História Essência - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Monsta X
Personagens Hyung Won, I'M, Joo Heon, Ki Hyun, Min Hyuk, Personagens Originais, Show Nu, Won Ho
Tags 2won, Abo, Abo Universe, Drama, Jookyun, Monsta X, Showhyuk
Exibições 53
Palavras 4.657
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Lemon, Lírica, Magia, Mistério, Poesias, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Adultério, Bissexualidade, Estupro, Gravidez Masculina (MPreg), Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Oii GENTE BONITA... :)
Primeiramente gostaria de agradecer pelos 23 favoritos e 74 visualizações... EU GRITEI MUITO EM CADA NOT DE FAV, pq sou dessas...
Esse cap ficou mais grande do que eu esperava, mas tem coisas importantes acontecendo aqui, e vocês vão conhecer outros personagens, IGUALMENTE MARAVILHOSOS!!! e teve tretas, e eu amo tretas, barracos, escândalos..
OBS: Eu mudei a sinopse da fic, antes era essa estrofe que está e Intro nesse capítulo, agora eu mudei para uma mais elaborada e realmente importante para o andamento da estória.

Capítulo 2 - Febre


"Oito deles alcançarão o céu...

Sete deles chegarão ao inferno...

Seis deles matarão na Terra...

Cinco deles retornarão ao lar fraterno...

Quatro deles celebrará vitória na Guerra...

E três deles um Original eterno será...

Dois deles apenas criarão a Besta com fartura...

E apenas Um sobreviverá...

Dentro de sua própria loucura...”

 

 

Capitulo Dois – Febre

 

O sol amanhecia sozinho ao leste quando Hyungwon percebeu que o amanhecer de sexta havia chegado e o prazo dado por Lorde Yooha, de Gwail, havia se esgotado. O menino estava sentado em cima da cama dentro de um dos milhares de quartos existentes na Casa Nutha, que fora designado a si. Como não tinha permissão para sair do local, ele se pôs a observar a paisagem, enquanto resmungava o quanto odiava acordar antes do despertador.

O Choi percebeu que tinha uma visão privilegiada do jardim dos fundos da Mansão, onde jardineiros já estavam em serviço, pois a grama deveria estar bem aparada para quando ele e os outros vinte e nove ômegas que foram selecionados passeassem por ali mais tarde. Depois do grande gramado e todas as suas flores, vinha o muro que separava o Casarão da cidade. Depois do muro havia algumas casas, decepcionando Hyungwon, que esperava grandiosos prédios, e bem longe, perto do horizonte, notam-se campos de maça que sumiam de vista.

Enjoado da paisagem, Hyungwon voltou a observar os empregados, notando que cada um deles tinha sua própria maneira de viver e agir, fato que mesmo sendo o obvio, deixou-o fascinado.

Todos faziam o mesmo trabalho, todos usavam a mesma roupa, e ao mesmo tempo eram todos diferentes entre si. Perdeu um pouco de tempo imaginando como seria a vida de cada um deles, pensando em como teriam passado a noite... Se teriam dormido bem... Ou talvez tivessem passado a noite em claro, preocupados com algum familiar residente da área rural...

A Casa Nurtha ficava em uma das raras partes urbanizadas de Gwail, com poucos prédios e indústrias, afinal a Província era conhecida pelas grandiosas fazendas e exuberantes áreas de pastoreio, sem espaço para o mundo moderno. Seria compreensível algum dos empregados ter crescido em meio às plantas.

Hyungwon estava tão compenetrado em toda a interação social da Casa, que nem chegou a notar toda a agitação no corredor, muito menos as batidas incessantes em sua porta.

Mesmo o dia tendo acabado de clarear, os criados pareciam estar fazendo uma maratona no mesmo corredor, porém Hyungwon só notou quando sua porta fui abruptamente aberta e um beta jovial começou a conversar consigo.

― Linda a vista não? ― disse o menino sorrindo ― Espera até chegar o inverno, todas as maças brotam aqui em Gwail.

― Bacana ― Hyungwon responde ainda sonolento e ainda refletindo sobre a vida dos empregados ― Quem é você?

― Sou o mordomo responsável por vocês ― ele responde ainda sorrindo ― Werrea é realmente maravilhosa, de fato o melhor lugar para se viver!

