História Espelho - Capítulo 8


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Tags Bts, Jikook, Kpop, Romance, Século Xix, Taegi, Vga
Exibições 105
Palavras 5.557
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Magia, Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Boa leitura!!!

Capítulo 8 - SunHee, Baile & Quadro



  - Senhor Yoongi, podemos conversar um pouco? - Taehyung perguntou, tirando minha atenção da janela da carruagem, quando já estávamos a caminho da vila.

  Era a primeira vez que eu entrava em uma carruagem. Muito diferente do carro e muito diferente do que eu imaginava por "carruagem".

   A carruagem de Taehyung, era marrom, com quatro grandes rodas de madeira e duas lamparinas pendiam nas laterais - imaginei que fossem os faróis. A cabine era fechada como uma caixa de fósforo, apenas duas pequenas janelas nas laterais, uma delas estava coberta por um tipo de cortina de tecido. Dentro dela, caberiam quatro ou cinco pessoas. Os assentos e as paredes eram forrados por um tecido grosso e estampado de fundo bege, uma minúscula lamparina em um dos cantos, que provavelmente servia para iluminar a pequena cabine em viagens noturnas. A viagem dentro dela era cheia de solavancos e lenta, mas supus que, num acidente de trânsito entre duas carruagens, não haveria vítimas fatais. Talvez os cavalos se ferissem.

  - Claro. Sobre o que quer falar?

  - Sobre hoje. - ele limpou a garganta. - Sobre o café da manhã.

  Claramente, Tae estava constrangido. Suas mãos inquietas pareciam não saber onde queriam descansar.

  - Tudo bem - eu disse cauteloso. Não queria voltar ao assunto, especialmente por que não queria ficar irritado com ele. - Fala aí.

  - Você disse - ele pigarreou outra vez e, então, começou a falar rapidamente. Para não perder a coragem, pensei, depois do que eu ouvi. - O senhor disse algumas coisas que me deixaram confuso. Muitas palavras que não reconheci, mas algumas delas eu conheço. Fiquei espantado com que disse - seus olhos se abriram um pouco mais. - Mas você disse algo que me deixou inquieto.

  E ele estava inquieto.

  - E que coisa foi essa? - perguntei.

  - Sobre ir para a cama com mulheres casadas. - ele baixou a cabeça. Ficou mexendo nos joelhos da calça como se tivesse alguma coisa presa ali.

  - Eu nunca fui, Já disse! Não estou mentindo.

  Essa conversa já está me irritando.

   - Eu acredito, senhor. Mas... - ele continuava com a cabeça baixa, sua voz ficou um pouco abafada. - A questão é que me pareceu que o senhor conhece bem o assunto. Ir para cama com alguém quero dizer. - sua voz diminuiu ate um sussurro.   

  Oh! Esse assunto!

  - É, conheço. - eu tinha vinte e quatro, já conhecia há rio tempo.

  - Foi o que pensei. - murmurou, levantando a cabeça olhando pela janela.

  Eu não podia ver seu rosto, apenas seu pescoço e seus cabelos negros. Esperei que ele continuasse, mas ele não continuou.

  - E você pensa que eu não deveria conhecer, acertei?

  Ele se virou e me olhou nos olhos. Olhou profundamente. Senti a força deles me arrastando, exatamente como um ímã. A força era tanta que recuei um pouco, assustado.

  - Certamente que não devia! Jovens solteiros não devem fala de certos assuntos até que estejam formalmente comprometidos. - ele parecia muito irritado. Mais que isso, parecia furioso. - E quando digo formalmente comprometidos me refiro ao matrimônio.

  - Taehyung - suspirei - Eu tenho vinte e quatro anos, sou solteiro. O sexo faz parte da vida das pessoas com certa frequência. Onde eu vivo pelo menos é assim. E mesmo que eu não conhecesse na prática, minha mãe me explicou como tudo funcionava quando eu tinha doze anos.

  - O senhor conhece na prática? - temi que seus olhos fossem saltar das órbitas. Seus rosto se retorceu em desaprovação e... tristeza?

  Serio isso?

  - Mas é claro, Tae - talvez não fosse tão óbvio para um rapaz do século dezenove, mas eu não pretendia mentir para ele. Estava sendo muito gentil comigo, me ajudando desde que me encontrou. Ainda mais gentil por me ajudar, sem nem mesmo saber a história toda. - As coisas são diferentes por lá.

