História Esboço laranja claro - Capítulo 7


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Categorias Originais
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Palavras 3.576
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Mistério, Policial, Romance e Novela, Suspense, Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


ooooiiiii <3 <3 <3

Capítulo 7 - Detalhes importantes


Fanfic / Fanfiction Esboço laranja claro - Capítulo 7 - Detalhes importantes

" See the flames inside my eyes, it burns so bright I wanna feel your love, easy baby, maybe I'm a liar, but for tonight I wanna fall in love and put your faith in my stomach" Ed Sheeran - I'm a mess

 

 

 Quinta-feira, 03 de março de 2016

10:00

 

São dez horas da manhã e estou sentada na cama, agarrada na minha coberta. A noite passada tinha sido uma das mais difíceis dormir da minha vida, era como se eu fosse um pequeno lago e alguém atirasse subitamente toneladas de água em mim formando ondas por todos os lados.

Eu tinha voltado para casa e simplesmente não sabia o que fazer, eu poderia ter falado sobre o que tinha acontecido para a Marina, ou ter ligado para a polícia, mas o que eu iria dizer? “Senhor, você poderia por favor ir em uma rua que nem eu sei como chegar direito e ver se tem alguma pessoa que gosta de ficar escondida pelos cantos lá?” Não né.

Depois de deitar fechei os olhos e tentei dormir mas no início cada barulho, por menor que fosse me fazia pensar que teria alguém parado de pé em algum canto do meu quarto, então decidi ligar o notebook e olhar séries, e dormi assim, durante um capítulo de Orphan Black com os piscas-piscas que eu tinha espalhado pelo meu quarto acessos.

O barulho do toque do meu celular tirou minha atenção, era uma mensagem da Marina. Ver uma coisa tão boba como a notificação de uma mensagem dela fez com que por um segundo o peso e todos os pensamentos que estavam na minha cabeça se sumissem um pouco.

[ Marina 10:05 ] Acordada?

[ Você 10:05 ] Bom dia pra você também .-.

[ Marina 10:06 ] BOM DIA shuahsuahsua

[ Marina 10:06 ] Então, uma prima da Emily quer muito ir num show que vai ter aqui na cidade fim de semana, e como ela tem treze anos a mãe dela perguntou se a Emily não a levava

Marina mandou essa parte e continuou digitando.

[ Você 10:06 ] Já sei onde isso vai dar kkkk

[ Marina 10:07 ] Isso quer dizer que a Emily não tem opção e vai ter que levar ela, então me convidou pra ir junto, como ela diria “ Já que vou ter que aguentar a Raquel pelo menos te levo junto e não vai ser tão ruim”

[ Você 10:08 ] E eu entro na parte..? kk

[ Marina 10:08 ]  Já que vou ter que aguentar a Emily pelo menos te levo junto e não vai ser tão ruim hahahaha

[ Você 10:08 ] Nossa kkk Isso  é você me convidando pra sair?

[ Marina 10:09 ] Na verdade eu não tinha pensado nisso ‘-‘  Mas se pensar assim vai te fazer aceitar, pode ser

Ouch. Isso foi um belo corte, eu definitivamente deveria parar de assumir coisas, o ruim de conversar por mensagem é que você nunca sabe se a pessoa está brincando ou falando sério, e isso era ruim porque dependendo da minha resposta a pessoa poderia interpretar algo totalmente diferente do que foi dito, decidi mudar de assunto.

[ Você 10:09 ] Estou considerando ainda u-u  Show de quem?

[ Marina 10:10 ] Aquela girlband, Fifth Harmony, a prima da Emily tem um amor descomunal por elas, eu até escuto algumas músicas, elas são legais. Conhece?

[ Você 10:10 ] Conheço sim, escuto algumas músicas tbm <3

[ Marina 10:11 ] Então.. vamos?

[ Você 10:12 ] Pode ser ‘u’

[ Marina 10:12 ] Emojis [ ... ] Hahahahah

[ Marina 10:12 ] Ok então, preciso ir agora. Te vejo na aula. P.s Suco de guaraná não é tão ruim, recapitulando não é TÃO ruim

[ Você 10:13 ] Não é ruim, tu que é fresca

[ Marina 10:13 ] Falou a pessoa que não queria ganhar chocolate na boca shauhsa

[ Você 10:14 ] Tchau!

