História Essências - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton, Personagens Originais
Tags Camila Cabello, Fifth Harmony, Lauren Jauregui
Visualizações 8
Palavras 10.654
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Famí­lia, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Olá, sejam bem vindos!
Bom, essa é uma estória que eu gosto muito e não será muito longa. Eu a considero algo leve, não tem muito drama ( eu não consigo escrever, eu sofro muito com os personagens). Eu tenho todo o plano de Essências pronto, mas eu tenho meio que um negócio como se eu sentisse que o personagem não tá feliz ou tá fugindo do foco, então as vezes acaba que eu mudo um pouco as coisas até sentir que te tudo certo com os personagens!
Esse capítulo está bem grande e os dois próximos vão ser basicamente do mesmo tamanho por se tratar do passado,o restante diminuirá um pouco, mas eu costumo criar capítulos grandes.
Espero de todo coração que gostem e me digam o que acharam. Boa leitura!

Capítulo 1 - 1.Entendendo a angústia


Fanfic / Fanfiction Essências - Capítulo 1 - 1.Entendendo a angústia

Significado de Essência: Diz-se da ou a própria existência; o que constitui a natureza de um ser, de uma coisa: essência divina.

Quando nascemos não somos nada. Então quando vamos crescendo, tomamos consciência das coisas até nos tornarmos algo.

Sartre trata sobre isso de modo que somos um projeto ao futuro, lançados em mundo sem perspectivas, determinando nossas vidas com base na liberdade criada ao longo do tempo, logo, escolhendo nosso próprio mundo e descobrindo a origem da angústia, do desamparo e do desespero. Esses três itens não são levados, em si, ao significado ruim da palavra, mas sim ao que eles nos tornam.

Somos a angústia ao notar que somos livres e ao sermos livres escolhemos nossa vida, nosso destino e nossas escolhas refletem não apenas em nós mesmos como nos outros. Então quando somos livres e escolhemos nossas vidas, estamos escolhendo todas as outras pessoas que vão refletir nisso.

Sentimos o desamparo, pois ao notarmos que somos livres não temos mais desculpas para deixarmos de fazer algo ou para não sentir a culpa e o peso de erros. Quando falhamos é nossa culpa, quando erramos e pecamos também é nossa culpa.

Sofremos com o desespero por estarmos desamparados, para Sartre, é ai que começamos a agir sem a esperança. Esse é um momento difícil quando você enxerga a realidade onde você só pode ser aquilo que realiza, se tornando seu atos e suas ações, o que acaba sendo nada mais, nada menos, do que a sua verdadeira vida.

A cada dia e a cada momento fazemos escolhas e mais escolhas, "Qual sabor do suco?", "Que roupa uso?", "Eu leio ficção ou aventura?", essas escolhas por mais pequenas e banais que sejam nos levam a criar pequenos detalhes de nós mesmos. Nos inventar é difícil. Questionar o que somos e o que deveremos ser é mais difícil ainda já que nos reinventamos a cada momento.

Para Camila é fascinante pensar em tudo isso, em tudo o que podemos ser, mas também saber que quando nos tornamos algo é difícil depois deixar de ser aquilo e começar tudo do zero. É por isso que decisões sobre nossa essência geralmente são tomadas cedo, quando são as erradas vamos crescendo de uma maneira equivocada e para mudarmos e nos transformarmos quando somos maiores, tendo uma noção e visão cruel da vida, acaba sendo difícil e inalcançável.

Tudo isso torna as pessoas tão fascinantes para Camila, são problemas muito mais complicados e complexos que contas de matemática e muitas vezes você nunca consegue chegar ao fim, o que ás vezes é muito frustrante, mas todo o trabalho com base no mínimo que você consegue sobre elas já ajuda para tornar as coisas melhores.

A latina sempre teve a delicadeza e a sensibilidade de lidar com pessoas e quando teve que escolher qual profissão seguir não teve dúvidas. Ser psicanalista é sua paixão, ela gosta da terapia que envolve o seu paciente, onde ele aprende sobre si mesmo explorando suas interações. É fascinada na abordagem que foca na mudança de comportamentos problemáticos, sentimentos e pensamentos através da descoberta dos seus significados e motivações inconscientes, e Camila é apaixonada pelo inconsciente.

Aos trinta e dois anos, ela tinha pós graduação e especializações e agora estava com um projeto pessoal sobre "Pessoas e suas essências". Ela sabia que essência é algo marcante e que geralmente fica na primeira impressão, mas que são aquelas, as mais profundas que realmente são as mais verdadeiras e reais. Camila caminhava e analisava tudo e todos ao seu redor, fossem estranhos ou conhecidos, mas era difícil com contatos rápidos de dia a dia. Ela queria mais, queria se aprofundar e entender cada vez mais o real sentindo de tantas pessoas diferentes e foi ai que ela recebeu um convite. E foi o convite que mudou todo seu estudo de uma vez só.

Cambridge, Inglaterra, 18 de Julho de 2002.

Camila corria do corredor até as escadas, descia de dois em dois os degraus chegando a dar uma leve tropeçada, mas foi mais rápida se segurando no corrimão, mas não tão rápida para não bater o cotovelo na parede e soltar um xingamento alto.

- Karla Camila, não corra nas escadas! – o tom bravo de sua mãe a fez ir mais devagar antes que uma panela acertasse seu rosto.

- Não sei por que essa pressa toda, sendo que você vê essa menina todo dia...

A latina chegou na sala a tempo de ver sua irmã rolando os olhos com uma expressão de nojo misturada com tédio.

- Tire sua inveja da meu relacionamento. - Camila sentou no sofá e calçou os sapatos, depois levantou e soltou um sorriso provocativo para a irmã. – Me desculpa se eu tenho um namoro feliz e o máximo que você tem, é o amor de nossos pais e do nosso cachorro.

Camila viu o rosto de sua irmã ficar vermelho e a almofada que ela segurava ser contorcida. Ela sabia que Sofia ficava nervosa quando ela a provocava assim, segurando sua risada foi caminhando para a cozinha.

- É bom mesmo você sair de perto de mim, garota... – Sofia apontou o dedo na direção da irmã mais nova, mas desejava que dele saísse tiros. – Eu juro que se eu não tivesse praticando meditação eu esfregava sua cara no cocô daquele maldito cachorro!

- Aproveite e brinque com o Leo, enquanto eu aproveito o dia com minha namorada!

- Karla Camila, sua maldita!

Camila correu da sala antes que sua irmã a pegasse e realmente cumprisse o que prometeu, quando chegou na cozinha viu o olhar semicerrado de sua mãe, enquanto ela segurava a colher de pau em sua direção.

- Você pare de provocar sua irmã. – a ameaçou com a colher enquanto a filha segurava a risada. – Da próxima vez que ela jogar terra na sua boca eu não vou te ajudar.

Sinu lançou mais um olhar sério para a filha antes de voltar a mexer a panela. Camila revirou os olhos se lembrando daquele trágico dia e de como sentiu gosto de terra na boca por um dois dias.

A menina pegou seu casaco que estava em cima da cadeira e o vestiu, caminhou até a mãe depositando um beijo estralado em sua bochecha e depois em seu pescoço. Sua mãe odiava beijos no pescoço por ter cócegas e Camila adorava beija-la ali para provoca-la.

- Camila! – sua mãe ria se contorcendo para longe. – Eu vou jogar essa caldo em você! Ande vá logo!

- Te amo!

Pulando e rindo, a menina saiu pela porta da cozinha rindo para a mãe. Seguiu todo o caminho do jardim de trás até chegar na parte da frente e se sentar em um banquinho, tinha que esperar Lauren chegar o que a fez pensar que a namorada estava terrivelmente atrasada. E se tinha algo que Camila abominava eram os atrasos de Lauren, mas aquele era um dia especial e ela não ficaria nervosa por nada.

As meninas iam fazer um piquenique em um morro em volta da cidade e depois iam jantar na casa de Lauren, para que sua namorada pudesse contar uma imensa notícia feliz e não feliz ao mesmo tempo.

