História Estranho no Ninho (Romance Gay) - Capítulo 16


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Gay, Homofobia, Lemon, Romance, Romance Gay, Sexo, Sexo Gay, Traição, Yaoi
Visualizações 207
Palavras 2.011
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Ficção, Lemon, Romance e Novela, Violência, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 16 - Noivo? Que noivo? Eu quero é que ele se exploda!


Jamie

Vamos lá, Jamie. Você já fez isso um milhão de vezes, por que parece tão difícil? É só subir no palco, falar as palavras repetidos de sempre e pronto. É só não pensar no Robert, nem no pai e vai dar tudo certo. Eu não preciso deles, certo? Eu sou suficiente para mim mesmo.

Enquanto tentava me encorajar a descer do carro via Bel em pé em minha frente com a porta aberta. O motorista apenas seguia em pé esperando a minha boa vontade para descer.

— Algum problema, senhor Drummond?

Chacoalhei a cabeça rapidamente, de modo que saí do meu momento de delírio interior. Levantei-me e enfim saí, sem dar resposta alguma para o motorista, eu definitivamente não lhe devia satisfações.

E lá ia eu subindo pelos degraus do luxuoso teatro. Enquanto isso os flashes cobriam meu rosto.

Ao chegar ao fim da escadaria, já fui atingido em cheio. Robert, Wesley, o pai e Giovanni. Todos juntos. Enquanto tentava entender o que Giovanni fazia ali, ainda mais abraçado com meu pai, eu pensava em como nunca tinha visto tanta gente que me odiava junta. Bem, eles teriam que me engolir.

Passei por eles ignorando totalmente as suas existências. Não iria me dar ao trabalho de questionar nada. Se meu pai queria me provocar eu iria provar a ele que não sairia da linha tão facilmente.

Me afastei procurando um lugar mais vago. Ninguém veio falar comigo, não que eu realmente me importasse, preferia a paz a um bando de puxa sacos. Lá estavam eles todos idolatrando o senhor Abraham. Que seja, não preciso de nada disso. Semana que vem meu pai some no mundo novamente e eles vão se ver comigo.

— Olá. — ouvi uma voz próxima a mim.

Nem precisei virar até ele para saber que se tratava de Robert. Fiz menção a sair de perto dele mas senti sua mão segurar o meu braço.

— Jamie... — murmurou e eu enfim olhei em seus olhos — Todos esses dias longe e você não sentiu nada? Não sentiu minha falta?

— Você pode me soltar, por favor? — pedi mantendo a expressão vazia em meu rosto.

Nem que eu tivesse sentido toda a falta do mundo eu lhe diria. E talvez eu tivesse, talvez eu tivesse de fato sentido falta do seu corpo deitado ao lado do meu. Mas a saudade às vezes é melhor do que a dor da presença.

— Então é assim? — largou o meu braço — Vai continuar com esse jogo?

Dei um sorriso debochado.

— Querido, eu não jogo. Eu venço. — Completei e enfim me afastei.

Caminhei até próximo do palco, não deveria demorar até a hora do discurso. Fiquei por ali mesmo, peguei uma taça e champanhe e tentei fingir que minha vontade não era estar em casa na minha banheira de hidromassagem.

•••

Enfim era a hora. Lá ia o senhor Abraham fazer seu discurso. Palavras muito bonitas para alguém que aparecia na empresa uma vez por ano. Falou, falou, e eu apenas esperava pelo momento que teria que subir lá em cima. E então uma enxurrada de palmas começa. Puxa sacos! Mas pelos já era minha vez se subir. Acabar de vez com essa tortura.

Comecei a me aproximar do palco até que...

"Onde está você meu amigo, e principalmente meu filho de consideração, Giovanni?"

Eu só podia estar enlouquecendo. Não podia ser verdade. Meus ouvidos simplesmente não acreditavam no que estavam ouvindo. Somente após ver que não era sobre mim que estava o holofote que eu percebi que não era sonho, era um pesadelo real.

Lá ia Giovanni receber todo o glamour da noite. Poderia ser qualquer, mas papai queria me machucar, queria me ferir. Escolheu a pior pessoa que poderia ter escolhido. O cara que perdeu meu projeto faz mal uma semana. Enquanto o inútil dizia sua meia dúzia de palavras sem nenhuma beleza poética, me afastei do palco. Eu definitivamente não ia participar daquele circo. Cheguei ao salão ouvindo aplausos. É certo que se colocassem um macaco dançando aplaudiriam da mesma forma. Bando de acéfalos.