― Você já foi ao exterior para saber? ― ele pergunta sem se preocupar em parecer grosseiro.

― Não ― diz o criado parecendo envergonhado ― Desculpa entrar desse jeito, vim convida-lo para tomar café conosco, lá em baixo.

― É obrigatório? ― Hyungwon pergunta calculando quantas horas de sono perderia.

― Por que você é assim? ― pergunta o criado desapontado ― Me desculpa, ainda estou me adaptando com a formalidade.

― Por que você se desculpa tanto? ― ele responde ― Relaxa, eu que fui desatento e não vi você na porta ― Hyungwon responde tentando consertar o que tinha dito ― Só vou me vestir e já desço.

― Tente não se atrasar, Yoojung pode ser terrível quando quer ― e o menino, saiu saltitante, pronto para acordar outro ômega.

Hyungwon riu nasalado depois que a porta se fechou atrás dele, ele era um menino inovador, gostava de experimentar coisas novas e refletir sobre elas até ter uma opinião, e argumentar consigo mesmo até chegar a entendê-la.

Com a saída atrapalhada do criado, ele finalmente chegou à conclusão de que todos os indivíduos sempre seriam iguais, porém sempre diferentes, e pensou que deveria se desculpar pela falta de educação com o menino mais tarde.

O segredo, estava na forma na qual cada um expressa seus sentimentos e opiniões, a chamada individualidade. E assim, Hyungwon alcança sua primeira incógnita do dia. Assim como a maioria da população de Werrea aquele criado insistia que era o melhor Reino, para se morar, no entanto todos sabiam que o mesmo, estava quebrado.

Havia um ditado que circulava pelas ruas de Werrea “Com Províncias unidas, a paz foi trazida e a missão poderá ser cumprida”.

Enquanto vestia uma camiseta, Hyungwon notou que tal ditado era uma farsa. Todos tinham consciência de que Suye e Chong brigavam discretamente pela posse de todo o carvão do reino e a Província de Bada, conhecida pelas belas praias, roubava milhões todos os anos em prol da Capital, Wang. Fato que todos os dias, era anunciado em todos os canais da televisão.

Nem mesmo a Santa Gwail escapou das câmeras, foi apontada como a principal causa de doenças por todos os agrotóxicos colocados nos alimentos. E até Wang era alvo dos holofotes por todo o roubo e a corrupção que ocorria por lá. O ato era até mesmo secretamente apoiado pelo Rei e seus conselheiros.

Hyungwon terminou de se vestir enquanto imaginava como ninguém em todo aquele reino, não fazia nada contra tal ato, todos eles sempre afirmando que Werrea era a melhor e quem discordasse deveria ser morto. E quando alguém era apontado como culpado, logo tudo era abafado e a vida continuava em completa harmonia.

Ele bufou enquanto pegava seu crachá e apagava a luz, tentando imaginar como lidaria com todos aqueles ômegas famintos por apenas um único alfa. Hyungwon não era burro e sabia que em questões de horas toda aquela calmaria teria fim e a guerra começaria. Ele estaria lá apenas para observar e tentar decifrar a cabeça de cada um deles, mesmo que sua missão não fosse essa, segundo a ordem que recebera de seu superior.

Seguiu o corredor iluminado pela luz da manhã, acompanhado de outros quatro ômegas, aparentemente, haviam os separado em ala masculina e feminina. Desceu a escada tranquilamente sem prestar atenção na conversa que rolava entre os outros e chegou à cozinha sem dar um pio, final não estava ali para fazer amizade e sim por um motivo muito mais conturbado.

Entrou na cozinha e se assustou com o tamanho do lugar, obviamente não comeriam na sala de jantar junto com a família Son, mas a mesa do lugar era igualmente grande o suficiente para todos. Aparentemente os outros quinze ômegas ainda estavam nos quartos já que apenas dez comiam. Não que Hyungwon conhecesse todos os selecionados, ele era apenas observador e detalhista, sabia que eram trinta no total, não foi difícil realizar o cálculo.

― Por que vocês tem um quadro dos Três em sua cozinha, quando já foi comprovado que o sobrenatural não existe de fato? ― disse Kihyun, um baixinho, Hyungwon nunca tinha conversado com ele, mas gostava da maneira que se expressava.

