História Escala de Cinza - Capítulo 8


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Categorias Infinite
Personagens Myungsoo (L), Sungjong, Sungyeol
Tags Infinite, Myungyeol, Myunsoo, Sungyeol, Yaoi
Exibições 32
Palavras 2.233
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ecchi, Famí­lia, Lemon, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Violência, Yaoi
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Suicídio, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Vocês devem estar de perguntando "como assim essa fanfic atualizou se já tava terminada???" MAS FOI UM ACIDENTE SOCORRO o capítulo 7 seria o penúltimo capítulo, inclusive eu coloquei isso nas notas finais (espero que tenham lido), mas enfim... agora sim a fanfic está acabando. Eu nunca achei que um dia eu iria chorar escrevendo uma fanfic, mas eu estava completamente errada. Eu chorei tanto escrevendo esse capítulo que tive que fazer uma pausa antes de continuar porque eu não tava conseguindo.
Queria agradecer as pessoas que leram e que se envolveram com a história junto comigo. Eu tinha achado que a fanfic teve pouca repercussão, mas hoje eu vi que essa fanfic está na segunda página das fanfics mais populares myungyeol e eu dei o famoso grito da pantera ficwriter. Sem mais delongas eu tenho certeza que vocês vão chorar também. Desculpa. Obrigado.
Desculpa.

Capítulo 8 - Cinza


  Aquele era sem dúvida o dia mais frio do ano. O céu estava cinza e Sungyeol tinha certeza que o céu também chorava pela perda que tiveram. Só tinha seus pais e Sungyeol no velório de Myungsoo porque eles eram as únicas pessoas que ele tinha. O pai de Myungsoo consolava sua esposa, mas não tinha poder para isso já que estava completamente devastado. Sungyeol continuava tentando segurar o choro porque não aguentava mais chorar, mas, quando colocaram o caixão em que agora abrigava o corpo de Myungsoo dentro da cova, ele não conseguiu mais segurar e chorou pela décima vez naquele dia. Sua mente ainda tentava se acostumar com aquilo... Foi tudo rápido demais para conseguir processar. Quando começaram a jogar terra sobre o caixão, a mãe de Myungsoo caiu ainda mais em desespero e começou a gritar. Seu corpo já não tinha forças, caiu sobre os joelhos e tentava de todas as maneiras parar as pessoas que continuavam jogando terra em seu filho. Sungyeol estava sem reação.

Aquilo não podia ser real.

Não podia.

 

 

O silêncio naquela sala chegava a ser perturbador, aquela casa nunca mais seria a mesma. O único barulho que se podia ouvir era os suspiros do choro da senhora Kim. Sungyeol não sabia o que estava fazendo ali... Só de estar sentado no mesmo sofá em que um dia Myungsoo sentou já o fazia perder completamente as poucas estruturas que tinha e ele não queria mais que isso acontecesse, mas aquela casa era um cemitério.

 

- Você... – o senhor Kim se pronunciou pela primeira vez no dia – você pode ir ao quarto do Myungsoo e pegar qualquer coisa que quiser.

 

- T-tudo bem. – a voz de Sungyeol estava embargada.

 

  Sungyeol levantou-se e respirou fundo porque precisaria de forças para enfrentar aquilo. Subiu os 14 degraus e deu os seis passos que davam até o quarto de Myungsoo. Teve que meditar por alguns segundos antes de abrir a porta do quarto. Não estava preparado para não vê-lo mais ali. Ao abrir a porta, Sungyeol sentiu uma fraqueza passear pelo seu corpo. Estava tudo exatamente igual desde a última vez que estivera ali. Sentou-se na cama de Myungsoo, pegou o seu travesseiro e foi então que percebeu que era a pessoa mais triste do mundo. O cheiro de Myungsoo continuava lá e Sungyeol chorou as mais dolorosas lágrimas enquanto abraçava o travesseiro porque aquela era a coisa mais próxima que teria de Myungsoo de agora em diante.

Demorou para que Sungyeol conseguisse se recompor já que sentir o cheiro de Myungsoo fora como uma facada em seu peito. Após conseguir parar de chorar por alguns minutos, Sungyeol começou a olhar as coisas de Myungsoo na esperança de encontrar alguma coisa que pudesse lembrar os momentos que passaram juntos. Não soltou o travesseiro em nenhum momento.

Estava vasculhando a gaveta do criado mudo quando algo em particular chamou sua atenção. Era um envelope de carta um pouco amassado e jogado na gaveta. “De: Myungsoo. Para: Sungyeol” . Era o que dizia o envelope. O coração de Sungyeol começou a bater muito rápido assim que viu o envelope, teve que respirar fundo várias vezes para conseguir controlar. Sungyeol pegou o envelope e decidiu abrir em casa porque não conseguia mais ficar ali. Lee enxugou as lágrimas enquanto descia as escadas porque de certa forma queria tentar ser um ponto de equilíbrio para os pais de Myungsoo mesmo que não tivesse capacidade emocional para isso.

