História Estou Aqui - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags Amizade, Bromance, Shortfic, Yoonmin
Visualizações 4
Palavras 4.445
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Colegial, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá!

Demorando mais tempo do que eu imaginei que levaria para postar, me perdoem.

Não fiquei muito satisfeita com esse capítulo, mas é uma parte importante para o andamento da história. Por favor, aproveitem a leitura :)

Capítulo 2 - Capítulo 2


Meus olhos se fixaram na figura de cabelos negros que me encarava com intensidade. Seu semblante transmitia uma emoção contida que eu não soube interpretar direito. Minha respiração estava ofegante e meu coração batia descompassado em meu peito devido ao esforço que fizera, mas eu sabia que esse não era o único motivo. Senti o sangue subir para o meu rosto, deixando-o ainda mais vermelho. Abri a boca para responder, contudo, nenhum som foi transmitido. Meu corpo sofria com as consequências de ter sido visto enquanto se expressava, a vergonha tomando conta de mim enquanto eu tomava consciência de que estava sendo observado - o que era óbvio que aconteceria, uma vez que eu invadira aquele lugar sabendo que havia mais alguém ali.

Fiquei surpreso ao constatar que o garoto à minha frente era o mesmo que vira naquele dia mais cedo, Min Yoongi. Eu decerto não esperava encontrá-lo em uma situação como aquela. Ele, no entanto, não parecia me reconhecer - o que não era, nem de longe, ruim. Talvez eu pudesse simplesmente dar meia volta e sair, e ele com certeza nunca mais se lembraria de mim. Mas eu não conseguia me mexer, não com seu olhar julgador pesando sobre mim daquela forma.

- Sério, isso foi impressionante. - Os lábios de Yoongi se repuxaram levemente, formando o que eu acreditei ser um sorriso. - Mas, sabe, aqui é a sala de música, não a de dança.

Ele estava me repreendendo, ou talvez estivesse apenas brincando comigo, eu realmente não sabia. Me surpreendi diante o ato, ainda mais quando viera acompanhado de um elogio. Senti minhas bochechas queimarem mais ainda, não sabia o que fazer.

- M-me desculpe. - Gaguejei enquanto inclinava meu tronco para frente. Deveria haver um limite do quanto alguém poderia se sentir envergonhado em um mesmo dia; se eu tivesse que enfrentar mais alguma situação constrangedora antes de me deitar para dormir naquela noite, eu não iria aguentar.

Ouvi risinhos discretos no tempo em que fitava o chão cinza. Aparentemente, o outro achava graça de minha situação.

- Não precisa se desculpar. Eu não me importo, na verdade. - Deu de ombros, o que pude ver ao erguer minha cabeça. - Sinta-se à vontade, é bom não estar sozinho.

A última frase chamou a minha atenção e eu finalmente retornei à posição ereta, mas o garoto não olhava mais para mim. Havia se virado no banco em que estava, voltando a ficar de frente para o piano. Logo, a música voltava a preencher o local quase privado da presença humana, como se nada tivesse acontecido. Eu não sabia se me sentia aliviado ou ofendido por Yoongi me ignorar daquela forma, como se não tivesse acabado de dizer que era bom eu estar ali.

Eu o olhava confuso e ainda extremamente constrangido. Entretanto, não demorou para que esses sentimentos fossem sendo substituídos por admiração genuína. Ao ouvir a música quando ainda estava no corredor, logo reconheci que o pianista possuía talento. Contudo, vê-lo enquanto tocava era fascinante. De onde eu estava, podia ver seu rosto destituir-se de qualquer expressão de emoção, enquanto parecia entregar-se completamente à melodia que tocava. Pude perceber em seus movimentos a paixão que devia sentir pela música. Talvez fosse isso que Tae quisesse dizer ao afirmar que podia sentir meu fascínio pela dança quando eu deixava que me observasse: olhando para Yoongi, era nítido o quanto amava fazer música através daquele piano.

Quando me dei conta, já havia me sentado no chão ali mesmo para observar o garoto. 

