História Estava escrito - Capítulo 20


Escrita por: ~

Postado
Categorias Carla Diaz, Eliane Giardini, Giovana Antonelli, O Clone
Personagens Ali El Adib, Amin El Adib Rachid, Amina, Augusto Albieri, Carol, Dalva, Daniela Escobar Maysa Ferraz, Diogo Ferraz, Jade Rachid, Khadija Rachid, Latiffa El Adib Rachid, Leônidas "Leãozinho" Ferraz, Lobato, Lucas Ferraz, Ranya Rachid, Said Rachid, Samira El Adib Rachid, Sumaya Rachid, Tio Abdul Rachid, Yvete Simas Ferraz, Zoraide
Tags Abdul, Albiere, Ali, Amin, Bellydance, Carol, Cultura Árabe, Dalva, Dança Do Ventre, Diogo, Ivete, Jade, Khadija, Latiffa, Leônidas, Lucas, Marrocos, Maysa, Mohamed, Nazira, O Clone, Ranya, Said, Samira, Sumaya, Zoraide
Exibições 57
Palavras 3.530
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Crossover, Famí­lia, Romance e Novela

Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Salaam!

Capa: Jade e Lucas ♥

Capítulo 20 - A mensagem


Fanfic / Fanfiction Estava escrito - Capítulo 20 - A mensagem

Dalva estava na cozinha preparando o café da manhã, enquanto conversava com Maysa, que estava a ajudando a pôr a mesa. Jade acordou alegre, olhava aquelas paredes de seu novo quarto e suspirava ao se lembrar do quanto foi difícil chegar até ali, mas o quanto valeu a pena cada sacrifício que fez. Pegou seu véu e o segurava com os dois braços, certamente naquela casa não ouviria nenhuma música que conhecia ou gostava, mas mesmo assim, sem som algum, ergueu o véu nas mãos e passou a girar com ele. O vento que vinha entrando pela janela fazia o véu dançar a medida que Jade o balançava, sentindo a leveza do tecido. Lucas surgiu na porta e ficou a observar Jade ser coberta pelo véu, que exibia apenas seus olhos. Lucas abriu um sorriso e Jade também, ao percebe-lo na porta.

- Foi assim que eu te conheci, coberta, dançando. – Lucas deu um passo, entrando no quarto e dando um beijo rápido na marroquina.

- ... Está bonito Lucas. – Jade sorriu o olhando de cima a baixo, estava com o cabelo arrumado e vestindo-se formalmente.

- É, hoje meu pai vai me levar na empresa. Como nem tudo na vida são flores, vou começar a trabalhar. – Lucas sorriu e coçou os olhos, ele tinha essa mania.

- Logo sua faculdade também voltará as aulas, não é? – Jade tocou no rosto do namorado.

- Sim vai. A propósito, vou procurar saber de uma faculdade de medicina para você cursar. – Lucas beijou a mão de Jade.

- Está bem. – Jade alisava sua mão no rosto de Lucas, quando escutaram Leônidas o chamando.

- Vá descendo para tomar café, eu desço depois. – Lucas deu um selinho em Jade e saiu do quarto.

[...]

Jade desceu as escadas e agora observava melhor a amplitude daquela sala de estar imensa, havia chegado na pressa na noite anterior que nem tinha reparado muito na decoração. Escutou um barulho de água saindo da torneira e lentamente caminhou até o som, que com certeza estaria vindo da cozinha. E realmente estava, Jade adentrou timidamente a cozinha, onde estavam Dalva preparando o café e Maysa arrumando a mesa.

- Bom dia. – Jade falou sorrindo, mas logo diminuiu o sorriso. Dalva nem se virou de frente para olhá-la e Maysa apenas sorriu de volta, sem responder. Jade ficou sem graça e permaneceu de pé na porta, não estava se sentindo confortável para se aproximar e se sentar na mesa onde Maysa estava.

- Está com fome Jade? – Maysa quebrou o silencio, perguntando com um pequeno sorriso.

- Sim, estou. – Jade sorriu sem graça.