  - Não gosto de como as coisas funcionam nesse seu lugar. E sua mãe fez muito mal. - sua testa estava vincada, suas sobrancelhas quase unidas. - Muito mal, realmente!

  - De forma alguma! Acho que ela fez certinho. Uma pessoa precisa saber o que acontecesse com seu corpo na adolescência e para que servem as mudanças.

  -  E a castidade? E a pureza? Não existe valores onde você vive? - perguntou indignado. Eu ri.

  - Ah, Taehyung! A virgindade não é tão importante desde mil nov... Faz tempo! Eu não quebrei as regras. Acredito que ainda existam jovens virgens.

  Todos os de doze anos, pelo menos.

  - Ouço dizer que esse lugar não é adequado para um jovem ou uma jovem viver!

  - Bom, é adequado pra mim! - dei de ombros. - Não conhecia outra forma de viver até ontem. Gosto muito de la. Espero conseguir voltar logo.

  Taehyung estreitou um pouco os olhos.

  - Creio que passar um tempo aqui possa lhe fazer algum bem. Novos costumes, novos conhecidos. Talvez acabe gostando.

  Duvido cara. Duvido muito.

  - Bem, é claro que primeiro eu preciso encontrar um jeito de voltar, depois eu vejo isso.

  Sabia que não conseguiria convencê-lo que sexo fazia parte da vida, assim como sentir sono ou sede. Ele devia ter sido criado pensando que as pessoas eram virgens até o dia do casamento, sem exceções a regra. Ridículo.

  Ele voltou a olhar para a janela.

  - Chegamos. - disse ele, depois de algum tempo em silêncio.

  Era estranho demais olhar a cena. Ruas de pedras irregulares, construções sem cor e antigas - sem a ação do tempo, porém - homens vestindo casacos e com bengalas nas mãos, mulheres com vestidos antigos e bufantes, chapéus cheios de laços, sombrinhas rendadas nas mãos enluvadas. Até as crianças que vi pareciam sair de um quadro antigo, usando roupas demais para crianças. E cavalos. Muitos cavalos e carruagens. Tudo tão estranho.

  Estava ansioso demais para procurar pela tal pessoa - se é que tem uma pessoa -, mal esperei a carruagem parar totalmente para descer. Taehyung suspirou ao meu lado, claramente insatisfeito. Imaginei que fosse por causa da conversa que tivemos.

  Olhei para ele, seu semblante estava ofendido.

  - Ao menos poderia esperar até que eu desça primeiro e abra sua porta? - reclamou irritado.

  Oh!

  - Eu... e que nunca... Ninguém nunca abriu a porta do carro... carruagem pra mim antes. Me desculpe, foi força do hábito.

  Ele suspirou novamente.

  Eu não disse nada. Eu queria voltar logo para casa. Aqui não era meu lugar, não mesmo.

  Precisava voltar logo! Jimin devia estar maluco de preocupação com o meu desaparecimento repentino e, se eu não apareço no escritório na segunda de manhã...

  - Onde deseja ir primeiro? - Taehyung perguntou, ja ao meu lado.

  - Não sei bem. Pensei que talvez pudéssemos andar por aí, perguntar sei la. Honestamente, você não acha que se mais alguém como eu estiver de fato por aqui será meio fácil de identificar?

  - Muito fácil! - e sorriu. A irritação ainda não havia deixado seus olhos, mas ele parecia mais controlado agora. - Talvez possamos pedir informações a alguns comerciantes.

  - Beleza! - ele me olhou confuso. Ah! - Beleza, bacana, joia. - ainda confuso. Suspirei. - Que ótimo!

  Eu precisava tentar me comunicar melhor. Gírias definitivamente não eram boa ideia.

  - Senhor? - chamou ele, quando eu ja estava alguns passos a sua frente.

  - Que foi? - me virei para ver o que eu tinha feito de errado desta vez, pelo tom reprovador que ouvi em sua voz.

  Ele me alcançou e me ofereceu o braço em forma de L. Continuei olhando para ele sem entender.

  Taehyung suspirou exasperado. Pegou gentilmente minha mão e a colocou na parte interna de seu cotovelo.

  - Ah! - eu disse sem graça. - Precisa mesmo?

  Eu me sentia um pouco estranho quando ele ficava perto de mim daquele jeito. Meio sem equilíbrio e inquieto, até meu estômago se comportava de forma anormal.