― Não é certo afirmar isso quando é a favor de um governo capaz de assassinar magicaes, nossa única conexão com os Deuses, por pura ganância ― responde Minhyuk, leu o nome no crachá, tudo indica que estavam discutindo, e Hyungwon amava discussões.

― Eu nunca cheguei afirmar que era a favor desse governo inútil ― rebate Kihyun ― Pelo contrário, acho um absurdo o que eles fazem com os ômegas ― ele continua.

― Não é o que parece, olha aonde você veio parar ― diz Minhyuk enquanto pegava um doce do cesto disposto em cima da mesa ― Essa seleção é o símbolo máximo que os ômegas estão longe de conquistar alguma coisa.

― Você deve saber que ninguém aqui teve muita opção em relação a ser ou não uma puta ― fala Kihyun esbanjando um sorrisinho sínico ― Nossa luta deveria ser contra o governo.

― O que o governo tem exatamente a ver com isso? ― Hyungwon se intromete enquanto pega uma cadeira para se assentar junto dos outros ― Pelo que eu sei o único motivo da Família Shiin permanecer no comando é a crença de que eles são os ungidos pelos Deuses, logo são os únicos capazes de governar por aqui ― ele continua enquanto imaginava se essa seria a sua segunda incógnita do dia ― Com certeza tem algo errado já que aparentemente nosso governo não acredita em nada superior, massacrado magicaes, e escravizando nós, ômegas ― ele conclui enquanto alcança a garrafa de café.

Automaticamente toda a mesa se calou, todos voltando a disfrutar dos bolos e tortas servidos pelas moças. De fato, a tensão não abandonou o local até quatro meninas adentrarem pela porta tagarelando alto sobre algum alfa que estava treinando sem camisa.

Com efeito, política, era um assunto que Hyungwon poderia discutir por horas sem parar, com autoridade, afinal foi criado para ser um deles, nada mais justo do que  entende-los para poder agir como eles. Mesmo depois que o assunto foi cessado, Hyungwon continuou a discutir internamente, e encontrou falhas. Naquele assunto, ele era neutro, pois em sua opinião, ambos estavam certos de alguma forma.

Atualmente, os magicaes eram tão raros que poderiam ser considerados lendas. O Choi acreditava que estavam desaparecendo simplesmente porque falavam demais a verdade, e isso não gera lucro, e o Rei não quer prejuízo. Hyungwon tem medo que a população não faça nada para de impedi-lo antes da posse do seu filho Shin Wonho, que no ponto de vista do Choi, conduziria o país a total falência.

Foi brutalmente interrompido de seu desequilibrado café da manhã quando a porta de acesso ao quintal foi brutalmente aberta e um dos criados entrou carregando uma moça totalmente ensanguentada e desmaiada. Hyungwon e os outros deixaram a mesa enquanto as empregadas tiravam o café de cima, para que a moça fosse devidamente colocada em cima desta.

― Foi o Kyuhyun de novo, não foi? ― diz uma das empregadas.

― S-Sim ― diz o rapaz que trouxe o corpo ― Eu os encontrei brigando perto do templo ― se explica o menino, enquanto arrumava a franja ― E-Eu conheço as regras, mesmo sendo um alfa, não pude fazer nada.

― Qualquer dia desses, ele ainda acaba por matar ela ― fala uma cozinheira.

― Ninguém pode fazer nada ― diz alguém do grupo de ômegas.

― Na verdade podemos sim, mas a maioria prefere ignorar ― Minhyuk se intromete.

― A regra é clara, “Ninguém pode separar a briga de um alfa com o seu ômega” ― diz o rapaz que trouxe o corpo, enquanto algumas empregadas começam a limpar a menina.

― Mas ela não me impede de dar uns tapas em Kyuhyun, ele deveria encarar alguém do mesmo tamanho do dele ― fala um dos padeiros, um alfa dos fortes, Hyungwon analisou.

Essa foi a pauta da terceira incógnita encontrada por ele no dia. Todos sabiam que quando o nó demora muito para se desatar, o casal é automaticamente predestinado um ao outro. Todos sabiam que um cio pode ser doloroso quando passado sozinho. E principalmente, todos sabiam que se um ômega passa muito tempo longe do seu alfa, pode acabar morto. Todos ali naquela sala eram igualmente guiados pelo instinto, todos eram lobos em pele de cordeiro, que negavam a si mesmos, a verdade.