- Então venha comer, não precisa esperar seu Leônidas com Diogo e Lucas porque eles ainda vão demorar. – Maysa esticou o braço lhe apontando uma das cadeiras.

- Obrigada. – Jade caminhou e se sentou na cadeira ao lado de Maysa.

- Lucas pediu para fazermos cuscuz, já que vocês comem lá no Marrocos também, não é? – Maysa retirou a tampa do cuscuzeiro. – Pode se servir.

- Comemos sim, shukran. – Jade pegou um prato e colocava seu café da manhã. Dalva estava terminando de lavar a louça quando reparou no que Jade estava fazendo. Dalva se entreolhou com Maysa, que tentou segurar o riso ao ver Jade comendo com as mãos.

- Não quer uma colher, querida? – Maysa debochou, “que coisa de gente pobre”, pensou.

- Não obrigada, minhas mãos estão limpas. – Jade sorriu enquanto levava a comida a boca. Percebeu que as duas estavam a olhando comer e decidiu cortar a “piada”. – Vocês devem achar esquisito me ver comer assim, não é? Eu também estranhei quando fui para o Marrocos e não tinha talher, mas como diz meu tio: Com garfo e faca, todo mundo come, mas com as minhas mãos, só eu como. – Jade sorriu e voltou a comer.

Maysa olhou para Dalva, revirando os olhos. “Que besteira”, a mulher pensou. Pegou uma revista e começou a folhear.

- Você estuda Maysa? – Jade limpou a boca com o guardanapo, ao terminar de comer.

- Sim, porque a pergunta? – Maysa parou a leitura para olhar nos olhos de Jade sem muita paciência.

- Porque eu vou começar a estudar também, e talvez poderíamos estudar na mesma faculdade, porque assim poderíamos ir juntas. – Jade passou a mão no seu volumoso cabelo. – Assim economiza até a gasolina indo para o mesmo lugar.

- Dinheiro para gasolina é o que não falta, querida. – Maysa respondeu querendo se esquivar da aproximação de Jade.

- Você estuda o que? – Jade tentava conversar.

- Decoração. – Maysa respondeu sem tirar os olhos da revista, não estava para conversas. Jade percebeu, respirou fundo, mas tentaria novamente conversar, queria se mostrar simpática.

- Ah, que legal. Eu quero ser medica. – Jade sorriu, mas não tinha a atenção nem de Dalva, nem de Maysa. – Há quanto tempo você namora o Diogo? – Jade colocou os braços em cima da mesa, apoiando a cabeça no braço.

- Tira os cotovelos da mesa menina, que coisa feia! – Dalva deu a bronca e Jade retirou rapidamente, sem graça. Maysa tentou conter o riso.

- Começamos alguns meses antes dele viajar para o Marrocos, ninguém da família nem me conhecia ainda. – Maysa virava as páginas, e falava sem muito ânimo.

- E quando o viu pela primeira vez.... Já sentiu que era amor? – Jade perguntou em tom apaixonado.

- Sim. – Maysa finalmente retirou os olhos da revista e olhou para Jade. – Eu e Diogo temos muito a ver, nós nos complementamos. – Deu um pequeno sorriso, voltando a ler a revista.

- Que bonito. Eu também me sinto assim com o Lucas. – Jade respirou fundo. – Desde o primeiro olhar, eu já senti que o conhecia de vidas passadas. – Jade dizia inspirada, enquanto Maysa respirou fundo, sem paciência para escutar besteiras, sentia uma agonia ao vê-la falar daquela maneira, sobre vidas passadas, até parecia que já foi uma múmia uma vez na vida. Dalva também revirou os olhos ao escutar aquela conversa melosa. – Eu sempre acreditei que ele era o homem do meu destino.

- Jade. – Maysa a interrompeu, não queria ficar ouvindo a história do romance dela com Lucas pela centésima vez. – Não sente falta da sua terra?

