História Esboço laranja claro - Capítulo 6


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Exibições 32
Palavras 4.693
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Mistério, Policial, Romance e Novela, Suspense, Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


eu seeeei que demorei muito, desculpa MESMO, mas fim de ano é a maior correria e o tempo fica curto masss mesmo assim, ai está mais um cap dessa história que eu estou amando muito mesmo escrever <3
Espero que gostem

Capítulo 6 - Quem nunca?


Fanfic / Fanfiction Esboço laranja claro - Capítulo 6 - Quem nunca?

" Been trying too hard not to get into trouble but I, I've got a war in my mind, so I just ride, just ride, I just ride"  Ride - Lana Del Rey

Quarta-feira 2 de março de 2016
7:00

Eu simplesmente não conseguia dormir.

Eu mudei de lado, tirei o travesseiro, chutei as cobertas, me virei de novo, mas nada conseguia acalmar minha cabeça, ou meu corpo do dia que eu tive.

Eu beijei a Marina. Ok, ela me beijou mas que isso me importa? Não acredito ainda que senti ela , e poderia ter sido mais se ela não precisasse ir não sei aonde por causa do Nathan. Mas mesmo assim o dia foi maravilhoso, as meninas amaram a Marina e com certeza ela gostou delas também, até minha mãe estava toda elogios para Marina, falando como ela era educada e bonita. “E beija bem  mãe” eu quis falar, mas não tinha ideia da reação dela, então resolvi ficar na minha, não que eu fosse consegui falar alguma coisa com o sorriso gigante que eu tinha no rosto.

Consegui com todas as forças não mandar nenhuma mensagem para Marina, ela tinha ficado online apenas bem tarde e eu não quis incomodar.

Resolvi abrir o Snap para ver a foto que a Tay tinha tirado de nós, aquela era oficialmente a primeira vez minha e da Marina em uma foto juntas.

Tay era quem estava bem na frente já que ela tirou a selfie, ela tinha um longo, realmente um longo cabelo loiro alisado que ia até sua cintura e olhos castanhos, era visivelmente mais alta que nós, ela fazia o sinal de “tá favorável” com a mão livre e tinha um sorriso com a língua entre os dentes.

Um pouco ao lado estava eu, com uma blusa grande demais para mim e meu cabelo encaracolado nas pontas porque não tinha penteado ainda, com um sorriso fechado que deixou meu rosto redondo parecendo uma bolacha mas uma covinha grande na minha bochecha direita.

Ao fundo estava Marina e Ally ainda de braços dados pelo abraço de despedida que estavam tendo, Ally tinha uma coisa que eu simplesmente amava, seu cabelo, olhos e pele tinham o mesmo tom de castanho claro, isso porque ela era latina e tinha vindo para cá pequena. Ao lado dela Marina, com a blusa caída de um lado deixando o ombro direito a mostra enquanto seu cabelo ruivo caia perfeitamente, sem falar no sorriso, merda o sorriso dela.

Obviamente tirei um print, a foto estava fofa e era uma lembrança que eu realmente queria guardar.

 

Não lembro ao certo quando eu apaguei, nem se eu realmente cheguei a dormir alguma coisa mas ao longe o som do despertador surgiu nos meus ouvidos cada vez mais alto e insuportável, minha cabeça latejava e meu corpo doía mesmo que eu estivesse acabando de acordar, resultado de uma noite mal dormida. Normalmente eu estaria de mau humor por isso, e na verdade eu estava, mas era hora de ir para escola. Hora de ver Marina.

- Bianca o café já está pronto, espero que você também! – Minha mãe e seus gritos da cozinha de manhã. Amável.

Levantei o mais rápido que eu consegui, o que significa que eu demorei, coloquei a primeira roupa limpa e só coloquei os pés dentro do tênis sem amarrar e fui pentear o cabelo, que por ser uma parte meio cacheado precisa de pelo menos uma mão de creme.

- Bianca! – Minha mãe gritou de novo, eu odiava quando ela começava a gritar, muito mesmo.

- Já vou! – Respondi ficando de mau humor.