Camila nasceu em Cuba e se mudou aos nove anos para Inglaterra junto com sua família, depois que seu pai recebeu uma grande oportunidade de dar aula de História Moderna na Universidade de Cambridge. Houve uma grande burocracia para se resolver, mas tudo deu certo para sua família. A jovem não podia negar o quanto amava o país e a terra em que vivia.

Morar em Cambridge era estar entre uma cidade clássica muito elegante, com seu natural charme inglês e por outro também muito moderna. A cada esquina você encontrava um estudante ou alguém fazendo intercâmbio. Literalmente cercados de centenas de cursos e faculdades renomadas unidos a uma cidade linda, com um rio onde é possível ver sempre estudantes fazendo remo, e muito verde, o que tornava tudo apaixonante para a latina. O cheiro de terra molhada, o clima gostoso que fazia depois que chovia (basicamente sempre) e quando o sol aparecia era fantástico.

Camila era apaixonada pela natureza que a cercava.

Era extremamente fácil ir para Londres, de trem era no máximo 50 minutos o que dava para a jovem ir e voltar no mesmo dia, Camila era apaixonada por artes e história, então visitar os museus e as diversas atrações da capital e das demais cidades em volta era praticamente seu paraíso pessoal. Sua família tinha uma boa casa em um ótimo bairro residencial, ela e sua irmã estudaram em uma boa escola, eles visitavam Cuba a cada dois anos, logo, não tinha o que se reclamar. Pensar em tudo isso fez a jovem suspirar e olhar para o céu claro daquela manhã de sábado.

Para Lauren tudo mudava.

Sua namorada tinha nascido em Miami um lugar ensolarado e insuportavelmente quente quase todos os dias, e ao contrário da história de sua família, a de Lauren se mudou para Inglaterra com um propósito mais triste. Os pais de Lauren tinham um restaurante na cidade de Miami e viviam muito bem lá, mas há sete anos atrás o avô materno de Lauren que morava em Cambridge morreu de infarto e isso foi algo extremamente doloroso para sua família e mais ainda para sua avó, um ano depois sua avó foi diagnosticada com Alzheimer.

Os sintomas já estavam presentes, mas não era algo tão grande, então sua avó não quis preocupar ninguém, mas depois da morte de seu marido ela realmente se entregou a tristeza. Depois de um acidente que quase fez sua casa pegar fogo, a mãe da Lauren resolveu trazer sua avó para morarem com eles, entretanto nos momentos de lucidez ela entrava em grande tristeza, por além de ter perdido seu companheiro de cinquenta anos, ainda tinha sido levada de sua cidade, do país que cresceu. Com tudo isso a família depois de muito analisar, resolveu se mudar e deixar que o restante da vida de matriarca da família fosse o mais feliz e calma possível. Então a quatro anos eles tinham realmente se mudado e a seis meses a avó de Lauren havia falecido.

Se tinha um lugar no mundo que Lauren desejava deixar era aquele País e Camila realmente entedia tudo o que ela sentia por ele, mas mesmo assim tudo o que se passava naquele momento era doloroso para ela também. A grande notícia que a jovem ia contar para os pais, era que tinha sido aceite para o programa de Artes da Universidade de Nova York e em duas semanas se mudaria para os Estados Unidos.

Outro suspiro triste escapou da latina e ela sentiu seu coração apertar em tristeza. Ela sabia que relações a distância não duravam ou nunca davam certo e ela temia o fim de sua relação. Lauren e Camila era tão felizes e aceitas pelos seus pais, por mais que muitas pessoas virassem o rosto pra elas e por mais que no início se aceitar e aceitar a relação delas tenha sido difícil para Lauren, elas enfim estavam juntas e felizes e o fim daquilo podia estar tão perto.

Camila sentia muito por sua namorada não ficar feliz em estudar em uma das excelentes universidades inglesas. Par a latina era a mesma sensação que participar de um filme mágico, era quase fazer parte dos livros e dos filmes de Harry Potter!

Antes que a menina pudesse se remoer mais, Lauren apareceu virando a esquina pedalando uma bicicleta amarela com fitinhas coloridas no guidão e uma cestinha de flores (que no lugar de flores tinha sua mochila). Foi uma cena inusitada que fez Camila começar a rir.

- Ah, Camz...

Lauren parou com sua bicicleta de princesa ao lado da calçada, desceu meio desajeitada por seus anéis terem ficado presos em algumas fitinhas e soltando um palavrão, caminhou em direção a namorada que controlava a respiração pela crise de risos.

- Eu sempre soube que no fundo seu coração é de uma princesa do arco íris!

Lauren parou no meio do caminho e cruzou os braços, seu rosto ficou sério e seus lábios formaram um biquinho que Camila planejava morder com bastante força.

Camila era totalmente apaixonada por aquela morena dona do sorriso mais brilhante e dos mais belos olhos verdes de todo o mundo. E não apenas o rosto de Lauren deixava a latina mexida, mas como seu corpo, ela tinha uma certa fixação quando a namorada usava uma calça apertada onde sua bunda ficava incrivelmente linda.

- Eu vou fingir que você não existe e não me viu nessa situação...

A latina caminhou até a morena com um sorriso sapeca, passou os braços em volta do seu pescoço e depositou um rápido selinho em seus lábios antes de falar.

- Amor, você tem que se preocupar com todas as pessoas que te viram nessa bicicleta da sua casa até aqui. – deu-lhe outro selinho sentindo um sorriso se formar no rosto da namorada. – Sua fama já era.

- Aff, sai Camila!

Lauren a empurrou de brincadeira, mas depois abraçou a cintura da latina trazendo-a para uma abraço carinhoso.

- Eu vou sentir falta dos seus abraços.

E então Camila se lembrou da trágica situação e na mesa hora sentiu a tristeza voltar. Apertou mais a morena naquele abraço e respirou fundo sentindo seu perfume.

- Não vamos falar disso, Lo. – inspirou e suspirou. – Vamos deixar pra depois.

Ficaram mais um tempo abraçadas até se soltaram com sorrisos fracos nos rostos, mas logo Camila tratou de se animar jogando no fundo da sua mente o futuro e focando apenas naquele presente em que elas estavam vivendo.

- Vamos? – a morena perguntou apontando para a bicicleta da latina.

Com um sorriso ela balançou a cabeça e caminhou pegando sua bicicleta, bem normal deve ser ressaltado, e juntas caminharam até a rua. Lauren estava parada ao lado de sua bicicleta com uma expressão pensativa, já estava pronta para falar quando Camila a silenciou com um tapa fraco no braço.

- Eu não vou trocar com você, sua boba. – Lauren bufou e subiu na sua começando a pedalar com a namorada. – Será que pode me dizer onde a sua foi parar?

- O idiota do Chris quebrou a dele. – Lauren sentiu raiva só de lembrar. - Hoje de manhã ele saiu com a minha e então sobrou pra usar qual?

- A da Taylor?

- Não... – Lauren começou a corar e desviou o olhar da latina. – Essa era minha antiga bicicleta, mas eu só usei elas umas quatro vezes!

Camila gargalhou tanto que teve que parar por um momento para se recuperar e limpar os olhos cheios de lágrimas. Lauren ainda estava corada, mas não conseguia segurar a risada quando a latina ria daquele jeito.

- Você é demais, Lauren Michelle.

Ainda rindo, voltaram a pedalar e de vez em quando Camila fazia alguma piada que deixava a namorada constrangida ou pensando como a Camila podia ser boba.

Passava das três da tarde e as garotas estavam sentadas lado a lado em cima de uma toalha com flores estampadas que Camila havia trago. Estavam bem em cima de um morro com vista para a cidade, o rio Cam e o Parker's Piece, cercadas por árvores e tantas plantas. Era um lugar mágico. Elas não falavam nada a um tempo por cada uma estar imersa em seus próprios pensamentos.

Um vento mais gelado fez Camila tremer e ela se culpou por estar vestindo apenas um vestido e um casaco não tão bom assim. Lauren vendo a latina tremer um, passou um braço pelos seus ombros trazendo o corpo da namorada para perto do seu e assim ficaram por mais um tempo.

