História Estava escrito - Capítulo 21


Escrita por: ~

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Categorias O Clone
Personagens Ali El Adib, Augusto Albieri, Carol, Dalva, Daniela Escobar Maysa Ferraz, Diogo Ferraz, Jade Rachid, Latiffa El Adib Rachid, Leônidas "Leãozinho" Ferraz, Lobato, Lucas Ferraz, Said Rachid, Tio Abdul Rachid, Yvete Simas Ferraz, Zoraide
Tags Abdul, Albiere, Ali, Bellydance, Carol, Cultura Árabe, Dalva, Dança Do Ventre, Diogo, Jade, Latiffa, Leônidas, Lucas, Marrocos, Maysa, Mohamed, Nazira, O Clone, Said, Yvete, Zoraide
Exibições 23
Palavras 2.111
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Crossover, Famí­lia, Romance e Novela
Avisos: Insinuação de sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Salaam!
Bom, o capítulo saiu bem pequeno porque eu não aguentei esperar e quis postar essa parte de hoje, que mostra do núcleo Árabe dos personagens marroquinos, que eu tanto amo!

Como vocês estão vendo meu querido Tio Ali na capa <3

Nem vou mais perder meu tempo pedindo comentários dos leitores fantasmas, porque sei que a minha fanfic só tem leitores assim (infelizmente). Aproveitando para mandar um beijo para a leitora ~NowhereUnnie , que é uma das razões para eu não parar de escrever essa fanfic, que particularmente e modéstia a parte, eu amo de paixão mas que dá um trabalho primoroso para escrever...

Mudei também a capa da fanfic, e sem mais delongas vamos a leitura s2

Capítulo 21 - Acordo desfeito


Fanfic / Fanfiction Estava escrito - Capítulo 21 - Acordo desfeito

Somente a quietude do segundo andar, e o silencio do vento puderam aquietar a mente do velho sábio por pouquíssimos minutos. Ali estava encostado no parapeito, as linhas de expressão que cobriam sua face não escondiam a preocupação do homem. Seus olhos percorriam a vista das tinas de tingimento do couro e as mulheres lavando suas roupas, enquanto cantavam, a procura de respostas: como foi errar daquela maneira? Ou melhor, em que errou? Seu coração até agora não conseguia entender o sumiço da sobrinha, tudo aquilo não passava de uma miragem ruim. Miragem que já estava tomando vários dias, assim como a paciência de uns e a esperança de outros.

- Sid Ali... – Zoraide surgiu atrás. – Sid Abdul chegou... Com Mohamed e Nazira, estão para derrubar os pilares do céu lá em baixo...

- Eu já vou. – Ali dizia olhando para um ponto fixo, observando o nada.

- .... Seus homens não encontraram ela? Nenhuma pista? – Zoraide perguntou tristonha já sabendo da resposta.

- Não, nem a polícia.... É como se, a terra tivesse aberto um buraco e sugado Jade para baixo.... Não está em lugar nenhum. Não me surpreenderia se ela não estivesse mais no Marrocos. – Ali respirou fundo.

- .... Vamos descer Sid Ali, vamos tomar um chá, precisa se aquietar um pouco. – Zoraide detestava ver a expressão de derrotismo no rosto do seu amado.

- Não há chá suficiente para acalmar meu pranto Zoraidinha. – Ali se virou de frente, com o rosto abatido.

- Alá... Porque Alá está fazendo isso conosco Sid Ali? Com o senhor... que sempre faz tudo tão certo e procura ser justo. – Zoraide não suportava mais ver aquela agonia tomar de conta da casa.

- Não culpe Alá pelos erros dos homens, Zoraide. Ninguém nasceu com as mãos amarradas, todos somos livres para tomar nossas decisões. Mas, é da natureza dos homens fracos se consumirem em mal-feitos e depois dizer que Alá escreveu assim... – Ali colocou a mão no ombro de Zoraide.