Arrumei o cabelo mais rápido possível, passei no meu quarto para pegar minha mochila, fone e celular que no momento me mostrava que eu estava em tempo. Desci e as escadas e joguei a mochila no sofá, indo para a cozinha com passos duros, acordar cedo não me deixa de mau humor, minha mãe me acordando aos gritos me deixa de mau humor.

- Porque não levanta mais cedo? Sempre tem que correr para pegar o ônibus depois. – Não respondi, apenas a olhei com a melhor cara de sono que pude e comecei a comer algo.

- Bom dia mãe. – Disse Ethan entrando na cozinha. – Oi maninha. – Disse passando a mão no meu cabelo, por minha vez inclinei a cabeça para longe da mão dele.

- Ué, ontem estava toda felizona. – Disse se sentando.

- Ontem a mãe não me acordou gritando. – Respondi. Minha mãe e eu nós limitamos a nos encararmos.

-Ok, eu levo ela hoje, assim temos mais uns dez minutos para ela se arrumar, bom assim? – Disse Ethan claramente incomodado com o clima, mas ele estava com ótimo humor.

Saímos no máximo seis minutos depois e assim que sentei no banco do carro minha barriga começou a gelar, eu não tinha a menor ideia de como minha situação tinha ficado com Marina. Não tinha a menor ideia de como ela iria me tratar na frente dos outros ou se eu teria que conter meu entusiasmo sem motivo aparente por algum clima tenso que restou do incidente da festa.

Tudo o que eu sabia era que eu estava com aquele maldito frio na barriga que eu só ouvia as pessoas falarem sobre em filmes, geralmente nessa parte eu revirava os olhos porque ninguém no mundo fala “estou com frio na barriga”.

Chegamos na escola uns quinze minutos depois, eu e meu  irmão tínhamos trocado algumas poucas palavras e isso fez meu humor melhorar um pouco, ele tinha esse poder sobre mim, me fazia sentir leve como algodão. Um algodão com sensação de congelamento, eu diria.

Ethan estacionou, eu estava com vontade de me fundir ao banco e não sair, por algum motivo tudo isso de ter que sair ao mundo e achar respostas me pareceu demais para a cabeça. Peguei minha mochila no banco de trás bem lentamente e a coloquei no meu colo, já estava com a mão na porta quando Ethan disse algo.

- Tudo bem? – Perguntou.

Larguei o peso do corpo contra o banco e respirei fundo, na escola o sinal tinha acabado de bater e as pessoas começavam a entrar para as salas de aula.

- Estou com frio na barriga. – Disse me sentindo leve por ter falado e ao mesmo tempo idiota, muito mesmo. Olhei para ele, e me surpreendi com o grande sorriso que tinha no rosto.

- Vai ver é seu corpo trabalhando para congelar os seus medos. – Disse já ligando o carro para partir.

Sorri, e abri a porta, não precisava falar que o amava, ele sabia.

 

Umas das piores coisas que entrar na sala atrasada era que todo mundo parava o que estava fazendo e ficava te encarando, o que é bem pior quando o professor já está em sala.

- Pessoal, sei que é a primeira semana e vocês não acostumaram ainda a levantar cedo mas horário é algo fundamental, ainda mais para os alunos do último ano. – Disse a professora de geografia, senti o olhar de todos em mim, por quê eu levantei da cama mesmo? – Vou deixar passar hoje porque é o segundo dia, vá sentar. – Disse fazendo um sinal com a mão em direção das carteiras.

Me sentei rapidamente, no mesmo lugar de ontem, de dupla com Rebekah e atrás de Marina e Emily.

- Oi linda, saudades de ti. – Disse Rebekah com uma voz engraçada me abraçando, no mesmo momento a professora pediu silêncio levantando com alguns papéis na mão.

Marina passou a mão pelas mechas de cabelo jogando-os para trás e discretamente largou um papel na minha mesa. Acho que nunca vou me cansar de falar como amo o cabelo dela, meu Deus eu amo o cabelo dela.

