História Essa mania de te chamar de garoto - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Lu Han, Sehun
Tags Hanhun, Hunhan, Selu
Exibições 105
Palavras 4.022
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Fluffy, Slash, Universo Alternativo
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


A pessoa inventa de postar fanfic na madrugada só porque está na bad.
Mas sério, estou numa bad daquelas trevosas, questionando toda a minha vida, inclusive por que ainda tô aqui shippando hunhan quando todo mundo já superou.

Capítulo 1 - Capítulo Único


 

 

Essa Mania de te Chamar de Garoto

Capítulo Único — Cala a Boca, Garoto

 

 

 

"Quando esse salgadinho com cheiro de chulé vai acabar, Sehun? Vai deixar o quarto podre, garoto!"

Uma lista de coisas que irritam o Luhan, daria muito trabalho de se criar. Seria quase infinita. Então eu decidi que é melhor ter uma menorzinha, uma pequena lista com apenas um tópico chamado "Oh Sehun" e três itens sob ele, as três coisas em mim que o deixam bastante, bastante mesmo, incomodado: 1) meu vício por Cheetos; 2) o fato de eu beber mais Coca-Cola que água e 3) a mania que tenho em chamá-lo de garoto.

Obviamente, essa lista não existe de verdade. Ela só está na minha cabeça, num arquivo imenso onde eu guardo qualquer coisa que sei e descubro sobre o meu namorado.

Normalmente me lembro muito bem das vezes que irrito o Luhan por alguma coisa boba, mas só depois de ele estar de cara amarrada pronto para reclamar.

Sei que tenho mania de esquecer a cortina aberta quando acordo no meio da noite para qualquer coisa e resolvo espiar a rua mesmo sabendo que estará vazia, de deixar a luz do banheiro acesa por nunca lembrar de apagar, de largar a toalha molhada em qualquer lugar, de fazê-lo se atrasar por ficar enrolando na cama ou no banho. Luhan vive reclamando da minha preguiça pra levantar de manhã, ele magicamente acorda e se levanta na mesma hora todos os dias, às vezes nem parece normal. Não tem aquilo de passar cinco ou mais minutos na cama para despertar o cérebro antes de sair debaixo dos lençóis, mas eu preciso desse tempo o bastante por nós dois

O Luhan também se irrita quando o levo para sair com os meus amigos, eles não se entendem muito bem. Nós namoramos há três anos, temos saídas demais com os outros garotos para que Luhan sinta-se mais próximo de todos, mas ele não consegue. Conflito de ideias e pensamentos. Além do fato de ele ser ex-crush de alguns, de eu já ter saído com outros e ter namorado por dois meses com um deles. E, nesse caso, eu até o entendo, nunca conheci um ex-namorado ou ex-namorada do Luhan, sei que ele até teve uma noiva, e não gostaria nem um pouco de vê-los juntos por aí, mesmo como amigos. Mas comigo e o Jongin é diferente, tivemos o erro de percurso de nos aproximarmos depois de uma pegação, gostarmos da companhia um do outro e achar que isso evoluiria bem. Começamos com o pé errado, porque depois ficou claro que nosso namoro foi tempo perdido no meio da amizade que ele quase fodeu.

Existem muitos fatores mínimos, porém uns menos frequentes que outros. Alguns também se tornaram distantes; às vezes Luhan reclama tanto que começo a mudar, de forma tão automática que mal percebo, só para não ter que ouvi-lo falar por meia-hora sobre o mesmo assunto como se eu fosse incapaz de entender. Eu escuto, e entendo. Eu só esqueço e, quando lembro, é tarde demais.

No fim, até que a perturbação dele funciona de alguma forma. Só que a longo prazo.

Nesses anos de convivência onde eu dormia mais no apartamento dele do que no meu próprio, fui tomando jeito em relação uma coisa e outra. E se minha mãe ainda falasse comigo, ela se sentiria orgulhosa. Até agradeceria ao meu namorado, caso ele não fosse o meu namorado.

No entanto, sempre há um adendo nas questões da vida. E eu posso me "ajeitar"; ser menos bagunceiro, menos preguiçoso, me livrar dessas manias e saber entender a cabeça dura desse homem chamado Luhan, mas nem tudo na vida pode ser perfeito. E se não sou perfeito, não posso ser o namorado perfeito.

