História Espelho de Lua - Capítulo 47


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Chen, D.O, Kai, Kris Wu, Lay, Lu Han, Personagens Originais, Sehun, Suho, Tao, Xiumin
Tags Chanbaek, Chansoo, Chenmin, Espelho De Lua, Exo, Hunhan, Jongtao, Kaisoo, Laysoo, Poderes, Sulay, Taoris, Xiuchen, Zmadew
Exibições 103
Palavras 3.996
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Famí­lia, Fantasia, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Shonen-Ai, Sobrenatural, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Mutilação, Nudez, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


"'Escolha ser
Vilão ou Herói.

Escolha ser
Dor ou alegria

Escolha ser
Passado ou futuro

... Escolha.

Escolha evitar ou não um destino
Escolha viver ou não este dia
Escolha fechar os olhos ou ver a luz
Escolha, apenas aquilo que quiser

... Escolha.

[...]"

~ZMadew.

Capítulo 47 - Escolha.


Fanfic / Fanfiction Espelho de Lua - Capítulo 47 - Escolha.

*_*_*_*

Tao

Fiz isso diversas vezes. No entanto, parece ser mais doloroso agora, estou aqui.

-Você é muito veloz nos golpes! –Dizia Chen, enquanto tentava desviar de um último golpe da série que criamos.

Essa noite eu revivo de diversas maneiras. Na primeira delas, deixei meu aluno partir mais cedo do que o normal e o vi morrer diante dos meus olhos, quebrado, assim como o Pacífico Líder na antiga geração. Foi terrível encarar Shaldmott, os poderes que ela possuía, o modo como decidia matar apenas depois de uma longa tortura. Nunca se torna fácil lidar com pessoas no passado, quando elas não conhecem seu próprio inimigo e nem mesmo fazem ideia do quanto eles podem ser maus. Esse tipo de raiva se apodera de mim, apenas por relembrar que deixei um de meus melhores e mais fieis alunos caírem da pior forma possível.

-Pra ser sincero, você é que é lento. –Respondi secamente. Joguei minha espada no chão, fazendo um enorme barulho metálico.

-Espera Tao! –Disse ele, colocando vagarosamente a sua espada sobre a mesa. –Você disse que ia me ensinar seu golpe especial...

Claro, o golpe especial. Eu jamais poderia explicar o quanto seria relevante usá-lo no futuro, e que ele era quem havia criado o golpe especial que eu sempre prometo lhe mostrar quando retorno ao passado. Isso criaria o maior dos paradoxos, poderia me ferir ainda mais e até mesmo atingiria o coração do meu Líder Protetor. Eu simplesmente ignoro e deixo passar, nas diversas vezes acabo mostrando que ele precisa ter paciência, afinal, Chen é um dos Guardiões mais dignos de receber dons primorosos, sua posição como Guardião no meu futuro provisório foi a mais eficiente e aquela que mais salvou vidas...

... Até que a sua terminasse.

-Você não aprendeu nem o básico, como vai querer aprender o meu golpe especial? –Indaguei e ele baixou a cabeça com uma expressão triste, eu suspirei um tanto impaciente. –Certo... Amanhã venha novamente, no mesmo  horário.

-Obrigado! –Ele sorriu.

Sinceramente, eu ainda odeio sorrisos, odeio pessoas que estão sorrindo ou estão felizes. As pessoas não têm direito de sorrir, por que todas elas tiraram esse direito de mim. Mesmo não gostando muito acabei sorrindo de volta, de um jeito meio torto e sem a mínima vontade, quase desgastando meus músculos do rosto. Notei que seus olhos se comprimiram e sua testa franziu, com certeza percebeu que eu não estava nem um pouco a vontade com a situação. Dei meia volta e fiquei de costas para ele, porém depois de um instante eu o encarei.

Aqueles olhos.