- Devo acompanha-lo. - ele disse sorrindo. Desviei os olhos porque, novamente, seus olhos pareciam pular os meus em sua direção.

  Dei de ombros, fingindo indiferença. Estava começando a ficar irritado com as reações de meu corpo, principalmente quando Taehyung me tocava.

  - Como tem passado, Senhor Kim? Não o vejo desde a semana passada! - cumprimentou uma garota de vestido rosa bebê, com cabelos muito loiros, cheios de cachos que pareciam ter sido feitos no babyliss sob o chapéu branco, um laço em seu queixo, acompanhada de uma mulher mais velha, talvez sua empregada, pelas roupas mais modestas. Elas inclinaram ligeiramente.

  Taehyung se curvou também. Desnecessário, mas ok.

  - Estou muito bem, senhorita SunHee. Estive fora em uma viagem de negócios. Voltei apenas ontem. Como tem passado? - um sorriso educado se espalhou em seu rosto.

  - Estou muito bem, Senhor Kim - ela piscava repetidamente, irritantemente.

  Cada estranho que me aparece.
 
  - Espero que tenha feito bons negócios. Fiquei alarmada por não vê-lo aqui no vilarejo. Pensei que talvez estivesse padecendo de algum mal! - e então me notou. Avaliou-me de cima a baixo. Seus olhos se fixaram na minha mão no braço de Taehyung.

  Que ótimo. Então medir as pessoas era um mal muito mais antigo do que eu imaginava!

  - Não me apresenta seu amigo, Senhor Kim? - ela continuou, piscando muito. Irritante.

  - Mas é claro. Este é o senhor Yoongi... - ele parou incerto de como continuar.

   - Min Yoongi. Como vai? -  estiquei minha mão para cumprimenta-la. Ela olhou para a mão estendida, depois para Taehyung e de volta para mim.

  Ah! Deixa pra lá.

  - Err... Certo. Senhor Yoongi, esta é a senhorita SunHee. Uma antiga amiga da família, e sua criada, senhora Veiga.

  - Prazer em conhecê-lo, senhor Yoongi. - ela se inclinou, me encarando de um jeito estranho. - Está hospedado em sua casa, Senhor Kim?

  - Sim. Ele esta em uma... Viagem de descanso. - ele mentia muito mal. Até eu, que o conhecia há apenas um dia, percebi que sua voz se alterou quando mentiu.

  Mordi os lábios para não rir.

  - Mas eu vou embora logo. - assegurei a ela, que pareceu não gostar da novidade. Como se eu liga-se - Só preciso resolver umas coisinhas e aí me mando.

  Ela olhou para Tae sem compreender. Suspirei, cansado.

  - Sabe que é bem-vindo em minha casa pelo tempo que desejar. - Taehyung me disse, gentilmente.

  Sorri para ele, encantado por sua bondade. SunHee, porém, não sorriu. Seus olhos faiscaram.

  Oh! Ela gostava dele!

  - Eu sei, T... Senhor Kim. E agradeço a sua hospitalidade. - murmurei sem jeito.

  Um momento de silêncio constrangedor se seguiu, ninguém disse nada. Eu comecei a ficar inquieto. Estava perdendo tempo.

  - Senhorita SunHee. - comecei com cautela. -  Por acaso, não teria visto alguém... Novo por aqui?

  - Alguém novo? Aqui? - ela pareceu espantada. - Não. Ninguém novo na vila, além de você, senhor Yoongi.

  Talvez ela não soubesse ainda. Assim como não sabia da minha chegada até alguns minutos atrás. Suspirei desanimado. Obviamente, não seria assim tão fácil encontrar a outra alma condenada aquele hospício cheio de regras de etiqueta!

  - Bem, senhorita SunHee, - Felipe disse, parecendo entender que eu queria continuar procurando. - Se nos der licença, eu e...

  - Oh! Claro, Senhor Kim, não quero interromper seus afazeres, mas posso perguntar se o baile de sábado está confirmado?

  Taehyung olhou pra mim e depois para ela, parecendo indeciso.

  - Eu havia me esquecido. Mas acredito que Hyuna não tenha mudado de ideia. Até onde fui informado, o baile acontecerá no próximo sábado.

  - Excelente! - ela disse, quicando e batendo palmas. Oshi maluca! - Estou muito ansiosa para o baile. Os bailes em sua residência são os melhores da região.