Nem por você, Luhan, eu largaria meus Cheetos e a Coca-Cola, mas eu juro que tento parar com essa mania de te chamar de garoto.

O Luhan gosta de me mimar. E eu, que já sou terrivelmente manhoso, fico ainda pior. (Veja bem, a pessoa me mima e depois vem brigar por causa da toalha molhada em cima da poltrona). Ele é o tipo de namorado que me dá coisas que eu gosto só por saber que eu gosto, sem um motivo especial. Eu gosto de bolo de chocolate, então sempre que dá tempo de ele passar na Bakery perto do escritório onde trabalha antes dela fechar, compra um bolo inteiro e trás pra mim. Eu gosto de romances e animações, e ele sempre me leva pra ver os lançamentos apesar de preferir filmes de ação. Eu gosto de Bubble Tea, Luhan aprendeu a fazer o chá apenas por isso.

Luhan me ataca com cócegas quando diz que eu estou muito sério ou pareço triste. E esse é o melhor remédio inventado para dias ruins, pois por mais incômodo que seja, você acaba rindo e se divertindo. Ele fala coisas idiotas o tempo todo, e às vezes é ridículo vê-lo contar as piadas mais bobas do mundo quando está vestido com aquelas roupas sérias que usa no trabalho.

Ele só não é um namorado perfeito por reclamar demais, às vezes. E por odiar Cheetos e dizer que a Coca-Cola vai me matar enquanto toma cinco litros de café por dia.

E o garoto, ele odeia quando o chamo, sem querer, de garoto.

Mas tirando essas mínimas coisas, Luhan ainda consegue ser o melhor namorado do mundo, e perto dos outros que eu tive, é o deus dos namorados. Ser chamado de garoto, porém, foi como se ele criasse qualquer coisa que separasse-nos em escalas diferentes; distantes. E talvez isso tenha me feito entender por que ele se incomoda tanto com essa mania em especial.

Luhan e eu temos uma diferença de idade de... Bom, ele tem 31 anos e eu 23. Às vezes eu penso que ele é meio encucado com o fato de estar na faixa dos 30 e namorando alguém que ainda está na faculdade.

Luhan não aparenta a idade que tem e podemos ser vistos por qualquer um como um casal de idades similares, mas ele detesta isso. Detesta parecer mais novo, que o tratem com informalidade pela aparência jovem. O que me levou à minha primeira hipótese até então: quando o chamo de garoto, acabado por influenciá-lo a pensar que digo isso por causa de sua aparência.

É só uma mania que eu sempre tive entre os meu amigos, de sair chamando todos eles e qualquer outro de garoto ou garota, mas, se o caso fosse o mesmo que o meu, ele também tinha aquela mesma sensação de que pertencemos a mundos diferentes, que eu, sim, sou um garoto, só um garoto que trabalha numa cafeteria à beira da falência e estuda à noite, atrapalhado, bagunceiro e confuso. E ele um homem feito, bem sucedido, o meu total oposto.

As diferenças entre nós são enormes, e a idade, entre elas, talvez seja a menor de todas.

Temos nacionalidades diferentes, ele é chinês, eu sou coreano. Ele ainda tem contato com a família inteira, dos pais aos primos de terceiro grau e sempre recebe visitas com frequência, eu só falo com meu pai. Fui posto para fora de casa pela minha mãe aos 19 anos, mas antes disso ela já não falava comigo. Foi um acordo, a pedido do meu pai, ela me deixou ficar até que eu fosse maior de idade, no dia do meu aniversário, ao acordar, encontrei a casa vazia e um bilhete na mesinha de centro pedindo que eu não estivesse mais lá quando eles voltassem.

A família do Luhan é rica, a minha não chega a ser miserável, mas quando meu pai adoeceu ano passado, nem juntando minhas economias com a dos meus pais, conseguimos pagar a conta do hospital. Foi o Luhan quem ajudou. Ele também tem uma vida boa, o quarto e o banheiro dele, juntos, devem dar o tamanho do meu apartamento, que era alugado, inteiro.

