História Epifania - Capítulo 41


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Categorias Kuroko no Basuke
Tags Abo, Alfa, Aokuro, Beta, Kikasa, Lemon, Midotaka, Muraaka, Ômega, Universo A/b/o, Yaoi
Exibições 652
Palavras 3.979
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Ficção, Lemon, Policial, Romance e Novela, Shonen-Ai, Slash, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Gravidez Masculina (MPreg), Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Pansexualidade, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Heeey meus amores <33

Eu, antes de tudo e como sempre, quero agradecer de coração todos os favoritos e comentários maravilhosos, eu nunca imaginei que Epifania fosse crescer tanto. Eu sei que sempre falo isso, mas é realmente impressionante ver tantas pessoas legais lendo a história <3
Eu também queria pedir desculpas pelo meu atraso em responder os leitores incríveis que comentam os capítulos mais antigos. Às vezes eu acabo me perdendo, pensando que já respondi e só depois percebo que não. Prometo tirar um dia para responder todos vcs.

E, para finalizar, o capítulo não foi revisado. A Bells não conseguiu entrar mt no notebook essa semana e só entrei para escrever e responder vcs, portanto, peço desculpas por quaisquer eventuais erros.

Um beijão e vejo vocês nas notas finais <3

Capítulo 41 - Capítulo quarenta e um.


Após mais alguns minutos de completo silêncio, Kuroko finalmente acabou soltando um gemido de dor e, quando perguntado o que tinha acontecido, o ômega respondeu que seu braço doía e que, provavelmente, estava quebrado ou torcido. Imediatamente após saber daquilo, Aomine tratou de avisar que eles iriam ao médico e, mesmo após os protestos de Tetsu, o alfa conseguiu convencê-lo a sair do quarto e seguir em direção ao seu carro.  Naquele momento, ele realmente não estava focado nos corpos localizados no beco ao lado, muito menos que Kuroko precisaria prestar depoimento para polícia.  Apenas queria garantir que ele estivesse o melhor possível, independente do quanto aquilo geraria um grande esporro da sua supervisora, Riko, afinal Kuroko era parte essencial da investigação e seus planos eram tirá-lo dali o mais rápido possível.

    Quando então finalmente deixaram o quarto, Kuroko e Aomine se depararam com a figura preocupada do dono da floricultura que, assim que percebeu que estava sendo encarado, voltou a apresentar a mesma expressão rabugenta de antes. Entretanto, quebrando aquela fachada durona, Kuroko se aproximou e puxou suas mãos, mantendo-as entre as suas.  Assim que o ômega então observou melhor os machucados por seus braços e dedos, ele relaxou a expressão e lançou-lhe um olhar compadecido.

    — Você… Você salvou minha vida. – Kuroko falou em um tom agradecido e frágil, fazendo com que o ômega concordasse com a cabeça e tentasse parecer o menos ameaçador o possível.  Geralmente ômegas realmente não pareciam tão ameaçadores, entretanto a arma em seu bolso, a cicatriz cobrindo seu rosto e sua expressão normalmente aborrecida poderiam assustar aquele ômega e, embora ele fosse duro e frio pela vida, ele nunca desejaria fazer mal a ômega algum. — Como você se chama?

    — Hiroki. – Respondeu simplesmente, não por maldade ou falta de interesse, mas por não conseguir ser sociável como uma pessoa comum.  Ele também não estava tão acostumado com contato físico, no entanto, naquele momento as mãos quentes de Kuroko sobre as suas lhe agradavam, quase como se seu corpo sentisse falta de algum contato humano que não fosse unicamente seu irmão.

    — Muito obrigado, Hiroki-kun. – Então, como era do seu costume, Kuroko inclinou-se para frente em agradecimento, não conseguindo conter uma careta de dor pelo movimento súbito e nada delicado.

    — Não faça isso. Ou vai acabar se machucando… –  Hiroki então levou suas mãos até o corpo do outro ômega, ajudando-o a se manter ereto novamente.  Kuroko então lhe lançou um sorriso trêmulo, provavelmente não o seu sorriso normal, mas o máximo que ele conseguia realizar depois de tudo o que havia acontecido consigo.