 

Bloqueei o celular e o deixei escorregar para debaixo das cobertas, e pela primeira vez desde que eu conheci Marina, não me importava se ela me via como amiga, ou namorada, ficante ou qualquer outra coisa, porque não era isso que importava. O que importava era que tínhamos alguma coisa. Eu não sabia se ela sentia o mesmo que eu sentia por ela, o que até seria justificável porque ela é simplesmente incrível em todos os jeitos, até nos defeitos dela, e eu com certeza não sou assim, mas era impossível ela olhar nos meus olhos e dizer que não sou nada dela, porque isso seria uma grande mentira.

- Mana, posso entrar? – Disse Ethan do outro lado da porta.

- Para entrar precisa deixar um quilo de comida em forma de café da manhã na entrada, ordens do capitão. – gritei de volta já me sentando direito na cama.

Ethan entrou e surpreendentemente ele realmente tinha trazido o café, coisa que ele nunca tinha feito antes. Ele sentou na cama deixando a bandeja com torradas, frutas, sucrilho e suco no meu colo.

- Ué. – Eu falei, não tentando soar engraçada, mas eu literalmente só falei isso olhando para ele.

- Bom, - Começou Ethan se ajeitando. – Eu queria fazer, sei lá, um agrado pra você já que eu vou viajar por um tempo. Eu vou ir para uma cidade próxima a trabalho e vou ficar alguns meses fora, então, né, como já vou sair posso te levar pra escola pelo menos. Se você quiser, claro.

Eu não entendi direito o que estava sentido, normalmente eu ficaria brava com ele, ou seria fria, mas eu estava com tantos assuntos importantes me perturbando agora que eu me limitei a apenas entender o lado dele, ele já era um adulto, eu deveria mesmo ficar brava e pedir para ele ficar tendo todo um mundo e coisas para serem vividas por egoísmo meu?

Eu coloquei a bandeja em cima do meu criado mudo e o abracei, forte o suficiente para ele entender o quanto eu o amava e forte o suficiente para tirar alguma força e apoio dele para levantar e enfrentar o dia.

 

A ida até a escola foi bem tranqüila e descontraída, eu e meu irmão cantamos Popular Song do Mika o caminho inteiro fazendo um dueto, o fato de meu irmão estar indo embora, mesmo que só por um tempo me deixava insegura por que ele era o meu porto seguro, mas ao mesmo tempo eu tinha vontade de saber como eu me sairia sem ele por perto.

Quando cheguei Emily e Marina estavam no pátio conversando, e eu conseguia ver o campo de futebol que ficava atrás da escola onde vários garotos estavam jogando ou assistindo a partida, onde provavelmente Aiden estava. Caminhei até onde as meninas estavam, Emily estava escorada na parede e Marina de frente para ela, o que a deixava de costas para mim, pensei em a abraçar por trás mas desisti da ideia.

- Oi. – Disse quando me aproximei o suficiente delas.

- Oi. – Disse Marina animada me abraçando, o que foi engraçado por que eu prendi o braço na alça da mochila dela.

- Fiquei sabendo que vai com a gente no show. – Disse Emily um pouco irônica, conhecendo a Marina ela sabia que eu meio não tive escolha a não ser aceitar.

- Pois é. – Disse sorrindo.

Nesse momento o sinal bateu, nos encontramos com a Rebekah quando fomos subir as escadas e entramos na sala juntas. A aula passou lentamente, quarto dia de aula e já temos uma tonelada de trabalhos para entregar, não que eu não goste de estudar, porque eu gosto, mas quando se tem dezessete anos, ter dezessete anos já é a função que ocupa o seu tempo.

Marina estava sempre sendo doce comigo, e quem me visse agora não diria que era a mesma pessoa acabada dessa manhã, mesmo não estando bem, com ela eu ria mesmo não estando necessariamente me divertindo, e dava meus melhores sorrisos mesmo não estando necessariamente feliz, era como se eu tivesse algo em mim que só ela sabia ligar, como um balde de tinta colorida fechada em um quarto branco que ela conseguisse virar e deixar as cores fluírem.

Durante o intervalo Marina sentou do meu lado, e mesmo que a presença de todos eles me fizesse bem eu me sentia esgotada, e em algum ponto da conversa eu apenas deitei minha

 cabeça no ombro dela e fechei os olhos, apenas ouvindo a conversa da mesa, e ela passou o braço em volte de mim segurando minha mão.

