História Erros do passado - Capítulo 9


Escrita por: ~

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Categorias Supernatural
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Palavras 4.161
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Lemon, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Violência, Yaoi
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Aqui estou eu, novamente!
Queiram m desculpar pela demora.
Uma excelente noite de segunda.
Boa leitura!

Capítulo 9 - Assumindo sentimentos


Fanfic / Fanfiction Erros do passado - Capítulo 9 - Assumindo sentimentos

Capítulo 9 — Assumindo sentimentos

Três dias se passaram desde que Jared foi sequestrado. Três longos e angustiantes dias para Hellen e Luci, mas também para o detetive Pellegrino que se empenhava cada vez mais no caso com a ajuda de seu fiel assistente Jason, em descobrir e prender os membros da quadrilha Dark Moon. Para o homem, virara questão de honra encontrar e punir os responsáveis pelo sequestro do filho da senhora Lawless, pois, sem perceber, não agia mais de modo puramente profissional. Suas emoções eram uma constância refletindo-se na dedicação total ao caso, tanto que seu próprio assistente temia que ele estivesse adentrando em território pessoal. O que o jovem não sabia era que era tarde demais para temer.

No entanto, não apenas a rotina da família de Jared e dos policiais envolvidos no caso havia sido alterada. Desde que Jensen transferiu o adolescente para o seu quarto, Dannel, após receber o sermão de Jake, fechou a "cara", evitando assim conversar com qualquer um, até mesmo com o seu irmão. O único com quem queria conversa mantinha-se trancado em seu quarto, recebendo apenas Misha Collins, este encarregado de levar refeições para o líder e o garoto convalescente. O que eles não imaginavam era que cada um deles foram envolvidos metodicamente pela teia do destino para que, no final, apenas dois pudessem encontrar o que não lembravam; o que há muito tempo estavam a procura.

Fazenda Muller em Sioux Falls, Dakota do sul, seis e trinta e cinco da manhã.

— Não... Mamãe... Não!

— Jared? — Jensen, que cochilava em um fino colchão posto no chão do quarto, levantou-se abruptamente ao ouvir em alto e bom som os lamúrios chorosos do garoto. Sentou-se na cama ao seu lado.

— Não! Hellen!

O loiro pôs a mão sobre a testa dele. Assustou-se com a temperatura aparentemente instabilizada. A febre voltara novamente.

— Droga! A febre voltou! — resmungou preocupado.

Ainda era cedo. Misha e Jake, os encarregados de ajudá-lo em relação ao garoto, provavelmente ainda estavariam dormindo. E, mesmo que houvesse outro membro da quadrilha acordado, não confiaria a ele os cuidados com o adolescente. Decidiu ser prático. Fechando a porta lentamente ao sair de seu quarto, Ackles seguiu pelo corredor rumo à cozinha. Infelizmente, não a trancou.

Pegou novos panos limpos e água gelada, deixando lá os outros itens que no dia anterior foram usados. Até então, o garoto tinha melhorado. Porém, naquela manhã, isso mudara novamente.

Enquanto pegava o que precisava, decidiu preparar a sopa fortificante para o adolescente. A mesma que lhe dera desde que ele perdera a consciência. Não esperaria Misha acordar. Jared estava novamente febril e se a temperatura se elevasse como no primeiro dia de sua enfermidade, ele poderia entrar em convulsão. Temia que seu estado de saúde regredisse a melhora que conseguira devido aos cuidados dispensados há três dias.

As olheiras eram visíveis em seu rosto. Desde que tomara a responsabilidade de cuidar do garoto, dormia pouco e comia mal, pois ao menor gemido, suspiro e sussurro dele, o loiro estava de prontidão ao seu lado, medindo sua temperatura, dando-lhe remédios, confortando-o de alguma maneira. Agia não somente por instinto, embora evitasse pensar nisso.

Enquanto preparava a sopa, um pensamento sobre sua falecida irmã lhe veio a mente. Há exatos três dias não sonhava com ela.

