História Escolha-me - Capítulo 13


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Categorias A Seleção, Naruto
Personagens Akamaru, Chouji Akimichi, Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Hanabi Hyuuga, Hinata Hyuuga, Hyuuga Hiashi, Ino Yamanaka, Iruka Umino, Kakashi Hatake, Karin, Kiba Inuzuka, Kurama (Kyuubi), Matsuri, Naruto Uzumaki, Personagens Originais, Rock Lee, Sai, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Shino Aburame, Shion, Shizuka, Temari, TenTen Mitsashi, Tsunade Senju
Tags A Seleção, Gaamatsu, Hinata, Hyuuga, Livro, Naruhina, Naruhota, Narushion, Narushizu, Naruto, Universo Original
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Palavras 4.888
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção, Luta, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Suspense
Avisos: Adultério, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 13 - Capítulo 13


Fanfic / Fanfiction Escolha-me - Capítulo 13 - Capítulo 13

Hoje, não poderia conceder demais à minha desconfiança, visto que, agora, não é tempo de agir, mas apenas de meditar e de conhecer.

René Descartes

 

Naruto

A minha frente: Sakura, Shikamaru e Sai. Abaixo a cabeça e massageio minhas têmporas nervosamente. Parece que carrego o mundo em minhas costas. Nada parece ir em direção ao caminho correto ou esperado em que as coisas deveriam naturalmente fluir. Absolutamente nada. Aliás, sinto-me como um verdadeiro prisioneiro dentro desse reality show.

Uma prisão! Bastava uma conversa com a Hinata e tudo isso seria resolvido. Eu já estou definitivamente decidido e inclinado a isso. Ela seria a minha grande e eterna escolha. Ou vocês acham mesmo que ainda existem maneiras ou meios de eu continuar fugindo ou negando o que há em meu coração? Não. Não tem como. Não mais. É bem mais forte do que eu. Eu já até me dei por vencido. Eu a quero e ponto final.

O problema é que, quanto mais tento livrar-me disso tudo, mais eu me vejo enrolado em uma teia infinita que me mantém preso a esse reality. Eu não consigo um minuto de paz. Um minutinho sequer de tranquilidade. Conversar com a Hinata tornou-se até uma missão impossível. Primeiro, o possível atentado contra Hotaru. Depois, à noite, ainda teremos um jantar de gala com Chojuro, o atual Mizukage da Vila da Névoa. Tudo para estreitar os laços entre nossas vilas e com o objetivo único de manter a paz, meu principal desejo, desde sempre.

Eu, às vezes, até me pergunto se darei conta de tudo isso. Será que no final sofrerei um ataque do coração? Quem sabe terei um surto nervoso, tamanha a pressão que tenho sofrido nos últimos dias. Ou, no mínimo, sentirei alguns sintomas do meu esgotamento físico e psicológico. Não importa. Pela paz e por justiça, vou até o fim.

- Sai, algum avanço nas investigações? – questiono esperançoso. Uma boa notícia no meio de tudo isso cairia bem.

- A única coisa que concluímos é que o culpado ou a culpada não queria assassiná-la. Só assustá-la.

- Como assim?

- O veneno não era mortal. – Sakura esclarece.

- Queriam apenas que ela desistisse. – penso em voz alta.

- O que nos leva a crer que possivelmente o mandante é uma das meninas. – suspiro derrotado com o que Sai acaba de me dizer.

Uma delas seria capaz de cometer um ato criminoso? Se sim, terá que responder a justiça de Konoha, claro.

- Entendo. Mas, qual delas? – seguro minha cabeça. Parece que vai explodir a qualquer momento.

– Analisando os fatos, sabemos que Matsuri está fora de cogitação. – Sai tem razão. Não é do interesse dela continuar na competição e muito menos ameaçar uma das concorrentes. Ela está com o Gaara. – Sobra Yukata, Shizuka, Shion e Hinata.

– Shikamaru. – clamo pela ajuda do gênio do grupo.