- ... – Jade pensou antes de responder, estava tentando ser agradável e se tornar amiga daquelas duas, mas também não era nenhuma boba, e sabia qual era a verdadeira intenção com aquelas perguntas... Queriam afetá-la com aqueles questionamentos... Alá, a paciência de Jade tem limites.

- É verdade, não sente falta do lugar de onde você nasceu? – Dalva agora virou-se de frente, deixando de lado a louça que lavava.

- Aqui é a minha terra, eu sou brasileira. – Jade respondeu firme, chega de ser simpática com aquelas cobras do deserto.

- E quanto a sua família? Vai largar eles dessa maneira? Olha nesse mundo a gente não sobrevive sem a família não hein. – Dalva levantou o dedo.

- Dona Dalva, não se preocupe, vou ter a minha família com Lucas. Eu não sou seca, vou ter meus filhos. – Jade dizia com rosto agora sério. Basta de levar alfinetadas.

- Na sua terra é comum as mulheres fugirem de casa assim? Até mesmo de país? – Jade olhou para Maysa que agora perguntava. – Tudo bem, eu entendo, deve ser ruim mesmo ter casamentos arranjados por interesses, não é? – Maysa a fuzilava com os olhos, mas Jade devolvia o olhar grosseiro.

- Claro que é horrível Maysa, por isso fugi. – Jade colocou uma mecha do seu cabelo atrás da orelha.

- E deixou os seus parentes para trás, sem mais nem menos? – Dalva sabia provocar. Jade entendeu o que elas estavam querendo fazer, mexendo nas suas feridas para Jade desistir e querer voltar para casa, abandonando Lucas.

- Eu não gostei do que fiz, claro que sinto muita falta da minha família, de todos eles. Mas, antes de pensar nos outros, eu tenho que pensar em mim, se eu estivesse lá agora, estaria prestes a me casar. – Jade deixou cair uma lagrima e rapidamente a limpou. – Foi difícil, mas tive que escolher quem eu quero ser e quem eu seria, se tivesse ficado para casar com outro homem que meu tio escolheu para mim!

O silencio foi feito após o desabafo, Maysa e Dalva apenas olhavam com desprezo Jade tentando se justificar pelos seus atos. Jade queria surtar e dizer tudo o que pensava, ela não era de aguentar desaforos, mas sabia que ficaria pior para ela se o fizesse. Era nova naquela casa e deveria se comportar. De longe era a pessoa mais fraca naquele lugar, e como dizia Zoraide: quando se é o lado mais fraco, não se confronta com o inimigo de frente, se esquiva...

Leônidas, Lucas e Diogo vinham descendo as escadas e suas vozes altas despertaram a atenção de Dalva. Rapidamente ela abriu um sorriso e começou a colocar o café nas xícaras, Maysa guardou a revista, a retirando de cima da mesa e agora se ajeitava na cadeira. Jade apenas as observava mudar tão repentinamente. Droga, definitivamente aquelas duas seriam pedras em seu sapato, sem nenhuma chance de amizade. Teria que dar um jeito, pedir para Lucas para morarem em outro lugar, se tiver que aguentar todos aqueles olhares ruins durante seu dia, não aguentaria viver daquele jeito por muito tempo.

- Hoje você vai entender como nossa empresa funciona Lucas. – Leônidas dizia se sentando na mesa.

- Pai, vamos deixar esse projeto de lado, não acho que será bom fazer negócios com os árabes, tem tantos outros lugares mais interessantes para fecharmos acordos. – Lucas se sentou ao lado de Jade.

- Vocês dois podem parar, é hora de comer, não é hora para ficar falando de trabalho. Será possível? – Dalva retrucou enquanto lhes servia.

- Já comeu? – Lucas pegou na mão de Jade.

- Já. – Ela deu um pequenino sorriso.

- O que foi? – Lucas reparou em como seu rosto estava mudado, triste.

- Não foi nada, só senti saudades da minha casa. – Jade dizia brincando com os dedos de Lucas.

- Depois namoram! Deixa o Lucas comer mulher, que ele tem que trabalhar. – Dalva disse separando as mãos dos namorados.