— Será que o fato de eu estar cuidando do garoto tem a ver com isso?

Verbalizou seu pensamento e sorriu em seguida, julgando-se um tolo. O que tinha a ver uma coisa com a outra? Voltou a se concentrar na panela quente,'' fervendo sob o fogão, imaginando de que precisava apenas de um bom banho e de uma profunda noite de sono para aquietar seus nervos. Desde que sequestrara aquele garoto, coisas estranhas estavam acontecendo consigo. Pensamentos e sentimentos os quais não deveriam ser levados em conta. O que o homem não sabia era que seu comportamento estranho em relação a Jared era apenas o começo do que estava por vir.

Seis e trinta e cinco da manhã, quarto de Jensen.

— Eu quero te apresentar Andrew, querido! Seu novo pai.

ooo

— Ele é um cafetão, mamãe! Como pode trazer esse homem para nossa casa? Como pode pensar que eu iria chamá-lo de pai?!

ooo

— Não... Mamãe... Não! Eu não quero ouvir mais nada sobre esse homem. Saia do meu quarto, agora!

ooo

— Jared, nunca mais fale isso de seu pai!

Ergueu a mão intencionando esbofetear a criança, mas, no mesmo instante, a mão segura de Hellen, deteve-a e, esquecendo-se que Luci era sua melhor amiga, a mulher empurrou-a contra o sofá, colocando-se em frente ao menino.

— Não! Hellen, por favor! Eu não quero que vocês briguem!

ooo

Os pensamentos do moreno eram um mar revolto e incontrolável. Preso em sua inconsciência, revia fragmentos de um passado sombrio, cheio de conflitos e problemas familiares. Os flashes iam e vinham, fazendo-o balbuciar partes do que relembrava. Isso acontecia desde que a febre dominou-lhe os sentidos. Seus delírios, relacionados às lembranças que tanto sufocava, era resultado de pensamentos errôneos, pois pensava que podia escondê-las no fundo de sua alma. O que ele não sabia era que os problemas não podem ser sufocados porque, quando não os enfrentamos, algum dia eles vêm à tona, sugando a paz e usurpando toda a vontade de seguir em frente.

O ruído que a porta fez ao abrir atravessou o pequeno cômodo. Mas Jensen ainda não tinha voltado da cozinha.

Enquanto se aproximava da cama em que o menino estava, Danneel sussurrava as palavras com um sorriso debochado:

— Finalmente! Eu te peguei sozinho novamente, moleque!

— Tá dodói, tá? Saudades da mamãe e da babá intrometida? — seus sussurros mais pareciam uma sinfonia diabólica.

— Deixe-me te contar um segredo, seu moleque: houve uma pequena mudança de planos. Você não vai perder as pessoas que ama, sabia? — inclinou-se sobre o colchão ainda estirado no chão do quarto, pegando o travesseiro largado sobre ele.

— Sabia que os irmãos Grimms foram os responsáveis por histórias regadas a sexo, violência e morte? Mas crianças como você ouvem a versão açucarada, chamadas de contos de fadas.

Seu olhar sobre o menino era frio e totalmente desprovido de solidariedade por seu estado debilitado. Sussurrava suas palavras maldosas na esperança de que ele estivesse as escutando.

— Você vai ter a oportunidade de protagonizar o conto da bela adormecida, sabia? E acredite, fedelho: não existe príncipe para te salvar.

Ergueu o travesseiro, pondo-o sobre o rosto do adolescente, mas, antes de exercer pressão, sua ação foi interrompida por uma voz grave e conhecida:

— O que você pensa que está fazendo, vagabunda?!

Dez minutos antes

O cheiro de sopa temperada preenchia a pequena cozinha improvisada. Jensen fizera o suficiente para o menino e para si, mas, primeiro, cuidaria dele. Alimentá-lo-ia e novamente o medicaria. Simples. Nada demais a se fazer em uma manhã recém-chegada de segunda-feira. Mas...

Parou de mexer a sopa, e, enquanto se concentrava naquela sensação, esqueceu que sua mão estava sobre o vapor quente.

