História Esperançar - Capítulo 42


Escrita por: ~

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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags Bts, Hopega, Jihope, Jsuga, Namjin, Sobi, Sugahope, Vhope, Yoonkook, Yoonseok
Exibições 141
Palavras 4.066
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Crossover, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Festa, Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Shonen-Ai, Slash, Violência, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Coloquei essa fotinha porque ainda to na vibe da live, mas não tem nada a ver com o capítulo. Revisei não, qualquer erro me perdoem. Boa leitura <3

Capítulo 42 - Irresponsáveis


Fanfic / Fanfiction Esperançar - Capítulo 42 - Irresponsáveis

— Você está bem?

    Óbvio que em choque, mas não mal, tampouco bem. Apenas preocupado. Concordei roboticamente em um aceno, tomando o lugar ao lado de Hoseok. O carro deu partida e não demorou mais do que cinco minutos para me ver livre do cinto de segurança e ser puxado para junto dele. O cheiro era bom, me trazia tranquilidade. Cheiro de sabonete, shampoo gostoso e do Jung que tanto amo.

    O motorista nos encarou pelo retrovisor, certamente estranhando o fato de um homem comprometido ficar tão próximo de um, para ele, desconhecido. Só que naquele momento não queria nada, só aqueles braços longos junto de mim. Ignorando até mesmo o certo, correndo o risco de ser dedurado ou algo parecido.

— Acho que devemos avisar seus pais.

— Pode fazer isso por mim? — apertei a camisa de linho entre os dedos, afundando ainda mais meu rosto no peito alheio. — Depois do que me falou, não quero mais ter que trocar uma palavra com eles.

— São sua família, Yoongi... — como resposta só neguei levemente com a cabeça em meio a um bocejo e ele apertou os braços em volta do meu tronco. — Pode descansar, te acordarei assim que estivermos perto.

    Algumas horas depois, já nos arreadores do hospital, acordei sozinho dentro do veículo. Passei a viagem inteira dormindo, e se caso deixasse, meu ex faria tudo por mim. Com dor no corpo levantei lentamente e o primeiro ato fora abrir a porta do veículo. Saí e alguns seguranças me encararam, mas não tentaram me impedir. O motorista estava ali também, senti todos me olhando da cabeça aos pés assim que passei.

    Não foi difícil encontrar Hoseok na recepção, entretanto, antes que pudesse reclamar fui informado que havia pagado todas as despesas. Boquiaberto praticamente fui expulso por ele, não sendo difícil ter permissão para entrar no quarto que minha avó descansava sozinha. Serena, nem parecia ter passado por uma tragédia recentemente.

    Aproximei-me com cautela da cama, segurando a mão que ostentava uma agulha, deixando um carinho calmo nos dedos frios. O silêncio no momento era agonizante, contudo não fazia parte dos meus planos acordá-la, o que não significava sucesso. Aos poucos os olhos pequenos foram abertos, e visivelmente cansada, ela apenas sorriu fraco contrariando todas as minhas expectativas.

— É bom te ter aqui... — sussurrou sonolenta. — Pensei que acabaria morrendo sozinha.

— Shh! Você não vai morrer, eu vim até aqui para cuidar de você. Não vou sair do seu lado nunca mais.

— Eu te amo tanto, Yoongi — fez um esforço para apertar meus dedos e minhas lágrimas não suportaram ficar presas por mais tempo.

— Eu te amo mais do que tudo, vovó.

 

 

 

{...}

 

 

    Ainda abalada, minha avó precisou passar algum tempo no hospital, recebendo acompanhamento médico e psicológico. O enterro de seu parceiro de anos foi o pior momento que presenciara em toda vida, ela chorava, e eu não podia fazer nada além de dar conforto e muito carinho como antes fora feito comigo. A filha fria nem mesmo derramou uma lágrima, e na companhia do meu pai, pareciam invisíveis naquele lugar.

     Cheguei a ter vontade de expulsar os dois dali, só que havia alguém para me manter são e esse alguém era Hoseok. Enquanto eu cuidava da minha avó, ele cuidava das formalidades por mim. E além de organizar todo o funeral, permaneceu sempre ao meu lado, mesmo que silencioso, mesmo que sem grandes feitos. Um abraço amigo e muitos “fique calmo, Yoongi.”.