― Isso não pode acontecer com a gente, ou pode? ― diz uma das meninas que tagarelava audivelmente alguns instantes atrás ― Digo, se ele se descontrolar...

― Mas é claro que pode, se Hyunwoo quiser ele pode fazer qualquer um aqui de saco de pancadas ― fala Kihyun debochadamente ― Afinal, todos somos sua propriedade.

Hyungwon teve vontade de rir quando se lembrou dos boatos que circulavam em sua terra. Boatos estes, que afirmavam ser uma raça criada em laboratório, eles uma evolução daquilo que habitava Werrea alguns anos atrás. Hyungwon esculachou a fala com apenas um argumento, a marca.

Quando um alfa marca o seu ômega, ambos começam a compartilhar sentimentos um do outro, o maior elo daquele universo. O Choi considerava tal elo mágico e puro. Para si, sexo se tornou não apenas satisfação carnal, e sim poesia.

Mesmo com todos esses fatos tão inocentes, Hyungwon ficou triste ao constatar que estava tudo errado. Obviamente tudo aquilo fora criado por Deuses, nenhum cientista daquele lugar seria capaz de criar tamanha perfeição. Portanto todas aquelas leis ridículas que menosprezavam os ômegas deveriam cair.

Quando triste com alguma coisa, Hyungwon ficava sensível a qualquer coisa, e ali naquele canto sozinho na cozinha ele chegou a mais uma conclusão triste e talvez depressiva em sua vida.

Por que ele que deveria ser dado à Gwail? Por que ele que era obrigado a lutar com outros 29 ômegas por apenas um alfa? Por que ele que lutou a vida inteira para ser notado, conseguiu isso de forma errônea?

E por que ele mesmo, aquele que apontava o dedo na cara de todo mundo, nunca chegou a nadar conta à maré para tentar libertar a si próprio? Por que ao invés de culpar os outros pela vida inteira, o mesmo não tentou modificar a si mesmo? Talvez ele também estivesse apenas com febre, como todos que julgou pela manhã inteira. Esta foi a quarta e ultima incógnita.

Hyungwon chamou de febre tal síndrome. Sim, febre, porque os principais sintomas da febre são alucinação e irritabilidade. Primeiro alucinação por que todos, incluindo a si próprio pensam estar vivendo numa sociedade perfeita, e se iludindo com isso. Segundo, irritabilidade, por que todos estavam sujeitos a agir com violência em caso de discordância com seus pensamentos, e deu a si mesmo como exemplo. O Choi chamou a era em que vivia como “A Grande Febre” e ficou feliz com os resultados.

 

[...]

 

O Grande Castelo de Wang se levantava majestoso em cima de uma colina no centro daquela Província. Lendas antigas diziam que ali foram levantados os primeiros pilares ABO e que em cima daquelas pedras, de alguma forma, foi feita o primeiro tipo de povoação daquela região pelos chamados oito originais.

Há aqueles que afirmam a passada existência de lobos. Detalhadamente, as más línguas dizem que primeiramente vieram os alfas pelo sudeste trazendo sua obscuridade, o poder, depois vieram os ômegas pelo norte, com a pureza, sua originalidade. E por último os betas pelo sudoeste, representando seu ideal, o equilíbrio. Reza a lenda que naquele dia foi criando o homem.

Infelizmente, construíram prédios por cima dos templos, colocaram edifícios em cima dos campos, jogaram asfalto onde deveria crescer a grama, brigavam como selvagens e se entupiam com pílulas ao invés de plantas. Zombavam dos Três ao resolverem seus problemas com caneta e papel.

Era um dia ensolarado, ótimo para passar em qualquer lugar aberto, ou no mínimo no ar condicionado. Da mesma forma, Shin Hoseok, assava feito um frango dentro daquele terno apertado. Sinceramente, nada naquela tarde chegava a ser de algum modo, confortável para o menino, que fazia seu quarto julgamento do dia. Não gostava da profissão que exercia, e nem mesmo tivera a oportunidade de escolher o próprio curso da faculdade.

Nunca levara jeito com Direito, e esse era um dos motivos para que a atmosfera dentro do Prédio do Tribunal não ser uma maravilha. Sua presença naquela sala era apenas mais uma das funções que executava apenas pela sua imagem, já que aparência parecia ser o mais importante para a mídia. Hoseok precisaria aclamado como bom para a população, já que logo seria coroado rei no lugar do seu pai.