- Eu vou sentir falta disso.

Camila que até então estava pensando em coisas aleatórias olhou para o rosto da morena que tinha um olhar vago para o céu.

- Vai?

- Claro que sim, Camz. – Lauren a olhou com carinho e com a outra mão afagou a bochecha rosada de Camila. - Eu vou sentir sua falta, falta de estar enfiada em alguma floresta ou campo com você, falta de andar de bicicleta em volta do rio e rir dos estudantes nas épocas de prova. – rindo, Camila revirou os olhos pela estupides de Lauren. – É sério! Não é engraçado ver que eles andam com o rosto enfiados nos livros? Eles parecem zumbis!

- Não se esqueça que será a gente nos próximos meses. – Camila apertou o nariz da morena que franziu o nariz e fechou os olhos. - Mais precisamente eu andando com o rosto enfiado nos livros pelos campos de Cambridge.

Lauren abriu os olhos e com um sorriso torto e triste, concordou com a latina.

- Eu sei que você acha que é estupidez e bobagem, Camz... Mas eu não consigo ficar aqui eu não sinto que faço parte desse lugar. – por um momento, se perdeu olhando aqueles lindos olhos castanhos e depois os lábios rosados. Antes que voltasse a falar deu alguns selinhos arrancando um sorriso da latina. – Eu faço parte de você Camila, não importa em que cidade, estado ou País eu esteja. Eu sou a rainha do País Camila. – suspirando profundamente, apertou mais a namorada em seus braços. – Eu simplesmente faço parte do seu País e por favor nunca me expulse dele.

- Uma rainha nunca perde seu trono, não é mesmo?

- Sim.

- Sendo assim, no País Camila o trono mais especial sempre estará guardado para você. – sentou melhor ficando de frente para Lauren, então levou cada uma de suas mãos para um lado do rosto, afagando com seus polegares as maças rosadas do rosto. Um sorriso amoroso enfeitava seu rosto e deixava o coração de Lauren feliz. – Você tem lugar guardado no País Camila e eu tenho o Planeta dos olhos verdes só para mim!

Arqueando uma sobrancelha, Lauren não resistiu em provocar.

- Um planeta só seu? Não é querer muito para alguém tão pequena?

- Só. – mordeu o bochecha esquerda da namorada arrancando um gemido de dor. – Meu. – mordeu a bochecha direita. – O planeta é só meu e de mais ninguém, Green eyes.

Com carinho, Camila junto seus lábios em um selinho demorado.

Antes que a garota se afastasse, Lauren levou uma mão ao seu pescoço deixando que seus dedos fizessem um carinho no local e então puxou o rosto da namorada para juntarem seus lábios novamente. A morena dominou o beijo com calma, quando Camila entreabriu os lábios elas desfrutaram o encontro de suas línguas, o sabor das duas misturados em uma dança só delas. Lauren finalizou o beijo mordendo e puxando levemente o lábio de Camila, em seguida depositando selinhos nos lábios sorridente. Beijando o queixo ouviu a risada sonora da latina e não conseguiu não sorrir também, mas continuou beijando e chupando o queixo, o maxilar até chegar no pescoço.

Lauren era totalmente apaixonada por aquele pescoço.

Quando elas dormiam juntas, Lauren fazia questão de dormir com a cabeça apoiada nos peitos de Camila e com o rosto contra seu pescoço. Ela amava quando beijava o local, o corpo inteiro da morena tremia e sua respiração ficava pesada e nervosa soando como canção nos ouvidos da morena.

Lauren beijou abaixo do maxilar e foi trilhando beijos demorados e leves mordidas, podia ouvir a respiração pesada da latina e as mãos trêmulas em torno de seu pescoço. Seu braços rodearam a cintura de Camila, puxando-a para sentar em seu colo e ficando em uma posição bem melhor.

Camila já sentia seu corpo todo pegando fogo, ela odiava e amava quando Lauren começava a beijar seu pescoço, e quando ela começava com aquilo, a morena não terminava com aqueles beijos na parte de cima do corpo da latina.

- Lauren...

Lauren soltou um som nasal, mas estava muito concentrada com suas mãos apertando e acariciando aquele corpo sensacional, para prestar atenção em muitas outras coisas. A morena puxou o decote de Camila para baixo e levou seus lábios para as partes descobertas pelo sutiã. Assim que os lábios quentes da namorada tocaram o local, Camila arqueou as costas soltando um gemido arrastado.

Aquele era outro lugar que mexia com a mente das duas.

Lauren soltou uma risada rouca com a reação. Sua mão agora puxava o decote e a parte esquerda do sutiã dando mais liberdade para sua língua percorrer o espaço entre os seios subindo contornando o seio pequeno da latina, chupou e mordeu, já estava indo para o outro lado quando Camila segurou sua cabeça.

Os olhos das duas não negavam o que queriam, mas Camila realmente sabia que elas não poderiam fazer aquilo ali.

Não pela segunda vez.

- Lauren, volte a beijar minha boca. – a morena lançou um olhar cheio de malícia, mas antes que juntassem seus lábios, Camila cortou a emoção da garota. – E somente ela. E suas mãos. – puxou as mãos de Lauren colocando em volta de sua cintura e deu dois tapinhas nelas para reforçar o local. – Elas vão ficar somente aqui.

Lauren bufou e rolou os olhos em tédio.

- Eu odeio quando você faz isso.

Camila levantou as mãos e deu de ombros, não ligando para a opinião da namorada.

- Não posso fazer nada se você fica excitada muito rápido.

Os olhos castanhos brilhavam em malícia e um sorriso cínico enfeitava seus lábios. Lauren apertou com gana a cintura fina da latina grudando seus corpos. Seus rostos estavam a centímetros de distância, os olhos da morena estavam em um tom escuro de verde, ela os semicerrou e abriu um sorriso cafajeste.

- Amor, só de te olhar eu fico molhada. – droga, Camila não aguentava aquilo. Lauren levou seus lábios contra o ouvido esquerdo da latina, deu uma mordida bem na pontinha da orelha e soltou um suspiro, praticamente um gemido antes de sussurrar. – E quando eu te beijo e te chupo, acredite, eu posso praticamente gozar.

Camila tremeu. Sentiu seu corpo inteiro se arrepiar e podia jurar que sua calcinha estava ficando molhada.

- Droga, Jauregui. – choramingou puxando a cabeça da namorada e colando seus lábios.

Lauren riu no início do beijo antes de puxar o corpo de Camila o virando e deitando sobre a toalha. As duas trocaram um olhar cheio de malícia e desejo, mas Lauren só iria continuar se Camila falasse, a latina sabia disso.

Camila revirou os olhos em meio a uma risada.

- Porra, me beija, sua idiota!

O coração de Lauren vibrou em emoção e ela não esperou mais para se deitar entre as pernas da latina e continuar de onde elas não deveriam ter parado.

Mas se elas fossem pegas por algum guarda, Camila ia arrancar as mãos de Lauren com uma mordida e enfiar em sua boca gostosa e tentadora. Ela não passaria a vergonha de ser acompanhada até em casa pelo guarda e ouvir ele relatar o acontecido aos seus pais.

Ela não ia passar aquela vergonha de novo, mas quem ela ia enganar? Ela amava deixar Lauren louca e depois desfrutar do resultado daquilo.

Ela amava aquela idiota.

x-x-x-x

Cambridge, Inglaterra 22 de Julho de 2002.

Aquele dia tinha amanhecida chuvoso para uma semana inteira de sol forte, Lauren tinha passado a semana inteira indo de manhã para a casa da namorada e voltando apenas a noite, mas naquele dia ela poderia dormir lá e só aquilo a deixou saltitando pela casa.

- Bom dia!

Saldou seus pais que tomavam café da manhã, deu um beijo estalado na bochecha da sua mãe e sentou ao seu lado.

- Eu poderia até perguntar o motivo dessa alegria toda nesse horário. – seu pai colocou o jornal que lia sobre a mesa e olhou no relógio, depois olhou para a filha desconfiado. – Oito e quinze da manhã. Camila pelo menos já acordou?

