História Espelho - Capítulo 6


Escrita por: ~

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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Tags Bts, Jikook, Kpop, Romance, Século Xix, Taegi, Vga
Exibições 101
Palavras 3.346
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Magia, Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Boa leitura!!

Capítulo 6 - Yoongi X SooHyun



  Voltamos para a casa e tentei memorizar o caminho pelos corredores da mansão - para
o caso de precisar da casinha com certa urgência.

  Taehyung foi se limpar para o jantar e imaginei que isso significasse tomar banho. Então, não fui com ele; óbvio.

  Fiquei na sala, observando sua rica decoração estilo vitoriano. Era tudo tão belo, apesar se ser bem antigo. Observei cada padrão da madeira escura da mesa no canto da sala, cada linha do tecido estampado e grosso do sofá com braços de madeira, cada detalhe das cortinas pesadas e encorpadas das janelas. Queria me lembrar de tudo quando eu voltasse pra casa. O que aconteceria em breve - eu esperava.

  Eu queria toma um banho também e me livra daquela maldita roupa quente que pinicava cada canto do meu corpinho. Talvez, depois do jantar, eu pudesse me trancar no quarto, tira essa roupa e finalmente pensa sobre tudo o que está acontecendo.

  Fiquei olhando para o nada até SooHyun aparece na sala com um vestido azul bebé - ridículo na minha opinião.
  
  - Senhor Yoongi - disse ela, animada, um pouco exagerada ate. - Como está se sentindo esta noite?

  Eu tinha falado com a garota há pelo menos uma hora atrás, por que ela agia como se não me visse há uma semana?

  Louca!

  - Eu tô legal. E você? - falei com o desinteresse estampado em meu rosto.

  - Muito feliz em reve-lo. - ela sorriu.

  Sorriso do capeta.

  - Você parece estar bem melhor. Creio que o passeio pela casa na companhia do Senhor Kim lhe fez muito bem.

  Ah! Mas como é chata. Não para de fala nem por um segundo.

  - Ele mostrou toda a propriedade? - ela continuou com sua tagarelice - Deve te-lo impressionado. É uma das mais belas da vizinhança. A família Kim tem muito prestigio senhor Yoongi. Até o duque de Bragança os visita com frequência.

  Tentei responder a ela que sim, eu tinha gostado muito da casa. E duque de que? Mas ela não me deu chance. Apenas continuou a tagarela.

  - Apesar de não ter título de nobreza, o Senhor Kim é um dos homens mais respeitados de nossa sociedade. Quando seu falecido pai os deixou, há três invernos, o Senhor
Kim assumiu todos os deveres que lhe foram deixados. Inclusive como tutor de Hyuna, que ainda era muito jovem. Ah! Minha querida Hyuna! Ela é mesmo uma jovem encantadora, não acha senhor Yoongi?

  - Hm...

  - E ela tem tantos admiradores, mas o Senhor Kim os mantém a distância. Quer esperar até que ela atinja a maioridade para poder receber seus pretendentes. Ele é um irmão muito cuidadoso! Existem muitos espertalhões farristas que pretendem fazer fortuna através de bons casamentos. - uma de suas sobrancelhas arqueou sugestivamente.

  Eu entendi mal ou ela sugeriu que eu estava atrás de uma mulher rica? E que essa mulher seria Hyuna? Ah se ela soubesse que eu era gay.

  - Mas o Senhor Kim é muito prudente. Claro que é capaz de notar as mas intenções em pessoas de mi índole. - continuou.

  A garota estava começando a me dar nos nervos!

  - Sabia que ele está procurando uma esposa? Oh! Sim, ele deve se casar muito em breve. É bom para um rapaz como ele, que tem uma irmã caçula e solteira sob sua responsabilidade, ter uma esposa. Há muitas jovens que têm esperanças de terem a honra de se tornarem a nova Senhora Kim. Mas me parece que ele não demonstra ter o mesmo cuidado para consigo mesmo que têm para com a irmã.

  Agora já deu!

  - Escuta aqui, o coisinha...

  - Senhor Yoongi, estava a sua procura. - Hyuna entrou na sala, me impedindo de dizer uma ou duas verdades para essa cobra venenosa - Como está se sentindo?