Jack, amigo de Aiden estava contando sobre os planos dele para depois do ensino médio quando Marina falou comigo, o conforto e o calor do corpo dela tinham me deixado tão sonolenta no ponto da sua voz parecer um eco distante.

- Quer ir no banheiro? – Ela perguntou baixinho.

Eu desencostei dela e me espreguicei, tirando o cabelo do rosto e passando a mão na minha bochecha para tentar acordar um pouco, então levantei e ela fez o mesmo.

 - Dormiu mal essa noite? – Perguntou entre risos enquanto eu quase esbarrava nas pessoas ao andar.

- Por ai. – Respondi no mesmo momento que errei um passo quase caindo, o que me fez acordar de vez, mas mesmo assim senti Marina entrelaçando o braço ao meu, segurando minha mão.

- Por quê? – Perguntou enquanto subíamos a escada para ir ao banheiro do segundo andar, onde tinha mais probabilidade de estar vazio.

- Pensei ter alguém atrás de mim ontem quando estava indo para o ponto de ônibus. – Disse tentando fazer soar engraçado, fazendo piada de mim mesma por ter sido medrosa.

- Como assim? – Perguntou Marina séria, o que me fez parar de rir.

- Não sei. – Disse abrindo a porta do banheiro. – Só tive a impressão.

Marina fechou a porta e se escorou na parede, me puxando para perto, passou uma mão levemente no meu rosto, eu não sabia se estava com a cara amassada ou se meu olhar transparecia o quão cansada eu estava, mas assim, olhando para ela eu não conseguia pensar em nenhum problema, apenas fiquei sorrindo sem me importar com o resto.

Marina começou um beijo, e depois outro e outro. Minha insegurança com as coisas em geral que tinham acontecido em menos de uma semana se desfaziam ali, nos lábios dela que estavam gelados mas eram o suficiente para me esquentar.

O sinal tocou no lado de fora, pessoas andavam no corredor, Marina encerrou o beijo  e sorriu para mim, seu cabelo caindo em direções opostas, nunca vou me cansar de dizer o quanto ela é linda.

- Vamos. – Disse me puxando pela mão.

 

O dia passou relativamente rápido até nosso último período de história, o Mr. Parker estava explicando sobre antigos poetas e formas de poemas.

- Vocês vão vir no jogo domingo?  - Perguntou Aiden.

- Se eu acordar cedo, claro. – Respondeu Emily.

- Não sei. – Respondeu Bekah sincera.

- Se eu acordar cedo, claro. – Marina disse com o mesmo tom de voz que Emily.

-  Marina. – Disse o Mr.  Parker fazendo nós nos sentarmos corretamente em nossas cadeiras. – Já que você está apta a falar hoje quem sabe não pode ser a primeira a apresentar o seu poema? – Mr. Parker não parecia aborrecido, o clima que ele emanava era pura descontração e eu gostava ainda mais dele, além de que, ouvir um poema escrito pela Marina seria no mínimo interessante.

- Só porque o senhor é o meu professor favorito. – Marina respondeu brincando o que fez alguns risos surgirem, no mesmo momento o sinal para a saída soou.

-  Ok então. – Disse Mr. Parker se divertindo enquanto se levantava para escrever no quadro. – Quero todos escrevendo poemas para a próxima aula, então entraremos no novo assunto. – Disse pegando suas coisas. – Marina vai ser a primeira.

 

Uma das piores sensações do mundo é quando você sai de um local fechado para a rua e a claridade chega a machucar os seus olhos, os meus olhos sempre doeram muito quando eu saia para um lugar claro subitamente, mesmo tendo olhos escuros. Acredito que esse foi o motivo pelo qual demorei para perceber o carro estacionado noutro lado da rua, um garoto de cabelo abundante e levemente cacheado ruivo se encontrava escorado em uma árvore.

Marina continuou andando em direção ao seu carro no estacionamento então eu apenas a segui, sem tirar os olhos do garoto que atraía olhares das garotas, do mesmo jeito que ele não fazia questão de esconder estar fuzilando Marina com o olhar.

- Samuel não é? O garoto da Harley .. – Ouvi alguns garotos cochicharem ao passar.