 

 


Não sei quanto tempo demorei-me assistindo ao Min praticar. Poderiam ter se passado horas ou talvez apenas alguns minutos quando a música cessou, de repente, e ele se virou. Estava encantado demais pelo talento do outro para me preocupar com o tempo. Eu deveria estar na aula de dança, de qualquer forma.

-  Oh, você ainda está aqui. - Ele parecia levemente surpreso. Seus olhos me encararam curiosos. - Ficou me observando esse tempo todo?

Sim, eu fiquei. Eu deveria me preocupar por ter perdido a noção do tempo enquanto contemplava um completo desconhecido? Não sei, mas o fato de ele ter me perguntado aquilo me fez perceber o quanto o que eu fazia devia parecer estranho. Senti minhas bochechas ruborizaram mais uma vez naquela tarde.

- E-eu... - Desviei o olhar, engasgando com minhas próprias palavras. Deixei um suspiro escapar. -  Você toca muito bem. Não queria te atrapalhar, me desculpe.

- É a segunda vez que você me pede desculpas sem motivos. - Disse. Seu rosto permanecia sem expressão, contudo, eu tinha a leve impressão de que ele estava tentando ser legal comigo. Estava prestes a responder quando notei que iria pedir desculpa novamente; sorri meio constrangido. - A aula de música vai começar logo.

Levantei meu rosto, encarando Yoongi novamente. De alguma forma, entendi o que ele quis dizer com aquilo. Eu não poderia permanecer na sala de música durante as aulas, a não ser que participasse das mesmas. Como não era o caso, precisava ir embora.

- Entendo... - Minha voz saiu em um murmúrio enquanto me erguia do chão acizentado.  Já em pé, bati as mãos em minhas calças para limpa-las.

Fiquei parado, encarando a pele pálida do outro, porque não sabia o que fazer em seguida. Eu deveria me despedir, obviamente. Mas como? Deveria dizer meu nome? Sorrir? Talvez apenas me curvar e sair andando...

Inclinei-me um pouco para frente e depois me virei, pronto para deixar o local. Sua voz, no entanto, fez-me parar.

- Você é muito bom para ficar dançando escondido.

 

 


***

 


          - Sinto muito, Jiminnie! - Fitei a face de Taehyung, que não falhava em exprimir cumplicidade. O outro ficara realmente chateado ao saber do ocorrido e agora tentava me animar. - Mas você não devia se martirizar tanto, com certeza eles irão te aceitar se você voltar hoje.

Estávamos na sala de aula, sentados em nossas respectivas carteiras. Faltavam ainda alguns minutos para o início do primeiro horário e eu aproveitei o tempo livre para contar a Taehyung sobre o desastre da aula de dança no dia anterior. Era sempre bom contar as coisas para Tae; ele era o tipo de pessoa que compartilhava de seus sentimentos com você, como se fosse ele próprio a senti-los. E sempre me fazia rir depois, não me permitindo ficar com os pensamentos negativos. Era um bom amigo.

- Assim eu espero, Tae. - Confessei, deixando um suspiro escapar de minha boca. A verdade era que eu nem sabia se teria coragem de voltar ao clube de dança depois daquilo. A pior parte não era nem eu ter caído, mas ter ido embora daquele jeito. Eu sentia o nervosismo crescer só de me imaginar encarando Jung Hoseok e Jeon Jungkook depois de ter fugido deles. - Mas, me diz, como foi ontem? Decidiram as coisas sobre a peça?

Eu sabia que Tae queria comentar sobre a reunião que tivera no dia anterior com outros membros do clube de teatro, ele não parava de falar sobre o drama que estavam planejando encenar no final do trimestre há quase duas semanas. Seus olhos brilharam diante a pergunta.