- Depois do trabalho vou ir à casa de Yvette, hora de refazer minha vida. – Leônidas levava a xícara a boca, animado.

- E faz muito bem. – Lucas comentou dando um pequeno sorriso.

- Quem é mesmo Yvette? – Jade perguntou baixinho para Lucas.

- É a namorada do pai, também não a conheço direito, mas parece que se dão muito bem. – Lucas sussurrou de volta.

- Já eu detesto aquela mulher, Oh seu Leônidas a casa já não está cheia demais não? Olha não me invente de trazer essa mulher para cá, ninguém manda nessa cozinha além de mim. – Dalva retrucava.

- Dalva quer parar de encher? Que saco, você é a empregada ou é a dona da casa??? – Diogo falou impaciente, passando a mão no rosto.

- Diogo, isso lá são modos de falar com a Dalva? – Maysa o repreendeu. – Mais respeito!

- Estou com dor de cabeça e Dalva fala alto demais, que saco cara. – Diogo pegou sua xícara, se levantando da mesa.

- Aonde pensa que vai menino mal-educado? – Dalva insistia em falar alto.

- Vou comer na sala, me deixa! – Diogo caminhou para fora da sala de jantar.

- Oh seu Leônidas vai deixar ele fazer essa mal criação na mesa? – Dalva bateu o pé no chão.

- Por favor perdoe esse escarcéu todo, essa família só tem gente doida. – Leônidas se desculpou olhando para Jade, que assistia aquela cena.

- Está tudo bem, casa cheia é assim mesmo. – Jade sorriu simpática, gostava de Leônidas.

- Sua casa no Marrocos era assim também? – Leônidas sorriu curioso.

- Era sim, e olha que não tinha nenhuma criança. Só os filhos do tio Ali que de vez em quando iam lá. Mas a casa era toda barulhenta. Hahaha. – Jade suspirou ao lembrar, sentiu saudades e parecia conseguir ouvir os gritos costumeiros dos moradores.

- É, tem umas criadas lá que tem mania de gritar, né? – Lucas sorriu se lembrando de Karima.

- É sim. Hahaha. – Jade colocou a mão no rosto, cobrindo o sorriso.

- Acho que então vai gostar da Yvette, ela é muito animada. – Leônidas disse com carinho ao pensar na mulher.

- Animada, sei... – Dalva tinha cara feia, querendo dizer outro nome...

[...]

Diogo estava comendo na sala, enquanto via televisão, quando a campainha tocou. Deixou a xícara na mesa e foi atender, pois Dalva estava berrando tanto na cozinha que nem escutou baterem na porta.

- Albiere. – Diogo sorriu abrindo a passagem.

- Como vai meu filho? – Albiere abraçou o rapaz.

- Um pouco cansado. Entra ai. – Diogo fechou a porta.

- Vocês já estão de saída? – Albiere perguntou vendo Diogo vestido.

- Estamos terminando de comer, está servido? – Diogo pegou sua xícara novamente.

- Não, eu já tenho que voltar para a clínica também. Mas antes, gostaria de falar com o Lucas. – Albiere juntou as mãos.

- Ah tá, venha. – Diogo acompanhou Albiere até a mesa onde todos estavam comendo.

[...]

- Albiere, quanto tempo. – Lucas se levantou da mesa indo abraçar o padrinho. Os presentes pararam de comer para olhar o homem que chegara.

- Chegou bem de viagem? – Albiere segurava os ombros de Lucas.

- Cheguei sim. Sente aqui. – Lucas apontou uma cadeira, voltando a sentar no seu assento. – Padrinho, está é Jade. – Lucas a apresentou, mas Albiere não parecia contente.

- Está tudo bem? – Leônidas perguntou para Albiere, enquanto Dalva lhe servia uma xícara de café.

- Na verdade, vim conversar sobre Ali. – Albiere disse olhando para Jade, que ficou com os olhos marejados ao olhar para o homem. Lucas se ajeitou na cadeira, preocupado.