― Como é o seu nome? ― pergunta o Filho do Lobo, dando início à sessão.

― Jung Somi ― responde a menina, em pé, no meio da sala.

― Aqui diz que a senhorita espalhava mentiras na Internet, discursos sobre igualdade entre o ABO ― diz o menino lendo alguns papéis sobre a mesa, começando a sentir dor de cabeça.

― Não são mentiras ― a jovem respondeu sorrindo debochada, levando um tapa de um dos carrascos logo após o ato, pois estava amarrada como se a qualquer momento, fosse capaz de fugir, mesmo que não tivesse motivo para tal ato. Tudo que precisava fazer, já havia feito e sua única ação necessária agora, seria aguardar.

― Entre os discursos chegou a afirmar que determinada profecia deveria se cumprir para a ordem voltar a reinar em Werrea ― o príncipe continua, e faz uma pausa ―  A senhorita nega tal ato?

A sala se encontrava cheia de gente importante, todas prontas para apontar o dedo e incriminar na primeira falha do Príncipe. A menina foi pega inexplicavelmente em flagrante em um de seus discursos online, era quase como se esperasse pela polícia.

Ela falava coisas consideradas absurdas pela maior parte da população, com certeza seria falada pela semana inteira, a imprensa ama um escândalo e o veredito de Hoseok, seria o motivo de sua ascensão ou queda. Todos aqueles pares de olhos enxeridos, aguardavam pela resposta da menina escritora.

― Não nego ― ela fala arrumando a franja.

― Nega ter afirmado que divindades reinam no Reino e que ômegas e betas deveriam ter os mesmos direitos perante a lei? ― o príncipe continua, sentindo a sua cabeça latejar, certamente um julgamento com aquela magnitude, não deveria ser feito naquelas condições.

― Não nego ― a menina fala enquanto sorri para a platéia.

― Nega ter dito que eu seria enfeitiçado, e me sufocaria em minhas próprias ambições, derramando sangue inocente? ― o príncipe lê e encara a moça a sua frente, enquanto homens riam atrás de si.

― Não nego ― ela diz irritada com as risadas.

― Nega ter liderado protestos contra o atual governo, defendendo a ideia de que essa seria o ultimo ano de glória em Werrea? ― ele prossegue.

― Não nego ― a menina agora rosnava.

― Para esse tipo de crime, qual pena a senhorita acha que o Concelho deveria adotar? ― diz o príncipe fazendo algumas anotações, sabia que não era apenas a menina que estava sendo julgada, e sim a sua capacidade de ser firme.

― Nenhuma ― a sala inteira fica perplexa diante da audácia da moça ― Pois não cometi crime algum ― ela continua debochada ― Eu tenho uma ideologia, e vou lutar por ela até a minha morte se necessário ― ela agora andava pela sala olhando para toda a plateia ― E o que os Senhores Conselheiros e o nosso Adorável Príncipe irão fazer?

Wonho morde os lábios sabendo que teria que tomar uma atitude estrategicamente fraca, mas era a sua única opção. Estava quase perdendo o controle diante da reação da assembleia que assistia. A maior parte da sala gritava pela morte imediata da menina. A outra parte do lugar permaneceu em silêncio e por último, os que restavam, refletiam sobre a veracidade nas palavras da moça.

O Príncipe, isolado em seu próprio canto refletia sobre que decisão tomar, se poupasse Somi, seria considerado covarde para com todos, porém se punisse a jovem, seria considerado cruel e contra os costumes do seu povo. Um passo em falso, e toda a máscara de bom moço que criou cairia por terra.

― Tenho uma proposta ― diz Hoseok finalmente depois de longos instantes agoniado, calando toda a sala que sussurrava baixinho ― Não deixamos que ninguém da imprensa ficasse sabendo da sua estadia aqui ― ele prossegue e a menina bufa ― Enfim, você pode simplesmente ir lá fora agora e fazer um texto desmentindo tudo, dizendo que foi troll e continuar viva.

― Você por acaso é burro? ― ela pergunta informalmente sem medo das consequências ― Mesmo se eu dissesse que foi tudo brincadeirinha, eu tenho uma comunidade influente lá fora, não tem como voltar atrás ― ela diz ironicamente batendo palmas.

