História Estranho no Ninho (Romance Gay) - Capítulo 17


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Gay, Homofobia, Lemon, Romance, Romance Gay, Sexo, Sexo Gay, Traição, Yaoi
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Palavras 2.677
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Ficção, Lemon, Romance e Novela, Violência, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 17 - Não me abandone na manhã seguinte


Ato III - Descontroladamente estranho

Cada sentimento esbarrando-se um ao outro, misturando-se como tintas, embaralhando-se como cartas. Transformando tudo em uma loucura multicor e sem sentido.

Giovanni

O Jamie que estava ali em frente parecia ainda pior do que o Jamie que se costumava ver com frequência. Seu olhar tinha tanto ódio, e ao mesmo tempo tanta dor, sua face era tão feroz, mas por outro lado tão triste. De repente, era como se Jamie tivesse se partido em dois, de um lado um Jamie furioso e cheio de ódio, do outro um Jamie triste demais para caber dentro de si mesmo. E não havia nada que eu pudesse fazer, mesmo acreditando ser o maior dos culpados.

— Eu não pedi para você me adotar! — ouvi a frase ecoar pelo salão, totalmente descrente.

Eu nunca soube, nunca tive a menor noção de que Jamie havia sido adotado. Olhei para Robert com minha testa totalmente franzida e vi seu olhar me confirmar a história. Ele sabia. Após isso vi Abraham largar o braço de Jamie, como se o deixasse escapar de suas mãos, e lá ia um Jamie totalmente nebuloso, passando em meio de todos aqueles flashes como nuvens negras sendo atravessadas por relâmpagos.

Robert foi atrás dele, talvez finalmente se dando conta de como aquilo tudo o deixou no limite.

— Jamie! — chamou o segurando pelo braço.

E então foi quando eu vi Jamie no ápice de seu descontrole. Ele simplesmente virou-se acertando seu punho em cheio no rosto de Robert.

Senti como se fosse eu quem levasse o soco. Aquilo significava algo, ou melhor, significava tudo. Um gesto como aquele significava que qualquer coisa boa que pudesse existir ali havia morrido. Eu nunca acreditei no amor de Jamie por Robert, mas por mais irreal que possa parecer, eu pude sentir, no momento daquele soco, que Jamie poderia ter todos os defeitos do mundo, mas certamente amava Robert. Pois chegar até aquele ponto, no mais fundo possível do poço, só podia significar que o que ele sentia por Robert era proporcional a sua decepção.

Não bastasse a merda já feita. Jamie ainda fez questão de mostrar o dedo do meio aos fotógrafos. Amanhã certamente estaria em todas as notícias possíveis. Todos os tabloides e revistas de fofoca. Uma única noite foi o necessário para fazer tudo ruir.

Fiquei estático sobre a escadaria. Cada célula do meu corpo parecia ter congelado. Foi quando senti um toque, um dos braços do senhor Abraham pousando sobre meu ombro. Nesse momento uma lágrima escorria por meu rosto. E de repente tudo que eu vi foi um enorme clarão. Era mais uma foto, uma trágica foto de um homem cheio de culpa chorando ao ver o quão de ponta-cabeça tudo estava.

— A culpa não é sua. — ouvi Abraham dizer como se lesse meus pensamentos.

Olhei-o com uma fúria que nem sabia que existia dentro de mim. Todo aquele circo, toda aquela tortura desnecessária, aquela forma ridícula de fazer Jamie sentir. Tudo estava errado, não era assim que se ensinava uma lição a alguém. Ainda mais alguém desequilibrado como Jamie Drummond. Sabe lá Deus o que ele ainda seria capaz de fazer até o final daquela noite insana.

— Espero que esteja satisfeito. — cuspi as palavras finalmente respondendo-o.

— Como?

— Como o que? — afastei sua mão de meu ombro — Não está vendo? Não viu a merda que o senhor fez?

— Giovanni...

— Giovanni, nada! — interrompi descendo os degraus — Eu não aceito a sua proposta, eu não quero voltar para a O'CLOCK. Essa noite só serviu para me mostrar que a pessoa mais sã daquele lugar é o Jamie. O que só mostra o quão bem me faz ficar longe de vocês. Um bando de loucos e suas manias, brincando com os sentimentos de todos ao redor. Não me impressiona que o Jamie seja como é.