O olhar carregado e triste, misterioso e enigmático. Em todas as vidas, em todas as suas seis vidas anteriores, Chen emitia sua energia daquele modo. Todos os Guardiões possuíam seu diferencial, no entanto ele, o perigoso detentor do signo do trovão, estava encarregado de ser sacrifício. Algo que jamais aceitei em todos os tempos, porém seus olhos desta mesma forma contrariavam meus maiores comandos. Eu sempre lhe pedi que não me olhasse deste modo, isso sempre me machuca e me deixa com medo muito maior sobre a morte.

Chen foi o primeiro a chegar. O primeiro a partir. O único que me fez descobrir sobre a pior das dores...

A de sobreviver.

-Boa sorte. –Sussurrei, sentindo um coração pesar. –E traga comida para sete dias.

-O- o quê? –Chen pareceu não entender.

-Sim, sete dias já bastam. –Fechei a cara e ele recuou dois passos.

Saí rapidamente do galpão, notando o céu escuro e estrelado. Paradoxos não permitem que eu veja estrelas no céu, então me sinto um pouco mais a vontade por saber que estou mesmo no passado, no tempo certo. Tentei imaginar onde poderia estar o meu corpo nesta época, no entanto era a missão que menos importava naquela noite que seria curta. Era difícil imaginar como seria ver um Jongin mais jovem, trata-lo como um desconhecido, tentar não ser invasivo, controlar meus poderes não naturais diante dele.

Fechei os olhos e respirei profundamente, relembrando cada palavra dita sobre a noite em que ele me viu pela primeira vez, e que será aquela em que eu “o vejo pela última”.

Passei pela calçada de pedras que dava acesso mais rápido ao parque e alcancei a Villa River, colégio antigo e devastado que serviria com certeza de campo de batalha na chegada de Shaldmott, assim como estava acontecendo no meu futuro. Mais distante de mim pude observar que um garoto era cercado por outros seis, que aparentemente pretendiam agir de má fé. “Droga... Por que só vão atrás de ‘crianças’ perdidas na rua?” Pensei comigo mesmo.

Caminhei  em direção ao beco para onde aqueles idiotas haviam arrastado o pobre garoto à força, fui me aproximando com as mãos no bolso da jaqueta. Pude ouvir parte da conversa:

-Trouxe nosso dinheiro, Jongin? –Perguntou um garoto, que segurava a gola da blusa do menor.

-Não me machuquem, por favor... –Ele tocou suas costas na grade metálica e arregalou os olhos ao perceber que estava sem saída.

Era a hora. Em uma das seis vidas, aquela em que eu ainda não estava pronto para encontrar os guardiões, Jongin deixou de existir. Seis quimeras que possuíam o poder de se tornarem pessoas estavam ali, diante do garoto mais promissor e mais especial para o meu futuro. Lembro-me de como Shaldmott foi pretensiosa, egoísta e muito, muito cruel com o pequeno Jongin. Ela ordenou que como prova da morte, cada uma das seis quimeras levasse para si um prêmio, “uma peça preciosa do Guardião”. Suas palavras para mim, dizendo: “com o corpo inteiro o guardião da cura poderia revivê-lo, então vamos repartir entre nós para ser divertido”; Shaldmott declarou muito mais do que uma guerra.

Assinou a própria sentença de morte.

-Ei! Vocês! –Gritei em um tom ameaçador e todos eles olharam para mim. –O que estão fazendo?

-Não se mete seu idiota!

Caminhei mais um pouco até que senti um braço tocar em meu ombro, impedindo-me de continuar. Era uma quimera de poderes medianos, mas possuía o dom de controlar a mente, um telepata. Sua energia formava uma barreira em meus pensamentos, no entanto ele não era forte o suficiente para poder lidar com meu nível de telepatia. Conviver com viagens no tempo me tornou de alguma forma capaz de libertar a mente com mais facilidade e Luhan, antes de partir no meu tempo futuro, deixou que eu carregasse uma centelha de seu poder dentro da ampulheta.

