História Esperar pra sempre - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias EXO
Personagens Baekhyun, D.O, Sehun
Tags ?2concursoexofanfics?, Dtehospital, Sesoo
Exibições 71
Palavras 2.109
Terminada Sim
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Drabs, Drama (Tragédia), Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Tentei... espero que gostem

Capítulo 1 - Esperar, esperança


E de repente, nessa madrugada tão comum, eu senti uma felicidade saindo de dentro para fora do meu corpo, e eu tive a certeza de que nem tudo estava perdido. A melhor emoção que a gente pode sentir em meio a todo o vazio do cotidiano é a esperança de que tudo no final vai dar certo, é nela que devemos nos prender.

 

x

 

Algumas pessoas nascem para amar, outras para serem amadas. Alguns nascem para serem felizes, outros para trazer a felicidade. Alguns nascem para viver, outros lutam para sobreviver. E assim segue a vida, dando a uns o que falta nos outros e deixando outros sentirem falta de tudo e de todos.

Não se pode, infelizmente, lutar contra vida, então tudo o que se resta é o tempo, que auxilia a todos no processo de aceitação de cada termo imposto tristemente pela vida.  

 

Aquele homem, metade menino e metade homem, no décimo andar do instituto do câncer de Seul é o meu noivo, seu nome é Do Kyungsoo e ele tem vinte e três anos de idade, está prestes a fazer vinte e quatros, faltam apenas dois meses. Ele é um tanto novo para sofrer tanto, mas a leucemia o acompanha há quase dois anos inteiros, e eu, o acompanho há sete belos anos que eu nunca vou poder esquecer nem mesmo em meus piores e mais obscuros sonhos.

Eu o pedi em casamento em julho de 2016, há quatro incríveis meses atrás. Fiz um belo pedido com champanhe e morangos cobertos de chocolate, um de seus doces favoritos. Fora um bom pedido, tenho de admitir. Minhas frases ensaiadas saíram exatamente como eu gostaria, e ele  ficou sem palavras, meu doce Kyungsoo, sem palavras… Não poderia querer coisa melhor.

Ele está em coma induzido há quinze dias e eu estou aqui, fumando um cigarro no estacionamento do hospital enquanto o horário de visitas ainda não é liberado. Estou ouvindo nossas músicas no celular, nosso ritmo bom de flashbacks e rocks clássicos. Nós nos conhecemos em um bar de rock, a velha fofinho que abriga os bons e velhos rockeiros desde 1988.

Agora está nevando muito aqui fora, e eu não consigo mais enxergar um palmo à minha frente, tudo estava bagunçado, nublado e trêmulo. Minhas costumeiras, grossas e incessantes lágrimas fazem com que meus passos se tornem oscilantes e deixem trépidas pegadas sobre a neve, mas eu não me importo com elas ou com os carros correndo apressados, embora perigosamente devido a neve, a minha esquerda. Eu não me importo com a minha esquerda, nem com a direita e tão pouco com o céu que sorri ao me castigar segundo após segundo.

Agora é só eu a sua espera. Não havia mais ninguém ali, nem mesmo seus familiares que, obviamente, desistiram de estar ali a cada segundo com esperança. Mesmo assim há uma pequena coisa em mim chamada esperança, ela me conduz a qualquer lugar que eu vá dentro deste hospital, seja no lugar onde eu fumo no estacionamento ou no décimo andar, andando para lá e para cá sem sono nas noites em que as enfermeiras me deixam dormir lá. Ela me acompanha quando eu estou sozinho no elevador e aperto o botão do décimo andar. Ela me acompanha quando eu faço minhas orações em silêncio no quarto onde Kyungsoo está e me acompanha quando eu perco o controle e me tranco naquele banheiro super limpo e choro e choro até me sentir melhor.

Esse sou eu, Oh Sehun, o sempre otimista idiota que se recusa a ir embora. Mas eu sei que valerá a pena quando ele acordar e olhar para mim, e então eu vou sentir que nasci de novo e tudo vai ficar bem. Tudo vai ficar bem para sempre. Mesmo que eu tenha que esperar para sempre.