    E Hiroki o admirou por isso.  Principalmente quando lembrou-se de como havia ficado depois de ter vivenciado uma situação de violência com o “seu” antigo alfa.  Não conseguia sorrir, dormir, muito menos tocar em outra pessoa.  E, embora já conseguisse dormir sem ter pesadelos toda noite e também tocar em ômegas como ele, Hiroki raramente sorria.

    Entretanto, não lhe era mais uma questão que mexesse tanto consigo, pois ele já havia aceitado que muito provavelmente não iria conseguir viver uma vida normal.  Estava plenamente em aceitação com sua atual situação. Provavelmente iria morrer naquele bairro, sozinho (afinal seu irmão uma hora ou outra iria encontrar alguém), cuidando da sua floricultura, pois, mesmo quando toda a beleza fora tirada de sua vida, ele ainda via esplendor entre as flores.  

    Tirando-o então do seu estado pensativo, Kuroko soltou suas mãos e, em um gesto súbito, envolveu seu corpo com o braço menos machucado, em um abraço desengonçado, entretanto, de certa forma, aconchegante.  Hiroki arregalou os olhos, visto que geralmente não recebia gestos de carinho, principalmente de desconhecidos. No entanto, Hiro sabia que aquele pobre ômega deveria estar devastado e, diferente de si, ele preferia manter-se próximo a quem confiava, procurando por carinho.

    Um pouco sem graça, principalmente por não estar acostumado com aquele tipo de situação, Hiroki tentou retribuir o abraço da melhor maneira que podia. O ômega então sussurrou no ouvido do outro que estava tudo bem e que, caso algo viesse a acontecer, ele poderia procurá-lo na floricultura. Não que ele esperasse que Kuroko, de fato, voltasse ali, afinal o ômega parecia ter uma família e pessoas que o amavam e se preocupavam, no entanto Hiroki apenas  sentia uma profunda necessidade de reconfortá-lo naquele momento.

    — Hiro… Ah, olá.  – Outro ômega apareceu no cômodo, entrando no estabelecimento como um foguete, no entanto se interrompendo assim que se deparou com a cena, nada convencional, de seu irmão abraçando outra pessoa.  — Eu sou o Yuri, irmão do Hiro-chan.

    Hiroki, assim que escutou a porta sendo destrancada e percebeu a presença de Yuri, afastou-se do ômega e fechou a expressão assim que escutou o “chan” depois do seu apelido. Não gostava quando Yuri o tratava daquela forma, mas preferiu ignorá-lo, afinal não era o momento para discutir com o seu irmão algo tão banal. Além disso, no fundo, no fundo, ele sabia que seu irmão apenas o chamava assim porque o amava e gostava de ser amoroso  consigo.   

— O que houve, Yuri? – Perguntou prático, como normalmente era. Então, como se acordado da sua distração momentânea, Yuri explicou o que estava acontecendo para os dois ômegas e o alfa desconhecido para si.  Ele logo então contou que a polícia havia chegado e estava ridiculamente brava por ele estar com uma arma, ainda mais por ele um ômega. Além  disso, os policiais lhe faziam perguntas que ele simplesmente não podia responder, tais como quais eram os nomes dos alfas que haviam feito aquilo, o que ele, naturalmente, não fazia ideia.

— Eles tiraram minha arma… Vocês acreditam nisso? – Resmungou quase que como um bebê manhoso, enquanto enfiava as mãos no bolso da calça e seguia em direção ao balcão da floricultura.  Então, retirando uma sacola preta dali, ele abriu um sorriso malicioso. —  Ainda bem que tenho outras.