-Soltem o garoto, deixe-o em paz. –Pronunciei com calma. Deixei minha voz atingir a frequência certa de hipnose para os mais sensíveis, assim como Luhan costumava fazer nas batalhas, isso ajudava muito a eliminar pequenas barreiras que iriam apenas nos cansar e distrair.

-Hahaha... Você tá a fim de apanhar cara? –Perguntou aquele que parecia ser o líder do bando. Obviamente seu nível era maior e com certeza havia percebido algo em mim.

-E você está? –Respondi no mesmo tom e os outros reagiram com cochichos, sussurros, trocando sinais.

-Peguem ele. –O líder apontou em minha direção e os garotos foram se aproximando.

Ao contrário do que se esperaria da reação de qualquer um, eu não recuei. Fechei meus olhos e tentei visualizar o ambiente ao redor, então encontrei uma mente luminosa fazendo algo inusitado. Era como se o tempo estivesse ao meu favor. Não pelo fato de eu poder controlar o tempo, mas por que meu coração batia rápido, aquele sentimento de reconhecer o poder despertando em Jongin nessa sétima vida era incrível. Então eu ri baixinho e comecei a pronunciar palavras aleatórias que não pertenciam a mim, eu as estava lendo daquela mente perdida...

Dois dos garotos mais próximos acharam a cena estranha e ficaram olhando com ar de espanto.

-Xiii...Olha só pessoal, ele já está até rezando pela própria alma, coitadinho...

Todos riram, enquanto eu fazia um sinal discreto para que “o tal garoto desconhecido” pudesse fugir.

-Se arrependeu, hein?

-Não, nem um pouco. –Sorri com um ar vitorioso ao ver Jongin sair correndo e parar fora do beco, são e salvo.

Na verdade me senti estranho. Nunca pensei que faria isso por alguém, muito menos que iria conseguir me sentir feliz em ajudar depois de tanto tempo. Mas no fundo sei também que aquele garoto não merecia apanhar sem motivo aparente, ainda por cima de seis pessoas. Quando eles notaram o que eu tinha feito e que Jongin estava livre, até tentaram iniciar algum atentado contra mim, mas eu rapidamente apontei para o carro de polícia que rondava logo à frente e todos os seis  saíram por seus esconderijos.

-Isso não vai ficar assim! –Disse o líder deles, antes de sumir na escuridão.

Sim... Eu precisei de tempo para me mexer. Minha mente criou a ilusão e o sinal da brisa trouxe como uma bênção o ruído do veículo policial. Meu lado telepata é capaz de criar imagens perfeitas e bem surreais, no entanto os sons são coisas mais difíceis. Por isso precisei usar outra força escondida dentro da ampulheta, a centelha do vento. Sehun doou um sopro de sinais, suficientes para a minha batalha no passado, além de me permitir explorar ferramentas da caixa quando eu a encontrasse, eu decidi que o deixaria bloqueado nessa vida assim que tivesse chances. Isso seria algo que deixaria em minha lista para mais tarde, obviamente.

Caminhei lentamente até o garoto que estava com as costas na parede, respirando pesadamente, suando frio e tremendo com a mão direita sobre a testa, levantando alguns fios de sua franja.

-Obrigado... –Disse ele, ofegante.

-Não há de que. –Ficamos em silêncio, depois de um tempo ele voltou a falar:

-Como conseguiu? ...Achei que iria brigar com eles.

-Não preciso sujar minhas mãos com essa raça de idiotas. E não foi nada de mais, só fiz o que você estava fazendo. –Respondi sem pensar.

-Como assim? –Perguntou o “estranho”, com um semblante confuso.

-Eu vi dentro de você... Você estava desesperado clamando pelos espíritos, para que eles te ajudassem.

-Você... –Ele apontou para mim. –Como sabia disso? Lê mentes por acaso? – Eu desviei o olhar e pensei antes de falar:

-Não. Só conheço bem as pessoas. –Respondi, com certo nervosismo.