Lauren revirou os olhos com tédio enquanto se servia de café. Ela se negava a tomar chá naquele País.

- Hoje é sábado pai, ela acorda cedo pra correr e cuidar das plantas antes que o sol fique muito forte.

- Eu admiro a Camila. – Clara passava geleia em sua torrada e olhava pensativa para o teto. – Eu só levanto cedo por ser obrigada a trabalhar.

Clara suspirou e mordeu sua torrada. Michael pegou a mão livre da esposa, dando-lhe um sorriso encorajador.

- Quando ganharmos na loteria vamos acordar só depois do meio dia, Clara! – Lauren balançou a cabeça rindo dos pais e recebeu um olhar bravo de sua mãe. – E ainda vamos contratar empregados para limpar a casa, lavar as roupas. – Michael aproximou o rosto da esposa e como se fosse um segredo grandioso, sussurrou. – E empregados para cozinhar.

Clara fechou os olhos, soltando um risada sonora.

Eles tinha um grande e bem frequentado restaurante e por mais que ambos amassem trabalhar com aquilo, ter que cozinhar em casa ás vezes irritava Clara.

- Meu amor, isso é tão prazeroso de ouvir quanto ter um orgasmo.

E então Lauren se engasgou com sua torrada.

Michael e Clara se assustaram, a mulher mais velha bateu nas costas da filha e tentava assoprar seu rosto, mas gargalhava junto com o marido, vendo a filha ficar vermelha.

Quando Lauren conseguiu fugir da morte por engasgo, olhou aterrorizada para os pais e se levantou bebendo água no caminho até seu quarto.

- Pelo amor de Deus, que horror!

Continuou seu caminho entre reclamações e lamentações e a gargalhada de seus pais só aumentava. Ela literalmente não ia sentir falta daquelas conversas, mas sentira muita falta dos bobos dos seus pais.

Era mais de nove horas quando a morena parou com sua bicicleta em frente à casa dos Cabello's. A chuva já tinha passada, mas o céu continuava um pouco escuro. A garota caminhou e tocou a campainha e esperou alguns instantes até Sinu abrir a porta com um grande sorriso no rosto.

- Bom dia, Sinu.

- Bom dia, Lauren Michelle!

Sua sogra a puxou para um abraço, se soltaram e Sinu empurrou Lauren para entrar. Quando a morena estava dentro de casa na frente da mais velha, Lauren sentiu dois tapinhas em sua bunda a fazendo dar um pulinho assustado ouvindo a risada da sogra.

- Camila está na estufa, pode ir lá e ver se ela não morreu enraizada! – Lauren a olhou confusa e ela apertou seu ombro em sinal de apoio. – Ela está focada em alguma coisa que a fez não ter tempo nem para correr essa semana.

Dito isso, Sinu piscou para a menina a sua frente e seguiu caminho em direção a sala, onde a morena a viu se sentar no sofá e prestar atenção na televisão ligada em um canal de fofocas.

Lauren balançou a cabeça rindo e como dito por Sinu, seguiu contente até a estufa que ficava na parte de trás da casa.

Quando atravessou a sala e a cozinha, antes de sair pela porta do local já podia ouvir a linda voz de Camila cantando Michael Jackson. Lauren parou por um momento para suspirar e sentir seu coração bater mais rápido.

Ela amava aquela latina.

Continuou bem devagar até a estufa parando na porta aberta para analisar a namorada que estava de costas.

Camila vestia um vestido jeans na altura das suas coxas e calçava uma bota verde de jardinagem. Os lindos cabelos ondulados estavam presos em um rabo de cavalo, enfeitado por uma fita rosa que formava um lacinho.

Uma mulher fascinante e linda.

Camila estava mexendo em um vaso em cima da grande mesa de madeira no fundo da estufa que estava lotada com outros vasos, alguns instrumentos para mexer na terra e cuidar as flores e tinha alguns vasinhos com pequenas mudas.

-I'm starting with the man in the mirror! I'm asking him to change his ways. - Camila que segurava uma pazinha a balançou no ar, remexendo seu quadril no ritmo da música. - And no message could have been any clearer: - nessa parte a morena riu da latina, que deu alguns pulinhos e jogou a cabeça para trás para cantar bem alto. - If you wanna make the world a better place, take a look at yourself and then make a changeee!

- Por favor, joga no ITunes que eu compro!

Camila tremeu assustada e acabou derrubando a pazinha na mesa e virou para encontrar aqueles lindos olhos verdes a admirando.

Lauren sorriu piscando para a latina. Camila sorriu ainda maior e começou a caminhar sensualmente em sua direção, tirando suas luvas de jardinagem e jogando em cima de um banco que tinha ali perto. Quando chegou na frente de Lauren, Camila segurou eu seu pescoço e colou seus lábios em um selinho demorado, depois beijou suas bochechas e deu uma mordida em cada uma.

Camila amava aquelas bochechas.

- Eu quero te comprar e colocar no meu bolso. – olhou para a morena por cima de seus cílios, com um sorriso falsamente triste. – Eu posso? Por favor...

Lauren fechou os olhos e suspirou, abraçou a cintura da namorada e deitou sua cabeça em seu ombro choramingando.

- Camz, por que você gosta de me torturar desse jeito?

Camila riu e beijou a cabeça da morena sentindo o cheirinho quase de neném em seus cabelos, para então começar um carinho lento entre os fios.

- Eu te amo.

Lauren estava quase ronronando, mordeu o ombro da latina e levantou sua cabeça para olhar em seus olhos.

- Eu também te amo.

Seus olhos entram em um mundo paralelo onde apenas eles existiam. Elas ficaram um bom tempo com sorrisos bobos no rosto e os olhares conversando entre si.

Camila foi a primeira a quebrar aquele, praticamente, feitiço entre seus olhos e puxar a namorada para um beijo carinhoso.

Ao final do beijo, as duas se abraçaram e ficaram acariciando as costas um da outra.

A relação de ambas era assim, elas gostavam de carinho, de atenção, de toques e mais toques. Elas amavam se amar. Era tudo calmo quando deveria, quente e excitante quando deveria, acima de tudo, amoroso sempre.

Elas sabiam apreciar seus momentos juntas, era algo tão importante. Olhares e carinhos que eram apenas delas, com palavras que juravam apenas entre elas.

Lauren, pela segunda vez, estava quase dormindo com o carinho da namorada quando foi desperta pelo cessar dele.

- Eu odeio quando você para seus carinhos! – choramingou formando um biquinho nos lábios.

- Você é muito carente, meu Deus! – Camila apertou a morena em um abraço e depois a empurrou com um olhar desdenhoso. – Já chega de tanto amor, daqui a pouco eu vomito. – limpou as mãos e o corpo teatralmente com uma expressão de nojo. – Só você aguenta isso, eca. 

Lauren abriu a boca desacreditada e quis jogar um vaso vazio na cabeça daquela idiota a sua frente.

- Eu odeio você, Karla.

Camila riu e mandou um beijo no ar para a morena, que fingiu pegar o beijo e jogar no chão, para então pisar. Lauren cruzou os braços, levantou a cabeça e lançou um olhar superior a latina. Camila balançou a cabeça e jogou os braços para cima soltando um risada daquela morena boba.

- Você é muito boba, Lo! Eu quero te morder e arrancar esse seu olhar!

Camila deu um passo na direção da morena que semicerrou os olhos e começou a caminhar para trás. A latina caminhava em sua direção com um olhar predador, suas mãos estavam em posição de garra e ela soltou um pequeno rugido. Lauren bateu com as costas contra a parede de vidro da estufa e se encolheu tentando se proteger. Camila soltou uma gargalhada antes de pular em cima de uma Lauren que soltava gritinhos em meio as gargalhadas.

- Camila! Para, Camila! – sua namorada cobria sua cintura e sua barriga com muitas cócegas, enquanto mordia seu pescoço e suas bochechas. – Camila, sua atentada! Caaamz!