- Sim. – aproxima-se. – Não acredito que seja Hinata. Ela é ninja de Konoha, passa periodicamente por uma avaliação psicológica e, como a conhecemos, podemos facilmente afirmar que não faz parte do seu caráter fazer tal coisa. – menos uma suspeita e, pela graça, é a Hinata, com toda certeza. – Yukata também não me parece suspeita, apesar de se mostrar encantada com você. Gaara mesmo nos enviou as avaliações psicológicas dela e nada nos leva a crer que teria essa mente doentia. – concordo com a cabeça. – Sobra Shion e Shizuka.

- E, o que tua intuição diz? – pergunto receoso.

- Bem... - respira fundo e olha para Sakura e Sai, como se ambos concordassem já com suas suspeitas. – Temos tido muitas queixas em relação à Shion. A forma como ela tenta manipular e provocar as outras concorrentes levantam suspeitas. Tsunade mesmo a flagrou ameaçando a Hinata. – arregalo os olhos. Se ela sequer pensar em encostar o dedo mínimo na Hinata, nem sei do que sou capaz.

- Eu a eliminarei ainda hoje. – digo sem pestanejar - Agora, por sinal. – faço menção em me levantar.

- Calma, Naruto. Eu não recomendo isso.

- Como não?  Ficou louco, Shikamaru? – vocifero. – Ela não é mais confiável. Não posso colocar a proteção das outras meninas em risco.

- Pense bem, Naruto. – desabo na cadeira. Sinto-me ainda mais cansado. Exausto seria o termo correto. – Se a eliminarmos, nunca teremos certeza se ela realmente é a culpada ou não.

- O que recomenda então?

- Devemos trocar as ninjas que a acompanham por alguém de nossa extrema confiança e disposta a vigiá-la vinte e quatro horas por dia.

- Quem?

- Podemos fazer uma troca. Kurenai e Tenten ficam com a Shion e as ninjas que acompanham a Shion com a Hinata.

- Nunca. – eles arregalam os olhos, incrédulos com minha decisão. – Conheço os atributos e as capacidades da Hinata. Sei que ela é capaz de se defender sozinha, caso necessário. Não duvido disso; mas, fico mais tranquilo sabendo que Kurenai e Tenten estão a acompanhando, ainda mais em um momento como esse.

- Certo.

- Que tal a Ino? – sugere Sakura. – Aquela porca não tiraria os olhos da Shion; e, o melhor de tudo, é uma especialista no que diz respeito a mente humana.

- E, por que me diz isso?

- Não confia na Ino? – Sai ofende-se.

- Não é isso, Sai.  Ino é uma de nossas melhores ninjas e confio nela de olhos fechados. – esclareço. – Só não entendi o porquê da Sakura a recomendar por ser uma especialista na área da psiquiatria.

- Como sabem, nós já a conhecíamos anteriormente; e, analisando-a agora e levando alguns fatos em consideração, temo que a Shion esteja enfrentando ou tenha algum transtorno psicológico ou até mesmo psiquiátrico.

- Não confunda desvio de caráter com transtornos psiquiátricos, Sakura. – alerta Shikamaru.

- Sim; mas, não podemos descartar essa hipótese. – olha Shikamaru. – Não é normal uma pessoa perseguir outra a troco de nada.

- Como a troco de nada? Ela tem um único objetivo: Naruto. – aponta para mim.

- Que seja! Mas, ficaria mais tranquila com uma avaliação da Ino.

- Está decidido. Shion fica, Sai continua as investigações e Ino passa a ser sua acompanhante. Quero que tudo seja feito com discrição. Se ela desconfiar de alguma coisa, não conseguiremos comprovar nada. – respiro fundo e continuo. – Quero relatórios diários em minha mesa. E, Sai...

- Sim?

- Seja breve nas investigações. Esse reality show já tem data e hora para terminar. – dou as minhas últimas ordens.

- Naruto. – Shikamaru chama minha atenção.

- O que foi agora? – estou à flor da pele. Nunca me senti dessa forma.

- E a Hotaru no meio disso tudo?