Estar diante dele sabendo como era o Jongin do futuro sempre me desconcerta e alguma forma. Comecei a caminhar e ele me seguiu sem hesitar, o que considerei bom devido às circunstâncias. Não queria dizer que aquilo era uma promessa feita ao Líder Protetor, a promessa de sempre ir e proteger em qualquer lugar do tempo e do espaço cada um dos guardiões. Nessa sétima vida, todos eles clamaram por um herói que eu jamais fui, mesmo em todas as outras. Isso sempre faz o peso se tornar maior sobre meu tempo, o peso de vidas inocentes, eu com certeza tomaria o lugar de cada um para amenizar o sofrimento.

Paramos em frente a uma casa, senti meu corpo estremecer. Eu nunca me enganava, meus instintos diziam que aquele lugar era a casa dele. Um local simples, porém com um jardim caprichosamente organizado, cheio de flores e plantas.

-Obrigado por me acompanhar até aqui... –Ele apontou o local com o polegar, sobre seu ombro direito. –É a minha casa... –Ele sorriu. –Qual é o seu nome?

Fiquei em silêncio, observando as flores. Não era preciso ser um gênio para perceber como o jardim era incrivelmente bonito e acolhedor. Cada planta estava disposta de forma simétrica, as cores obedeciam a uma sequência lógica, junto com as formas e tamanhos. Tudo se encaixava perfeitamente. Senti-me um pouco estúpido por viver seis vidas sem conhecer o lado mais cativante daquele Guardião, agora toda aquela glória e sinergia se desfaziam diante da natureza simples que o rodeava.

-Seu jardim é muito bonito, Jongin. –Minha frase desfez o sorriso que estava no rosto dele, dando lugar a uma expressão aterrorizada e surpresa ao mesmo tempo.

-Como sabe o meu nome? –Ele pensou. –Não me lembro de ter dito isso pra você! –Jongin deu dois passos para trás, com um ar estático.

“Droga!” Foi o que pensei. Tanto esforço para agir como um estranho e deixo escapar isso. Desviei o rosto e segui de cabeça baixa em direção ao portão de saída com as mãos de volta no bolso da jaqueta. Mas antes que eu pudesse tocar a grade metálica ele gritou:

-Espere! Qual é o seu nome?

Encarei seu olhar uma última vez durante um longo tempo, em silêncio. Senti meus instintos devorando meu consciente dizendo que eu deveria lembrar aquele rosto, num futuro não muito distante. Encerrava ali minha visita e a próxima jamais existiria, não com o mesmo “Huang Zitao”.

-Jongin, não ande mais no escuro. –Ele ouviu o que eu disse e voltou a sorrir.

-Você vai voltar, não vai? –O garoto começou a vir em minha direção, porém parou no portão.

-Espero que não. Você precisa crescer Jongin. –Comecei a andar pela calçada. –... Pode me chamar de Zitao.

-Zitao... –Ele sussurrou, memorizando de forma dedicada.

Eu segui, não olhei para trás. Meu coração aceitaria qualquer tipo de dor, mas não esse tipo de dor em especial. Passei seis vidas procurando o mundo certo e descobri que não era aquele em que eu estava. Minha única razão para continuar seguindo neste passado é por que nele jamais encontrei um único Guardião completamente consciente. Todos sempre estiveram à beira de morrer, desistir, cair, desviarem do caminho. Todos nessa vida eram uns completos fracassos.

Por isso Shaldmott não deu importância em suas missões falhas, nem mesmo deu atenção e acabou deixando esta linha mágica por último na sua lista. Eu estou sobre esta linha, seguindo a promessa que fiz ao meu Céu, ao meu Líder Protetor. Blindando o melhor que restou de cada guardião, transformando-os naquilo que menos esperam:

Seus próprios salvadores, seus próprios heróis.

 

*_*_*_*

Autor

[Em algum dia, no passado muito distante]

 

A jovem com roupas fúnebres encarava o espelho de forma sombria e triste. Seu sono desapareceu muitos dias antes, depois de ver o outro rosto no lugar de seu reflexo.

