História Espelho - Capítulo 10


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Tags Bts, Jikook, Kpop, Romance, Século Xix, Taegi, Vga
Exibições 109
Palavras 5.852
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Magia, Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 10 - Um quase beijo



  Taehyung já havia partido para seu compromisso quando encontrei as garotas na sala de jantar prontas para o compromisso com a costureira.

  Decidi deixar o espelho no quarto. Se a costureira fosse tomar minhas medidas e encontrasse um retangulo duro e prateado dentro das minhas calça poderia começar a fazer perguntas. E eu não queria perguntas.

  Queria respostas!

  Ao chegamos na vila, notei que o movimento era bem maior do que o que eu tinha visto no dia anterior. Os prédios de paredes e portas igualmente altas estavam abertos.

  Fiquei surpreso com o tipo de comércio que vi. Na verdade, não achei que realmente se tratasse de comércio, era mais uma feira livre ou coisa assim. Diversas carroças se amontoavam na rua de pedras, com os mais variados produtos: Galinhas e porcos vivos, verduras e legumes, artigos de decoração, um tiozinho esquisito vendia o elixir da vida por apenas uma moeda.

  Hyuna me mostrou o que pensei ser a padaria nem de perto se parecia com uma, apenas uma banca na calçada estreita, repleta de pães variados. Vi o tal boticário, um senhor idoso, mas de uma vitalidade impressionante: SooHyun me contou que ele fazia algumas porções que podiam curar doenças tipo um remédio homeopático, imaginei.

  Um dos comercios que passamos em frente tinha aparentemente tudo que dava para se ter ali, de sabonete a sacos de farinha, talvez fosse o precursor do supermercado. Fiquei atento a qualquer pessoa suspeita ou, de repente, um objeto que pudesse ser o que eu estava procurando.

  Imaginei que, num lugar tão enfadonho, qualquer notícia nova devia correr como pólvora. Tive essa suspeita confirmada quando madame GeorJette - não tinha a menor ideia do porqur todo mundo se referia a ela como madame - me cumprimentou.

  - Então este é Min Yoongi? - ela disse, com seu sotaque francês. - Fiquei curriosa a seu respeito. É encantadorr, chéri.

  - Err... Merci? - arrisquei.

  - Oh Chéri! - ela juntou as mãos sobre o colo farto. - Quanta delicadeza! Não me admirra que mademoiselle SunHee tenha dito que o Senhor Kim parrecesse tão encantado com você, meu carro!

  Ah! Que ótimo! Agora a família dele era a fofoca do dia!

  - Mas esta sua roupa - ela fez uma careta, desaprovando. - Não está lhe favorrecendo, chéri. Veja! Está frrouxa e grande demais! Uma beleza como a sua prrecisa ser valorrizada. - papo de vendedora, tão antigo.

  Ela me mostrou diversos ternos quase prontos. Não me empolguei muito, não era meu estilo, mas Hyuna ficou esfuziante.

  - Me ajude a escolher um, Hyuna - - pedi. Por mim, não levaria nada.

  Ela separou diversos deles para que eu provasse. Gostou muito de um branco, mas consegui convencê-la de que, para quem tinha poucas roupas - ou nem um -, cores escuras seriam mais práticas, por não mancharem com tanta facilidade.

  Acabei ficando com um terno azul escuro e outro preto - Hyuna não permitiu que eu ficasse com apenas um, disse que o compraria de uma forma ou de outra, não me deu outra escolha. A costureira era muito hábil, apenas uma assistente a ajudava. A grande sala de seu atelier de costura estava escura, entulhada de tecidos e papéis por toda parte. Parecia que acabara de acontecer um terremoto. E eu pensei que meu apartamento se parecesse com uma zona de guerra...

  Enquanto fazia alguns ajustes nos dois ternos, madame Georgette me lançava um olhar reprovador toda vez que tocava minha cintura. Puxou a calça para que aumentasse o volume e sua testa se enrugou.

  - Humm... - resmungou.

  Hyuna escolheu seu vestido rapidamente - marfim, mangas curtas, com alguns bordados delicados e ampla saia. Pelo desenho, achei a cara dela. SooHyun, porém, deu mais trabalho. Disse diversas vezes que o vestido tinha que ser especial, digno de uma rainha!

  Madame Georgette devia conhecer muito bem suas clientes, pois pegou um rolo de tecido dourado e encorpado e o abriu sobre a mesa.

  - Que tal este, mademoiselle SooHyun? Não há tecido mais nobrre nem mesmo na Eurropa!

  Depois de meia hora, depois de muitos: este não esta a altura de uma rainha, SooHyun escolheu um modelo cheio de detalhes, com muitos bordados e de mangas bufantes. Horrível, em minha opinião.