- Eu sei... – Ela baixou as vistas, cabisbaixa.

- Vamos descer, e não repreenda as palavras de Abdul, Mohamed, Nazira e Said, no lugar deles, também não sei o que faria... – Ali fez uma pausa dramática ao dizer, e saiu da varanda, descendo as escadas para o andar inferior onde estavam os parentes.

[...]

- Acabou, quero dizer que acabou a espera! Aquela Odalisca não volta mais, ela se foi para sempre do Marrocos! – Nazira gritava em pé no meio da sala de estar da casa de Ali.

- Lala Nazira não pudemos desistir de procurar Jade tão cedo. – Latiffa dizia aflita, sentada no sofá enquanto era abraçada pelo marido Said.

- Não! E mesmo que ela apareça pintada de ouro e em cima de um tapete mágico, eu não aceito mais esse casamento! Alá, é só o que me faltava! – Tio Abdul dizia tremendo as mãos.

- E nem Mohamed quer! – Mohamed ergueu a mão ao falar, revoltado em ter sido largado dias antes do casamento como se fosse algum monstro.

- Mohamed.... Você está sendo injusto Mohamed! – Latiffa se sentou direito no sofá. – Podem ter carregado Jade, ela mal falava árabe, algum beduíno carregou ela para um harém no meio do deserto e ela não conseguiu achar o caminho de volta. – Latiffa levou a mão no rosto, contendo as lagrimas.

- Laa, gazela, laa! – Said que estava a seu lado interveio em defesa do irmão. – Ela foi porque quis, fugiu do casamento com meu irmão, desonrou a família toda, arrastou nossa cara pela Medina. – Said levantou o dedo.

- Mas, habibi, um ladrão que levou ela, tenho certeza! – Latiffa dizia com convicção, até sabia o nome do ladrão... Era Lucas.

- Latiffa, olha para mim Latiffa. – Mohamed pôs a mão no peito. – Eu sei que você quer defender a honra da sua prima, mas tudo está contra ela. Vai me dizer que um ladrão entrou aqui e a raptou...? Alá do céu, e ele levou inclusive as roupas do guarda-roupa dela? E porque não levou Karima também? Ela estava aqui em baixo na cozinha, Jade quem estava no segundo andar “dormindo”. – Latiffa olhava Mohamed falar, com o rosto choroso. – Não adianta tentar esconder por debaixo do véu a verdade, ninguém aqui vai ser feito de idiota, mas do que já foi feito.

- Mas, ... – Latiffa tentou falar quando Nazira a interrompeu.

- E Said disse que Zoraide quem recebeu o aviso de Jade alegando que Latiffa tinha chamado ela para ir ajudar a cozinhar para comerciantes que nunca sequer existiram! E justo nesse dia, Jade desaparece... – Nazira balançou a cabeça. – Não é muita coincidência para um dia só? Hein? Responda Odalisca!

Latiffa não tinha com o que responder, Zoraide que estava a seu lado de pé, apenas balançou negativamente a cabeça, elas duas tinham quase certeza que Jade fugiu com Lucas.... Já estavam protegendo Jade não contando a verdade que sabiam, mas então não poderiam jurar em falso, defendendo o mal feito que viram Jade planejar por várias vezes.

- Não chame minha esposa de Odalisca Nazira, Latiffa não teve nada a ver com isso! Quando Jade fugiu nos fazendo de tapete, Latiffa estava dormindo ao meu lado. – Said defendeu a esposa.

- Não defenda Said, não me venha defender, ela é prima! – Nazira a apontava com o dedo. – Basta uma fruta estragada para infectar as outras e deixar todas podres.

- Safi! – Ali entrou no ambiente com o rosto zangado. – Não desconte sua raiva em Latiffa, Dona Nazira! Eu compreendo a vergonha que nossas famílias estão passando, mas não coloque Latiffa no mesmo saco de areia que Jade. – Ali disse firme defendendo a sobrinha correta.