Peguei o pequeno pedaço de papel e esperei a professora não estar olhando e o desdobrei.

Quer ir na minha casa depois da aula?

p.s  Que tipo de pessoa vem pra escola de calça moletom? Quem sai de casa vestindo calça moletom?

Meu coração acelerou com o convite, eu não estava esperando isso, eu nem tinha imaginado uma situação que eu parasse na casa dela, e olha que eu imagino muitas coisas que nunca vão acontecer.

A professora agora estava falando entusiasmada sobre a guerra fria, realmente muito entusiasmada. Essa é a primeira aula que eu tenho com ela, e pode-se dizer que começamos com o pé esquerdo mas pessoas apaixonadas pelo o que fazem tem minha simpatia instantânea, uma pena que eu certamente não iria prestar atenção alguma porque a menina mais incrível do mundo quer que eu vá na casa dela, o que eu acho bem justificável.

 

Oi? EU uso calça moletom, algo contra calças moletom? ¬¬ São confortáveis u.u

Ah, pode ser. Se você tiver sucrilhos em casa, obviamente o/

Agora a missão seria passar isso para a carteira da frente sem a professora ver. Poderiamos esperar a troca de período? Claro. Vamos? Minha vontade desesperada de ter qualquer tipo de contato com ela não concorda com esse plano.

Estiquei minha perna e dei um leve chutinho na cadeira dela, por sua vez Marina passou a mão o máximo que pode para debaixo da minha classe sem se virar para trás e eu larguei o papel na mão dela, que estava muito quente. Ou eu estava gelada, o que não importa mas sim o fato que o contato com ela fez malditas borboletas na minha barriga, mas por fora eu estava mantendo com todas as forças expressão séria e olhando reto para a professora. Eu estava me sentindo meio ninja, praticando arte de ocultamento.

Pouco tempo depois Marina aproveitou um momento que a professora virou de costas e largou o papel para trás, ela literalmente o largou para trás no ar o que fez o papel sair flutuando e eu tive que o agarrar no ar. Discreta como um ninja.

 

1 – Pq tantos emojis?

2 – Ok, você é a pessoa que usa calça moletom. Vou simplesmente aceitar o fato que você é estranha.

3 -  Não tenho sucrilhos, mas lá perto da minha casa tem um negócio bem legal, mercado o nome lol

- Voltamos para o fundamental? – Cochichou Aiden, o que fez Rebekah e Emily rirem. Não tinha percebido que eu eles tinham notado as trocas de bilhete, eu apenas revirei os olhos me inclinando para a frente, como se estivesse mexendo no meu estojo.

- Sim. – Falei o mais próximo possível do ouvido de Marina, de relance vi sua bochecha esquerda se levantar em um sorriso.

- Página 394. – Disse a professora agora de frente para a classe.

 

O dia demorou muito mais do que deveria para acabar e cada segundo se arrastou lentamente, passei o tempo todo com “a nossa panelinha” mas Marina sempre ficou por perto, todos parecia estar fazendo mais piadas especialmente para Rebekah que parecia estar bem com o que aconteceu na festa.

Uma vez ou outra Marina sorria para mim ou me dava um abraço desajeitado, e eu tinha impressão que Emily sabia de algo porque ela estava me tratando diferente, com mais carinho, o que me fez ficar com vergonha porque não sabia o que Marina tinha dito a ela.

- Tchau Bia – Disse Aiden me abraçando na saída, o que fez os amigos dele que estavam em volta gritarem “ huummm”.

- Tchau jogador. – Disse rindo, eu e Emily tínhamos passado os últimos minutos zoando o uniforme que Aiden colocou para o treino que ele teria depois da aula, o problema era que o uniforme parecia cinco números menor do que deveria, fazendo Aiden parecer um escoteiro ao invés um capitão respeitável.

No momento em que Aiden e os garotos do time começaram a se afastar um carro esportivo, mas mesmo assim elegante estacionou alguns metros de nós.

- Oi tia, tudo bem? – Disse Emily que saiu parecendo uma criança para cumprimentar a mulher, nova mas de aparência cansada que dirigia o carro.