Lauren já estava fraca de tanto rir, acabou se abaixando no chão tentando se livrar daquela leoa. Camila chorava de rir, mal enxergava o corpo da namorada e estava tão fraca das risadas quanto a morena. Em um momento de descuido, Lauren mordeu a coxa de Camila que soltou um grito e se afastou, dando espaço para Lauren correr e pegar a pazinha na mesa apontando na direção da latina.

As duas com respirações falhas, olharam para os seus estados deploráveis.

Camila estava com as bochechas vermelhas e a boca doendo de rir, seu rabo de cavalo estava todo solto e sua franja grudava na sua testa levemente molhada, mas a morena estava bem pior. Lauren tinha sua blusa amassada, os cabelos bagunçados, pareciam um ninho de passarinho, sua pele branca estava toda vermelha e suas bochechas tinham marcas de mordidas. A pobre menina estava toda dolorida por causa daquela descontrolada mordedora de bochechas.

- Você parece que acabou de sair de um briga com um cachorro! – Camila se dobrou de rir, quando acabou de arrumar seus cabelos. – No seu cabelo dá pra morar a família inteira do Pica-Pau e dos passarinhos da branca de neve!

Lauren não aguentou e começou a gargalhar também. As duas riram por muito tempo até se acalmarem.

- Você é louca, Karla Camila.

Lauren tentava arrumar os cabelos cheios de nó, mas estava sendo um trabalho difícil. Ela deveria ter penteado quando acordou.

- Louca por você, querida.

A latina piscou sedutoramente e mandou um beijo no ar.

- Eu não ouvi isso...

Camila tentou piscar novamente, mas se sentiu cansada então apenas deu de ombros e caminhou em direção a mesa onde seus vasinhos estavam.

Lauren sentou no banquinho e ficou um tempo desembaraçando os cabelos e descansando do ataque. Sua pobres bochechas doíam de tantas mordidas que receberam. Camila era uma canibal!

- Sua mãe disse que hoje você madrugou aqui. – a morena comentou depois de um tempo em silêncio.

A latina que já tinha voltado sua concentração para a terra que preparava em um vaso, riu e assentiu. Sem se virar para a namorada, ela respondeu e continuou seu trabalho:

- Eu tenho algumas coisas importantes para fazer aqui e elas demandam muito cuidado.

- Entendi...

O silêncio voltou e Lauren começou a mexer nas folhas de um salgueiro ao seu lado, depois começou a bater a pazinha em sua mão nos vasos das plantas como se fosse uma bateria. A morena estava distraída quando Camila apareceu na sua frente e tirou a pazinha de sua mão.

- Isso não é brinquedo, Lauren Michelle! – Camila colocou as mãos na cintura e lançou lhe um olhar repreendedor. Lauren se encolheu no banquinho e abaixou os olhos. – Você sabe que eu odeio que brinquem com as minhas coisas de jardinagem e mais ainda com as minhas plantas.

- Desculpa, amor...

Camila continuou olhando para a morena até que bufou e voltou para a mesa.

Lauren então a olhou e revirou os olhos, mas se arrependeu quando a latina a olhou e apontou uma tesoura de jardinagem em sua direção.

- Eu sabia que você ia fazer isso, sua idiota! – Lauren prendeu a risada e levantou as mãos em rendição. – Revire esses olhos pra mim de novo e eu arranco eles com essa tesoura! E vou coloca-los dentro de um pote para ficar observando!

Lauren riu e concordou cruzando seu dedo indicador com o médio e os beijado em seguida.

- Prometo, Camz.

Camila riu e sentiu vontade de beijar aquele estúpida de olhos lindos, mas voltou para terminar rapidamente a terra.

- Você pode me dizer o que de tão importante está fazendo?

- Não.

- Não? – Lauren franziu o cenho e cruzou os braços. Se levantou e caminhou em direção a Camila para observar o sorriso sapeca da namorada. – O que tão grandioso tem nisso, Camila?

- É surpresa, amor.

- Par quem?

Camila revirou os olhos e olhou para a morena. Suspirou e deu-lhe um selinho.

- Se é surpresa não posso contar, Lo.

- Te odeio.

Lauren bufou e, infantilmente, pegou um saquinho de sementes que estava sobre a mesa e colocou sobre o vasinho que Camila preparava a terra. A latina deu uma risadinha ao pegar o saquinho e colocar no lugar.

Camila olhou nos olhos de Lauren e sorrindo quase estupidamente para a morena com uma carinha brava, afirmou:

- Eu te amo.

x-x-x-x

Cambridge, Inglaterra, 05 de Agosto de 2002.

Aquela não estava sendo a melhor noite para Camila.

Em dois dias sua namorada iria viajar para os Estados unidos e mesmo a tendo deitada em seus braços, seu coração doía e seus olhos teimavam em querer chorar.

Tantas incertezas e perguntas rodeavam sua mente.

Ela já tinha tomado remédio de cabeça, mas a dor não passava. Sua preocupação a fazia ficar trêmula e seu nervoso a estava deixando enjoada.

Uma lágrima acabou escapando, a latina fungou e suspirou pesadamente. Não ia chorar e correr o risco de acordar a namorada que dormia tranquilamente, mas Lauren já tinha acordado. A morena se sentiu triste e começou um carinho nos cabelos castanhos para tentar acalmar Camila, entretanto surtiu o contrário.

Camila tremeu e soltou um soluço alto antes de começar a chorar de uma forma dolorosa. Lauren levantou desesperada, puxou o corpo que parecia tão frágil para seu colo, abraçando forte a namorada e se segurando para não chorar também. Ela sentia o corpo magro de Camila tremer e seu coração bater tão forte, suas lágrimas caiam sem parar banhando todo o rosto. Lauren tentava secá-las, mas estava sendo inútil então apenas a abraçou e a ninou passando as mãos pelos seus cabelos até sentir o choro ficar mais fraco.

Alguns minutos se passaram até Camila se acalmar, Lauren a deitou com cuidado na cama e correu até o banheiro do quarto para pegar uma caixinha de lenços que entregou, assim que voltou, a latina.

Camila sentou encostando as costas na cabeceira da cama, Lauren estava sentada ao seu lado acariciando a coxa da namorada dando-lhe um sorriso tranquilizador.

Depois da namorada assoar muitas vezes o nariz e limpar o rosto das lágrimas, Lauren pegou os papeis sujos e foi até o banheiro joga-los no lixo, ao voltar colocou a caixinha de lenços em cima da poltrona que perto da cama e recebeu um sorriso fraco da namorada. Se sentou e puxou Camila para seus braços, beijou o topo de sua cabeça e começou um carinho em seus cabelos.

Alguns minutos se passaram até que a morena sentiu que já poderiam conversar.

- Camz, o que aconteceu?

Camila suspirou e se sentiu triste de novo, mas não iria chorar mais.

- Eu apenas deixei tudo sair, Lo. A tristeza, a preocupação, a saudade. – Camila levantou a cabeça para olhar nos olhos preocupados e sorriu, mas sinceramente dessa vez. – Eu tenho guardado muita coisa, eu até consegui segurar por muito tempo!

Lauren soltou uma pequena risada e concordou.

- Sim, mas você não precisa se sentir assim e nem ficar guardando as coisas... Eu não quero te ver triste, Camila.

- Desculpa.

As duas ficaram se olhando por um longo tempo, antes de Lauren se levantar e vestir seu moletom e entregar o robe de Camila.

- Venha, se vista nós vamos lá fora.

Camila olhou confusamente para Lauren que calçava seu próprio tênis.

- O que? O que vamos fazer lá fora essa hora, Lauren?

Lauren se sentou na ponta da cama e pegou a mão da morena.

- Vem, amor, eu quero te mostrar algo. Confia em mim?

Camila olhou em seus olhos e por fim, acabou sorrindo e assentindo.

A latina levantou e vestiu o robe e calçando seus chinelos em seguida. Lauren a observou, se certificando que ela estava bem, então pegou em sua mão entrelaçando seus dedos e juntas caminharam bem devagar pelo corredor da casa. Desceram as escadas na pontinha dos pés e seguiram para a cozinha soltando risadas cúmplices.