-Eu vejo você, um menino estranho. –Sussurrou por fim, tocando a superfície fria e sentindo a textura da mão desconhecida. –Como pode estar preso aí?

-Não estou. Eu sou você. –Respondeu ele com firmeza. –Olhe bem para mim e verá que está olhando sua própria alma neste corpo novo, Leun.

Silêncio. Durante o fim daquela madrugada e o princípio da manhã os olhos vidrados da jovem reconheceram com o despertar do dia, que seu futuro estava mesmo fazendo uma visita.

-Isso é contra minhas regras. –Sibilou Leun, deixando agora seus dedos deslizarem e retornarem sobre o peito, onde estava aquela preciosa corrente dourada, com o pingente de ampulheta.

-Por isso estou aqui. –O jovem sorriu, transpassando lentamente o vidro refletivo e num passe de mágica saltando para o lado, encarando os olhos da Guardiã do Tempo com seriedade.

-Isso deve ser um presságio muito ruim. –Leun fechou os olhos e colocou as mãos na cabeça balançando-a de forma negativa.

-Você ouve o som da ampulheta se quebrar, não é?

-Quem é você? –Leun gritou, dando alguns passos para trás com a respiração descompassada.

-Huang Zitao. –Pronunciou o jovem calmamente. –Acredite em mim, você ainda fará coisas incríveis, precisa apenas me ouvir.

-Ouvir... –Leun cruzou os braços e virou-se de costas, tentando normalizar a respiração. –Ontem ouvi coisas ruins sobre uma Guerra eminente e também tenho coisas difíceis para contar.

-Eu sei. –Huang sorriu e fechou os olhos, deixando que seus ouvidos captassem o som mais bonito que conseguia e estavam ali, escondidos. –Os gêmeos, você está grávida de três meses. Sei disso por que essas sensações são transmitidas para o futuro Leun, todas as sensações mais fortes. E você não parece muito surpresa ao me ouvir dizendo isso, por que muito provavelmente recebeu sinais do futuro, sinais de seu “outro eu”.

-Bom... –Leun tocou o próprio ventre, deixando pela primeira vez um sorriso escapar dos lábios. –De alguma forma diria que sim. Huang Zitao, não é?

-Isso.

-Certamente não posso pedir prova maior, você realmente deve saber do que está falando. Nem mesmo Heuen com aquela intuição incrível poderia dizer palavras assim.

-Sua irmã certamente sabe a hora certa para que as palavras saiam de sua boca. –Respondeu Zitao, procurando por algo que estava em seu bolso. –Veja isto... Vai ser uma relíquia.

Após encontrar o que procurava, o jovem esticou o braço direito a frente do corpo e abriu devagar a palma da mão. O brilho rosado e pulsante foi reconhecido por Leun, que segundos depois deixou um leve soluçar fugir do controle. A pequena peça faiscava nas pontas, a ampola responsável por prender a areia do tempo naquela ampulheta estava cheia de rachaduras, cada grão vertia e se perdia no ar como gotas de sangue, uma ferida aberta doeria menos em seu coração depois de ver aquilo.

-Está muito machucada... –Leun ergueu uma das mãos no ar, numa tentativa de tocar a mão de Zitao, porém o jovem fechou a mão e a afastou rapidamente. –Pelos deuses... Como chegou a este ponto?

-Shaldmott, mas você já sabe. –Tao colocou as mãos no bolso suspirou. –Ao menos parte de você já sabe.

-O que você pretende com isso?

-Fazer um pedido.

-Um pedido... –Leun repetiu em voz baixa, desviando o olhar com um ar pensativo. –Não posso negar um pedido que de certa forma é meu. Se estiver diante de mim no passado e quebrou uma de minhas regras mais primordiais, de algum modo minha resposta foi o que o trouxe aqui.

-Tem lógica.