  - Fico feliz que lhe agrade, senhorita. - e sorriu.

  - Eu vou... perguntar por aí, Taehyung. Eu quero resolver isso logo. - notei que o sorriso de SunHee se desmanchou quando sem pensar o chamei pelo nome. - Te vejo depois. Foi um prazer conhecer vocês duas. Até logo!

  Sai andando, sem saber bem para onde ir. Estava irritado com aquela garota que se parecia com uma boneca de porcelana e que piscava sem parar.

  Ouvi Taehyung se despedir apressadamente.

  - Você podia ficar batendo papo com elas enquanto eu procuro. Não precisa ficar me seguindo pra todo lado. - avisei assim que ele me alcançou.

  - Não estou seguindo! Estou te acompanhando. Por que esta irritado? - ele tentou pegar minha mão para colocar em seu braço e eu a puxei com força. - Foi pelo que disse a senhorita SunHee, sobre não haver ninguém de fora da vila?

  - Foi! - menti. Mas eu não sabia dizer por que não havia gostado daquela fulana ou por que ela me irritou tanto. Ela apena me irritou.

  - Não se preocupe. Se mais alguém estiver aqui, vamos encontra-lo. - ele disse, confiante.

  - Eu espero que sim, Tae - eu ainda estava um pouco irritado. - Espero que esteja certo.

  Minha cabeça estava ficando cada vez mais confusa. Tudo ali era confuso. E, cada vez mais, eu não conseguia entender minhas reações exageradas.

  Andamos quase a manhã toda, perguntando a todos os conhecidos de Taehyung. Entretanto, não foram muitos. A maioria ainda estava na igreja. Não, ninguém novo na vila, era a resposta de todos.

  Paramos para conversar com algumas garotas sorridentes e enfeitadas, que lançavam olhares meigos para Taehyung e de fúria para mim. SooHyun não mentiu quando disse que Tae tinha muitas pretendentes.

  Distraí-me diversas vezes com as fachadas rústicas do comércio e das casas e com as maneiras das pessoas. Tudo parecia parte de um cenário gigante de um filme.

  Não conseguimos perguntar aos comerciantes. Era domingo, tudo estava fechado, apenas uma carroça vendia frutas e galinhas vivas.

  - Talvez fosse melhor procurarmos amanhã. - Taehyung sugeriu, depois de algumas horas de andança. Eu estava exausto.

  - É - concordei desanimado. - Acho que dará mais tempo para notarem se alguém diferente apareceu por aqui.

  Isso é o que eu espero!

  - Podemos ir, então? Estou com um pouco de fome. Não consegui terminar meu café. - ele disse brincalhão.

  Eu corei.

  - Me desculpe, Taehyung. Não sei o que deu em mim naquela hora. É que eu estou numa situação meio... Difícil. Desculpe, de verdade.

  Apesar de que foi você que me tirou serio.

  - Não se preocupe senhor. Ja me esqueci do incidente. Vamos?

  - Vamos. - concordei, aceitando seu braço novamente.

  Andamos em direção a carruagem e, dessa vez, ele se adiantou para abrir a porta antes que eu pudesse faze-lo.

  Realmente não precisava.

  - Valeu. - agradeci entrando na carruagem com sua ajuda.

  - Direto para casa, Isaac. - ordenou ao rapaz que conduzia a carruagem. Ficamos em silêncio por um tempo.

  - O que achou da vila, senhor Yoongi?

  - Pensei ter ouvido você prometer me chamar apenas de Yoongi. - lembrei a ele.

  - Eu sei, mas não me parece muito educado!

  - É irritante esse negócio de senhor, Senhor Kim. - brinquei com ele. Seus lábios se abriram num sorriso enorme.

  Então, me lembrei.

  - Você tem muitas fãs por aqui. - tentei fazer minha voz soar indiferente.

  - Perdoe-me, senhor, tenho o que?

  - Muitas fãs. Muitas garotas atrás de você. Muitas pretendentes. - foi impossível não notar seu constrangimento. Ele corou. Pareceu não gostar que eu tivesse notado que era um ímã para garotas.

  - São apenas amigas da família. - disse claramente desconfortivel.

  - SunHee parece gostar muito de você. - insisti.

  - A senhorita SunHee e eu nos conhecemos desde a infância. Nossos pais sempre foram amigos. Mas não há nenhum interesse romântico envolvido. - sua voz estava baixa, assim como sua cabeça.