— Esconda isso, assim como a minha também. Ou eles irão pegar todas. – Hiroki revirou os olhos, visto que seu irmão tinha uma atual obsessão com armas e estava, nitidamente, querendo mostrar seus “bebês” para Aomine, talvez tentando intimidá-lo por ser um alfa estranho.  Yuri, mesmo que não tenha sido agredido por nenhum alfa, também havia adquirido estranhos hábitos de segurança depois que encarou toda a dor do seu irmão. De certa forma, Hiroki sentia-se um pouco culpado por aquilo, embora, fora sua obsessão por armas, Yuri fosse completamente normal. — Além disso, o Kuroko não deve ficar vendo você manuseando isso, assim como o alfa dele.  Você não sabe, mas ele é policial…

— Ai, merda… Desculpa Kuro-chan!  – Então, rapidamente, Yuri pegou a pistola do bolso do seu irmão mais novo e escondeu novamente em um fundo falso da gaveta, junto a mais três armas de porte pequeno. — Você não vai contar nada, certo? Não usamos isso em ninguém, apenas por segurança…

— Não se preocupe quanto a isso. – Aomine cortou então seu possível monólogo, enquanto voltava a se aproximar de Kuroko, apenas para avisar que eles precisavam ir logo ou a polícia iria querer seu depoimento na hora. —  Não volte lá para fora.  Eles irão continuar lhe importunando, pois não o levam a sério. Ligue para o número que eu irei lhe dar e peça para que Kazunari Takao venha.

— Quem é esse? – Hiroki perguntou antes mesmo que seu irmão mais velho pudesse sequer abrir a boca.  Estava preocupado com Yuri e queria garantir que nada daria errado em sua vida, principalmente depois de tantos anos em que seu irmão cuidou de si.  Se fosse o caso, ele até mesmo assumiria a culpa por toda situação, mesmo que ele não tivesse feito nada realmente errado, afinal estava salvando outro ômega das mãos daqueles imundos.

— Um ômega, como você.  –  Aomine respondeu de imediato, não por considerar Takao apenas como um ômega, mas sim para tentar passar alguma calma e confiança para o ômega.  Pelo que havia visto, o alfa já havia percebido que Hiroki nunca confiaria em si para lidar com aquela situação, muito menos em outro alfa desconhecido, portanto trazer Takao era uma ideia maravilhosa. Tanto porque confiava plenamente no novo amigo e sabia que ele seria extremamente justo com aqueles dois irmãos, quanto por Takao, de fato, já fazer parte do caso. — Além disso, ele é um policial muito melhor do que eu.

Assim que soltou aquela frase, Aomine quase pôde visualizar um sorriso presunçoso no rosto de Takao, caso ele estivesse ali escutando aquelas palavras sinceras. E, enquanto deixava a floricultura escondido com Kuroko, Aomine quase sentiu orgulho de si mesmo quando, finalmente, percebeu que Takao ser um policial melhor, sendo um ômega, não lhe incomodava em nada.

E, quando contemplou os olhos claros e profundos de Kuroko, Aomine notou que o ômega sentia o mesmo naquele momento: orgulho de quem Aomine Daiki estava se tornando aos poucos.

_____________________

 

Embora Kuroko tivesse passado boa parte do trajeto do hospital para sua casa em completo silêncio e aquilo, internamente, preocupava imensamente o alfa, Aomine estava disposto a lhe dar todo o tempo necessário. Seu coração ainda estava apertado, principalmente depois da visita ao médico, pois ele pôde visualizar ainda melhor todos os hematomas e machucados pelo corpo do ômega.  Fora os machucados superficiais, Tetsu precisou engessar um dos braços, além de estar agora com uma sacola cheia de remédios para dores no corpo e um saco de gelo em uma das mãos, firmemente pressionado contra seu olho inchado.

    Quando eles finalmente pararam o carro e seguiram em direção à casa de Tetsu, o ômega parou subitamente, fazendo com que Aomine interrompesse o caminho que estava fazendo até a porta.  Ele então seguiu em direção ao companheiro, puxando sua mão livre e perguntando gentilmente o que estava acontecendo.  

     — O Ken… Eu não quero que ele me veja assim. – Sussurrou em resposta, enquanto observava o próprio corpo e fazia uma leve careta. — Eu estou assustador.