    Óbvio que tomou todo o trabalho e todas as despesas para si, o meu papel ali segundo Seok era única e exclusivamente cuidar da única pessoa que importava. Eles se conheciam, só que no passado trocaram poucas palavras. Aquele certamente não era o melhor momento para um reencontro. Porém, haviam se dado melhor do que esperava. Em todos os momentos esteve presente com uma conversa animada e toda a atenção que ela necessitava e eu tinha dificuldade em dar.

    Encarei a porta do quarto e a mulher finalmente voltara do banho, muito mais animada e bem disposta. Aquele era o dia que teria alta e poderia voltar para casa.

— Vovó... Eu posso pedir uma coisa?

— Diga, querido.

— Vem comigo para Seul.

    Naquele momento a única resposta que recebi foi um abraço, coisa que resolvi encarar como um sim. Recomeçaríamos juntos. Logo o médico chegou, a papelada foi assinada e lá fora estava o Jung em seu terno sempre chique, mas com o rosto marcado pelo cansaço. Mesmo que de longe, ainda era o responsável pelo funcionamento na empresa da família, sabia que tinha muito para resolver além dos meus problemas. Só que como um herói, tomava todas as responsabilidades para si.

    Quando chegamos a casa pensei que uma nova onda de choro recomeçaria, mas minha avó parecia leve. Não feliz, mas livre do sofrimento esmagador de dois dias atrás. Cozinhou para nós e comemos juntos, com sorrisos e um papo leve que tinha como culpado um Seok animado e educado, um verdadeiro príncipe disposto a fazer com que sorríssemos.

    Meu peito chegava a esmagar de tanto amor, ele não poderia ser real, nem em meus melhores sonhos poderia pedir alguém melhor. Cuidadoso, preocupado, atencioso, e com um coração gigantesco. Poderia amá-lo até o último dia de minha vida, assim como meus avós. Sorri com o pensamento e atraí o olhar dos dois na mesa que tomavam um chá já no fim da noite movimentada.

— O que houve? — minha avó tocou-me a mão sobre a mesa, tendo aquele sorriso caloroso entre os lábios. — Parece feliz.

— E estou, você está bem, sorrindo. É meu maior motivo de felicidade neste momento.

— Você é mesmo um menino de ouro... Você e Seok, dois tesouros, e que vão ficar para passar a noite aqui.

    Em um movimento assustado neguei, querendo ao máximo adiar aquilo. Havia apenas um quarto vago na casa, o que significava que dormiríamos juntos, na mesma cama. E não me preparei psicologicamente para isso. Só que com Min ShinHye não havia discussão, insistiu tanto e acabamos no mesmo cômodo.

    Felizmente fui o primeiro a tomar banho e assim que saí, Hoseok entrou em silêncio e com roupas em mãos. Após me trocar e reler as mensagens, responder alguns e-mails do trabalho e fazer algumas ligações nem me dei conta quando a porta se abriu. Tudo que senti fora um peso na cama e duas mãos fortes em meus ombros, fazendo uma massagem calma e precisa, com os toques firmes da mão habilidosa.

— O papai noel chegou mais cedo para mim — com os olhos fechados, tombei a cabeça para trás e ele riu baixinho. — Obrigado, por tudo.

— Está mais aliviado? — finalmente abri os olhos, enxergando seu pescoço e queixo.

— Sim. Tudo graças a você!

— E você não queria me trazer na viagem, viu só? — uma leve risada fora ouvida e toquei-lhe o pescoço. — Ainda ganha massagem.

— Nem sei como agradecer tudo que fez por mim todos esses dias. De verdade.

— Não precisa agradecer, é o que fazemos pela pessoa que amamos. É bom ter alguém em quem se apoiar, e você pode se apoiar em mim sempre que precisar.

— Eu quero ser alguém em quem você se apoiar também.

    Nenhuma palavra fora trocada, não precisava, era nítido que estávamos cem por cento a vontade com a presença um do outro, e com a massagem em meus ombros, eu praticamente ronronava com os toques. Podia passar a vida toda ali, com aquele alívio, ao lado do homem que amo. Dado momento deixei o corpo cair, tocando com minhas costas o peito nu dele, que prontamente me rodeou com os braços longos, apertando-me em um abraço.

— Eu quero que possamos nos apoiar e ser a força um do outro em um futuro próximo.