  Lerdinho em.

  - Talvez não de sua parte. Você viu como ela me olhou? Pensei que fosse me comer vivo!

  Taehyung apoiou um braço no joelho e se virou para me encarar meio sorrindo.

  Fiquei observando seu rosto, completamente fascinado. Taehyung era lindo demais. Seus cabelos negros e encorpados caiam na testa fazendo um contraste perfeito com a pele clara. Seus olhos, pretos como carvão, de alguma forma refletiam raios prateados. Seu nariz reto lhe dava personalidade. Suas bochechas esticadas sobre os ossos do rosto e seu queixo reto o deixavam com um aspecto ainda mais músculo. Tudo isso sustentado por um corpo dos deuses. Poderia facilmente ganhar a vida como modelo.

  Percebi que Tae também me observava e, depois de nos encararmos por alguns segundos, me virei para a janela. De algum modo, seu olhar me perturbava e eu não conseguia encontrar uma explicação para isso.

  Ficamos em silêncio o restante da viagem. As vezes, sentia seus olhos em mim, mas não me virei pra ter certeza. Não queria arrumar mais confusão e tinha certeza que olhar muito para Taehyung me colocaria numa tremenda confusão.

  Ele me ajudou a sair da carruagem assim que chegamos a sua casa. Ainda segurava a mão que ele me estendeu quando ouvi um barulho. Taehyung também ouviu.

  - Escutou isso? - ele perguntou, procurando em volta. Eu sabia o que era. Sabia muito bem.

  - Não, não ouvi nada. - respondi rapidamente. - Eu... Eu... Preciso usar a casinha! Te encontro lá dentro, está bem?

   Tentei sair correndo, mas a calça idiota enroscou numa planta. Praguejei alto, me abaixando para subí a calça deixando meus joelhos a mostra e disparei para a casinha. Não olhei para ver qual foi a reação de Tae.

  Entrei rapidamente tentando fechar o trinco da porta com as mãos trêmulas. Peguei o espelho. A tela estava acesa, e o vizinho vagabundo estava me observando com um sorriso debochado nos lábios.

  "Muito bem, Yoongi. Você iniciou sua jornada com sucesso." Depois piscou pra mim e desligou.

(...)

  Precisei de alguns minutos para sair da casinha. Não que fosse agradável estar lá dentro - não era! -, mas eu precisava pensar no significado daquilo.

  De alguma forma, eu havia acertado o alvo, sem nem ao menos ve-lo. Então, talvez eu estivesse certo, havia mais alguém ali. Ou a coisa que eu tinha que encontrar estava na vila. De toda forma, eu estava no caminho certo.

  Tinha que ser isso, porque a única coisa que eu havia feito naquele dia foi ir ate a vila e brigar com o Taehyung, mas isso, com certeza - a briga -, não tinha relevancia alguma, já que não me levaria de volta para casa.

  Respirei fundo - não foi uma boa ideia, tendo em vista onde eu me encontrava. - e sai da casinha.

  Encontrei Taehyung me esperando nas escadas em frente a casa. O rosto preocupado.

  - Está tudo bem, senhor Yoongi? Precisa de alguma coisa? Quer que eu chame o médico? - ele disse, correndo com as palavras.

  Não entendi muito bem o que ele quis dizer então inclinei a cabeça de lado.

  - Por que eu iria precisar de um médico? - so por que tinha saído correndo e me trancado na... Oh! - Não, não. Eu to bem. Tudo em ordem. Não preciso de nada, não.

  Ele concordou com a cabeça, me observando atentamente. Não pareceu muito convencido que eu estivesse realmente bem. E eu não podia culpá-lo, meu rosto devia estar branco feito um papel. Ainda estava assustado com o novo contato.

  - Então, vamos entrar. Hyuna já deve estar de volta. - Taehyung indicou a porta para que eu entrasse.

  Encontramos Hyuna e SooHyun na sala de artes. Hyuna pintava um tecido e SooHyun não fazia nada além de caminhar entediada pela sala - como sempre. Aproximei-me um pouco para ver melhor o desenho de Hyuna. Flores de todos os tamanhos e cores.

  - É lindo, Hyuna! Você é muito talentosa! - exclamei, incapaz de conter minha admiração.

  - Obrigada, senhor Yoongi. Mas eu apenas desenho razoavelmente bem. O artista da família é meu irmão. - ela sorriu.