Deixei que todo o rancor escapasse por meus lábios, caminhei até meu carro sem olhar para trás, e enfim adentrei o mesmo. Lá joguei meu rosto sobre o volante. Deixando um grunhido grosso escapar por entre meus dentes. Estava exausto. Tudo que veio em minha cabeça durante aquele momento foi em como a noite de Richard e Matheus deveria estar se saindo infinitamente melhor. Provavelmente o loiro já teria beijado tantas bocas que sequer lembrava o gosto da minha. Maldita ideia de sair de casa, maldita vida, maldita paixão incontrolável por aquele maldito loiro, maldito mundo!

•••

Dirigi pela noite gelada enquanto sentia o cheiro do champanhe que Jamie havia atirado em meu rosto exalando. Tudo que eu queria era chegar em casa, me jogar debaixo do chuveiro e depois dormir, para sempre se possível.

Mal desci do carro e meu telefone vibrava. Olhei e lá estava a foto do senhor Braga. Pensei em não atender, mas papai merecia um pouco mais de minha atenção, faziam dias que não nos falávamos.

— Pai. — atendi enquanto abria a porta da sala.

— Olá, meu garotão. — ouvi sua voz que parecia estar sempre de ótimo humor.

— Olá. — respondi tentando disfarçar que meu ânimo estava bem diferente do seu.

— E então, como estão as coisas?

Era a hora, ele iria surtar, mas eu tinha que contar. Sentei-me no sofá, respirei fundo e então enfim comecei:

— Pai, me escuta. Não quero que o senhor surte e nem quero o senhor ligando para ninguém, certo? Aconteceu algo, mas está tudo bem.

— Do que você está falando? — seu tom de voz pareceu apreensivo — Aconteceu algo com você? Ou foi seu irmão?

— Calma, ok? — interrompi seu momento de euforia — Eu e o Matheus estamos bem. O caso na verdade é outro.

— Fala logo, Giovanni! Quer me matar do coração?

— Eu saí da O'CLOCK.

— Como é que é? — praticamente gritou — Como saiu da O'CLOCK? Você estava lá a anos, era ótimo funci...

— Pai! — interrompi novamente — Eu disse para não surtar, não disse?

— Mas é que...

— Está tudo bem, ok? Eu vou ficar bem. Sei lá, arrumar outro emprego. Meu currículo ainda vale alguma coisa. E eu não quero o senhor ligando para o senhor Abraham.

— Eu não iria ligar... — pausou por um momento.

— Ah, me engana que eu gosto. O senhor ia correndo ligar que eu sei muito bem.

— Já faz um tempo que eu e o Abraham não conversamos. — disse e pude notar pela voz embaralhada que ele estava sem jeito.

— Como assim? — questionei surpreso — Vocês sempre foram tão amigos.

— Ah, nada. É só que o tempo foi passando e... Não sei.

Estranho.

— Mas enfim. — mudou de assunto abruptamente — Na verdade eu liguei para dizer que estou chegando.

Como assim está chegando?!

— O que? — arregalei os olhos. 

— Isso mesmo, decidi passar um tempo na cidade. Chego amanhã.

— Amanhã?

— Sim, foi o que eu disse, não foi? — perguntou em tom de chacota enquanto dava uma risada.

— Está bem, então. — eu acho — Nos vemos amanhã.

— Nos vemos amanhã. Agora tenho que desligar. Tchau filhão, estou com saudade.

— Tchau, pai. Também estou.

E então desliguei a ligação. Não é que eu não goste do pai. Na verdade eu amo aquele cara. Porém não sei se é o melhor momento para ele vir à cidade. Espero que ele realmente não insista em falar com o senhor Abraham... Falando nisso, que história é essa de não estar falando com ele? Sempre foram ótimos amigos.

Mas quer saber? Que seja! Vou cumprir meu plano inicial. Tomar meu banho, me jogar na cama e dormir como se não houvesse amanhã.

Levantei, sentindo o peso do cansaço quase me fazer sentar novamente, e caminhei até a escada. Graças a Deus que era somente a minha velha escada singela. Mas ainda assim me fazia lembrar da pavorosa escadaria do teatro repleta daqueles infames fotógrafos. Essa certamente foi uma noite para se esquecer, porém algo me diz que não será esquecida facilmente.