    Ainda em silêncio, levei as mãos até os braços que me apertavam e deixei um carinho ali com as pontas dos dedos, sentindo apenas sua respiração quente em meus fios verdes. A vida podia ter sido mais simples para nós, podia nunca ter nos separado e deixado as coisas como estão. Tudo parecendo tão difícil e tão impossível.

    Desajeitadamente virei para encará-lo, ele apenas sorriu e roçou nossos narizes. Nada mais foi programado dali para frente, tudo parecia natural, como se o destino daquela viagem fosse aqueles lábios. Deitado na cama, o tive sobre mim, peso que aceitei de bom grado e apertei junto do corpo. A pele quente e exposta acarinhava e esquentava a minha coberta muito melhor que qualquer edredom.

    Não existia uma realidade além daquela porta, somente nossos lábios que se provavam sem pressa alguma, levados pelo silêncio e a sensibilidade do momento. Ao fim do beijo segurei as duas bochechas, mantendo-o perto de mim, com aquele rosto bem ao alcance dos meus olhos e finalmente o encarei. Hoseok prendeu o meu inferior entre os dentes e sugou.

— Seok... — devia repreender, mas saiu como um gemido.

— Eu senti sua falta, é bom te ver sorrindo.

    Então a coisa já antes sem limites ficou desenfreada quando mais uma vez colamos nossos lábios, só que com mais sentimento, intensidade e uma clara necessidade um do outro. A excitação que me faltou há alguns dias estava ali, causando-me fisgadas quando nossas línguas se tocaram com mais sede. O castanho sugou a minha em um ato obsceno e gemi agora de forma audível, arqueando as costas e movendo o quadril que se chocou com o dele.

    Isso pareceu despertá-lo, porque um grunhido fora solto e o membro teso colidiu contra o meu, roçando-os com força. Levei minhas mãos até as nádegas dele, cravando a ponta dos dedos naquela região e fazendo com que a fricção fosse mais forte. Abandonamos o contato para gemer, e ele não perdeu tempo em beijar meu pescoço e marcar os dentes naquela região tão sensível.

    O ar no lugar era escasso, tentava desesperadamente busca-lo entre os dentes enquanto rebolava abaixo do homem que parecia me foder com roupas. Seok colocava tão força nas investidas que a cama velha se arrastava e eu gemia sem pudor algum a cada arremetida bruta. Joguei a cabeça para trás e grunhi mais alto quando resolveu me calar com um novo beijo.

   Não sei quando e como um contato inocente terminou assim, só que minha ereção latejante estava necessitada de um pouco de atenção, e pensando nisso levei as mãos até as barras laterais da calça de Hoseok, tentando livrar aquele corpo maravilhoso dela. Puxei para baixo expondo um pouco da pele nua, e o castanho não vestia nada por baixo daquele pano. Porra!

— Eu quero você...

— Não, Yoonie... — meu pedido pareceu acordar da burrada que fazíamos porque logo tive os pulsos presos acima da cabeça. — Não desse jeito.

— Só pode estar de brincadeira comigo. Eu estou duro, Seok.

— Eu quero que seja meu por inteiro, não só por hoje.

— Você é um idiota!

— Um idiota que te ama — ficou de joelhos na cama e colocou a roupa de volta no lugar, me fazendo morder o inferior em apreciação à cena.

    O abdômen se tornou muito mais definido do que há alguns anos, com gominhos bem formados que me fizeram babar. Meu ex certamente agora gastava parte do tempo com algum exercício, porque aquela não era a única região do corpo que era muito gostosa aos meus olhos. Tudo parecia mil vezes melhor.

— Yoongi! — só me dei conta de que falava comigo quando moveu a mão em frente ao meu rosto. — Tudo bem dormir aqui ou não? Eu posso ir para o hotel e volt-

— Não seja estúpido, nós vamos dormir juntos pelo menos.

    Uma risada gostosa fora solta e mais uma vez deitou, só que agora ao meu lado, com algum espaço de segurança. Não resisti quanto a levar a mão até os fios castanhos, deixando um afago ali. Desci a carícia pela bochecha, parando no maxilar e por fim nos lábios. Passei o polegar pela pintinha do superior e ele sorriu, fazendo-a sumir.

    Eu amava aqueles dentões expostos, assim como amava cada pedaço dele. Tudo parecia uma obra de arte bem planejada pelas mãos de Deus. Se formos realmente criados por algo, Hoseok foi abençoado com muita beleza, beleza e um coração enorme. Aproximei-me e beijei sobre a pintinha que tanto adorava, vagando a língua naquela região com lentidão.