- Sim! Já decidimos quase tudo, as audições serão semana que vem. - Contou, empolgado. Sua mão foi até a testa, tirando dali alguns fios do cabelo castanho. - Eu vou participar também, tentarei o papel masculino principal. Jiae também vai tentar. Não para o papel masculino, claro, para o feminino... Seria legal se pudéssemos atuar juntos, não, Jiminnie? - Talvez eu tenha esquecido de mencionar que meu melhor amigo tinha uma pequena (grande) queda pela namorada do capitão do time de basquete. Ambos participavam do clube de teatro há alguns anos, contudo, nunca haviam apresentado uma peça juntos. Sorri para o garoto. - Há apenas um pequeno probleminha: nosso pianista se machucou de alguma forma desconhecida, então estamos sem nenhum no momento. Estávamos pensando em abrir audições também.

Meus pensamentos se voltaram para o jovem de cabelos negros que eu conhecera menos de vinte e quatro horas atrás. Era muita coincidência que Tae estivesse procurando por alguém que fosse como aquele que eu havia "acabado" de encontrar.

- Min Yoongi toca piano. - Soltei. O Kim me encarou, confuso pelo comentário.

- Quem é Min Yoongi?

Abri minha boca para responder, mas fui cortado por um movimento repentino ao meu lado esquerdo. Observei enquanto uma cabeleira ruiva se sentava na carteira atrás da minha, sem perder tempo em sacar o celular e aponta-lo para Taehyung e para mim.

- Eu fui oficialmente expulsa do grupo, literal e figurativamente falando. - A voz de Yoon Sojin era inexpressiva, o que me fez questionar se ela estava realmente triste por não fazer mais parte do grupinho das garotas populares. Foquei meu olhar na tela brilhante de seu telefone móvel, lendo as letrinhas que informavam que a ruiva havia sido retirada do grupo do KaKao Talk.

- Bom dia para você também, Sojin-ssi. - Ergui meu olhar para a garota, esperando para ver ela rolar os olhos. Eu não costumava ser espontâneo assim com todo mundo, por mais que eu quisesse. Mas com a aluna nova, assim como fora com Taehyung, eu me sentia à vontade.

Ao invés de revirar os olhos como eu imaginei que ela faria, a outra abriu um sorriso exageradamente grande e forçado, lançando um alegre "bom dia!" para mim.

- Por quê? - Indagou Tae, que ainda encarava o celular à sua frente. Sojin deu de ombros.

- Acho que elas não gostaram de serem informadas sobre os testes em animais na fabricação de seus cosméticos favoritos, nem dos trabalhos escravos empregados por suas marcas de produtos preferidas.

A garota abaixou o aparelho eletrônico e Tae e eu a encaramos ao mesmo tempo. 

Yoon Sojin era uma pessoa digna de admiração, em minha humilde opinião. Ela era dessas que se recusava a colaborar com quaisquer males de nosso mundo capitalista. Não por pura rebeldia, mas por tudo aquilo ser errado. Sojin era vegan, pois não concordava com o tratamento que os outros animais recebem de nós, humanos. Pelo mesmo motivo, não usava maquiagem ou qualquer produto que pudesse ter sido testado em animais. Também porque não gastaria seu dinheiro, segundo palavras dela mesma, para se adequar aos padrões impostos  pela sociedade. Sim, ela usa shampoo e condicionador, também passa creme hidratante em sua pele, e, em festas ou ocasiões especiais, você poderá encontrá-la usando base ou sei lá o que as garotas geralmente usam - e eu só sei disso porque Tae e eu ficamos curiosos e ele a questionou sobre isso. Sojin apenas não se preocupava em manter-se nos padrões de beleza e tinha cuidado na hora de selecionar quais produtos usaria. Não comprava nenhum tipo de mercadoria de qualquer marca que explora a mão de obra barata de países como China, Tailândia e Vietnã - não que as pessoas em geral tenham conhecimento sobre esse fato.

"Você nunca tem certeza, mas é melhor tentar evitar do que simplesmente aceitar isso como se fosse algo normal", ela me dissera uma vez.