- Conversei com ela. – aviso-os. - Continuará na competição e já pedi que seja discreta, não comentando nada com ninguém. Prometi que encontraríamos o culpado e conto com vocês para isso.

- Claro. – tenta me tranquilizar com um olhar.

- Estão dispensados.

- Hai.

- Naruto, será que poderíamos conversar a sós? – Sakura pergunta timidamente. – Em privado?

Por Kami, outro problema? Não é possível.

- Claro. – vejo Shikamaru e Sai retirando-se do meu escritório e volto-me para Sakura. – Diga-me, Sakura-chan. Algum problema?

- Não. Nenhum problema. É que eu...  – gagueja e eu a analiso. Está nervosa e, de alguma forma, sei que procura pelas palavras certas. Na realidade, está com medo. De quê, ainda não sei. – Eu... – respira fundo e eu fico na espera. – É que eu gostaria que você fosse o primeiro a saber.

- O primeiro a saber de quê?

- Eu e Sasuke seremos pais. – ainda demoro um pouco a processar sua informação. Estou mais lento do que o normal, por incrível que pareça. – Estou grávida de cinco semanas.

- Por Kami! – levanto-me, dou a volta na mesa e vou em sua direção. Ela parece assustada. – Uma boa notícia enfim. – abraço-a.

- Você está realmente feliz com essa notícia?

- Claro, Sakura-chan. – afrouxo o abraço e olho em seus olhos. – O passado ficou para trás. E vocês são meus amigos; não são?

- Oh, Naruto. – seus olhos ficam marejados. – Eu estava com tanto medo da sua reação.

- Não sei por que.

- É que... - ela se engasga em meio as lágrimas e volta a me abraçar mais forte. - ...pode não parecer; mas, sua opinião e aprovação sempre foram muito importante para nós dois.

- Sabe, Sakura-chan? Hoje, eu vejo. Vocês dois sempre foram feitos um para o outro. Não tinha como ser diferente.

- Assim como você e Hinata nasceram para estarem juntos?

- Do fundo do meu coração, espero que sim.

 

Entenda, é apenas você que eu quero. Quero seus beijos, seus abraços, e olhar bem de perto cada sorriso seu.

Junior Araujo

 

Hinata

O dia foi corrido. Agora, estou no topo das escadas, em um vestido apropriado para um jantar de gala, azul tiffany, longo, com uma saia esvoaçante, um laço preto na cintura, um decote ombro a ombro e com rosas aplicadas no decote. Os cabelos estão presos em um coque com uma trança discreta no alto da cabeça. A maquiagem leve, dando destaque maior aos olhos, maquiados de rosa e marcados por uma sombra azul na linha d´água. Nada, além disso.

Sinto imediatamente a ansiedade em encontrá-lo corroer meu coração e percorro meus olhos por todo o salão a sua procura. Nada. Reparo então na decoração. Lindíssima. Espetacular. Sem palavras para descrever tamanho bom gosto.

Foi montada uma espécie de estufa no jardim, decorada por longas cortinas corais, prometendo um ar mais leve e jovial ao futuro jantar. Além disso, tal como o almoço do dia anterior, investiu-se em móveis rústicos, proporcionando um clima mais acolhedor. Nos lounges, espalhados pelo salão criado, foram distribuídos sofás em cores neutras, que contrastam com os pufes em tons bem mais fortes, as palmeiras, as toalhas corais das mesas e os arranjos grandes e feitos de flores coloridas.

Continuo passeando meus olhos pelo salão. Vejo Sasuke com a Sakura, Ino com o Sai e até Shikamaru com Temari, fora outros convidados que nem ao menos conheço de vista. Nenhum sinal do Naruto-kun.

Vejo três ilhas gastronômicas, centralizadas entre as mesas dos convidados. Tanto a primeira, destinada aos queijos, frios e frutas, quanto a segunda, destinada as comidinhas individuais, como os ceviches e os sashimis, seguem o mesmo estilo de decoração, com coqueiros e folhagens dispostos nelas. Já a minha ilha predileta, a destinada aos doces, é decorada por um lindo arranjo floral, muito similar ao da mesa dos convidados.