    — Acredite em mim, Tetsu, você sumir irá fazer com que o Ken fique apavorado.  Eu… Eu queria dizer que posso convencê-lo a ficar longe de você, mas eu não vou conseguir.  – Confessou o alfa, levando uma das mãos até o rosto machucado de Kuroko e fazendo um carinho muito leve na região. — Ele te ama muito e nunca ficaria assustado com esses machucados. Ele é um garotão forte, okay?

    Kuroko limitou-se a assentir com a cabeça, parecendo um pouco menos receoso em seguir Aomine para dentro. Ele então aceitou a mão estendida do alfa, pensando que estava sendo um tolo em tentar fugir de Kensuke, afinal tudo o que ele mais queria era estar ao seu lado naquele momento.  Portanto, enquanto Aomine destrancava a porta, Kuroko começou a elaborar alguma desculpa para todos aqueles machucados, visto que não poderia contar algo tão horrendo para o seu pequeno Ken-chan.

    No entanto, tirando-o dos seus pensamentos sobre o filho, Kuroko deparou-se com ele.

    Masao, como se fizesse parte da família, estava bem ali.  Na sua casa, no seu seu sofá e bem ao lado do seu filho.  E, como se para multiplicar o ódio que tomou conta de si, Kuroko percebeu como Kensuke parecia contrariado e até mesmo chateado com a presença do seu avô ali.  Então, como se seu corpo não conseguisse mais segurar as próprias feromonas, Kuroko praticamente rosnou de raiva, como um alfa realmente irritado.

    — Saia de perto do meu filho! – Seu tom de voz, mesmo rouco por todos os gritos anteriores, chegou a todos naquela sala, assustando Haru e Makoto, completamente confusos com aquela reação e assustados pelo estado do amigo. O ômega então, embora sentindo a dor física e emocional castigando seu corpo, correu em direção ao filho e o puxou para perto com seu braço menos machucado, sentindo o sangue queimar em suas veias, fazendo-o bufar de raiva.  

    Kensuke parecia confuso, ainda mais depois de ver todos os machucados em seu papai e começou a chorar, afinal, embora seu otou-san estivesse ali, ele claramente não parecia nada bem. Após escutar o choro baixinho, Kuroko virou-se para sua criança e, vendo como ele parecia assustado e temeroso, puxou-o para seu colo apenas com um dos braços.  Ele então o ninou com carinho, embora seu corpo ainda queimasse de dor e, principalmente, raiva em ver aquele maldito homem ali.  

    Foi então que, em meio toda aquela confusão, Aomine teve uma epifania.

    Só havia uma única explicação para aquela reação inesperada e raivosa de Tetsu, principalmente depois de tudo o que ele havia passado: seu pai estava mentindo.  E, pela raiva que Kuroko carregava em seus olhos geralmente calmos, não havia apenas mentido sobre tê-lo ajudado, ele havia aprontado mais alguma e Aomine, definitivamente, precisava saber o que diabos havia acontecido.

    — Tire-os daqui. –  Com a voz alarmada e todos os instintos de seu corpo agindo sobre si, Kuroko estendeu Kensuke para Haru e apontou para o filho pequeno dos amigos.  Isso porque ele conseguia sentir bem profundamente as feromonas de Aomine começarem a sair do controle, conseguia sentir a raiva crescendo e tomando conta do alfa, quase como se ele, de fato, fosse seu alfa e eles já estivessem completamente ligados.

E quando um alfa começava sair do controle, um sinal de alerta deveria ser ativado, pois as coisas, definitivamente, não ficariam boas.  

Kensuke então voltou a chorar, confuso demais por estar sendo arrastado para fora dali por Haru e por um Makoto segurando seu bebê no colo.  Entretanto, embora o coração de Kuroko se apertasse em vê-lo assim, ele nunca permitiria que Kensuke continuasse ali e visse seu pai entrar em descontrole, visse toda violência e raiva que um alfa poderia ter. Porque era exatamente assim que Aomine estaria assim que soubesse de toda a verdade.

    — Você nunca tentou salvá-lo. – Aquilo não soava como uma pergunta, mas sim como uma sentença.  Seu rosto parecia frio, embora seu interior fervesse em uma raiva alarmante. Suas pupilas, mais uma vez, cresciam naquela noite e seu corpo se envergava, quase como se ele fosse se transformar em um animal a qualquer momento.  — Você o deixou sozinho, apenas me avisou depois para tentar me manipular.

