História Esta não é uma história sobre superação - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Tags Vhope
Exibições 51
Palavras 888
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Shonen-Ai, Slash
Avisos: Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 1 - Uma peruca aos acasos


Esfreguei a manga do moletom no meu nariz sujo de pasta de dente e encarei o espelho novamente, tinha alguma coisa bem esquisita lá, em mim. Passei os dedos entre os fios curtos e espetados, levantei minhas sobrancelhas falhadas e ri.

 

Ri mesmo, como ri quem acha muita graça de alguma coisa,  andei aos tropeços até a sala, onde meu namorado comia bolachas e assistia desenho no notebook que a gente deixava ocupando o lugar de uma televisão no buraco enorme da estante.

 

— Ô Seok, —desviei a atenção dele pra mim e sorri— cê não acha que meu cabelo tá crescendo muito desigual? Esse tufo aqui —apontei o canto esquerdo da cabeça— ele é bem mais comprido que os outros, e tem uns mais claros que o normal na minha nuca.

 

Desembestei a rir de novo, enquanto ia até o sofá e deitava a cabeça nas coxas de Hoseok, observando o sorriso incrédulo dele de um ângulo meio estranho.

 

— Você está bonito, Tae.

 

— E você mente demais, Jung.

 

Entramos em alguma discussão boba sobre mentiras e animações da pixar que durou até o fim do almoço. Eu me sentia em paz.

 

Dezessete meses antes esse seria o tipo de dia que eu poderia jurar que jamais teria novamente. Se parar pra pensar, chega a ser engraçada a facilidade que nós temos em perder todas as esperanças e achar que as coisas nunca mais vão tomar um rumo certo… as minhas se foram muito rapidamente, junto com a chegada do meu diagnóstico.

 

Num primeiro momento eu cheguei a destruir boa parte do nosso apartamento, o buraco sem tv na estante é uma prova disso. Hoseok ficou puto da cara quando chegou do trabalho e viu o que eu tinha feito com o aparelho recém adquirido.

 

Se tem uma coisa que me fez amá-lo ainda  mais durante essa fase ruim foi o fato de que o Jung nunca me direcionou uma gota que fosse de pena. Enquanto eu me martirizava e me entupia de doses nocivas de autopiedade, ele se mantinha sincero da mesma forma que sempre foi.

 

Lembro-me de perguntar à ele o porquê desse lance todo ter que acontecer justamente conosco, depois dele passar quase duas horas tentando fazer algo parar no meu estômago. Eu me sentia horrível, e ele sorriu.

 

“Você tá se achando especial demais garoto. Pensa comigo, quantas pessoas vivem nessa droga de planeta? Cê realmente acha que a vida te escolheu a dedo e colocou esse tumor no seu fígado por pura diversão? As coisas só acontecem assim Tae, perca menos tempo se questionando esse tipo de babaquice e procure formas de levar as coisas de um jeito melhor, independente de todo o resto.”

 

Para outras pessoas essa pode ter sido uma fala extremamente rude, mas pra mim era tudo o que eu precisava pra tomar jeito.

 

No começo eu acabei me enfiando num monte de grupos de apoio, depois em um tanto de igrejas. Esses dois métodos não funcionaram muito bem, ouvir os milagres e desafetos de tanta gente me deixava meio deprimido no fim do dia.

 

Então eu passei a assistir todas as peças em cartaz na cidade e viajar pra todo canto que o tratamento me permitisse. Isso sim me tirou um montão da fossa, até mesmo quando eu tive pioras significativas.

 

Sobre Hoseok, eu sabia que ele não era nem de longe tão controlado quanto parecia. Ele chorava para Namjoon ou Yoongi quando as coisas ficavam difíceis, assim como eu também me via em desespero de vez em quando. Mas era como ele havia dito: nós estávamos encarando tudo da forma mais corajosa.

 

As vezes eu me pego pensando em como seria se eu pudesse ver o mundo com os olhos de outras pessoas. Será que ele sentiu tanta dor quanto eu? Muda muita coisa se eu encolher até ficar com o tamanho de Jimin ou ficar com o azar de Namjoon por uns dias? Seria diferente se os papéis se invertessem?

 

Mas essas são só curiosidades bobas de alguém que está tão submetido às vontades do acaso quanto qualquer outro no meio desses sete bilhões. Quanto ao acaso… ele não é tão ruim quanto parece.

 

A verdade é que o tumor foi embora tão subitamente quanto apareceu, mesmo que eu tenha perdido um pedaço razoável do fígado. Os meses de tratamento após a retirada dele não foram fáceis, mas acabaram. E agora, meu cabelo voltava a crescer como um símbolo de que tudo havia passado.

 

— Hoseok? — chamei o moreno praticamente adormecido ao meu lado.

 

— Fala. — ele se remexeu, mas não chegou a abrir os olhos.

 

— Se numa realidade alternativa as coisas fossem diferentes e eu não tivesse melhorado, você continuaria comigo? — ouvi a risada soprada dele antes que se dignasse a abrir um olho só e sorrisse pequeno.

 

— Isso é problema do Taehyung e do Hoseok dessa realidade. O importante é que nós passamos por isso e estamos aqui agora. Não tem nada a ver com superação e sim, com não anular as coisas boas com as nem tão boas.

 

— Mas meu cabelo tá realmente estranho, não é?

 

— Você é todo estranho Taehyung. Agora vá dormir. —Senti ele me segurar com firmeza junto ao próprio peito e sorri até as bochechas doerem.

 

Adormeci enquanto tentava escolher uma cor para por no cabelo assim que ele ficasse um pouco maior.

 


Notas Finais


@DefJBsoul espero que a prova tenha corrido bem

ps: tá entrando umas muriçoca doida aqui no quarto, socorro


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