Desço os degraus aos poucos. Em um canto, encontro Shion, de cabelos soltos e conversando com alguns membros do Conselho de Konoha, em um lindo vestido com fenda e moldado na parte de cima com uma espécie de tela prata bordada. Shizuka, em outra parte do salão, conversa com a produção do programa, em um vestido vermelho, com fenda e um decote poderosíssimo. Estão vestidas para matar.

Nos pés da escada, avisto Matsuri, com um sorriso de orelha a orelha, conversando com o Gaara e a Yukata. Matsuri está verdadeiramente iluminada em um vestido azul celeste, em estilo grego e com um cinto feito por strass. Já Yukata ousou com um traje cinza, dividido em duas partes: uma saia longa e com excelente caimento mais um top feito pela mais rica renda. Estão lindíssimas.

Finalmente encontro Naruto-kun, olhando para mim. Veste um smoking tradicional, que deixa ainda mais visível seu físico. Por kami, que homem! Como eu o amo e o desejo em minha vida.

É espontâneo e instantâneo. Ele sorri e eu retribuo o sorriso. Juntos, atravessamos o salão. Um passo de cada vez. Um andando de encontro ao outro. Quando nos posicionamos frente a frente, eu tenho a mais absoluta certeza de que não preciso de mais nada para ser feliz. Eu só preciso dele em minha vida. É que ele me basta. É que eu definitivamente sou completamente apaixonada por ele e eu sei que ele sente todo esse amor, que guardei a vida inteira dentro de mim e somente para ele, apenas olhando para mim, como me olha nesse momento, por exemplo.

 - Hime, você está linda. – seus olhos brilham e eu vejo meu reflexo dentro deles.

- Arigatô, Naruto-kun. – faço uma pequena referência em forma de agradecimento. – Digo o mesmo. Você está encantador.

- Vem comigo. – puxa-me pela mão e anda até a saída.

- E os convidados, Naruto-kun?

- Depois eu resolvo isso. – diz pausadamente, desacelerando ao perceber Hotaru e justo o Mizukage  vindo até nós. – Merda! – resmunga baixinho.

Matsuri em um vestido esplendoroso e verde água, com tiras na cintura que ligam o decote a saia, coloca-se a nossa frente, impedindo a nossa passagem. Naruto-kun bufa, contrariado; e, eu tento disfarçar o clima tenso que se criou.

- Ohayo, Naruto-sama. – cumprimenta e aponta para o homem ao seu lado. - O Mizukage gostaria de conhecer a Hinata.

- Nani? – Naruto estranha essa informação, bem como eu. O que aquele homem poderia querer comigo?

- Como vai, Uzumaki? – faz uma pequena referência como os protocolos exigem. Naruto-kun não retribui o gesto. Parece desconfiado. – Hyuuga Hinata. – Vira-se para mim e eu retribuo o cumprimento, referenciando-o. – Já te achava encantadora; mas, pessoalmente e depois de tanto tempo, devo ressaltar que é e está ainda mais linda.

Pisco os olhos diversas vezes. Coro e nem sei bem como reagir aos seus elogios. Naruto-kun ao meu lado está mais tenso que nunca. Segura ainda mais firme minhas mãos como se eu fosse escapulir entre seus dedos. E, eu me sinto perdida no meio de toda essa situação inesperada e constrangedora.

- Devo alertá-la que caso o Uzumaki seja tolo o suficiente para dispensá-la, eu jamais serei.

Por Kami! Que homem mais inconveniente. Será que ele não via o quanto desconcertantes eram seus galanteios? O pior disso tudo era averiguar o quão vermelho estava o rosto do Naruto-kun e o quanto ele tentava se controlar ao meu lado. Eu precisava agir. Não poderia jamais permitir que um clima como esse viesse a prejudicar os possíveis acordos entre as duas vilas. Sem contar que eu precisava colocar um ponto final nas possíveis segundas intenções do Mizukage.