-Paradoxos não têm nenhuma lógica. São buracos infinitos, poços de sentimentos e pensamentos que possuem um ciclo dependente e interminável.

- E isso eu acredito que seja um “sim”.

-Que seja. –Leun sorriu de canto, notando o gesto se repetir de maneira igual no rosto do jovem diante de si.

-Quero que se lembre de mim e também de uma promessa que fiz.

-Certo... –Leun cruzou os braços e acenou positivamente. –Vou me lembrar.

-Quando chegar o momento, o momento exato, você tomará uma decisão que independe de mim ou de qualquer coisa que eu lhe diga sobre o futuro. Eu estive em seis vidas diferentes e em todas elas você escolheu a mesma coisa, aqui não vai ser diferente. Porém, desta vez, sinto que não posso permitir isso como suas preciosas leis determinam. Vou deixar que você escolha o que quer.

-Estou quase entendendo. Pode me dizer uma palavra apenas?

-Shaldmott.

-Shaldmott. –Leun inspirou profundamente e concordou. –Tudo bem, eu vou pensar.

-E isso deve ser o meu adeus. –Tao virou de costas e caminhou até parar em frente ao espelho, onde via o próprio reflexo.

-Adeus?

-Foi aqui que eu comecei a existir e fazer sentido, Leun. Agora meu propósito terminou, o ciclo “interminável” pode ser corrigido, com uma lógica nova. Saiba que seu amor salvou muitas pessoas e não apenas magoou. Mesmo que não saia exatamente como o planejado, você e eu fizemos coisas importantes juntos... E uma delas foi amar. Quando sua escolha chegar, o sentimento maior em ti deve ser apenas o de amor.

-Amor?

-Eu sei. É confuso... –Tao riu baixinho e fixou os próprios olhos no espelho. –Parece errado.

-Você está morrendo.

-E nisso não existe nada errado.

-... Eu irei morrer. –Insistiu Leun, com certa preocupação.

-Então faça o que deve fazer, antes que isso tudo termine. –Sussurrou Tao, antes de tocar o espelho e atravessá-lo, desaparecendo completamente.

Leun observou sua imagem normal ganhando cores com a luz do dia, porém sentiu em seu coração que o futuro cinzento estava lhe implorando para fazer algo difícil.

Lutar.

 

*_*_*_*

[Dias atuais]

 

-Shald. –Sussurrou Kyungsoo, ainda sem conseguir abrir os olhos. –É Shald-mott.

Ao ouvir aquelas palavras, Kris percebeu o quanto tudo aquilo estava longe de ser normal. Levantou os olhos em direção a Chanyeol e fez um rápido sinal para que o outro o ajudasse. Diversos pacientes e enfermeiros estavam no corredor e olhavam apavorados ambos avançarem sem rumo carregando Kyungsoo.

-Para onde vamos? –Chanyeol questionou depois de chegarem ao saguão de espera do CTI e ver duas mulheres assustadas levantarem rapidamente para saírem dali.

-Não sei... Não sei... –Kris tentava controlar a respiração, sua mente estava bagunçada.

-Ayse é a madrasta do Byun, que porra ela veio fazer aqui de novo?

-Chanyeol não faça perguntas. –Interrompeu o Líder, depois de conseguir arrumar Kyungsoo do modo mais confortável possível sobre uma maca que havia no corredor. –Droga, ele está muito mal ainda, não podemos fazer coisas absurdas do tipo “tirar ele do hospital”. Tem certeza que aquela mulher é madrasta do Baekhyun? ... Meu Deus, ele disse Shaldmott! –Kris levou as mãos sobre a cabeça, ainda sem compreender.

-Mamãe... Mamãe... –Kyungsoo começou a murmurar, virando a cabeça de um lado para o outro. –Mamãe, mamãe...

-Calma... –Chanyeol parou ao lado do garoto e acariciou seus cabelos, tentando amenizar a situação. –Merda, ela não pode ser Shaldmott. Se fosse, teria matado Byun antes de ele ser um de nós. Isso não tem lógica!