  Affs, as pessoas do século dezenove só sabiam perguntar isso? Respirei fundo para me acalmar. Minha paciencia tinha esgotado. Essa ruiva metida a besta realmente me tirou do sério.

  - Espero que esteja com fome, o jantar já será servido. Vamos apenas esperar por Taehyung

  - Claro. - respondi sorrindo. Então ela podia chama-lo pelo primeiro nome. Claro, estúpido, eles são irmãos!

  - Gostaria de tomar um licor de ameixa, senhor Daniel? - perguntou a menina (de uns quinze ou dezesseis anos) de cabelos castanhos, assim como os de seu irmão, os olhos, porém, eram de um azul intenso que lembravam safiras. Eram lindos! Não sem graça como os meus olhos.

  - Não, obrigado, Hyuna. - notei com certo espanto que ainda não havia comido nada desde que vim para nesse fim de mundo. Percebi que estava faminto - Talvez depois do jantar.

  Apesar dos cabelos castanhos, havia algo de angelical no rosto de Hyuna. Talvez porque ainda fosse tão menina, mas dela eu gostei. Assim como seu irmão, Hyuna parecia sorrir sempre. Exatamente como fazia agora. Diferente da ruiva sem sal chamada SooHyun. Me pergunto como podem ser amigas.

  - Depois, então.

  - Boa noite, senhoritas e senhor Yoongi - saudou Taehyung ao entrar na sala. Vestido com um casaco preto e calças cinza, camisa, colete, gravata, as mesmas botas que usou durante o dia e os cabelos castanhos ainda úmidos, ele parecia um daqueles príncipes de contos de fadas. Seria muito ficil para ele arrumar uma esposa, pensei. Lindo, bem humorado, atencioso, gentil, um sorriso de tirar o fôlego... Que garota ou garoto não se interessaria? Quer dizer, que pessoa daquele século não se interessaria?

  - Boa noite. - disseram juntas Hyuna e SooHyun, ao mesmo tempo em que eu disse:

  - Oi!

  Hyuna e Taehyung sorriram já SooHyun, não. Mas que cabrinha intragável! Falava pelos cotovelos, tirava conclusões precipitadas, fazia fofoca da vida dos amigos - apesar de, aparentemente, ter a intenção de ser mais que isso - e ainda ficava de cara amarrada. Definitivamente, meu santo não deu com o dela!

  Essa cobra venenosa!

  - Vamos jantar? Estou faminto, o dia de hoje foi um pouco longo. - disse Tae, apressadamente.

  Fiquei incomodado por ele ter dito aquilo.

   - Ele acabou de chegar de viagem, senhor Yoongi - me explicou Hyuna. Talvez tenha notado meu desconforto. - Uma viagem de muitos quilômetros. Você saiu da fazenda Esperança ontem a noite, Taehyung? - ela perguntou ao irmão.

  - Durante a madrugada. Cavalguei sem parar até chegar aqui. - Tae me encarou. - Sem contar, é claro, o resgate do senhor Yoongi. Foi a única vez que desci do cavalo. Estou muito cansado. - um sorriso torto surgiu em seu rosto.

  Eu desviei os olhos, envergonhado. Quando Taehyung me encontrou naquela lugar, eu estava bastante incoerente. E pensei que talvez ainda pudesse estar, pra dizer a verdade. Quem não estaria?

  - Então, vamos, o cheiro que vem da cozinha está me deixando louco! - ele disse, esticando o braço para que fossemos na frente.

  Gostei da sua última sentença. Desde que cheguei ali, foi o primeiro que ouvi que facilmente poderia ser ouvido em meu mundo.

  - Vamos. - concordei e segui as garotas com Tae na minha cola.

  Ao chegarmos a sala de jantar, dei de cara com uma mesa gigante. Contei doze cadeiras. Eles deviam receber muitos convidados.

  Sentei-me na cadeira ao lado de Hyuna, Taehyung na ponta e SooHyun claro, do outro lado. Fiquei surpreso ao ver que os pratos eram mesmo pratos de porcelana. Não sei bem o que esperava, eu não tinha ideia do que já havia sido inventado em 1830.

