava eu pude sentir uma mão envolvendo meu braço e me puxando para a entrada da cozinha que era bem vazia e quase escura, mas ainda pude ver o rosto de Joe que não mudara absolutamente e perfeitamente nada, ele havia me perguntado o que eu estava fazendo lá e disse que sabia o que havia acontecido comigo.
- Morrissey ficou arrasado por dias desde que sumiu. – foi o que ele me disse.
Eu, obviamente, não havia acredito que havia deixado Morrissey arrasado, ele ia se recuperar, era o que ele fazia, se recuperava e curtia sua vida. 
 - Eu falo sério! O rapaz ficou terrivelmente triste, eu achei que ele ia superar... Você o deixou esperando. 
- Eu não o deixei esperando, jamais dei esperanças para ele.
 Joe se calou e me observou por alguns segundos me perguntou sobre minha saúde e eu decidi não dizer que eu não era mais uma dependente do sexo, eu disse que estava bem e depois me afastei dele. Foi uma noite longa, além de fingir aturar Chris, - que, não me entendam mal, era uma boa companhia, mas era exaustivo - eu tinha que ficar quieta me contendo que Joe me observava. 
 Quando voltei para casa depois de uma despedida com Chris, eu jurei jamais vê-lo novamente, eu queria deixar todo o meu passado para trás, eu finalmente aceitei que eu não tinha mais ninguém, e que tudo bem ficar sozinha. 
 De repente tudo começou a se tornar tão lento, minha vida se tornou uma obrigação, se resumia a dar aulas, ler, tomar café e dormir, embora aquele fosse um momento difícil em que eu estava começando a ter uma leve depressão, eu não me lembro de ter chorado uma sequer vez. Eu me assustava. 
 Me lembro quando a vida finalmente sorriu pra mim, eu tinha que voltar para a Califórnia para uma palestra de de pessoas que sobreviveram a vícios, me lembro de ter sentado e alguém ter sentado ao meu lado, eu estava tão desligada que não notei quem era, estava lendo o pequeno folheto que haviam me dado, de repente algumas pessoas surgiram e contaram suas histórias, eu sou tão desatenta, eu nem ouvia o que eles diziam, por que aquele maldito folheto parecia tão interessante? 
- Eu gostaria de ouvir a história dessa aqui! – eu me virei o mais rápido que pude assim que ouvi a voz de Morrissey, ele me olhava, não esperançoso ou feliz, ele estava nervoso e esperava por qualquer movimento meu. 
 Um microfone foi posto na minha mão e eu me levantei, a palestrante me perguntou se estava tudo bem eu contar, eu não sei porque fiz aquilo, não precisava provar nada para eles, mas ele estava lá! E eu não sabia o porquê! Então, eu me apresentei e logo depois de dizer meu nome decidi contar.
- Eu me recuperei do meu vício com... sexo, eu era ninfomaníaca e após passar por um processo longo em uma clínica, eu já estou há bastante tempo sem fazer sexo. – e depois aplausos pra mim, virei meu rosto e ele estava lá com o maxilar travado e o olhar nervoso, braços cruzados e eu percebi o quão lindo estava. 
Morrissey nunca mudou seu jeito largado, calças jeans, uma blusa qualquer, cabelo longo e as vezes sua barba estava por fazer, como eu tive tanta sorte? Tantas mulheres que existem e ele se apaixonou logo por mim.
 Na saída do local ele veio falar comigo, perguntou se eu podia tomar um café com ele, e eu fui, afinal ultimamente eu estava tomando muito café.
 Ele me encheu de perguntas nervosas, me deu sermões e no final disse que sentia minha falta o tempo inteiro, e então, eu perguntei como ele havia se apaixonado por mim.
- Você não é como elas, – ele me disse – não é pura e não sai por ai falando que o mundo é lindo, você é sincera e com certeza não esconde que você tinha problemas, tomos temos, quando eu disse que queria te ajudar, eu falei a verdade! 
 Ele olhou para a minha mão e me perguntou sobre Sam, eu falei do tratamento, da morte de meu pai, do divórcio e como eu estava vivendo, no final ele riu e enquanto ria ele disse:
- Como eu te amo! 
 Eu demorei bastante tempo pra entender o que ele quis dizer, eu fazia parte da realidade, nunca me achei bonita o suficiente, ou interessante, mas pra ele ter um emocional acabado e uma vida quase triste era atraente, mas não pensem que ele é um filho da puta, de jeito nenhum, ele via a minha realidade, era feia e doentia, mas era minha e ele queria que eu compartilhasse com ele, porque ser sem graça era bom quando temos alguém, queríamos ser sem graça juntos.
 Foi assim que começamos uma vida juntos, ele foi o primeiro que eu transei depois do tratamento e foi a primeira vez que me senti normal, não pensei em uma musica ou em uma fileira de pênis e vaginas, eu pensei nele e ia ser assim por um longo tempo. É assim até hoje na verdade. Com ele eu tive sentimentos de verdade, sexo de verdade, uma casa de verdade, um casamento de verdade e um filho de verdade. Eu sou muito grata à ele por ter sido a pessoa na qual me incentivou. Mas sou mais grata ainda por minha força de vontade, eu não digo que ser ninfomaníaca era um castigo e algo abominável, foi parte de mim, até que simplesmente... Deixou de ser.

-
 

Quando acabei de contar, seus olhares para mim foram bem assustadas, algumas boquiabertas e uma com a mão no peito, pareciam surpresas, o gravador continuava tocando enquanto o silêncio prevaleceu, olhei para a janela o sol começando a nascer e o relógio marcavam seis e meia, meu celular começou a tocar e lá estava meu marido avisando sua chegada. 
- Espero que eu tenha ajudado, eu nem sempre posso dizer que sou útil pra isso, porém, foi um prazer falar com vocês. – eu me levantei sorrindo para elas.
- Obrigada. – uma delas me disse enquanto eu saia, ainda as observando eu sorri para elas saindo do quarto.
 Eu só espero que eu não tenha as assustado, me sentia tão culpada em falar aquilo para elas.
 No estacionamento da faculdade ainda vazio, um menino de cabelos negros e olhos castanhos correu em minha direção pulando em meu colo e encostado em nosso carro estava Morrissey com um enorme sorriso.
- Não foi tão difícil. – eu disse sorrindo para ele e ele assentiu com a cabeça.
- Ah já posso até imaginar. 


 -

Uma semana depois:
  Jornal oficial da Universidade de West Virginia, ah meus queridos leitores e colegas desse campus, alguns dias atrás quatro estudantes de psicologia nos presentearam com um maravilhoso trabalho sobre uma ex ninfomaníaca, que um dia já estudou nessa mesma faculdade, estão prontos para lerem a história da senhora Margot Cooper


Notas Finais


▪ Foi maravilhoso escrever essa história porque ela me ensinou bastante coisa de verdade, mas a minha pergunta é qual a visão de vocês sobre a personagem e toda a história em si?
▪ Espero que tenham gostado tanto quanto eu e muito, muito, muito obrigada por terem acompanhado.
▪ Em homenagem à história de Lars Von Trier.


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