Mas pelo visto aquela noite ainda me guardava muitas surpresas.

— Jamie!

Não acreditei quando ouvi sua insuportável voz. O que aquele maldito queria? Zombar de minha cara?

Giovanni abriu a boca e quando vi que iria vir com suas desculpas despejei meu champanhe em sua cara. Não estava com paciência para vitimíssimo barato.

— Você acha que eu preciso de satisfações suas? Você não é ninguém, Giovanni. Eu simplesmente não me importo com a sua existência.

Mas lá estava o salvador da pátria. O defensor dos injustiçado.

— Você está maluco? — Robert perguntou com sua cara de cão de guarda.

Aquela noite não podia estar sendo mais insuportável.

— Olha o que você fez com o Giovanni!

A audácia foi tanta que me deu vontade de rir.

— Não, está tudo bem. — Giovanni disse fazendo a vítima indefesa novamente.

— Não, não está! — Robert rebateu — Pede desculpas, Jamie!

Nesse momento fervi de ódio. Eu não nasci para isso, não nasci para me prestar a certos papéis.

— Eu não sou obrigado a nada, entendeu? Você não é nada meu e não vai ser uma aliança no meu dedo que vai me fazer te obedecer.

— Mas a mim você tem que obedecer! Pede desculpas pro Giovanni agora. — dessa vez foi meu pai quem chegou de surpresa.

Mas que diabos! Não pode ser, eles só podiam estar testando a minha paciência, não tem outra explicação.

— Você também não é nada meu, esqueceu? — cuspi as palavras.

Robert e Giovanni ficaram estáticos. Eu me afastei. Dizer aquela última frase me machucou profundamente. Foi inevitável não deixar uma maldita lágrima escorrer por meu rosto.

— Por que você é assim, Jamie? — ouvi a voz do Abraham, ele ainda não havia desistido  — Você sentiu a dor de ser desprezado desde tão cedo, por que despreza tanto os outros?

— Você não vai jogar isso na minha cara! — praticamente gritei tentando sair mas sua mão veio firme sobre meu braço.

— Vou, vou jogar sim! Está mais do que na hora de você aprender a respeitar os outros. Você era tão difere, era tão meigo, tão carinhoso...

— Eu não pedi pra você me adotar! — a última palavra ecoou em minha mente.

Eu havia dito. Havia realmente dito a palavra que tanto odiava. Adoção. Essa palavra me doía tanto. Me rasgava por dentro. Ele não disse mais nada. Também não precisava, o estrago já estava feito. Eu já estava despedaçado o suficiente. Sua mão largou meu braço e simultaneamente um mar de lágrimas escorreu por meus olhos.

Me afastei dele indo em direção a escadaria. Os milhares de flashes estavam lá novamente. Passei pelos mesmos sem ao menos olhar para os lados.

— Jamie! — senti uma mão me segurar novamente.

Aquilo estava me sufocando, todas aquelas mãos me prendendo, me impedindo de sair daquele maldito pesadelo. Virei-me e lá estava Robert. Sem pensar muito bem fechei meu punho e antes que percebesse o mesmo ia de encontro com o rosto dele. Vi-o cambalear para trás e os milhares de flashes fotografarem a cena em euforia. Minha única reação foi virar meu dedo do meio para as câmeras e soltar um grosso:

— Tirem uma foto disso!

•••

Após isso entrei no carro. Bel me olhava totalmente desnorteado.

— Sai daqui! Vai para qualquer lugar, menos aqui! — ordenei e ao olhar pela janela vi Robert ser sustentado pelo maldito assistente.

Bel enfim saiu e enquanto ele dirigia meu olhos choravam inconformados. Estava tudo errado. Todas as pessoas que juravam me amar me machucavam, me desprezavam. Amor nada mais é do que um demônio cruel que nos alimenta de ilusões que nos consomem até a inevitável morte.

Enquanto minha cabeça repousava sobre o vidro gelado da janela do carro eu avistei algo.

— Aqui! — gritei para Bel.

— Tem certeza, senhor?

— Absoluta!