― Senhorita, sabemos que esses fãs podem ser calados em dois minutos com armas e um pouco de dinheiro ― Hoseok diz e continua ― Sua outra opção seria ficar aqui comigo, esperando pelo dia de sua execução ― ele conclui refletindo se teria parecido bom o suficiente.

― Já citei que vivo pela minha ideologia? ― ela respondeu ― Tenho dó do senhor, e não posso fazer nada para evitar ― ela termina com um semblante triste.

― Do que está falando?

― O senhor ainda vai descobrir ― ela conclui e os sussurros na sala agora se tornam audíveis ― Minha escolha será ficar por aqui mesmo, e quero uma TV a cabo no meu quarto.

O Príncipe prevendo a bagunça que aquela sala estava prestes a instaurar decreta como acabada a sessão. Em seguida, um grande e audível Oh se faz audível por toda a sala, pois não era isso que os telespectadores esperavam, e sim algum tipo de pena mais dura, afinal todos amavam uma boa fofoca.

Mas Hoseok estava feliz com seus próprios resultados. Ele havia conseguido controlar o seu eu interior, sem causar nenhum tipo de mal entendido. Era inevitável que a imprensa ficasse sabendo do que ocorrera ali, pois algum infeliz abriria a boca. Mas ignorou o fato, porque com sorte poderia ir finalmente almoçar.

 

[...]

 

Era primavera, e um cheiro delicioso de flores se fazia presente na humilde residência dos Lim. Era um dia relativamente quente, e esse fenômeno não deveria ser considerado normal, esse foi um dos motivos que levou Changkyun fazer uma oferenda aos Deuses.

Nos fundos da sua casa na periferia de Wang ele suava enquanto mexia fervorosamente o caldeirão cheio de flores do campo. O menino era o mais velho de três irmãos, ou seja, toda a responsabilidade para com a casa e com os irmãos menores caia sobre ele, com seu batalhado emprego no Hospital Geral ele mantinha a família do jeito que podia.

Todos pensavam que era apenas mais um ômega comum tentando sobreviver em meio ao caos, mas ninguém nunca chegou a desconfiar que por trás daquela máscara tivesse um brilhante lobo magicae. Ao contrário do que se imagina, lobos magicae eram super comuns na Província de Wang, mas sempre ricos, alfas, puros, e principalmente Lúpus protegidos por alguém, ou escondidos do governo. Sendo apenas um órfão sozinho, pobre e ômega, caso fosse descoberto, sua morte seria imediata.

Do meio da floresta que rodeava todo o bairro, surgiu um Joonki vestido apenas com uma bermuda, segurando uma bandeja com flores silvestres, era o filho do meio, também conhecido como assistente pessoal de Changkyun em suas façanhas.

― Hyung, você sabia que existem macacos na floresta? ― disse o menino mais novo correndo em direção a seu irmão derrubando algumas pétalas.

― Sim ― responde o mais velho simplista mexendo no jarro ― Cuida que alguns deles machucam principalmente os de rabo vermelho ― ele continua como se estivesse comentando sobre o tempo.

― Às vezes você me assusta ― diz o pequeno alfa chegando à varanda ― Pensei que só soubesse sobre o fim do mundo, X Clan, lenda dos originais, teoria do Big Bang quem veio primeiro o ovo ou a galinha? ― ele brinca sendo ignorado pelo irmão ― Hyung, você está bem mesmo? ― ele pergunta, sendo ignorado novamente ― Por que você sempre me ignora? ― o menor termina arrancando uma risadinha de Changkyun.

O mais velho mesmo que chato era da espécie mais perigosa de magicaes, capaz de ver coisas, sentir coisas, e na maior parte do tempo saber de coisas que ainda nem tinham acontecido. Tinha uma intuição forte e visões que desgastavam tanto seu lado físico, tanto o lado psicológico.

Changkyun era um dos mais temidos, conseguiria falar com seus antepassados, e com sorte até com alguns Deuses, o deixando perigoso. Com sorte o menino não era de se expor e falar mais que o necessário.

― Eles estão inquietos não? ― perguntou Joonki se aproximando do irmão, e de seu caldeirão flamejante.

― Vista uma camisa menino ― disse o mais velho, sendo um hyung ranzinza ― Eles quem? ― pergunta.