- Fico lisonjeada; mas...

- Fica lisonjeada? – Naruto-kun questiona-me, olhando verozmente em meus olhos. – De qualquer forma, posso garantir-lhe que não será necessário que se coloque a disposição da Hinata.

- Será? Até onde eu sei você não escolheu nenhuma das meninas que se colocaram a sua disposição. – provoca; e, verdade seja dita, ele tem razão.

- Eu...

- Naruto, onegai, eu preciso conversar com você.

- Agora, não. – responde ao Shikamaru, olhando nos olhos do Mizukage.

- É importante. – insiste.

- Droga!

Naruto-kun deixa-nos sozinho, batendo o pé como um menino pirracento. Hotaru, por outro lado, aproveita a deixa e se retira. Restam apenas eu e o tal de Chojuro, que sorri para mim como se eu fosse uma presa indefesa e ele um predador cruel.

Sinto-me encurralada e ainda mais perdida. Eu me pergunto: como se age em uma situação dessas de forma a manter a diplomacia entre as duas vilas?

- Eu me lembro de você. – puxa conversa e eu sinceramente nem faço ideia de onde ele possa me conhecer. – Da guerra. – esclarece, percebendo minha confusão. – Lembro-me que passei a admirá-la desde aquele dia.

- Não estou te entendendo, Mizukage-sama.

- Onegai, sem formalidades. – assento que sim. – Eu quis dizer que admirei seus feitos durante a guerra.

- Não fiz mais do que a minha obrigação como ninja e cidadã de Konoha. – sou curta e grossa. – E, também sei que o que diz não procede. Meus feitos foram poucos comparados ao de outros ninjas. – lamento, lembrando-me do Neji. Caso meus feitos fossem tão admiráveis como diz, teria evitado sua morte.

- Oh, não diga isso. – endireita seus óculos. – Se não fosse você, o Uzumaki teria entregado os pontos e Madara ganharia a guerra naquela hora. Todos sabem disso. – fito meus pés, relembrando aquele momento. – Além disso, admiro sua coragem. É notório como a senhorita é uma menina corajosa. A única, por exemplo, que se atirou contra Pain para defender o Uzumaki. – levanto meu olhar.

- Como sabe disso?

- Todos sabem. As fofocas correm em nosso meio à velocidade da luz.

- De que adiantou tudo isso? – lamento. – Não consegui mesmo o proteger. – levanto os ombros, derrotada ao lembrar-me dos meus desempenhos frustrados.

- Pode até ser; mas, como homem, digo que me sentiria extremamente envaidecido em saber que uma linda mulher, como você, colocou sua vida em risco pela minha. Eu sinceramente daria tudo por alguém assim. – segura minhas mãos. – Eu apenas lamento muito que o Uzumaki não perceba o teu real valor.

Querendo ou não, depois das palavras do Mizukage, sinto uma enorme necessidade de sentir que, de alguma forma, mesmo que mínima, o Naruto-kun valoriza a minha pessoa. De sentir que ele vê, sabe e leva em consideração tudo o que eu fiz e faço por ele. De sentir que ele me deseja nem que seja um pouquinho. Mas, basta eu olhar para ele, que nada disso acontecesse. Vejo o exato momento em que ele puxa Hotaru para o centro do salão e dança abraçado a ela.

Sabem, já perdi as contas do tempo que o amo com todas as forças do meu coração. Perdi as contas de quantos dias ou semanas aqui me encontro. Na realidade, mesmo sabendo que dentro desse reality ele não é de ninguém e que eu preciso ter paciência em minha espera, faz tanto tempo que tenho esse sentimento enraizado em me coração, que chegou um ponto que as minhas necessidades passaram a falar mais alto. Eu quero e preciso, por exemplo, de exclusividade. De me sentir desejada e amada.

Volto meu olhar para o Mizukage, que mantém uma conversa mais agradável, sem galanteios e sorridente. É. Pode até ser ingenuidade ou carência da minha parte. Pode ser os efeitos da minha baixa estima; quem sabe? Ou então a Tpm ou a insegurança batendo em minha porta. O fato é que começo a soltar-me um pouco ao seu lado e a conversa entre nós dois já flui sem que aja um clima tenso entre nós dois.