Nada vai mudar isso, nada vai mudar essa nítida e brilhante esperança que eu tenho dentro de mim. Porque... Eu não posso deixar de ter esperanças, pois ele é o homem da minha vida, o dono de todo o meu ser e de tudo o que há de bom dentro de mim. Somos feitos um para o outro do modo mais clichê impossível. É difícil de compreender esta ligação, e eu ao menos tento explica-la, pois é inútil, é escasso explicar.

 

Quando eu volto para o seu quarto e me sento na grande cadeira azul e vejo os médicos correndo para lá e para cá com seus jalecos brancos, a única coisa que penso é que não há ninguém me esperando em casa, porque todos me esperam ali, na sala 701 do décimo andar. Kyungsoo é tudo o que eu tenho, tem sido eu e ele há anos e continuará assim mesmo depois do fim. Os médicos pediram aos familiares para desligar as máquinas, disseram que a única esperança era rezar, mas eu duvido disso. Eu me agarro a uma esperança que corrói meu corpo e minha alma dia após dia, pois esperar é uma tortura. E máquina alguma será desligada até eu esteja com Kyungsoo em meus braços, o beijando ternamente depois de todos estes dias frios e obscuros.

x

 

Hoje é dia vinte e dois de novembro de 2016, mais cinco dias foram acrescentados e eu estou fumando no estacionamento de novo enquanto seus pais o fazem uma visita e conversam consigo. Dizem que conversar com pacientes em coma ajuda a manter seu espírito contente. Bobeira, eu converso com ele como se ele estivesse ali, sentado sobre a maca com apenas um machucado no joelho, observando-me atencioso. Isso me ajuda muito mais do que ajuda a ele, e esta é a verdade que dói mais em mim do que a ele.

Mas quando eu adentro o seu quarto nesta noite eu decido dizer mais algumas coisas importantes. Eu me aproximo o máximo que a maca me permite e seguro suas mãos, pronto para dizer suavemente:

— Eu sempre vou me lembrar de nós dois, quando a nossa música tocar no rádio. E a saudade dentro do meu quarto, relembrar de quando começou. Sempre vou me lembrar de nós dois. Dos sorrisos nas brincadeiras mais bobas, dos abraços numa tarde fria e os amassos na nossa cama. Já botei as cartas sobre a mesa. Me perdoe se faltou amor. Vou te provar que vai ser diferente. Me dê uma chance, vai ser bom pra gente, nunca diga nunca para esse nosso amor. Não saia da minha vida. Não vou sobreviver sem te ver, escute meu coração. Não me deixe assim. Não saia da minha vida. Eu não mereço um ponto final.  Não dá pra esconder, não vivo sem você. Meu coração não sabe te esquecer, eu amo muito você. Acorde meu amor.

 

Infelizmente, eu tenho de deixar o hospital nessa noite. Eu me visto com um sorriso triste e me jogo no primeiro ônibus em direção a nossa casa, o nosso pequeno lar aconchegante.

A primeira coisa que vejo é Baekhyun, sentado nos primeiros degraus do quintal, em frente a nossa porta, chorando por um motivo a quão eu nunca vou entender. Kyungsoo vai ficar bem e a minha vontade é de gritar isso para todos, até para os céus se ele ousar duvidar disso.

Baekhyun é um antigo colega de faculdade que, por acaso, já se envolveu amorosamente comigo e Kyungsoo. Nossos laços ainda são fortes, fortes o bastante para que se formar uma ferida dolorida a cada coisa de ruim que nos atrapalhe.

— Ele vai ficar bem Baekhyun… Vai acordar logo.

— Você não entende não é Sehun? Ele está indo embora, nós deixando aos poucos.

Suas palavras me despedaçaram, mas eu sorri, por algum motivo sorri e apertei seus ombros sentindo toda a sua tensão. Olhei para o seu rosto molhado e seus olhos vermelhos e inchados e lhe dei as costas, para entrar em minha casa vazia e sem vida, sem Kyungsoo.