— Yoongi... Por favor, vamos tentar dormir.

— Você é um chato, sabia?

    Apoiando a cabeça em uma das mãos, tinha o cotovelo no travesseiro fofinho e me afastei minimamente, encarando-o atentamente, aproveitando da pouca distância. O abdômen definido foi onde toquei, descendo até a o umbigo que se contraiu com o toque.

— Não sou, só quero fazer a coisa certa. Com o caminho que você quer tomar acabaríamos machucando várias pessoas.

— Você ficou bem gostoso aqui... Só que preciso ver mais — puxei a calça, visualizando os pelos pubianos bem aparados e parte da ereção.

— Eu já disse que não — com firmeza segurou meu pulso e afastou minha mão curiosa dali.

— Podia tentar ser certinho em outro lugar. Não agora, não comigo e meu pau duro. Imbecil!

— Seu humor piorou todos esses anos, não foi? — bateu em meu braço, o que fez minha cabeça encontrar o travesseiro. — Vamos dormir, sua avó está no quarto ao lado. Por Deus!

    Em um ato infantil mostrei língua e virei de costas, afastando o máximo que a cama permitia. Puxei também toda a coberta para mim, enrolando sozinho nela. Hoseok gargalhou da minha idiotice e se aproximou, colando o peito em minhas costas e puxando meu corpo pela cintura para perto. A respiração quente batia em minha nuca, mas não contente, também beijou a região.

— Desse jeito eu não vou conseguir dormir, se comporte!

— Sim senhor!

    Sem que me desse conta, o corpo respondia às ações dele. Nem mesmo lembro quando cobri a mão comprida com a minha, mas elas estavam sobre minha barriga, unidas e com os dedos enroscados. Momentaneamente tentei desfazer o contato, mas Hoseok prendeu meus dedos ali e juntou ainda mais o corpo ao meu fazendo-me sorrir. Por mais que quisesse ficar bravo, não conseguiria, o amava mais do que qualquer coisa.

— Eu amo você, Min Yoongi — sussurrou, parecendo ler meus pensamentos.

 

 

{...}

 

 

 

    Ao amanhecer, a primeira coisa que senti falta foi do corpo que dormiu tão grudado junto do meu, ainda era muito cedo para estar sozinho. Remexi-me e finalmente resolvi iniciar o dia. Quando desci as escadas ainda com os fios úmidos senti um cheiro bom da cozinha e algumas vozes animadas. Com passos lentos e um pouco receoso me aproximei, encontrando duas pessoas amadas por mim ali.

    Hoseok havia ido ao hotel, tomado banho e trocado de roupa. Ao julgar pelas flores na mesa, havia trago aquilo e alguma comida também. É claro que pensou em tudo, sempre pensa. Para foder de vez com qualquer chance de reclamar por ter sido deixado sozinho, os dois colocavam juntos a mesa do café e sorriram quando me viram.

— Pensei que teria que teria que te acordar, mocinho — rapidamente abracei minha avó e ela apontou uma das cadeiras. — Sente aí, estamos quase terminando.

— Isso é quase um sonho, sabia? Eu estou tão feliz.

— Então vai ficar ainda mais feliz quando ouvir o que tenho para dizer — sorriu carinhosamente e sentou ao meu lado. — Eu pensei melhor e acho que ficar aqui sozinha não é muito inteligente. Com vocês lá, eu pelo menos vou ter quem cuidar.

— Está falando sério? Vem morar comigo?

    Um aceno e ela transformou aquele dia bom, em um perfeito. Ainda havia muita tristeza naquele olhar, eu sabia que fazia isso para não ter que lidar sozinha com a dor, nem acabar com um grave problema como o psicólogo falou. Segundo ele, uma perda nessa idade pode ser muito traumática e acarretar problemas graves como a depressão.

    O mal que passei há alguns anos não queria para ninguém, sei bem o que um grande trauma pode causar. Ainda perdido entre a mistura de sentimentos, a abracei cuidadosamente e apertei junto de mim o corpo pequeno. Ela sorriu e deu dois tapinhas em minhas costas antes de levantar.

— E eu? Não ganho nem um beijo de bom dia?