Luhan é certinho e engomadinho e a mãe dele disse que, desde seus 13 anos, sempre foi assim. Ele é formal e educado, também, mas eu uso roupas propositalmente rasgadas e solto gírias e palavrões em praticamente todas as falas.

Eu o conheci enquanto matava aula quando ele estava na minha universidade a trabalho, prestando devidamente seus serviços. E por um acaso chamado Park Chanyeol, fiquei preso naquela palestra que em nada tinha a ver com a minha vida ou com qualquer coisa que eu faria. Mas era bonito de se ver aquele homem sério, com a voz envolvente explicando coisas com termos que eu nunca havia ouvido falar, mas que pareciam coisas ótimas apenas por virem dele.

Não fui o único a pensar isso. Acontece que Chanyeol mataria aula comigo naquele dia, mas depois de ver quem ministraria a palestra da qual ele pretendia fugir, eu fui carregado junto. Depois ele foi falar com o cara, cheio de segundas intenções. E levou uns dois meses para superar o fato de Luhan ter me pedido em namoro duas semanas depois de estarmos juntos — enquanto estávamos apenas ficando, o Park tinha esperança de aquele rolo não dar em nada e ter sua chance.

E tem as minimidades; eu gosto de cachorros, ele de gatos. Quero ter uma filha (isso um dia, quem sabe, planos futuros e distantes, mas conversamos sobre isso aleatoriamente), ele quer um filho. Eu gosto de Star Trek, ele prefere Star Wars. Costumo ver doramas de comédia romântica, ele vê séries policiais. Antes de namorá-lo, eu saia todo final de semana para encher a cara até não lembrar meu nome, Luhan só ficou bêbado uma vez na vida — em sua festa de formatura. Eu não faço ideia do que estou fazendo com a minha vida, ele sempre teve certeza de tudo que quer. Eu fujo de escolhas, Luhan toma atitudes.

Então te pergunto, eu, por acaso, tenho algo que faça alguém se interessar? Sou uma pessoa a qual vale a pena se envolver ou amar? Luhan realmente me ama ou só está acostumado com isso? No começo ele pode ter visto como uma aventura, mas... E se agora ele apenas estiver acomodado?

"Por que me chamou desse jeito?" eu perguntei largando meu amado e fedorento saco de Cheetos no chão ao lado da cama.

"De que jeito?" ele perguntou de forma automática, se mantendo focado na televisão. Aquilo me deixou meio mal, um embrulho ansioso formando-se no estômago. Estávamos mesmo acostumados um com o outro, ou acomodados? Qualquer casal numa cama, estaria fazendo muito mais que comer salgadinho fedido vendo televisão.

"Garoto."

Ele me olhou com o rosto surpreso e um sorriso implicante. "Eu falei isso?"

"Falou."

"Eu nem notei. Acho que estou pegando sua mania, eu te pedi pra parar."

"Manias não são contagiosas" cruzei os meus braços, sem sequer me incomodar com as pontas dos meus dedos cobertas de Cheetos.

"São, sim. De onde eu falo "mano"? Duvido que eu tenha pegado isso no escritório" ele se sentou na cama, ficando de frente para mim. "Eu não fazia bicos manhosos, Oh Sehun. Não ficava enrolando na cama só pra ter mais tempo abraçado a uma certa coisinha que vive morrendo de sono, mas só dorme agarrado a mim. Eu não falava "caralho", mas já quase soltei isso no meio de uma reunião. E falei "puta que pariu" pro meu chefe, sorte que ele riu. Esses dias eu estava escrevendo um relatório e me dei conta de que estava cantarolando Justin Bieber, eu por acaso tenho cara de quem escuta Justin Bieber, Sehun?" enquanto ele ia falando, seu sorriso aumentava.

"Que música você estava cantando?"

Ele riu alto. "E eu sei lá, olha pra minha cara de quem decora os nomes das músicas do Justin Bieber!"