 

- Encontrou alguma coisa? – o senhor Kim pergunto assim que viu Sungyeol.

 

- Sim, eu encontrei uma carta... Bem, não sei ao certo. Acho que já vou indo.

 

- Eu te levo em casa.

 

- Não, não precisa. Obrigado mesmo assim.

 

  Sungyeol abraçou o senhor Kim e depositou um beijo na testa da senhora Kim antes de sair. Tentou dar um sorriso para demonstrar que tudo ficaria bem, mas foi em vão.

 

 

  Sungyeol ficou encarando o envelope amassado sobre a sua mesa durante a tarde inteira. Não sabia se estava preparado para ver o que tinha ali dentro, mas queria muito saber. Passou a mão no rosto e decidiu que era a hora certa para saber o que era aquilo mesmo que seu coração estivesse acelerado pensando nas possibilidades do que poderia ser. Abriu o envelope, suas mãos estavam trêmulas. Tinham alguns papéis dentro do envelope e, olhando rapidamente, pôde perceber que tinham palavras escritas à mão. Colocou os papéis sobre a mesa de novo e ficou os encarando. A vontade de chorar só ao ver a letra de Myungsoo era incontrolável. Após alguns minutos encarando os papéis, Sungyeol endireitou sua postura, pegou os papéis e começou a ler.

 Não sei por onde devo começar. Isso é difícil... Se você estiver lendo isso eu provavelmente estou morto. Acho que essa seria a melhor maneira de começar. Talvez. Eu não sei ao certo o motivo de estar fazendo isso, mas é necessário que eu esclareça algumas coisas que eu não consigo falar porque minha mente é um labirinto. Eu sei de tudo. Eu sei. Eu tenho total consciência de que eu tenho um problema, mas a questão é que eu não sei lidar com isso... Quando eu penso que eu estou conseguindo controlar e viver de uma maneira normal as vozes começam a sussurrar no meu ouvido coisas que eu não consigo suportar então eu grito o mais alto que posso ou choro todas as lágrimas que estão guardadas. Eu sei que o Sungjong não é real, eu sei que a parede do meu quarto está completamente limpa, mas parte de mim não consegue acreditar na realidade e essa parte é mais forte do que a que tem consciência do meu problema.

Não sei ao certo como isso começou, mas lembro da primeira vez que eu comecei a ouvir as vozes dizendo que eu não era capaz de fazer nada, que eu não merecia estar vivo, que eu era inútil e em todas as vezes que eu ouvia as vozes eu me entregava completamente a elas porque eu era fraco demais para elas... Acho que você não quer saber sobre isso, mas de certo modo eu queria que você soubesse porque as vozes já me disseram que você desistiria de mim, que você era apenas meu psicólogo nada mais e que você não me amava. Eu não acreditei, mas elas soavam tão convincentes então foi ai que eu me descontrolei e quebrei o seu vazo. Desculpe por isso.

Eu não tenho certeza se eu consegui demonstrar isso direito, – eu espero que sim – mas você foi a melhor coisa que já me aconteceu. No começo eu tinha um pouco de receio sobre você porque fazia muito tempo que eu não tinha contato com outras pessoas que não fossem minha mãe e meu pai, mas eu soube que você era a pessoa que conseguiria me tirar desse poço de agonia quando você conseguiu silenciar as vozes. Não sei se você vai lembrar... Foi no hospital, elas começaram a falar que eu deveria estar morto e eu comecei a chorar porque eu não aguentava mais aquilo e então você me abraçou. Instantaneamente as vozes pararam. Ninguém nunca foi capaz de fazer aquilo por mim... Nem mesmo minha família com quem eu vivi a minha vida toda.  Você fez com que minha vida não fosse mais um fardo e me trouxe algo que eu nunca imaginaria que um dia eu tivesse...

Alguém bateu na porta tirando a concentração de Sungyeol, mas de certa forma ele não achou ruim porque estava prestes a chorar de novo. Não aguentava mais chorar.

Colocou a carta sobre a mesa e foi até a porta. Seus olhos estavam tão inchados que mal conseguia ver o caminho até a porta.

 

- Jesus! – Howon falou espantado assim que Sungyeol abriu a porta. – Por que parece que você só fica com a aparência pior cada vez que nos encontramos?

 

- O que faz aqui?

 

- É bom te ver também, Lee Sungyeol.

 

- Desculpa, mas é que eu...

 

- Tentei te ligar e você não atendeu então resolvi vim aqui. – Howon o interrompeu.

 

- Meu celular está quebrado.

 

- Eu achei que seria bom se a gente saísse para tomar alguma coisa pelos velhos tempos. – Howon deu um leve soco no ombro de Sungyeol.

 

- Não sei se é uma boa hora.

 

- Ah, vamos. – Howon sorriu.

 

 

  Howon continuava falando sobre aquele barco estúpido que herdou do seu avô enquanto Sungyeol renovava o seu copo e fingia prestar atenção, mas só conseguia pensar naquela carta.