- A Kate do Cheer’s disse que ninguém nunca transou como ele transa.. – Disseram algumas garotas do primeiro ano aos risos e empurrões ao passarem, a os cochichos iam ficando mais alto como um efeito dominó a medida que andávamos.

Ao chegar no carro Marina abriu a porta traseira e jogou a mochila para dentro fechando a porta em seguida.

- Hum, aquele é o Sam? – Perguntei apesar da resposta ser óbvia.

- Quer ir conhecer ele? – Disse Marina com um sorriso estranho que me passou qualquer coisa menos conforto, não tive tempo para responder pois ela já havia trancado o carro e enlaçou o braço ao meu me guiando para andar ao seu lado enquanto atravessávamos o pátio em direção a rua.

- Não quero ser invasiva ou de qualquer jeito te fazer achar que quero me intrometer. – Comecei a falar, tropeçando nas palavras enquanto caminhávamos lentamente entre os burburinhos, Marina correu a mão em meu braço até achar a minha mão e a apertou gentilmente, o que foi o jeito dela de dizer que eu podia perguntar o que eu quisesse sem me preocupar, e apesar de não ter funcionado muito sei que ela tentou sorrir, mas mesmo assim eu me senti  melhor, se ela te olhasse do jeito que me olhou, cara você também se sentiria e esqueceria de todos os problemas mesmo que só um pouco.

- Eu só ia perguntar que talvez tenha uma possibilidade dele estar, digamos meio bravo com você? – Disse sem querer soar irônica mas a expressão no rosto do Sam não tinha nada de “talvez” ou “digamos”.

- Digamos que sim. – Respondeu Marina agora soltando meu braço, estávamos atravessando a rua.

Conforme nos aproximamos uma espaço considerável para deixar claro que estávamos indo falar com ele, o peso do clima entre os dois era esmagador, eu queria inventar qualquer desculpa para sair dali, porque claramente eu nem devia ter vindo com ela, mas se ela me chamou eu não vou simplesmente sair andando ou dar uma desculpa, eu queria estar do lado dela. Do Sam, bem, nem tanto.

- Esse não é um lugar bem recomendável para estar, pelo menos se eu você fosse. – Disse Marina com tom de voz sério, mas não o sério usual dela, onde ela parece estar dando uma ordem ou acima de tudo e de todos, eles simplesmente estava falando sério, ela realmente acreditava em cada palavra que disse.

- Esse não é o tipo de coisa recomendável para fazer, pelo menos se eu fosse você. – Disse Sam olhando nos olhos de Marina, que apenas o encarou por alguns segundos e desviou o olhar, assim como Sam que olhou para os pés por uma fração de segundo e quando levantou o olhar olhava diretamente nos meus olhos.

Eu não sabia como me sentir em relação a ele, era como se ele conseguisse olhar através da minha alma e ler cada pensamento, como Marina exalava superioridade, porém em uma escala muito maior.

- Nem ao menos nos apresentou. – Disse se ajeitando para me cumprimentar. – Se minha memória não falha seu nome é Bianca. – Disse dando apertando minha mão, me limitei a fazer um leve aceno positivo com a cabeça.

- Se a minha memória não falha o seu é Sam. – Disse pegando a mania da Marina de repetir a última frase da pessoa.

- Samuel. – Disse mudando o tom, claramente eu tinha atravessado uma linha chamando-o de Sam e ele claramente não gosta de ser chamado assim.

- E se a minha memória não me falha. – Disse Marina agora sem esconder uma certa irritação na voz. – Você deveria estar fora da cidade. Fazendo o seu trabalho. – Ela disse essas palavras duramente.

Sam inclinou a cabeça na direção do ouvido dela como se fosse contar um segredo de maneira irônica já que falou alto.

- Eu estaria fazendo o meu trabalho se alguém não me desse trabalho, não acha maninha? – Marina se afastou dele com um passo para trás, mantendo um perfeita calma, ou disfarçando muito bem.

- Primeiro quem passou a vida toda arrumando a merda de “maninhos”, fui eu, não é mesmo? E segundo, não lembro de ter pedido sua ajuda com nada.

- Só porque você era uma agente um pouco acima da média acha que conseguiria ficar de fora por descrição melhor? Ou é só pensar “hum, acho que vou levar uma vidinha de gente normal porque deu vontade”, não! E você não pode resolver tudo sozinha Marina, o que eu vim pra te falar vai provar que você precisa sim da nossa ajuda dessa vez. – Sam respondeu calmamente, quem visse a cena ao longe pensaria que era apenas uma conversa de dois adolescentes entediados e não uma discussão.