Lauren girou a chave e abriu a porta da cozinha puxando a Camila em direção ao jardim.

- Estamos aqui, por quê? Me diga!

Camila cruzou os braços e bateu o pé no chão.

Lauren olhava para ela com um sorriso bobo. Puxou o rosto corado e selou seus lábios demoradamente até sentir a latina relaxar.

- Mais calma?

- Espero que não tenha me trago aqui para me beijar, Michelle.

Lauren riu e negou.

- Eu sei que você é quase uma bruxinha, Karla Camila. – levantou as sobrancelhas e bateu seu ombro ao da latina que soltou uma risada. – Então eu sei que você entende dessas coisas mais do que eu e tudo mais... – a morena começou a se sentir nervosa, mas aquilo era algo que ela queria muito dizer. – Eu sei o que você está sentindo e acredite em mim, meu amor... Eu sinto infinitamente mais. Eu sei que é minha culpa essa situação, eu sei que nossos amigos me acham uma estúpida por não continuar aqui, mas...

Lauren abaixou a cabeça se sentindo envergonha. Camila segurou em seu rosto e levantou sua cabeça olhando naqueles olhos lindos, quase se perdendo.

A morena podia ser linda em qualquer horário e momento, mas com o rosto banhado pela lua e no meio daquele jardim com o vento gelado da noite batendo em seu corpo, ela era a mulher mais linda do universo para Camila, e a latina se doía em pensar que ela estava se culpando e se remoendo de dor. Ela não devia e por mais que Camila sentisse muito, não podia culpa-la.

- Lauren Michelle Jauregui Morgado, nunca mais diga isso. Ninguém pode medir nossa dor e nossas escolhas. – Camila acariciou a nuca arrepiada e sorriu para ela. – Eu sinto por você ter que ir, não posso negar, mas jamais pense que eu a culpo! Nunca. Você é livre para fazer escolhas. Elas são suas e devem ser as certas pra você, meu amor. Eu sei da sua história e sei como tudo isso pode ser doloroso e você só quer uma válvula de escape pra isso. E tudo bem, o mundo não vai acabar. Você não estará indo para Marte ou algo assim, é na América! – as duas riram e Camila suspirou aliviada. – Eu te amo e pronto. Eu penso no futuro? Sim; mas eu sou uma idiota. Entretanto vamos deixar pra lá e o que for para ser, será, Lo. Não se culpe e não queira carregar uma dor que não tem que ser sua.

Camila finalizou sorrindo e dando um rápido beijo em sua namorada. As duas se abraçaram e Lauren se sentiu a pessoa mais feliz por ter alguém como aquela garota maravilhosa.

- Obrigada por tudo, Camz. – acariciou as bochechas gordinhas de Camila. Piscou para clarear seus pensamentos e voltou a pensar no motivo de ter trago a latina ali naquele momento. – Bom, vamos voltar ao plano original! – voltou a entrelaçar seus dedos aos da namorada, se virou ficando lado a lado com ela e levantou a cabeça para olhar na direção da lua nova que iluminava o céu cheio de estrelas. – Olhe a Lua, minha bruxinha.

Camila riu e fez o que a namorava disse.

Lauren no fundo sempre soube que dentro daquela latina havia a essência de uma grande mulher. Mulher conhecedora da natureza e das pessoas. Camila sabia como se orientar em uma floresta, sabia o que identificar quando via galhos quebrados no chão ou apenas pela direção do vento e o comportamento dos animais, ela sabia como plantar e manter flores lindas em seu jardim e ninguém podia negar ser o mais bonito da região. Camila sabia ler as pessoas apenas as observando, ela entendia até mesmo um estranho. O sexto sentido daquela latina nunca falhava, ela sabia quem ter ao seu lado e quem não ter. Pessoa tóxicas nunca conseguiriam a derrubar e nem a prejudicar, ela era uma pessoa abençoada por natureza.

Lauren nunca teria medo de pedir conselhos ou deixar Camila a guiar por um caminho desconhecido. Lauren sabia que Camila não falhava em seus sentidos e naquele momento a morena não queria falhar nos seus.

- Eu conheço você a um pouco mais de três anos, Camz. E desde então eu nunca deixei de aprender, de ficar enfeitiçada e extremamente apaixonada por você. – riram sem tirar os olhos da lua. – E entre as milhares de coisas que eu aprendi com você, uma delas foi entender sobre a lua e seus significados. Bom, estamos na Lua Nova ela é perfeita para início de novos começos, por ser o nascimento da lua. A transição do fim escuridão para a claridade. – Camila e Lauren se olharam no mesmo tempo, a latina ficou com vontade de chorar agradecida por ter a melhor namorada. - Em dois dias eu vou viajar para um vida nova e você vai iniciar uma nova também. Eu desejo que nossos inicios sejam transpassados com tanta intensidade quanto a lua. Eu quero chegar a nossa fase de Lua Minguante, a fase de calma e paz, nosso período de conclusão. – Camila limpou um lágrima que escorreu e voltou a olhar para a lua, fechado momentaneamente os olhos para sentir a brisa gélida e o cheiro de natureza a atingir, abriu os olhos e pediu para um grande superior do universo abençoar aquele momento. – Você mais do que eu entende as fases da lua, das flores e das plantas, você sabe que nada passa por uma única fase ou que as coisas mais bonitas e raras acontecem muito rápido. Tudo passa por um trabalho minucioso.

- Eu sei, Lo.

Lauren então parou de frente a latina, puxou sua mão direita colocando sobre a sua esquerda depois pegou a direita da garota colocando sobre sua própria mão e então, fechou aquele contato com sua mão direita que tremia de nervosismo.

- O que eu quero dizer, Camila, é que nada acontece do dia pra noite e nada termina sem antes do seu verdadeiro fim. Lembra que você me disse que no seu jardim eu só poderia cuidar de um cacto? – Camila assentiu rindo por lembrar daquele dia. – Você me disse que cactos não morrem sem água todo dia. Eles armazenam e com poucas gotas de vez em quando, mesmo que você esqueça, eles vivem por muito tempo. Então, essa nossa ligação está tão forte quanto esses benditos cactos. Eu vou estar na porra de outro continente! E você vai estar aqui, mas amor, a nossa história não vai acabar por isso.

- Ela pode acabar, alguns cactos...

Lauren olhou sério para Camila calando-a, mas então viu o olhar sério e meio triste da latina. Suspirando apertou suas mãos juntas e abriu um sorriso singelo.

- Camila, a lua e o sol formam um eclipse para ficarem juntos, as plantas criam sua própria comida. Eu não quero me preocupar com causas que são maiores que o universo! Eu quero que saiba, que eu realmente te amo, e espero o melhor pra gente e que mesmo que algo ocorra, eu espero nada mais que a maior das felicidades pra você, minha pequena bruxinha.

- Eu também desejo tudo de melhor no seu caminho. – Lauren percebeu quando a namorada a olhou bem nos olhos, mas foi muito mais que um simples olhar, era como se ela lesse a sua alma. Aquele olhar dava certo medo e nervoso na morena. – Caminhos nunca são fáceis, um eclipse acontece em vários cantos do planta a cada dezoito meses... Mas em um mesmo lugar mais de duas vezes demora quase quatrocentos anos. Tem coisas que o tempo não resolve para o bem, porque demora tanto que o que existia já acabou. – Camila piscou e seu olhar ficou mais clarinho e sem aquele brilho que deixava Lauren nervosa. – O que quero dizer, Lo, bom... O que cabe ao universo e ao tempo, só eles podem dizer e resolver, mas muitas vezes acaba não sendo da melhor maneira. – a latina abraçou a cintura da morena que fez o mesmo com ela. Naquele momento seus rostos estavam próximos e uma sentia a respiração quente da outra. – Obrigada por tudo isso, eu te amo.

- Obrigada você, eu também te amo, Camz.

Sobe a luz da lua nova, entre o jardim cheio de vida e rodeada pela brisa do verão, elas se beijaram e selaram seu acordo com o universo.

x-x-x-x

Cambridge, Inglaterra, 07 de Agosto de 2002.

