História Época de Pêssegos - Capítulo 46


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NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Escolar, Famí­lia, Festa, Ficção, Romance e Novela
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Pansexualidade, Sexo, Transsexualidade
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 46 - EPÍLOGO - Capítulo 46


A filha da ex-diretora da escola Domini convidou todos os ex-alunos para confraternizar os 30 anos da escola, o que achei uma boa, pois poderei rever meus amigos, minhas amigas, colegas e conhecidos dentro de um lugar tão especial como foi a escola em que estudei.

Antes de entrar na escola, vi um outdoor na frente: ''No Domini, vivemos os melhores anos de nossas vidas''. Condizia, por completo, com minha realidade.

Ao cruzar o portão da escola, fiquei bastante feliz de voltar pra lá. Tantas lembranças que julguei enterradas, não estavam. Nunca estarão.

A quadra estava toda enfeitava com balões e meus olhos varreram o lugar à procura dela. Não sei como reagiria à vê-la. Não sabia se estava namorando, casada, com filhos. Pensar nisso dava medo, mas respirava fundo.

Tocava bastante músicas recentes, porém achava que iria tocar músicas dos anos 90 pros anos 2000, porém, sem sucesso, tive expectativa muito alta achando que iria tocar as músicas do CD Época de Pêssegos. As garotas que gostavam de mim naquela época me abraçaram e disseram que algumas já tinham encontrado o William de sua vida e outras ainda gostavam de mim, perguntaram mais sobre a minha vida e coisas do tipo.

Encontrei mais pessoas, algumas estavam diferentes, outras nem tanto.

A Luna e a Rachel estavam perto da mesa de bebidas. Aproximei-me delas e ficamos conversando. Descobri que, irão adotar gêmeas em outubro! Eu fiquei bastante feliz por elas e Luna comentou que Katherine tem uma novidade para contar, mas preferiu ficar calada e dar um mistério, pois é um assunto tão alegre que não se dá para se conter — palavras dela. Então, Rachel falou:

— A Elizabeth chegou de San Francisco na semana passada.

Meu coração ficou batendo mais forte à simples menção do nome.

— Sério?

— Aham, parece que ela foi ao show do Third Eye Blind ou foi de outra banda da Califórnia ou San Francisco, sei lá.

— Ela tá namorando?

— Namorando? Pffffff, ela não namora desde o século passado. — interrompeu Luna, com um coquetel na mão rindo e fazendo gestos com a mão.

 Bem, somos dois. Ela ia aos shows de nossas bandas favoritas e eu aqui, mofando.

— Olha só quem está ali. — Rachel apontou.

Meu coração disparou e olhei.

Alarme falso. Lá vinha Katherine, toda sorridente, apresentando o marido, que usava uns óculos redondos e parecia um japonês, dizendo que já estava esperando a visita da cegonha. Uma menina.

Disse também que vai ser bastante indeciso qual madrinha será, porém sabia o padrinho — que seria eu. Luna sugeriu que fosse a Elizabeth, pois ela e Rachel já são madrinhas de 3 crianças e ter que gastar 4 vezes para presentes com seus afilhados era de dar dor de cabeça. Rimos bastante e conversamos mais.

— Só espero que ela venha com saúde, seja feliz e encontre amizades tão boas quanto as que encontrei! — Katherine nos abraçou, rindo.

O DJ, finalmente, começou a tocar músicas antigas, uma atrás da outra... O que fez Katherine ficar emocional, pois ela amava as músicas daquela época da Damata, das festas que fazíamos nas casas dos amigos, embaixo dos prédios, os sucessos de nossa geração...

Sempre flashbacks como os que vinham na minha cabeça. Parecia que havia entrado em uma máquina de tempo. Momentos perdidos, momentos esquecidos, momentos únicos. Todos aparecendo como num clipe.

Quando voltei ao planeta Terra, eu vi. Não sei se era pela iluminação do lugar, mas o cabelo dela estava vermelho. Ela conversou com Luna, Rachel e Katherine, mas fui direto ao banheiro.

Meus poros podiam abrir e me transformar em uma pintura de Monet, ou em um borrão. Quando entrei, havia um garoto que me lembrava alguém.

— Oi, William.

Quem era esse que sabia até meu nome?

— Oi.

Ele se olhou no espelho, depois mexeu no cabelo e me olhou pelo reflexo, com a mão na maçaneta da porta. Era o Daniel. Não o reconheci tão forte, parecia um maromba.

Saí do banheiro e ele já estava falando com a Elizabeth, botando a mão na bunda dela e ela insistia para que tirasse a mão boba dele de lá, mas ele dizia que era para proteger o bem dela.

Magoado, fui para mesa de bebidas e pedi uma vodka com suco de laranja. Enquanto a bebida não chegava, fui mexer no celular lendo o Facebook.

— Achei que não viria, mocinho.

Quando olhei para cima, era a Elizabeth. Pela primeira vez, a vi de vestido. Ela estava com suas mãos na cintura, rindo de mim. Ela estava muito bonita.

— E eu achava que você não ia me procurar.

— Mas te procurei, ué.

— Isso é o instinto inteligente de ser.

Ela riu e sentou-se ao meu lado, pedindo água.

— Você pintou o cabelo?

— Na verdade, isso é peruca. Eu não tenho coragem de pintar meu cabelo, eu acho que... — a interrompi, dizendo:

— Você fica mais bonita de cabelo natural. Você não precisa de perucas. — ela sorriu, olhando pra baixo e depois olhou pros meus olhos.

— Pelo jeito, você mudou nada.

Eu ri e ela riu de volta.

— Você tá com alguém? — perguntei.

— Não.

— Nem eu.

Nós ficamos nos encarando.