— PUTA QUE PARIU! — gritou o palavrão enquanto jogava a mão embaixo da torneira decrépita, sentindo a água gelada aliviar a dor provocada pela recente queimadura.

— Vou acabar queimando a sopa também! — apagou o fogo. A água ainda caia abundante sobre sua mão.

— Jared!

A agonia repentina que sentira transformou-se em dor. Algo estava errado com o garoto. Fechou a torneira esquecendo o alimento sobre o fogão, e correu em direção ao seu quarto. Quando abriu a porta do cômodo, abruptamente...

— O que você pensa que está fazendo, vagabunda?!

Ackles a puxou pelo pulso, derrubando-a no chão. Pegou o travesseiro e, com violência, jogou-o contra a ruiva, verificando em seguidas os sinais vitais do moreno. Suspirou aliviado ao constatar que ele respirava no mesmo ritmo de antes. Lento, devido ao estado de inconsciência. A pulsação também era a mesma.

— Jen! Eu não sei o que aconteceu aqui...

Quando ela começou a falar, Jensen lançou um olhar repleto de raiva e puro desprezo para a mesma, esquecendo-se de que ali no chão estava a sua comparsa, braço direito e amante, desde os últimos oito meses. Cortou-a de imediato. Não interessava a si suas supostas explicações.

— Não seja palhaça, Danneel! Você tentou matar o refém. Foi isso o que você fez! — seu tom de voz era exaltado.

— Por favor... Jen... Eu...

— VOCÊ O QUE, HEIN?

— Eu te amo! Você não me olha, não me quer mais! Desde que esse moleque entrou em nossa vida, você...

— SUA VAGABUNDA! VOCÊ PODE ENGANAR SEU IRMÃO, MAS NÃO A MIM! — perdeu a compostura.

— Não fale assim comigo! — chorava, mas não estava arrependida do que fizera.

— Por que, hein Harris? Por que você tem tanto ciúmes do cuidado que dou a esse garoto? — Indo até ela, ergueu-a do chão com violência, forçando-a a encará-lo, "cuspindo" sem arrependimento as palavras ofensivas. E, apesar de ter baixado o tom de voz, respirava ofegante e tinha a pele do rosto contornada por um tom escuro de vermelho. Isso acontecia sempre que se irritava.

— Tive ciúmes sim, e quer saber mais? Não me arrependo disso, assim como também não me arrependo de ter trocado o bilhete deixado no correio Fox! — em meio às lágrimas, vociferou não só a confissão de seus sentimentos doentes, mas também o que fizera um dia após o sequestro de Jared.

— O QUE? — gritou enquanto a segurava pelos dois braços.

— Eu... Eu...

Danneel não conseguia encontrar sua voz. Parecia que seus pensamentos haviam fugido de sua mente, deixando-a em uma situação crítica, onde nada coerente podia ser formado.

— Eu, eu... Eu o quê?!

A ruiva o olhava completamente em choque. Não tinha a intenção de fazer aquela confissão. Foi algo que saiu involuntariamente, num momento de raiva e desespero.

— Jen...

— FALA, VAGABUNDA!

Sua garganta o incomodava conforme cada palavra era pronunciada aos gritos. Danneel o encarava visivelmente em choque. Seus olhos arregalados denotavam o seu espanto. Não conseguia entender o porquê de Ackles agir daquela forma.

— Por Deus, Jensen, o que está acontecendo aqui?

A voz de Misha irrompeu o quarto, fazendo Jensen quebrar o contato visual com Danneel por um momento, podendo assim encarar o moreno de olhos azuis.

— Jensen, tudo bem?

Jake Abel, acompanhando pelos outros comparsas, inclusive o irmão de Harris, percebeu que algo estava errado quando viu a expressão de medo estampada no rosto da ruiva.

— Agora sim! — forçou um sorriso — Que bom que estamos todos aqui. Temos o destino de uma vagabunda para decidir. — falou, obtendo como resposta apenas o olhar assustado dos seus comandados.