  - Não vai escolher um terno, chéri? - me perguntou madame Georgette, piscando várias vezes seus cílios longos.

  - Ah, não. Não sei se estarei aqui no sábado e, se por acaso ainda estiver, posso usar um destes dois aqui.

  As três se entreolharam e depois olharam de volta para mim.

  - Você deve escolher um terno de baile, Yoongi. - me disse Hyuna. Adorei a forma casual que usou para dizer meu nome. Sem frescuras, como fazia seu irmão. - Estes são para os dias normais. Ja lhe disse que muitos amigos da família estarão la. Quero que lhe admirem, e não que sintam pena. Além disso, Taehyung foi muito explícito esta manhã, quando me pediu para que lhe ajudasse a escolher o terno, ja que você não esta familiarizado com a moda local. - ela se aproximou. - Eu lhe ajudo!

  Hyuna colocou suas mãos em meu braço e me guiou gentilmente até a mesa onde estavam os desenhos de madame Georgette.

  - Este ficaria muito bem em você, o que acha?

  Dei uma olhada no desenho. Não fazia meu tipo. Tinha detalhes demais.

  - Ainda acho que não é necessário, Hyuna. Eu agradeço sua preocupação, mas realmente...

  - Yoongi, eu vou escolher sozinha se continuar sendo intransigente. - e sorriu calmamente.

  Suspirei.

  - Preferia algo menos elaborado então. - fiz uma careta para o desenho. - Não quero chamar muita atenção. - sussurrei.

  Hyuna sorriu e continuou a virar as folhas grandes de papel amarelado.

  - Ja souberram da novidade? Ontem a tarde um chevalier se hospedou na penson de dame Herbert. A pobrre viúva ficou assustada quando o homem bateu em sua porta, todo sujo, sem bagagem e sem crriados! Mon Dieu!

  Opa!

  Virei-me para poder ver melhor o rosto da costureira, mas acabei esbarrando sem querer numa bacia cheia de botõezinhos que estava sobre a mesa. Milhares de bolinhas se esparramaram pelo chão.

  - Caramba! Desculpa, madame. - me abaixei para recolher os pequenos botões enquanto sua assistente vinha a meu socorro.

  - Não se preocupe, chéri. Anelize cuidarri disso. - disse a costureira, me levantando do chão.

  - Foi sem querer, eu juro! - meu rosto ardia.

  - Ja disse parra não se prreocupar com isso! O que estava dizendo? Oh! Sim, sobrre o forrasteirro. Parrece que foi assaltado, pobrre homem! Mas, felizmente, não foi ferrido! - ela balançou a cabeça, fazendo seus cachos louros sacudirem.

  - Onde disse que ele esta, madame Georgette? - perguntei aflito.

  - Na penson Herbert.

  - Que coincidência! Parece-me que a história desse cavalheiro e a sua são parecidas... - SooHyun começou e foi interrompida por Hyuna rapidamente.

  - SooHyun, veja aquela fita! Acho que é perfeita para seu novo chapéu.

  Hyuna não queria que a costureira soubesse que eu também tinha uma história muito parecida. Pelo menos era o que ela e Tae pensavam, mesmo eu tendo dito diversas vezes que não havia sido assaltado.

  - Onde, senhorita Hyuna? Oh! É perfeita! Ficara linda em meu novo chapéu. - completamente distraída pela fita, SooHyun se levantou da cadeira e foi até um bolo de fitas coloridas penduradas num varal. O assunto esquecido.

  - Qual é o nome dele? A senhora o conheceu? - não pude me segurar. Eu precisava saber mais sobre ele.

  - Não o conheci ainda, mas o vi hoje de manhã alugando um cavalo. Crreio que esta forra da vila no momento. Você o conhece? - suas sobrancelhas finas arquearam, a curiosidade crescer em seu rosto pálido.

  - Ah, não! - dei de ombros torcendo para que minha expressão não demonstrasse a frustração que sentia por não obter mais detalhes. - Apenas... Fiquei curioso. Aqui parece ser um lugar tão tranquilo!

  - Oh! Há muito tempo que já não é assim, chéri. Os tempos moderrnos estão trrazendo muitas coisas desagradáveis.

  Rir. Tempos muito modernos, realmente.

  Não fiz mais perguntas. Não queria colocar Hyuna numa situação constrangedora. Ja era ruim saber que toda a vila estava falando da família dela por culpa minha, não queria complicar as coisas ainda mais. Esperaria até poder falar com Taehyung e pediria sua ajuda. Outra vez!

  Hyuna escolheu o modelo do meu terno de baile e eu mal prestei atenção quando ela me mostrou o tecido - branco, ela insistiu.