Estava tocando Wonderwall vindo do dancing, o que a fez sorrir.

— Essa música é das antigas.

— É.

— Tá reconhecendo a trilha sonora?

— Sim, aquele CD?

— É, sim. São as músicas da nossa época.

— Foi uma ótima época. — falamos juntos, o que nos fizemos rir sobre.

— Quer dançar? Você sabe, em nome dos velhos tempos...

— Claro.

Eu pus as mãos em sua cintura mais forte do que seria necessário para não deixá-la desequilibrada, já que também estava usando salto alto pela primeira vez.

— Antes, tenho de falar uma coisa para você... — ela sussurrou em meu ouvido.

— Você é casada e tem três filhos?

Ela deu uma gargalhada.

— Não... É que...

— O quê? — falei, tirando o seu cabelo do pescoço.

— Você já conheceu alguém que valesse a pena?

— Sim... — eu comecei, meio nervoso. — Um dia, muitos anos atrás, vi uma garota linda e, quando olhei para ela, não soube nem explicar o que senti. Achei que nunca mais fosse vê-la de novo, mas vi e então compreendi o que senti só podia ter sido amor.

— Era amor?

— É.

Ela ficou calada.

— E essa garota é você. Você sempre foi meu primeiro amor, Lizzie. Eu posso ter me apaixonado por algumas enquanto estávamos em hemisférios diferentes, mas se teve uma garota que ainda amo demais, é você.

Ela sorriu e a beijei, fazendo algumas pessoas do dancing que apoiavam nosso relacionamento na época, aplaudiram e soltaram gritos. Só faltava fogos de artifício.

— Eu tenho que te confessar uma coisa, Willis.

— Eu também tenho.

— Começa, então.

— Ai, mas quem começou foi você. Ok, eu falo. Eu roubei a sua fotografia de nossa turma do 8º ano.

— Não! — ela quase gritou de felicidade.

— Foi.

— E fui eu que roubei a da sua.

Nós rimos.

— Às vezes, queria voltar à nossa época de colégio, quando tudo era mais fácil... — eu disse.

— Nunca foi fácil, William. A gente só fingia que era.

— Eu nunca fingi pra você. Você sempre foi a garota com quem queria estar.

— Sempre?

— E sempre será.

— Eu nunca soube disso.

— Está sabendo agora.

Houve um silêncio.

Ela sorriu para mim, que segurou no meu rosto.

— Tinha mais de mil garotas a fim de você no colégio.

— É, talvez. Mas nenhuma delas era você.

— Não. Uma delas era eu, sim.

— Era?

— É.

— É?

— Sim, você sabe disso. Você sabia.

— Eu não tinha certeza.

Nós rimos e fomos conversamos mais e mais.

— Só me promete que desta vez você não vai fugir.

— Nunca mais, Elizabeth.

— Você promete?

— Prometo.

— Vai ser sempre época de pêssegos?

— No momento, está sendo. Mas sempre será.

No meio de tantos beijos, a arrastei para o lugar mais escuro que pudesse encontrar, e encontramos esse lugar: o vestiário masculino, atrás da quadra. Depois veio um nervosismo imenso, não sei de onde.

— Peraí, William.

— O que foi?

— Eu tô nervosa.

— E tu acha que eu não tô?

Ela riu, de olhos fechados. Ela os abriu e falou:

— William?

— Sim, meu amor?

— Me beija, vai...

A beijei e com as mãos tremendo, alcancei o zíper de seu vestido e baixei.

— Acha que tem só isso de ousadia? — então, ela começou a tirar a minha camisa.

Nós se olhamos, sorrindo.

Ela foi até o zíper da minha calça e o abaixou e ficamos rindo, como dois panacas que estavam perdendo a virgindade pela primeira vez.

Eu a segurei pelas pernas, erguei-a do chão e usei a camisinha. Ela me abraçava, apertando minhas costas e cada músculo. Nossas bocas não se desgrudavam em uma busca incessante uma pela outra, como se nossas línguas não pudessem viver longe uma da outra. Eu fechei os olhos e rocei o meu nariz no dela. Era a minha primeira vez com a garota que sempre amei e que para sempre amaria.

— Caramba! — sussurrei. — Foi perfeito.

— Foi.

— Eu sempre soube que era para você ser minha. — eu disse, com a voz meio rouca, apoiando-a mais na parede.

— Eu sempre fui sua. E sempre serei, William.

— Lembra quando eu disse que queria que meus filhos conhecessem o lugar especial onde conheci a mãe deles?

— Lembro, foi no seu aniversário de 14 anos.

— Então, o lugar especial é esse aqui. Nosso colégio.

— Não é o Líbano?

— Não, a gente se viu lá. Mas se conhecemos mais aqui...

— Foi mesmo. E onde tudo começou.

— E eu quero te dizer mais alguma coisa.

Ela ficou calada, me encarando.

— Quer se casar comigo? Eu não estou com aliança aqui, mas prometo lhe dar amanhã.

— Que pergunta mais idiota é essa? Aliás, retórica? Pois você sabe que eu sempre lhe direi SIM!

Nós se beijamos mais e só senti o calor de sua pele, já que estava com muito frio, eu mordi o pescoço dela e ela sorriu, fingindo estar com dor.

— Teremos filhos maravilhosos. Uns dez filhos, pode ser? — falei.

— Acho que meu útero vai ficar meio destruído, não?

— Então iremos adotar animais e ter uns filhinhos. Agora pode?

— Pode sim, senhorito.

— Agora eu sou senhor, pois estou quase em se casar contigo.

Ela riu.

— Será a senhora Kiëfer.

— Claro, né.

E, para sempre, será época de pêssegos.



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