Os ânimos estavam exaltados. Danneel olhava suplicante para o seu irmão em um pedido mudo de ajuda, enquanto Ackles a segurava pelos braços. O olhar do loiro denunciava a sua raiva pelo que presenciara. Desde que começou a cuidar do garoto Padalecki, a ruiva o importunava com seu ciúme doentio e ele daria um basta nessa situação.

- Jensen, por favor! Solte minha irmã.

A voz de Michael denunciava o medo pelo que pudesse acontecer com a mulher.

- Sabe Danneel, dê-me só um motivo, somente um para que eu não faça com você o mesmo que fiz com Andrew. Você lembra dele, não lembra? O traidor que descumpriu uma ordem minha. - falou ignorando o pedido de Michael.

- Jensen... Por favor... Solte-a! - repetiu o rapaz.

- Ackles, eu sei que Danneel é um pé no saco! Eu mesmo não a suporto, mas podemos resolver de outro jeito essa situação!

Misha tentava apaziguar a situação. Sabia que em algum momento, o líder da Dark Moon daria um basta às tolices daquela mulher, mas não esperava que fosse alí, naquele momento, enquanto um refém ainda estivesse em poder da quadrilha.

- Jen... Jen, querido! Eu... Eu a-amo você!

Ao ouvir a voz chorosa e arrastada da ruiva e as falsas palavras de amor, o nojo e o asco o dominaram. Jensen a jogou violentamente intencionando rebatê-la contra a parede, o que não aconteceu graças a Michael que se colocou atrás da irmã, evitando que ela se machucasse.

- Agradeçam a essa vagabunda por não dispormos do dinheiro do sequestro amanhã, como era o previsto. AGRADEÇAM A ELA! - gritou, socando a parede ao seu lado com o dorso da mão.

- Como assim? Mas o combinado não foi...

- Sim, Jack, eu lembro perfeitamente do combinado! Acontece que a Danneel fez o favor de trocar o bilhete do resgate por outro e adivinhem só: nada de resgate. Sem falar que ela tentou matar o refém o que nos daria prejuízo em dobro! – cuspiu as palavras com desprezo, cortando abruptamente a fala do comparsa.

Todos os bandidos olharam para ela, inclusive o irmão que ainda a segurava.

- Não, não foi bem assim, eu só queria...

- FALE A VERDADE, VAGABUNDA!

Nessa hora, Jared que jazia inconsciente sobre a cama, no centro do quarto, revirou-se, de um lado para o outro, estava acordando.

- Jensen, o garoto está acordando!

Misha, assustado, chamou sua atenção, pois o loiro colocara a mão sobre a coronha do revólver às suas costas e ambos sabiam que Rosenbaum tentaria impedir qualquer ato contra a irmã, mesmo não tendo nenhuma chance.

Outro resmungo e o garoto deu sinais de que estava realmente acordando.

- Cara, estamos todos sem capuz! Essa conversa pode esperar!

O desespero na voz de Misha chamou a atenção de Ackles.

- Saiam daqui, agora! Collins traga a sopa do garoto que deixei pronta sobre o fogão e Jack, tranque Danneel no sótão. Depois eu decido o que fazer com ela.

Antes que Michael e a ruiva pudessem protestar, Tom Welling empurrou o rapaz para fora do quarto, impedindo que ele interferisse na prisão da irmã. Ela foi levada aos trancos e barrancos por um Jack Abel furioso. Mais tarde, sabia que o líder decidiria o que fazer com ela. E, internamente, torcia para se livrar daquela encrenqueira, pois tinha certeza que seus cúmplices, assim como ele, não aceitaram bem a história da interferência dela nas negociações. A vagabunda tinha sorte. Fora salva, pelo despertar do refém. Pensou.