Assim que entrara em nossa escola, naquele mesmo ano, tentou se enturmar com o resto da classe. Entretanto, menos de uma semana depois, Sojin já tentava se aproximar de nós dois, os garotos que não faziam parte de nenhum "grupo". De acordo com a ruiva, nós parecíamos muito mais interessantes do que aqueles outros "jovens hipócritas e sem conteúdo". Mesmo assim, continuou andando com eles - ou melhor, elas, as garotas mais populares de nossa sala. Afinal, a novata chamava atenção com suas madeixas cor de fogo e olhos de mel, por mais que ela não quisesse. E não era como se ela as odiasse.

- Sojin, você assustou as garotas! - Exclamou Tae, arregalando um pouco os olhos. - Deve ter sido um choque para elas, cosméticos e roupas são suas vidas.

- E vão continuar sendo, pelo que parece. - Sojin finalmente revirou os olhos, mostrando seu descontentamento. - Elas provavelmente vão apenas ignorar o que eu disse e fingir que continuam não sabendo de nada.

- Não sejam tão rudes, elas cresceram em uma realidade diferente da nossa. - Comentei. Eu sabia que seria repreendido pelos meus dois amigos, mas não gostava de vê-los falando das outras garotas daquele jeito.

- Está defendendo aquela gente? - A Yoon fixou seus olhos em mim, levando uma das mãos ao coração enquanto fingia uma indignação, eu sabia, maior do que ela realmente sentia. Acabei rindo perante suas feições exageradas. Ao contrário do que se poderia esperar, no entanto, ela continuava, ao que eu pude constatar com agrado, surpreendentemente bonita.

- Não é isso... - Desviei meu olhar, já começando a ficar sem graça. Eu sabia que a garota estava apenas brincando, mas ser questionado daquela forma me deixava incomodado. Isso significava que eu teria que expor minha opinião, o que não era nada fácil para mim, por mais que me sentisse confortável perto de Sojin. - É que... Ah, eu só não acho justo.

Inclinei minha cabeça, encarando o chão. Não sabia se eles tinham entendido que me referia não apenas ao que haviam dito, mas à toda aquela situação, a toda aquela injustiça a que pessoas inocentes eram submetidas. Contudo, o Kim me conhecia. O castanho pareceu compreender perfeitamente minhas palavras não ditas, entendendo para onde meus pensamentos deveriam ter vagado. 

- Tudo bem, Jimin-ah. Nós sabemos que seu coração é apenas bom de mais para este mundo. - Quando levantei minha cabeça, ele tinha um leve sorriso nos lábios. - Apenas tente não tirar a responsabilidade das pessoas ao fazerem algo errado.

E, assim como Taehyung me conhecia incrivelmente bem, eu também o entendia perfeitamente; assim sendo, assimilei sem dificuldades o que ele queria dizer com aquilo.

- Não faço isso.

- Faz sim.

Bufei, indignado. Principalmente porque eu sabia que, talvez - apenas talvez -, tivesse uma possibilidade de, às vezes, eu fazer sim aquilo.

Naquele instante, o professor adentrou a sala. Nós três nos endireitamos em nossas respectivas carteiras, encerrando o assunto por ali. Ou era o que eu pensava, pois ainda pude ver Taehyung se virando para mim uma última vez.

- Você ainda não me contou quem é Min Yoongi.

 

 

 

***

 



 

 

 

Naquela tarde, eu voltei para a sala de música.

Não era minha intenção, à princípio. Apesar do receio de voltar à aula de dança, Taehyung e Sojin me encorajaram, dizendo que eu não podia deixar que o acontecimento do dia anterior me impedissem de fazer aquilo que eu já havia começado: enfrentar meus medos e seguir meus sonhos. A garota de cabelos de fogo ainda me falou que passar por esse tipo de situação, tendo que enfrentar o sentimento de humilhação e superá-lo, seria benéfico para mim. Me ajudaria a passar por cima de minha insegurança. Me rendi perante esse argumento, pois eu não tinha como refuta-lo. Torcia para que suas palavras fossem verdadeiras.