  Minha cabeça girava violentamente. Eu estava certo. Tinha mais alguém ali. Alguém que no momento não estava exatamente ali - não no vilarejo, onde eu poderia facilmente aborda-lo - e que, provavelmente, estava em algum outro lugar procurando como sair daquele pesadelo.

  - Até. - Disse SooHyun.

  - Até logo. - cumprimentou Hyuna.

  Eu não disse mais nada. Apenas acenei um tchauzinho bem rápido e sai.

  Obriguei Hyuna e SooHyun a andarem pela vila até chegar perto da tal pensão. Um prédio antigo que precisava de uma mão tinta com urgência. Ficava numa esquina, uma placa de madeira, com o nome da pensão entalhada nela, pendia sobre a porta estreita e alta. Observei atentamente as pessoas que vi, especialmente os homens - ja que agora sabia pelo menos que era um homem - mas, obviamente, ele não estava ali. Ninguém diferente das pessoas que eu conheci até então. Ninguém que se comportasse como eu.

  Fui obrigado a suportar o percurso de quinze minutos dentro da carruagem. SooHyun não calou a boca um único minuto. Mas que mulher irritante.

  - Que coisa estranha, não é? Duas pessoas assaltadas e praticamente no mesmo dia! Oh! O que a guarda está esperando? Por que não capturam esses bandoleiros de uma vez? Não posso acreditar que estejam muito longe. Não acha que tenho razão, senhor Yoongi? - ela agora olhava para mim. - Se conseguisse se lembrar ao menos de como eram os rostos dos agressores e relatasse aos guardas, talvez os encontrassem mais depressa. - ela não me deu chance de explicar que eu não poderia ajudar. Que não vi rostos porque não havia rostos. Apenas um rosto, e eu tinha certeza que ele estava em algum lugar em 2016, curtindo com a minha cara e fazendo vodu para algum outro otario desavisado. - Vou pedir ao meu pai que contrate mais criados. Deus sabe se não estão atrás de...

  Seu tagarelar continuou e tentei me desligar dele. De fato, não ouvia o que ela estava dizendo, mas aquele zumbido irritante ao fundo me impediu de pensar claramente.

  Assim que chegamos, corri até o quarto e, com desânimo, vi o espelho quebrado desligado como sempre. Pensei que haveria alguma coisa ali. Afinal, eu estive na vila. Na mesma vila em que estive na manhã anterior. Então, por que agora não havia nada?

  - Hyuna, se importa se eu for visitar Storm? Eu queria vê-lo outra vez. - na verdade, queria ficar sozinho e pensar.

  - É claro que não, senhor Yoongi. Estaremos na sala de leitura. Podera nos encontrar la mais tarde.

  - Beleza. - concordei tentando sorrir.

  Desci até o estábulo, distraído. Eu ainda não entendia o que estava acontecendo. E precisaria da ajuda de Taehyung, mais uma vez. Precisaria que me levasse até a vila no dia seguinte para confirmar se o tal cara já tinha voltado e se tivesse, tentar descobrir o que sabia.

  Storm estava solto no estábulo, parecendo feliz com a liberdade. Aproximei-me da cerca e fiquei observando o cavalo correr mais rápido quanto corriam os meus pensamentos.

  Por que eu estava ali afinal? Qual o motivo real? O que eu deveria encontrar?

  Storm interrompeu minha concentração quando se aproximou. Chegou tão perto que eu podia toca-lo.

  - E aí cavalinho, curtindo a liberdade? - Claro que ele não respondeu. Só estava faltando isso: cavalos começarem a falar. Estiquei meu braço e toquei o pelo brilhante. Ele bufou, mas achei que foi de contentamento.

  - Por acaso, você não viu por aí uma máquina do tempo, viu? - sussurrei. - Imaginei que não. Mas, se de repente você encontrar uma, não esquece de me avisar!

  Continuei a acaricia-lo e sorri. Eu estava contando meus problemas a um cavalo! Será que enloquecido de vezes?

  - A vida aqui é bem diferente, não é? Se bem que talvez vida de cavalo seja igual em todo lugar. Você é um cavalo de sorte. Não tem que puxar carroças, nem leva chicotadas. Aposto que até deve ter muitas éguas de olho em você...

  - Parece que já são bastante íntimos. - uma voz ao fundo respondeu. Virei-me bem a tempo de ver Taehyung se aproximando, antes que eu pudesse fantasiar que tinha sido o cavalo que me respondera. - Se ja estão falando sobre relacionamentos amorosos. - ele sorria.

  - Storm é um amigo muito bom. - brinquei. - Fala quase nada e me escuta sem reclamar. Um amigo muito compreensivo

  Ele parou ao meu lado e também acariciou o cavalo.