J2

Ouvia um som ao longe, mas não conseguia distinguir a origem dele. Pareciam vozes exasperadas, como se pessoas estivessem discutindo. Será? Achava que não, porque sempre ficava sozinho, em um quarto escuro, a mercê dos seus medos, além de acorrentado... Não! Não estava mais acorrentado. Seus pulsos e tornozelos estavam livres. Podia se mexer e levantar, se conseguisse. Remexeu-se, acostumando-se novamente à mínima sensação de liberdade. Remexeu-se mais algumas vezes, apenas o suficiente para se alongar, pois sentia frio e o corpo dolorido. Provavelmente estava com febre.

De repente, um som lhe chamou atenção. Parou. Não sabia se isso era bom ou ruim. Mal teve tempo de se decidir. Passos comedidos vieram em sua direção, parando ao seu lado. Estava acordado, mas não conseguia abrir os olhos. Pesavam como chumbo. Sentiu uma mão tocar firmemente sua testa. Sabia que era ele. Ainda não o vira, nem tinha noção do tempo que dormiu, mesmo assim, sabia.

- Jared? Está acordado? Como se sente?

Sim, conhecia aquela voz. Era o mesmo homem que o tirara do convívio ao lado da mulher que admirava como se fosse sua mãe, o mesmo que tentara machucar essa mesma mulher por ela tentar protegê-lo. O mesmo, que mataria sua família e o deixaria sozinho no mundo, envolto a uma herança que nem sequer se preocupava em ter, se isso lhe tirasse Hellen ou a mãe, apesar de não se dá bem com ela.

- Deixe-me ajudá-lo a se levantar.

Ao sentir o mais velho o segurar pelos ombros, juntou o pouco de força que tinha e o esmurrou a esmo, quase o acertando no queixo.

- Eu só quero ajudá-lo a...

- EU TE ODEIO!

Gritou, expulsando do peito toda a raiva que sentia daquele homem. Abriu os olhos, rolou o corpo para o lado, deixou os pés tocarem o chão frio. A claridade do quarto o incomodava. Piscou algumas vezes para se acostumar. Focava o chão, mantinha a cabeça baixa. Provavelmente estava em outro quarto, diferente de antes que era escuro e pequeno. Não entendia o porquê e isso não lhe interessava. Naquele momento, tudo o que queria era encarar o desgraçado que lhe roubou a liberdade e planejava também roubar sua família.

- O fato... O fato de vo-você ter... Sequestrado um garoto indefeso, já... Já é ruim, mas... Matar minha família... – respirou fundo, tomando fôlego. Levantou aos poucos, se apoiando na barra da cama. – Seu... Seu covarde! O que... Eu te fiz? Por que... Por que vai matar minha família?

Nesse momento, Padalecki levantou o rosto e deu dois passos curtos para frente. Seu algoz, mais afastado, estava sem camisa e a amarrara no rosto deixando apenas seus belos olhos verdes a vista. Tentou não prestar atenção ao corpo dele, mas foi impossível. O homem exibia músculos torneados em um peito desnudo e liso. Pernas levemente arqueadas, emolduradas por uma calça jeans desbotada. A cor branca de sua pele destacava pequenas sardas, salpicadas em um tom mais escuro.

- EU TE ODEIO!

Gritou mais uma vez, avançando mais um passo. Mentira. Sabia que não o odiava, nunca fora do tipo que odiava alguém, mas a raiva que sentia pelo que aquela mulher lhe dissera e o fato de seus olhos o traírem, fazendo com que observasse o corpo daquele a sua frente, aumentou ainda mais a revolva que sentia dos bandidos que o sequestraram, da saudade de Hellen que crescia a cada instante e do mal que podiam lhe fazer.

- Jared, escute-me, não entendo por que está dizendo isso!

- EU NÃO QUERO... Não... Não quero...

Tentou avançar mais um passo. Porém, a vertigem o envolveu. A vista escureceu e o chão lhe faltou. Caiu, mas não atingiu o chão. Braços fortes o envolveram e ao longe, uma voz o chamava, repetindo seu nome incessantemente. Estranho! Os braços que o ampararam eram acolhedores e passavam-lhe confiança. Como podia se sentir assim se aquele era o mesmo homem que invadira sua vida há três dias?