— Do que você está falando, Hoseok? — apontei com a cabeça para minha avó que servia a comida. — Ficou maluco?

— Nem tente, Min Yoongi. Eu ouvi vocês ontem, e agora pouco estava conversando sobre isso com Hoseok.

— Vovó! — com as bochechas quentes cobri o rosto com as duas mãos. — Hoseok!

— Não tem do que se envergonhar, o amor de vocês é lindo, não é errado amar. Errado é o que estão fazendo com os outros dois — em uma falsa bronca, bateu com o guardanapo em Hoseok e ele riu. — Devia se envergonhar é dessa coisa na sua cara. Onde já se viu, que ideia é essa de piercing?

 

 

 

{...}

 

 

    O meu melhor amigo, além de irmão, era a pessoa mais compreensiva do mundo. Não existia uma alguém melhor para dividir um lugar, nós nos completávamos. Assim que coloquei os pés no apartamento com a minha avó, havia uma movimentação e comida para nos receber e distrair da recente perda, além de o quarto vago já preparado e arrumado para ela.

    No fim todos saíram ganhando, uma nova companhia diária faz realmente muita diferença. Nossos dias se tornaram mais alegres graças à minha avó, todo café da manhã se tornava um evento, principalmente quando Namjoon dormia ali e Hoseok resolvia ficar para comer. Parecíamos uma enorme a barulhenta família, principalmente quando os outros resolviam se juntar.

    Em toda a bagunça, notei que dois deles haviam se tornado bem próximos, mais do que pensei ser possível. Após apenas uma semana na cidade, meu ex já levava minha avó para caminhadas matinais e lhe comprava flores todos os dias com o intuito de colocar um sorriso no rosto da pequena Min.

    Com certeza ele é um príncipe, alguém dos contos de fadas que se materializou nos dias atuais e me faz cair de amores um pouquinho mais a cada novo ato. Sentia-me estúpido por ainda me pegar suspirando pelos cantos, e mesmo quando ninguém via, ficava me policiando para não acontecer novamente. Ainda tínhamos muito que resolver.

    Naquela manhã um barulho me despertou, a mulher ao meu lado permanecia dormindo, então decidi levantar sem grandes movimentos para não acordá-la. Na sala, Hoseok brincava com Hope e o cachorro ainda tinha a coleira, certamente havia passeado com os dois mais cedo. Minha avó arrumava as flores recém-recebidas na mesinha de centro e também vestia roupas de exercício e tinha as bochechas coradas pelo recente esforço.

— Olha quem acordou cedo hoje! — animada, ela bagunçou meus fios que certamente já estavam uma total desordem. — Faça companhia para Hoseok, vou tomar um banho.

— Ei! — ainda tentei negar, só que ela fora mais rápida e passou por mim.

    No momento em que a porta do quarto fechou, a timidez deu as caras. Nem mesmo havia dado uma conferida no espelho antes de sair, não fazia ideia de como meu cabelo estava. Por esse motivo tentei colocar alguns fios no lugar às cegas e acabei ganhando um par de olhos curiosos.

— Você está lindo, como sempre — bateu nas roupas limpando os pelos, resultado da brincadeira com o nosso filho. — É a primeira vez que vemos o papai acordar cedo, não é?

    Desde a volta de Daegu nós mal nos esbarrávamos, andava atolado com trabalho e com a nova edição que estava em andamento. Na verdade, me sentia um ingrato por nunca agradecer decentemente, e é o que tinha planos de fazer se aquela frase não tivesse me desconcertado tanto.

    “Papai”, uma palavra curta e tão simples que me remete tanto coisa. Nosso passado, os planos, a vontade de Hoseok de ter uma família e o nosso antigo nós. Nem mesmo acordei decentemente e já tinha que lidar com algo tão complicado.

— Obrigado — com as bochechas coradas, cautelosamente me aproximei e ele franziu o cenho. — Por tudo que está fazendo pela minha avó, por ser alguém tão maravilhoso e por acolhê-la nesse seu enorme coração.

— Ela é importante para mim, assim como você. Tudo que te envolve é.

    A frase fez o peito se animar novamente, com o coração batucando em resposta. Dei um sorriso tímido e nossa proximidade seria findada se não fosse um estrondo na cozinha. Nossos olhos se voltaram para lá, mas de onde estávamos não era possível enxergar nada. Apenas uma sombra que dava passos apressados que eu sabia ser Jin.