Enfim cheguei a porta do meu quarto, meu maravilhoso antro de paz e descanso. Abrir a porta calmamente, com a outra mão já começava a desabotoar os botões de meu terno. Quando a porta finalmente se abriu por completo vi uma cena se repetir quase que como um déjà vu em minha mente. Lá estava Richard mais uma vez dentro de meu quarto. Porém dessa vez não estava apenas de toalha, e parecia realmente abatido.

— Richard? — perguntei estranhando sua posição curvada enquanto seu olhar estava em direção ao chão do quarto.

Foi quando ele ergueu a cabeça e pude notar que seu rosto estava molhado. Quando percebi que ele chorava parei estático onde eu estava e não consegui dizer mais nada.

— Me desculpa, Giovanni. — pediu me olhando nos olhos enquanto os seus vazavam.

— O que houve, Richard?

— Me desculpa.

Comecei a ficar preocupado.

— Como assim?

Ele levantou-se da cama.

— Por tentar negar o que eu sinto.

Essa frase ecoou em minha mente fazendo todos os meus pelos arrepiarem. Meu coração mudou de ritmo avulso, batendo descontroladamente estanho.

— E o que você sente, Richard? — instiguei com meus olhos já brilhando.

— Eu... Eu não sei, Gio... — gaguejava a cada palavra — Não sei o que, só sei que é tão forte, tão intenso que está me consumindo pouco a pouco.

Ele não podia estar fazendo isso comigo. Não podia brincar com meus sentimentos com a facilidade de quem se brinca com peças de lego.

— Você disse que haviam coisas que não podíamos fazer, lembra? Você disse, não eu. Não fui eu quem quis me afastar de ti, Richard. Foi você que não quis sentir sua masculinidade ferida. — soei rancoroso mesmo que não quisesse.

— Mas que droga, Giovanni! — esbravejou levando as mãos aos cabelos — Você acha que é fácil? Acha que é fácil acordar e perceber que está gostando de um cara? Em um mundo torto como o nosso? — sua voz ia perdendo intensidade a cada palavra, ficando mais chorosa e aguda pouco a pouco.

De fato não havia como rebater aquele argumento. Era egoísta da minha parte querer que ele entendesse tudo aquilo dentro de si. Entender que talvez não fosse quem acreditava ser durante toda a vida. Era um choque grande demais para pedir que ele simplesmente se conformasse. Me senti egoísta porque eu mesmo lutei durante anos para aceitar que era assim, aceitar que às vezes nascemos diferentes e pronto. E mesmo hoje, quando já me aceito plenamente como sou, ainda não ouso gritar para o mundo.

— Eu só fui lá, Giovanni, por um único motivo. Tentar tirar você de minha cabeça. Tentar beijar alguém, beber, e esquecer você nem que só por um instante. — disse e esfregou um dos olhos secando uma lágrima — Mas eu não consegui. Não dá, Giovanni. Para todos os lados que olho, sempre que fecho os olhos, sempre que me permito pensar, é a sua imagem que surge em minha mente, é você quem está em tudo e em toda parte.

Era muita informação, muitos sentimentos para conseguir digerir. Richard parecia ter perdido o controle das próprias palavras. Dei um longo suspiro, levando uma de minhas mãos até minha testa, procurando palavras para rebater aquele bombardeio de sensações, mas elas não vinham.

— O que você está me dizendo, Richard? Faz ideia do quão sério isto é para mim? Sabe que eu tenho sentimentos, não sabe? Você não pode me dizer algo na sexta e mudar totalmente de opinião no sábado, você não pode apertar um botão de delete e reescrever as palavras que já disse.

— Se eu faço ideia? — perguntou com mais uma lágrima escapando do olho e um tom de ira na voz e nas linhas de seu rosto — Você faz ideia, Giovanni? Você sabe o que é estar beijando uma garota linda, cheirosa, gostosa, como todas as que você beijou na vida, fechar os olhos e então se deparar com a visão do irmão mais velho de seu melhor amigo? Faz ideia do que é perder uma noite de sono pensando no gosto da boca de outro homem?