O bico nos meus lábios apenas crescia tentando esconder o sorriso que insistia em se abrir, porque eu, como uma criatura manhosa que sou, me mostro contrariado dessa forma. Eu entendo muito bem essa coisa de mania, de não conseguir se livrar de umas e sempre adquirir novas, só não queria admitir. Era unicamente por isso que eu sempre soltava um "Cala a boca, garoto!", quando ele vinha com aquelas piadas. Ou um "Sai daqui, garoto", enquanto ele me sufocava com cócegas. Também tinham os "Para de ser estúpido, garoto"; "Eu vou te matar, garoto"; "Volta aqui, garoto"; "Me deixa dormir, garoto". As perguntas retóricas de "Quer me matar, garoto?"; "O que você quer, garoto?"  Resmungos como "Garoto idiota" . E até as declarações: "Eu te amo, garoto."

"Por que não gosta que eu te chame de garoto?" levantei a minha mão com os dedos sujos e comecei a lambê-los.

Eu já havia perguntado aquilo um milhão de vezes, mas estava falando sério, agora. Queria uma resposta que não fosse "porque eu não gosto" ou "porque é irritante".

Luhan puxou a mão da minha boca e se colocou por cima do meu corpo, me fazendo automaticamente abrir as pernas para acomodá-lo entre elas. Ficou olhando fixamente nos meus olhos por longos segundos antes de responder o que eu pensei que seria qualquer coisa mais dramática:

"Porque eu não sou um garoto."

"Eu sei que não é" revirei os olhos e logo em seguida voltei a encará-lo. "Também não gosto — e não quero — que me chame de garoto, hyung."

"Por quê?" perguntou passando a mão pelas minhas bochechas e boca, limpando os farelos de salgadinho que possivelmente estavam por ali.

"Não quero ser um garoto pra você. Não quero que me veja como um."

"Você é um garoto?"

"Não."

"Tem razão. Você não é um garoto, pra mim você é um bebê."

"Yah! Se eu sou um bebê, então você é um garoto."

"Sim, tecnicamente, quando você nasceu eu era um garoto. Mas eu cresci e você continua um bebê."

Ele mordeu — meio forte — o bico formado pelos meus lábios antes de me beijar. O beijo do Luhan desde a primeira vez teve um sabor diferente e cada vez que nossos lábios se encostam, eu me sinto incapaz de afastá-lo. Talvez seja pela textura lisa e macia na pele quente, o lábio de baixo grosso o bastante para ser sugado, a boca dele é assombrosamente beijável, ou talvez seja apenas por ser ele.

"Por que você está beijando a minha boca sabor chulé?" Luhan normalmente me faz escovar os dentes, lavar as mãos e até passar algum perfume antes de chegar perto dele depois de eu comer o salgadinho.

É muita frescura, não?

"Porque ainda é a sua boca."

"Você está me dizendo que não se importa com esse cheiro de chulé?"

"Nesse exato momento, não."

"Você só está tentando tirar as minhas calças!"

"Como se eu precisasse tentar, se eu não tirar você mesmo faz o serviço!" ele apertou — beliscou mesmo, porque se falta uma coisa nesse ser, é delicadeza — a minha bochecha.

"Você me ama?"

Eu me apaixonei rápido por Luhan, fui notando o sentimento crescer em forma de vontade e necessidade. Quando é a pessoa, não tem tempo. Amor, seja para durar ou acontecer, não tem prazo. Ele só vem, depois vai. E, às vezes, fica.

No dia da palestra, depois de falar com Chanyeol, Luhan se virou para mim, que permaneci quieto durante todo aquele papo confuso, e perguntou:

"E você, o que achou?"

"Ah..." respondi sem jeito, pouco antes de gaguejar a mais pura verdade: "E-Eu n-não entendi n-nada."

Ele me olhou com uma expressão que brincava entre confusão e divertimento.

"Na verdade, eu nem devia estar aqui. Meu curso é outro."

Então eu me arrepiei com a gargalhada que ele deu. De alguma forma absurda, senti coisas estranhas naquele momento. Absurda e até sobrenatural, eu diria, pois para um cara como eu, que nunca tinha experimentado o maior mistério da humanidade: se apaixonar, tudo era no mínimo esquisito. Não estou dizendo que me apaixonei ali, muito menos antes disso. Aconteceu semanas e beijos depois, quando meu coração se agoniava só por saber que no dia seguinte, eu me encontraria com ele. Mas aquele momento, foi como um aviso que na época eu não pude decifrar. Aviso de que eu, em breve, dependeria do som daquele riso, do brilho daqueles olhos ou simplesmente do fato daquela pessoa existir, para poder sorrir com vontade. Por felicidade, por gosto na vida. Que pararia de empurrar tudo para frente para pode viver dia após dia, sem querer pular nada.

