História Estranho no Ninho (Romance Gay) - Capítulo 18


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Gay, Homofobia, Lemon, Romance, Romance Gay, Sexo, Sexo Gay, Traição, Yaoi
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Palavras 2.255
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Ficção, Lemon, Romance e Novela, Violência, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 18 - Tudo o que eu não queria ouvir


A verdade é que não existe fundo do poço. Não importa quão ruim tudo esteja, sempre pode piorar.

Jamie

Meus olhos se abriram subitamente. Eu parecia estar em um pesadelo. Porém pelo visto ainda não havia acordado, pois eu definitivamente não fazia ideia de que lugar era aquele. Franzi a testa totalmente perdido, eu com certeza não estava em meu quarto, muito menos nos meus lençóis de seda. Olhei para o lado e o baque foi ainda maior. Eu não estava sozinho.

— Bel?! — quase gritei.

Ele abriu os olhos espantado com o meu grito.

— Meu Deus, que porra é essa?

— Calma, senhor Drummond.

— Calma? Como calma? — subi os lençóis da cama e me espantei mais ainda ao ver que ambos estávamos nus — Meu Deus, não, não, não! Isso não pode estar acontecendo.

— Calma, ok? — teve a audácia de dizer — Aconteceu, é verdade, mas ninguém precisa saber de nada.

— Seu cretino de merda, o que diabos está acontecendo? Eu não acredito nisso, me diga que não é o que estou pensando.

— Jamie... — me olhava sem jeito — Foi só uma transa sem compromisso, não precisa surtar, vai ficar só entre nós, tudo bem?

— Cala a boca, seu idiota! — me afastei dele na cama enquanto minhas pernas tremiam — O que você fez comigo? Seu maníaco! Você abusou de mim?

— O que? — ele gritou com uma expressão de espanto — O senhor enlouqueceu? Meu Deus do céu, não repita uma coisa dessa nunca mais. Está maluco? Eu tenho uma filha, senhor. Quer acabar com minha vida? Eu jamais tocaria em um fio de cabelo de alguém sem o consentimento da pessoa.

— Maldito! Está querendo me dizer que eu quis vir aqui? Que eu quis trair o meu noivo com um velho igual você? Ainda mais motorista? — esbravejei com a voz tremulando.

— Foi exatamente o que aconteceu. Você não lembra de nada? Não pode ser! O carro, lembre do carro. Você me beijou, eu tentei te parar mas você me beijava com vontade, desceu mordendo o meu pescoço... Eu tentei, juro que tentei resistir. Mas foi mais forte que eu.

Meus olhos encheram-se de lágrimas. Por mais que eu quisesse negar, as malditas lembranças começaram a pipocar em minha mente. Eu o beijando, apalpando seu pau. O chupando no carro enquanto ele dirigia até aqui. Agindo como uma verdadeira puta, pedindo mais e mais, e gemendo pelo quarto. Quanto mais eu lembrava mais me doía. Sentei na cama levando as minhas duas mãos ao rosto tentando conter as lágrimas mas elas vieram fartas como um rio.

— Desculpe, senhor Drummond. — aproximou-se sentando ao meu lado — Eu deveria ter me controlado, não foi certo. Mas o senhor pode ter certeza de que essa noite morreu aqui, te dou minha palavra.

— Você não entende? — gritei em fúria — Alguém saber ou não é o de menos. O que importa é o ato, o ato consumado jamais será apagado. Eu não acredito nisso, não acredito que feri meus próprios princípios. Eu traí o meu noivo. Eu transei com outro homem, e nada vai mudar isso. Não importa quem saiba ou deixe de saber.

— Eu sinto muito. — falou fazendo menção a tocar meu braço mas eu me afastei.

Seu toque me dava nojo. Não dele, mas de mim. Dá pessoa que eu havia me tornado. Do maldito traidor que eu havia me tornado.

— Me leva embora daqui! Agora! — ordenei em um murmuro rude.

Procurei minhas peças de roupa que estavam esparramadas pelo quarto. E as vesti com a maior pressa de minha vida. Tudo que eu queria era sair dali. Sair o mais rápido possível daquele lugar vil que cheirava a traição.

— Espera, preciso ver se minha filha já saiu. — falou saindo do quarto.

Fui ao seu banheiro, joguei uma água em meu rosto e gargarejei uma tampa de antisséptico bucal. Sabe lá Deus o que havia passado por minha boca. Eu preferia nem me lembrar. Apesar de que um gosto estranho que senti ao acordar me dê algumas pistas.

Quando ele voltou me confirmou que poderíamos descer sem medo. Atravessei aquela sala sem olhar para nada. Não queria ter a infelicidade de mais memórias me queimando por dentro. Bel abriu a porta de trás do carro e eu adentrei o mesmo.