  De repente, os pratos poderiam ser feitos de pedra e os copos de osso... Mas, aparentemente, o aparelho de jantar e os talheres ja faziam parte da civilização naquele ano.

  Então, dois empregados que eu não conhecia ainda começaram a trazer as bandejas de comida. O cheiro delicioso me atingiu como um soco. Reconheci a tigela com sopa e a travessa de batatas. Havia um tipo de carne assada, mas não pude identificar de qual espécie era. Decidi que era da espécie carne e que eu estava faminto o bastante para comer qualquer coisa que fosse.

  Os empregados nos serviram exatamente como garçons de restaurante, e me atirei na comida assim que meu prato foi colocado diante de mim. Quando o calor da sopa atingiu meu estômago, pensei que iria chorar. Tudo absolutamente delicioso, fosse o que fosse.
Assim que aplaquei um pouco a fome, um pouco, eu ainda estava faminto -, pude prestar atenção aos outros. Não havia notado que eu tinha uma pequena plateia me observando. Incluindo os dois empregados.

  - O que foi? - perguntei depois de engolir a comida. Eu sabia me portar a mesa. Não estava agindo como um selvagem nem nada disso. O que eles tanto olhavam? Levei o guardanapo de linho a boca para me certificar que não tinha nada espalhado em meu rosto.

  - Que apetite o senhor tem! - SooHyun observou um sorriso irónico nos labios finos.

  Reviro os olhos. Minha vontade era de da um murro nessa cara de bunda que ela tinha.

  - Eu estou morrendo de fome. Não comi nada o dia todo. Perdoem-me se me portei mal, mas é que está tudo tão gostoso! - Eu disse, colocando outra batata na boca.

  Os irmãos riram.

  - Nunca vi tal coisa! - exclamou SooHyun - Um jovem que tem o apetite de um ogro - um risinho estridente escapou de seus lábios.

  - Eu acho divertido. - disse Hyuna - Como pode comer tanto e ser tão magro?

  - Comer feito um ogro não é divertido, é bizarro. Olhe para isso! - SooHyun apontou para meu prato.

  Engoli minha comida, tomei um gole de água. Eu já estava em meu limite.

  - Acho que você nunca trabalhou na vida, SooHyun - respondi secamente. Quem ela pensa que é? 

  - Trabalhar, eu? - o espanto em seu rosto não me surpreendeu nem um pouco.

  - Se tivesse trabalhado, saberia que é difícil se manter em pé apenas provando a comida. Eu trabalho muito, das oito as seis, durante todos os dias da semana. Muitas vezes, deixo de almoçar para dar conta de toda papelada empilhada na minha mesa. Então, quando tenho a oportunidade de comer, e ainda mais uma comida tão boa quanto esta, eu como! - terminei, pegando um pouco mais da carne assada. Talvez fosse carneiro assado.

  O choque em seu rosto foi Hilário.

  - Você trabalha? - indagou Hyuna impressionada. Que pergunta obvia.

  - Sim. Num escritório financeiro, cursei administração de empresas. - mordi outra batata. - Fiz estágio nessa empresa enquanto ainda estava na faculdade. Meu amigo é o chefe então ele me contratou mesmo eu não querendo. - falei e me lembrei de Jimin, mais um vez naquele dia.

  Eu estava no terceiro período de fotografia quando meus pais se acidentaram. Precisei repensar minha vida depois disso. Tinha que me virar sozinho, pois dali em diante estava por conta própria. Resolvi botar os pés no chão e fazer algo que tivesse mais mercado. Estudei muito para me tornar uma dos melhores alunos do curso de administração.

  A sala ficou silenciosa. Engoli minha comida.

  - Você foi a faculdade? - perguntou Taehyung, a voz baixa e levemente rouca.

  - Sim, Tae. - os empregados se entreolharam, depois voltaram as suas posições, tipo guarda da rainha. - Por cinco e torturante anos.

  Só eu sabia como foi difícil concluir meu curso, pagar por ele com a renda tão baixa. Meus pais foram pais maravilhosos, mas não tinha muito para deixá. Com exceção das lembranças doces, uma pequena poupança e o carro o seguro dele, já que tinha sido destruído - foi tudo que me restou. O estágio acabou salvando meu último ano, ou eu teria que ter trancado o curso e, talvez, nunca tivesse concluído.