- Agente? – Cortei Marina antes que ela pudesse responder ao irmão.

Marina esboçou algo para começar a falar mas apenas respirou fundo e passou a mão nos cabelos, mania que tinha quando ficava agitada. Eu simplesmente não podia acreditar no que eu tinha ouvido, eu nem sei o que um agente faz de verdade meus conhecimentos se limitam aos desenhos que eu assistia na TV quando era menor, mas de algum jeito eles faziam parecer colorido e maravilhoso, quando na verdade da medo e é assustador. Cheguei a conclusão que desenhos de agentes para crianças são a mesma ilusão que filmes sobre amor perfeito para os adultos.

Sam soltou um assovio do tipo que você escuta alguém soltar quando algo tenso acontece e você esta só de espectador assistindo a cena.

- Você não contou mesmo para sua namorada sobre..Bem, tudo?- Disse Sam pela primeira vez com um sorriso no rosto, apesar de ser pequeno e totalmente debochado. – E depois fala que eu sou um cara sem sentimentos. – Disse voltando a se escorar no carro.

- Ela não é a minha namorada. – Disse Marina agora realmente irritada e em um tom mais alto que o necessário, e a sensação que veio junto com essas palavras doeram, doeram como se alguém tivesse colocado brasas no meu corpo, ao mesmo tempo que eu sentia a adrenalina subindo como calor a dor que eu senti foi tão real quanto o vento que balançava meu cabelo.

Marina percebeu o que ela falou, o jeito como falou e olhou para mim, eu engoli seco e virei o rosto, não queria olhar para ela não queria que ela olhasse para mim, eu só queria desaparecer.

- Três minutos. – Disse Sam entrando no carro e fechando a porta, Marina lançou um olhar tão ruim que mesmo não vendo, ele deve ter sentido, e em seguida me guiou alguns passos para longe, perto de algumas árvores.

- Não acredito que você omitiu esse pequeno detalhe importante de mim. – Disse de uma vez rapidamente verdadeiramente magoada, tantos momentos em que algo parecia a perturbar e eu estava aqui o tempo o todo, disposta a ajudar e a tentar compreender.

- Eu não podia simplesmente sair por ai falando que já fui uma agente para qualquer um. – Marina parecia escolher as palavras cuidadosamente. – Ou a minha tentativa de tentar ter algo perto de uma vida normal seria totalmente em vã. – Marina se aproximou mais e tocou meu braço com um jeito de consolo. Queria afastar a mão dela, mandar ela para o inferno mas ao mesmo tempo eu queria que ela me abraçasse forte, tão forte que grudaria todos os caquinhos quebrados dentro de mim. – Você entende? – Ela perguntou.

- Sim. – Foi o que eu respondi dando um passo para trás fazendo a sua mão desencostar meu braço.

Ficamos em silêncio por alguns poucos segundos que viraram horas, eu queria perguntar, ela sabia que eu queria, mas os olhos dela suplicavam para não fazer a pergunta, apenas me recompus e resolvi fazer a última coisa que eu tinha certeza que seria certo agora.

- Preciso ir. – Eu disse usando todo o resto da minha força de controle emocional para manter meu rosto inexpressivo.

- Desculpa por ter que cancelar outra carona por causa de, - Marina deu uma pausa. – Trabalho de família.

- Não faz mal. – Disse abrindo um sorriso que eu não precisaria ser outra pessoa para saber que foi provavelmente o mais falso da minha vida. – Tchau. – Disse, arrumando a mochila no ombro, pronta para sair.

- Te mando mensagem mais tarde. – Marina fez menção de me abraçar mas eu fingi não ter percebido e comecei a caminhar para longe.

Caminhei entre as pessoas que estavam pelo pátio o mais rápido que eu pude, queria olhar para trás, e não olhar foi uma das coisas mais difíceis que eu já fiz.

- Tudo bem? – Perguntou alguém quando eu quase cai por cima da pessoa.

- É, sim, foi mal. – Disse levantando o rosto, Emily me encarava curiosa.

- Aconteceu alguma coisa? – Perguntou.

- Não. – Respondi e sai dali, tão rápido como eu tinha deixado Marina e Sam para trás antes.


Notas Finais




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