    — Não, nunca tentei salvá-lo… Mas, filho, eu…

    Então, sem esperar que Masao pudesse continuar com suas desculpas, Aomine rosnou com uma raiva insana, disparando para o outro lado da sala, atrás do seu pai. Em toda sua glória e boa forma, não foi difícil para que ele segurasse seu pai com força, chegando a machucar em seu aperto.  Ele parecia louco, completamente insano e perturbador, com um brilho desconhecido tanto para Masao quanto para Kuroko em seus olhos escuros. Aomine nunca pareceu tão animalesco e alfa em sua alfa e, tudo o que Masao mais queria ver em seu filho, lhe aterrorizou completamente naquele momento.

    — Eu confiei em você… E você me enganou. –  Ainda com as costas um pouco curvados e com as mãos segurando seu progenitor, Aomine o lançou no chão em um baque alto, fazendo com que o homem gemesse de dor.  — De novo.

    Foi então que veio o primeiro soco.

    Quase como se um flashback passasse em sua cabeça, Aomine descontava todo seu ódio de anos.  Ele conseguia lembrar-se com tanta clareza de tudo: das palavras maldosas, das mentiras, da dor que sentiu quando sua mãe foi embora, do preconceito que levou consigo por tantas anos e fez com que ele perdesse o amor da sua vida e seu filho por tantos anos. E tudo isso por causa de um único homem.  Tudo isso por causa daquela que ele deveria confiar, amar e respeitar, mas que, naquele momento, ele apenas queria arrancar sangue.

    Seus punhos eram fortes e a cada soco dado, Aomine repetia “de novo”, quase que em um looping por todas as mentiras e dores que teve por conta de Masao.  Ele conseguia escutar de longe gritos, conseguia sentir a carne macia do rosto do seu pai sendo esmagada pelos nós dos seus dedos, conseguia até mesmo sentir o ódio do seu corpo sendo canalizado para seus braços, mas, definitivamente, ele não conseguia parar.  Não conseguia parar e deixar seus instintos alfas de lado, como se seu corpo estivesse esperando por aquele momento desde que teve seu primeiro cio.

    O animal irracional dentro de si havia acordado e Aomine simplesmente não conseguia mais domá-lo sozinho.

    Foi então que algo o atingiu, quase que imperceptível em meio às suas próprias feromonas e aos gemidos de dor e aflição de Masao:  as feromonas de Tetsu.  Ele estava com medo. Não apenas com medo, Tetsu estava completamente aterrorizado. No entanto omine ainda demorou para se afastar e perceber o quanto seu descontrole estava afetando o ômega, pois seu corpo parecia agir quase que mecanicamente. O sangue, a dor e, principalmente, o domínio sobre o corpo daquele que lhe causou tanto dor parecia alimentar seu animal interior, mesmo que, normalmente, Aomine nunca agisse de modo tão violento.

    —  Aomine-kun, p-por favor, deixo-o. – Embora estivesse o escutando, Aomine não parou imediatamente, apenas diminuiu a intensidade dos seus socos. No entanto, ele precisou parar um pouco assim que sentiu um peso em suas costas e braços o envolvendo com firmeza e tentando, mesmo que inutilmente perante seu domínio alfa, afastá-lo dali.  — D-dói tanto… Pare com isso!

    Então, escutando com clareza aquelas palavras, além do choro e das lágrimas quentes caindo contra seu pescoço, Aomine finalmente parou. Seu coração nunca pareceu tão acelerado, seus punhos carregavam sangue vermelho e viscoso e, de uma maneira assustado, todos os seus membros tremiam por conta de seus instintos e feromonas de ódio.  Mas sentir o terror de Kuroko tão perto de si, além de todas as suas feromonas de submissão, dor e desespero fizeram com que a besta dentro de Aomine voltasse a adormecer, como um animal cansado.