- É minha mãe. – Disse Bekah que já se despedia da Marina.

Dei um abraço forte em Rebekah e me despedi, eu normalmente não gosto de abraçar mas fiz isso naturalmente, eu realmente me importo com ela o que é quase loucura quando penso que nos conhecemos a literalmente a dois dias.

- Hey babacona, vamos indo! – Gritou Marina para Emily que conversava com a mãe de Rebekah, Emily agitou o braço em um aceno e eu e Marina fomos para o estacionamento.

- Você dirige ?  - Perguntou Marina enquanto andávamos.

- Não, minha mãe acha que ainda sou muito nova. – Respondi com um sorriso, ficar na presença dela me fazia agir de um jeito que eu nem sabia que eu posso ser.

- Quer aprender? – Perguntou Marina com o sorriso, aquele sorriso que ela sorri com o rosto todo, junto com um olhar que esbanjava travessura.

Considerei a possibilidade e comecei a rir, era capaz de eu bater em um poste na primeira tentativa de acelerar, ou engasgar o carro no meio da estrada. Marina começou a rir comigo e segurou minha mão, e com a outra traçou minha bochecha com as pontas dos dedos, o que me fez parar de rir e ficar olhando no fundo dos olhos dela, que estavam cinza.

Marina sorriu de forma brincalhona e me puxou para continuar andando em direção ao carro.

- Qualquer hora dessas? – Disse enquanto largava minha mão e abria a porta do passageiro para mim.

- Qualquer hora dessas. – Respondi entrando no carro, meu rosto estava doendo por causa do sorriso gigante que eu simplesmente não conseguia desfazer

Marina fechou a porta e deu a volta no carro, entrando logo em seguida e saindo do estacionamento.

- O que vamos fazer na sua casa? – Perguntei quando Marina parou em um sinal vermelho.

Marina olhou para mim depois para o chão.

- Ah, assistir Netflix. – Respondeu, no mesmo momento o sinal ficou verde.

- Você nem pensou no que íamos fazer né? – Disse rindo.

- O importante é a minha companhia o resto é detalhe. – Disse me olhando com uma expressão de superioridade, naquele momento ela poderia ser uma rainha, nem precisaria de coroa, a postura que ela assumiu já parecia uma. Desvie o olhar e me inclinei na janela olhando para a rua.

- Ta bom. – Respondi irônica.

Algumas quadras depois ela estacionou em um Super Mercado.

- Sucrilhos. – Disse dado um tapinha na minha coxa e saindo do carro, ela realmente ia comprar sucrilhos.

Sai do carro e a segui mercado a dentro.

- Qual chocolate levamos?  - Perguntou entrando em um corredor onde tinha várias barras de chocolate.

- Não gosto muito de chocolate. – Respondi. Marina olhou para mim séria, olhou para o chão, respirou fundo e se virou para mim.

- Qual chocolate levamos? – Disse fingindo não ter perguntado a mesma coisa antes, algumas pessoas que passavam riram com a cena.

- Diamante negro. – Disse com vergonha dos olhares alheios.

- Thank you. – Ela respondeu pegando o chocolate.

Passamos por uma seção de sucos e ela parou para escolher um.

- Guaraná. – Eu disse já pegando uma caixinha.

- Suco de guaraná é ruim. – Ela respondeu fazendo careta.

- Não é não.  – Respondi séria.

-Tem certeza? – Ela disse com uma expressão de pouca vontade.

- Já tomou suco de guaraná? – Perguntei.

- Não, mas não deve ser bom. – Ela disse rindo.

Eu simplesmente peguei a caixa e sai andando, como assim alguém gosta de algo que nem prova? As vezes os nossos “Acho” nos faz perder muito.

- ah, calma ai. – Disse Marina rindo enquanto ma alcançava, passando a mão no meu cabelo, não consegui ficar séria e sorri, capaz que não.

Na hora de passar no caixa, tínhamos pego duas caixas de suco guaraná, um Doritos médio, uma embalagem de sucrilhos, o chocolate e um saquinho de cookie.