- O que houve com o Tio Ali? – Lucas perguntou.

- Ele está louco atrás da sobrinha dele. – Albiere tinha rosto triste. – E eu estou indo no Marrocos contar a verdade.

- Como assim? Que verdade? – Leônidas se interessou no assunto.

- Que Jade está aqui no Brasil, com o Lucas. – Albiere respondeu, respirando fundo.

- Mas como assim? Sua família não sabe? – Leônidas perguntou para Jade.

- ... - Jade permaneceu em silêncio, com lagrimas descendo dos olhos. Doía pensar em tudo o que poderia estar acontecendo no Marrocos... Zoraide, Ali e Latiffa... Sentiu pena até mesmo ao lembrar do rosto de Mohamed...

-  Albiere não faça isso, por favor, não podem saber que ela está aqui, senão vão vir busca-la! – Lucas explicou com as mãos.

- Lucas, vocês saíram fugidos do Marrocos, ele tem que saber onde ela está. Não estou dizendo para ela voltar para o Marrocos comigo, mas eu tenho que dar a notícia do seu paradeiro. Ele está procurando por ela pelo deserto inteiro, revirando a cidade, já chamou até a polícia, isso é muito sério. – Albiere estava aflito.

- Como está o tio Ali? – Jade perguntou segurando sua pedra, apreensiva.

- Muito mal, acha até que algum beduíno carregou você embora. De tudo se passa na cabeça dele. – Albiere respondeu. Jade levou as mãos na cabeça nervosa.

- É, sendo assim, é essencial avisar, a família não pode ficar aflita aguardando respostas, mesmo que ela não vá com Albiere, ao menos eles terão certeza de onde ela está. – Leônidas cruzou os braços.

- Mas se souberem que ela está aqui, vão nos castigar. E as chibatadas Albiere? – Lucas ficou nervoso.

- Ai misericórdia! – Dalva disse aflita. – Aonde você foi se meter hein Lucas?

- Relaxa Dalva, ninguém vai dar chibatada em ninguém, estamos no Brasil e não no Marrocos. – Diogo respondeu com as mãos no bolso. – As leis daqui não permitem esse tipo de coisa.

- Mesmo assim, isso significa que nunca poderão pôr os pés naquela terra novamente, senão morrem. – Maysa comentou com desdém. Detestava aquela história toda.

- Mas o que irão fazer com ela? – Lucas perguntou.

- Nada Lucas, ela não é menor de idade, não está sob a responsabilidade de ninguém. – Diogo disse tocando em seu ombro, tentando acalmar o irmão. – Estão seguros aqui, o máximo que a família de Jade pode fazer é se conformar.

- Conformar não, vão amaldiçoa-la. Você nunca mais vai poder voltar para casa Jade, as portas estarão todas fechadas para você. – Albiere a avisou. Jade limpou as lagrimas que caiam de seu rosto.

- Eu sei, eu sempre soube disso, sabia que esse dia chegaria, desde quando eu tentava fugir pelas primeiras vezes, uma hora isso iria acontecer. – Todos na mesa olhavam para ela, enquanto falava. – Mas diga para minha família que eu estou bem, que não se preocupem comigo, eu estou feliz, estou onde queria estar, onde lutei tanto para ficar. – Jade abriu um sorriso em meio as lagrimas. – Eu sei que perdi todos ali para sempre, mas mande um beijo a cada um por mim. – Jade tocou na mão do velho Albiere. – Vá por favor, é melhor mesmo contar, eles têm que saber que eu segui e escrevi o meu próprio destino.

- Que bom que entenderam, porque eu iria avisar para Ali com ou sem a concordância de vocês. – Albiere respirou fundo. – Ali é meu amigo há muitos anos, e está sofrendo muito, mal consegue dormir.

- Meu Deus, isso é horrível. As coisas não deveriam ter sido dessa forma. – Leônidas balançou a cabeça indignado.

- Mas pai, juro que tentamos, mas eles estavam irredutíveis, era isso ou nos separarmos para sempre. – Lucas dizia tristonho.