Olho novamente para o Naruto-kun e o vejo ainda dançando com Hotaru, com uma das mãos em sua cintura.  Em seguida, Shizuka se aproxima e toma o lugar da Hotaru. A mesma cena se repete. Sorridente, ele coloca uma das mãos na cintura da Shizuka e começa uma outra valsa. Em nenhum minuto, olha em minha direção.

Suspiro derrotada. E, eu aqui pensando que talvez as minhas para que o tão sonhado “nós dois” acontecesse, tivessem aumentado nos últimos dias. O quanto eu me iludi?

Volto meu olhar e minha atenção para o Mizukage a minha frente. Embora não diga mais os mesmos galanteios do início da noite, é visível em seus olhos o quanto me admira e me deseja. Sorrio.

Ora, sem hipocrisia nenhuma, as vezes é bom se sentir desejada; concordam? E, cá entre nós, apesar de amar muito o Naruto-kun e até acreditar que estou dando passos de formiguinha em direção ao seu coração, ele jamais me deu uma atenção especial. Por muitas vezes até me evitou. Agora, por exemplo, lá está ele e dessa vez dançando com a Yukata.

Os minutos passam. Da Yukata passa a dançar com Matsuri. Por último, Shion. Meus olhos ardem. Nossos olhares se encontram e eu desvio. Estou dando os primeiro indícios de extremo cansaço. Estou cansada de lutar e lutar. É que quero tanto, desejo tanto, sonho tanto... Mas, tudo me parece tão distante. Sinto-me nadando contra a maré, indo contra o fluxo; entendem? No fim, eu me pergunto se acaso conseguirei meu objetivo ou se são só ilusões criadas pelo meu coração apaixonado.

- Gostaria de dançar, Hinata-chan?

- Oh, sim, claro. – aceito sem pestanejar.

 

No amor, o engano vai quase sempre mais longe do que a desconfiança.

François La Rochefoucauld

 

Naruto

Deixei os dois a sós para ter uma conversa em particular com Shikamaru sobre algumas missões em andamento, que precisavam urgentemente de um posicionamento meu. Enquanto conversava, não tirava os olhos dos dois. Vi, por exemplo, o exato momento em que ele segurou suas mãos e senti o ciúme corroer dentro de mim.

 

- Calma! Não faça nenhuma besteira. – Kurama ainda me alerta; mas, finjo até que não a escutei.

 

Puxo Hotaru para uma dança. Olho-a de soslaio e vejo seu olhar de decepção. Seus olhos estão marejados? Não importa. O ciúme fala mais alto e eu continuo como se nada acontecesse em meu íntimo. Cinco minutos depois, Shizuka se aproxima e começa uma rodada de danças entre as meninas e eu. Primeiro, Hotaru. Segundo, Shizuka. Depois, a Yukata e a Matsuri. Quando já estou com a Shion em meus braços, vejo o Mizukage com a Hinata, dançando próximo de nós.

Meu chakra chega borbulhar. A insegurança, que há algum tempo já não sentia, volta a surgir. Os receios, os medos e as dúvidas. Por um momento volto a desacreditar em tudo que, até uma hora atrás, estava convicto. Com isso,  passo o jantar todo a evitando.

- Eu aceito as condições de Konohagakure. – anuncia no término do jantar, ainda na mesa, olhando para a Hinata e erguendo a taça.

Todos comemoram. É inegável que ambas as vilas serão beneficiadas com o acordo político, econômico e de segurança firmado. No entanto, com toda a sinceridade que há em meu coração, isso já nem me interessa mais. Tudo o que penso é que o Mizukage está flertando descaradamente com a Hinata e bem debaixo do meu nariz. Pior. Tudo me leva a crer que ela está contribuindo para que isso aconteça. Ou seja, o ciúme só aumenta, ao ponto de asfixiar o meu coração; e, eu me pego desconfiando dela.