Não consegui dizer mais nada. Apenas fiquei ali o olhando. Suas palavras eram tão dúbias, tão bonitas e ao mesmo tempo tão pesadas. Parecia que me amar era a pior coisa do mundo, mas ainda assim me amava. Não amava? Isso era bom ou ruim? Eu não sabia o que sentir, não sabia o que fazer. Foi quando senti o impacto de dois corpos se chocando contra a parede. Richard havia voado sobre mim, me beijando com desejo. Suas mãos foram vorazes até minha cintura. Seus dedos me apertavam, sua barriga estava colada sobre a minha. Nossas bocas perdiam todo o fôlego enquanto se tocavam com gosto e fervor.

Senti meu corpo desprender-se da parede rapidamente. E logo me senti jogado contra a cama. Era tudo mais rápido do que eu pudesse entender o que estava acontecendo. Mas nossas bocas seguiam em constante contato. Trocando suas salivas enquanto nossas línguas se arranhavam. Logo suas mãos quentes estavam sobre minha virilha. Ouvi o estalo do meu sinto sendo aberto. Sua boca afastou-se da minha. Pude enfim ver seu rosto de perto, não tinha nenhuma expressão, apenas um vazio constante. Enquanto isso suas mãos seguiam descendo minhas calças, ele então voltou a me beijar e sua boca mordia a minha em um movimento sem nenhum pudor.

— Richard! — tentei chamar mas ele me ignorou afundando seus lábios pelo meu pescoço ao qual ele sugava.

— Richard! — chamei novamente, dessa vez deixando um gemido escapar por meus lábios após o fim da pronúncia de seu nome — Para!

Ele suguiu com o peso de seu corpo sobre o meu, sua boca subiu do meu pescoço até chegar aos meus lábios e eu sentir sua língua adentrar minha boca novamente.

— Para! — gritei e com a força dos meus dois braços o empurrei para longe de meu corpo.

Ele foi parar na borda da cama, quase caindo da mesma. Sua expressão era uma de total confusão.

— O que foi? — murmurou perdido — Eu não entendo. Pensei que você me quisesse, pensei que sentisse o mesmo por mim.

Uma incontrolável vontade de chorar me atingiu e lá ia uma lágrima descendo pesada como uma tonelada pelo meu rosto.

— Droga! — ele chacoalhou a cabeça e passou a mão pelos fios macios de seu cabelo — Merda! Desculpa, Gio... Desculpa. — senti seus braços me rodearem em um inevitável abraço — Eu não queria te machucar. Me perdoa, eu não devia ter feito assim. Devia ter sido mais paciente contigo.

A verdade é que aquele choro tinha muito mais significado. Richard de fato não havia me machucado. Eu só estava com medo. Aquilo era o mais próximo que eu chegava de uma transa desde o ruivo... Não queria que tudo fosse como foi. Não queria me acabar em uma noite cheia de tesão e depois me ver sozinho. O que eu sentia por Richard era totalmente diferente do que senti pelo ruivo. O loiro estava claramente bêbado e eu definitivamente não queria ser um motivo de arrependimento no dia seguinte. E se após acordar as lembranças dessa noite forem tão inconvenientes para ele quanto a ressaca? Não quero ser o homem quem tirou de si a masculinidade pela qual ele tanto parece presar.

— Desculpa, Gio. — pediu novamente enquanto seus dedos suavemente tocavam meu rosto.

Eu olhei em seus olhos brilhantes, estávamos tão próximos, nossas testas praticamente tocavam uma à outra. Senti ele aproximar seus lábios. Dessa vez lentamente. Não resisti e acabei por deixar o beijo acontecer. Ficamos ali, sentados sobre minha cama, enquanto nossos lábios tocavam-se com ternura. Nesse momento abracei-o com toda minha força, e enquanto eu lhe beijava um único pedido se passava em minha cabeça:

Não me abandone na manhã seguinte.

 

 

 

 

 


Notas Finais


Já começamos o nosso terceiro ato com #Gichard a todo vapor! Será que agora nosso ship desencana de vez? Vamos torcer!!!
Beijos e abraços, nos vemos nos comentários. ❤❤❤❤❤❤❤


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