  Taehyung pareceu muito impressionado.

  - Mas as homens não vão a faculdade! Nem mesmo na Europa. - SooHyun disse, de forma desdenhosa.

  - Não? - perguntei a Taehyung. Ele sacudiu a cabeça lentamente, os olhos intensos cravados nos meus.

  - Há apenas algumas faculdades no país, e a mais próxima fica na cidade. Faz apenas três anos que foi inaugurada.

  - Mas mesmo assim jovens não vão a faculdade - Teimou SooHyun.

  - Bem, não vai demorar. Logo eles irão, de toda forma. Você ainda vai ouvir falar sobre isso. - respondi friamente para SooHyun. Que garota mais irritante. Jesus amando!

   Taehyung ainda me observava atentamente. De repente eu não tinha mais fome. Continuei a encara-lo, até que Madalena entrou na sala perguntando se poderia trazer mais alguma coisa.

  - Está tudo perfeito Senhora Madalena. Creio que possa nos trazer a sobremesa daqui a pouco. - Hyuna disse.

  - Foi você quem fez este jantar? - perguntei curioso.

  - Sim, senhor. Estava a seu gosto? - seu rosto redondo ficou tenso.

  - Madalena, você é um gênio da culinária! Estava tudo espetacular! Poderia ganhar um dinheirão abrindo um restaurante! - nunca comi nada mais saboroso na vida. Se bem que qualquer coisa era mais saborosa que a comida congelada que eu estava habituado. Ela corou um pouco e, sorrindo, claramente embaraçada, me disse:

  - É muita bondade sua senhor. - deu aquela abaixadinha inclinando a cabeça e deixou a sala.

  - A Senhora Madalena adora quando algum convidado elogia sua comida. Aposto que ela veio aqui apenas para saber se o jantar lhe agradou. - disse-me Hyuna.

  Fomos até a sala de jogos depois do jantar uma mesa redonda e antiga - que, para a época era novinha, claro - com cartas de baralho e dominó espalhados sobre ela, foi ocupada pelos três. SooHyun queria jogar, mas eu estava tão cansado que recusei.

   Esperei que um deles se retirasse primeiro dizendo que já estava tarde. Taehyung já havia reclamado do cansaço. Eu não queria ser mal educado nem nada, mas como ninguém parecia querer dormir tão cedo, perguntei se eu poderia me retirar. Recebi os "boa noite" de todos e fui para o quarto.

  Entretanto, alguns minutos depois voltei apressadamente para a sala, na esperança de que Taehyung ainda estivesse por li. E, graças aos Céus, ele ainda estava.

  - Algum problema, senhor Yoongi? Pensei que estivesse dormindo. - ele se levantou imediatamente e veio ao meu encontro. O rosto um pouco aflito. Exagerado, mais ok.

  - Estavamos agora mesmo falando de sua pessoa, senhor Yoongi - disse SooHyun.

  Me ama muito cara.

  - Eu estou indo dormir, Tae - respondi a ele, ignorando a ruiva louca. Imaginei que debateriam sobre o assunto, que discutiriam sobre mim, mas pensei que não perguntar sobre o que falavam deixaria SooHyun mais frustrada do que acabar sendo grosseira com ela.

  - Mas eu queria tomar um banho primeiro. Esta roupa é muito quente e pinica pra caralho. Eu vi a banheira no quarto e tal. Mas não tem água.

  Ele sorriu, assim como eu sabia que faria. Não me senti ofendido por ele achar graça dos meus problemas. Se a situação fosse inversa, eu faria exatamente o mesmo.

  - É preciso levar a água até lá, senhor - ele explicou, o rosto divertido.

  - Yoongi - o corrigi. - E onde eu pego?

   - Pedirei aos criados para que preparem seu banho. Voltarei logo. - ele se curvou ligeiramente e saiu.

  Fiquei ali, parado, ouvindo o tagarelar incessante de SooHyun. Ela não deu a menor chance para Hyuna expressar suas opiniões sobre as fitas dos chapéus.