-Eu sei, eu sei... Só me deixe pensar. –Rebateu Kris, parado no cruzamento entre quatro corredores. –Viemos desta direção... Da direita.  Precisamos ir para cá, me ajude a virar a maca e seguiremos em frente, 90°, entendeu?

-Tá...

Os garotos rapidamente viraram a maca e começaram a puxar pelas barras laterais, caminhando na direção indicada. No meio do caminho encontraram uma enfermeira e imediatamente abordaram a mulher, pedindo que esta atendesse Kyungsoo.

-Como é o seu nome?

-Suy.

-Suy, preciso que me ajude, consegue deixá-lo com o básico? –Chnayeol apontou para Kyungsoo, que ainda murmurava sem cessar.

-S-sim...

-Então no siga e faça o que precisar, mas não pare em hipótese alguma, entendeu?

-T-tudo bem... –Ela rapidamente puxou o carrinho que carregava e tirou as coisas mais necessárias, caminhando um pouco mais atrás e desenrolando uma faixa para ajeitar em um dos braços de Kyungsoo. –Ele vai ser transferido?

-Mais ou menos. –Kris respondeu rapidamente.

Ambos pararam ao notarem outro cruzamento de corredores. Kris suspirou, visivelmente frustrado. Suy aproveitou a pausa para ajustar o soro e pegar alguns medicamentos de outro carrinho de remédios que estava abandonado no corredor vazio. Foi quando todos notaram as luzes acima e si piscando.

-Mamãe, mamãe está vindo... –Sussurrou Kyungsoo, pouco antes de perder a consciência.

-Sentiu isso? –Perguntou Chanyeol, encarando os olhos de Kris. –Parece uma dor, uma dor boa...

Outra vez as luzes piscaram, porém foram duas vezes acima deles, duas vezes nas lâmpadas do corredor ao lado esquerdo. As luzes piscaram como uma longa sequência até o fim daquele trecho, o que fez Kris pronunciar apenas uma palavra:

-Baekhyun.

Foi assim que os três seguiram na direção indicada, assustando-se ao ouvirem o estouro das lâmpadas logo que as passavam. Ao chegarem no final da sequência de luzes a última lâmpada estourou e deixou a escuridão quase inundar o ambiente, exceto pelo botão verde indicativo do elevador na tecla “subir”.

-Rápido, vamos entrar.

-A maca vai caber? –Chanyeol parecia assustado.

-Cabe sim, todos os elevadores comportam macas sem problemas. –Suy disse, depois de ver a porta se abrir. –Meu deus digam, por favor, que isso é só um treinamento antiterrorismo ou algo assim... –Ela encostou-se no fundo do elevador ao ver a porta fechar, deslizando até cair sentada no chão.

-Acredite no que quiser. –Comentou Kris, sentindo a energia de Baekhyun aumentar ainda mais na medida em que subiam. –Como Byun pode fazer esse tipo de coisa?

-Responda você, Líder. –Chanyeol sorria esperançoso. –Eu apenas me sinto aliviado por saber que de alguma forma ele está bem, está nos ajudando a fugir, sabe-se lá do que...

-Isso não está certo, Chan. –Murmurou o Líder, com a mão sobre o próprio pulso. –Tem uma energia estranha de um de vocês que está vindo em minha direção sem parar... Não é Heuen, nem mesmo Lay, ou Lua. É muito forte e caminha em minha direção, não sei dizer o que é.

-Quem pode ser?

-Eu pergunto a mesma coisa... Pode não ser exatamente bom.

 

*_*_*_*


Notas Finais


Meus leitores... O que estão achando? Muito confuso?
Espero que não ^-^

Agradeço de coração pelo carinho e pela dedicação de tempo que dão a cada capítulo novo, isso me alegra muito.
Em breve retorno aqui, está bem? Vou tentar não demorar, ou vocês vão querer me matar ~kkk

~Bjus!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...