  - É mesmo? - perguntei surpreso. Não que não achasse Taehyung capaz de fazer tal coisa, com seu modo gentil e educado, so que suas mãos, e todo o resto, eram muito grandes. Pelo menos onde se podia ver...

  - Não é de todo verdade. Hyuna me enaltece demais. - Taehyung falou sem jeito.

  - Você pinta? De verdade? Tipo quadros? - inquiri, me aproximando dele.

  - Sim, eu pinto... Tipo quadros. É apenas um passatempo, aliás. Nem todos os dias são tão tumultuados por aqui. - apenas uma sobrancelha se ergueu. Um convite a contradizê-lo. Não o fiz. Estava curioso demais.

  - Posso ver algum? - seriam os que estavam pendurados por toda casa? Por que eram muito bonitos.

  - Basta olhar em volta, senhor Yoongi, - disse SooHyun com a voz afetada. - Todos estes quadros foram feitos pelo Senhor Kim. Ele é um grande pintor. Mas nunca permite que estranhos vejam suas obras. Ele é muito modesto!

  Tae disse alguma coisa a ela, mas não prestei atenção. Estava maravilhado demais com suas telas. Mal pude conter a excitação, não sabia para qual deles olhar primeiro. Havia muitos quadros, uns dez ou doze, de tamanhos variados: uma casinha na montanha, paisagens naturais ao por-do-sol, um cachorro marrom, que parecia muito dócil no quadro, apesar de seu tamanho... Diversos quadros, todos muito bonitos e extremamente reais.

  Aproximei-me de um deles, um dos maiores, de um realismo impressionante. Um cavalo negro empinando contra a paisagem rural ao entardecer. Mas o que chamou minha atenção foram os detalhes da tela. Dava pra ver na expressão do animal toda sua fúria, toda sua teimosia, sua altivez. Aquele cavalo não se deixaria ser domado.

  Selvagem, foi a palavra que pensei para expressa-lo. Estiquei meu braço timidamente, querendo acariciar seu dorso pra ter certeza se o pelo brilhante e liso era tão macio quanto parecia. Entretanto, não toquei a tela! acompanhei os contornos das costas até chegar aos quadris do animal.

  - Você desenhou isso? - sussurrei.
Taehyung me ouviu. Deixou sua irmã na companhia de SooHyun e veio se colocar ao meu lado.

  - Pintei este quadro há algum tempo. Comprei este cavalo quando meu antigo adoeceu. Pretendia que fosse minha montaria, mas nunca consegui doma-lo. - exatamente como o quadro demonstrava. - Tentei diversos treinadores, mas esse bicho é muito arredio! Acabei desistindo e comprei um outro mais dócil.

  - O que fez com ele? - eu não conseguia desviar os olhos do cavalo.

  - Nada. Ele está em meu estábulo, junto com os demais. Não pude vendê-lo. Tem alguma coisa nele... Ele é diferente! Resolvi pinta-lo da forma como eu o via. Talvez tenha exagerado.

  - Você fez um trabalho e tanto, Tae - discordei. - Parece tão real! Quase sinto o calor transbordando dele. Você é um artista!  É o primeiro que eu conheço pessoalmente.

  - Obrigado, senhor. Mas não mereço elogios. Apenas tive bons professores.

   Tirei os olhos do quadro e o encarei, minha expressão séria.

  - Ah! Não mesmo! Eu tive bons professores. E nem ao menos sei desenhar um ponei! - a não ser que alguns riscos, duas bola e dois triângulos pudessem ser considerado um cavalo expressionista. - Você é talentoso. Muito talentoso! Não discuta isso comigo!

  - Está bem, - e sorriu. - Então apenas agradeço tão adorável elogio.

  Desviei os olhos para os outros quadros. Todos tão diferentes uns dos outros, mas com algo em comum.
  
  - Você não retrata pessoas. - constatei.
 
  - Eu não ach...

  - O Senhor Kim não gosta de retratar pessoas. - interrompeu SooHyun. - Diz que não tem habilidade para traços tão delicados, não é mesmo, Senhor Kim?

  - Sim, senhorita SooHyun. Eu não gosto de retratar pessoas. Não acho que seja capaz de capturar a essência da pessoa retratada, o que seria imperdoivel de minha parte. - ele parecia convencido de sua incapacidade.

  Olhei de volta para o cavalo na tela.