― Os Deuses ― responde o mais novo separando os tipos de flores para seu irmão.

― Algo está acontecendo no Norte ― o ômega respondeu enquanto continuava a mexer o jarro.

― Olha só, parece que finalmente notaram o irmão do meio ― ele brinca enquanto joga algumas pétalas no caldeirão ― Não vai ficar mal de novo né? Nós ficamos preocupados ― ele continua cortando o assunto.

Com toda aquela ventania que assolava todo o Reino, Changkyun havia passado mal durante todo o episódio, tendo tontura e visões a todo o momento. Tivera febre alta e alucinações o tempo inteiro, apenas confirmando seu sentimento de que certamente havia algo errado em toda aquela situação. Joonki, pela primeira vez teve que se virar sozinho com o irmão caçula enquanto o ômega delirava na cama.

Esse fato aterrorizou o mais novo, que por sua vez não fazia a mínima ideia do que fazer durante os três dias que o irmão passara mal. De certa forma, o episódio o ajudou a amadurecer, afinal já tinha quinze anos, já era tempo de ser independente.

― Não vou deixar isso acontecer novamente ― diz Changkyun, firme.

― Você não pode se sacrificar tanto pela gente ― responde Joonki jogando o cesto na mesa ― Essas visões, eu sei que um dia vai ter que sair de casa, não pode montar guarda sobre mim e o Minki para sempre ― ele fala, enquanto o irmão permanecia calado, olhando para o chão ― Já aprendi a lidar há muito tempo com o seu silêncio ― Changkyun tampa a respiração, era a primeira vez que Joonki agia como adulto ― Foi complicado pra mim quando as pessoas começaram a aparecer achando que estava no cio ― o mais velho continua encarando friamente o chão ― Hyung, me responde, pelo menos uma vez.

― No momento o nosso problema é no Norte ― Changkyun fala, simplista.

― Sempre os seus problemas estão longe né, e não embaixo do seu próprio teto ― ele faz uma pausa, refletindo se deveria ou não prosseguir ― O que foi agora? Gwail? ― o menino perguntou ironicamente, tentando atacar seu hyung, mal sabia que Changkyun amava sua curiosidade, pois não se preocupava com muita coisa, apenas em conseguir a sua resposta sem desistir fácil.

― Um pouco mais ao Norte ― ele jogou mais pétalas, mudando completamente o aroma da solução.

― Existe algo além de Gwail? ― questiona o menino, zombativo ― Às vezes eu acho que isso é tudo paranoia da sua cabeça!

― Como você poderia entender? É tudo mais complexo, e a pior parte é que só existe aqui ― o mais velho termina, apontando para a própria cabeça ― Espero que um dia você possa perceber...

― Perceber o que?

― Que tudo o que aconteceu nos últimos dias não foi por acaso, é tudo muito confuso, como se o Norte e o Sul fossem entrar em combate.

― A Resistência? ― diz, e Changkyun o encara preocupado ― Eu sei que eles ficam ao sul de Chong, eu vejo televisão tá? ― ele diz brincalhão, arrancando risadas do mais velho.

― Eles não me respeitam mais, eu passo alguns dias fora do ar e eles já querem me dominar ― fala o ômega olhando para o teto.

― Senti saudades desse Changkyun... ― o mais velho olha para o jarro, parando de mexer, e algo passa pela sua cabeça.

― Cada dia isso fica mais perigoso, se eu sumir do mapa você pega o Minki e foge pra floresta, você sabe o que fazer, e para onde ir...

― Hyung está me assustando, é aquele seu alfa de novo?

― De certa forma... ― ele para pensando se deveria continuar ou não  ― Olha, isso é sério, você é um alfa, se precisar use isso contra eles, Jooheon está muito além disso.

.

.

.


Notas Finais


Eae Galeris :)
Se vc não está familiarizado com o gênero abo eu recomento esse maravilhoso site:
~> http://geeksfanfics.blogspot.com.br/2015/06/dinamica-abo-luna.html
Sinceramente espero estar conseguindo passar imagem que eu quero da fic, e qualquer dúvida é só falar nos comentários!! Desculpa se está confuso, mas aos poucos vocês vão entendendo, espero.
Meu tt é @alienaria me chama lá pra gente trocar umas ideia...
Bjinhos :)


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...