História Espelho - Capítulo 2


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Espelho, Mortes, Psicológico, Suspense, Terror
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Palavras 2.440
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Mistério, Policial, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Estupro, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 2 - Explorando


Assim como o dia anterior, amanheceu com aquele ar "animado", de um dia com sol e ar fresco. Sophie se encontrava deitada enquanto fitava o pequeno feche de luz solar que invadia o quarto, e apesar da falta de vontade que tinha em levantar, preferia não permanecer apodrecendo na cama. Ser uma preocupação para a família "querida" estava longe de seus planos. Levantou-se e foi atrás de suas roupas sem cores e sem graça que se encontravam em sua mala, apesar de uma família rica, Sophie não tinha a menor intensão de ter um monte de roupa, só precisava daquilo que realmente iria usar. Sua madrasta já tentou lhe comprar roupas mais femininas e de cores que davam vida para o semblante jovem da garota, mas acabava mofando no guarda-roupa. Apesar da má vontade de usar o que a madrasta comprava, isso não fez Samantha desistir de tentar mudar o "estilo" de Sophie.

Adentrou o banheiro e ligou o chuveiro no morno, retirou suas roupas, deixando ainda mais amostra aquele corpo pálido, que apesar de tudo, era bem cuidado e não havia machucados, feridas ou sequer uma cicatriz. Os fios de seus cabelos foram ficando encharcados conforme a água caía, colando-os ao corpo da garota, a qual iam se formando pequenas gotículas da água cristalina sobre a pele. Sophie ficou por um tempo em baixo da água que caía, pensava sobre a vida, sobre as mudanças que acabaram mudando-a também e de seus amigos, principalmente de Thomaz, o único amigo homem que tinha e que secretamente, no fundo, sentia algo por ele, mas evitava pensar no assunto já que nunca chegou à ter algum relacionamento em toda sua vida. Na verdade, nunca quis ter.

Após um bom tempo o barulho do chuveiro some, deixando somente o nevoeiro quente no banheiro enquanto Sophie ia atrás de sua toalha. Passou pelo espelho que estava embaçado pelo calor que estava no local, pensou em passar a destra para poder se olhar, mas seguiu direto para o quarto. Colocou suas roupas que mais se assemelhavam à que usava no dia anterior e saiu do quarto, dando de cara com seu irmão que se encontrava só de toalha no corredor.

— É... - Sophie chamou a atenção — esqueceu suas malas ou o quê?

— Desculpa, Sô, que bom que saiu, poderia pegar minha mala? — ele ri sem graça.

— Deveria deixa-lo descer nesse estado, seria engraçado.

Falou enquanto descia sem pressa a escada, seguindo para a sala de estar, onde havia algumas malas e caixas sem abrir, foi atrás da mala de seu irmão, que se encontrava ao lado do sofá e sem nenhuma vontade a puxou, e mesmo pesada, Sophie não fez nenhuma cara feia e subiu as escadas novamente com dificuldades.

— Pode deixar que eu levo daqui, Sô — disse Jonathan pegando a mala antes da garota terminar de subir, e por provocação, deu uma piscada com o olho direito para a irmã.

Sophie revira os olhos e desce, indo direto para a cozinha, onde encontrou Carl lendo um jornal e Samantha mexendo num tablet. Helena estava acabando de colocar a refeição sobre o balcão que separava o cômodo, a empregada cantarolava de forma baixa, mas animada, parecia não se importar com a presença de seus patrões, e eles tampouco se importavam com sua "animação".

— Bom dia, Sô — falou Carl — pensei que fosse ficar mais tempo na cama.

— Resolvi ir dar uma volta... estou cansada de ficar mofando em casa.

— Sabe que você fica "mofando" porque quer, não é? — se intromete Samantha.

Sophie a encarou com ar de desgosto e seguiu para o balcão, pegando a caixa de leite e despejando um pouco no copo, elevou a mão em uma das torradas que estavam sobre o prato e saiu do cômodo. Seguiu para a porta de saída e ficou próximo à escada, observando o parque e a grama verde que serviam de paisagem para sua vista, então se sentou sobre a escada. Bebia o leite em pequenos goles, assim como mordia a torrada sem muita vontade de comer, parecia que só se alimentava para anular a péssima sensação de sentir o estômago vazio.

Seu irmão aparece na porta e se junta à ela, segurava uma caneca com capuccino e um prato a qual obtinha um pedaço de bolo, ao lado estava acompanhado de um garfo.

— Por que você não come algo descente? — resmunga Jonathan.

— Dizem que leite é bom.

— Mas não mata a fome, e você não colocou nem uma manteiga nessa torrada — o rapaz bufa irritado.

— Se me der fome, eu vou atrás do que comer.