- Eu sei, mas fico pensando se fosse com você. Eu também não concordei no começo, e sofreria se você um dia fugisse dessa casa e nunca mais aparecesse. – Leônidas respondeu, e dessa vez Dalva ficou triste, começando a entender aquela história toda.

- Vocês deveriam ter pedido a minha ajuda, eu alertei que as coisas não podem ser feitas sem ter um planejamento. – Albiere dizia triste.

- Albiere, você mesmo concorda que esses muçulmanos são radicais demais. Que as vezes eles tapam os ouvidos de uma forma que chega a ser ignorância pô. – Diogo comentou.

- O pior de tudo é que eu sei, eu entendo que se Ali tivesse concordado com Lucas se casar com Jade desde o início evitaria toda essa situação de agora. – Albiere tomou um gole do café. – Eu não estou do lado de nenhum dos dois, todos estão errados, o homem é civilizado e racional quando conversa, quando entra em acordo, afinal ele tem boca para falar, não é? – Albiere sempre filosofando como doutor.

- Eu concordo. – Jade dizia limpando as lagrimas. – Concordo que tudo se tornou muito difícil para todos nós, e a essa hora toda a Medina sabe que eu não estou mais lá, para se casar com Mohamed amanhã. – Jade respirou fundo. – Mas eu não me arrependo do que fiz, porque se não tivesse feito estaria chorando no meu quarto essa hora, indo ter uma vida com um homem que não escolhi. Ninguém ali me ouviu ou pensou em mim.... Eles até pensam que fazem o melhor para mim, e talvez aquilo realmente dê certo com uma mulher que nasceu naqueles costumes, como deu muito certo com minha prima Latiffa e Said, mas comigo... que nasci e cresci no Rio de Janeiro, como poderia aceitar as leis de um novo mundo, sendo que vivi a vida inteira em outro mundo? – Jade olhou para Lucas. – Se estava escrito que seria assim, quem pode lutar contra o destino? Estava escrito... – Lucas se aproximou e Jade apoiou a cabeça no seu ombro.

- Está bem Albiere, vá e se puder mande notícias. Mas, por favor, deixe claro que Jade vai se casar comigo, e se eles a querem de volta, terão que aceitar. – Lucas disse firme.

- Sim, eu irei amanhã. – Albiere terminou o café.

- Bom, agora que as coisas aos poucos estão se resolvendo, vamos voltar para o nosso dia-a-dia. – Leônidas se levantou. – Diogo, Lucas se apressem. Ainda vamos para a empresa.

- Tô dentro, deixa só eu dar uma carona pro Albiere. – Diogo pegou no ombro do padrinho que se levantava da mesa.

- Claro que sim. Obrigado por avisar. – Leônidas, Albiere e Diogo diziam saindo da sala de jantar.

Lucas e Jade continuaram sentados na mesa. Jade permanecia com o rosto triste.

- Podem nos dar licença, por favor? – Lucas perguntou olhando para Maysa e Dalva.

As duas se retiraram, indo para a sala de estar, desgostosas.

[...]

- Eu não disse Dalva, ela é mesmo foragida! – Maysa sussurrou.

- Que horror, o pior de tudo é que essa história ainda está muito mal contada. Toda hora aparece fatos novos, daqui a pouco vão dizer que ela era ladra lá nas Arábias. – Dalva sussurrou zangada.

- Ela pode até se vestir de santa, mas nunca acreditei nesse jeitinho meigo dela. Sério, não dá um nervoso só de olhar aqueles dois nesse romance sem sentido? – Maysa revirou os olhos, cruzando os braços.

- O pior é que ela enfeitiçou mesmo meu menino, você viu? Ele falando de casamento, não namora nem há um ano e já quer casar? Mas será o benedito? – Dalva bateu o pé.

- Eu só sei que a minha paciência está acabando, não vou aguentar essas aventuras imbecis por muito tempo não, ou ela sai dessa casa, ou eu saio. – Maysa se sentou no sofá aborrecida.

[...]


Notas Finais




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