 

Quantas vezes não me peguei olhando para o céu com o intuito de achar ou refazer minha dose de esperança diária. Costumava acreditar ser uma pessoa otimista, que via as perdas e decepções como uma oportunidade para aprender, tudo tem algo positivo. Porém um simples humano por mais que tente com todas as suas forças não consegue fugir da frustração, da desilusão, da tristeza e da dor, estes são como doenças que levamos para os restos de nossas vidas, e o único tratamento é com medicação diária. Meu remédio não foi prescrito por um médico, mas funciona e é gratuito. Admirar o céu tornou-se um hábito, céu infinito, céu impossível, céu que existe.Eu não sei o motivo, mas eu tinha essa esperança, acho que bem mais do que isso. Eu precisava de Kyungsoo, bem agora, junto a mim. Eu sei que ele sofre, e essa é a parte egoísta de mim, a que quer que ele volte mesmo sofrendo, para ficar comigo, para me amar e ser feliz ao meu lado. Eu sequer sei o que ele quer, eu sequer sei se ele quer mesmo viver, ou partir. Uma parte de mim acredita que não, e é essa parte que eu me apego.

Eu ainda me lembro perfeitamente do dia em que nos conhecemos. Era um dia chuvoso no final de setembro, eu estava atrasado para a aula na faculdade e ele estava perdido, foi engraçado como seu olhar perdido me prendeu e a única coisa que eu consegui fazer fora o levar até a sua sala e perder a minha aula. Depois disso, muitas coisas boas aconteceram em minha vida, sua presença constante nela fora uma.

Fora engraçado como passamos de amigos a namorados em uma noite de muita chuva no final de fevereiro. Eu nunca vou conseguir me esquecer disso.

Quando eu me deito para dormir em nossa cama, tudo o que eu consigo pensar é em como eu quero que Kyungsoo volte e nunca mais saia de perto de mim.

O sono não vem, eu passo a noite toda em claro e no dia seguinte, quando eu pego o primeiro ônibus de volta ao hospital, eu pareço um caco, com olheiras profundas e rosto pálido. A senhora Do exige que eu volte para casa, mas eu não o faço, a única coisa que posso fazer é ir para o estacionamento e fumar mais um cigarro ouvindo ao longe sua voz dizer “Você quer mesmo se matar?” mas é inevitável, é um vício maldito.

Eu já fumava quando nos conhecíamos, era um idiota viciado. Um idiota alegre que o conquistou com muito pouco, e eu posso dizer com toda convicção do mundo: o sol nasceu pra mim no dia em que eu olhei em seus olhos e beijei na boca.

E agora eu estou aqui, rumando até o elevador do hospital querendo ver o sol nascer para mim de novo, só mais uma única vez para que eu seja feliz, para que eu finalmente viva outra vez, para que eu, muito mais do que ele, tenha uma segunda chance de fazer tudo perfeito.

Novamente eu aperto o botão de número dez e espero até que o elevador me deixe em frente ao seu quarto. Eu entro lentamente encontrando seus pais ali, meu sorriso é fraco e eu espero que com ele eu consiga esconder todo o meu cansaço, o cansaço de esperar sempre, mas esse sou eu, novamente o otimista Oh Sehun que não se importa em esperar, mesmo que for esperar para sempre.

— De novo Oh Sehun… Vá para casa rapaz, descanse… Descanse bem, você não pode ficar aqui tanto tempo assim. — disse o senhor Do.

Eu praguejo para mim mesmo. Droga, droga, droga… Eu não consigo esconder o meu cansaço, mas mesmo assim estou completamente tomado pela esperança.

— Vou descansar quando ele acordar.

— Você não se cansa, não é menino. — diz a senhora Do, mais como uma afirmação do que uma pergunta.  

Eu nego silencioso e me aproximo de seu corpo, eu pego sua mão e a acaricio com uma ternura que só eu sei fazer. Digo bom dia em voz alta e vejo, pela máquina horrível ao seu lado, seu coração acelerar. Por medo eu me afasto, sento na cadeira ao seu lado e assisto sua mãe trocar as flores do jarro bonito que permanece ao seu lado. As rosas de hoje são mais cheirosas do que as de três dias atrás. Eu nunca o trouxe flores, talvez devesse trazer, mas é que pra mim tudo ainda é muito rápido. É como se houvesse se passado apenas segundos, é como se ele fosse acordar a cada minuto. Não são preciso flores ou adereços, só é preciso o tempo, e tão somente ele para que Kyungsoo se recupere e acorde.

 

 

Eu vou descansar quando ele acordar.

 



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