  - Não acredito nisso! Se você conseguiu captar a essência daquele cavalo, pode pintar qualquer pessoa que quiser. - pensei um pouco e depois completei. - Será que você não pinta pessoas porque talvez tenha medo de que elas não gostem de se ver na visão de um artista tão sensível?

  Ele não me respondeu, apenas me encarou por um tempo. Pela expressão de seu rosto, pensei ter chegado bem perto.

  Então, SooHyun cansada de não ser o centro da conversa de não ser incluída nela, resolveu exigir a atenção do seu querido Senhor Kim.

  Peste ambulante.

  - Senhor Kim, Hyuna e eu conversávamos há pouco sobre o baile de sábado. - ela se levantou para se aproximar mais dele. Oferecida! - Oh, meu caro, será o baile mais importante deste ano. Toda a sociedade estará presente. Estou tão ansiosa que mal posso esperar!

  - Bem lembrado, senhorita SooHyun. Os seus planos ainda são os mesmos para sábado, Hyuna? Encontrei-me com a senhorita SunHee hoje de manhã e ela me perguntou sobre o baile.

  - Claro que não mudei de ideia. Ainda mais agora que a senhor Yoongi esta aqui conosco! - ela sorriu pra mim. Eu estava gostando cada vez mais de Hyuna - Será um prazer poder apresenta-lo a nossos amigos, irmão. Ele causará boa impressão a todos, tenho certeza. Ainda que precise usar uma das suas roupas. Acredito que a Senhora Madalena poderá acertar o comprimento, mas nossos conhecidos certamente reconhecerão.

  - Olha só, Hyuna, valeu mesmo pela preocupação. - suas sobrancelhas arquearam da mesma forma que as de SooHyun - Mas talvez eu nem esteja aqui no sábado. Talvez ja tenha voltado pra casa.

  Eu rezo por isso!

  E eu esperava já estar em casa até lá. Jimin soltaria fogo pelas ventas se eu não aparecesse no escritório a semana toda sem dar explicação alguma. Ele deve está me procurando feito louco.

  - Pensei que ainda não tivesse nenhuma informação de como fazer isso. - Taehyung disse. - Pensei que as buscas de hoje não tivessem dado bons resultados. Pensei que tínhamos feito um acordo hoje de manhã e que passaria um pouco mais de tempo aqui conosco.

  Fiquei ligeiramente confuso com seu tom ríspido. Tae não costumava - pelo menos desde que o conheci, que no caso era pouco mais de vinte e quatro horas a ser tão rude com as pessoas.

  - Mas eu não prometi nada, lembra? Disse que veria isso depois. E eu não tenho nenhuma informação, - não era uma informação, apenas uma confirmação de que estava no caminho certo. - Só que eu realmente preciso voltar. Toda minha vida está de pernas pro ar. Eu nem sei o que me espera quando chegar lá.

  - Por favor, senhor Yoongi - implorou Hyuna, seu rostinho triste, os olhos suplicantes. Ah não. - Não pode ficar ao menos até o baile? Eu ficaria tão feliz se pudesse lhe apresentar ao nossos amigos! Tenho certeza de que terá uma noite muito agradável. Quem sabe não arranja uma pretendente!

  Ah! Era só o que me faltava! Arrumar uma pretendente, Daí sim minha vida estaria perfeita! Como eu poderia explica a eles que sou gay? Talvez igual eu explique pro meus pais? Não, seria muito mico.

  - Hyuna, eu não posso prometer. Eu até gostaria de ir ao baile e ver como as coisas são... por aqui. Mas eu nem sei direito como cheguei aqui e não tenho ideia de como ou quando vou voltar, então... - parei quando vi seu rosto ficar ainda mais triste. Mas o que eu podia fazer? Não dava pra prometer, e eu não queria acabar mentindo para ela.

   Hyuna me encarava com olhos enormes e brilhantes, como um cachorrinho com fome. Argh! Não faz assim.

  - Tudo bem, Hyuna. Você ficará satisfeita se eu disser que me esforçarei muito para estar aqui no sábado? - perguntei derrotado.

  - Muito satisfeita! - seu rosto triste rapidamente se iluminou, ficou radiante. Inacreditável.

  - Então, Taehyung, ele vai precisa de uma roupa pro baile. - ela correu para o irmão, agarrando-o pelo braço. - Não da pra o pobrezinho passar toda a sua estadia aqui usando aquela sua roupa velha e grande. O que nossos conhecidos vão pensar quando souberem que o pobre senhor Yoongi teve todos os seus pertences roubados e nós nem ao menos lhe arrumamos roupas decentes para vestir?