 

Com o ciúme plantei a dúvida, com esta vieram os fantasmas, depois as brigas e agora a distância e a solidão.

Autor desconhecido

 

Naruto

As horas passam. Quando o relógio marca uma hora e trinta e seis minutos da madrugada, Hinata se despede e retira-se para o seu quarto. Nem ao menos dirige uma única palavra a mim. Quase morro. Metade de mim, ainda se mantém impassível e preso ao orgulho, principalmente quando a mesma reserva sua última palavra da noite a ele. A outra metade clama para que eu vá até ela e a exige para mim. Só para mim.

As pessoas continuam me cercando e eu não vejo a hora em que eu possa sair daqui e me refugiar. É que sabem aqueles dias em que você espera ansioso concretizar um objetivo específico; mas, o desfecho é péssimo? Pois então. No final do dia, tudo o que você mais quer é deitar frustrado em sua cama. Comigo não é muito diferente disso.

Em torno das duas e meia da madrugada, consigo finalmente fugir. Entro na mansão, subo as escadas e me deparo com o longo corredor.

Uma enxurrada de medos, inseguranças e ciúmes voltam a martelar meu coração. Eu até tento pensar em alguma boa; mas, tudo o que vem em minha mente são os sorrisos que ela deu para ele. Eu me sinto sozinho e novamente traído de alguma forma.

Com o coração pesado, confuso e impulsivo, ando a passos firmes em direção ao seu quarto.

 

- Vai fazer merda. – Kurama diz, balançando a cabeça em negação.

Eu acredito até que não é um alerta direcionado a minha pessoa. É um daqueles seus pensamentos que escapolem pela boca; até por que, ela sabe muito bem que, na atual conjectura das coisas, de nada adiantará tentar trazer-me à consciência. Estou cego de ciúmes e pelos meus fantasmas do passado.

 

Encosto os dedos na maçaneta, giro e abro a porta, sem nem ao menos me anunciar. O que ocorre a seguir parece até uma cena de cinema que passa diante dos meus olhos e em câmera lenta.

Ela está na sacada. O vento bate em seus cabelos, trazendo-me seu cheiro doce e inebriante. Ela se vira para mim e sorri. Dá um passo em minha direção e eu estendo minha mão direita, sinalizando para que não se aproxime. Ela franze a testa e suas expressões adquirem um tom de confusão; as minhas, tento manter as mais firmes e frias possíveis.

- O que achou do jantar? – pergunto passeando meus dedos pela penteadeira, ao lado da cama.

- Agradável. – limita-se a dizer.

Está mentindo. Sei disso pelo tom de sua voz. Eu me pergunto: por que? Talvez por que desconfie de minhas reais intenções por detrás da minha pergunta.

- Eu imagino. – mantém-se quieta, observando-me. – A presença do Mizukage pode ser bem agradável para alguém como você.

- Então, é isso? Sentiu ciúmes? – ela ainda tem o desplante de sorrir com essa possibilidade.

- Ciúmes?  – gargalho. – Se enxergue, Hinata. Quando eu teria ciúmes por alguém como você? – suas pálpebras oscilam e suas órbitas dançam dentro de seus olhos. – Eu só achei uma falta de respeito vocês flertarem descaradamente bem debaixo do meu nariz.

- Eu não estava... – ela interrompe seus pensamentos. – Você me deixou sozinha. Ignorou-me o jantar inteiro. – acusa-me. - O que queria que eu fizesse? Deixasse o Mizukage sozinho e colocasse o acordo proposto entre as duas vilas em risco?

- Não sou tolo, Hyuuga. – minha voz aumenta um tom. – Eu vi com meus próprios olhos os sorrisinhos, as conversinhas e os toques.

- E, quem é você para me exigir ou acusar de alguma coisa? – surpreendentemente ela me enfrenta e eu vacilo pela primeira vez. Não esperava por isso. Pegou-me desprevenido.

- Ora, ora... colocando as garrinhas de fora? – debocho - A doce Hinata mostrando quem de fato é.