- Mas as duas não deixam de serem suas sobrinhas, hein Ali. – Abdul dizia o olhando com desconfiança.

- Eu sei que Jade fez mal, mas eu defendo minha sobrinha Latiffa porque agora tive certeza que Jade fugiu porque quis... – Ali respirou fundo.

- Como assim tio? Como tem certeza que minha ex-noiva fugiu de Mohamed? O que sabe? – Mohamed perguntou com interesse na resposta.

- Acabei de vir do meu escritório, tirei minha última dúvida: ela pegou do meu armário seus documentos e o passaporte. Ela fez esse engenho sozinha. Ninguém a ajudou a mexer nas minhas coisas. – Ali abaixou as vistas, sobre os olhares de todos os presentes.

- Sozinha não, ela estava tomada por um gênio ruim. – Nazira comentou desgostosa.

- Mas, agora que sabemos a verdade eu exijo que respeitem a minha família! – Ali ergueu a voz. – Ninguém aqui ajudou ela a fugir, minha família sempre foi limpa de pecados.

- Ah... tô vendo.... – Abdul resmungou.

- Abdul...! Do que você está nos difamando? Eu duvido você me apontar algum erro dentro da minha casa, que Alá nos amaldiçoe se alguém tentou ajudar aquela ingrata! Essa pessoa vai arder no mármore do inferno junto com aquela infiel e os possíveis desvirtuados que tramaram junto com ela! – Ali bradou.

- Deus me livre... – Zoraide ergueu as mãos no rosto, sua alma estava ao menos aliviada, porque dessa vez realmente Zoraide não ajudou e nem sabia de nada.

- Wakha. – Abdul se aquietou. – Se você está dizendo... Alá sabe, Alá tudo vê.

- Sim, Alá tudo vê, e por isso estou tranquilo e com a cabeça de pé, pois no dia do Juízo minha língua não vai testemunhar contra mim, porque estou falando a verdade. – Ali dizia com orgulho.

- Tio, eu sinto muito por tudo isso, sei que o senhor não tem culpa. – Mohamed respirou fundo.

- Mas, eu faço questão de devolver todo o dinheiro. Eu estou tão envergonhado perante vocês. – Ali se sentou no sofá, angustiado.

- Eu vou desfazer minha loja no Brasil, hoje mesmo ligo para o primo Mustafá e desfaço o acordo.  – Mohamed abaixou as vistas.

- Oh Mohamed, sua loja novinha... – Zoraide lamentou.

- Laa, Zoraide, laa. Tudo estava pronto para eu viver minha vida com Jade, mas agora não quero contato com o Brasil, acho que é um aviso do destino, para não me aproximar de estrangeiras... – Mohamed balançou a cabeça. – Quero ficar em Fez mesmo, me casar com uma mulher que conhece a religião e os costumes.

- Falando em esposas, acho que Said – Nazira foi interrompida pelo irmão.

- Nazira nem ouse abrir a boca, eu não vou me separar de Latiffa. – Said dizia se levantando do sofá raivoso.

- A prima da fruta estragada vai te gerar filhos estragados, não seja burro Said! – Nazira ergueu as mãos.

- Alá! – Said fechou os punhos se contendo para não bater na irmã.

- Said! – Mohamed interveio tocando no seu peito. – Qué isso meu irmão, se acalme. – Mohamed tentou apaziguar, Latiffa também segurou na mão do marido, tentando o acalmar.

- Me perdoe Tio Ali. – Said levou a mão no rosto, envergonhado por todo aquele espetáculo na casa alheia... – Vamos embora Gazela.... Sua benção tio Abdul. – Said pediu ao velho homem, já se retirando com a esposa, que caminhava enquanto colocava o véu, nervosa.

- Olha aí, estão vendo??? Está cego, aquela Odalisca costurou os olhos do meu Said, ele fica ao lado dela e contra mim!? – Nazira esperneou.