"Não seja idiota, Jared!" Ele é apenas um bandido! Acaso pensa que é seu melhor amigo? Só pode ser isso. Que outra razão eu teria para me sentir assim ao lado dele?

- Garoto, fale comigo! Está me ouvindo?

Jensen o abraçava e apoiando-o em seu peito. Segurava-o como se fosse algo frágil, capaz de quebrar.

- Fale comigo, criança!

Uma de suas mãos deslizou por uma mecha de cabelo escuro em um cafuné suave, acolhedor.

- Acorde! Por favor...

A carícia encontrou caminho no rosto do mais novo. Consciente, ele sentia o toque temendo a atitude de Jensen. Incapaz, ainda, de entender os sentimentos dele, assim como não entendia a si mesmo.

- Eu vou cuidar de você! 

Ao pronunciar as palavras, ergueu com a ponta dos dedos o queixo de Jared, encarando o moreno que mantinha os olhos fechados, porém sua respiração era descompassada, seu coração pulsava mais forte, suava frio. Por Deus! Por que aquele homem o desestabilizava?

E foi assim. De repente, Jensen não mais estava acariciando, mas beijando o garoto. Sim, o beijo começou com um simples toque de lábios, desajeitado, atrapalhado devido ao pano que lhe cobria parte do rosto. No entanto, ganhou força e urgência. O loiro beijava-o e o apertava contra si como se com aquele gesto acalentasse o moreno em seus braços. Beijava-o e era beijado também. Jared circulara seus braços no pescoço do homem tendo sua cintura firmemente envolvida.

Ambos não pensavam se havia lógica no beijo trocado. Mesmo Jensen, apesar de ser o adulto dos dois, pois investia contra os lábios do mais novo, absolvido pela oportunidade que surgira, desatento, baixara a guarda. Não percebera que do outro lado do quarto, olhando pela fresta da porta, segurando uma bandeja com um prato de sopa quente, Collins observava a tudo atônito, sem palavras, sem ação.

E, quando o beijo cessou, Padalecki finalmente abriu os olhos e encarou as íris verdes que o fitavam com admiração e os lábios delineados e perfeitos que até então se mantiveram ocultos.

- Isso... Bem, o que aconteceu...

O adolescente tentou falar sendo interrompido pelo mais velho:

- Jared, está tudo bem! Confie em mim.

Ao ouvir o pedido de confiança, empurrou-o, caindo dos braços dele. Arrastou-se até a cama, negando ajuda, levantando e desabando sobre ela. Exausto e confuso, olhou para outro lado evitando o algoz.

- Eu o odeio, seu cretino! E o que aconteceu não muda nada! - não havia convicção em seu tom de voz. 

- O quê? Espere um pouco! Nós dois...

- Não existe nós dois, entendeu? Você provavelmente é do tipo que curte molestar menores, mas saiba que não vai se aproveitar de mim. Eu não vou deixar! - falava compassado e com dificuldade. Estava difícil respirar.

- Você está enganado! Quando eu percebi...

- EU NÃO QUERO SABER DE SUAS EXPLICAÇÕES, SEU BANDIDO! EU TE ODEIO E ESPERO QUE ACABEM COM VOCÊ, ESTÁ ME OUVINDO? ESPERO QUE A POLÍCIA ME ENCONTRE E DÊ UM JEITO EM VOCÊ E EM SEUS FANTOCHES, SEU DESGRAÇADO!

Ackles não teve como responder a isso. Há alguns segundos beijava-o e tinha certeza que fora retribuído, não foi? E se foi, por que mesmo ele o beijara de volta? Por que Jared agia assim? Que história era aquela de que não ia permitir que ferissem sua família?

- Vo... Você... Posso ser apenas, apenas um garoto, um menino mimado e riquinho como já ouvi seus capangas comentando no corredor...

Puxou o ar com força. Tinha consciência de que seu esforço, estava exigindo demais de si. Seu estado de saúde precisava de cuidados.