- Você parece uma criança quando a mãe pede para ir comprar pão e deixa gastar o troco. – Marina riu mas sua expressão tomou um ar um pouco triste. Talvez pela menção a “mãe”, ela nunca comentou nada sobre a dela.

- Não é sempre que eu venho ao mercado. – Justificou.

No caminho  da entrada do mercado até o carro um grupo de garotos mais novos vinha em nossa direção, eles se empurravam e ficavam cochichando a medida que chegavam mais perto de passar por nós.

- São piores que garotas. – Disse Marina se divertindo com a situação, o que me fez rir também.

Quando cruzaram por nós parecia que um deles ia falar algo mas como passamos direto ele deve ter perdido a coragem.

- Tadinho. – Disse rindo alto quando entramos no carro.

- Ele devia ter parado a gente. – Disse ela colocando as compras no banco de trás junto com as mochilas.

- Eu não ia saber o que falar.

- Ah, ele ia levar um fora, mas conta como experiência. – Disse ela rindo enquanto dava a partida.

- Nossa que horrível – Disse rindo.

A noite vinha caindo e agora o céu estava roxo mesclado com azul escuro, o carro deslizou pelas ruas por mais duas quadras até Marina estacionar atrás de dois carros de cor escura que se encontravam na frente de uma casa de piso único, grande e cor de palha.

Algumas pessoas caminhavam dentro da casa, pelo menos umas dez, pareciam agitadas demais, e não no bom sentido.

- Acho que meus irmão estão tendo uma reunião. – Disse Marina, agora um pouco amarga.

- Não faz mal, eu posso ir para casa. – Disse tentando fazer soar com um tom divertido para descontrair.

Marina olhou para mim e sorriu, a pouca luz seu cabelo parecia vermelho, seus olhos pareciam castanhos.

- Não faz mal, vamos ficar no quarto mesmo. – Disse com um tom Marina de ser.

Ela puxou as compras do banco de trás, deixando a sacola com os sucos e o chocolate cair.

- Parabéns. – Disse juntando a sacola do chão.

- Não queria tomar o suco mesmo. – Disse ela soltando uma risada.

- Olha que pena o teu chocolate quebrou. – Disse mostrando a barra que agora estava distorcida por causa da pancada. – Mas o lado bom é que o suco ta intacto. – Disse o mais irônica possível.

Ela pegou o chocolate como se fosse uma peça super rara que havia sido quebrada e fez um bico de decepção. Marina desviou o olhar para mim e eu percebi que estava encarando sua boca, o que me fez desviar o olhar, mas invés de fazer isso sutilmente acabou saindo de um jeito descarado.

Marina largou as sacolas no chão do carro e abriu a barra de chocolate quebrando uma parte que estava batida da queda e comeu, quebrando outra parte logo em seguida estendendo para mim, perto do meu rosto. Levantei minha mão mas ela desviou, fazendo sinal negativo com a cabeça, já que estava mastigando um pedaço de chocolate.

Ela estendeu o chocolate até encostar no meu lábio inferior, considerei por um momento e mordi na ponta, puxando para a minha boca.  Mastiguei o chocolate olhando para o volante.

- É muito fácil te deixar constrangida. – Disse Marina rindo.

-Eu não fiquei constrangida. – Falei olhando para ela confiante.

- hum. – Disse Marina soltando o cinto.

Ela quebrou mais um pedaço de chocolate e colocou entre os dentes, fiquei a observando sem entender onde ela queria chegar. Marina passou por cima da marcha e sentou no meu colo, jogando o cabelo para um lado aproximando o rosto do meu.

Ta ok, constrangida seria uma palavra formidável para descrever a vergonha em peso que eu estava sentindo.

Marina virou meu rosto em direção ao seu, me aproximei e mordi o chocolate tentando o puxar para mim, mas ela puxou também, o que nos fez rir, o que então me fez acabar babando.

Esse é um dos momentos na vida em que você não queria ser você só para poder caminhar na sua direção e dizer “acho que ouvi alguém te chamar ali no lado” criando uma desculpa para sair da onde quer que esteja e poder repetir internamente como você foi idiota em paz.