  Seu rosto voltou a ficar suplicante. Ela era tão convincente. Até eu fiquei com pena. Pobre senhor Yoongi! Coitadinho!

  - Eu não fui assaltado. - objetei, mas ninguém me deu ouvidos. Fui ignorado!

  - Vou amanhã até o atelier de costura para encomendar meu vestido de baile. Talvez pudesse encomendar um terno para ele também. - ela continuou, os enormes olhos azuis transbordando tristeza.

  - É uma excelente ideia, Hyuna. Não havia pensado no assunto. Acho que fui muito relapso quanto a isso. - Tae respondeu e depois voltou os olhos para minhas roupas. - Veja madame Georgette tem alguns ternos ja prontos para o senhor Yoongi, você tem razão, ele não pode continuar com esta roupa.

  - Você é o melhor irmão de todo o mundo, Taehyung. - ela lhe deu um abraço apertado.

  Gostei disso. Gostei de ver que havia algum tipo de contato físico naquele lugar. Todo mundo parecia tão cauteloso em não tocar em ninguém, como se fosse pecado ou coisa assim. Sem abraços, beijos ou aperto de mão. Fiquei aliviado ao ver que Tae retribuiu o abraço, o rosto sorridente, e não constrangido como imaginei que ficaria.

  - Não exagere, Hyuna. - disse ele.
- Então iremos bem cedo! Podemos sair logo depois do café. Precisamos nos apressar. Não se faz um terno da noite para o dia.

  - Por mim, tudo bem. - eu estaria na vila bem cedo, poderia procurar informações. - Mas acho que não há necessidade de me comprar roupas. Hyuna, eu já disse que...

  - O que acha, SooHyun? Não é uma ótima ideia? - ela se virou para a amiga, me ignorando. De novo.

  - Excelente ideia, minha cara. E poderemos escolher as fitas! Preciso encontrar uma para combinar com meu novo chapéu. Nenhuma das que vi semana passada me chamou a atenção. E, além do mais, preciso de um vestido a altura do baile que teremos! Tenho certeza que tomará todo o tempo de madame Georgette.

  - Então está tudo arranjado! - Hyuna disse exultante.

  - Mas... - eu tentei dizer, mas Taehyung rapidamente me interrompeu.

  - Ótimo. Poderei ir até a casa de um arrendatário aqui perto resolver alguns problemas. Não precisarão de minha ajuda para escolher a roupa, imagino.

  Fiquei desapontado. Pensei que ele me acompanharia até a vila novamente. Então, ao invés de dizer isso em alto e bom som, voltei minha atenção ao quadro do cavalo.

  - Você gostou dele, não é? - Taehyung me perguntou baixinho, quase num sussurro, depois que as duas garotas iniciaram uma discussão sobre a importância da fita de cetim.

  Talvez ele não quisesse interromper o tagarelar de SooHyun sobre a diferença que a escolha errada de uma fita acarretava na vida de uma garota. Aparentemente a fita devia ter algum outro significado além de enfeitar, pois ela discursava fervorosamente.

  - É realmente lindo, Tae - sussurrei também. - Nunca vi nada tão perfeito. Olhe para os olhos! e como se estivesse zombando de alguém!

  - Aposto que estão mesmo. - ele riu. - De seu dono estúpido, que levou um ano inteiro para compreender que não o domaria.

  Eu ri também.

  - Gostaria de conhecê-lo? - ele ofereceu.

  - Claro! - eu disse, mais alto do que pretendia, excitado demais. Mas aparentemente não alto o bastante para perturbar a atenção de SooHyun.

  - Acho que não notarão nossa ausência. Parece que nenhum de nós dois está particularmente entusiasmado com as fitas. - ele sussurrou se aproximando de meu ouvido. Um arrepio subiu por minha coluna, me fazendo estremecer da cabeça aos pés.

  O que estava acontecendo comigo, afinal? Aquele lugar definitivamente estava mexendo com minha cabeça. E eu não estava gostando nem um pouco disso.

  SooHyun não notou nossa saída silenciosa. Hyuna notou, mas apenas sorriu conspiratoriamente e voltou sua atenção para a amiga.


Notas Finais


SooHyun é bem chata né gentin?? Meu deus ela é insuportável.


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