Mas... Se... Se matar Hellen ou mesmo... Minha mãe... Eu vou te achar, desgraçado! VOCÊ... NÃO VAI SE SAFAR!

Estava com raiva, magoado e decepcionado consigo mesmo. Por que correspondera ao beijo daquele bandido? Ele não passava de um criminoso covarde e molestador de crianças! Era o que pensava. E para completar, ainda queria matar sua família. Isso nunca! Disse para si mesmo, envolvido no turbilhão de pensamentos confusos que habitavam os seus sentimentos. E, mesmo no limiar de sua força física, o garoto pegou uma fina bandeja de ferro, perto da cama e de uma só vez, levantou, erguendo-a contra a cabeça do outro. O gesto lhe custou o resto das forças; perdeu o equilíbrio. E, antes que atingisse o loiro, o objeto pesou em sua mão. Derrubou-o. Sua vista escureceu. Perdeu os sentidos sendo amparado por Jensen.

- Matar a família dele? Por que diabos ele pensa que...

Quando finalmente conectou as acusações do mais novo com os fatos ocorridos há minutos, um nome lhe veio à mente. Um nome foi repetido com desprezo, carregado de raiva e rancor.

"Danneel"

O nome da mulher foi sussurrado cheio de nojo. Desde que Padalecki entrou em suas vidas, ela se dedicava a azucriná-lo com o seu ciúme e como se não bastasse o fato de ter tentado matá-lo, certamente vinha-o torturando psicologicamente, fazendo-o acreditar que sua família seria morta, após sua liberação. Será por isso que o garoto se recusava a comer? Há quanto tempo àquela bruxa o importunava? Será mesmo que teria descumprido uma de suas ordens que era nunca entrar onde estava o refém a não ser que fosse preciso?

Um barulho na porta lhe trouxe a realidade. Olhou para o menino, inconsciente em seus braços e o ergueu com cuidado, colocando-o de volta na cama.

- Entre!

Misha, que escutara todo o diálogo sem ser notado, bateu quando percebeu o quarto silencioso, fingindo chegar naquele momento. Ao entrar, encontrou o líder ajeitando o menino sobre a cama. O rosto dele quase descoberto, apesar de permanecer com a camisa sobre a cabeça.

- O que aconteceu com ele, Ackles? Pensei que estivesse acordando.

- Foi o que pensei também, mas ele está muito fraco e acredito que por esse motivo ainda não acordou.  -  mentiu.

- Misha, a partir de hoje, ninguém mais além de nós dois entrará nesse quarto, estamos entendidos? – o comparsa confirmou com um aceno de cabeça.

- Jared precisa tomar a sopa. Ficar sem se alimentar agravará sua saúde. Sente-o devagar, apoiando as costas dele em um de seus braços, assim você conseguirá alimentá-lo. Entendeu?

- Pode deixar! Eu cuido dele.

- Ótimo! Meia hora após alimentá-lo, aplique a segunda dose da injeção. Os remédios estão nessa bolsa. Pegue-a! – jogou-a para ele.

- Tudo bem! Só tenho uma pergunta: o que fará com Danneel? O que ela fez, estragou mesmo o nosso plano de obter o resgate em menos de uma semana?

- Tudo leva a crer que sim.

- E agora Jensen? O que vamos fazer?

- Por hora, cuide do garoto. Eu darei para os outros a mesma ordem que dei para você. Deixe que eu me entendo com aquela vagabunda.

Vestiu novamente a camisa, cruzando a porta do quarto. Collins olhou para o adolescente, deitado, completamente esgotado.

"Jensen, o que foi aquilo que vi? Por que você beijou esse menino? Só espero meu amigo, que ninguém desconfie do que acabei de ver." Se isso acontecer teremos problemas."

Continua...


Notas Finais


Finalmente, o esperado primeiro beijo. Espero que gostem. E, se você se deu ao trabalho de lera até aqui, que tal comentar? Eu vou amar!
Beijos e um excelente início de semana.


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