Jonathan revira os olhos e se senta ao lado da irmã, retira um pedaço de bolo e olha para Sophie, com um sorriso de quem vai aprontar algo.

— Por que está me olhando desse jeito? Jon... Ah não! Nem vem, eu não sou mais criança..

— Aproveita meu bom humor, ou você abre a boca, ou vou imitar aqueles adultos sendo idiotas com um bebê, fazendo aquela voz irritante.

— Sai fora... — a garota vira o rosto.

— Olha o avião... — Jonathan começa a levar a colher com o bolo até sua irmã.

O rosto da jovem fica corado, estava irritada e odiava quando seu irmão a tratava desse jeito. Bufou e então comeu o bolo da colher.

— Te odeio.

— Também te amo, Sô — ele sorri e limpa o canto da boca de sua irmã.

Se levanta e deixa o copo com metade do leite na escada e sai comendo a torrada, olha para os lados, analisando a nova vizinhança.

— Vou dar uma volta... Pode levar o meu copo para a Helena?

— Claro... Só não vai se perder.

— Eu não sou criança.

Saiu andando em direção ao parque à sua frente, a qual era separado por grades de ferro pintadas de verde. Adentrou ambas as mãos sobre os bolsos de seu moletom cinza e seguiu com passos calmos sobre a calçada.

Os minutos foram se passando e Sophie já havia passado de uns três quarteirões de sua casa, quando viu um carro de porte caro parar poucos metros à sua frente, do carro sai um garoto alto, obtinha cabelos escuros, num corte social, mas moderno. Do outro lado, sai uma garota loira, seus fios eram quase platinado, possuidora de uma grande beleza, o tipo de mulher que é denominada pela sociedade de "mulherão". A garota eleva o olhar em direção à Sophie e a encara, fitando-a de cima a baixo, parecia perceber que a jovem era nova no lugar mas deu de ombros e seguiu até o rapaz que também percebeu a presença da garota que passou direto por eles sem nem sequer olhar ou dizer "olá" como forma de educação, parecia querer evitá-los.

— Pelo jeito o bairro ganhou sangue novo — falou virando o rosto do rapaz para si ao perceber que ele continuou olhando mesmo depois da garota ter passado - perdeu alguma coisa naquela garota?

— Claro que não, Vianna — falou fechando a porta do carro e seguiu para a porta da casa.

— Sei, você não me engana, Edson — fechou a cara e seguiu atrás dele, ambos entrando na casa e fechando a porta atrás de si.

Um pouco mais se passaram e Sophie já estava quase dando a volta na praça, mal havia percebido o tanto que andou, já que sua mente estava cheia e vez ou outra lembrava dos amigos que deixou pra trás e a imagem do grupo de pessoas curtindo na praça também tomava conta de si. Mas foi-se tudo interrompido quando um motoqueiro passa em alta velocidade, o barulho irritante da moto atraiu sua atenção de forma repentina e seu olhar foi em direção ao culpado pela barulheira, que a encarou entre o espaço que havia em seu capacete, perdendo um pouco o equilíbrio após passar por Sophia, mas se recompôs e saiu, seguindo seu rumo.

As solas de seus sapatos tocaram o gramado bem aparado do parque, era possível sentir a diferença entre a maciez da terra e a grama que era molhada semanalmente, e o asfalto duro da calçada a qual andava. Era como entrar num outro mundo, até o aroma era diferente, nem parecia que ainda estava na cidade. Sentou-se sobre um lugar mais afastado do pessoal que se encontrava no parque e elevou o olhar para o céu, podia sentir os raios solares tentarem tocar a sua pele através das brechas que escapavam das folhas da enorme árvore que se encontrava ao seu lado. O vento balançava seus galhos levemente, e aquele momento deu à Sophie o que ela procurava desde que chegou ali; uma sensação de paz.

Não demorou muito para ser interrompida novamente, dessa vez pelo celular que tocou em seu bolso. Na tela estava o nome "Thomaz", então se lembrou que não respondeu a mensagem da noite passada.

Achei que aconteceu algo, você não respondeu meu SMS — falou o garoto do outro lado da linha após Sophie atender.

— Desculpe... É muita coisa em mente, acabei me esquecendo... — Falou após uns segundos em silêncio.

Tudo bem, eu sei como é — pôde se escutar uma risada calma vinda dele — Quando começa a frequentar a escola?

— Amanhã — Sophie respira fundo ao pensar no fato de que mais uma vez estaria recomeçando sua vida numa nova escola.

Entendi, bem, Sô...?

— Sim?

É... Não é nada, esquece. Vou desligar, mais tarde eu ligo novamente quando eu for me encontrar com a Abbie e a Amélia, assim conversamos todos juntos.

— Tudo bem.