- Nazira, por favor Nazirinha, vamos embora. Chega de tempestade na casa dos outros, vamos sim? – Mohamed acudia a irmã que fazia o maior drama do mundo.

- É melhor mesmo irmos todos embora. – Abdul se levantou do sofá. – Até mais Ali... – Abdul se retirava com os sobrinhos que iam gritando no caminho até a porta.

Zoraide os acompanhou até a saída, se desculpando. Ali permaneceu quieto no sofá, se sentia desmoralizado. Karima lhe trouxe o seu narguilé, mas hoje, Ali não estava com vontade de fumar.

- Yalah Karima! – Zoraide adentrou a sala expulsando Karima de perto, embora foi em vão, Karima estava por dentro de tudo o que se passava naquela casa, pois, sempre escutava as conversas pelos vazados do muxarabiê na cozinha. – Sid Ali... – Zoraide se aproximou timidamente.

- Ela tinha uma vida inteira para viver aqui Zoraide.... Poderia revirar o Marrocos inteiro, não existe noivo mais manso e compreensivo que Mohamed. – Ali segurava as lagrimas. – Eu tentei, dei o meu máximo, dei um noivo perfeito para aquela ingrata sentar bem em cima do meu coração. – Aquelas palavras doíam em Ali e em Zoraide.

- Eu sei Sid... Ela não tinha razão... – Tudo doía ainda mais em Zoraide que sabia da história inteira, mas de que serviria contar tudo para Ali agora? Ele só ficaria mais desgostoso e com ódio de Jade e Lucas. Poderia até acontecer uma desgraça se ele descobrisse tudo... Se aquilo caísse no conhecimento da Medina, nem Said poderia defender Latiffa da ira de Abdul, e seu casamento seria desfeito sem ela ter feito nada de errado.

- Como isso tudo aconteceu debaixo do meu teto e eu não vi? Alguém ajudou ela Zoraide, qual o sentido de fugir da família se não tiver um lugar para ir? – Ali dizia inquieto. – A culpa foi minha! – Ali choroso dava tapas em seu próprio rosto.

- Laa, Sid Ali, pare! – Zoraide segurou as mãos do seu senhor, sabia que ele não tinha culpa, Jade arquitetou tudo muito bem feito, Ali jamais iria descobrir todos os encontros escondidos dela com Lucas, seja nas Ruínas, ou por telefone...

- Aquela ingrata! Que Alá diminua os dias dela! Que o vento a arrebate e ela fique sem casa e sem pouso! – Ali lançava maldições enquanto chorava. – Que ela morra afogada nas próprias lagrimas!

- Sid... – Zoraide levava as mãos no rosto lamentando toda aquela situação... Alá, que inferno era aquele que estavam vivendo?

- Ela nunca mais vai ter seu nome pronunciado nessa casa, eu proíbo de falarem naquela cobra traiçoeira! – Ali limpou as lagrimas sem muito cuidado, passando a mão forte no rosto.

- Sim Sid... ela com certeza vai se arrepender muito de ter deixado um Tio como o senhor para trás. – Zoraide não conseguia ver um futuro bonito para Jade ao lado de Lucas, só previa desgraças.

- Ela cuspiu em cima de mim.... Eu cuidei dela, a acolhi quando a esposa de meu irmão Faride morreu para ela fazer isso com o meu teto!? – Ali estava inconformado com tamanha ingratidão e burrice.

- Procure se acalmar Sid, não pense mais em Jade, ela seguiu o destino que quis seguir... – Zoraide dizia lhe estendendo uma xicara de chá.

- Quem tenta escrever em cima da escrita de Alá, só tem a sofrer nessa vida... – Ali levou a mão no rosto. – Ah....! Porque Zoraide???

Zoraide estremecia com o sofrimento do homem que amava, e se esquecendo de todas as formalidades que uma criada deve ter, puxou Sid Ali para um abraço. E assim ficaram, a noite inteira em consolação...

[...]



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