— Eu preciso ir, diga à sua avó que volto amanhã, como em todas as manhãs.

— Não! — em um ato impensado segurei o braço forte com as duas mãos, arrancando uma careta surpresa dele. — Fique para o café.

— Eu adoraria, mas preciso mesmo ir. Tenho que estar mais cedo no escritório. O que acha de uma visita para o almoço na revista?

    Como uma criança concordei animadamente e em uma bela resposta, ganhei aquele sorriso cheio de dentes. A pele amorenada com gotículas de suor e alguns fios grudados na testa era uma visão que guardaria na memória para sempre. Hoseok era tão bonito por fora como por dentro.

— Vou aguardar ansiosamente.

    Minha resposta pareceu pegá-lo de surpresa, o que me fez ganhar uma aproximação repentina e as duas mãos grandes em minhas bochechas. O olhar carinhoso e calmo de antes desapareceu, dando lugar a um mais sombrio, indecifrável. Tão rápido quanto chegou, grudou nossos lábios em um beijo apressado e agarrei a camisa suada como meio de prolongar aquela insanidade.

    Mesmo suado, o cheio que prevalecia era o de algum perfume e shampoo muito bons, além disso, tinha o cheiro dele, um cheiro natural que emanava do corpo quente. Por sorte havia escovado os dentes ao levantar, porque sua língua curiosa se aventurou no mesmo momento que as mãos fortes pressionavam minhas costas e apertavam-nas entre os dedos. Suspirei e agarrei-me ao pano com ainda mais força, tentando diminuir nossa distância.

    A adrenalina rapidamente acelerou os batimentos já desenfreados, mesmo que após uma mordida o castanho tenha me afastado e murmurado um “Bom dia” antes de sair correndo pela porta me deixando querendo mais para trás. Toquei o peito, ofegante, incrédulo sobre o que acabara de acontecer bem no meio da minha sala.

— Vocês não tem jeito mesmo — olhei para o lado assustado e lá estava Seokjin encostado no batente da porta com uma xícara de café em mãos. — Tire esse sorriso idiota da cara, vão acabar desconfiando de algo.

— Eu estou enlouquecendo, Jin. E é tudo culpa dele.

 

 

 

{...}

 

 

    O olhar acusador de Jungkook ficou preso em mim a manhã inteira. Geralmente às quartas nós nos juntamos para recolher os textos e as fotos, ou apressar o trabalho atrasado para que antes do fim de semana tudo fique em ordem e possamos viver sem um peso nas costas.

    Acontece que um convite vindo de uma visita em especial dirimiu com todos os meus planos, acabei pedindo que no horário do almoço meu assistente fosse para o outro lado da cidade acompanhar um ensaio fotográfico que não devia ser de sua responsabilidade. Óbvio que por ser meu amigo há anos, o Jeon sabia que escondia algo, só não fez questão de me pressionar ou se meter onde não é chamado.

    Assim que ouviu a ordem recebi aquele olhar que dizia muita coisa mesmo sem palavras, e permaneceu assim até sair com a equipe e me deixar sozinho na sala com a culpa. Contudo, a ansiedade era ainda maior e não cabia em mim, por isso saí para conferir se os corredores estavam vazios e aproveitei da paz para preparar um café.

    Um cigarro foi praticamente devorado no processo, mesmo assim resolvi voltar com um entre os lábios pela sala. Os poucos colegas de trabalho no meio caminho me olhavam torto, cheio de julgamentos e ódio contido. Não é como se me importasse de verdade, todos tinham razões bem melhores para me odiar.

    Tive dificuldade em abrir a porta com os papéis que segurava e a xícara de café em mãos, quase deixando tudo cair ao encarar quem se encontrava sentado confortavelmente em minha cadeira, com terno negro e como se fosse dono do lugar. Hoseok deu um sorriso de canto tão lindo que precisei encostar-me ao pedaço de madeira já fechado para não acabar com a cara no chão.

— Não precisa pedir para entrar, fique a vontade.

— Você não deixa esse cigarro de lado nunca? — ignorou minha ironia com uma pergunta e neguei leve e lentamente com a cabeça. — Joga isso fora.

— E por que faria isso?

— Porque tenho algo muito melhor para você colocar na boca.


Notas Finais


o que acharam desse Hosuk atiradinho no final?


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