- Só não gosto que me acusem de algo que não fiz e nem tive a intenção de fazer.

- Então, vai negar que não foi agradável sentir o Mizukage flertando você?

- Não. – surpreende-me novamente. Quando ela passou a ser uma caixinha de surpresas para mim? – Não faz parte da minha natureza mentir. É lógico que me senti lisonjeada com seus elogios. As vezes é bom se sentir desejada, principalmente quando se está envolvida com um homem confuso e volúvel, que beija todas as meninas que aqui se encontra.

A conversa vira uma troca de acusações. Seja como for, eu não permitirei que ela ganhe essa discussão. Ninguém mais machucará meu coração e sairá impune. Aliás, eu não correrei mais o risco de ser abandonado novamente e ter como resultado um coração despedaçado. Não viverei outra vez aquela dor e decepção. Não, foi o que prometi a mim mesmo. Ela definitivamente não destroçará meu coração.

- Volúvel? – gargalho outra vez. – Não seja hipócrita. Quando você entrou dentro desse reality, estava ciente de que seria assim. – eu sei que estou indo um pouco longe com as palavras; porém, não vou voltar atrás. Prossigo. Como disse anteriormente, estou cego de ciúmes. Quero extravasá-lo e arranca-lo de dentro do meu peito. – O fato é que você também não pode me exigir nada. Eu nunca disse que escolheria você. - seus olhos trepidam ainda mais. - Muito pelo contrário, desde o início eu mandei você embora.

- Eu sei. - algumas lágrimas parecem surgir no canto de seus olhos. Não tenho certeza.

- Então, qual é a tua? Continuar aqui por conta do meu título como Hokage e flertar com outro na minha cara?

- Eu...

- Quer saber de uma coisa? – interrompo-a - Você é como todas as outras. Talvez até pior. – abaixa a cabeça. - Se faz de inocente; mas, na primeira oportunidade me desrespeita na frente de todos. Por que? Por que um Mizukage é melhor partido para você e teu clã do que um Hokage? – as palavras saem sem que eu me dê conta. Kurama ainda grita dentro de mim para que eu volte a mim. Em vão. – É verdade. Eu até iria te escolher, sim. Mas, dou graças a Kami por não ter feito essa escolha. E, sabe por que? – ainda cabisbaixa e com os cabelos tampando seu rosto, acena que não. – Por que você é pior que a Sakura-chan. Ao menos, ela nunca me iludiu. Nunca fingiu sentir algo que nunca sentiu. Eu aceitei as suas condições. Eu sempre soube que ela amava o Sasuke.

- Eu não sou a Sakura-chan. – diz pausadamente e levanta o olhar.

Seu rosto está banhado pelas lágrimas e o brilho amoroso de seus olhos já não existe mais. Eu chego sentir a áurea negra que percorre por todo o seu corpo. E, é exatamente nesse ponto que eu percebo que fui longe demais. Eu me dou conta que atingi justamente uma ferida que jamais deveria tocar. Arrependo-me instantaneamente e com todas as minhas forças.

- Saia.

- Hinata, eu... – tento concluir a frase, desolado.

- Saia.

- Eu...

- Já mandei você sair. – altera-se.

- Hime, eu...

- Eu não quero saber. Eu não quero sequer escutar mais a sua voz. – abre a porta e oferece-me a saída. – Eu só me pergunto se você mudou tanto assim ou se sempre foi apenas aquilo que eu queria que você fosse. – fico embaixo do vão da porta, olhando em seus olhos. – Eu só queria uma chance. Eu queria tão pouco. – lamenta-se.

- Hinata, nós dois ainda podemos...- digo já do lado de fora, implorando em silêncio para que ela me perdoe.

- Não. Não podemos. Amanhã mesmo anuncie minha eliminação no programa. – ordena. - Você conseguiu, Naruto. – é fria como jamais imaginei que pudesse ser. - Estou fazendo o que me mandou fazer desde o início. Estou desistindo de você. – fecha a porta.


Notas Finais


bjs


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