    Ele nunca em sua vida quis proporcionar tudo aquilo em Kuroko, embora ele soubesse que fosse o desejo de muitos alfas por aí.  Nunca quis vê-lo submisso daquela forma fora dos seus lençóis quentes (claro, quando o próprio Tetsu sentia-se bem assim), nunca quis vê-lo tão aterrorizado, principalmente sendo o motivo de toda aquele medo.  Aomine, apesar de ter carregado a ignorância do preconceito por tanto tempo, nunca em sua vida desejou ver um ômega daquela forma, ainda mais sendo Kuroko Tetsuya.

    — T-tetsu, me desculpa. E-eu… Eu não sei o que deu em mim. –  Sua voz soou desesperada, principalmente ao perceber que Kuroko não parecia escutá-lo mais, apenas chorava tão dolorosamente que Aomine apenas queria voltar no tempo e apenas ter expulsado seu pai dali.  Sentia-se agora tão estúpido por ter deixado seus instintos guiarem seu corpo e terem tomado conta da situação, pois, mais do que tudo, ele deveria ter percebido que Kuroko não estava preparado para outra cena de violência, principalmente envolvendo o ódio de um alfa.  

    — Saia daqui. – Sussurrou friamente, enquanto tentava tocar em Kuroko, mas esse apenas se encolhia no chão, parecendo reviver seu looping de terror daquela noite.  Aomine queria chorar por vê-lo assim, entretanto nunca o faria na frente daquele homem. — Nunca mais se aproxime de mim, dos meus amigos e, principalmente, de Kensuke e Tetsuya.

    Masao então levantou-se do chão, encarando aquela cena com uma dor real em seus olhos, agora, realmente inchados.  Ele nunca esperou ver seu filho odiando-o tanto e, embora nunca tivesse pensado em outra pessoa em sua vida, Masao realmente arrependeu-se do que havia feito, visto que, nitidamente, Aomine estava sofrendo como ele nunca havia visto ante.  Então, antes que seu filho pudesse voltar a atacá-lo ou que os vizinhos voltassem a aparecer, Masao escondeu o próprio rosto completamente ensanguentado e dolorido entre as mãos e, sentindo seu coração doer pela primeira vez em muito tempo, deixou aquela casa e sua família para trás.

    — Tetsu, me perdoa, por favor. – Aomine, assim que avistou seu pai sair, voltou a chamar por Tetsuya, embora o homem continuasse a ignorá-lo.  Ele então sentiu um soluço escapar por sua garganta e um choro descomunal deixar seu corpo, quase como se ele tivesse segurado aquilo por muito, muito tempo. O que era, de fato, uma verdade.

    Seu corpo tremia, enquanto palavras de súplica e desculpas saiam por seus lábios úmidos. Ele ficou tanto naquela mesma posição, fazendo as mesmas coisas que, naturalmente, nem percebeu que Makoto havia voltado e, assim que visualizou a cena, decidiu deixar os dois se resolverem.  Estava apenas tão desesperado e tão envergonhado.  Nunca em sua vida imaginou que ficaria constrangido em ser um alfa, pelo menos, não com tanta intensidade. Entretanto, naquele momento, vergonha, tristeza e desespero definiam Aomine Daiki.

    — Daiki-kun. – Quase como se uma luz atingisse seu coração, Aomine deixou sua dor e sua tristeza escondidas e voltou-se para Kuroko, seus olhos arregalados pelo homem ter voltado a falar consigo. Ainda era nítido o quanto Tetsuya tremia e o quanto seu corpo parecia encolhido de medo, entretanto, ele estava tentando e Aomine admirou sua força.  — Você pode chamar o Haru-kun e o Kensuke? Eu queria ajuda para seguir até o quarto e eu sinto, sinto de verdade, que Kensuke está desesperado.

    — Claro, claro. – O alfa então acenou freneticamente, quase que como um cachorrinho adestrado, pois apenas queria acalmar seu ômega da melhor maneira possível. — Tetsu, me desculpe, eu…

    — Daiki-kun – Com a voz rouca, Kuroko balançou levemente a cabeça em um sinal negativo, com apenas mais algumas lágrimas quentes escorrendo por sua face machucada.