"O que...? Espera, você dúvida disso? Ou eu que te fiz pensar o contrário? Sehun..." ele soou preocupado, os olhos levemente abertos de surpresa. Ajeitou-se sobre o meu corpo, fixando meu olhar no seu prendendo meu queixo com a mão, antes de começar seu discurso. "Eu admito que sou meio rabugento."

"Muito."

"Muito nada!" ele protestou comprimindo os olhos. "Eu sou meio rabugento, implico com você e... Pensando bem, devo parecer insuportável. Mas você veio pra tirar tudo — literalmente — do lugar, impor seu jeito que caminha totalmente contrário ao meu. Passei trinta anos vivendo a minha vida de uma só forma e aceitando apenas aquilo, se eu não te amasse, não gastaria meu tempo reclamando. Só te deixaria sair por aquela porta pra não voltar mais... Eu sequer teria cogitado a ideia de... De te chamar pra morar comigo porque não consigo lidar com o fato de ter seu lado da cama vazio quando você vai pra sua casa. Eu gosto da sua bagunça, de reclamar das suas manias. Minha vida seria uma merda sem você" ele falou “merda” sem perceber, eu quis rir. "Tudo no lugar sem nenhum pacote de Cheetos no armário da cozinha. Você não notou que eu sequer reclamo mais da televisão alta na sala quando estou trabalhando aqui no quarto? No dia que eu estava de folga, eu fui responder uns emails enquanto você estava na aula e senti falta disso. Eu estou me acostumando cada vez mais."

Foi quando eu notei que não só eu estava mudado, me adaptando ao Luhan para não ouvir reclamações. Ele também estava adequando a sua vida a minha presença.

"Daqui pouco vai comer Cheetos comigo."

"Isso está totalmente fora de questão! O máximo que posso fazer é beijar a sua boca salgada e com cheiro de chulé. Só não abusa, agora que sabe disso, viu?" pressionou seus lábios aos meus rapidamente. "É claro que eu te amo. E se eu te fiz duvidar, me desculpa. É que pra mim, eu já eu deixo óbvio demais."

Talvez deixasse mesmo, por que raios me permitiria ver TV com ele, deitado em sua cama comendo o salgadinho com o insuportável cheiro de chulé que ele odeia? Não é comodismo.

"Eu sou lerdo, você sabe."

Lerdo para entender sinais, notá-los e até compreender de forma errada. Mas não é um segredo, na primeira vez que saímos, Luhan teve que dizer que ia me beijar, pois mesmo com a proximidade dos nossos rostos e a troca intensa de olhares, eu não tinha sacado exatamente o que estava acontecendo.

O comodismo talvez entre aí, talvez ele ache que com a convivência, eu tenha aprendido entender tais sinais. Mas eu ainda esqueço a porta do armário aberta, a luz acesa e a porta destrancada de vez em quando.

"Quer lembretes diários em post-its de coração ou e-mail?"

"Quero lembretes diários em forma de beijos."

"Isso você já tem."

"Eu sei."

"E então, sobre vir morar aqui... O que acha?" perguntou com uma expectativa notável.

"Eu quase não tenho mais roupas no meu armário em casa" respondi pensativo, não por manha. "Na verdade, lá basicamente só tem as que eu não uso. Eu não devo passar a noite em casa por uma semana inteira se somar todos dias que durmo lá durante um mês... Nós passamos bastante tempo juntos, aqui, não é?"

"Precisa de um tempo pra pensar?"

Ele deve ter levado minha resposta, mesmo que eu ainda não tivesse a finalizado, com um não. Mas eu só estava considerando toda a situação. A experiência, na prática, eu já conhecia muito bem. Não seria nada novo para se temer arriscar. Mas ainda havia muito a se considerar.

Eu e o Luhan brigamos mais do que eu gostaria, é impossível não ter um briga vez ou outra quando se convive com alguém. Acho que as pessoas são programadas para isso, para se desentenderem em algum momento. Porque nem amor nem laços familiares te livram das discussões rotineiras de se manter qualquer relacionamento, pessoas são livres, feitas de um monte de erros e de coisas que as distinguem.