- Storm, creio que você tenha um fã. - falou, me observando, com certeza para ver minha expressão ao ouvi-lo usar a palavra que eu havia ensinado a ele. E realmente fiquei surpreso. Meu rosto não escondeu isso.

  Tae riu.

  - Como foi na vila? Conseguiu encontrar algum terno? - perguntou, ainda alisando o pelo de Storm.

  - Encontrei. Valeu, Taehyung. Não precisava fazer isso. - eu disse, um pouco desconfortável.

  - Não precisava! Eu quis fazer. - ele parecia muito satisfeito por eu ter aceitado seu presente.

  - Como foram seus negócios?  -inquiri tentando puxar conversa.

  - Excelentes. Entendemo-nos rapidamente.

  Parei de alisar o pescoço do cavalo por um instante. Storm sacudiu um pouco a crina quando parei, como se dissesse: Continue, não pare!

  - Encontrei mais coisa lá na vila. - voltei a acariciar Storm, mas olhava para Taehyung de esguelha.

  - Não me diga que encontrou a tal pessoa que está procurando! - ele não gostou da notícia.

  - Mais ou menos. - sussurrei. - Tem um cara que diz ter sido assaltado e está numa pensão. Ele não estava lá hoje, saiu cedo para fazer alguma coisa importante. - arqueei uma sobrancelha sugestivamente.

  - Que coisa é essa? - ele também sussurrou.

  - Não sei. Mas acho que talvez esteja tentando encontrar uma forma de voltar pra casa.

  - Acredita que ele saiba como fazer isso, senhor? - seus olhos intensos me observaram atentamente.

  - Talvez sim, talvez não. Mas ele deve estar tentando. e o que eu estou fazendo, não é? Tentando encontrar um jeito de voltar.

  - Certamente. - depois de alguns segundos acrescentou: - Posso perguntar por que estamos sussurrando?

  Endireitei-me na cerca.

  - Não sei! - eu ri, Tae também. - Pretendo ir até lá amanhã para ver se ele já voltou de viagem.

  - Irei até a vila amanhã, se quiser me acompanhar seri...

  - Eu quero! - interrompi, tirando as mãos do cavalo e agarrando seus braços numa euforia desenfreada.
Nossa! Quem poderia imaginar que Taehyung teria os braços tão definidos e fortes e...

  Tirei as mãos dele rapidamente e recuei. Fiquei constrangido por tê-lo tocado daquela maneira e ainda mais constrangido por ficar fantasiando sobre seus bíceps expostos numa camisa de mangas curtas.

  - Desculpa, Taehyung. Eu me empolguei. - não consegui olhar para ele, fitei o chão.

  - Não se desculpe, senhor. - sua voz estava mais alta que o normal. - Ja percebi que seus costumes são diferentes. Não há razão para se desculpar.

  Não pude ver sua reação, mas sua voz parecia perturbada. Tentei me recompor, afinal, eu era um garoto do século vinte e um, pelo amor de Deus!

  - Você... hã... Tem muitos arrendatários? - perguntei a primeira coisa que me veio a cabeça.

  - Não muitos, - sua voz mais composta agora. - Apenas alguns em pequenas propriedades

  - É disso que você vive? Sua renda, quero dizer.

  - Disso também. Meu pai nos deixou um patrimonio bastante generoso. Mas me dedico mais aos cavalos. É o que eu gosto de fazer.

  - Você vende os cavalos?

  - A maioria deles. Criamos cavalos muito bons aqui. A família real ja comprou diversos deles, aliás, - disse orgulhoso, cruzando os braços sobre o peito e atraindo meus olhos novamente para seus bíceps. Mesmo sob o casaco, eram bastante generosos. Como não notei isso antes?

  - Então é por isso que tem tantos deles. Eu fiquei pensando o porquê de tantos músculos. Err... cavalos se você só tem uma carruagem... - meu rosto ardeu.

  - Nós criamos e treinamos até que eles estejam prontos, depois os vendemos. É um ramo muito lucrativo e extremamente prazeroso

  - Eu imagino que sim, - espiei pelo canto do olho e vi que ele tentava não olhar em minha direção, sem muito sucesso. Fiquei ainda mais nervoso. Minhas mãos começaram a suar.
O que estava acontecendo com meu corpo?

  - Eu gosto disso, senhor Yoongi. Gosto de criar animais. É muito mais gratificante que uma plantação de café. - Taehyung se aproximou mais de onde eu estava. - Não imagina como fico feliz em poder dizer que meu estábulo está cheio de potrinhos e que logo se transformarão em garanhões puro sangue que servirão a muitas famílias.

  - Ga-garanhões? - gaguejei estupidamente, recuando, um passo.