Claramente estava sinalizando que não queria falar sobre isso agora, entretanto, embora seu corpo era guiado por seus instintos de medo e suas lembranças terríveis, Kuroko não conseguia visualizar toda a dor em Aomine sem fazer nada.  Ele então, mesmo que quase gemendo de dor por estar desobedecendo claramente o que seus instintos ômegas lhe ordenava, ele aproximou-se lentamente, engatinhando em direção ao alfa.   Então, recusando se entregar ao medo e querendo, mais do que tudo, acalmar seu pobre, tristonho e assustado Aomine-kun, Kuroko o abraçou com força.

— Tetsu… – Aomine retribuiu o abraço com seus braços longos, tentando aproveitar ao máximo aquele ato tão bondoso e amoroso do seu companheiro para consigo, entretanto, assim que percebeu como Kuroko praticamente gemia de dor e como seu corpo se encolhia instintivamente. ele afastou-se.  Antes do seu próprio bem, Aomine queria o bem de Kuroko. — Eu te amo, Tetsu.  E, por esse motivo, eu vou deixá-lo com Haru e Ken hoje, pois eu realmente não quero que seu corpo reaja assim ao meu, muito menos quero que você sinta medo quanto está comigo.

— Obrigado, Daiki-kun… Mas eu não estou com medo de você, apenas delas. –  Sussurrou gentilmente, enquanto afastava-se um pouco de Aomine e sinalizava ao redor.   Não foi preciso mais explicações para que o alfa entendesse, afinal ele mesmo conseguia sentir ainda suas feromonas anteriores.  Ele então sorriu para Tetsu, embora estivesse completamente triste e destruído por dentro, pois realmente queria demonstrar para o ômega o quanto estava agradecido por Tetsuya, embora ainda com medo e provavelmente marcado por conta daquela noite terrível, ainda estar tentando acalmá-lo e demonstrar que gostava de si.  

Finalmente, mesmo com seu corpo e seus instintos protetores alfas gritassem para que ele ficasse, Aomine precisou deixar Kuroko para trás e seguir até seus vizinhos. Ele então explicou, de forma muito rápida e prática, o que havia acontecido e pediu desculpas para Makoto e Haru por toda aquela situação, enquanto abraçava seu filho e pedia, amorosamente, para que ele cuidasse bem do seu outro papai. E, antes de ir embora com Haru para própria casa, Kensuke prometeu arduamente ao seu pai que iria cuidar muito bem do seu papai Tetsu.

Então, na madrugada daquele dia terrível, Aomine observou, silenciosamente, Kensuke e Kuroko dormindo juntos. O garotinho abraçava seu pai com carinho, enquanto Kuroko segurava uma das mãozinhas pequenas do filho de ambos.  Aomine quase sorriu ao vê-lo conseguir dormir depois de tudo, principalmente estando ao lado de quem eles dois tanto amavam: Kensuke. Entretanto, embora parte do seu corpo estivesse mais relaxado ao contemplar aquela cena, Aomine não podia deixar de temer profundamente que Kuroko nunca mais conseguisse superar aquela noite e aquilo, consequentemente, destruísse toda a jornada  de amor, carinho, confiança e respeito que eles estavam construindo juntos. 


Notas Finais


Olá novamente <33

Eu espero que vcs tenham gostado do Hiroki e do seu irmão, assim como eu gostei bastante de escrever sobre esses dois. Uma perguntinha: vcs querem que eles voltem a aparecer?
E o que vcs acharam da reação do Aomine com o Masao? Ele deveria ter sido tão agressivo ou não?
Acham que o Masao irá sumir de vez ou voltará para vida do filho?
E, por último, mas não menos importante: o Tetsu irá conseguir superar esse momento logo ou não?

Se vocês puderem comentar o que acharam, eu vou ficar muito feliz, pois eu realmente adoro ler a opinião de vcs. Eu me sinto muito próximo de todos os leitores e é muito legal rever vcs <33

Espero que tenham gostado do capítulo.
Um beijão, um bom final de semana e até o próximo <33


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