E então ele freou o carro. Estávamos em frente a uma boate. Álcool e música alta, tudo que eu precisava para esquecer a maldição que aquela noite estava sendo. Entrei na boate, Bel insistiu em vir comigo, provavelmente com medo que eu saísse distribuindo socos por aí. Não que eu não tivesse vontade. Sentei ao balcão e pedi uma boa dose de vodka. No momento tocava I Love It do grupo Icona Pop. Bem que eu queria não me importar como a música tanto dizia. Virei o copo em um instante e logo pedi outro.

— Vai com calma. — ouvi a voz de Bel.

Ainda por cima tinha aguentar um velho bancando meu protetor.

— O que houve, senhor? Que loucura foi aquela na saída do teatro? — perguntou me olhando nos olhos.

Virei o segundo copo bebendo-o todo de uma vez assim como o anterior.

— O que houve? — perguntei com os olhos cheios — Imagine um garoto. Um garotinho sozinho. Estava na verdade cercado por diversos outros garotos. Mas ainda assim estava sozinho. Vivia em um orfanato, talvez porque nem mesmo seus pais tivessem sido capazes de lhe amar. — deixei que uma lágrima descesse por meu rosto — Mas então um dia um casal chega. Pela primeira vez aquele garotinho descobriria o que era carinho. Eles parecia realmente amá-lo. Sempre antes de irem embora ajoelhavam-se a altura do pequeno menino beijando cada um um lado da bochecha do pequeno. E então soltavam em uníssono um "Nós te amamos." Diziam com tanta verdade que mesmo fazendo poucas semanas que se conheciam o pequeno acreditava veementemente. Mas um dia algo muda. O casal vai visitar o garoto, mas não sozinho. Dessa vez trazem alguém consigo, um garoto um pouco mais velho que o menor. Filho biológico deles. E então apresentam-no ao pequeno. O pequeno sorriu ao conhecer o que seria seu irmão. Mas no fim da tarde, quando o casal estava perto de partir, o garotinho cometeu um erro. Depositou um suave beijo sobre a bochecha do mais velho. O casal não pareceu achar aquilo muito correto. Tiveram medo de que estivessem adotando uma criança "com defeito" e então foram embora. Levando consigo o mais velho e deixando o menor s em nenhum beijo e sem a clássica frase: "Nós te amamos." E então nunca mais voltaram.

Quando terminei de contar aquilo meu rosto estava totalmente lavado por lágrimas. Bel me olhava de olhos vermelho e cheios como os meus.

— Eu sinto muito, Jamie.

— É isso que eles chamam de amor? — falei com todo o rancor que estava em meu peito — Me desculpe, mas eu não quero esse sentimento cruel dentro de mim.

Virei o terceiro copo, e antes que pudesse pedir o quarto Bel me parou.

— Chega. Vamos embora. — disse sem medo algum de minha autoridade.

Após isso pagou a conta e me ajudou a me erguer. Confesso que já estava grogue das pernas. Nunca fui muito forte com bebidas. Caminhamos até o lado de fora. E então finalmente chegávamos até o carro. Bel abriu a porta de trás mas acenei que não indicando que queira ir ao seu lado. Então ele abriu a porta do passageiro ao lado da do motorista. Sentei-me e vi-o arrodear o carro para entrar no mesmo. Vi-o sentar e fiquei ali olhando fixamente para ele. Nunca havia reparado em como era charmoso. Não era exatamente um velho, mas sim um homem maduro com cabelos e barba grisalhos que lhe davam um charme irresistível.

— Vou te levar para casa. — disse me encarando.

Era a deixa que faltava. Puxei-o para um beijo afoito. Ele mal teve tempo de se defender. Mas quando nossas línguas se tocaram não se afastou. Seguiu ali provando dos meus lábios enquanto minhas mãos davam a volta em seu pescoço.

— Senhor Drummond, e o seu noivo? — murmurou com a boca quase colada a minha.

Olhei friamente em seus olhos e antes de lhe beijar novamente respondi: 

— Noivo? Que noivo? Eu quero é que ele se exploda!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Notas Finais


~~~~~~FIM DO ATO II~~~~~~

EITA!!!! MUITOS BABADOS EM UM SÓ CAPÍTULO.
E agora? O que será que nos aguarda no terceiro ato dessa história cheia se idas e vindas?
Lembrando que o terceiro ato se chamará Descontroladamente estranho.


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