  A palavra não tinha a mesma conotação para ele que para minha mente suja.

  - É claro que também criamos éguas, não dá para escolher - e sorriu. Seu sorriso tão lindo me deixou sem equilíbrio. - Mas os garanhões são os mais procurados.

  - Ah! São mesmo! - concordei.

  Tentei me acalmar e continuar conversando com ele normalmente. O problema era que eu não conseguia me concentrar em nada. A rigidez de seus braços não me permitia pensar em mais nada que não fosse arrancar sua camisa, deslizar meus dedos nas curvas de seus músculos...

  - Acho que vou entrar, Taehyung, se não se importar. Hyuna está me esperando na sala de leitura. - eu disse apressado.

  - Eu o acompanho até la. - ofereceu educadamente.

  - Não! - gritei. - Não precisa. Eu sei chegar lá. Fica aí com Storm, ele deve estar precisando de... de... alguma coisa de cavalo.

  Ótimo. Meu cérebro virou geléia!

  - Tudo bem. - respondeu lentamente. - Me permite lhe fazer uma pergunta?

  - Manda. - eu estava perturbado. Minha cabeça girava com a confusão de sentimentos que eu sentia. Tae ficou confuso também. - Faz a tal pergunta. - expliquei.

  Já estava ficando cansativo ter que explicar todas as palavras que saiam de minha boca.

  - Fiz alguma coisa que lhe desagradou? - perguntou ansioso.

  - Não. - assegurei a ele, nervoso.

  - Então, por que está fugindo?

  Ai, droga!

  - Eu? Fugindo? Que ideia! - ele tinha notado. Claro que tinha notado. Será que notou meu constrangimento depois que o toquei? Pior! Será que notou a... curiosidade que surgiu em meu rosto quando o toquei? Ainda pior! Será que as fantasias em minha cabeça estavam nítidas também em meus olhos?

  ARGH!

  - Eu mal cheguei aqui e você se apressa em voltar para a casa. Pareceu-me que estava se divertindo com Storm e, de repente, ficou tão nervoso! Por que não fica um pouco mais? Podemos conhecer o resto da propriedade. Acredito que irá gostar muito e o passeio nem é tão longo...

  - Não dá. Eu tenho mesmo que voltar. Prometi a Hyuna. Quem sabe outra hora? - e sai apressado, sem me importar com o que ele iria pensar disso.

  Que pensasse que eu era um covarde! Melhor assim. Bem melhor que pensar que eu estava interessado nele ou naqueles braços rígidos e fortes que pareciam feitos de granito. E eu realmente não estava interessado!

   Definitivamente não estava!



(...)




   Fiquei fascinado com os livros que encontrei na sala de leitura. Livros de todos os gêneros, como filosofia, história da humanidade, livros de pesquisas e clássicos, incontáveis clássicos.

  É claro que eu sabia que em 1830 diversos livros ja haviam sido publicados, mas fiquei realmente impressionado ao encontrar alguns autores ali. Edgar Alan Poe, Lord Byron, Denis Diderot, Goethe, Shakespeare, Antoine Galland, muitos de Walter Scott e alguns outros aue eu não reconheci. Mas um deles atraiu meu interesse assim aue passei os olhos. Com os dizeres By a lady, London, 1811 na primeira pagina e uma capa de couro marrom, tilintando de nova. Peguei-o com extremo cuidado, não que precisasse, so era estranho demais fazer meu cérebro entender que aquele livro era tão antigo - mas, segundo a primeira página, havia sido publicado há apenas alguns anos - não iria se desfazer quando eu o tocasse. Folheei algumas páginas para ter certeza, e lá estava Elinor Dashwood, Norland Park, Edward Ferrars. Tirei o livro em minhas mãos com muito cuidado, como se fosse feito de um fino cristal Que pudesse facilmente estilhaçar-se.

  - Não é possível! - exclamei surpreso

  - Algum problema, senhor Yoongi? - perguntou Hyuna alarmada.

  - Problema? Não, Hyuna - respondi sem tirar os olhos do livro. -Você sabe o que é isso?

  Ela ficou confusa.

  - É um livro. - disse lentamente. - Um romance. Meu irmão o comprou há alguns anos. Veio da Europa.

  - Sim. É um romance, o primeiro romance que Jane Austen publicou! - eu estava maravilhado em poder segurá-lo em minhas mãos. Sempre gostei de ler livros, seja de romance ou de terror. - É o original! Primeira edição! Veja! Aqui diz que foi publicado pela própria autora!

  - Jane Austen?

  - Isso. Você tem um verdadeiro tesouro aqui! - pelo menos para alguém apaixonado por livros (e por Jane) como eu era. Não conseguia passar uma unica semana sem encontrar algum livro novo para ler. Claro que tinha minha autora favorita. Segurava naquele instante uma obra dela em minhas mãos.