Entretanto, enquanto percorria os corredores da escola à caminho da sala de dança, meus olhos se voltaram para a placa de metal no topo de uma das portas de madeira. Sala de música. Foi automático os meus pés desacelerarem e meu corpo estagnar diante o aposento. A porta estava fechada desta vez, e eu só podia imaginar se o garoto de cabelos negros estaria atrás dela.

Por algum motivo, eu simpatizara com Min Yoongi. Estava curioso para ver suas habilidades com o piano novamente. Além disso, a música que tocava me trazia calma. E havia também aquela frase, "você é muito bom para ficar dançando escondido". Fiquei pensando nessas palavras desde o momento em que foram pronunciadas pelo outro logo depois de eu me despedir; afinal, não tinha como ele saber. Mas se me perguntassem naquele momento, responderia que o que me fizera adentrar a sala fora o pedido de Taehyung, para quem eu havia contado superficialmente sobre o encontro anterior com o pianista e quem, tão logo terminara de ouvir o relato, implorara para que eu fosse falar com ele e visse o que conseguia.

Assim que abri a porta, meus ouvidos se encheram com o já conhecido som do piano. Apenas mais alguns passos e pude avistar a figura madeixas escuras sentada sobre o banco de madeira em frente ao instrumento. De repente, tomei consciência do que eu estava fazendo e a timidez se apossou de mim. O que eu faria se ele me visse? Como puxaria assunto? Talvez ele não gostasse da sugestão de tocar na peça que o clube de teatro estava organizando.

Distraído, acabei tropeçando em uma bateria que surgira no meio do caminho, fazendo muito barulho para o meu gosto. Como eu não vira aquela coisa?

Imediatamente, a melodia cessou e vi o Min virar-se no banco para averiguar o que sucedera. Suas feições suavizaram ao perceber que era apenas um desastrado que trombara em um dos diversos instrumentos espalhados pelo lugar, para logo em seguida formarem uma expressão desconfiada.

- Por que eu sinto que estou sendo stalkeado? - Indagou, arqueando uma de suas sobrancelhas para mim. - Espero que não tenha quebrado isso aí, Nanjoon não ficaria nada contente.

- M-me desculpe! - Arregalei meus olhos, pensando no segundanista responsável pelas aulas de músicas bravo por eu ter danificado um dos instrumentos da escola. Fitei o objeto, me certificando de que nava estava quebrado. Para o meu alívio, parecia tudo bem. 

- Não se preocupe, Stalker-ssi.

- N-não estava te stalkeando! - Gaguejei. Ótimo, agora o outro achava que eu era algum doente que ficava o perseguindo. 

- Ah, é? O que está fazendo aqui, então?

- E-eu... - Comecei, mas não sabia exatamente o que dizer. A verdade era que nem eu sabia direito por que eu estava ali. Novamente, usei do pedido de Tae como justificativa, tanto para o outro garoto quanto para mim. - Eu queria falar com você.

Yoongi levantou as sobrancelhas, aparentando leve surpresa. Talvez não estivesse acostumado com pessoas querendo conversar com ele. Bom, eu também não. Mais uma coisa que poderíamos ter em comum além do amor pela música.

- Falar comigo? - Questionou o mais velho, logo se ajeitando em seu assento. Havia algo em seu olhar que era difícil de distinguir. Apreensão? Desconfiança? Não era a primeira vez que eu reparava nesse detalhe, embora não entendesse muito bem o porquê dele olhar dessa forma para as pessoas. Lembrando da primeira vez que eu o vira, com Kwang o incomodando, talvez eu tivesse uma noção. Mas, de qualquer forma, era cedo de mais para deduzir alguma coisa. - E o que seria?

Aproximei-me do Min, hesitante. Iniciar uma conversa não era algo que me deixava confortável, mesmo que eu, na realidade, gostasse de conversar com as pessoas. Tudo o que eu precisava fazer era falar sobre a peça e perguntar se ele teria interesse em substituir o pianista machucado, certo? Não era difícil.