— Droga, a minha filha! — sussurrou surpreso olhando para o portão que acabava de ser aberto.

Retraí minha postura no banco de trás enquanto ouvia Bel descer o vidro da janela de seu lado.

— Pai, ainda em casa? Não está atrasado? — ouvi a voz da jovem perguntar.

— Ah, sim querida, papai está atrasado. Inclusive é melhor eu ir. Tchau — ouvi algo que pareceu um beijo na bochecha.

— Tchau, bom trabalho.

Quando Bel ligou o carro voltei a postura normal. Vi a jovem de longe, deveria ter uns vinte e cinco. Seu rosto me parecia bastante familiar. Tentei me lembrar de algo e enquanto Bel já passava pelo portão uma memória me atingiu em cheio.

•••

Foi depois de tudo, depois de ter me entregado por completo, Bel depositou um beijo molhado em minha boca e foi despido em direção ao banheiro. Fiquei ali sobre a cama enquanto ofegava após o ato. Estava sentado, meus pulmões pulsavam cansados. Consequência dos inúmeros gemidos que soltei. Cambaleei para fora do quarto e saí perambulando despido e bêbado até chegar à cozinha. Quando abri a geladeira ouvi o barulho da porta da sala sendo aberta. Meu coração pulsou sem freio. Para não ser visto me retraí ficando escondido atrás da parede.

— A gente tem que conversar, Sam. — ouvi uma voz masculina

— Eu não te trouxe aqui para conversar. — ela disse e então ouvi apenas o som de duas bocas se beijando.

— Não Sam, é sério. — o jovem insistiu — A gente precisa mesmo falar sobre o Richard.

— Matheus! — a menina parecia estar mais interessada em fazer outras coisas. Olhei pela beira da parede e eles se agarravam caindo sobre o sofá.

— Me escuta! — o garoto afastou as duas bocas — Eu quero que você volte para o Richard!

— Como é que é? — a menina soou incrédula.

— É isso mesmo, Samantha. O cara tá sofrendo. A gente tava numa festa hoje, na maior vibe e ele não conseguiu ficar com nenhuma garota. Eu ainda tentei fazer ele ficar com uma bem gata, mas depois de um beijo ele saiu atordoado falando que ia embora.

— É tão bonito ver você preocupado com seu amigo. Nem parece que transou com a namorada dele. — ela debochou.

— Samantha, para com isso! Eu gosto do Richard. Ele é meu melhor amigo. Mas é porque você tem uma coisa que eu só sinto contigo. Não me orgulho de ter furado o olho dele, ok? Mas o que posso fazer? Você faz como ninguém.

— Eu também gosto do Richard, Matheus. Por isso terminei com ele, não tenho estômago para ficar fazendo papel de vadia. Namorando com ele e transando as escondidas com você.

— A gente para de transar, então!

— O que? Tu tá se sentindo tão mal assim? Nem louca que eu trocaria você pelo Richard. Você tem uma pegada que me deixa louca. Nunca senti tanto prazer com ninguém.

— Então a gente continua transando. Mas por favor, fala com ele. Trás ele de volta pra sua casa. Ele não está bem. O cara passa o dia voando, tá indo mal na faculdade, não pega mais ninguém...

— E quem garante que isso tudo é por mim? — a menina questionou.

— E por quem mais seria? Óbvio que é por você, foi você quem disse que amava ele e depois deu um pé na bunda.

— Idiota. — ela lhe deu um tapa no ombro.

— Idiota que te faz ter os melhores orgasmos de sua vida.

E então eles se beijaram novamente enquanto se apalpavam no sofá.

— No meu quarto, papai pode ver a gente aqui. — ela o chamou.

Eu não sabia quem era Richard, mas ele era certamente o maior corno do mundo. Já aquele garoto, o tal "melhor amigo", eu tinha uma inconveniente sensação de já ter lhe visto em algum lugar. Mas estava bêbado demais para saber onde ou se isso de fato aconteceu.

•••

Após despertar daquela memória no mínimo estranha, me deparo com os olhos fundos de Bel me olhando pelo retrovisor. Olhei para o caminho e só ali percebi para onde ele estava me levando.

— Não, a mansão não!

— Como? — perguntou franzindo a testa.

— O apartamento do Robert, é pra lá que eu vou.

Vi seus olhos arregalarem com a resposta.

— Senhor Drummond, o senhor tem certeza que...

— Cala a boca e me obedece.

— Mas... Cuidado com o que vai dizer, não quer acabar com seu casamento, quer? Meu Deus, Jamie. Foi só uma maldita noite, nós podemos superar isso, podemos esquecer tudo. — dizia totalmente nervoso. Claro, ele já sentia seu emprego indo embora.