  - Acho que ainda não ouvi falar dela. - Hyuna estava sentada ao lado da mesa onde diversos livros estavam empilhados. - Você a conheceu?

  - Todo mundo conhece Jane! - então, pela confusão em seu rosto, percebi que nem todo mundo a conhecia. Ainda. - Você ouvirá falar dela, tenho certeza. Eu adoro os romances dela. Este aqui é um dos melhores!

  - Gostei muito desta história também. Entretanto, demorei um pouco para terminar de lê-lo. - ela sorriu timidamente. - Meu inglês não é tão bom quanto o de Taehyung.

  SooHyun parecia entediada. Como sempre ficava quando eu estava presente. Imaginei que este não fosse seu estado natural, pois Hyuna parecia gostar dela verdadeiramente.
Passei o resto daquela tarde me deleitando com a perfeita escrita de Austen. Estava tão absorta na leitura que, quando Tae irrompeu a sala, tive um pequeno sobressalto. Eu sempre me "perdia" em meus livros. Entrava fundo nas histórias como se eu mesma fosse parte dela, fosse um romance, um policial ou um terror sobre vampiros.

  Então la estava eu, em mil oitocentos e pouco, esperando que Elinor e Edward finalmente se entendessem quando Taehyung entrou na sala me trazendo de volta para mil oitocentos e pouco! Fiquei confuso por um instante. Era como se ainda estivesse dentro do livro! Eu ri da idiotice da situação.

  - Senhoritas e senhor Yoongi, teremos um convidado para o jantar desta noite. Pensei que gostariam de ser alertados com antecedência. -  falou apressado.

  - Um convidado? - indagou SooHyun se levantando. - Algum conhecido, Senhor Kim?

  - Sim. Pode-se dizer que agora é um conhecido. Então, se me derem licença, tenho algumas tarefas para terminar antes do jantar. - ele se inclinou e saiu rapidamente sem ao menos dar chance a SooHyun de fazer mais perguntas, o que ela claramente pretendia. Saiu sem nem mesmo me dirigir um olhar. Não que eu me importasse com isso.

  - Oh! Senhorita Hyuna, devemos nos apressar! O sol já está se pondo e, em breve, o convidado de seu irmão estará aqui! Não podemos recebê-lo vestidas desta forma! - SooHyun andava de um lado para outro enquanto falava. Acabei ficando meio tonto.

  Ela estava totalmente vestida! Vestida e maquiada e o cabelo ruivo arrumado num penteado complicado cheio de cachos. Ela pretendia se enfeitar ainda mais?

  - Sim. Precisamos nos apressar. - concordou Hyuna, também agitada. - Você também, Yoongi. Seria indelicado se o convidado de Taehyung chegasse e não estivésse pronto para recebê-lo.

  Eu tinha que me arrumar porque alguém vinha jantar? Pela expressão ansiosa de Hyuna, ela não estava aberta a discussões, então deixei essa passar e, suspirando, fui para a cozinha.

  Havia três empregados ali, parecendo muito ocupados correndo de um lado para o outro para ajudar Madalena nos preparativos do jantar. Observei o quadro por um tempo, pensando se o tal convidado não seria o rei ou coisa parecida. Ninguém notou minha presença. Andei na direção da porta da cozinha e, lá fora, havia mais empregados correndo aparvalhados.

  - Hey, moço? Onde eu pego água por aqui? - perguntei a um deles que passava com os braços cheios de pequenos tocos de madeira.

  - Perdão, senhor. Como disse? - seu rosto suado e brilhante. Ele mal me olhou.

  - Onde eu pego água?

  Sua testa enrugou, mas ele não me respondeu.

  - Você entendeu o que eu disse? Quero saber onde eu posso encher o balde? - será que ele não falava a mesma língua que eu?

  - Ah... É ali, senhor, - finalmente respondeu, indicando o local com a cabeça, depois se inclinou e correu apressado para a cozinha.

  Virei-me para onde ele havia apontado. Um cano de ferro com quase um metro de altura se erguia do chão. Embaixo dele, uma espécie de cocho de pedra e uma grande alavanca de madeira na ponta, como se fosse um "L" de ponta cabeça. Voltei para a cozinha e encontrei um balde perto do fogão de lenha. Ninguém se incomodou em me perguntar nada.

  Fiquei olhando para a engenhoca por algum tempo. Toquei a alavanca suavemente. Nada aconteceu. Empurrei com um pouco mais de força e um fio de água surgiu no pequeno orifício. Tentei com mais vontade, bombeando para cima e para baixo, e a água começou a jorrar. Arrumei o balde na posição correta e voltei a bombear. Meus braços começaram a doer depois de um tempo, mas continuei sem parar até o balde transbordar um pouquinho.