Marina começou a rir muito com a situação e eu também, e subitamente segurou meu rosto com as duas mãos e me beijou, lentamente, a boca dela estava com gosto de chocolate, o que me fez sorrir entre o beijo que continuou até acabar nosso ar.

No final do beijo, ela continuou segurando meu rosto e olhou no fundo dos meus olhos, eu tentei entender o que eles falavam naquele momento, mas não consegui entender, ela tinha um ar misterioso mas também terno, então eu apenas sorri, a fazendo sorrir de volta.

- Vamos. – Disse me dando um rápido selinho e abrindo a porta do carro para sair.

Eu peguei as sacolas e sai do carro, Marina me esperou e começamos a andar na direção da casa dela que ainda havia pessoas conversando. Enquanto caminhávamos Marina girou o corpo duas ou três vezes para o fim da rua, que pelo o que eu vi estava apenas deserta.

- Tudo bem?- Perguntei.

- Sim. - Ela respondeu com um sorriso carinhoso enquanto segurou minha mão.

Quando entramos a primeira pessoa que vimos foi um homem já velho, alto que usava calça e sapatos sociais mas um blusão preto longo aleatório na parte de cima.

- Marina. – Disse o homem com tom educado enquanto segurava a mão dela em um cumprimento, o respeito dele por ela era quase palpável. - É um prazer te ver de novo.

- Como vai Peter? – Ela respondeu com o jeito natural de superioridade enquanto o homem me cumprimentava.

- Não muito bem infelizmente, sabe como esse caso est..

- Não sei. Meus irmãos são os policiais, isso não cabe a mim. – Disse calma. – E, com sua licença, eu já estava indo para o meu quarto.

Quando Marina fez menção de cruzar a sala Nathan apareceu na entrada, estava com as mesma roupas da primeira vez que eu o vi, mas sem a touca, o que fez com que o cabelo ruivo dele ficasse caindo na sua testa. O olhar dele passou de Marina para mim, que fez um  cumprimento com a cabeça.

- Oi. – Disse estendendo a mão para mim.

- Oi. – Respondi sem graça apertando a mão dele.

- Eu já estava indo para o quarto. – Disse Marina.

- Preciso falar com você. – Respondeu Nathan simplesmente.

A principio Marina parecia querer questionar mas balançou a cabeça em concordância.

- Já volto. – Disse para mim.

Marina e os dois homens sumiram dentro de um corredor que levava para a direita, onde ficava a sala que vimos pelo lado de fora. Para frente tinha a cozinha que ficava totalmente visível da sala da entrada e a esquerda tinha outro corredor.

A decoração da casa deles era bem simples para não dizer básica, cores escuras, um tapete aqui e ali, alguns quadros aleatório, mas tudo era moderno e sofisticado. Algo que me chamou atenção foi o fato de não ter nenhum retrato na sala, o que faz sentido se pensar no fato que eles se mudaram há apenas dois anos.

Marina demorou mais ou menos um minuto antes de voltar, e a expressão risonha deu lugar a uma expressão séria, mesmo com o sorriso que ela me dirigiu.

- Não vai dar para você ficar hoje, desculpa, desculpa mesmo. - Ela disse parecendo realmente chateada.

- Não faz mal, eu me diverti andando de carro com você. – Disse tentando fazer soar irônico.

- Eu não dirijo mal. – Disse Marina fingindo estar ofendida. -  Na verdade, pelo menos eu dirijo, não é mesmo?

- Pesado. – Disse rindo enquanto Marina colocava as sacolas no sofá.

- Quer ficar com o cereal? – Ela perguntou.

- Não, deixa para quando eu vir de novo. – Marina sorriu para mim com a resposta, como se estivesse feliz por mim ter pensado nisso.