- Hm... Meu amigo, Taehyung... E-ele faz parte do clube de teatro da escola. Eles estão planejando uma peça para o fim do trimestre e parece que o pianista deles se machucou, então... E-então eles estão precisando de alguém para substitui-lo e... - Levantei meu olhar para Yoongi, percebendo que o mesmo prestava atenção, apenas esperando que eu concluísse o que quer que eu pretendia dizer. Entretanto, algo em sua expressão denunciava que ele já tinha uma ideia de onde isso iria acabar. - Você toca piano muito bem, então eu disse que poderia falar com você e ver se você teria interesse em tocar na peça?

Minha voz saiu mais receosa do que eu esperava, talvez por causa de seu olhar sobre mim. Parecia que ele não estava gostando nada daquilo e que negaria com certeza. Não que tivesse algum problema em o outro me dizer "não", mas tinha. Eu ia me sentir um idiota e ficar envergonhado, sem saber o que dizer. Me culparia por atrapalhar o garoto em seu ensaio e sairia dali imediatamente, sem a menor intenção de voltar. Que drama, Jiminnie.

Yoongi pareceu ponderar por alguns instantes, assimilando as palavras que eu havia acabado de dizer, provavelmente considerando se devia aceitar ou não o pedido. Sinceramente? Eu conhecia o garoto ao qual Tae se referira e eu podia dizer, sem dúvida nenhuma, mesmo só tendo o visto tocar uma vez, que o Min era muito melhor. Não que o outro não fosse bom, mas o segundanista à minha frente conseguia emitir um mar de emoções enquanto fazia música, de um modo que poucos são os capazes de fazê-lo. Yoongi seria muito mais do que um bom substituto.

- Eu não gosto de fazer coisas que chamam atenção. - Falou, por fim. Pude notar uma incerteza em seu semblante, me fazendo questionar-me se isso não seria uma desculpa do outro para evitar algo que ele poderia gostar de fazer, mas que tinha medo; afinal, eu entendia bem do assunto. 

Diante de tal pensamento, me recusei a encerrar o assunto por ali e aceitar sua recusa - porque, para mim, aquilo não havia sido exatamente uma recusa. Talvez, se eu não entendesse como era deixar de fazer o que gosta por receio, eu não tivesse me importado. Todavia, eu entendia, e não gostava da ideia de outras pessoas passando por situação igual.

- Entendo... Eu também não gosto. - Tentaria deixar minha timidez um pouco de lado para convencer o mais velho. - Mas você com certeza se sairia bem e, sabe, as pessoas não prestam muita atenção em quem está tocando o piano.

- Ah, obrigado. - Ergueu as sobrancelhas enquanto falava - movimento que ele parecia fazer bastante - e soltou uma risada sem humor.

Senti meus olhos se arregalarem pela segunda vez desde que adentrara a sala de música. O que eu havia dito?

- N-não foi o que eu quis dizer! - Minha voz saiu rápida e meio desesperada para tentar consertar a situação. - É... e-eu...

- Tudo bem, eu entendi o que quis dizer. - Yoongi soltou uma risadinha, parecendo se divertir com minha reação. Por que ele fazia isso? Então seu olhar se tornou sério e ele me encarou, pensativo, logo depois deixando um suspiro escapar de seus lábios. - Eu irei pensar.

Sorri com a resposta, feliz por ter conseguido fazer com que o outro ao menos considerasse a ideia de tocar na peça. 

- Obrigado, Yoongi-ssi.

O garoto de cabelos negros estreitou os olhos, e eu percebi que havia feito besteira.

- Como sabe meu nome? - Indagou, aparentando desconfiança e, ao mesmo tempo, curiosidade.

- E-eu... hm... - Desviei o olhar, pensando no que eu deveria responder. Não havíamos nos apresentado um para o outro ainda, de modo que eu não deveria saber o nome do outro. Sabia que eu não havia feito nada de errado, que havia apenas escutado o chamarem assim, mas não sabia se deveria contar que vira Kwang chamando-o daquela forma, enquanto este o importunava. Contudo, eu também não via porque deveria mentir. - Kwang...