  Passei as costas das mãos em minha testa e tomei um pouco de fôlego. As empregadas não precisariam se preocupar um dar tchauzinho por ali, pensei, ofegante. Meus tríceps pulsavam pelo esforço, mais doloridos que depois de puxar ferro na academia!

  Peguei a alça larga feita de couro e tentei levanta-lo. Caramba! Que peso!
O balde de ferro já era um pouco pesado por seu tamanho, cheio de água, como estava, parecia pesar uma tonelada.

  Que saudade do meu banheiro!

  Levantei o balde desajeitadamente e entrei cambaleante na cozinha, deixando um pequeno rastro de água pelo caminho. Quando alcancei o corredor, meus braços já tremiam.

  Soltei o balde com cuidado para não derramar a água e sacudi os braços tentando aliviar a dor. Respirei fundo e voltei a pegar a alça, mas acabei tropeçando e quase derrubei toda a água.

  Não estava dando certo!

  Desisti de levanta-lo, mas eu realmente precisava de um banho, ainda mais depois de todo aquele esforço. Sentia o tecido grosso grudando em minha pele. Eu iria tomar meu banho!

  Encarei o balde com raiva, agarrei-o pela borda e o empurrei pelo piso liso de madeira, Era mais fácil - porém, muito mais estrondoso - que levanta-lo. Empurrei até meu quarto, até chegar a banheira.

  Um! pensei, enquanto arqueava minhas costas. É seria apenas um. Não buscaria outro de jeito algum!

  Suspirei desanimado, em seguida prendi a respiração. Num último esforço, ergui o pesado balde e o coloquei dentro da banheira - não apenas água, mas o balde com a água ainda dentro dele.

  Peguei o jarro da mesinha, retirei minha roupa e tomei meu banho - de água fria e canequinha. Não lavei o cabelo, não havia condições para isso. Sequei-me com aquele pano que não enxugava direito, depois me enrolei nele e escovei os cabelos. Se eu tivesse ido para 1980, meu cabelo estaria perfeito, pensei um pouco irritado. 

  Molhei as mãos no pouco de água limpa que restara dentro no balde e umedeci os fios. Ficaria melhor se eu tivesse um pouco de creme para pentear... Precisava pensar numa solução para o meu cabelo com urgência.

  Hyuna e SooHyun achavam importante estarem bem vestidas, então eu não deveria envergonhar meus novos e únicos amigos. Escolhi o terno preto e me vesti.

   Dei uma olhada no espelho e gostei um pouco do resultado - tirando meu cabelo estava tudo ok. Ainda me sentia muito ridículo naquelas roupas - não conseguia acreditar que eu estava realmente usando aquilo.

  Respirei fundo e sai do quarto. Andei apenas alguns passos antes de dar de cara com Tae. Ele me olhou de cima a baixo, me analisando. Duas vezes. Pelo visto, ninguém havia ensinado ainda que medir as pessoas daquela forma não era educado! Ele me examinou meticulosamente, me deixando constrangido. Depois de algum tempo, Taehyung resolveu falar.

  - Vejo que meu presente lhe caiu muito bem, senhor. - um sorriso de admiração surgiu em seu rosto.

  - Obrigado. - disse eu, encabulado.  De onde vinha todo aquele embaraço quando Taehyung estava por perto? eu não fazia ideia. - Ja estou pronto. Estava indo agora mesmo procurar por você e Hyuna.

  - E eu vim justamente saber se estava pronto! - ele sorriu. - Está encantador esta noite, senhor Yoongi.

  - Obrigada, Tae. - corei e baixei os olhos. De repente, eu não sabia onde colocar as minhas mãos.

  - Posso acompanha-lo até a sala? - perguntou educadamente, me estendendo o braço.

  - Não precisa, Taehyung. O caminho para a sala eu já conheço. Este é um dos únicos em que eu não me perco. - e ri nervoso.

  - Eu insisto. - e muito deliberadamente suas mãos alcançaram a minha, colocando-a em seguida na parte interna de seu cotovelo.

  - Notei que fica um pouco... Agitado... - ele não pareceu encontrar palavra melhor. - quando está comigo.

  - Agitado? - repeti como um imbecil. - Não. Não. Quer dizer, eu fico agitado, mas o tempo todo. É meu estado normal. Sabe como é, sempre tendo que fazer duzentas coisas diferentes ao mesmo tempo... O corpo se habitua e não volta ao estado normal em épocas mais calmas.

  - Ja percebi isso. - um pequeno sorriso brincou em seus lábios. - Mas não pode negar que hoje a tarde você fugiu de mim.