Marina passou o braço pela minha cintura e começamos a fazer o caminho de volta lá para fora, a noite tinha caído totalmente e os postes de luz eram o único jeito de enxergar alguma coisa. Dentro da sala, o grupo de pessoas pareciam esperar por ela, de modo que de tempos em tempos alguém olhava para fora e depois voltava a falar com o colega ao lado. Eu queria perguntar sobre a família dela, sobre o trabalho dos irmãos e quem infernos eram aquelas pessoas, mas eu não tinha noção de como ela reagiria a isso.

- Quer que eu te leve em casa?

- Não precisa, tem um ponto de ônibus na esquina. – Disse, o que a fez parecer ainda pior por eu ter que ir embora. – Além disso, não quero que saiba meu endereço. – Falei com uma postura superior, como se ela fosse perigosa ou algo assim.

- Como se a Emily não tivesse me contado quando ela foi te buscar para a festa. – Respondeu de bate pronto.

Eu estava prestes a responder algo quando o celular dela tocou, ela não atendeu, e nem precisava, estavam com presa. Sem falar nada, Marina me puxou contra ela com o braço que estava na minha cintura e me beijou, uma, duas vezes e acabou com um abraço o que me surpreendeu porque o próprio irmão dela podia estar vendo aquilo.

- Obrigado por ter vindo. – Ela disse ainda me abraçando, o que me deu a sensação como se meu estomago estivesse derretendo, e eu não me preocupei com mais nada, apenas com gravar o cheiro, o corpo dela ali,comigo.

 - Tchau. – Eu disse sorrindo, provavelmente como uma criança dando um último selinho nela e comecei a andar para longe, porque se dependesse dela provavelmente ficaríamos ali e apesar de tudo a última coisa que eu quero é a família dela me achando um incomodo.

- Se cuida. – Ela disse em resposta já entrando na casa.

Continuei caminhado para o final da rua, pensando em como em como ela me fazia sentir, ou o que ela diria o que eu sou dela caso alguém perguntasse, na verdade essa é uma ótima pergunta, o que ela diria? Sorri pensando nisso.

Mas meu sorriso não durou porque ouvi algo atrás de mim, parei de andar e me virei. A rua da casa dela continuava tão deserta como antes, os mesmos carros, o mesmo silêncio. Olhei para os lados e não vi nada, nem ninguém. Comecei a ficar nervosa, mesmo sem motivos afinal, nessa rua moram dois policiais, sendo um deles do FBI, que seria idiota para rondar um rua dessas?

Apressei o passo, faltavam algo como cem metros até a parada, onde provavelmente teriam pessoas já que não era tão tarde. O ruim de achar que tinha algo atrás de você, ou te observando é que qualquer coisa te assusta, mesmo com a noite calma o sutil vento que balançavam as árvores criavam sombras por todos os lugares, parecendo um vulto.

Comecei a caminhar mais rápido, agora quase correndo, faltavam menos de vinte metros para a esquina e um barulho explodiu no outro lado da rua em uma lixeira, meu corpo gelou por um segundo e minhas pernas pereciam pesar uma tonelada. Virei o rosto para observar, um cachorro, grande e bem cuidado que devia ser de alguma casa da redondeza rasgava um saco de lixo que acabará de derrubar.

Respirei ainda parada no mesmo lugar, se Tay ou Ally vissem essa cena ridícula minha me lembrariam disso até o final da vida, “lembra aquela vez que a Bianca quase morreu por causa de um cachorro?”. Imaginar essa cena me acalmou, e eu caminhei normalmente até a esquina.

Quando cheguei na parada, já havia um ônibus ali, esperei algumas pessoas subirem e entrei, eu só queria sentar e ouvir alguma música. Entrei no ônibus que estava quase lotado e tive que sentar no fundo, onde ainda dava para ver a rua da casa da Marina. As pessoas ao redor conversam alto, escorei a cabeça na janela, olhando a rua que parecia tão inofensiva e normal, e quis rir de mim mesma.

A porta do ônibus fechou e os motores ligaram, como sempre o ônibus deu uma leve andada para trás, me permitindo ver a figura de um homem de pé no gramado de um casa quase no final da rua, ele estava olhando para o ônibus.  


Notas Finais




Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...