 

- E eu tenho certeza que no final do ano vou poder fazer uma viagem com aquele barco custe o que custar.

 

- Bom...

 

- Sungyeol, você está bem?

 

- Não. – Sungyeol nunca fora tão sincero consigo mesmo.

 

- Quer me contar o que aconteceu?

 

- Você quer mesmo saber?

 

- Claro! Eu sou seu amigo, quero te ajudar no que foi preciso.

 

- Não vou conseguir ser ajudado nesse caso.

 

- Seja mais claro.

 

- Você já perdeu alguém muito especial? Digo, perdeu para a morte?

 

- Meu avô – soou mais como uma pergunta.

 

- Pois é. – Sungyeol deu mais gole na bebida. Queria poder se afogar nela.

 

- Você perdeu alguém? Pode me dizer quem?

 

- Lembra-se do meu paciente esquizofrênico? Então.

 

- Sinto muito... Mas ele era tão especial assim mesmo sendo um paciente?

 

- Nossa relação era além de psicólogo e paciente.

 

- Espera! – Howon disse depois de muito processar. – Você gosta de homens?!

 

- Não.

 

- Você está me deixando confuso

 

- Eu amo um homem.

 

 De repente o silêncio de pôs presente pela primeira vez naquela noite, mas Howon ficou olhando para Sungyeol com pena por ter perdido o único homem que já amou, que ama e que amará.

 

 

Quando chegou em casa a primeira coisa que Sungyeol fez foi voltar a ler a carta porque por algum motivo aquilo se tornara a única coisa que o estava fazendo querer viver. Provavelmente leria várias e várias vezes.

 A felicidade. Sentir-me feliz era a última coisa que eu achei que um dia me sentiria, eu não tinha esperança alguma de sentir isso, mas você mudou minhas expectativas. Estar com você se tornou o meu nirvana e isso está longe de ser exagero. Eu espero que você lembre-se disso todos os dias depois de acordar. Quero que lembre que você foi a pessoa que disse que tudo ficaria bem mesmo que as vozes dissessem que já estava na hora de partir. Eu não queria te deixar... Eu não queria mesmo. Você é a pessoa mais importante para mim e eu tenho certeza que vai continuar a ser mesmo após a minha morte. Desculpe-me por ter chegado a esse ponto, mas eu realmente cheguei ao meu limite, eu não estava suportando mais. Eles continuavam dizendo que eu nunca conseguiria pintar de verdade, que ninguém nunca me amaria de verdade e que já estava na hora de só ocupar espaço no mundo já que sou inútil. Nesse momento elas sussurram que você que você não se importa comigo, mas eu estou tentando ignorá-las porque de algum modo eu sei que você se importa.

Eu peço que não fique triste, eu peço que não chorem. Se não conseguir fazer isso por mim faça por você, afinal você já fez tanto por mim é até incontável. Eu quero que saiba que eu estarei em paz porque as vozes finalmente vão ter se calado de vez, Sungjong não vai mais existir, eu não vou ter que tomar os malditos remédios que a minha me dava todas as noites e você não terá mais que se preocupar em procurar algo para me ajudar mesmo sabendo que não havia nada para acabar com a dor que eu sentia. Por favor, não chore.

Eu tenho plena certeza que sabe disso, mas é sempre bom lembrar... Eu te amo. Eu te amo muito. Eu te amo mais que tudo, mais que todos. Eu quero que guarde isso sempre dentro de você e nas horas que se sentir triste lembre-se que eu te amo e vou sempre te amar, mesmo que o meu físico não esteja presente para te dizer isso, saiba que aonde quer que meu espírito esteja eu vou sempre te amar. Eu espero que um dia você consiga entender que o que eu fiz foi a única saída que eu encontrei para acabar de vez com a agonia que eu estava sentindo. Perdoa-me.

P.S.: Eu fiz uma pintura de nós – especificamente do nosso primeiro beijo – enquanto meu lado consciente estava ativo, – isso foi especificamente depois do nosso primeiro beijo – você vai achar entre as folhas. Espero que goste.

P.S.²: Eu te amo. Eu te amo muito. Eu te amo verdadeiramente, profundamente e completamente. Eu te amo

  Sungyeol procurou entre as folhas e encontrou a pintura. Não conseguiu acreditar no primeiro momento em que viu.  Era uma pintura de verdade, os traços eram perfeitos e era exatamente igual ao momento do primeiro beijo deles. Sungyeol teve que segurar muito para que as lágrimas não caíssem porque Myungsoo pediu para ele não chorar. Decidiu que iria, em um futuro próximo, emoldurar aquela pintura. Sungyeol cuidadosamente guardou a carta e a pintura e então se jogou no sofá. Ficou pensando em Myungsoo, como era de costume, e então sorriu. Dessa vez foi um sorriso de verdade. Sungyeol sorriu porque se pode considerar sortudo porque amou, ama e sempre amará Kim Myungsoo. 



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