Meu receio era de não ter mais o meu lugar, de em algum momento não me sentir em casa naquele apartamento — embora até então eu nunca tivesse tido problemas com isso, pois o lugar errado para se estar, o vazio demais, frio demais e distante demais, sempre parecia o apartamento pequeno no prédio LeeJong. E, numa hipótese distante, mas que não deixou de correr pela minha mente, o que aconteceria se tivéssemos um fim?

Nossas discussões são praticamente agendadas: embora não tenham hora marcada para acontecer, sabemos quando uma está prestes a começar. No final, se eu resolvo dormir no sofá, acordo no meio da noite com um beijo calmo nos lábios, dado por quem me guia até o quarto e me acolhe entre os braços. Às vezes eu sequer lembro de não ter dormido o tempo todo na cama, ou esqueço de como e quando sai do sofá. Se acontece quando eu já estou na cama, preparado para dormir, emburrado, lhe dou as costas e não demora muito até sentir alguém me abraçar e sussurrar um quase inaudível pedido de desculpas. E quando ameaçava a ir embora, porque no momento de raiva me parecia bom qualquer lugar que não ali, às vezes nem ao elevador conseguia chegar e, se chegava e partia, as chances de ter alguém na minha porta se atrasando para o trabalho apenas para poder me pedir desculpas antes que eu saísse, eram de cem por cento e sem margem de erro.

Por outro lado, quando a parte errada sou eu, as coisas tendem a se complicar, pois demoro para me redimir. E nem é por orgulho, eu só fico com vergonha por ter me deixado levar por uma raiva repentina e não ter enxergado a realidade. Acabo esperando a coisa passar por si só, tudo voltar aos eixos para então perguntar, como quem não quer nada, abusando de uma falsa inocência, se Luhan ainda está bravo. E ele, com certa relutância em ceder, dizer que não. Para só então, eu me desculpar.

Essas brigas sempre vão acontecer, e são perfeitamente normais. Até que são legais, se levar em consideração o fato de acabarem com muito carinho e mimo desmedido, ou sexo. O problema não estava na minha casa ou na falta dela, conclui. Porque, eu sabia que, de uma forma ou de outra, ficaria bem onde ele estivesse.

"Acho que vou precisar de ajuda quando for buscar o resto das minhas coisas."

Ele se atrasou por contra própria no dia seguinte, mas arrumou motivos para reclamar; disse que eu deveria tê-lo acordado. Depois a gente riu, ele me agarrou na cozinha e perdeu mais meia-hora.

Luhan ainda reclama quando eu falo palavrão, repetindo "porra" e "caralho", e eu ainda falo um “Cala boca, garoto”, quando me canso de ouvi-lo reclamar das mesmas coisas. E no final nada muda, de fato. Eu deixo algumas manias, mas adquiro outras, a gente briga e depois transa. E um fala que ama o outro antes de dormir, cansados demais para tomar um banho antes disso.

Nós podemos ter todas essas diferenças, mas as razões para nos amarmos ainda é mais forte mesmo que em números pareçam inferiores. O resto, a gente só precisa adaptar. Se acontecer, podemos ter uma filha e um filho. Um gato e um cachorro. Dá para fazer maratonas de Star Trek e Star Wars, posso ver uma série policial com ele depois de assistirmos juntos um dorama qualquer.

Ainda tenho tempo para pensar no que quero da minha vida e posso me espelhar em suas atitudes para pensar nas minhas escolhas. Temos uma vida inteira pela frente, certamente virão problemas maiores que algumas manias. Mas assim como elas, se for para ser, tudo se resolve.

 

 

 


Notas Finais


Luhan a delicadeza em pessoa como eu, uma vez fui pentear o cabelo da minha mãe e ela me mandou parar porque eu estava martelando a cabeça dela com a escova, mas eu estava penteando numa boa, como faço comigo.
Se você chegou até aqui, meu amor, me perdoe as cagadas. Eu escrevi tem umas duas semanas, se eu for ler agora, vou achar um milhão de motivos pra não postar, então se ela sumir depois, foi porque eu resolvi ler e exclui. q


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