Lauren tinha acordado em um misto de tristeza, alegria e raiva.

Camila não tinha dormido aquela noite e quando o sol apareceu ela chorou.

O avião de Lauren sairia ás sete da noite e sua família, Camila e alguns amigos mais próximos iriam se juntar a morena no restaurante de seus pais para um almoço de despedida.

Ás onze horas, Lauren estava parada em um taxi em frente à casa da latina e ainda não tinha tido coragem de sair do carro. Ela se sentia sufocada e durante o caminho achou que fosse vomitar também.

Respirou fundo e contou até dez umas cinco vezes até finalmente sair e pedir para o motorista esperá-la voltar.

Sentia como se cinquenta quilos estivessem presos em suas pernas por fazer o caminho até a porta tão dolorosamente lento. Quando chegou e teve que tocar a campainha sentiu sua mão trêmula, mas finalmente havia conseguido e agora a espera era torturante. Algum tempo depois, Camila abriu a porta e Lauren quis chorar com o tamanho de sua beleza.

A latina vestia uma calça jeans com bordados de rosas e um top cropped vermelho de crochê, seus cabelos estavam soltos e ondulados do jeito que mexia com a cabeça de Lauren. Um sorriso brilhante enfeitava seu lindo rosto.

Que mulher maravilhosa.

- Oi, Lauren.

A latina a puxou para um abraço apertado, onde Lauren pode sentir seu perfume de flores e desejar poder ficar ali para sempre.

- Oi, Camila.

As duas se soltaram do abraço e trocaram um rápido selinho. Camila se afastou e fechou a porta da casa, para em seguida caminharem de mãos dadas para o táxi.

O motorista as olhou de cima a baixo e sorriu forçadamente antes de voltar a dirigir o carro.

Aquilo fez Camila revirar os olhos com tédio. Lauren riu e passou um braço sobre os ombros da latina, puxando-a para ficaram abraçadas. O caminho estava sendo silêncioso. Nenhuma delas tinha intenção de quebrar o clima tranquilo, porém o rádio começou a tocar 'I Don't Want To Talk About It' do Rod Stewart, no mesmo momento as garotas paralisaram.

Camila sentiu seu corpo inteiro gelar e uma vontade absurda de chorar e quebrar aquele maldito rádio. Lauren sentia o ar faltar novamente, puxava o ar, mas era como se ele não chegasse aos seus pulmões.

I don't wanna talk about it... How you've broke my heart. – O motorista começou a cantar e Lauren começou a rir com tanta vontade de morrer. - If I stay here just a little bit longer! – o homem bateu os dedos no volante muito empolgado com a música. - If I stay, won't you listen to my heart? Oh, my heart! – parou com o carro no semáforo e sorriu pra elas meio envergonhado. – Uma música linda, não é meninas? Minha esposa ama este cantor.

Camila sorriu fraquinho.

- Sim, uma música linda. – respondeu.

Lauren olhou para a namorada e percebeu seus olhos brilhando em lágrimas.

- Camz...

- Não diga nada... – suplicou e inspirou controlando as lágrimas.

Lauren se calou e apenas a abraçou mais forte pelo resto do caminho.

Quando enfim chegaram ao restaurante, conseguiram respirar um ar mais puro. Lauren pensou seriamente que ia morrer sufocada naquele carro.

Elas caminharam de mãos dadas até a entrada, já dentro do local, foram recebidas com imensos sorrisos por onde passavam até avistarem seus familiares em uma mesa ao fundo.

Michael estava ao lado de Clara que limpava suas lágrimas com um guardanapo, Chris e Taylor estavam concentrados tentando fazer figuras com os guardanapos. Ao lado deles estavam Robert, Emilly e Agatha, eram os melhores amigos das duas. Camila sorriu simpática para todos, enquanto Lauren apenas acenou com a cabeça.

Se sentaram entre eles e Michael pediu para o garçom trazer o prato favorito da filha e o vegetariano da nora.

Camila era vegetaria a dez anos, tinha tentado convencer a namorada a seguir aquele caminho, mas Lauren não tinha tanta disciplina.

- E então, Lauren! Preparada para viver sozinha em outro continente? – perguntou, Robert. O rapaz era bem alto, de cabelos castanhos e olhos verdes bem claros como dos da morena. – Espero que não se esqueça de seus amigos.

- Eu nunca vou me esquecer de vocês. – a morena sorriu piscado para o rapaz. – E além do mais eu vou vir visitar vocês. – deu de ombros, entretida mexendo nos talheres da mesa. – Parece que não será dessa vez que vou me livrar de você, Pattinson.

Camila bateu com seu ombro ao da namorada, rindo com o restante da mesa para a expressão de desapontamento da morena e a expressão entediada do rapaz.

Camila conhecia Robert e Agatha a mais de seis anos, Emilly conhecia ao mesmo tanto de tempo que conhecia Lauren. Eles eram um ótimo grupo e ela sentira falta de estar com eles todos os dias. Robert se mudaria no ano seguinte para estudar nos Estados Unidos e viver com um primo, Agatha tinha sido aceita em Oxford, somente Emilly ficaria em Cambridge.

- Ela vai chorar todas as noites com saudades da gente. Essa ai é um frouxa!

Emilly, a ruiva de lindos olhos azuis, provocou a morena que lhe mostrou a língua.

- Por vocês eu não sei, mas por mim, sua mãe querida, ela tem a obrigação de chorar!

Então Clara voltou a chorar mais ainda.

Michael suspirou profundamente passeando com sua mão nas costas da esposa tentando acalmá-la.

- Mãe, por favor...

- Não! – Clara bateu com a mão na mesa e olhou tristemente para a filha. – Minha filha está indo embora para outro continente! Eu tenho o direito de chorar.

- Mãe, nós já conversamos sobre isso.

Lauren se levantou e foi até a mãe se abaixando e segurando em seu rosto. Seu polegar começou a secar as lágrimas, depois ela beijou as bochechas da mãe e sua testa, em seguida a abraçou.

- Vamos sentir tanto sua falta, meu amor.

- Eu sei. – a abraçou mais forte e acabou não aguentando segurar suas emoções. Deixou as lágrimas rolarem e chorou abraçada ali, confortando sua mãe que a confortava. – Eu também vou sentir muito sua falta.

O restante da mesa olhava para a cena com rostos tristes e emocionados. Michael disfarçava limpando as lágrimas, Emilly, Taylor e Chris também choravam. Camila, por sua vez, tremia de chorar. Ela conseguia sentir fortemente toda a emoção daquela mesa, sentiu quando um braço moreno a puxou e notou ser Agatha que a abraçava e junto de Robert a olhavam com um sorriso reconfortante Sorrindo verdadeiramente, murmurou um "Obrigada" aos amigos.

Clara e Lauren se soltaram do abraço e beijaram uma a mão da outra. Depois disso todos secaram as lágrimas e tentaram o máximo se manterem contente pelo restante do almoço.

Robert e Chris começaram uma competição de piadas que conseguiam ser piores do que Camila contava, mas pelo menos todos estavam rindo e esquecendo da despedida que aconteceria em poucas horas.

O almoço acabou uma hora mais tarde, os amigos se despediram entre lágrimas e ameaças da parte de Emilly. Se Lauren não os visitassem ela havia prometido tirar o couro da morena com as técnicas que aprenderia na faculdade de medicina.

- Eu preciso que você passe na minha casa antes de ir buscar suas coisas. – a latina avisou quando elas caminhavam em direção ao outro taxi. – Tenho algo para te presentear.

- Hum, é claro que eu vou, amor.

Lauren beijou a testa da namorada e sorriu.

O caminho para a casa dos Cabello's foi tranquilo e dessa vez sem músicas comprometedoras. Quando chegaram, a morena foi recebida por Sinu e até mesmo Sofia, que estavam levemente emocionadas. Depois de despedias e promessas, Camila levou a namorada para a estufa.

A latina sentia seu coração bater tão rápido que ficou preocupada se ele poderia sair de seu peito.

- O que vai me dar aqui, Camz?