  Pouco depois, Taehyung retornou dizendo que meu banho já estava sendo providenciado. Eu agradeci sua ajuda e me apressei em voltar para o quarto. Encontrei Madalena testando a temperatura da água. Ela me disse que arrumaria a bagunça pela manhã, ja que eu parecia acabado e devia estar querendo cair na cama. Claro que ela não usou exatamente estas palavras, mas o significado foi mais ou menos esse.

  Fechei a porta e entrei na banheira.

  Levei minha cueca comigo. Eu só tinha uma. Apenas uma cueca.

  Depois de me deleitar na água quente por alguns minutos, alcancei alguns objetos aos quais eu ainda não havia sido apresentado. Identifiquei o sabonete. Na verdade, o cheiro dele lembrava azeite de oliva, e a cor escura e lamacenta lembrava sabão em barra para lavar roupas. Apesar de sentir um leve ressecamento na pele, funcionou até que bem. Não molhei os cabelos. Já os tinha lavado e não tinha certeza se o conteúdo do vidro âmbar sobre o pequeno aparador era mesmo xampu.

  Após uns dez minutos, a água começou a esfriar e fui obrigado a sair. Alcancei o pano bege e me sequei. Devia ser uma toalha, porque era bem grosso, áspero e duro. E, pra dizer a verdade, não secava muito bem.

  Espremi minha cueca entre as mãos, dei umas sacudidas e a pendurei no encosto de uma das cadeiras da mesa, na esperança que secasse até a manhã seguinte, e me vi frente a um dilema. Eu não tinha roupas para vestir. Meditei um pouco e concluí que dormir sem roupa alguma não era boa ideia naquela época medieval! Então, vesti minha regata e a bermuda.

  Uma penteadeira - ou ao menos se parecia com uma bacia e um jarro prateado cheio de água chamou minha atenção. Imaginei que fosse o lavatório. Procurei pela pequena nécessaire que levava todos os dias para o escritório. La estava! Minha nécessaire com minha escova de dentes, meu creme dental, meu fio dental e um desodorante daqueles pequenininhos de viagem.

  Após escovar meus dentes e dar uma arrumada na bagunça, me lembrei do espelho quebrado e do meu vizinho estranho. Aquele filho da mãe.

  Fui pra cama exausto.
Eu estava mesmo em 1830, no século dezenove, na casa de um cara estranhamente gentil, sem absolutamente nada que pudesse me ajudar a voltar para minha casa. Nada exceto a conversa por um espelho com aquele idiota.

  Tentei repassar mentalmente toda a conversa, procurando por pistas, por alguma dica, qualquer coisa que pudesse me ajudar a voltar para casa.
Você esta exatamente onde deveria estar, ele disse. Só que eu não deveria estar ali! Eu deveria estar no meu apartamento, cheio de coisas úteis como banheiro, xampu e toalhas macias. Por que eu deveria estar no século dezenove? Não me lembrava de nenhum fato ou acontecimento importante em 1830 que fizesse um maluco enviar uma garoto inocente para la, apenas para procurar alguma coisa.

  Eu não merecia isso, não mesmo.

  Você não voltará até que encontre o que procura... Tera que completar sua missão... Você não está sozinho.

  Certo! Encontrar o que eu procurava, mesmo que eu não tivesse a menor ideia do que fosse. Mas seja lá o que fosse essa coisa, sabia que ela seria a minha passagem de volta.

  Argh!

  Eu não conseguia fazer a associação. Completar minha missão seria encontrar o que procurava. Seria de muita ajuda se eu descobrisse exatamente o que procurar!

  Resolvi que tinha que começar por aí. Descobrindo o que seria a tal coisa. Uma parte resolvida! Entretanto, subitamente minha mente tomou outra direção.

  Você não está sozinho...

  Eu não estava sozinho? Eu... Não... Estou.. Sozinho...? Eu não estou sozinho!!!

  Ah! Meu Deus! Tinha mais alguém perdido ali! Mais alguém que aquele homem maluco tinha resolvido ajudar. Tão perdido quanto eu estava!

  Não... ele disse que eu não estava sozinho. Mas não disse que tinha mais alguém aqui.

  Ok! Isso tudo é muito confuso. Vou dormir que ganho mais. Me virei de lado e suspirei. Assim dormir pensando em como sair daquele inferno.



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