— Só vai para a casa do meu noivo e pronto.

A verdade é que nem eu sabia o que iria fazer. Eu estava acabado, ainda não acreditava no que eu tinha sido capaz. Enquanto o apartamento não chegava mais inconvenientes lembranças me ocorriam. Lembranças quentes e eróticas. Pedidos safados na borda do ouvido, beijo gelado no pescoço. A barba dele roçando por todas as partes do meu corpo. Como eu pude? Como eu fui fazer uma merda dessas?

Bel enfim parou o carro. Enquanto eu buscava coragem um silêncio reinava dentro do mesmo. O motorista me olhava com aquele mesmo olhar de receio, soltando um suspiro preocupado. Antes que ele descesse eu saí do carro por si só.

Caminhei em passos lentos, porém que não transpareciam calma, eu estava surtando por dentro. Em pé, em frente ao carro, Bel me observava enquanto dava um leve aceno negativo implorando para que eu não fizesse aquilo. Mas eu precisava, ou era isso ou eu iria viver pro resto de minha vida com uma mágoa me perfurando o peito.

Eu já estava no elevador quando tentava formular alguma frase em minha cabeça. E já descia do mesmo quando percebi que nada me vinha a mente. Toquei a campainha, depois depositei algumas batidas lentas e firmes contra a madeira, respirei fundo, a qualquer momento ele estaria ali, na minha frente. E então a porta foi aberta.

— Jamie? — Robert me olhou com uma inegável cara de surpresa.

Seu maxilar estava roxo, bem onde eu havia lhe dado um soco. Mais um dos meus arrependimentos. Sem dizer nada eu me joguei em seus braços e após lhe apertar em um abraço repousei meu rosto em seu ombro.

— Robert... — minha voz já tremulava — A noite de ontem foi um verdadeiro pesadelo para mim. Eu estava cansado, irritado, estressado, tudo estava contra mim. Mas mesmo assim eu não tinha o direito de fazer certas coisas que eu fiz. Eu sinto muito, Robert. Por tudo, tudo o que você sabe que eu fiz, tudo o que você não sabe...

— Jamie... — senti seus dedos passarem por meu rosto — É melhor a gente conversar depois.

— Não, Robert, tem que ser agora!

Eu sabia que a coragem iria faltar. Ou eu contava agora, ou não contava.

— Jamie, eu estou cansado. Você pode voltar mais tarde?

Uma lágrima escapou de meus olhos.

— Você está com raiva de mim. — murmurei com a voz fraquejando — Já não me suporta mais, é isso?

— Não, Jamie, não é nada disso. — ele parecia impaciente — Você sabe que eu te amo, eu estou disposto a apagar tudo o que aconteceu na noite de ontem, só preciso que você me dê um tempo.

— Eu posso ficar aqui com você? — perguntei com meus olhos brilhando e soando como uma criança sozinha. Ter que implorar por alguém me trazia todas aquelas dolorosas lembranças da infância — Não falo nada. Quero apenas te ter comigo, saber que você está perto de mim. Saber que ainda não te perdi... Eu menti, Robert. Eu senti tanto a sua falta naquela semana, pensei tanto em ti. Todas as noites seu cheiro no travesseiro me fazia choramingar madrugada a dentro.

Os olhos dele estavam vermelhos e cheios, como se segurasse uma evidente vontade de chorar.

— Vai embora, Jamie. — disse firme uma última vez.

E mais uma vez eu era abandonado, mais uma vez as pessoas queriam distância de mim. Não falei mais nada, apenas aceitei o que o destino me preparava, dei um passo para trás e, com o rosto molhado e pesado, me virei em direção a saída.

— Robert, você... — ouvi uma voz que adentrou meus ouvidos como uma faca rasgando meus tímpanos.

Eu não podia acreditar. Não podia ser verdade. Lá estava o maldito assistente. Lá estava ele apenas com uma bermuda que eu sabia bem que era do Robert. Quando me viu calou-se por completo. Ambos me olhavam pálidos. Olhei para Robert com uma expressão mista de decepção e descrença em meu rosto. Uma lágrima escorreu a borda de meu olho, caindo direto ao chão. Robert não disse nada, estava estático, totalmente desnorteado. Mas não era preciso, aquele silêncio dizia tudo. Tudo o que eu não queria saber. Tudo o que eu não queria ouvir.

 

 

 

 

 

 

 

 


Notas Finais


Eita!!!
Jamie voltando para um terceiro ato cheio de tensão. E agora? O que será que aguarda o futuro de nossos protagonistas?
Vamos descobrir juntos.
Beijos e abraços, nos vemos nos comentários.
❤❤❤❤❤❤❤❤❤


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