- Hm... Então você conhece ele? - Se empertigou no banco de madeira, provavelmente não gostando de ter o garoto popular citado na conversa.

- Todos conhecem ele. - Respondi. - Eu... eu ouvi ele te chamar assim no corredor ontem.

- Ah... - Balançou a cabeça, indicando que havia compreendido. - Ok.

Me incomodei um pouco com a situação, não era minha intenção mencionar o ocorrido do dia anterior. Não tinha certeza se Yoongi entendera que eu assistira àquele momento, mas algo me dizia que sim. 

Um silêncio incômodo se fez entre nós, provavelmente porque nenhum dos dois sabia o que falar em seguida. Eu queria muito conversar com o mais velho, saber mais sobre ele, pedir desculpas pela atitude idiota do capitão do time de basquete. Yoongi aparentava ser uma pessoa reservada, mas eu sabia que pessoas assim geralmente têm muito escondido. 

O garoto fez menção de voltar a tocar, começando a se virar no banco de madeira. Se ele voltasse a se concentrar na música, sabia que não conseguiria mais chamar sua atenção. Contudo, havia algo que ainda perturbava meus pensamentos: aquela maldita frase. 

- Y-yoongi-ssi. - Precipitei-me, impedindo que o moreno terminasse seu movimento e ficasse de costas para mim. Seu olhar repousou sobre mim novamente. - E-eu queria te perguntar mais uma coisa.

- Pode perguntar. - Assentiu levemente, como se me desse permissão.

Tomei coragem para continuar.

- Ontem, antes de eu sair, você me disse uma coisa. - Desviei o olhar, eu nunca conseguia encarar uma pessoa nos olhos por muito tempo. - Você me disse: "você é muito bom para ficar dançando escondido". O que quis dizer com isso?
Levantei meu rosto outra vez, fitando os olhos negros do rapaz à minha frente. Ele me encarou de volta, um leve sorriso despontando de seus lábios.

- Eu quis dizer exatamente isso. - Foi sua resposta, o que serviu apenas para me deixar mais confuso. Yoongi deve ter percebido isso, pois continuou. - Minha irmã é do clube de dança, eu já vi os outros alunos com quem ela pratica e você não é um deles. Mas, considerando o modo como você dançou ontem, é bem óbvio que você ama dançar. Então, sendo assim, deveria haver algum motivo para você não participar das aulas, e eu deduzi que deveria ser por algum tipo de receio. Quando minha irmã comentou sobre um primeiranista que havia comparecido a aula e depois desaparecido após ter caído ao se apresentar ao grupo, eu imaginei se poderia ser você, o que só reforçaria minha dedução anterior. Aquele garoto é você, não é, Park Jimin?

Parecia uma linha de raciocínio muito simples e óbvia, mas eu ficara impressionado com a capacidade de observação e percepção do outro - eu não teria chegado àquela conclusão.

Assenti, sem saber o que fazer. Estava começando a ficar envergonhado de novo. Yoongi sabia de minha humilhação do dia anterior e sabia que eu havia fugido igual uma criancinha assustada. Ele poderia me julgar agora, rir de minha covardia. Poderia jogar na minha cara que eu passaria o resto da minha vida dançando daquele modo, escondido

Fitei o chão, surpreso e constrangido. 

- Eu entendo. - Sobressaltei-me ao ouvir sua voz novamente, suave e compreensiva. - Pode dançar aqui sempre que quiser.

Meus olhos se voltaram para o garoto de cabelos negros com uma velocidade que me surpreendeu. Ele me encarava com um sorriso cúmplice. 

Eu não sabia o que dizer, então não disse nada, mas logo todo o meu rosto sorria de volta para o outro. 

Sim, as pessoas são boas.

Eu não preciso nem dizer que voltei para aquela sala de música mais vezes do que um dançarino deveria fazê-lo.

 


Notas Finais


Muito obrigada por lerem!

Críticas são muito bem vindas. ^^


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...