Guardou o celular e seus olhos foram em direção à saída daquele lugar. Não queria ir embora, na verdade queria correr sem rumo até se ver num lugar bem longe de Samantha e seus luxos cansativos a qual incentivaram seu pai a viver a vida que levam até hoje. Sophie já chegou a pensar que sua madrasta tem algo a ver com o sumiço repentino de sua mãe.

Continuou com sua caminhada, e com o tempo percebeu que aquela praça é grande demais para se atravessar de um lado a outro em pouco tempo, maior do que havia imaginado. Num curto período de tempo, teve a sensação de estar sendo seguida, então parou, mas sem olhar para trás. Deduziu que era somente alguma outra pessoa que também estava no parque e então seguiu. Novamente teve a sensação de estar sendo seguida quando o barulho da sola de sapatos batendo na grama começa a ser alto e apressado, no momento em que Sophie iria se virar, seu corpo trava ao sentir a mão de alguém pesar ao pousar sobre seu ombro. Teve seu corpo aliviado ao escutar a voz familiar, mas não deixou de sentir raiva pela forma como a pessoa se aproximou.

— Está fugindo de alguém? — indaga Jonathan.

— Mas que droga, Jonathan, porque tem que se aproximar desse jeito? Sabe que odeio surpresas — resmungou com o tom de voz irritado.

— Eu te chamei, mas você não me ouviu. Me desculpe — o garoto ri ao lado da irmã.

Como me encontrou nesse lugar enorme?

— Não é muito difícil quando sua irmã se veste como uma pessoa de luto... E está de moletom quando todo o resto das pessoas usam roupas mais frescas num dia de sol como esse.

Sophie deu de ombros e seguiram andando, se perguntava também como ele a alcançou tão rápido. Ou melhor, o que ele queria atrás dela.

— Achei que ficaria em casa para ajeitar suas coisas.

— Eu ficaria... Mas a Samantha começou a dar ordens sobre mim, e a colocar defeito na casa. Será que aquela mulher nunca vai se contentar com algo? — Resmungou.

— Jon, Jon, você é mais velho que eu, já deveria saber como aquela mulher é.

— Falando nisso... Você nunca agiu como se ela fosse sua mãe, mesmo tendo crescido ao lado dela... Por que?

— Ela nunca me tratou como filha, Jon... E depois que descobri que ela não é minha mãe de verdade, também não dou a devida importância à ela. Se dependesse dela, eu estava num internato, e você sabe disso.

— Entendi... Quer conhecer a cafeteria que tem ali perto? Eu vi ontem quando estava vindo de moto.

— Pode ser.

Ambos seguem até saírem da praça e andam por um tempo até chegarem numa rua movimentada, lugar cheio de comércios e de boa aparência. Parecia que já estava chegando o horário de almoço. Jonathan e Sophie adentram a uma cafeteria onde havia um letreiro escrito; "Cachao Toy Cafe", e logo de cara puderam ver que estava sendo um lugar bem frequentado. Seguiram para um lugar vazio, próximo a janela onde dava para ver todo movimento da rua. Continuaram quietos, ambos na sua. Sophie apenas observando as pessoas ao seu redor, e Jonathan mexendo em seu celular.

— Aqui está o Cardápio, logo venho recolher o pedido de vocês — falou uma jovem de uniforme, era possível ver que apesar do coque, ela obtinha os fios ruivos, e sua pele era tão delicada quanto a de Sophie.

Jonathan sequer desviou o olhar que fixou na moça, talvez porque era homem, ou porque sentiu uma sensação diferente ao vê-la. Analisou a jovem garçonete desde a hora que se afastou da mesa, mal disfarçava. Teve seu delírio atrapalhado por um chute na panturrilha desferido por Sophie.

— Aí! — resmungou.

— Tenta disfarçar pelo menos.

— Está falando de quê? — fingiu não entendê-la.

Sophie revirou os olhos, sabia quando seu irmão fingua não saber de algo e não gostava desse "joguinho". Passou-se uns cinco minutos e os irmãos Hall já haviam escolhido o que comer e a moça voltou para anotar o que queriam. Sophie ficou quieta enquanto ouvia seu irmão segurar a coitada da moça num flerte barato, e nesse bate papo todo, pode ouvir ele perguntar o nome da jovem e ela respondeu num tom sem graça; "Celiny". Eles só não conversaram por mais tempo porque o chefe da jovem a chamou, e seu semblante não era dos mais agradáveis.

Mais tarde, de volta na casa deles, Sophie estava colocando suas coisas no lugar, não tinha pressa com seus afazeres e nem queria que Helena viesse fazer suas coisas igual faz para Samantha, que ao invés de ajudar com o serviço, estava contratando mais empregados para a casa.

— Sim, ele será bem pago, se fizer o trabalho dele corretamente, é claro... Não, não se preocupe, dinheiro é o que não falta.




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