Lauren analisou o local procurando algum presente, mas não havia nada de diferente. Camila soltou uma risada e caminhou até a mesa de madeira de onde pegou um vaso quadrado bem bonito em tamanho mediano com algumas flores dentro.

- Bom, eu passei um bom tempo pensando em um presente para simbolizar sua nova vida lá. – Camila parou com o vaso estendido na frente da morena, sorriu para ela e depois sorriu para as flores. – Então eu pensei em te presentear com algo que tem um significado lindo e pode ser renovado sempre.

Camila entregou o lindo vaso com flores para a morena que estava extremamente emocionada.

- Você é maravilhosamente encantadora, Camila Cabello! Mas como vou levar isso no avião?

- Não preocupe vamos colocar em uma caixa especial, e eu já falei para seu pai. Elas vão chegar bem na América.

- Eu vou morder você, sua coisinha!

A latina juntou suas mãos e sorriu com a língua entre os dentes, começando a se sentir envergonhada.

- Não me constranja, Michelle! – as duas riram. – Eu vou dizer quais são as flores no vaso e os significados. – apontou para a flor mais alta de cor vermelha. - Bom, essas mais altas você conhece são tulipas. Elas são difíceis de cuidar, assim como você, mas são lindas e fascinantes, como você também! – Camila apertou o nariz de Lauren, que ria com lágrimas nos olhos. - A tulipa vermelha é uma declaração de amor, minha declaração de amor e agradecimento por ter me deixado fazer parte da vida de alguém tão maravilhosa, meio cabeça dura e birrenta, mas com um coração gigante e de uma mente e alma brilhantes.

- Não aguento mais chorar! - Lauren ria entre lágrimas. Segurou o vaso com um braço, para poder secar seu rosto com a mão livre. - Eu vou roubar a água do seu corpo, Camila!

- Deixe de ser boba e me deixe continuar minha declaração! – bateu no braço da morena e lançou um olhar bravo para ela, depois suavizou o olhar segurando a sua mão e começado um carinho na palma trêmula da garota. – Bom, essas flores sortidas que parecem pompons são as Áster, elas são tão charmosas e com um cheiro muito bom. Seu nome vem do grego e significa "flor estelar". – a morena abriu um imenso sorriso e admirou junto da latina as lindas flores.

- Um grande significado para a gente, não é?

- Sim! E o significado da flor é puro e bonito. – Camila tocou suavemente nas pétalas, totalmente encantada. – Na verdade ele não é muito claro e concreto, mas significa paciência, lealdade, bons pensamentos e luz. E é tudo o que eu desejo para você e para nós. Que seu caminho seja iluminado e que você sempre esteja acompanhada de bons pensamentos. Para nós, eu espero lealdade, e Lo, quando eu digo isso é totalmente sério.

- Camz... – Lauren suspirou e antes que pudesse falar, foi calda por um beijo de Camila.

- Eu quero lealdade para sabermos o momento de finalizar. Não esconda suas escolhas de mim, nós vamos crescer e mudar mesmo não querendo, mas eu quero que a confiança e amizade que criamos nunca morra por causa de egoísmo e medo. – Camila sorriu e a beijou novamente, dessa vez com mais intensidade. Ela se sentia em paz. – Não esconda seu futuro de mim, Jauregui.

- Não esconda seu futuro de mim, Cabello.

As duas se olharam e se conectaram. Elas selaram seu trato naquela troca de olhares.

- Essa última flor mais pequena e tímida é a Miosótis. – apontou para pequenas flores azuis. – Elas são mais conhecidas por "Não se esqueça de mim". – Lauren arqueou as sobrancelhas e lançou um olhar brincalhão. Camila deu de ombros e riu. – Elas remetem a memórias, na maioria das vezes amorosas. Essas coisinhas preferem climas temperados e é um tanto difícil cuidar delas aqui, quando você me questionou o que eu tanto fazia nos últimos dias, era tentar fazer uma mudinha que eu comprei se adaptar a terra e a temperatura daqui.

- Eu já disse que você é perfeita mulher?! – a morena exclamou, ela realmente queria apertar aquela latina pequena até esmagar de tanto amor.

Camila assentiu em meio a uma gargalhada.

- Você sempre diz isso, Lo. Obrigada.

- Obrigada você. – Lauren apontou para o vaso e depois para seu próprio coração. – Obrigada pelo melhor presente que eu poderia ter ganhado e obrigada mais ainda por ser minha namorada.

As duas se olhavam e se derreteram na mistura de olhos verdes e castanhos. Estava feito. A despedida delas tinha sido realizada e promessas seladas.

Ás seis e meia, Clara já se desidratava de tanto chorar nos braços de Michael.

Camila não conseguia sair do seu abraço com Lauren.

Taylor e Chris olhavam para a cena com pena e tristeza.

O voo de Lauren já tinha sido anunciado e ela teria que entrar no portão de embarque a frente, mas ela ainda tinha uns dez minutos e queria ficar ali, até os últimos segundos.

- Eu te amo, por favor se cuide! Não coma só besteiras, não viva de Fast Food! – Camila passava pela quarta vez, várias e várias instruções a morena. – Se lembre que esses locais matam pobres animais e escravizam pessoas. Não esqueça de se exercitar, Lauren Michelle! Se você ficar com colesterol alto eu arranco suas veias.

- Isso mesmo, Camila. – Clara fungou entre lágrimas, dando um tapa fraco na cabeça da filha. - Coloque juízo nessa cabeça de vento. Se cuide, menina. Se eu tiver que ir te ver em um hospital lá na América, eu mesmo desligo seus aparelhos!

Lauren olhou em desespero para o pai que apenas balançou os ombros. Soltou um murmuro de dor quando foi apertada entre sua mãe e sua namorada.

- Socorro...

Seu suplico fez os irmãos e o pai rirem. Os três se juntaram ao abraço e mesmo fazendo drama, a morena se sentiu feliz e amada, relaxando no melhor abraço do mundo.

Seu voo foi anunciado de novo e todos olharam para a janela de vidro que mostrava os aviões e suspiraram.

Havia chegado a hora.

Lauren se despediu de cada um com o peito lotado de emoções. Prometeu, afirmou, negou e jurou pequenas coisas aos pais e irmãos, quando chegou a vez da latina que abraçava o pequeno corpo e sorria entre lágrimas, Lauren não pensou no local nem nas pessoas apenas a puxou e beijou de jeito mais apaixonado que poderia.

Camila tinha suas mãos na nuca da namorada, que por sua vez abraçava a cintura de Camila. Elas tinham o rosto próximo e aproveitavam qualquer contato de seus corpos juntos.

- Seja feliz, Lo. Aproveite o que tem que aproveitar e viva bem!

- Continue incrível e feliz, amor. – fecharam os olhos e Camila passou seu nariz pela bochecha de Lauren, que sorriu e deu-lhe um selinho rindo. – Eu te amo, e prometo voltar assim que tiver férias e feriados prolongados.

- Prometo que estarei aqui.

- Meninas... – ouviram a voz de Michael, mas não queriam prestar atenção. – Lauren, você realmente precisa ir.

Camila fechou os olhos e apertou mais a nuca de Lauren juntando suas testas. Lauren abraçou mais forte a namorada e controlou suas emoções.

Elas não iam morrer nem nada, estava na hora de ser forte.

- Fique bem, eu ligo assim que chegar.

- Fique bem, Lo. Te amo.

Lauren olhou para os brilhantes olhos castanhos e assentiu.

Elas se soltaram e com pernas bambas, Lauren caminhou em direção ao portão acenando para os amores de sua vida. Olhou diretamente para Camila e sussurrou:

- Te amo, bruxinha.

Camila riu e acenou com mais emoção.

Lauren então viu que tinha que virar e não olhar mais. Com passos mais firmes ela passou pelo portão, seguindo na direção de um mundo de liberdades e escolhas, agora totalmente liderados por ela.

Pela primeira vez desde que decidiu aquilo, sentiu a angústia e o medo pelo grande desconhecido mundo de possibilidades.


Notas Finais


E então? Gostaram?
Até o próximo,beijo!


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