  - Não fugi, não! - sentir seu braço sob minha mão e o calor do seu corpo ao lado do meu estava me deixando inquieto. - Eu realmente prometi me encontrar com Hyuna hoje a tarde. Não teve nada a ver com você. Não teve nada a ver mesmo! - tentei parecer firme enquanto falava.

  - Não precisa se explicar. Eu compreendo - e voltou seus olhos negros para os meus. - Você não quer ficar sozinho comigo.

  Senti meu rosto ficar todo quente. Taehyung era muito perceptivo. Notava coisas demais!

  - Imagino que não queira que nos vejam juntos e tirem conclusões erradas. Entendo perfeitamente não se preocupe.

  - Não é nada disso! - eu disse, incapaz de conter a língua. - Sabe que não me importo com esse tipo de coisa.

  - E então por quê? - sua testa enrugada.

  Estavamos perto da sala. Com minha mão ainda em seu braço e me encarando com intensidade, Tae se colocou na minha frente, me obrigando a parar.

  - Por que... Eu fico meio... inquieto quando você me olha do jeito que está olhando agora. - praticamente sussurrei, completamente atordoado pela intensidade e as chamas prateadas em seus olhos. - E isso não é bom. Pra ninguém aqui!

  Seus olhos arrastavam os meus para sua órbita inescapavel. Não consegui desviar, não pude deixar de encara-lo, e isso não ajudou muito a clarear minha cabeça.

  - E por que não é bom? - perguntou com a voz intensa, fazendo os pelos de meu braço se arrepiarem.

  - Por que eu vou embora logo, Taehyung. Não tem sentido me afeiçoar a ninguém aqui.

  - Mas você está aqui agora! - ele sussurrou e, gentilmente, levantou a mão livre para coloca-la em meu ombro. - Por ora, este é seu lugar.

  Seu toque quente deixou minha pele formigando. Minha respiração se acelerou, senti meus joelhos falharem. Olhando dentro de seus olhos profundos, não pude dizer que estava enganado. Não consegui dizer nada, na verdade. Por que, quando ele disse que meu lugar era ali, ao menos naquele momento, com a voz cheia de emoção, fiquei completamente perturbado. Parte de mim acreditou nele.

  Surpreso vi minha mão se erguer sem um comando consciente e se apoiar em seu peito. Seus olhos tão escuros, tão negros na luz fraca dos candelabros, me observavam intensamente. Senti o calor que emanava de seu corpo sob a palma de minha mão. Dei um pequeno passo em sua direção, incapaz de resistir ao impulso de me aproximar mais dele.

  Notei que sua respiração também estava alterada. Levantei meu rosto para poder vê-lo melhor, seu rosto ficou apenas a alguns centímetros do meu. Prendendo a respiração, totalmente hipnotizado pelo brilho prateado de seus olhos, me aproximei um pouco mais, meus lábios ligeiramente separados, a mão em meu braço deslizou suavemente até minha cintura e então.... Uma gargalhada histérica vindo da sala ecoou no corredor, me libertando do transe. Vi o que estava prestes a fazer e, com um movimento brusco, tirei minhas mãos dele e recuei. Taehyung pareceu confuso - assim como eu -, olhando em direção a sala e depois de volta para mim, parecendo não saber o que dizer.

  Foi a coisa mais estranha que eu senti em toda a vida! Pela primeira vez, eu não tive o controle sobre meu corpo. Não sabia explicar porque minhas mãos agiram da forma que agiram, porque meus pés me levaram até ele, porque minha pele pinicava e eu desejava tanto toca-lo outra vez. Era como se meu cérebro tivesse se desconectado de meu corpo e agisse por conta própria. Eu não queria ter feito aquilo. Foi como se meu consciente fosse apenas a plateia impotente assistindo a exibição de um espetáculo encenado por meu corpo. E claramente meu corpo desejava se aproximar de Taehyung.
Eu já havia desejado um homem, sabia como era a sensação. Ja até tinha satisfeito esses mesmos desejos, mas sempre no controle, sempre consciente do que fazia. O que eu sentia agora era totalmente diferente! Muito diferente. Era como se cada célula do meu ser quisesse se grudar a Tae, como se ele fosse um magneto superpotente usando sua força em carga máxima e eu fosse revestido de metal. Impossível de escapar ou resistir. E eu não soube o que fazer na presença de um homem pela primeira vez.

  Meu rosto queimou de vergonha, de raiva, de medo e, sem dizer uma unica palavra, marchei em direção a sala deixando Taehyung ainda paralisado ali no corredor, me encarando com olhos assustados. Tão assustado quanto eu estava.



Notas Finais


Nem pra se beijarem logo né??


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